Notas iniciais
Olá meus leitores Bom, gostaria de pedir desculpas, por não ter postado ontem. Minha vida está corrida e complicada. Obrigada a todos que me alegram todas as semanas com seus comentários. Eu amo nossa troca de informações. E quanto ao capítulo, leiam-no com muita atenção, porque ele é importante para o andamento da Fanfic. Beijos.

Bella

Como prometido, rapidamente tomei um banho, vesti um jeans com uma regata lilás, prendi todo o cabelo, salpiquei algumas gotas de meu perfume predileto, calcei uma sapatilha e... Ufa... ser mulher as vezes cansa!

E desci para me juntar a eles.

– Estou pronta.

– Então já podemos ir.

– Nada disso, pai. Olhe para ela. Bella, pelo amor de Deus, irmã! Você regrediu na minha ausência. Você não está indo visitar uma amiga. Estamos a caminho da residência oficial da rainha de Forkian, apresentar oficialmente os príncipes de Angelus. Definitivamente, você não pode ir vestida assim. Suba e troque-se.

Olhei para mim, olhei para Alice, olhei para mim, de novo. Eu estava bem. Claro, que nada comparado, ao traje de alfaiataria que ela usava, nem ao belo vestido de brim branco com azul que Rose desfilava. No entanto eu não via motivos para tanto.

– Alice não me venha com crises de “mulherzinha”, sua irmã está ótima assim. Vamos logo!

– Mas, pai...

– Ora Alice, você pode até estar indo para esse lugar com essas pessoas. Todavia, eu estou indo para a fazenda da minha “vó” visita-la e lhe apresentar o meu “talvez e se tudo der certo” futuro noivo. Agora me poupe de seus ataques.

Sem dar mais ouvidos a ela sai pela porta da frente e logo fui entrando num dos carros que nos esperava.

Nós partiríamos da pista de pouso de nossa casa, o que significava, menos de um quilômetro dali.

– Bella. Filha, por favor, se acalme. Você e seu pai estão no limite. Sua irmã não quis dizer por mal. Alice só estava sendo exagerada, estava sendo ela.

Disse mamãe sentando-se a meu lado, enquanto Charlie também entrava e fechava a porta. Seríamos somente nós ali.

– Deixe Bella em paz, Renée. Alice e Rósalie são supérfluas demais. O maior arrependimento que tenho na vida é ter deixado você matricula-las naquela escola idiota. Olha no que você as transformou. “Bonecas vivas”. Bella não é assim.

Eles iriam se desentender por minha causa. Eu não estava pronta para presenciar mais uma, das constantes discussões, de meus pais.

– Não, paizinho. Mamãe está certa. Eu fui indelicada. Perdoem-me.

Mamãe, ainda atônita pelas palavras de papai, me deu um sorriso pequeno, no entanto Charlie fez uma careta. Ele não havia ficado feliz com minha resposta.

Charlie e Renée vinham se desentendendo muito ultimamente e sempre por motivos pequenos ou fúteis. Isso me destruía um pouquinho todos os dias. O casamento deles era perfeito, meu pai sempre foi muito carinhoso e mamãe retribuía e desfalecia de amores por eles.

Só me lembro de uma briga deles durante toda minha infância:

Eu devia ter uns seis anos e havia tido um dia horrível na escola. Leah Clearwater, meu eterno desafeto, tinha chegado toda sorridente porque, segundo ela, havia ido para a escola na companhia do pai e da mãe e que para completar sua alegria, ele a presenteara com uma linda boneca desenhada exclusivamente para ela, o que era verdade, pois ela exibiu-a durante uns bons dois meses.

Contudo eu não me importava com isso, bonecas eu tinha “aos montes”. Minha tristeza era que ela e suas seguidoras faziam questão de tripudiar da “princesinha rejeitada”, vulgo Isabella Swan, que sempre ia para escola na companhia de um motorista, de uma babá ou de sua mãe, mas nunca de seu atarefado pai.

Um dia Leah foi tão cruel, que chegou a ponto de insinuar que meu pai não existia ou que não me amava de verdade.

Acho que nunca chorei tanto.

Naquele dia Bá teve que me buscar mais cedo na escola e lembro que no caminho ela ligou para mamãe e informou que estávamos indo direto para o hospital, pois eu estava ardendo em febre, com a pressão baixa e não parava de chorar.

Não me lembro de muita coisa mais, só sei que quando cheguei em casa do hospital, papai já me esperava todo cheio de arrependimento e com uma linda “Barbie Bella Swan”, boneca que nunca mais vi depois daquele dia. Misteriosamente ela sumiu de nossa casa.

A partir daquele dia, sempre que podia, Charlie me levava e buscava na escola, e fazia questão de passar perto de Leah para que ela soubesse que eu tinha sim, um lindo papai.

O mais interessante dessa história é que uma semana depois do ocorrido, Jake foi matriculado em minha escola e nós nunca mais nos afastamos, para mais um desgosto de Leah que mantinha uma paixão não correspondida por meu amigo.

– Querida? Nós já chegamos. Você está passando bem? Se quiser nós podemos adiar essa viagem.

– Charlie!

– Calada, Renée. Você já falou demais por hoje. Bella?

Rapidamente aconcheguei minha não na que ele me estendia.

– Estou bem, pai. Não precisa ficar nervoso com a mamãe. Eu só estou meio dispersa.

E chateada por ter brigado com Edward. Pensei.

Charlie me abraçou e fomos em direção ao jato que já estava pronto para nossa partida.

Mamãe, ficou para trás.

Sentei-me numa das poltronas que ficavam em volta de uma pequena mesa de reuniões. Eu sabia que Alice me inundaria de informações, obrigações e críticas.

E sim, eu estava ignorando Edward, de novo. E tinha consciência de que estava errada. Contudo, ainda não estava pronta para conversar e dizer a ele tudo que ele precisava ouvir a respeito de minha amizade com Jacob.

“Eu estava empurrando a sujeira para debaixo do tapete”.

Eu queria Edward, claro que queria. Todavia não podia perder Jacob. E creio que encontrar um paralelo para essa relação era impossível, pois nenhum dos dois estava disposto a ceder.

Sai de minhas divagações quando os outros começaram a chegar.

Percebi ao longe, Charlie segurando o braço de Alice e balbuciando algo com ela.Era problema a vista. Alice acabava de ser repreendida.

– Hei! Tudo bem? Passe para lá. Quero me sentar entre você e Lice. Vocês parecem estar “dando choque” hoje.

Passei para a poltrona perto do corredor.

Edward passou por mim e buscou meus olhos. Baixei a cabeça.

– O que aconteceu, Bells? Você e Edward já brigaram, de novo? Por que você está com olheiras? O que está te incomodando irmã? Fale comigo, Bells.

Fechei os olhos e deixei que uma teimosa lágrima escorresse.

– Bella? Você está chorando? Irmã?

Solucei baixinho e me aconcheguei nos braços de Rose.

– Não é nada, Rose. Somente não estou suportando tanta pressão.

Ficamos em silêncio. Ela sabia do que eu falava e precisava.

– Xiiii! Vai passar. Vai passar, irmã.

Deixe que ela me consolasse até Alice, Esme e mamãe chegaram e se sentaram conosco.

– Bella, querida. Está tudo bem?

Se mais alguém me fizesse essa pergunta, eu surtaria.

– Sim, majestade. Perdoe o meu stress. Essa semana foi sufocante.

– Eu entendo. Não se preocupe. Meu filho é exemplo disso. No entanto creio que esse final de semana será muito bom para ambos. Vocês precisam se acertar de vez.

– Se acertar ou terminar com essa loucura. Seu filho está deixando minha Bella insana.

– Mãe!

Exasperei.

– Não se preocupe, querida. Sua mãe tem razão de estar indignada. É coisa de mãe. Um dia você saberá.

Sorri constrangida. Em questão de defender os seus, minha família era “expert”.

– Posso me sentar com vocês?

Perguntou Alice interrompendo nossa conversa.

Acenei positivamente, pois a pergunta foi toda direcionada a mim.

Depois de acomodada ela começou...

– Desculpe-me, Bella.

Soltou a contragosto e raivosa. Agora eu sabia o teor da conversa dela e de Charlie.

– Eu que peço desculpas, Alice. Fui exagerada na minha explicação. Você não merecia.

Tentei apaziguar.

– É, foi mesmo. Agora vamos esquecer isso. Eu tenho tanto pra te mostrar.

Humildade não era uma das maiores qualidades de minha irmã do meio.

– Eu trouxe uma cópia de tudo para você.

Então, ela começou a tirar de dentro de uma pasta um monte de desenhos e esboços.

– Pelo visto você se quer abriu os emails que te mandei. Não é, irmã?

– Ora! Vamos, Alice! Eu mal tive tempo de “respirar” essa semana. Quanto mais ler emails. Seja uma boa irmã e me atualize.

– Okay, então vamos pelo princípio. O vestido? Você levou os croquis no ateliê?

– Sim, eu levei. Ou melhor, Zafrina levou por mim.

– Zafrina? Ora Bells. É seu vestido de noiva. Você já tinha que tirar medidas, escolher tecido, pedrarias e tudo mais.

– Ah Rose! Não seja dramática. Todos lá, já sabem “de cor e salteado” o meu manequim e quanto aos detalhes, já agendei com a secretária para escolhê-los semana que vem.

–Okay. Então vamos passar para a decoração. Flores. Que espécie você acha mais apropriada para a decoração da igreja e do salão de festas.

Eu não era especialista em flores, no entanto uma em especial me encantava, “tirando” que vi várias delas no jardim de minha sogra.

– Hum! Eu gosto de orquídeas. Pode ser de qualquer cor, mas eu queria orquídea.

– Orquídea? Ah não Bella! Eu prefiro rosas. São mais atraentes, mais romanticas.

– Hum eu lamento, Bella. Mas Rose está certa. Orquídeas são sem graça e sem cheiro. Não combinam em nada com o casamento de duas futuras rainhas.

E com essa fala foi por “água abaixo” todo o meu autocontrole. Ela estava fazendo de propósito, só pode.

– Orquídeas são como eu, não é Alice?

Perguntei já sentindo o amargor da resposta.

– Eu não disse isso. Só acho que não combinam com uma ocasião tão importante como o meu casamento e de Rose.

– Alice!

Mamãe pressentiu que aquilo não acabaria bem.

– O que mãe? Eu só disse a verdade.

Ela estava sendo cruel agora. “Minha autoestima numa dessas, já havia afundado”.

– Ah é! Verdade! Eu tinha me esquecido da importância do casamento de vocês. Querem saber? Resolvam tudo que tiver que ser resolvido e depois só me avisem o dia e o local da celebração e talvez eu tome um banho e apareça por lá de cabelo molhado, afinal, ninguém importará comigo mesmo.

– Meninas! Por favor...

Ignorei o chamado de Esme.

Levantei-me e fui para as últimas poltronas. Eu sentia a dor dominar e a angústia sufocar. Eu iria chorar e era naquele momento.

Eu só esperava que Edward não me achasse uma louca.

Abaixei a cabeça quando passei por eles. Meu pai, “como uma águia que tudo vê”, me seguiu.

– Hei! O que foi, bebê? Xiii! Não chore, amor. Papai prometeu que ninguém faria você derramar nenhuma lágrima mais.

E assim sentindo “todo o peso” de tantas coisas desagradáveis que aconteceram ao longo do dia, da semana, fui para os braços de Charlie. E ali, embalada e protegida do mundo, chorei por toda a viagem.

Eu só queria desaparecer pra sempre, naquele momento.

Esme

– Eu não disse isso. Só acho que não combinam com uma ocasião tão importante como o meu casamento e de Rose.

Eu estava pasma com as palavras de Alice. E pelo que parece não era só eu, Renée e Rósalie também pareceram aturdidas.

– Ah é! Verdade! Eu tinha me esquecido da importância do casamento de vocês. Querem saber? Resolvam tudo que tiver que ser resolvido e depois só me avisem o dia e o local da celebração e talvez eu tome um banho e apareça por lá de cabelo molhado, afinal, ninguém importará comigo mesmo.

Abismada, vi os olhos de Bella se inundarem de lágrimas. Meu coração, já cheio de amores por aquela doce menina, se encheu de compaixão. Naquele instante eu podia imaginar tudo que ela já havia passado e ouvido por ser a terceira filha de um reinado.

– Alice! Você enlouqueceu? Você estava falando com nossa irmã e não com “uma qualquer”.

– Ela mereceu!

Respondeu uma princesa cheia de empáfia. Enquanto Isabella corria para se esconder “em algum canto”.

– Tomara que você ainda pense assim quando seu pai e sua avó souberem desse ocorrido. O que deu em você Alice?

– Nada, ora! Por Deus! Ela mereceu mesmo, mamãe. E eu não disse nenhuma mentira. Olhe a importância desse casamento para mim e Rose? Mãe, a sociedade toda só terá olhos para nós. Nem sei por qual razão o casamento dela tem que ser no mesmo dia que o nosso.

– Filha, porque o acordo de seu pai e Carlisle diz isso. Alice, três príncipes, três princesas.

Silenciosamente, me levantei e olhei de cima para ela.

– Se as duas pensam assim, creio que seja certo remarcar a data do casamento de Edward e Bella.

– Viram? Até minha sogra concorda comigo.

Alice sorriu malignamente. Ela não me conhecia ainda. Ah mas se ela continuar assim, eu prometo que seria “a” sogra.

– Acredito que meus filhos, Alice, sejam iguais para mim. Todos são príncipes e reis de minha vida. E Edward sempre teve e terá o mesmo que os prováveis futuros reis, Emmett e Jasper. Eu só lamento que Renée e Charlie não tenham tido três Isabellas. Infelizmente neste quesito, Edward foi sortudo. Agora tenham uma boa viajem!

– Ah! Alice?

Ela me olhou receosa.

– Sabe uma coisa que aprendo com minha sogra e com meus cunhados e que faço questão de te ensinar?

– Não senhora.

– “Nem tudo é o que parece”, e o “apressado come cru”, se eu fosse você rezaria mais e mediria mais minhas palavras, apesar de que, creio que Isabella seja boa demais para guardar rancor. Uma pena que Edward não seja tão benevolente. Pense nisso!

Retirei-me de junto delas. “O fogo da indignação inundava meu ser”.

– Edward, venha se sentar comigo.

Interrompi os buchichos de meus filhos e meu marido.

– Esme você deseja alguma coisa? Está sentindo algo?

Carlisle estava “um doce”, depois do castigo.

– Está tudo certo. Não preciso de nada, meu bem. Eu só quero acertar algumas coisas da reforma, atrasada, do quarto de Edward.

Sentamos perto de Isabella e Charlie. Edward se angustiou mais, ao ouvir os suspiros chorosos dela.

Edward

– O que houve? Porque Bella chora?

– Você não tem mesmo a resposta para essa pergunta, filho? Alice tem sua parcela de culpa e você?

O choro dela era contínuo e sofrido e o que mais doía era saber que mamãe estava certa, eu também era culpado por ele.

Isabella estava deixando transbordar, todas as suas frustrações e eu lamentava não ser eu o seu consolado naquele momento.

– Eu não sei e nem quero saber o que você fez. Só preciso filho, que você conserte essa situação. Isabella está inconsolável e sofrendo e eu exijo que isso pare. Eu quero essa garota em minha casa, sob minha proteção. Concerte a “burrada que cometeu”.

– Eu não sei o que fazer mãe. Ajude-me?

– Não! Eu já fiz ela te perdoar uma vez. Agora é com você. “Se vire” e mostre a ela que o lugar certo é a seu lado. Antes que ela desista de tudo e fuja de todos nós.

E dizendo isso, Esme me deixou sozinho e se juntou a meu pai e meus irmãos. Minha mãe já havia se afeiçoado a minha princesa.

...

Pouco tempo depois o jato taxiava por uma pista de pouso bem equipada de uma fazenda.

Três carros já nos esperavam em uma segunda pista paralela.

– Nossa! Pequeno, no entanto, comporta dois pousos, ao mesmo tempo, de aviões de grande porte.

Jasper estava admirado.

– Residência oficial da rainha. Você queria o quê, “Mané”?

– O palavreado, Emmett, o palavreado.

Carlisle nos chamou a atenção e já foi se levantando para sair.

Ao longe observei Charlie descer, por uma porta secundária, com Bella nos braços.

Pelo que parece o desentendimento de Bella e Alice, havia dizimado o restante das forças de minha princesa.

– Não se preocupe, filho. Ela só está cansada.

Sorri de leve para minha mãe e segui para fora do avião.

– Vamos naquele.

Jasper apontou para o último carro. Ele mais uma vez escolhia a nossa companhia em vez da de sua namorada.

– Você e Alice estão tendo problemas?

Emmett fez a pergunta “que não queria calar”.

Jasper contemplou o horizonte antes de responder. Ele parecia reviver algum fato.

– Não! Estamos bem. Só acredito que não esteja acostumado, a tanta conversa sobre flores, comida, moda, compras. “Cara! Às vezes é um saco”! “A mulher não cansa”.

Emmett e eu gargalhamos para o tom desesperado de Jasper.

– Disso eu não posso reclamar. Rose, do casamento, só me informou que estará lá. No mais, conversamos sobre carros, o reino, nossa mudança...

– Também não posso me queixar. Bella ama, falar da profissão, dos pacientes, do povo, das histórias que escuta e presencia no hospital. E, graças a Deus, moda não é um assunto que ela domina.

Emmett e eu sorrimos cúmplices.

– É, nisso acho que estarei sozinho. E que Deus me dê muita paciência.

Continuamos a conversar sobre as qualidades de nossas garotas, algo ali me dizia que eu era muito sortudo.

– Olhem isso.

Disse Jasper quando minutos depois estacionávamos em frente a uma linda casa de fazenda no estivo medieval.

– Uau!

Gracejei.

O lugar parecia saído de um conto de fadas. Uma linda mansão de tijolinho a vista e madeira. A grandiosidade me afetava consideravelmente.

– Que bom que gostou, irmão. Pois pelo que Rose me contou, essa casa, para o desgosto de Alice, é de sua futura esposa.

– Como assim?

Perguntei intrigado.

– Na noite passada, Rose e eu estávamos conversando sobre a avó delas. E ela me contou que “a velha é louca por sua namorada” e que já a presenteou com essa casa, em vida. Rose disse que consentiu na hora. Segundo minha princesa, Bella ama isso aqui mais que tudo e merece o presente. Agora Alice, não ficou nada satisfeita e achou um cúmulo à “velha” fazer isso.

– “Velha” é aquela “caquética” da senhora sua vó, garoto. Mais respeito comigo ou eu deito você sobre minhas pernas e lhe ensino como tratar as pessoas.

Assustamos-nos ao perceber que já tínhamos descido do carro e que bobamente estávamos parados a frente da casa, admirando e “falando mais do que deveríamos” e que infelizmente, uma bela senhora havia nos ouvido.

– Perdoe meu filho, majestade. Emmett. Não tem “travas” na língua. Mas, eu prometo, isso não vai se repetir.

Garantiu mamãe. Emmett numa dessas estava “mais vermelho que pimentão”.

– Estou vendo, Esme. Acho que terei que dar alguns conselhos a minha neta antes que ela “cometa uma burrada”.

– Eu conto com isso, majestade.

Instruiu feliz e orgulhosa minha mãe.

Dona Marie ainda balbuciou algo “de que se todos fosses assim, Charlie iria se ver com ela”, todavia sua atenção mudou totalmente de foco quando o rei de Forkian entrou em sua visão carregando Isabella.

– O que houve?

Dirigiu-se ao filho, assustada. Suas mãos já inspecionavam a neta, em todas as partes possíveis.

– Nada, mãe. Se acalme. Bella só está exausta e acabou dormindo. E nãoquero acorda-la, ela “não dormiu nada essa semana” .

– Traga-a para dentro. Deixemos as apresentações para mais tarde. Venham, vamos entrar. John acompanhe Charlie até o quarto de minha neta.

– Não precisa! Eu sei o caminho.

O tom ácido do rei de Forkian me surpreendeu. O que eu havia perdido ali? Charlie quase nunca perdia a compostura.

Fingindo não notar a mau –criação do filho, Marie nos fez acompanha- la.

– Venham, entrem.

Passamos pelas portas grandiosas e logo nos vimos em uma linda sala decoradas com preciosas obras de arte.

Era surreal imaginar que no meio de um local afastado, em volta de tanto verde uma raridade daquelas se escondia.

– Sentem- se. Suas bagagens serão levadas direto para seus quartos e logo vocês poderão descansar.

O “tal John” nos acomodou, porque a anfitriã, acompanhou Charlie, Renée e Bella. Eu ainda tentava decifrar qual era o papel dele ali.

– Fiquem a vontade. Logo a rainha se juntará a vocês. Alice, Rose sejam bem vindas.

As meninas foram até o “estranho homem” e o beijaram no rosto.

– Relaxe, John. Essa não é sua função. Nós nos viramos aqui. Pode ir cuidar das suas coisas.

“O senhor”, as acariciou no rosto e logo depois se afastou, sumindo, numa dentre tantas portas que circundavam a sala.

Sentamos-nos.

Os outros pareciam tranquilos e confortáveis, no entanto Alice e eu mantínhamos nossos olhos no topo da escada.

A preocupação com Bella nos deixava angustiados.

– Sua irmã está sentindo algo Alice?

A filha do meio de Charlie baixou a cabeça e sacudiu-a negativamente perante a pergunta de Emmett.

– Creio que não. Bella, não deve ter dormido bem essa semana e tem mais alguma coisa a incomodando, que eu não sei o que é. E pra completar, agora ela ainda está chateada comigo. Seu corpo não resistiu a pressão, então ela pereceu e desabou. “Meu pai vai me matar” se ela não se recuperar logo.

A última parte foi um simples sussurro. Acredito, que mais para ela ouvir do que para nós.

– Muito bem, agora que minha menina já está acomodada vamos às apresentações, Charlie.

Renée, Charlie e a rainha desceram já mais tranquilos.

– Mãe, Carlisle e Esme a senhora já conhece.

Meu pai aproximou-se pegou a mão da avó de Bella e a levou aos lábios.

– Majestade, é um prazer revê- la. A senhora está lindíssima, como sempre.

– Ora, filho. Deixe de galanteios. Os anos não foram tão bons assim comigo. Ao contrário do que acontece com sua esposa. Esme está cada dia mais bonita. Você precisa me contar o segredo, querida.

– Não tem segredo, Marie. Acredito que felicidade e realização rejuvenesçam. Por isso você também está tão bem.

E minha mãe estava certa. Marie, é bem verdade, já era uma senhora, algumas marcas do tempo se manifestavam na face e no corpo dela. Todavia via-se de longe o quanto ela fora bonita na juventude. Agora eu sabia de quem Charlie e Bella herdaram os intensos e lindos olhos castanhos. Minha princesa se parecia muito com a avó e acredito que isso a fizesse, ainda mais, atraente aos olhos da rainha e do pai. Pois, Alice e Rose se pareciam muito mais com Renée, e bem provável, sua descendência.

– Esse, mamãe, é Emmett, o prometido de Rose.

– É um prazer conhece- la, majestade.

Meu irmão curvou-se e manteve-se sério. Acho que ele queria mudar nela a primeira impressão.

A rainha o avaliou de cima abaixo e depois voltou seus olhos para a neta.

– Ensine a ele como tratar as pessoas mais velhas, meu bem. Pois, se bem me lembro, esse garoto sucederá “meu reinado” e eu exijo que todos sejam tratados bem, em minha casa.

– Sim, vovó.

Rose sorriu docemente para a avó em concordância. Emmett teria um bom trabalho pela frente.

– Esse é Jasper, mãe. O futuro marido de Alice.

Jasper também se aproximou e fez uma mesura.

– Majestade, estou lisonjeado em conhece- la.

– Hum! Então é você o santo? Sabe, filho, eu espero que o seu estoque de paciência e atitude sejam grandes. Alice está precisando de alguém que “quebre sua crista” e a faça perceber a realidade lá fora.

– Vovó, por favor...

– Calada! Estou falando com esse pobre rapaz.

Alice baixou a cabeça. Seus olhos já estavam marejados. Não senti pena.

– Jasper, você pode achar que não, mas te garanto, eu amo as minhas netas. Eu sei te dizer quais são seus maiores defeitos e qualidades, elas são o meu maior orgulho e alegria. Por isso posso te afirmar, Alice é a que mais precisa de pulso forte, não deixe que o poder e a fama estraguem minha garota. A união de minha família é mais importante que qualquer título. Mantenha isso.

– Guardarei seus conselhos, majestade.

Mamãe e papai trocaram um olhar conciliador. Enquanto Renée se mexeu desconfortável. Acredito que a crítica da sogra não tenha a deixado feliz.

– Não assuste o garoto, mãe. E não se preocupe, Alice e eu acertaremos as coisas, ainda hoje. Ela vai aprender a deixar a soberba de lado. Ah se vai! Ou eu não me chamo Charlie Swan.

Alice soluçou baixinho e Jasper, automaticamente, deu dois passos em sua direção, no entanto meu pai o impediu de prosseguir. Era o jeito de Carlisle dizer: “não se meta”.

– E por fim. Esse mamãe, é o namorado de minha Bella, Edward Cullen.

Não me passou despercebido que Emmett era “o prometido”, Jasper o “futuro marido” e eu apenas “o namorado”. Fique pensado, será que eu conseguiria algum dia conquistar meu sogro? Se ele já soubesse da minha última façanha, acredito que não.

– Minha rainha, estou encantado.

Repeti os gestos de meus irmãos e acrescentei um leve toque e beijo em sua mão.

– Hum!

Ela porém não se deixou afetar pelo meu gesto.

– Então é você...

O “olhar de águia” me amedronto. Nunca me senti tão intimidado.

– Espero que você “esteja à altura” de uma princesa de verdade, garoto. Minha Bella, não é uma “lady fabricada”. Ela é “mais transparente que água”. E até hoje eu não encontrei alguém que a merecesse, nem mesmo aquele moleque dos Black me convenceu. Odeio homens insistentes! Por isso, rapaz, seja muito bom e me convença de que você é o certo para minha garota. Eu não aceitarei menos que um “gentleman”.

Um misto de sentimentos me dominou, primeiro a alegria de saber que pelo menos uma pessoa naquela família, enxergava, de verdade, Jacob. Segundo, o tamanho da responsabilidade que ela colocava em minhas costas. E terceiro, o poder que Isabella exercia sobre sua família. Todos, pareciam a idolatrar como algo sagrado e frágil.

– Eu serei digno de sua neta, majestade. Pode ter certeza que farei meu melhor.

– Seu melhor, não é o bastante. Seja mais do que isso e talvez eu concorde com essa “balela” de que casamento arranjado pode dar certo.

– Mãe, por favor...

– Tá, tá, tudo bem, Charlie. Eu já me calei. Não vou estragar seus planos insanos. Agora me acompanhem até a cozinha. Todos devem estar famintos. E eu preciso, de verdade, saber mais sobre o que esses meninos tem a oferecer a minhas netas.

Deixei que eles se afastassem. As palavras da rainha “queimavam em minha mente”. Eu já tinha problema demais sozinho, eu criava problema demais sozinho, a última coisa que eu precisava agora era de mais alguém contra meu relacionamento.

Sufocado e cheio de inseguranças, sai silenciosamente dali. “Caminhei a cegas” pelos cômodos do andar superior procurando por um lugar em especial que só foi encontrado depois de abrir e verificar pelo menos umas quinze portas.

Na parte mais afastada dali, na última porta a esquerda, escondida sobre uma porta branca de adornos e fechadura em ouro, uma linda princesa dormia.

Entrei devagar, tentando ao máximo ser silencioso. Eu não queria acorda-la. Eu só precisava vê-la, sentar ao seu lado, sentir seu cheiro, respirar seu ar.

Bella dormia tranquila, deitada de lado com os longos cabelos castanhos esparramados pelas fronhas impecavelmente brancas. Não pude perceber o que ela vestia, pois estava completamente coberta por um macio edredom de algodão. No entanto, a serenidade e o ritmo de sua respiração a faziam parecer um anjo de luz que descansava depois de um dia árduo.

Aproximei-me e devagarzinho, sentei ao seu lado. Eu quis toca-la, mas não o fiz. Tive medo de perturbar um momento tão bonito.

Só fiquei ali me alimentando do que ela me oferecia.

– Ela é linda, não é?

Sobressaltei-me, assustando Bella e fazendo-a franzir o cenho em seu sono.

Minha “repentina companhia” e eu ficamos alguns segundos em silêncio esperando que o sono de minha princesa voltasse a se tranquilizar.

– Como me achou?

Ela sorriu de lado e me fitou como se eu fosse um grande idiota.

– Depois que todos se acomodaram, notei que você não tinha se juntado a nós. Então, imaginei onde estaria.

Tirei os olhos dela e voltei a contemplar Bella.

– Sim. Ela é a criatura mais linda que já vi. Certamente foi desenhada por Deus.

– É bom saber que você concorda comigo. De valor nessa minha menina, Edward. Eu faria loucuras por Bella.

– Eu sei. A senhora e o pai dela também. Eu não entendo, dona Marie...

Ela se aproximou e se sentou do outro lado da cama. Automaticamente as mãos sedosas foram para os cabelos de Bella.

Eu a invejei.

– Não tente entender. Nós temos nossos motivos. E se um dia você os souber pela boca de minha neta, então eu saberei que ela te ama de verdade e que você a merece.

Aquelas palavras me acenderam. O que aquela família escondia?

– Por enquanto a única coisa que precisa saber é que Bella é nossa menina. E que nós a protegeremos de qualquer um.

Assenti em silêncio. Nas entrelinhas ela dizia que protegeria Bella até de mim.

Ficamos quietos por algum tempo. O silêncio era confortável, nós dois estávamos matando a saudade.

Até que, minha garota percebeu que alguém a vigiava.

– Hum! Que carinho bom. É um sonho?

Bella acordava manhosa.

– Não, meu amor. É a realidade. Abras esses olhos para a vovó, eu estou com tanta saudade.

Fiquei quieto. Bella ainda estava chateada comigo e eu só queria estar ali com ela e fazer as pazes.

– Vovó...

E sem que nos déssemos conta, ela sentou-se na cama e se jogou nos braços de dona Marie.

Perdi o fôlego três vezes.

Bella vestia um conjunto muito delicado de cetim branco e fitas brancas.

Meu Deus! Ela era mesmo um anjo. Um perfeito anjo tentador.

– Oi, querida. A vovó sentiu sua falta. Você sumiu.

– Eu também, vozinha. Mas foram tantos dias corridos. Ai vovó, eu queria tanto vir pra cá antes.

– Você chegou nos braços do seu pai. O que houve, amor? O que a levou a exaustão?

Senti-me um intruso, no entanto a ideia de me afastar dela era muito dolorosa.

– São tantas coisas, casamento, Jake, Alice, Edward. Eu vou enlouquecer, vovó.

– Oh, querida. Vai passar, vai passar. Se acalme.

Bella começou a soluçar de novo.

E sem conseguir parar meus atos, levei a mão a seus cabelos. Bella se assustou e se virou rapidamente para mim.

– Edward? O que faz aqui?

Notas finais
E aí? Descobriram porque o capítulo é tão importante? Deixem-me saber. Beijos e até Terça..