Notas iniciais
Olá meninas, boa noite. Primeiramente, perdão pela demora, mas é que esse capítulo merecia uma atenção especial. Lamentavelmente, o próximo também demorará um pouquinho mais do que o normal, por dois motivos: 1- Ele é continuação deste, ou seja, cheio de detalhes demais. E 2- Porque recebi uma notificação do Nyah, a respeito dos links ao longo das Fanfics. Então, terei que revisar todas as minhas história e edita-las, para que fiquem de acordo com as regras, ou corro o risco de ter minha conta bloqueada. Prestem atenção no capítulo, porque tem detalhes importantes nele. Capítulo dedicado a: Sandy, Ariadna, Bruh, Suelen e Danii, pelas MPs lindas e cheias de preocupação. Obrigada! Apreciem o capítulo, porque esse é meu favorito, desde que comecei a escrever Fanfics. Beijos e até breve.

Bella

Já era dia, eu sabia disso...

Porém, virei para o outro lado e tentei dormir de novo. Eu teria que levantar a qualquer momento. O quarto estava quente e claro e era questão de minutos até alguém vir me buscar para começar com os preparativos do tão sonhado dia.

Graças às mensagens infames de Emmett eu já estava acordada a um tempão. Ele insistia em dizer que deveríamos treinar hoje também. Eu, obviamente, fiz birra e neguei. Já basta a semana de “abra as pernas”, ”flexione os joelhos”, “feche a mão”, “não feche a mão”, “proteja o rosto”, “ataque”, “recue”, “seu murro foi de mulherzinha”, eu estava exausta de acordar às seis da manhã. Quem em sã consciência treinava a essa hora, quanto mais no dia do casamento? Só meu cunhado mesmo!

Isso sem falar das piadinhas quanto a minha vida amorosa. Emmett era irritante, quando queria.

Somente Esme, para me fazer ter aulas com ele. Contudo, tenho que dar o braço a torcer, Emmett me divertiu demais e também me ensinou muita coisa, a principal era entreter meu oponente até que a ajuda chegasse, porque eu era “mansa” demais para enfrentar alguém de verdade, palavras dele.

“O grandão” era uma figura. Rose seria muito feliz com ele. Forkian, teria em seu devido tempo, reis incríveis.

Futuros reis... princesas,... príncipes,... casamento.

Respirei devagar e profundamente tentando não ficar ansiosa. Não precisava daquilo. Era só meu casamento. Só um casamento.

— Querida? Você está acordada? Posso entrar?

Ok. Não havia mais tempo para entrar em desespero.

Dei uma olhada em meu corpo, tudo estava no lugar. Só meu cabelo que devia estar uma desordem, mas, ele tem vida própria e além do mais, Charlie já estava acostumado com isso. Porém, acho que terei de preocupar com isso amanhã.

— Sim, paizinho. Pode entrar.

E então, um Charlie, com uma enorme bandeja de café da manhã, se fez presente no quarto que eu ocupava. Eu não queria nem pensar que aquela, provavelmente, seria a última vez que receberia aquele agrado dele.

— Papai veio te dizer e bom dia. E tomar um último café na cama com a garotinha dele.

A bandeja foi colocada no criado mudo, enquanto ele abria os braços para mim. A emoção dele era palpável e contida.

— Não será a última vez, papai. Nós ainda tomaremos muitos cafés juntos.

Tentei minimizar a situação. Charlie não precisava ficar ser martirizando ao pensar que outro homem ocuparia o lugar dele em minha vida e em meu coração.

Experiências passadas me garantiam que ele não lidava muito bem com essa ideia. E o que Edward e eu menos precisávamos hoje, é de confusão, com quem quer que fosse.

— Eu sei. Mas nunca mais será com você solteira e inteiramente minha.

Não falei?

— Eu sempre serei sua, papai. Isabella Swan, lembra?

Charlie deixou que uma lágrima escorresse e me abraçou forte, bem forte. Era aconchegante estar ali..

— Minha. Só minha. O máximo que farei para aquele, garoto insolente, será um empréstimo. Um empréstimo sem prazo de validade, mas mesmo assim um empréstimo. Você sempre será a garotinha do papai.

— Sempre.

Murmurei com a voz embargada, contudo, sem chorar. Eu havia feito uma promessa. Mesmo, que eu achasse que ela ruiria em algum momento desse dia, faria de tudo para mantê-la, enquanto pudesse.

— Agora vamos tomar logo esse café antes que as mulheres malucas dessa família a roubem de mim.

Assenti e então passamos a próxima meia hora nos deliciando com as iguarias de Angelus.

— Tome, eu mesmo preparei seu leite.

Peguei a xícara e me deliciei com o sabor quente e saboroso. Somente meu pai e Bá sabiam o ponto certo do meu leite e em breve eu não teria mais nenhum dos dois comigo.

— Você não experimentou seu presente. Não ficou como sonhava? Posso mandar fazer outro se aquele não estiver do seu agrado.

Pensei no exagero, que agora ocupava uma vaga na luxuosa garagem dos Cullens. Eu nem havia aberto a porta do tal presente.

— Eu amei, papai. Só não tive tempo essa semana. Desfrutarei dele assim que voltar de viagem. Mas, o senhor não precisava ter me comprado um carro. Eu poderia ter feito isso.

Charlie revirou os olhos, enquanto levava uma torrada, com geleia de morango, a minha boca. Ele me alimentava e eu o entediava com aquela conversa.

— Eu não lhe comprei um carro, princesa. Eu lhe dei um presente de formatura. O mesmo que fiz com suas irmãs. Você merece o mesmo ou até mais do que elas. Portanto, trate de usufruí-lo.

Sorri, tentando disfarça as dúvidas de como faria, para que em algum momento, surgissem algumas fotos minha, na imprensa, dirigindo aquele “trambolho”. Eu precisava dar essa alegria a meu pai.

— Toc, toc. Posso interromper?

Olhamos, ao mesmo tempo, para a porta. Eu sorri. Charlie suspirou em voz alta.

— Oi, mãe. Claro que pode.

Renée veio a nosso encontro e, como se aquilo não fosse nada, se sentou no colo dele. Era maravilhoso notar que estavam na fase do amor eterno.

— Cafezinho na cama? Que mordomia. Também quero.

E me surpreendendo, outra vez, Charlie pegou uma torrada e levou- a sua boca. Ela, como forma de agradecimento, o beijou no rosto.

Eles exalavam cumplicidade naquele instante.

— Huum! Isso está uma delícia. Porém, creio que você deva se apressar, querida. Porque existe uma legião de pessoas lhe aguardando no andar de cima.

Fiz menção de levantar. Porém Charlie me segurou pelos ombros.

— Coma primeiro. Sabe-se lá que hora fará isso outra vez.

Quem era eu para recusar.

E então, somente depois de bem alimentada e satisfeita é que Charlie deixou que mamãe me tirasse dele.

— Venha, amor. Vamos nos arrumar. Esme reservou uma área para nós. E depois, quando tudo já estiver pronto, buscamos seu vestido e aí ficamos somente Alice, Rose, Esme, Vovó Marie, vovó Elizabeth, você e eu, para os retoques finais e o vestido.

Concordei.

Despedi-me de Charlie e sem encontrar uma alternativa melhor segui atrás dela, para o meu “tal” dia especial.

Porém, assim que saímos do quarto, encontramos Tânia no corredor.

Eu a havia evitado por toda a semana, ela me dava calafrios.

— Ah! Olá. Bom dia. Eu estou procurando tio Carlisle. Vocês o viram? Papai precisa falar com ele.

Ela parecia nervosa. Totalmente fora do contesto que expusera.

— Carlisle está com os garotos na biblioteca. Seu pai estava com eles, da última vez que vi.

— Ah! Estava? Nossa! Papai tem estado meio aéreo ultimamente. Deve ter se enganado ou esquecido. Perdoem-me então. Vou até ele. Tenham um bom dia. Ah! E, Bella?

— Sim?

Renée e Charlie se aproximaram mais de mim e colocaram as mãos, protetoramente, em meus ombros.

— Boa sorte. Que esse dia seja especial para você.

— Obrigada, Tânia.

E sem esperar por mais palavras. Ela nos deu as costas e se afastou. Algo não estava certo, eu podia pressentir.

— Garota mais estranha.

— Charlie!

— O quê, Renée? Ela parece estranha mesmo.

Gargalhei baixo enquanto meus pais se despediam com um beijinho.

— Vamos logo Bella. Antes que seu pai comece a enumerar as más qualidades da sobrinha de Carlisle.

Renée virou-se e afastou-se minimamente. Era óbvio, que queria dar- nos privacidade.

Virei- me para meu pai. Os olhos dele escrutavam os meus.

— Hoje mais cedo, eu levei café para Alie e Rosie e disse a elas o mesmo que te direi agora, amor.

Assenti e permaneci quieta. Ele precisava falar, agora.

— Eu cometi um erro quando prometi vocês três, todavia minha cota de burrice já se esgotou há muito tempo. Por isso, Bella, eu preciso que você saiba, que sempre terá para onde ir. Forkian é seu lar e estará, a qualquer momento, de braços abertos para te receber de volta. O mínimo que eu quero de você, filha, é que seja feliz para sempre. Se isso não acontecer, não se sinta obrigada a nada. Volte para casa. Volte para mim.

Negando e segurando as lágrimas, respirei fundo e o abracei.

— Eu te amo, pai.

— Eu te amo, filha. Para sempre. Por todo o sempre.

— Para sempre e por todo o sempre.

O beijei no rosto e recebi carinhos, afagos e beijos por todo rosto.

— Agora vá, antes que eu faça uma loucura e arruíne esse casamento.

Sorri baixinho e o beijei de novo. Eu amava Charlie, com todo o meu coração.

Aceitei a mão que mamãe me estendia. Era hora de enfrentar a realidade.

Andamos por alguns corredores, subimos dois lances de escadas até chagarmos ao local reservado para nós.

A grande sala estava uma desordem organizada. Eram lavatórios, macas, secadores, escovas e pentes, pra tudo quanto é lado. Algo que me dava arrepios e ansiedade ao mesmo tempo.

Ao fundo, três jacuzzis, de madeiras rústicas, e fumegantes se destacavam. Era evidente que elas haviam sido colocadas ali, somente para aquela ocasião.

— Olhem, a futura senhora Edward Cullen chegou.

Sobre murmúrio de “ohhss” e “ahhhss”, fui guiada porta adentro. Esme me esperava de braços abertos.

— Creio que, como suas irmãs, você também vá recusar o café da manhã?

Esme estendia a mão para uma mesa posta a sua direita.

Neguei com a cabeça.

— Pelo que parece nós temos um papai cheio de mimos e saudosista hoje. Adoro quando meu filho está assim. Oi, meu bem?

— Oi vovó.

Abracei Marie e deixe que o calor dela me abrasasse. Só o cheiro de vovó já me enchia de muito amor.

— Marie, sua velha. Largue a noiva de meu neto. Ela precisa aproveitar daquela banheira que mandei preparar exclusivamente para as princesas de Angelus.

— De Forkian. Porque você sabe, sua caquética, que na verdade, elas sempre serão as princesas de meu reino.

— Bobagem. Mero detalhe.

Fui arrancada dos braços de Marie, para os braços e Elizabeth. Ela ria e sacudia a mão esnobando de vovó e mamãe, dizendo que o reino dela era muito maior e melhor.

Esme e Renée pareciam atormentadas e totalmente foras de compasso, perto das discussões infantis daquelas duas.

— Aqui, querida. Essa é para você. Esse banho contém sais naturais e ervas aromáticas de embelezamento e calmantes, para que o dia de vocês seja melhor e mais bem aproveitado. Pode entrar. Você precisa de ajuda?

Fiz que não. E observei Alice e Rose já dentro de suas respectivas banheiras. Rosie parecia se divertir com toda a atenção que recebia. Já Alie, estava concentradíssima, falando com alguém ao telefone.

Tirei as roupa que vestia e com o rosto quente de vergonha, me joguei lá dentro.

Quase gemi de satisfação. A água estava quentinha e o cheiro era divino. Exatamente como eu gostava. Tomara, que em meu novo quarto tenha uma banheira. Eu amava desfrutar de uma.

— Elas são loucas, não são Bells?

— Se são. Acho que uma hora elas vão se pegar pelos cabelos.

Gargalhamos observando ao longe, mais uma calorosa discussão sobre os gostos das princesas. Mamãe e Esme, negavam e tentavam apaziguar os ânimos.

— Imagina como serão nossas reuniões de família? Tédio nunca mais.

— Edward já imagina essa cena. Segundo ele, ficará um pouquinho pior quando os netos começarem a chegar. Ele já está se preparando para o inferno.

— Emmett, nem se importa. Ele entra na confusão e se diverte com as “tiradas” das duas. Porque você acha que elas se odeiam tanto?

— Elas não se odeiam, isso é paixão recolhida.

— Eí, não se entra numa conversa assim. Você estava ao telefone.

Rósalie repreendeu Alice jogando um pouco de água em seu rosto. Eu também havia me assustado com sua intromissão.

— Oh! Perdoem-me. A cerimonialista estava com algumas dúvidas quanto à entrada e precisei socorrê-la.

— Falando em entrada, Bella...

— Não, Rose. Não vamos falar nisso. Hoje é meu dia e não quero me chatear. Nós já conversamos e eu não voltarei atrás. O que está decidido, está decidido e pronto.

Vendo meu estado de ânimos às duas se calaram.

Então, pude respirar aliviada e voltar a relaxar.

Fechei os olhos e mergulhei o corpo deixando somente a cabeça de fora d’água. Logo uma massagista se aproximou e começou a massagear meus ombros.

— Isso é bom. Muito bom.

Sussurrei em agrado.

— Então aproveite. Agora volte a fechar os olhos, porque nossa esteticista vai aplicar uma máscara de relaxamento em seu rosto.

Fiz exatamente o que ela me disse, me deixei ser mimada por um dia. Eu não era muito ligada a esses caprichos. Alice e Rósalie amavam. Minha agenda de médica- estudante, não me permitia isso.

Perto do meio dia, fui retirada da banheira e levada a uma maca. Outra seção de massagem me foi apresentada, dessa vez com óleos quentes e cheirosos.

Rósalie pediu o nome da essência. Segundo ela o recomendaria aos príncipes. Corei de todos os tons de vermelho, mas, intimamente amei a ideia.

Almoçamos uma salada de alface com aspargos, acompanhadas de peixe e frango grelhado. Isso não sustentava ninguém, mas era o certo para quem estava com a ansiedade a flor da pele.

— Agora, sentem-se aqui. Vamos passar para o cabelo.

Mais uma seção de tortura se iniciou. Foi uma estica e puxa, enrola e alisa que parecia não ter fim. Um monte de cabeleireiros e puxa sacos elogiando e dando gritinhos de satisfação quando notavam os resultados surgindo.

— “O da Bells” não vai ficar preso. É um sacrilégio isso.

Alice estava nas minhas costas e instruía a quem quer que tentasse prender meu cabelo.

— Fique calma, princesa. Nós prenderemos somente a parte de cima, para melhor encaixe da coroa e do véu.

Que para minha satisfação e amargura de Alice, era curto. Foi um custo, até que a convenci de que o queria curto, em contra partida, a calda era enorme, diferente do modelo das duas, que não possuía calda. Já o véu era muito grande.

— Tudo bem, mas não prendam mais do que o necessário. Edward gosta dos cabelos dela solto.

Sorri para ela e confirmei. Ele gostava mesmo.

— Alice, deixe sua irmã e sente-se aqui. Se acalme, filha. Tudo está correndo bem.

Mamãe tentava, mas ninguém conseguia acalmar a força da natureza, Alice. O cabelo dela já estava impecável, com pontinhas para os lados. A coroa de Angelus se encaixaria, perfeitamente ali. Minha irmã, não desgrudava do telefone, e todo instante, dava ordens e instruções de como queria que as coisas acontecessem.

Agradeci a Deus por ela ser minha irmã e por ter esse dom.

Rósalie, parecia a rainha da beleza. O cabelo estava totalmente preso. A parte de cima permaneceria daquele jeito, já a de baixo seria solta no momento certo.

— Olha o que eu tenho aqui.

Elizabeth vinha a nosso encontro exibindo um enorme buquê de rosas vermelhas.

Mais um tanto de “Aaahhhsss” e “Oooohhhsss” foram ouvidos.

— Adivinhem pra quem são?

Nós três nos olhamos, mas ninguém se manifestou. Elizabeth prevendo nosso constrangimento se aproximou e me estendeu as flores.

— Dei uma fugidinha para ver se tudo estava nos conformes e fui bombardeada pelo meu neto. Ele queria entrar aqui de qualquer jeito para lhe entregar isso.

Peguei as flores, sob gritinhos e aplausos.

— Tem um cartão aí.

— Obrigada.

Rosas vermelhas, eu amava essa cor.

Procurei o cartão e me deliciei com as palavras.

Princesa

Eu daria o mundo para dormir agora e já acordar amanhã, com você nos meus braços e pra sempre em minha vida.

Passar esse dia sem você está sendo uma tortura.

Venha logo preencher meu coração outra vez.

Te amo!

Edward

Cheirei de novo as flores, enquanto relia as palavras. Meu coração se aquecia com cada gesto de carinho dele.

— Posso? Existe uma suíte nova, nesse mesmo andar, que está precisando de umas flores lindas como estas para decorá-la ainda mais.

Abracei- as uma vez mais, e relutantemente as entreguei a minha sogra. Ela cuidaria bem de meu presente.

— Edward me surpreendeu, sabia?

— A mim também.

— Por quê?

Perguntei para minhas irmãs. Rosálie parecia meio sonhadora, falando de meu noivo. Já Alice parecia ressentida.

— Se pensarmos que ele não te quis de primeira, é surpreendente essa mudança.

— Alice...

— Não, Bells. Alice tem razão. Edward agiu como um idiota. Mas, acredito que todas as pessoas mereçam uma segunda chance. Você deu isso a ele. E olha como estamos? Ele a agarrou e agora tenta se redimir todos os dias. Acho isso lindo.

— Espero que Jasper aproveite a segunda chance dele também.

Era a primeira vez que ela falava abertamente dos problemas com o noivo.

— Nós também esperamos, irmã.

Estendi a mãe e agarrei a de Alice. Eu queria consola-la de alguma forma.

Depois dos cabelos arrumados passamos a maquiagem.

Diferente de minhas irmãs, escolhi algo suave e bem natural. Edward havia me conhecido e teria de se acostumar com a Bella do dia a dia.

— Pronto. Nosso serviço aqui terminou. A rainha nos deu ordens expressas para deixa-las quando tudo estivesse pronto. O restante é com vocês agora.

Depois de muito agradecer a equipe de cabeleireiros, nos sentamos no sofá e esperamos que eles recolhessem suas coisas e saíssem.

O momento era só nosso agora.

— Meninas, Esme, Marie e eu buscaremos os vestidos. Ainda está cedo, são cinco horas agora, porém, a fotógrafa quer fazer algumas fotos de vocês, pelo palácio.

— Mãe, não pode. Os meninos eles...

— Calma, Rose. Eu fiz Carlisle retirar todos daqui. Eles já estão a caminho da basílica de São Francisco. Agora se acalmem e nos digam onde estão os vestidos.

— No closet, bem ao fundo. Papai o trouxe. Os sapatos estão em uma caixa, logo abaixo do vestido. Ele está no cabide, mas uma embalagem preta o preserva. Os funcionários de Alice não quiseram arriscar.

Descrevi o local para minha vó. Ela saiu em busca, ainda rindo de minha descrição. Segundo ela, eu estava nervosa e falando “pelos cotovelos”. E eu estava mesmo.

— Agora eu estou ansiosa.

— Acho que também estou.

— Não era pra menos. Achei que eu era a única anormal dessa família.

Conversamos mais alguns minutos e sorrimos para nossas insanidades. Eu amava quando nos comportávamos como verdadeiras irmãs.

— E então Bells, a lua de mel, já sabe o destino?

Neguei.

— Não. Edward não deu nem uma dica. Só disse pra levar pouca roupa, porque não vamos precisar delas.

— Ah, safado!

Exclamou Rósalie.

Sorrimos de novo. Parecíamos umas bobas de tão felizes.

— E você, Rose. Para onde irão?

— Para a Itália. Emmett insiste que eu tenho que conhecer o berço da macarronada. Eu disse que já estive lá. Todavia, ele nem se importa. Diz que essa viagem será completamente diferente. E, apesar de não ser o meu lugar favorito, creio que ele tenha razão. Algo me diz que redescobrirei a Itália. E além do mais, serão poucos dias. Papai deixou bem claro, que não está nada feliz de Emmett ser o próximo rei. Então, meu noivo quer fazer de tudo para que a opinião de Charlie Swan mude. O que já sabemos, não acontecer. Porém, não custa tentar.

— Verdade.

Concordamos.

— E você Alice, qual será o destino?

Alice suspirou ao se ver no centro das atenções.

Rósalie não deixaria passar. Éramos irmãs e defendíamos umas as outras. Era preciso saber como Alice estava se sentindo.

— França, mais especificamente, Paris.

— Hum! Isso também não é novidade para você. Por acaso, disse a Jasper que tem um monte de diplomas de cursos da capital da moda?

Perguntou minha irmã mais velha.

Elizabeth estava por perto, contudo sua discrição a impedia de se manifestar.

— Eu tentei argumentar. Porém, Jasper foi relutante. Ele acredita que o romantismo da cidade seja bom para o que temos que despertar em nós.

— E você o que acha?

Ela ignorou minha pergunta e deu de ombros, como se seus sentimentos não tivessem importância.

— Estou aceitando todo tipo de conselho e alternativa. Jasper e eu nos encantamos de primeira. E depois, parece que ele perdeu a vontade e a curiosidade quanto a mim. Não sei em que ponto errei. Só queria que ele parasse com essas atitudes.

Permaneci em silêncio. Um medo de que ela me condenasse pela mudança do noivo, ameaçou me dominar.

— Então, se ele acha que Paris seja o lugar que revivará nosso sentimento é para lá que iremos. Jasper me pediu uma segunda chance e é isso que darei a ele.

— Acho que estou em desvantagem quanto a isso. Sou a única que não sabe para onde vai.

Brinquei para aliviar o clima e consegui. Logo as duas estavam me criticando e me implicando por não ter conseguido persuadir Edward a me contar mais sobre a viagem.

Elas insistiam de que “era a hora de termos a tal conversa” ou de “como precisavam me ensinar alguns truques”. Tremi só de imaginar o que sairia dali.

Ainda sorríamos e brincávamos umas com as outras quando vovó, Esme e mamãe retornaram. Cada uma com um cabide e uma caixa nas mãos.

— Alice, um dia você terá que me explicar a utilidade dessas proteções escuras que você manda colocar nas peças que saem do seu ateliê.

A “tal” proteção escura, que vovó citava, nada mais era do que uma embalagem, tipo aquelas que vem com os ternos. A diferença era que as do ateliê Swan’s, não eram transparentes e variavam de acordo com o tamanho e volume das peças adquiridas.

— Ah, vovó! Não existe uma explicação lógica. A embalagem protege da luz, seja ela natural ou artificial, evitando assim, manchas amareladas e brancas. E também é questão de estética. A peça se valoriza mais, quando bem guardada e embalada.

— Entendi. São artimanhas para agradar o cliente e ganhar mais dinheiro. Não é, querida?

Alice sorriu disfarçadamente. Era gratificante notar que animosidade entre elas havia acabado. Vovó nos amava demais para guardar qualquer tipo de rancor.

— Okay, Agora chega de conversa. A hora está passando e ainda temos que enfrentar uma seção de fotos. Vamos logo com isso.

Mamãe, concordando com Rósalie, colocou a caixa dos sapatos sobre uma poltrona e depois, voltou a se aproximar de nós.

— Faça as honras, querida.

Sem pestanejar, minha irmã mais velha estendeu a mão, se livrou da embalagem e revelou o belo vestido.

Ao fundo os “clicks” da fotógrafa, quase invisível, retumbavam.

— Uau! Ele é fantástico, filha.

Todas as mulheres se aproximaram, fazendo Rosie mostrar mais do modelo .

— Moderno e exuberante, como você.

Vovó estava certa. O vestido de Rosie era todo ela. Branco, justo em cima e com uma leve abertura embaixo, bem estilo sereia. O tule cor da pele, daria a impressão de que ele seria colado ao corpo. O tecido de organza nobre, era raro e bem delicado. Os bordados de galhos, folhas e flores com certeza haviam sido incrustados com fios de prata. E para dar o retoque final, uma fileira de pérolas, verdadeiras, fazia às vezes dos botões.

Uma verdadeira obra de arte. Somente Alice seria capaz de passar para o papel algo tão parecido com os sonhos de Rose.

— Coloque-o.

Alice e eu permanecemos à distância, quietas e invisíveis. Esse era o momento de nossa irmã. Pelo que parece, cada um teria o seu, separadamente.

— Perfeito, Rósalie. Uma verdadeira rainha.

Transbordando satisfação, ela calçou os sapatos, colocou um colar e um brinco que mamãe lhe entregara e somente então, se virou para nós.

— Linda!

Murmuramos em uníssono. Ela estava deslumbrante de cima abaixo, de tirar o fôlego. Emmett perderia o rumo essa noite.

Ainda se derretendo de orgulho, Renée atravessou o quarto, foi até o móvel do fundo e pegou de dentro de uma das três caixas que permaneciam lá, o acessório final.

A coroa da rainha de Forkian.

— Pronto! Agora sim, uma linda, futura rainha.

Disse mamãe enquanto ajeitava os cabelos de minha irmã.

Os olhos de Renée estavam marejados de emoção e satisfação. Rósalie tocou o rosto dela e a agradeceu.

Elas iriam nos fazer chorar.

— Não, não. Nada de borrar a maquiagem logo agora. Vocês terão tempo para isso daqui a pouco. Rose espere um momento, por favor. É a vez de sua irmã agora. Alice...

Esme, nossa salvadora, como rainha regente de Angelus, mudou o foco para sua futura substituta.

— Mostre seu vestido para nós, Alice.

Prática e decidida, como só ela sabia ser, Lice desceu totalmente o zíper da embalagem de proteção e logo tirou de lá seu modelo.

— Espetacular! Cinematográfico!

Minha sogra tinha razão. O vestido de Alice era surpreendente. De uma beleza única, como se tivesse saído de um romance moderno da Disney.

— Vista-o, Alice.

Atendendo ao pedido de Esme, Alie logo se livrou das roupas que usava.

— Ajude-me, mamãe?

Renée se aproximou e fechou o zíper. Aproveitando a situação, acariciou os ombros de minha irmã.

— Bonito e com toques fortes de grandeza. Ele também mostra muito do que Angelus pode esperar da futura rainha deles.

Mamãe, mais uma vez, estava com a razão. O vestido de Alice era puro luxo. Um tomara que caia com o busto e a cintura, todos rebordados em pedrarias raras e brilhantes. A saia era volumosa, de cetim indiano, impecavelmente branco, sobreposta por um tule bordado, provavelmente, indiano também. No entanto o maior destaque ficava para o miolo de cada flor do tule, uma enorme pérola, que com certeza, era verdadeira.

Alice esbanjava exagero e posses. Bem ao estilo dela e do queria demonstrar com aquele modelo.

— Agora os sapatos e a coroa.

Mamãe voltou a ajudá-la com os sapatos e os acessórios. Enquanto Esme pegava a coroa.

— Aqui está.

A coroa parecia ter sido feita para ela. Encaixou-se perfeitamente. O cabelo curto e espetadinho deu o acabamento perfeito.

— Fabulosa!

Mais fotos foram batidas. Instintivamente, ela levou a mão à coroa e sorriu. Um sorriso presunçoso e enigmático, que em nada, lembrava a Alice esfuziante e amiga de sempre.

Creio que Elizabeth também percebeu algo, pois, seus olhos, em momento algum deixaram de avaliar as reações e postura de minha irmã.

— Bella? Sua vez, meu amor. Pronta?

Respirei fundo, espantei as preocupações e voltei minha atenção para vovó Marie.

— Pronta.

— Então abra.

Trêmula e um pouco emocionada, me aproximei de vovó e deslizei o zíper para baixo.

— Mas, o quê...?

Estendi a mão para o cabide, todavia, não cheguei a tocar. Eu não podia acreditar no que via.

— O quê... eu não entendo... eu...

E sem conseguir me segurar soltei um gemido de dor e horror.

Aquilo não podia estar acontecendo.

Edward e eu não merecíamos.

De repente a visão ficou turva e a bile veio forte a boca. Cambaleei para o lado e levei as mãos à cabeça.

— Bella!

A partir daquele instante, o pânico que se instalou foi geral. Várias mãos vieram até mim. Todas as mulheres daquele quarto vieram a meu socorro.

— Filha, o que houve? Fale comigo? Você não está se sentindo bem? Sente-se um pouco querida.

O ar não entrava. O medo inundava e elas nada entendiam. Era uma falação sufocante:

— “É emoção demais”.

— “Ela está se sentindo pressionada”.

— “Ela vai desmaiar”.

— O vestido... O vestido.

Murmurei entre uma lufada e outra de ar. Meu peito estava comprimido. Eu parecia sufocar.

— Minha nossa senhora! O que é isso?

Todas as cabeças se viraram para onde minha mãe apontava horrorizada.

— Uma catástrofe. É isso que é.

Elizabeth fazendo jus a sua fama de “rainha do gelo”, avançou até vovó Marie e terminou de tirar o vestido da embalagem.

Uma nova onde de calafrios me atingiu.

“Angelus em luto”

Lia-se na saia, do que um dia fora um belo vestido. As palavras em tinta preta pareciam zombar de minha situação.

— Bella, o que aconteceu? Filha, eu não estou entendendo...

— Ora, Renée. Não seja ingênua e estúpida. É claro que Bella está tão surpresa quanto você. Sabotagem. É exatamente isso que estamos vendo aqui.

— Marie, se acalme. Perder a cabeça não vai adiantar de nada agora. Só deixará a situação pior.

Desliguei minha mente daquela confusão, nem Esme, com sua calma, seria capaz de me consolar naquele momento.

Voltei a me aproximar e tracei os desenhos da delicada renda, do meu sonho desfeito.

— Querida, eu prometo para você que isso não ficará assim, nós...

Vovó tentava alcançar meus pensamentos, todavia, não permiti. A tristeza por ver algo tão delicado destruído, era imensa. Eu queria me isolar na dor.

— Filha, fale com a mamãe. Amor, não é uma boa hora para entrar em choque, olhe para mim Bella...

As lágrimas estavam na borda, porém as reprimi. A “garota mimada que chorava”, havia morrido mais um pouco hoje.

— Bella, irmã...

A auto- piedade vinha forte. A incapacidade de agir dominava.

— Isabella, não hiperventile. Respire, respire agora...

Nem Elizabeth ganhava minha atenção. Eu só conseguia pensar em uma pessoa naquela hora.

— Edward! Acabou! Eu envergonharei Edward para sempre.

Murmurei para mim mesma, com as mãos ainda presa ao vestido destruído.

Fechei os olhos. Eu não entendia o motivo de terem feito aquilo comigo. Rezei a Deus, pedindo que tudo não passasse de um pesadelo.

Mas, infelizmente não era, porque de repente, todas voltaram a falar ao mesmo tempo:

— “No ateliê em Forkian, temos outros modelos, podemos cancelar a cerimônia”.

— “Que Emmett me perdoe, mas, se Bella não se casar, eu também não me caso”.

— “Charlie vai matar, quem quer que seja que tenha feito isso”.

— “Vamos até o centro, podemos alugar um modelo qualquer, o que importa é que essa cerimônia aconteça”.

— Chega! Silêncio!

Esbravejou uma irritada Esme. O barulho cessou imediatamente. E eu voltei a me concentrar naquela confusão.

— Eu já tenho a solução. Rósalie e Alice acalmem-se. Se dirijam para as fotos. Renée as acompanhe, por favor. Marie, Elizabeth e Bella venham comigo.

— Mas, Esme...

— Não discuta comigo, Renée. Eu cuidarei da sua filha. Nada precisará ser cancelado ou adiado. Aproveite a descida, passe na cozinha e peça para que Charlote nos traga um suco de maracujá e a minha caixa de costura. Estaremos em meu quarto.

Eu não estava entendendo “patavinas”. Somente deixei-me ser guiada por vovó e pela avó de Edward.

— O que você tem em mente Esme?

— Já, já a senhora vai ver, minha sogra. Já, já...

— Okay, eu confio em você. Vamos ajeitar logo isso, para festejarmos mais tarde. Porque amanhã, eu exijo saber o que aconteceu aqui. Bem debaixo de nossos narizes.

— Eu também minha sogra. Eu também...

Esme e vovó concordaram.

A passos rápidos, passamos por algumas portas até chegarmos aos aposentos oficiais da realeza.

Algo me dizia que eu deveria admirar a arquitetura e beleza, contudo, minha mente ainda esta turva demais.

— Sentem-na ali.

Fui guiada até a cama.

— Droga! Esqueci a coroa e os sapatos. Marie, busque- os para mim, por favor. Estamos ficando sem tempo e creio que gastaremos mais alguns minutos aqui.

— Esme...

— Só mais um minuto, sogra.

Vovó saiu pela porta, enquanto Esme sumiu closet adentro. Eu continuava não entendendo nada e pelo visto Elizabeth também não.

— O suco, majestade.

Charlote serviu um copo e me entregou. Sorvi tudo de uma vez. Eu estava sedenta.

— Aqui.

Vovó retornou e colocou as caixas ao meu lado. O que imaginei ser a caixa de costura de Esme também já estava ali.

— Esme, nós estamos perdendo tempo aqui.

— Só mais um minuto.

Vovó veio até mim e alisou meus cabelos.

— Isso não ficará assim, meu anjo.

— Ah, mas não ficará mesmo. Alguém tentou estragar a felicidade de meu neto e isso eu não perdoarei.

— Achei.

Gritou Esme de algum lugar do closet, interrompendo assim as ameaças das duas rainhas.

— Aqui.

Por um minuto eu embasbaquei. Minha sogra tinha nas mãos o mais lindo e perfeito vestido que eu já havia visto.

— Como? Limpo e preservado. Esme?

— Carlisle me pediu que o expusesse no museu central. Então, bem no início da semana pedi que Charlote o levasse a lavanderia. Era Deus me indicando que precisaríamos dele.

— E você acha que serve?

O sorriso e os olhos dela se voltaram para mim.

— Bella não tem mais corpo do que tínhamos, sogra. E se precisar de alguns pequenos ajustes, creio que Charlote possa ajeitar isso rapidamente.

— Bella...

Elizabeth se postou a minha frente e acariciou meu rosto. Eu ainda estava atônita.

— Respire fundo, querida. Isso... mais uma vez...

Fiz o que ela mandava.

— Deixe o ar entrar e acalme seus nervos e seu coração. Esme achou a solução. Você se casará com o vestido que me casei e que ela também se casou. Duas rainhas passaram por esses trajes e agora ele será seu. Nem de longe, é tão bonito quanto o que havia escolhido, mas, é o que temos para hoje. Você se importa? Depois, poderemos organizar uma cerimônia intima, onde você poderá usar o que sempre sonhou. É que no momento esse é nossa solução. Você pode fazer isso pelo meu neto? Edward ficará arrasado se esse casamento não acontecer hoje.

Libertei-me dela e coloquei-me de frente do vestido.

O modelo era delicado e tradicional. As mangas compridas demonstravam elegância, o decote era discreto e a calda combinaria perfeitamente com meu véu curto.

Ele era belíssimo. Um verdadeiro vestido de rainha.

— Minha rainha, ele é perfeito. Mas, eu não posso. Esse vestido deveria ser de Alice, a futura rainha. Eu não o mereço. Edward e eu podemos nos casar em outra oportunidade. É só me deixarem explica-lo a situação.

Sogra e nora trocaram um olhar e então Elizabeth o tomou das mãos de Esme.

— Esse vestido pertence a quem o merece de verdade. Isso já aconteceu antes. Ele parece ter suas próprias escolhas. E além do mais, lembre-se do glamour do vestido de sua irmã. Você acha, de verdade, que Alice usaria uma velharia dessa?

— Não! Ela não usaria. Agora vamos logo com isso, Bella. Você já está atrasada. Sua seção de fotos já era. E seu noivo entrará em “parafuso” se atrasarmos, mais do que o normal.

Deixando-me dominar pelo momento e pelas palavras de vovó Marie, me rendi às ordens das três rainhas. Eu estava emocionada e agradecida e o melhor, quase havia pirado, contudo não havia chorado. Estava orgulhosa demais de mim.

— Marie, já que é Bella que casará com as velharias, traga logo sua coroa aqui.

Vovó murmurou uns xingamentos à dona Elizabeth. Sorri mais um pouco. Elas estavam dissipando o clima de desapontamento.

— Agora os sapatos e as joias, querida.

Esme deu-me a mão para que eu firmasse e assim calçasse os sapatos. Coloquei os brincos e o colar que papai havia me dado no natal passado. Eles eram de sua bisavó.

Todas me admiravam. Felizes e com aparências de dever cumprido.

— Apesar do gosto ruim de Elizabeth para vestidos, você está perfeita, querida. Creio, que a modelo é que faça o traje.

— Ora, sua velha invejosa. Só porque eu era muito mais magra e bonita que você?

Voltei- me para o espelho. Suspirei de contentamento ao aprovar minha aparência.

Eu estava muito bonita. Muito bonita mesmo.

Eu não me casaria com o vestido escolhido por mim. Porém, me casaria usando a roupa que vestiu a avó e a mãe do homem que amo.

Em meu subconsciente, algo me dizia que aquilo era um bom presságio.

Edward

O grande dia havia chagado. E confesso que só tinha que agradecer a Deus por ter suportado tanto tempo. Sei que a maioria das pessoas acha que três meses é pouco tempo, eu também acharia, em outra época.

Mas, isso foi antes de conhecer Isabella Swan, a noiva. Depois da entrada dela em minha vida qualquer 24hs de distância e separação eram um martírio.

E era só por isso que eu ansiava tanto o dia de hoje. O dia em que Bella e eu selaríamos nosso compromisso para sempre. O dia do nosso casamento.

Já estávamos, a um bom tempo, ao fundo na catedral de São Francisco de Assis, no centro de Angelus. Um forte esquema de segurança circundava a praça e os arredores. Tudo fora devidamente planejado e ensaiado para que nada nos pegasse de surpresa.

Eu só não contava com meu nervoso e minha ansiedade. Na verdade, ninguém havia me alertado para esse mal.

— Sabe, irmão, eu lamento te informar, mas, andar em círculos estragará o piso da igreja e não fará com que a hora passe mais rápida. Será dá pra ficar quieto? Sua andança está me dando nos nervos.

Fuzilei Emmett com os olhos e voltei a meu ritual. Eu estava no meu limite. Nervoso, temeroso, inseguro.Tudo de ruim acumulado, gerava um Edward fora de controle.

E Some a tudo isso, a angústia por não ter falado ou visto Bella hoje.

Pronto!

Uma bomba atômica, preste a estourar.

— Filho, seu irmão tem razão. Se acalme. Você está transpirando muito, bagunçando o cabelo e amarrotando a farda. Se continuar nesse ritmo, até a hora da celebração você estará um caos. Não quer envergonhar sua noiva, não é?

Neguei rapidamente. Carlisle fazia umas perguntas bem estranhas. Claro que eu não queria envergonhar minha Bella.

Emmett e Jasper riram da minha resposta rápida, a repreenda.

— Por que você não se senta um pouco? Os convidados ainda estão chegando e pela experiência que tenho em casamentos, nós ainda temos muito que esperar.

— É isso que vou fazer. Obrigado pela dica, Charlie.

Uma coisa era dialogar com papai. Outra bem diferente, era desobedecer meu sogro. Eu ainda não tinha essa moral.

Passei por eles e me juntei a Emmett e Jasper, mais ao canto esquerdo, bem longe da movimentação do corredor central.

— Sentar com essas espadas é desconfortável. Aliás, nem sei por que usamos isso. Quem em sã consciência ainda usa um armamento desses? É medieval demais.

— Ora, Emmett! Olhe bem para nós, somos soldados medievais em pessoa.

Jasper estava exagerando, a espada dava essa impressão, mas, na verdade ela era somente um acessório obrigatório para essas ocasiões em nosso reino.

A farda, o quepe, as medalhas nada mais eram que para mostrar, que pertencíamos e atuávamos nas forças armadas de nosso reino.

— E isso é ridículo. Até um terno seria melhor que isso. Além do mais, por que estamos cada um de uma cor? E por que logo eu, tive que ficar com o branco e não verde e azul como você e Edward? Eu não sou a noiva, oras!

Jasper olhou para ele, olhou para mim e assim sucessivamente, por uns trinta segundos. Depois, resignado, fez um gesto de negação e se levantou indo para junto de Charlie e papai.

O humor de Emmett estressava qualquer um. E pelo visto sobrara para mim a função de instruir Emmett.

— Além de instruírem as pessoas, da qual patente das Forças Armadas de Angelus, pertencemos. As cores também tem um simbolismo importante para nosso reino. Você deveria saber disso, irmão.

— Deveria, mas, não sei. Por isso, desenvolva...

Os olhos dele cravaram-se nos meus.

— Okay, Vamos por partes então. A farda, a espada, o quepe as medalhas, ou seja, todas as honrarias servem para demonstrar aos súditos do reino da noiva e aos pais dela, que nós, seus futuros esposos, somos organizados, temos uma boa artilharia e que já vencemos e venceremos muitas batalhas. Mostrando assim, que eles estarão seguros sob nossa proteção e que seremos os maridos ideais.

Tenho que me lembrar de contar a mamãe, em algum momento, que eu adorava as aulas que Charlote nos dava, apesar das minhas birras diárias, para não frequentá-las.

— Agora as cores, irmão, significam que pertencemos as Forças Armadas, como eu já disse. E também significam os adjetivos que, supostamente, os príncipes de Angelus têm.

— Que são...

— “Azul”- Serenidade nas turbulências e sobriedade nas dificuldades. Soldado pertencente à Aeronáutica de Angelus, minha cor. “Verde”- seriedade nas batalhas e foco nas conquistas. Soldado pertencente ao Exército de Angelus, cor de Jasper. “Branco”- Amor e respeito à família e ao próximo. Soldado pertencente à Marinha de Angelus e, obviamente, sua cor.

— Irmão?

— Hum?

Mexi os ombros e voltei a prestar atenção nele. Eu havia viajado em minhas memórias enquanto falava.

— Você tem consciência de que sei disso tudo. Não tem?

Bufei irritado.

— Então por que perguntou, idiota? E eu aqui, falando que nem um papagaio, gastando “meu latim” com você.

— Ora, irmão mais novo! Eu precisava te entreter de alguma maneira.

— E deu certo.

Agarrei o ombro dele e o apertei. Era a nossa maneira de confortarmos e agradecermos, quando o outro fazia algo de bom.

— Deu mesmo. Porque as garotas estão trinta minutos atrasadas. E até agora você não deu nem um “chiliquinho” sequer.

— O quê?

Pulei de pé e corri para perto de Charlie e papai. Surpreendi-me ao notar que todos já estavam a postos, inclusive os padrinhos. E para minha insatisfação, Jacob permanecia sorridente em seu posto de padrinho de minha Bella. Pelo menos ele teve o bom senso de não trazer a noiva- problema.

— Cara, agora até eu preocupei, elas estão demorando demais. Pai, ligue para a mamãe?

— Emmett, eu fiz isso a dois minutos atrás, enquanto vocês conversavam. Esme me garantiu que estavam a caminho. Se acalme.

— É rapaz, se noivas já atrasam por natureza, imagine multiplicar isso por três.

Se eu não soubesse que Charlie faria de tudo pelas filhas, eu seria tentado a acreditar que ele estava era torcendo por uma desistência de alguma delas.

Deus que me livre! Tremi, só de pensar.

Eu precisava de Bella junto a mim, urgentemente.

— Elas chegaram.

Voltei meus olhos para onde Jasper apontava. Ele estava, irritantemente, educado nesses dias. Isso me cheirava a trapaça e das grandes.

— E em grande estilo.

Murmurei, observando as três limusines pretas que estacionavam uma ao lado da outra bem em frente às portas da catedral.

Olhei para os carros tentando captar um vislumbre de minha Bella.

Em vão!

Quem desceu, foram Esme, vovó Elizabeth, Renée e dona Marie. As expressões delas eram sorridentes e até aliviadas. Menos mau, isso significava que tudo estava em ordem.

Quanto mais elas se aproximavam, mais eu podia perceber e admirar o quanto estavam bonitas. Esme, Renée e vovó Elizabeth trajavam vestidos que combinam com nossas fardas. Tudo detalhadamente planejado. Coisas de Alice.

— Chegamos! Tem alguém aqui querendo se casar com três belas jovens?

Disse Esme ao adentrar a igreja. Ela ainda conseguia fazer uma gracinha.

— Até que enfim. Se demorassem mais um minutinho, Edward iria atrás.

— Iria mesmo.

Ignorei os resmungos de Esme de, “como não havia sido aquela educação que havia me dado” e fui até vovó Marie. Somente ela poderia acalmar meu coração naquele instante.

— Como ela está?

Perguntei baixinho.

Os olhos, da velha senhora, se encherem de amor e carinho ao falar da neta caçula.

— Mais linda do que nunca.

Respirei, aliviado. Agora era real, ela estava ali.

— Muito bem, Bella está linda. Rose está linda e Alice também. Agora, por favor, se posicionem, porque a cerimônia já vai começar.

Vovó Elizabeth e sua praticidade de sempre.

Como seria um casamento triplo, ou seja, de longa duração, nos foi recomendado que evitássemos as entradas tradicionais de damas de honra e padrinhos, assim sendo, nesse momento eles já estavam posicionados.

Ainda estou na dúvida do que Bella vai achar de ver Jacob em seu lugar de padrinho, o último encontro deles ainda estava muito fresco em nossas memórias.

— Vamos lá.

Murmurei baixinho, enquanto observava Marie se juntar a John. Os dois se misturaram aos convidados. O que era um absurdo. Em minha opinião e na de Bella também, o casal deveria ter um lugar de destaque no evento.

Porém, quem é que podia com Charlie Swan e sua teimosia?

Ele concordava que Marie tivesse destaque, porém John...E Marie se recusou a constranger o marido, de qualquer maneira que fosse. E quem a julgaria por isso?

— Lembrem-se dos ensaios. Emmett, assim que a música começar você entra.

Carlisle passou por cada um de nós, alisando a camisa branca, ajeitando a gravata e posicionando corretamente o quepe.

Era chegada a hora.

Aos primeiros acordes de uma melodia suave, Emmett deu o braço a minha mãe. Eles trocaram um olhar cúmplice e então partiram rumo ao altar.

Mamãe sorria orgulhosa, enquanto meu irmão respirava aliviadamente.

Eu sabia que não era o único ansioso daquele dia.

Quando os dois já estavam na metade do corredor foi a vez de Jasper dar o braço a Renée. A rainha parecia emocionada e feliz, meu irmão parecia irritado e entediado.

Eu não estava, mesmo, entendendo o que Jasper queria da vida.

— Pronto, querido?

Beijei vovó Elizabeth na testa e acariciei seu rosto.

— Mais do que pronto.

Posicionamos-nos na entrada do corredor. Segurei a emoção ao olhar mais detalhadamente para o caminho que nos levaria até o altar. No chão um luxuoso tapete vermelho. Ladeando-o, cachos enormes de hortênsias azuis, lilases e rosas e pendendo dos bancos, orquídeas das mesmas cores. A igreja era toda Bella, exatamente as flores que ela havia dito a Alice que gostava.

Simples, delicado e belo, um retrato vivo de minha noiva.

Com uma sensação agradável no peito, rumei para junto de meus irmãos.

Já perto do altar, me despedi de vovó e dei mais alguns passos até parar ao lado de Jasper.

Como manda a tradição, nós três, ao mesmo tempo, olhamos para a imagem de Jesus crucificado e baixamos a cabeça, como forma de respeito. Tudo meticulosamente ensaiado e cronometrado.

Trinta segundos depois, endireitamos a postura.

Seguindo o ritual, Jasper e eu nos viramos para os convidados, enquanto Emmett permaneceria de costas. Ele não veria a entrada de sua noiva.

No andar superior, junto ao coral, a Guarda Nacional fez-se tocar seus vários instrumentos de sopro.

Era anunciado a hora das noivas.

Quando a marcha nupcial soou e a porta se abriu, Emmett se mexeu desconfortavelmente.

— Edward...

Ele não precisou dizer mais nada. Eu o daria o que ele precisava.

— Rósalie e o pai adentraram a igreja...

Comecei a narrar-lhe os fatos.

— Ela está de branco.

Ele riu, mais alto do que devia aliás, da minha observação.

— Meninos, quietos..

Esme nos repreendeu. Assenti e baixei o tom. Emmett endireitou a postura e voltou a ficar sério.

— Fale mais, mano.

Implorou-me, sussurrando.

— Bem, ela está bonita, bem bonita mesmo. Seus olhos estão brilhando e ela parece flutuar pelo corredor. O sorriso está incrível. Uma verdadeira rainha. Charlie a está beijando na testa agora. Acho que essa é sua deixa irmão.

Emmett se virou e encarou, feito bobo, a noiva.

— Vocês são patéticos.

— E você é um idiota, Jasper.

Retrucou Emmett antes de se afastar.

Sorri da careta que Jasper fez pela resposta que levou, todavia, rapidamente voltei minha atenção ao casal a minha frente, depois de cumprimentar Charlie com um abraço, Emmett levou um dos joelhos ao chão, pegou a mão de Rosie e a levou aos lábios.

Logo em seguida levou o braço dela ao seu e a trouxe para o altar. Eles se viraram e também ficaram de frente para os convidados. Imediatamente, Jasper deu um passo à frente e se virou ficando de costas para a entrada da igreja.

Era a vez de Alice.

Mais uma vez, a marcha nupcial tocou e logo Alice e papai apareceram.

— Sabe Jasper, você não merece, mas, mesmo assim eu lhe direi como sua noiva está.

Cochichou Emm.

— Alice está linda. Ela está sorrindo, porém, seu sorriso não alcança seus olhos. Ela não está feliz, porque certamente sabe em que enrascada está se metendo. Eu tenho pena da minha cunhada, irmão. O futuro não será agradável para ela. Agora, papai e está beijando na testa. O beijo que selará a vida dela para sempre. Acho que é agora que você se vira e finge admiração pela sua noiva.

— Emmett...

Rosálie e eu estávamos boquiabertos, Emmett não era de fazer esse tipo de coisa.

— Perdoe- me, Rose. Eu só precisava dizer isso a esse otário.

Sem se abalar e repedindo os gestos de Emmett, Jasper foi até eles, cumprimentou meu pai, dobrou o joelho ao chão e beijou Alice na mão. A trazendo, logo em seguida, para perto de nós.

Meu coração bateu mais forte.

E então, quando Alice e Jasper já haviam se posicionada era chegado a minha vez.

Dei dois passos a frente e me virei, ficando exatamente igual a meus irmãos agora a pouco, de costas para a entrada da catedral e de frente para meus irmãos e cunhadas.

Quando os últimos acordes da marcha nupcial soaram e um silêncio desconfortável atingiu a igreja eu tremi, uma ansiedade insana me dominava e eu sentia cada pelo de meu corpo arrepiado.

Não consigo explicar, somente sei que um medo se apossou de mim. E se Bella tivesse pensado melhor e...

— Edward? Tudo bem? Você quer um copo de água, irmão? Você está pálido.

E de repente eu comecei a me sentir meio tonto. A oferta de Emmett me parecia sedutora, no entanto eu não poderia aceitar, não era água que eu queria.

— Querido, respire devagar. Não hiperventile. Está tudo bem, filho. Confie na mamãe.

Fechei os olhos e fiz o que minha mãe mandou. Eu precisava me acalmar ou passaria mal bem ali. O que estava acontecendo comigo nesse dia? Onde estava Bella que não vinha logo?

— Isso, amor. Calma. Ela já vem.

Ela já vem... respirei... ela já vem... respirei. Mamãe prometeu, ela já vem... respirei.

E então, como o som mais lindo que já ouvi, os toques marcantes da “Ave Maria” tomaram o ambiente. Bella não entraria na igreja ao som da marcha nupcial.

— Ela está entrando, irmão...

Cravei meus olhos em Emmett, ele faria para mim, exatamente o que fiz para ele.

Ah! Como eu queria poder ler seus pensamentos agora.

— Como ela está, Emm?

Meu irmão não respondeu de imediato e isso me atormentou.

— Emm? Bella está bem?

Mais uma vez o silêncio. Todos pareciam querer me torturar naquele dia.

— Emmett, você está me deixando nervoso. Bella ela...

— Ela está linda. A princesa mais bonita que já vi.

— Chorando. Minha irmã, está chorando, Edward.

As palavras de Emmett foram ignoradas. No entanto o “chorando” de Alice martelou em meu peito.

Impulsivamente, instintivamente, aterrorizadamente, apaixonadamente e rapidamente me virei, causando comoção e “burburinhos” por todos os lados.

Era mais forte que eu.

Olhei para Bella e senti meu ar se perder. Minha princesa estava muito mais que perfeita, o vestido branco delineava cada curva dela, a coroa dava o acabamento perfeito no curto véu jogado para trás. No entanto o que mais chamava a atenção em “minha Afrodite” eram as grossas lágrimas que escorriam por seu rosto de “porcelana”.

Ela não iria chorar. Não naquele dia, não pelo motivo que eu imaginava.

Sem pensar, dei mais dois passos para frente.

— Edward! O que você está fazendo? Vire-se. Isso é uma ordem. Você está quebrando as tradições.

Meu pai me repreendia e a tendência era piorar, pois, eu o desapontaria outra vez. No entanto, eu não seria o príncipe apaixonado que sou, se permanecesse em meu lugar naquele momento.

— Perdoe-me, pai. Perdoe-me, outra vez.

— Querido...

Ousei, por segundos, tirar os olhos de Bella e encarar dona Esme. E isso foi o que eu precisava. Mamãe, assim como Renée e Charlie, tinham os olhos “rasos de água” e seu aceno em compreensão e apoio, foram o estímulo que eu precisava.

Coloquei meus pés em movimento e atravessei devagar o corredor que me separava de minha princesa. Ainda captei, pelo caminho, o sorriso extasiado de Marie e John.

Todos que amavam Bella me apoiariam. Eu teria a quem recorrer quando a ira de Carlisle caísse sobre mim.

Bella parou perante o meu rompante e isso só contribuiu para que minha força de vontade aumentasse.

Minha princesa não entraria sozinha. Eu não permitiria isso. Esses dias já haviam sido estressantes demais para ela. Bella havia se mantido de pé a cada provação, provocação e percalços e agora o limite a tinha atingido e prometia fazê-la desabar logo agora.

Só que “esse limite” não contava com um noivo apaixonado e disposto a quebrar qualquer tradição e regra por sua “dona”. Eu buscaria Bella para seu lugar de direito.

Apertei o passo e logo me encontrei de frente para ela.

Beijei sua testa, seus olhos e o traço por onde cada lágrima escorreu. Me ajoelhei e deixei que meu coração falasse com ela.

— Você tem a mim, princesa. Nós não precisamos que meu pai, seu pai, ou seu padrinho te entreguem a mim, pois eu sempre e sempre irei até você.

Eu não deixaria que Bella se sentisse triste no dia de nosso casamento.

— Eu não tenho um reino a te oferecer, Edward. Eu não tenho nada, nem vestido eu tenho. Eu não mereço você. Ainda a tempo de desistir é só você...

— Shiii!!!

Tapei seus lábios com meus dedos. Ela estava sendo insana e dizendo insanidades. Como assim ela não tem vestido?

— Seu coração é o reino de que preciso. Presenteie-me com ele e eu prometo que te darei o reino do meu coração de volta.

— Você já o tem, meu rei.

— Você também já é a minha rainha, meu amor. Então, vamos logo selar de uma vez por todas esse compromisso, porque eu não vejo a hora de ver meu anel em seu dedo.

Peguei de leve sua mão e passei-as por meu braço. Olhei para frente e com um sorriso bobo nos lábios levei minha Bella ao encontro do padre que celebraria nossa união.

Paramos de frente ao altar.

Evitei olhar para nossa família.

O padre falou e falou algo sobre amor eterno, devoção à família, compromisso com reino e o povo e mais uma monte de coisa, eu sabia por que ouvia, contudo, meus olhos não desgrudaram de Bella, nem um só instante.

— Você está magnífica. Acho que estou apaixonado.

— Quem bom, não é?

Sussurrou ela baixinho. Eu a estava constrangendo. Seu rosto delicado, estava vermelho.

— “Edward Cullen aceita Isabella Swan como legítima esposa para ama-la e respeita-la por todos os dias de sua vida”?

— Sim.

É claro que eu aceitava. Estávamos ali para consumar isso.

— “Isabella Swan aceita Edward Cullen como legítimo esposo para ama-lo e respeita-lo por todos os dias de sua vida”?

— Sim.

As alianças...

Peguei das mãos da dama de honra. O par que havia escolhido como símbolo de nosso matrimônio.

Os anéis imitavam duas coroas. A dela mais rebuscada e sofisticada, em ouro amarelo, ouro branco e cravejada de mini brilhantes no acabamento de cima e de baixo. Delicada e feminina. A minha era semelhante, porém sem os brilhantes.

Emmett as havia achado um exagero, de minha parte.

Porém, eu só pensava que Bella e eu teríamos que reinar nossas vidas e nossos corações, porque o exemplo e a perseverança de um casamento duradouro, eram as únicas coisas que herdaríamos de nossos pais.

Eu estava tão absorto em minha admiração a Bella que nem percebi que Emmett e Rósalie, Jasper e Alice já haviam feitos seus votos.

Peguei as alianças e as entreguei ao padre. Ele as abençoou, as aspergiu com água benta e depois as colocou na palma da mão.

— Pegue a dela, coloque- a no dedo e faça os votos. Você tem um especial ou quer repetir o padrão?

— Eu tenho um.

Aliás, meus irmãos e eu havíamos queimados alguns neurônios, tentando escrever algo legal para nossas noivas.

— Pode começar.

Peguei a mão esquerda de Bella, retirei seu anel de formatura e o coloquei no anelar da mão direita, juntamente com seu anel de noivado.

Corri a aliança até a metade de seu dedo, encarei aqueles olhos, cor de chocolate que eu amava e então, pus todo meu coração naquelas simples palavras.

— Isabella Swan, prometo perante a Deus e aos homens que farei de tudo para que nunca se arrependa de ter me aceitado. Dou-lhe meu coração e meu amor, como prova de devoção eterna e de uma vida plena, fértil e com alegrias incontáveis. Secarei suas lágrimas, sorrirei suas alegrias, comemorarei suas conquistar e chorarei suas perdas, que a partir de hoje, também serão minhas. Meu corpo, minha alma enfim, meu ser, são inteiramente seus a partir de agora e para todo o sempre.

Deslizei mais o anel, até colocá-lo em seu devido lugar. Ajoelhei-me e beijei-a na mão por cima da aliança. Depois já de pé, beijei as insistidas lágrimas que escorriam do rosto dela.

Repetindo meu gesto, ela pegou a aliança e a deslizou até metade de meu anelar esquerdo.

— Edward Cullen, recebo de coração aberto, o seu amor. Em troca, te ofereço, a minha vida, o meu carinho, o meu amor e a minha profissão. Prometo-te, lutar e lutar por nós a cada dia. Prometo-te amar-te até os fins de nossos dias e muito além disso. Prometo-te devoção eterna e amor por todo o sempre. Obrigado por ter dito sim para mim. Eu te amo.

Era a primeira vez que ela dizia que me amava.

Impedi que ela se ajoelhasse. A puxei para meus braços, mais uma vez quebrando os protocolos, a abracei com força e beijei, de leve, seus lábios.

— “Eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva”...

O padre disse sorridente.

A igreja explodiu em palmas e gargalhada.

Contudo, nem me importei. Eu estava ocupado demais.

Meus braços, minha boca, minha vida e meu coração só conseguiam assimilar, que eu estava casado com Isabella Swan, a minha princesinha prometida, que havia quebrado meus pré- conceitos e tomado para si um Edward Cullen devoto e apaixonado.

Irremediavelmente, incontrolavelmente, apaixonado.

Teria final melhor que esse?

Quem precisava de um reinado?

Eu não!

Notas finais
Meu capítulo desconfigurou duas vezes, se encontrarem algum erro a culpa não é minha. Beijinhos a todas. Aguardo os comentários. Acho que mereço depois desse capítulo enorme. Ah! E pra quem não gosta de ver a Bella chorando, me perdoe. Mas, nessa ocasião era preciso. Beijocas e até breve! Não sei o motivo mas, os links não deram certo, da maneira que me instruíram, então aí vai, para quem quiser dar uma olhada depois: Vestido da Rósalie http://partystyle.com.br/wp-content/uploads/2015/04/partystyle-vestido-noiva-abril-1404-2015.jpg Vestido da Alice http://partystyle.com.br/wp-content/uploads/2015/04/partystyle-vestido-noiva-abril-1406-2015.jpg Vestido escolhido para Bella http://partystyle.com.br/wp-content/uploads/2015/04/partystyle-vestido-noiva-abril-1401-2015.jpg Vestido da Esme -Bella http://www.dicasrecentes.com.br/wp-content/uploads/2014/08/vários-modelos-4.jpg Alianças http://www.joiasmb.com.br/aliancas-sofisticadas-majestosas-9-5mm