Três Príncipes, Três Princesas

50 Um mês e meio de puro desespero


Jasper

— Estou gostando de ver, filho. Você colocou o juízo no lugar e deixou sua cunhada em paz. Isso é bom para seu casamento o de Edward e principalmente o meu. Esme está mais calma esses dias.

Esfreguei o queixo me lembrando do principal motivo de ter me afastado de Isabella, momentaneamente.

Edward me pagaria, com juros e correções. E isso não era somente uma promessa.

— Fiz o certo, pai. Isabella é uma bruxa que encanta a todos, ainda bem que percebi isso a tempo e me livrei dessa obcessão. Amo Alice e é com ela que ficarei.

Pronunciar aquilo em voz alta doía. Porém, eu era muito bom ator. Conseguiria alcançar meu objetivo.

É claro que eu me sentia bem com Alice. Ficar com ela não era um sacrifício. Era ambiciosa, bonita, inteligente e educada. Agradável até. Desejável e muito boa de cama, disso eu não tinha do que reclamar.

Mas, parava por aí. Agora Isabella, era totalmente diferente. Meiga, inteligente, altruísta, esperta, linda, adorável. Tinha todas as qualidades de uma rainha. A minha rainha. O povo a adorava e idolatrava, assim como eu.

— Uma bruxa mesmo. Só sendo isso para explicar o poder que tem sobre sua mãe e a tara de seu irmão. Não reconheço mais Edward. Parece que ele esqueceu tudo que lhe ensinei.

Carlisle estava furioso e não era para menos. Edward havia, simplesmente, se dado férias, para brincar de homem de responsabilidade com ideia de adolescente.

Quando que Isabella ficaria feliz com essa ideia de morar fora do palácio, numa casa? Edward se esquece de que ela é uma princesa, a preferida de Charlie e que fora criada com todo luxo e mimo. Se eles precisavam de liberdade e privacidade eu, no lugar dele, faria diferente. Colocaria todos para fora, até que só restássemos nós dois ali. Afinal, eu seria rei algum dia e por direito, herdaria o palácio oficial. Adiantar as coisas não faria mal a ninguém.

— Se eu fosse o senhor, evitaria essa implicância com Edward, papai. Ele tem o respaldo de mamãe e pelo que sei o senhor está evitando atritos com ela. Não é verdade?

Ele assentiu e eu podia jurar que o vi suspirar de desgosto.

Eu também estaria assim se estivesse há quase dois meses sem sexo e ainda por cima, dormindo separado.

— Sua mãe tem me tirado do sério. Faça logo um neto para ela. Esme precisa preencher seu tempo com algo que não seja as relias de casal, que seu irmão se mete. Uma criança sua e de Alice mudará essa predileção dela. Nossa vida ficará muito mais fácil.

Fechei as mãos segurando a fúria que me dominava sempre que chegávamos a esse assunto. Um filho era tudo o que eu queria e precisava, mas, parece que destino estava brincando comigo. Alice não engravidava.

Estava faltando pouco para que eu perdesse a paciência e a carregasse até a clínica mais próxima, para me certificar de que tudo estava certo, com ela.

— Calma, pai. Tudo tem seu tempo. Estou trabalhando nisso. Logo daremos a vocês a notícia que tanto anseiam.

— Que seja breve, Jasper. Muito breve. Porque, Edward e Bella reatarão logo e aí, estarão prontos para realizar o sonho de sua mãe. Não quero nem imaginar o que vai ser de nós, se eles tiverem um filho antes de vocês.

Trinquei os dentes só de imaginar Isabella com o ventre dilatado por carregar o filho de meu irmão. Isso não aconteceria. De jeito nenhum.

— Não perca tempo, lembre-se da vantagem que lhe dei.

— Logo, pai. Logo...

O abracei pelo ombro e lhe acompanhei até a sala de reuniões, onde nos juntaríamos aos diretores da malha rodoviária de Ângelus.

Eu estava tranquilo e agora conseguia objetivar melhor meus planos. Era questão de tempo, até que tivesse meu filho sendo criado pela terceira princesa de Forkian, a mais linda e melhor delas.

Quer pensamento melhor para lhe acompanhar o dia?

Não, não havia...

Emmett

— Sabe Stephan, não que eu esteja reclamando nem nada, mas, me explique o porquê de você, ter vindo nos buscar? Você não deveria estar com meu irmão no palácio, à uma hora dessas.

Consultei o relógio, só por via das dúvidas. Dez e quinze, da manhã.

— Eu deveria mesmo...

Respondeu me encarando pelo retrovisor.

— Só que seu irmão está trabalhando menos no palácio esses dias. E por isso, fico me deslocando para onde precisam de mim.

Hum, é verdade. Edward estava empenhado na ideia da casa e aproveitava os momentos em que Bella não está no palácio. Porque só assim poderia circular livremente, sem que o “acordo idiota” deles o restringisse.

Aliás, era por esse motivo em especial que estávamos aqui. Meu irmão queria que eu desse minha opinião a respeito da construção e Rosie, ficaria por conta dos detalhes finais da decoração, juntamente com Esme.

— Minha cunhada não está em casa?

Voltei a falar, enquanto firmava Rosie a meu lado. Ela parecia impaciente e se remexia como uma “lagartixa com calor”.

Que ela nunca tenha o poder de ler meus pensamentos. Amém.

— Não, não está. Ela tinha uma cirurgia agora de manhã. Levantou bem cedo e partiu. Imagina a cara de seu pai ao encontrá-la na mesa quando desceu? Foi hilário.

O que eu não daria para ver Bella surpreendendo papai. Se bem que pelas notícias que venho recebendo, isso agora era costume.

É animador saber que ela também está se esforçando para se adaptar aos costumes e ritmos de nossa família. Mesmo que seja por pouco. Já que, se Deus quiser, logo eles criarão sua própria rotina em sua própria casa. Meu irmão era um sortudo.

— Princesa está tudo bem?

Saí de meus devaneios ao perceber que Stephan observava Rosie e seu “remelexo”, pelo retrovisor.

— Está tudo bem, Stephan. Só nos leve para casa o mais rápido possível.

— Bem que eu queria. Mas, pelo visto temos uma hora de engarrafamento pela frente.

Rosie gemeu e voltou a mudar de posição. Aquilo me deixou preocupado instantaneamente. Será que ela estava sentindo alguma coisa e eu não percebera?

— Ei? O que foi?

Puxei seu rosto em minha direção e acariciei as maçãs rosadas, com as pontas dos dedos.

Rosie deu um sorrisinho amarelo e disse que não era nada.

Como se eu fosse cair naquela desculpa.

— Esposa, eu te conheço. O que foi? Está sentindo alguma coisa? É a bebê? Nossa Lizzie está bem? Estamos mais perto do hospital do que de casa. Podemos ir para lá agora mesmo. Sua irmã nos atenderá de imediato, tenho certeza.

Perguntei preocupado enquanto apalpava a barriga, quase grande, dela.

— Não é nada, Emm. Pare de me apertar e de fazer tantas perguntas.

Ela continuava mentindo, pois respondia entre dentes e fazendo um monte de caretas.

— Rosie, o que é? O que é? Não me esconda nada. O que é? Fale de uma vez, mulher.

— Xixi, Emmett. Está satisfeito agora.

— Quê? Dá pra falar mais alto. Não entendi nada.

Perguntei, porque ela estava “cochichando como uma velhinha sem dentes mastigando chiclete barato”.

— Xixi, Emmett. Quero fazer xixi. Entendeu ou quer que eu desenhe?

Me respondeu um pouco mais alto. Aliás, um pouco foi por minha conta, porque acredito que nesse instante até meu sogro já estava sabendo o que a filha precisava fazer.

— Ah! Agora eu entendi. Ela está bem, Stephan. Não se preocupe. Só está precisando se aliviar. “Tirar a água do joelho”, você entende. Não é? Coisa de grávida.

Stephan, não sei por qual motivo, me encarou, pelo retrovisor interno, com as sobrancelhas arqueadas e segurando uma risada.

— Ih, amor! Você vai ter que esperar. Estamos no meio da rua e vai demorar até chegarmos. Você devia ter ido, no aeroporto.

Rosie me encarava com o olhar fulminante e fazia umas caretas de dar medo. O que será que estava acontecendo com esse povo hoje?

— Faça um favor a todos Emmett, cale-se.

Puro mal- humor, mas nem me importei. Eu já estava acostumado com essas mudanças. Teria que me lembrar de avisar a Edward, porque se isso fosse genético, meu irmãzinho tinha que se preparar.

Eu bem que queria que Charlie tivesse me avisado, se bem, que se ele tivesse feito isso talvez eu nem estaria aqui hoje. E só de me imaginar sem Rosie e Lizzie uma onda de arrepios me assolava.

Deus me livre...

Mas, por outro lado...

Será exatamente isso que farei quando minha Lizzie inventar de se casar quando completar 30 anos. Avisarei ao futuro defunto, que ela puxou a mãe, e que as mudanças de humor são o verdadeiro inferno na terra. Isso, com certeza, o fará pensar duas vezes.

— Merda! Não dá para esperar. Pare o carro Stephan.

— Quê? Você está louca. Estamos no meio da rua, você não vai abaixar as calças aí.

Apontei para a calçada, porém, o bastardo do segurança do meu bastardo irmão, já sinalizava e estacionava.

O que ele estava pensando? Eu conhecia essa região como ninguém, era toda residencial. Não existia banheiro público por ali.

Ela teria que segurar até chegar em casa.

— E não vou mesmo. E é por isso, que você irá até aquela casa e pedirá, educadamente, aos moradores para que eu poça usar o banheiro deles.

— Nem morto! Você já pensou no que sairá nos jornais amanhã “Príncipe herdeiro de Forkian, para numa rua qualquer e pede banheiro emprestado para “esposa mijona””. Seu pai vai mandar me enforcar quando souber disso. E papai então? Carlisle me deserdará, certeza. Você não pode me fazer passar por uma vergonha dessas, Rósalie.

Tentei argumentar, mas, nada parecia fazer efeito.

E para piorar, não entendi o motivo, mas percebi que a raiva que ela já emanava, aumentava a níveis estratosféricos.

Eu estava perdido, isso é fato.

— Me chame de “mijona” de novo, e eu mesmo mando te degolar, Emmett Cullen. Agora desça e me arranje um banheiro bem limpinho e cheirosinho. Agora...

“Mijona, mijona, mijona”... Pensei.

Será que ela achava que eu tinha medo dela?

Se bem que pensar é uma coisa, agora dizer aquilo em voz alta... Eu que não era maluco.

— Não.

Cruzei os braços e fechei a expressão. Afinal, eu era o homem da relação. Ela teria que me respeitar.

— Se não consegue esperar, então que faça aqui mesmo. Os vidros são escuros, ninguém perceberá e Stephan fechará os olhos. Não fechará Stephan?

Ele e Rosie pareciam incrédulos com minha ideia.

O que foi? Era melhor do que fazer na rua.

— Isso! Brilhante, Emmett. E depois de me quebrar inteiro, Edward manda te matar também, por ter destruído o carro da esposa dele que, aliás, só está comigo, porque Sam o deixou para lavar.

— Desça logo, ou você pode me deixar fazer aqui na rua mesmo. E aí sua briga será com mamãe e sua mãe. Qual prefere Emm?

Os dois haviam se unido contra mim. Contudo, não me importei. Eu era o homem, o chefe, o futuro rei, o macho alfa...

— Então peça você, o banheiro. É você que está apertada, não eu.

Por um minuto, percebi a incredulidade e o susto tomarem as feições dela, porém, logo eles sumiram e foram substituídos por algo que me amedrontava muito mais: determinação e vingança.

Emmett Cullen estava perdido.

— Ok. Foi você quem pediu.

Sem que eu medisse as ações dela, Rosie desceu, fechou a porta atrás de si e então começou a se afastar. Ela estava me desafiando.

— Princesa, eu posso fazer isso. É só...

— Não Stephan. Não é preciso. Pode esperar no carro, prometo que não me demoro. Só vai levar um minuto.

Do banco traseiro e completamente embasbacado observei minha mulher soltar os cabelos, abrir os três primeiro botões da blusa, para revelar o belo par de seios recém- adquiridos, graças à gravidez. E para meu pesadelo pior, ela ainda levantou a cabeça, empinando o nariz e a aquela bunda gostosa.

— Merda, Rosie. Aonde você vai?

Porém, ela não me respondeu. Estava ocupada demais se dirigindo a porta da casa, bem de frente onde estávamos estacionados.

Ela não faria aquilo? Faria?

— Sabe Emmett, não que você se importe e eu muito menos, mas, o dono dessa casa é um cara grande, dono de uma rede de academias aqui de Ângelus. Ele tem três irmãos mais novos, que moram com ele, e que são todos solteiros. Aliás, você deve conhecer, ano passado foram eleitos, junto com seu irmão, por aquela revista famosa, os cinco homens mais gostosos do planeta. Você se lembra, não é? Emmett? Emmett?

Stephan me chamava, porém, desde que a segunda parte da explicação dele começara, eu já estava correndo para junto de minha esposa gostosa.

Se ela queria fazer xixi em alguma casa, que fosse comigo a seu lado.

Porque, marmanjo nenhum faria favores a minha “mijo...” Ops...

É, pela expressão dela a me ver do seu lado, algo me dizia, que eu experimentaria, essa noite, o sofá que Esme mandara colocar em nosso closet, no quarto aqui de Ângelus.

Eu não falei? Emmett Cullen estava perdido e muito mal pago.

Esme

— Majestade?

— Esme, Donna. Me chame de Esme.

Resmunguei e fechei os planos de decoração da profissional que a arquiteta indicara a Edward. E voltei minha atenção a, sempre, babá de minhas noras.

— Preciso de sua ajuda, outra vez.

— De novo?

Perguntei, já me levantando e me dirigindo as escadas. A pasta com os projetos, bem protegida em minhas mãos. Eu não a queria “dando sopa” por aí. Ainda mais com Emmett, e sua boca grande, a caminho. Não que ele não soubesse da surpresa de Edward, eu só não queria que ele ficasse assim tão por dentro dos detalhes. Emmett corria o risco de cair em tentação. Eu conhecia o filho que havia colocado no mundo.

— Sim, senhora. Estou precisando pegar os uniformes de Bella para lavar, porém, não quero incomodá-lo.

— Pode deixar, Bá. Fique tranquila. Vou tirá-lo de lá em um minuto.

Ela assentiu. E eu me distanciei. Era loucura o tamanho do amor de meu filho e minha nora. O problema era que, são tão cabeças duras, que não se rendem de uma vez a esse sentimento.

Há um mês e meio eu via cada um sofrendo a sua maneira. E agora estava bem pior, porque eles não estavam se vendo.

Uma punição cruel que se infligiam e depois tentavam burlar das maneiras mais complicadas e estranhas.

Eu chegava a me divertir descobrindo cada uma delas:

Todas as noites Bella esperava que nos deitássemos e então corria para a biblioteca, para estudar, segundo ela. Lógico que isso era verdade. O que ela omitia é que sua insônia estava mais acentuada ainda, devido à distância de meu filho.

Edward, por sua vez, nestas mesmas noites assim que ouvia os passos leves dela pela escada esperava alguns segundos e depois descia e se deitava no sofá da sala. Aguardando, até que Bella se rendesse ao sono e resolvesse se deitar. E quando ela abria a porta devagar, sem grande barulho, Ele corria e se escondia debaixo da escada, impedindo assim que ambos se vissem. Cumprindo o acordo.

Eu já o havia questionado a respeito daquilo. Se ele não a via, por que esperá-la? Ele disse que não importava. Que só de saber que Bella estava tão perto já era o bastante para aplacar um pouquinho que seja, a saudade.

Por outro lado, Bella me confessara, ainda ontem, que andava tendo alucinações. Pois, toda noite quando retornava ao quarto, de madrugada, sentia o cheiro proeminente do marido, como se ele estivesse bem ali, na sala.

Ah! Se ela soubesse.

Outra coisa que a vi fazendo e que gerou um grande sorriso em minha face, foi perguntar a Charlote, todos os dias, se Edward estava se alimentando, já que ela não mais o encontrava durante as refeições.

Como se alguém precisasse mandar meus filhos, comilões, se alimentarem. Bella é que tinha problemas com isso. Contudo, achei linda, a preocupação dela.

Isso sem mencionar o acontecido do roubo das roupas. Aqueles dois achavam que me enganavam ou que se enganavam. O amor deles emanava por nossa casa.

E por fim, e motivo de minhas vindas constantes ao quarto de casal de Edward e Bella, que no momento era ocupado somente por minha nora, é que Edward agora estava com a mania de esperar que Bella saísse para o hospital e então, assim que isso acontecia, ele corria para cá e se deitava na cama deles, abraçando o travesseiro dela, como um bote salva vidas. E não importa a hora que Bella fosse trabalhar, seja de manhã ou de tarde, era questão de minutos até que ele se escondesse ali.

— Ei. Filho? Acorda.

Ele resmungou alguma coisa e então, apertou mais o travesseiro de minha nora junto ao rosto e voltou a dormir.

Ele estava abatido e exausto, isso era nítido. E me cortava o coração tamanho sofrimento.

— Filho, você precisa acordar. Emmett e Rosie devem estar chegando. Bella não se demorará muito no hospital, ela quer aproveitar a companhia da irmã. E tenho certeza, de que não quer que ela descubra seu segredo. Não é?

Edward suspirou audivelmente e afundou o nariz no travesseiro. Se deliciando com os últimos momentos de descanso que lhe era proporcionado. As horas que ele passava esperando por Bella, de madrugada, cobravam sem dó durante o dia.

E, posso afirmar, os dias dele estavam sendo intensos, devido à construção rápida da casa. Edward se recusava a deixar passar um detalhe.

— Não quero mesmo, mãe. Bella me acharia um maluco, compulsivo.

— Então se levante, meu amor.

Acariciei o braço que ele usava para tapar os olhos da claridade, ou talvez seja para esconder de mim a dor que sentia ao ter que se afastar dali.

— Como ela estava hoje de manhã? Ela comeu bem? Meu pai ou Jasper fizeram ou falaram alguma coisa? A importunaram?

— Ela estava linda, como sempre. Se alimentou e tomou os remédios que Jacob prescreveu. Bá e Chay, essa a mando seu, não dão folga para a garota. E não, pode ficar tranquilo, Jasper e seu pai não a incomodaram. Eles vêm se comportando muito bem, graças a Deus.

— Estou com tantas saudades, mãe. Está impossível suportar.

Afugentei uma lágrima solitária que escorreu dos olhos, ainda encobertos, dele. O que não proibiu que minha própria lágrima escorresse. Eu odiava ver que ambos sofriam.

Sim, ambos. Porque, o real motivo de Rósalie estar a caminho, é que Bella ligara para ela, madrugada passada, chorando a falta do marido. Ela precisava de colo de casa e como somente Rósalie estava a par do assunto, essa missão sobrara para ela.

— Então, termine com esse sofrimento, querido. Bella está pronta para te perdoar. Levante-se e vá buscá-la no hospital. Faça uma surpresa. Conversem, se resolvam. Bella também está em frangalhos, meu amor. Deixem de tanta teimosia.

Ele pesava minhas palavras. Porém, não queria que ele as levasse em conta. Eu estava fazendo meu papel de mãe o consolando. No entanto, admitia que eles precisavam, respeitar o tempo. Mesmo que isso significasse uma dor excruciante para os dois.

— Não, mãe. Bella está certa. Precisamos disso. Se ela consegue, eu também consigo. Vou esperar. Falta pouco agora.

Sorri internamente e então, retirei o braço que me impedia de encarar aqueles lindos olhos verdes, tão semelhantes aos do pai.

— Tudo bem, não vou me intrometer. Agora se levante, Bella está a caminho assim como Emm e a esposa. E além do mais, já me decidi quanto ao assunto que você estava em dúvida. Só falta a aprovação de Rósalie agora.

Consegui sua atenção ao mostrar a pasta que tinha em mãos.

Rapidamente, ele se sentou e calçou os sapatos.

Guiei-nos para fora dali, para que Bá pudesse ajeitar a cama que ele havia desarrumado.

Passando pelas janelas, sorri ao lembrar-me da pergunta de Bella sobre os tapumes, algumas semanas atrás.

Ela nem imaginava o que, de fato, eles escondiam.

Eu só esperava que ela gostasse da ideia de ter sua própria casa.

— Você tem razão, filho. A decoradora tem preferência pelo projeto número três porque é o mais caro e ele não se parece, em nada, com Isabella. Também não gostei do projeto um, é singelo e não vi conforto e aconchego em lugar algum e vocês precisam disso. Agora o dois...

Passávamos pelo corredor e já descíamos as escadas de volta à sala de estar.

— Foi o que eu mais gostei, mãe. Eu te disse. Moderno e com requinte, porém, sem exageros. Do jeito que Bella e eu gostamos.

— Isso mesmo. Foi exatamente o que pensei quando o estudei com mais atenção.

Os olhos dele brilhavam, enquanto repassava para mim o que mais havia gostado no projeto que escolheríamos.

— Então, provavelmente, será esse, mãe. Esperarei até que Rosie avalie e falarei com a decoradora. Creio que em duas semanas a parte de dentro fique pronta e então, entraremos na parte de acabamento.

A construção estava muito adiantada. Edward, havia contratado um batalhão de pessoas e, se Deus quisesse, muito antes do previsto, tudo estaria pronto para o início de vida deles.

O problema era que agora ele teria que pensar em outra coisa para presentear a esposa em seu aniversário.

— Faça isso, filho. E assim que ela começar, poderei supervisionar se tudo está correndo como desejado e...

— Mãããeee...

Parei no meio de minha conversa e com a pasta ainda aberta em mãos. Emmett gritava a todos os pulmões, me assustando.

— Arranje para mim um travesseiro e um lençol de solteiro, o sofá me espera...

E sem que eu ou Edward entendêssemos, ele passou por nós, como se estivesse estado em casa o tempo todo, e partiu rumo a seu quarto.

— O que deu nele?

Exclamei.

Edward deu de ombros, também sem entender nada.

Voltamos nossa atenção para o barulho da porta quando uma Rosie “espumando de raiva”, passava e se dirigia para o mesmo caminho do marido.

— Nem queiram saber. Nem queiram...

Edward nem ousou a indagar, ele conhecia bem até demais, uma Swan. Por isso, se retirou pela porta lateral assim que teve oportunidade. Estava claro que não queria confusão para seu lado.

E eu fiquei ali, em dúvida se interferia ou se deixava que “o circo pegasse fogo”.

Deus eu só queria um pouco de paz e calmaria nessa casa. Era pedir muito?

Edward e Emmett ainda acabariam com minha sanidade e me encheriam de cabelos brancos antes do previsto.

E eu os faria pagar por isso. Ah se faria, ou não me chamo Esme Cullen...