Três Príncipes, Três Princesas
37 Um dia intenso, muito intenso
Notas iniciais
Emmett
Girei a maçaneta devagar me preparando psicologicamente e fisicamente para enfrentar a escuridão do quarto. O jeito seria ir tateando as cegas até encontrar o closet.
— Boa noite. Entrando na surdina? Isso são atitudes de quem deve, Emm.
Porém, para o bem ou para mal não sei ainda, fui surpreendido. Rósalie estava bem acordada.
— Ainda acordada? Não devia ter me esperado.
Como se aquilo não tivesse importância, ela deu de ombros. Depois, fechou o livro que lia e o colocou no criado mudo. Tudo naturalmente, como uma reles mortal. Nada naqueles atos e postura dava a entender, de verdade, da importância do título daquela linda loira, que descansava na minha cama, no meu quarto.
— Estava sem sono. Meu corpo odeia não encontrar o seu, quando se deita. Viciou.
— Hum...
Murmurei incapaz de dizer algo coerente enquanto ela me encarava com tanta intensidade e promessas.
— Edward também já foi dormir?
— Foi. Infelizmente, nossa conversa se estendeu mais do que o previsto. E algo me diz que, meu irmão não terá a mesma sorte que eu, de encontrar a esposa acordada e toda carinhosa a sua espera.
Desperto da hipnose pelo assunto que ela trouxe a tona, sacudi a cabeça e, automaticamente, comecei a me livrar de minhas roupas.
Eu queria que com a perda delas, eu também me livra-se de todo aquele incômodo e peso. Eu precisava me libertar.
— E vocês chagaram a uma conclusão?
Sutil, porém certeira. Como uma boa rainha, quando queria arrancar alguma coisa do marido.
— Sim.
Respirei fundo, ajustei o elástico da boxer, que havia enrolado. Acendi a meia luz de cabeceira, apaguei a luz principal e me juntei a ela na cama.
— Chegamos. Foi um pouco tenso a princípio. Porém, papai, mais uma vez, soube controlar a situação e os meninos.
— Como Edward reagiu ao ver e ouvir as gravações e as ameaças?
Levantei o edredom que a cobria e me deitei a seu lado. Instintivamente, passei a mão por sua cintura e a puxei para que se juntasse a mim. Contudo, evitei olhar o que ela vestia, ou o que ela não vestia. Se o fizesse nós não terminaríamos aquela conversa. Eu precisava me concentrar.
— Ele está mais assustado do que deixa transparecer. Não o julgo. Eu, no lugar dele e de Jasper, já teria enlouquecido. Às vezes isso me leva a pensar na hipótese de que a estratégia de Jasper, talvez seja a mais certa. Uma ofensiva poderia amedrontá-los, pará-los.
— Eu imagino como seus irmãos devem estar. Presenciei o desespero de papai, quando soube das ameaças, lembra? Só espero que com essa desculpa eles não surtem e façam da vida de minhas irmãs um inferno. Aliás, Edward precisa, urgentemente, contar a Bella o que se passa.
— Ele vai. Era para ser hoje, mas como ela já deve estar dormindo, ele vai fazer isso amanhã de manhã. Papai e eu o convencemos disso.
Fiquei quieto depois daquilo, as palavras anteriores dela fazendo efeito em mim, enquanto se aconchegava em meu ombro e acariciava meu peito.
Minha cabeça dando voltas e mais voltas em busca de uma maneira, mais concreta, de ajudar meus irmãos.
— O que está te afligindo, Emmett?
— Hum?
— Você está distante e preocupado. Fale para mim o que está te deixando assim, meu rei.
Lamuriei ao mesmo tempo em que gemi de frustração. Eu não queria mostrar a ela minhas fraquezas.
— Não é nada, Rose.
Insistente e já conhecendo meu estado de espírito e minhas reações, ela levantou a cabeça e me encarou. Especulativa e determinada. Linda, a mais linda.
— “Desembuche”, Emm.
Soltei um alto e longo suspiro. Rendido e precisando desabafar, passei a lhe por a par do que me atormentava.
— Edward está perdido, Rose.
— Como assim? Perdido? Eu não entendo o que você...
Ela tentou se afastar de meu corpo para se levantar. Porém, a segurei firmemente no lugar em que estava. Eu precisava do conforto dela e de seu corpo.
— Meu irmão não sabe se a atitude que tomou é certa.
Ignorei e omiti a parte que eu também tinha minhas dúvidas a respeito dessa decisão. O que menos precisávamos era de mais dúvidas, nesse momento.
— Ele está inseguro e com medo, Rosie. E quando me lembro de que estarei a quilômetros de distância deles agora. Isso me deixa mal. Edward e eu, sempre estivemos lá, um pelo outro e agora quando ele mais precisa eu...
Levei o braço aos olhos e tentei esconder dela o que a angústia fazia comigo. Eu não ia desabar na frente de minha esposa. Eu nem era capaz de completar uma frase inteira.
— E ainda tem o fato de Paul estar aqui para cuidar de Alice. Ele deixa Edward intimidado. Nós não precisamos dele aqui. Amum dá conta de tudo sozinho. Ele é nosso chefe de segurança desde sempre. Estamos tão fora de controle, tão nervosos que nem o convocamos para nossa reunião de hoje, Rose. Você sabe o que isso significa?
— Ei! Está tudo bem, meu amor. Não precisa se esconder. Eu te entendo, Emm. Estou aqui com você. Levaremos Paul de volta para Forkian, se isso for melhor para vocês. Nós temos essa autoridade e se não tivermos pedimos a Bella que reclame com papai sobre ele. Charlie não nega nada a ela. Se acalme, Emm. Por favor.
Fora a gota d’água. Logo eu era consolado por lábios macios e palavras delicadas e doces.
— Você não entende a gravidade da situação, Rosie. Se algo acontecer com sua irmã, Edward não suportará. E eu preciso dele comigo por inteiro, meu irmão é...
Senti o corpo dela se arrepiando perante minhas palavras. Eu precisava lembrar, antes de qualquer coisa, que Isabella era irmã dela.
— Shiii! Não diga mais nada, Emm. Não diga! Bella está e permanecerá bem. Vocês vão dar um jeito nisso. E além do mais, com você em Forkian será muito mais fácil. Dois reinos trabalharão juntos e eliminarão, de uma vez por todas, essa ameaça.
Ela falava baixo, mas com tamanha convicção que conseguiu me acalmar. Os dedos acariciavam meu cabelo, me distraindo, me domando, me relaxando. Trazendo-me, ou sei lá, afastando-me da realidade.
— Shiiii! Se acalme, meu rei. Se acalme! Nós sempre estaremos a postos para nossos irmãos. E eles sabem disso. Relaxe, descanse e durma, meu amor. Não perturbe seu coração. “Confia no Senhor”, porque Ele tem planos grandiosos para nossa família, Emm. Descanse, meu amor. Amanhã será um novo dia. Descanse...
Relaxei e deixei que o poder dela sobre mim, fizesse milagres.
Eu sabia que dormir não resolveria nossos problemas, porém eu sabia também, que precisava daquilo para clarear as ideias e recuperar a sanidade.
Porque, algo me dizia que mais cedo que prevíamos, Edward precisaria de mim. E eu estaria pronto e preparado para quando isso acontecesse.
Bella
O calor.
Ah! O calor, que me forçava a jogar o coberto para o lado. O calor, que me acordava e que, juntamente com tanta claridade, me lembravam de que eu não estava em casa, eu não estava em Forkian. Eu era uma cidadã Angelina agora. Essa informação me fez abrir os olhos repentinamente. Eu tinha que levantar. Não seria de bom tom que me ausentasse das refeições já em meu primeiro dia.
Tateei o lado direito em busca dele, porém, estava vazio. Droga!
Eu dormira sozinha e acordara sozinha também.
— Bem- vinda a realidade, Isabella.
Sem pensar muito, porque se o fizesse... Ah! Como eu desejaria dormir mais um pouquinho. Só um pouquinho a mais...
Joguei aquele cobertor fofinho, que eu trouxera lá de casa, para o lado e me levantei. Corri para o banheiro, fiz minha higiene pessoal e tomei um banho, para acordar de verdade.
Vesti um vestido amarelo claro, de alcinhas e soltinho, que trouxe de viagem. Calcei um sapato de meio salto uns dois tons mais escuros que a roupa. Penteei e prendi todo o cabelo num rabo de cavalo bagunçado. Salpiquei um pouquinho de maquiagem e umas gotinhas de perfume e pronto.
Estava na hora de enfrentar minha nova família.
Nem ousei olhar para o relógio, enquanto descia. Se estivesse muito tarde só saberia quando enfrentasse a mesa de café.
— Bom dia! Bom dia! Perdoem-me pelo atraso. Creio que meu relógio biológico anda não tenha se habituado a Angelus.
Desculpei-me timidamente. Eu podia sentir o rubor subindo pelo meu rosto enquanto todos me encaravam.
Felizmente, a maioria sorriu e retribuiu minha saudação, no entanto meu sogro levantou uma sobrancelha e me olhou esguiamente.
— Sem problemas, querida. Leve o tempo que precisar para se adaptar. Agora se sente e tome seu café.
Sorri em retribuição ao carinho de Esme e fui até a cadeira que ela me apontava, ao lado de meu lindo marido. Vestido de camiseta polo rosa escuro e calça preta. Os bagunçados cabelos ainda estavam molhados, me certificando que ele havia levantado há pouco.
— Bom dia.
Ele se levantou, educadamente, quando me aproximei. Sem constrangimento, levou seus lábios aos meus, me saudando com um beijinho suave para depois, puxar a cadeira, para que eu me sentasse.
— Bom dia. Por que não me acordou?
— Você precisava descansar. Poderia ter dormido mais um pouco. Bá, levaria seu café no quarto depois.
— Não. Eu...
— Parem de mimar a garota. Ela já está bem grandinha e tem que aprender que nessa casa temos nossos horários e que as refeições são sagradas. Ninguém ficará esperando ou guardando refeições para ninguém.
— Carlisle!
— Pai!
Senti meu rosto corar ainda mais e baixei a cabeça, de vergonha.
— O quê? Eu só estou lhe dizendo as regras. Ninguém nessa casa é melhor do que ninguém. Obedeçam as regras e tudo dará certo. Desobedeçam e arquem com as consequências. E isso serve para todas.
— Pai...
— Carlisle, o que deu em você? O que pensa que está fazendo?
Edward apertou minha mão e fez menção de levantar e falar alguma coisa. Porém, o segurei firmemente e fiz que não com a cabeça. Eu não queria ser o motivo de uma discussão entre pai e filho, logo pela manhã.
— Minha casa, minhas ordens.
— Ora! Sua, uma ova! Peça desculpas agora e...
— Cale-se, Esme!
O tom de voz dele subiu duas oitavas e a tensão tomou conta da mesa de café. Emmett, Jasper e Edward rapidamente mudaram de postura. Creio que ver o pai gritar com a mãe os tenham colocado em alerta. Para mim, Alice e Rosie, isso era normal. A voz do rei Charlie era a última que se ouvia em casa.
— Perdoe-me, majestade. Eu prometo que isso não se repetirá.
Disse baixo e sem encará-lo. Eu queria dissipar aquele desconforto. Que a ira dele se voltasse para mim e não para a esposa, que não tinha nada com meu atraso.
— Bom mesmo. Agora terminem esse café que todos temos obrigações maiores a fazer.
Edward estendeu a mão para pegar minha xícara, porém o impedi. Eu mesma faria isso. Ou era bem capaz do rei dizer que ele estava, mais uma vez, me acostumando mal.
— Você deseja um suco natural, leite, ou qualquer outra coisa, Bells?
Donna tinha o cenho franzido de irritação.
— Não, Bá. Obrigada. Está bom assim.
Dispensei-a antes de ouvir mais um sermão.
Continuei de cabeça e evitei os olhos de todos. Eu não compreendia o que havia feito de errado para que meu sogro estivesse tão zangado comigo.
— O que vai comer, meu anjo?
Os dedos de Edward vieram para meu queixo. Seus olhos preocupados e pesarosos, buscando os meus.
— Nada. Obrigada. Estou sem fome. Vou me contentar somente com o café.
— Bella, por favor coma só um pouquinho e...
— Shii! Por favor, Edward.
Cochichamos. E implorei para que ele não fizesse alarde.
Um bolo estranho e já conhecido se formava em meu estômago e minha garganta. Tratei de fechar os olhos e respirar fundo, umas três vezes. Eu era forte agora. Eu não chorava mais. Porém, minhas mãos tremiam enquanto segurava a xícara e a levava aos lábios.
Eu queria meu pai.
— Bells?
— Tudo bem, Alice. Não se preocupe.
Fugi do olhar de piedade dela, quando os respingos de café caíram em meu vestido. Eu tremia tanto que não conseguia beber.
— Bella, você está...
— Está tudo bem, Rosie.
Voltei a fechar os olhos. Rezando para que aquilo acabasse logo.
Terminamos a refeição naquele silêncio constrangedor, segundos viraram horas até que o rei resolveu que já estava saciado.
E assim que ele se levantou, segui seu exemplo e fugi para o quarto. Eu não queria os outros, me consolando e insistindo para que eu comece ou bebesse alguma coisa. Ainda mais, porque eu não conseguiria. Meu estômago estava revolto.
Corri para o banheiro e me abaixei debaixo da torneira da pia. A água fria lavava e refrescava meus pensamentos e minha amargura.
— Perdoe meu pai, princesa. Eu não sei o que deu nele. Acho que a situação de ontem o tenha deixado nervoso e, ridiculamente, ele descontou isso em você. Ele não devia. Minha mãe está gritando e apontando o dedo para ele, nesse exato momento.
Sequei o rosto com a toalha que ele me estendia. E fiz isso por um bom tempo. Eu não queria encará-lo. Ainda não.
— Pare, meu amor. Você vai se machucar se continuar a esfregar o rosto assim. Pare! Olhe para mim, Bella.
Delicadamente, ele tirou a peça de minhas mãos e se aproximando beijou meus olhos.
Suspirei e me aconcheguei em seu corpo. O cheiro de Edward me inundando e me enchendo de conforto.
— Venha aqui. Eu quero te contar o que tem deixado todos nesse estado. A ponto de estourar.
— Sem mentiras. Sem meias palavras. Ou a verdade, ou nada, Edward. Eu não aceito outra opção.
— Eu concordo.
E então ele me contou. Contou cada detalhe do que o atormentava desde nossa lua- de- mel. As ameaças contra as princesas de Charlie. Mais severas a mim e a Alice. A discordância do plano de ação, entre os irmãos. A palavra final do pai. E por fim, suas inseguranças quanto a me contar e a me deixar a par de tudo isso. Edward estava apavorado e metia os pés pelas mãos.
— Você não precisa ter medo, princesa. Eu sei que é informação demais. Mas, garanto que nada te acontecerá. Jasper está trabalhando nisso. Nós pegaremos esses,... Esses terroristas e..., Por favor, Bella. Diga algo eu estou ficando louco aqui.
Somente então, eu percebi que não havia dito uma só palavra desde que ele começou a falar.
— Eu não tenho.
— Hã?
Perguntou confuso e apavorado com meu silencio.
— Eu não tenho medo, Edward. Eu confio em você e nos agentes de Angelus. Você não precisa me esconder às coisas, amor. Eu sou nova, porém entendo o quanto sua família e minha família...
— Nossas famílias.
Corrigiu-me.
— Sim, nossas famílias. Eu sei como somos visados e o que representaria a queda de um de nós, para o terrorismo. Seria uma comoção geral e os olhos do mundo nesses bandidos. Não precisa ter medo, meu príncipe. Nós encontraremos uma maneira de pegá-los. E até lá, pode ficar tranquilo, que não causarei problemas para você e a segurança. Somos um casal, Edward. Estaremos juntos. Eu confio em você. Confie em mim, amor?
— Ah, Bella! Eu sou idiota demais. Perdoe-me de novo, princesa. Acho que nossa vida será um perdão constante.
— E isso não é casamento? “Perdoar setenta vezes sete”.
— Eu te amo, princesa. Amo demais. Sou agraciado por ter você para mim.
— Eu te amo, Edward. Amo.
Levantei mais os lábios e busquei sua boca com afinco. Eu precisava mostrá-lo que ele não havia se casado com uma menininha, eu era uma mulher. A sua mulher. Que tem medo do pai dele, é verdade, mas que é capaz de enfrentar terroristas pelo bem do casamento.
— Me ame, Edward. Ama-me agora. Tem duas noites que não sei o que é sentir seu corpo junto ao meu. Ama-me. Faça com que eu esqueça os problemas e farei o mesmo por ti, meu amor.
— Agora, princesa. Agora...
Os olhos verdes inundados de preocupação haviam desaparecido. Só se via desejo ali, enquanto nossas roupas eram atiradas, violentamente, ao chão.
— Venha!
Tentou me puxar para o quarto. Para a cama.
— Não! Aqui. Eu quero você aqui.
Nua e completamente despida de minha timidez, dei um pulinho e me sentei na bancada da pia.
— Sem reservas, sem muito cuidado e sem planejar. Eu sou sua e você é meu. Selvagem e com força.
Domado por minhas palavras, ele se aconchegou entre minhas pernas e me puxou para mais perto. As mãos, possessivas e frenéticas me tocavam em todas as partes. Fechei as pernas em sua volta e passei a beijar seu pescoço e seu ombro.
Eu o queria demais.
— Minha! Somente minha, Bella.
— Sua somente, sua.
Em algum ponto de toda aquela perda de controle e estocadas fortes e sem cuidado, o orgasmo nos atingiu e nos dominou.
— Isso! Bem assim. Ah, Edward!
Eu gemia e me agarrava a ele. Enquanto sua boca mordia e beijava com afinco meu pescoço. Eu já não estava mais na bancada. Eu estava suspensa e segura pelo seu corpo grande e delicioso.
— Ah, que delícia, Bella. Você é ... gostosa demais, princesa.
Sorri mais, enquanto o sentia se derramar em mim. Era a primeira vez que ele me chamava de gostosa. Ser chamada de linda, de bonita, de princesa era uma delícia.
Agora gostosa, era outra coisa...
Meia hora depois, parcialmente saciados e de banho tomado nos vestíamos outra vez. A diferença era que agora estávamos juntos e nos tocávamos a todo instante.
— Edward, filho?
Esme bateu a porta. Minha sogra tinha o “time” perfeito.
— Só um minuto, mãe.
Passei a mão pelos cabelos, os ajeitando. Já estávamos prontos, porém, exalávamos a sexo.
— Entre.
Ele se pós de lado para que Esme entrasse.
— Não. Não precisa. Eu lamento interromper, mas é que seu pai quer levá-los aquele lugar agora e como ele está atacado hoje, preferi apressá-los eu mesma.
— Tudo bem, mãe. Nós já estamos descendo.
Esme assentiu e então voltou sua atenção para mim, ela parecia um pouco constrangida.
— Bella, não leve em consideração tudo que meu marido vomitou hoje cedo. Carlisle não se sai bem sobre pressão e essa situação toda de terrorismo o tem deixado ansioso e...
Esme tapou a boca quando percebeu o que tinha dito. Seus olhos se voltando para Edward rapidamente.
— Está tudo bem, mãe. Bella já sabe de tudo. Bem, nós estávamos tendo essa conversa ainda agora.
— Quem bom, filho. Eu não quero ver a decepção nos olhos de Bella mais. Quero que essa casa seja um lar para ela e Alice e vocês não estão facilitando minha vida.
— Prometo melhorar e consiga isso de meu pai também. Agora vamos logo. Antes que Carlisle nos grite ou vá sem nós. Pronta?
Assenti e segurei a mão que ele me estendia.
Edward aconchegou sua mãe e a mim, uma de cada lado enquanto íamos ao encontro do restante da família.
Eu não sabia o que esperar dessa nossa saída. Eu só esperava que não tivesse mais repreendas de Carlisle e mentiras de Edward ao longo de nosso dia, ou melhor, ao longo de nossa vida.
Ah! Se eu soubesse o que aguardava!
Edward
— Aonde vamos?
Bella perguntou pela “milésima” vez.
— É uma surpresa, ansiosinha linda.
Ri da caretinha que ela fez em retaliação a minha resposta.
Sem me conter, a puxei para mais perto enquanto descíamos.
— Às vezes você é irritante, Edward.
— E você é uma princesa adorável. Em todas as ocasiões, meu amor.
Completamente apaixonado e incapaz de me conter, beijei sua testa e seus lábios.
Era impressionante o que a verdade fazia com as pessoas. Minha conversa com ela havia me libertado. Tirado um peso enorme dos ombros. E me surpreendido também. Bella era pequena e nova, porém a força e o entendimento dela haviam me impressionado.
Ela daria uma rainha incrível. Pela primeira vez na vida, lamentei ser o terceiro filho. Eu queria poder presenteá-la com um reino.
— Toda sua família vai?
— Nossa família, amor. Não se esqueça disso. E, sim. Todos vão. Aproveitaremos a oportunidade para aparecermos juntos para o povo.
Ela assentiu, no entanto permaneceu quieta depois disso. Eu já imaginava que a cena de Carlisle mais cedo teria consequências. Eu não poderia influenciar Bella a se rebelar contra ele, afinal papai era o rei. Contudo, eu não deixaria, jamais, que isso virasse rotina. Minha mulher não seria humilhada a cada ataque do rei.
— Muito bem, agora que já estão todos aqui. Vamos de uma vez. Ainda tenho muita coisa para fazer hoje.
Todos se encaminharam para a porta, Carlisle mandava e obedecíamos. No entanto, ninguém ousou questionar nosso atraso. Com certeza, Esme Cullen já havia entrado em ação. Era minha vez agora.
— Mãe, você se importa de ir com Bella? Eu preciso muito falar com meu pai.
Os olhos dela vieram para os meus procurando por algo, que acho, não encontrou. Pois, sorriu e se encaminhou para meu carro.
— Não, meu bem. Eu não me importo. Melhor assim porque, quero mesmo saber mais sobre o paraíso tropical que vocês visitaram.
Por outro lado, papai fechou a cara e levantou a sobrancelha, me encarando contrariado. Fiz questão de ignorá-lo. Eu só precisava da intimidade do carro para desabar minha contrariedade nele.
— Te vejo daqui a pouco.
— Edward, não arranje encrenca por minha causa. Você e sua mãe já me explicaram a atitude do rei e eu entendi. Vamos colocar uma pedra nisso.
O que ela não sabia, é que eu é que não havia entendido a explosão de meu pai.
— Fique tranquila. Nós somente vamos conversar. Aproveite a companhia de mamãe e sinta minha falta.
— Edward...
— Sinta minha falta, Bella.
Aproximei-me e a segurei pelos ombros. Ela respirou fundo. Rendida a meu bel prazer.
— Sempre!
— Sempre!
Dei-lhe um beijinho de despedida e esperei que entrasse no carro para que pudesse fechar a porta.
Depois disso, me dirigi a Mercedes que me aguardava.
— Não faça besteira, irmão.
Emmett freou o carro dele, parando entre mim e o carro que me esperava.
— Não farei, Emm. Só vou conversar.
Assentindo e confiando em mim, ele pôs o carro em movimento e se afastou. Só restávamos nós no estacionamento do palácio.
— Vamos, Paul.
Ordenou Carlisle assim que me sentei a seu lado.
— Se você está aqui para me repreender por hoje de manhã, saiba que chegou tarde. Sua mãe já o fez. E por mais que ela tenha ficado irritada, eu não me arrependo. Minha casa, minhas regras, sempre foi assim. Vocês aprenderam e obedeceram. Por que com elas teria que ser diferente?
Eu conhecia meu pai, ele estava sendo implicante. Gritar e esbravejar só pioraria as coisas. Era melhor usar outra tática.
— Não estou aqui para brigar, pai. Estou em missão de paz. Sei exatamente como funcionam as coisas lá em casa.
— Então?
— Então, que eu queria pedir pro senhor ter um pouquinho mais de paciência e autocontrole com minha esposa.
— Paciência? Paciência? Esse casamento está fazendo de você um molenga, Edward. Alice e Rósalie estavam na mesa na hora exata. Seus irmãos as controlam. Aprenda com eles.
Rangi os dentes e fechei as mãos em punho, tudo em busca de controle. Eu odiava ser comparado. No entanto, perder a linha só o faria pegar mais pesado com Isabella.
— Minha mulher tem mesmo um poder sobre mim, pai. Pode me julgar. Mas, acho que herdei esse defeito de alguém, não foi?
Olhei-o sugestivamente. Eu queria saber como ele iria retrucar essa.
— Mas o caso, pai, é que meus irmãos e eu já nos habituamos ao ritmo de nossa casa e Alice e Rose também. Porque o senhor não pode esquecer que elas já estão conosco há três meses. Agora, Bella só chegou ontem. E ela ainda tem problemas com o sono. Não veja como uma afronta os atrasos dela, meu rei. Não exija mais que ela pode nos dar, pai.
Bajulei displicentemente.
— Acho que terei que te remanejar de cargo, filho. Já pensou em ser diplomata?
O sorriso que ele esboçou mudou totalmente o clima entre nós. Meu pai não era nada rabugento, Bella só havia sido “pega para Cristo”.
Era hora de ensiná-lo uma lição. Eu daria o tiro de misericórdia agora.
— Eu prometo que a ajudarei a se adaptar, contudo, preciso da contribuição do senhor também. Porque, creio que teremos um problema enorme se Charlie pelo menos desconfiar, de um por cento, do que se passou naquela mesa hoje.
Mordi o lábio e reprimi a risada que queria sair. De repente meu pai parecia mais pálido e ansioso do que de costume.
— Isso não pode acontecer. Você acha que ela vai dizer alguma coisa a ele?
Olhei para o outro lado evitando assim, que ele percebesse minha expressão divertida.
— Não. Ela não contará nada. Bella não vai nos expor assim de primeira e além do mais, conversamos agora a pouco e, graças a Deus, a convenci de que o senhor estava estressado por causa das ameaças.
O que não era de todo uma mentira.
— Você fez isso?
— Fiz, pai. Eu fiz. Porém, não farei de novo. Não vou mentir para minha esposa a fim de acobertar o senhor. Se o ocorrido de hoje voltar a se repetir, tenho certeza de que Alice, Rose, Bella ou até mesmo Donna, não hesitarão em colocar meu sogro a par do assunto. Aí a coisa vai se complicar, pai. Porque, eu amo Isabella. E irei a qualquer lugar que ela vá.
O olhei com intensidade. Minhas palavras e postura demonstrando toda convicção que eu precisava.
— Tudo bem, filho. Você está certo. Eu me excedi. Vou concertar essa situação antes que seja tarde demais.
E para minha surpresa, ele me abraçou de lado enquanto dava tapinhas em minhas costas. Carlisle está mesmo um caleidoscópio de emoções.
— Agora vamos logo com isso. Porque estou louco para ver a reação de sua esposa a nossa surpresa.
Somente então, percebi que Paul estacionava o carro e que nossa família nos esperava na entrada da recepção.
Respirei aliviado, e desci do carro.
Pelo menos em parte, eu havia resolvido o problema.
Bella
— Viu, cunhadinha. Não precisava ficar toda tensa. Os dois estão sãos e salvos. Não parece estar faltando nem um pedacinho de meu irmão. Já você, tenho minhas dúvidas. Esse seu pescoço está meio estranho, meio roxo. O que aconteceu, hein? Foi atacada por um animal?
— Emm, não perturbe, minha irmã. Ela está ficando mais vermelha do que o normal.
— Ah, Rosie! É só uma “pertubaçãozinha” de leve. Bella precisa aprender a levar a vida mais na boa.
Os braços pesados dele vieram para cima de meus ombros. Tive que firmar o pé, ou bem provável que desabaria, tamanho o peso. Sem contar a vergonha. Será que meu pescoço estava marcado mesmo? Edward iria me pagar.
— Saia daí, Emmett. Você vai desmontar a princesa com esse seu jeito tão delicado.
— Não se meta, Jasper. “Isabellinha” aqui é bem forte. Exatamente como as irmãs. Não é cunhada?
Tentei fugir do aperto dele. Impossível e inútil como era pesado. E para piorar e me deixar mais sem graça, Emmett beijou minha bochecha em desafio a minha tentativa de fuga.
— Faça isso de novo, irmão e Forkian terá que escolher outro príncipe herdeiro em breve.
Edward chegou a meu socorro e me arrancou dos braços dele. Creio que se fosse com Jasper aquela afeição toda não estaria ali.
Esme só sabia rir e negar as gracinhas dos filhos.
— Papai e mamãe não te ensinaram a dividir mesmo, não é irmão? Aí, Rose. Eu só estava brincando, amor.
— Nossa, mesmo? Eu não percebi, amor.
Rose desceu a mão na cabeça de Emmett fazendo com que gargalhássemos dos dois.
— Parem com isso. Tem um monte de paparazzis em frente ao hospital. Amanhã vocês estarão nas primeiras páginas. Se posicionem como adultos, pelo menos uma vez na vida, pelo amor de Deus. Vamos, entrem, antes que eu perca a cabeça.
Imediatamente mudei minha postura e peguei a mão de Edward. Eu não queria ser mais o alvo de meu sogro.
— Edward, o que estamos fazendo aqui no hospital?
Cochichei tentando não chamar a atenção já que estávamos bem atrás de Carlisle e Esme.
— Você já vai saber. O importante agora, é que saiba que não estamos num hospital qualquer. Aqui é o Hospital Central de Ângelus, carinhosamente chamado de HoCedeA. Um dos hospitais mais bem equipados do mundo e centro de referências em tratamentos e pesquisas de várias patologias.
Eu já sabia daquela informação. Jake havia feito questão de frisar que queria muito, estagiar aqui em alguma época. Isso antes deu aceitar ficar noiva de Edward, claro.
— E por que estamos aqui?
— Você não imagina o porquê de estarmos mesmo aqui, princesa?
Senti todos os pelos de meu corpo se arrepiar. Eu imaginava, mas precisava de uma certeza, antes de começar a surtar.
— Bom dia. Vocês demoraram. E onde está a mais nova neuropediatra do nosso corpo clínico?
Aro, em seu belo terno escuro, sob medida, vinha a nosso encontro. Seu sorriso era algo que não dava para ignorar. Mesmo com a idade que tinha, ele era muito bonito.
— Irmão, bom dia.
— Meu rei, minha rainha, bom dia.
O cumprimento deles era sincero e apesar de usar o título de meus sogros, Aro os abraçava e sorria. Como uma verdadeira família deveria ser. Porque, tenho certeza de que para a rainha Elizabeth, Carlisle, Aro e Eleazar eram iguais.
— Emmett, Rósalie. Achei que já estavam a quilômetro de distância. Esticaram a lua- de- mel aqui? Quanta falta de criatividade.
— Ah, tio! Deixe de ser intrometido. Meu sogro ainda não está preparado para me ver de gracinhas com a filha dele. Então resolvemos dar uma esticadinha. Não corte meu barato.
— Ah! Esse tem meu sangue. Aproveite mesmo.
Rósalie tapou o rosto com a mão, escondendo assim a vermelhidão. Emmett e Aro gargalharam e se abraçaram. Um quase tirando o outro do chão.
— Jasper, Alice. É bom ter vocês aqui. Espero que o final das reformas, estejam de seu agrado, filho.
— Bom dia, tio. As reformas tem que agradar a Isabella. Se ela achar que ficou bom, eu também acharei. Mas, se ela achar ou quiser algo que não pensamos e não fizemos, cuide disso tio. O senhor tem carta branca e não se preocupe com os gastos.
Aro concordou, porém não esticou o assunto. Os olhos dele se dividindo entre Alice e Edward.
Meu marido se manteve atento e somente apertou mais a mão na minha quando o assunto se tornou desconfortável.
Eu teria que colocar Jasper em seu lugar. Só eu poderia acabar, de uma vez por todas, com essa provocação que ele estava infringindo a Alice e Edward.
— Está certo, alteza.
Surpreendentemente, a pompa que Aro não tinha com o irmão ele tinha com o sobrinho. Por pouco que não se curvou em uma reverência. Aquilo era o cúmulo do absurdo. Eles eram família, afinal.
— Ah! Agora me deixe ver esses dois aqui.
E então o tio de meu marido voltou a se transformar. Os mesmos olhos amorosos que encararam Emmett e Rose agora estavam em Edward e em mim.
— Edward, Isabella. Como é bom ter vocês aqui. Espero que estejam prontos para serem deslumbrados.
Edward o abraçou apertado e bateu de leve em suas costas e no processo ainda perguntou pela tia e pelos sobrinhos.
— Então todos bem. Sulpícia envolvida nas obras sociais. Já Alec e Jane gastando o dinheiro da coroa em alguma ideia mirabolante e sem futuro. Mas, pare de me enrolar para que eu não abrace sua esposa. Ela será minha todos os dias, em breve. Não adianta você querer retardar esse momento.
— Aro. É um prazer revê-lo.
Adiantei-me e estiquei a mão para cumprimentá-lo. Como se precisasse ser mais parecido com Emmett, ele a ignorou e pegou num abraço.
— Seja bem- vinda, princesa. Ou eu deveria chamá-la de doutora Isabella ou doutora Cullen, talvez?
— Bella, me chame de Bella. Afinal, sou sua sobrinha agora.
Sorrimos em acordo, enquanto Edward resmungava sobre minha receptividade e o aproveitamento do tio.
— Pronto, irmão. Todos saudados. Agora vamos direto para a parte mais importante porque, o tempo urge.
— Sempre sutil, meu rei. Exatamente como Jasper. Mais parecidos impossível. Tome cuidado. Você é testemunha de que o mundo dá voltas. Não planeje antes da hora.
— Aro...
— Ok. Já me calei. Venham por aqui.
Caminhamos por várias alas. Edward me dizia como eram e Aro nos mostrava as modificações que haviam sido feitas. Pelo que entendi as reformas começaram depois da nossa primeira visita oficial. Charlie havia dito ao rei que depois que comecei medicina eles haviam aprimorado muito as instalações e também o corpo clinico do nosso principal hospital. E que tínhamos em Forkian agora, um hospital referência mundial. E creio que isso os tenha incentivado.
E como Edward havia me dito anteriormente que já tinham um hospital modelo, fico imaginando como seria depois de tanto aprimoramento.
— Muitas mudanças exigem mais funcionários. Você já está cuidando dessa parte, irmão?
— Os administrativos sim. O corpo clínico ainda não. Achei que a princês..., ou melhor, Bella poderia me ajudar nessa parte.
— Ela pode mesmo. Creio que conheça e tenha amigos e profissionais especializados e dispostos a trabalhar conosco.
Prestei atenção na conversa deles, minha mente já trabalhando a mil, pensando em todos os colegas que gostaria que trabalhassem aqui.
— Por aqui.
Por fim, viramos à direita e foi então que meus olhos se transformaram e se encheram de total amor.
— Essa é a nova ala da pediatria. Espero que goste, princesa.
Todos que estavam a nossa frente se afastaram. Edward e eu passamos por eles.
— Ela é,... linda!
Eu não era capaz de encontrar palavra melhor.
A recepção era grande, toda branca e com nichos nude, cheios de brinquedos e animais de pelúcia ao longo das paredes. Duas recepcionistas loiras e com caras de nerds permaneciam de pé, atrás de um balcão, elas pareciam nervosas com nossa presença.
Em frente, várias poltronas, também coloridas, se destacavam. Não havia como não se sentir confortável ali.
— Bom dia.
As cumprimentei e sorri. Se, iríamos trabalhar juntas, era melhor começarmos a criar laços.
As duas sorriram e responderam cordialmente.
— Nós já atendíamos bem as nossas crianças. Porém, não tínhamos uma ala somente para elas. Com sua vinda, suas especializações e seus estudos cremos, que a demanda pela procura nessa área crescerá. Então, a necessidade da ampliação. Espero que goste, mas é como Jasper falou, se algo não estiver de acordo é só dizer que faremos as modificações.
Edward narrava e assinalava cada detalhe que gostaria que eu observasse mais atentamente.
Eu estava impressionada, eles haviam feito um bom trabalho.
— Tentamos colocar duas salas para cada profissional, porque pensamos em um revezamento: dois pediatras, dois oftalmos, dois dentistas, dois nutricionistas e assim por diante e todos infantis, claro. Sabemos que neuro, cardios e especializações mais raras, será complicado conseguir mais de um profissional por área, por isso só preparamos uma sala para cada um deles.
Por onde passávamos e a cada especialização que ele citava, me mostrava um belo consultório de última geração. Todos novinhos e bem equipados.
— Vocês pensaram em tudo, Edward. Não há do que reclamar ou rever. O povo de Angelus só tem a ganhar com todo investimento.
— Concordo. Se bem que, o povo não tenha sido a maior motivação de tanto investimento. Há anos pedimos por melhorias e apesar, de termos um atendimento exemplar, nossas instalações sempre requeriam atenção. Porém, nunca dava. Nossos orçamentos nunca eram aprovados. Contudo, depois que o noivado foi oficializado e meu sobrinho caiu de amores pela médica de Charlie. Aí as coisas mudaram.
— Tio!
— O quê? É segredo que você está de quatro?
Edward negou e fingiu descontentamento. Aproveitei o biquinho que ele fez e o beijei.
— Ah, não! Não comecem.
Envergonhada me afastei e voltei a segurar sua mão. Alice nem dava o direito da gente se divertir.
— Bem, Bella. Já que meu sobrinho a impressionou bastante com essa balela de construção e ampliação. Agora vamos à parte principal.
Andamos até a metade do corredor e paramos. Uma bonita mocinha de uns dezesseis, dezessete anos por aí, nos saudou com um lindo sorriso. Ela era morena, com imensos olhos negros e parecia um pouquinho assustada. Usava uma calça branca com sapatos de salto baixo. Os cabelos estavam presos em um perfeito rabo de cavalo. Porém, o que mais me impressionou foi o bordado do bolso de sua camisa, branca com listras mínimas em azul.
Bree Tuner- Consultório Cullen.
— Bella essa é Bree Tuner, sua secretária particular.
— É um prazer, Bree.
— O prazer é todo meu, princesa, doutora ou, eu...
— Bella. Me chame de Bella.
O rosto dela ficou vermelho e o sorriso tímido resurgiu.
— Bree, passou por um curso intensivo de secretariado, amor. Ela está apta a te ajudar em tudo que precisar.
— Será um prazer trabalhar com você, Bella.
— O prazer será todo meu, Bree.
O espaço dela, era tão lindo quanto a ala toda. A diferença é que o azul e o branco dominavam aquela área agora.
— Agora vamos a melhor parte. Venha.
Edward parecia criança em noite de natal. Ele estava empolgado demais.
— Como já foi dito, querida. Você tem liberdade para mudar o que quiser aí.
Esme tocou meus cabelos. Porém, eu não senti. Na verdade, eu havia perdido todo o raciocínio quando parei de frente a porta branca a nossa frente.
Isabella Cullen
Neuropediatra
O letreiro também era azul de uma caligrafia fina e delicada. Sem consegui me conter, levei a mão até lá e tateei cada letra.
Eu não estava sonhando. Eu estava ganhando um consultório.
— Abra. É todo seu.
Olhei para trás e chamei Rosie e Alice. Eu precisava que elas compartilhassem aquele momento comigo.
Levei a mão, trêmula, a maçaneta e então, abri.
— Nossa!
Murmurei. As lágrimas, agora de alegria, desciam soltas. Eu estava emocionada além da conta.
— Entre cunhadinha. Nós estamos mofando aqui. Queremos ver resultado final do trabalho de mamãe e Edward.
Obedeci Emmett e entrei.
— O que achou?
Não fui capaz de responder eu estava ocupada demais admirando o meu consultório.
— Aqui é somente para a primeira parte de seu trabalho, querida. Não precisa se preocupar, compramos também todos os equipamentos mais modernos e necessários que você utiliza na identificação de qualquer patologia.
— Obrigada, Esme.
— Nunca vi tanto nome estranho em minha vida, Isabella. Precisei fazer uma pesquisa intensa da utilidade, de tanto aparelho caro e grande, para liberar as verbas para compras. Faça bom proveito deles.
— Obrigada, meu rei.
Tímida e ainda insegura, agradeci a meu sogro.
— Olha que lindo, irmã.
— Alice tinha nas mãos uma girafinha de pelúcia, que estava num dos três nichos, bem em cima da maca de exames.
Era perfeito. Meu espaço. Meu consultório.
Eu me apaixonara um pouco mais pela minha família naquele momento.
O espaço e os móveis eram de um branco puro e brilhante. O papel de parede era de listras rosa, azul e branca, bem fraquinhas. Nas paredes, quadros com crianças felizes, carrinhos e bonecas. No chão, puffes e poltronas pequenas e confortáveis. Coloridas e atraentes aos olhinhos de meus futuros pacientes.
Minha mesa, era de madeira branca e delicada. Toda informatizada. Uma poltrona grande e macia me esperava, enquanto outra também de aparência confortável, aguardava os parentes e responsáveis de meus pequeninos.
Era o meu sonho se tornando realidade.
— O que achou, princesa?
Edward tornou a perguntar.
— Eu amei. Eu...
Me virei para ele e me joguei nos seus braços. Escondi a cabeça em seu pescoço e escondi as lágrimas.
— Bells.
Senti quando Alice e Rose me abraçaram também. Nós éramos assim. Nas alegrias, nas conquistas e nas tristezas.
— Obrigada. Obrigada, a todos vocês. Prometo que honrarei cada centavo investido. Obrigada.
Contemplei o sorriso orgulhoso de Aro e Carlisle. O sorriso de quem tinha feito um bom trabalho.
— Bom, agora que já fizemos Isabella feliz, chegou à vez de Alice. Venha, meu amor. Nós temos um ateliê para te mostrar.
Eu ainda não estava pronta para sair dali. Eu tinha muito que ver e conversar com Aro e Bree. Porém, tudo podia esperar. Alice havia participado de minha alegria era hora de participar da dela. Jasper estava coberto de razão. Mas antes, eu tinha que fazer uma coisa.
— Obrigada, Edward. Muito obrigada, mesmo. Eu amei cada cantinho desse espaço. Obrigada.
O segurei em um abraço e beijei lentamente seus lábios.
— Não me agradeça. Estou te dando trabalho. E ainda teremos uma discussão por causa disso. Porque sei que você precisará de Jacob em alguns casos. Porém, eu quero que seja feliz, princesa. No nosso quarto, em casa, no trabalho. Eu quero que seja feliz aqui, em Ângelus.
— Onde você estiver, eu estarei feliz. Eu te amo, Edward.
— Assim como eu te amo, Bella.
Para um dia que havia começado desastroso somente podia se esperar o pior. Porém, Deus me mostrava, mais uma vez, que cada segundo era uma novidade. E que devíamos viver intensamente cada momento, seja ele bom ou ruim. Porque, somente a Ele pertencia o futuro.
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