Três Príncipes, Três Princesas
16 Selando a paz
Notas iniciais
Edward
E sem conseguir parar meus atos, levei a mão a seus cabelos. Bella se assustou e se virou rapidamente para mim.
– Edward? O que faz aqui?
O que faz aqui? Uma pergunta simples. No entanto, eu não tinha resposta. O que acontecia comigo? Por que a dominação de algo totalmente novo me assustava tanto?
– Princesa, eu...
As palavras não vinham. “Um bolo se formava em minha garganta” impedindo que eu a dissesse todos os meus receios e desabafos.
– Nós precisamos conversar. Eu preciso...
Olhei intensamente para Dona Marie e rezei internamente para que ela entendesse minha mensagem.
– Você não quer que eu saia não é, garoto? Eu acabei de reencontrar minha neta. Você não acha que isso é abuso demais? Ora, pirralho! Eu estou em minha casa. Onde já se viu isso?
Bella disfarçou, e bem mal, um sorriso. Todavia, não me fiz de rogado. “Era agora ou nunca”. E ser persistente, era uma de minhas maiores virtudes. E que ela ficasse sabendo disso.
– Majestade, sei que não tenho esse direito e que estou pedindo algo demais, para quem acabou de conhece- la . Mas, eu imploro, a senhora poderia, por favor, me dar alguns minutinhos a sós com sua neta? Eu prometo que vai ser rápido e que logo nos juntaremos a vocês.
Dona Marie olhou de mim para Bella, de Bella para mim.
– Sabe, garoto. Eu ainda estou me decidindo se gosto ou não de você. No entanto, numa coisa eu tenho que “dar o braço a torcer”. Você tem personalidade e ousadia. Não é qualquer um que tem a coragem de me pedir para que me afaste de Bella. Charlie e Renée sabem que ela é meu “limite rígido”. Essa garota é “meu sol” e eu só faço o que ela deseja. Então...
Ela voltou seus incríveis olhos castanhos para minha namorada. Marie deixaria com ela a responsabilidade de selar minha sorte.
– Você gostaria de ficar a sós com esse rapaz, meu amor? Saiba que aqui ninguém a obrigará a nada. Dê a ordem e eu e John prepararemos a forca para ele. É só você pedir.
Bella e dona Marie riram para a “nada engraçada”, piadinha interna delas.
– Vovó! Não assuste meu namorado. Ele é importante.
A bela senhora deu de ombros enquanto minha princesa fingia uma “indignação, digna de um prêmio”.
– O quê? Não me culpe, por querer enforca-lo. Você acabou de chama-lo de namorado. Onde já se viu? A Florzinha da vovó namorando! Charlie é insano, isso sim.
– Eu amo você Dona Marie, nunca se esqueça disso.
Bella se jogou de volta nos braços da avó e a beijou carinhosamente.
Era palpável o quanto minha gatinha, parecia mais calma e descansada. Acho que o ar da fazenda a fazia bem.
– É claro, que eu não vou me esquecer. Agora pare de “melação”. Eu preciso mesmo ver como estão às coisas lá embaixo, afinal, simulei uma dor de barriga e fugi para te mimar. Nem dei atenção a aquelas duas “projetos” de rainhas que estão, nesse momento, comendo todas as delícias que mandei fazer, exclusivamente, para você. Por isso, não demore, mocinha. Nós temos muito o que conversar.
Dona Marie acariciou Bella no rosto e rumou para a porta. No entanto, antes de sair apontou o dedo e me ameaçou categoricamente.
– E você, rapaz. Trate de concertar a “burrada” que fez.
– Senhora, eu, eu...
Tentei me explicar, mas foi em vão. Como ela sabia?
– Não me venha com desculpas. Você não me engana. Bella não chegou aqui daquele jeito só por causa de Alice. Eu conheço minha neta. E como você está todo cheio de vontades de ficar perto, dá pra imaginar que deve ter aprontado e muito. Por isso, trate de fazer minha pequena sorrir. Ou prepare-se para conhecer de onde vem a minha fama de “intragável”, como diz minha “linda” nora Renée.
E sem mais delongas e deixando-me, completamente, embasbacado, ela nos deixou a sós. Dona Marie era “uma força da natureza” e Alice tinha muito mais dela do que todos imaginávamos.
– Tudo bem, Edward. Agora você já pode fechar a boca. A vovó já foi.
Sacudi a cabeça, fazendo a sanidade voltar.
– Sabe, Bella, sua família me assusta. Ainda estou na dúvida, de quem devo temer mais, seu pai ou sua avó?
– Acho que não deve temer ninguém. É só fazer as coisas direito e tratar muito bem a “caçulinha” deles, que nada lhe acontecerá.
– Ora, sua mocinha teimosa e rancorosa. Você, ao contrário de sua família, não me mete medo. Olhe bem pro seu tamanho e pro meu.
Bella era “uma adorável coisinha minúscula”.
Aproximei-me mais e toquei seus cabelos. O delicioso cheiro de morangos me invadiu.
– Eu estava com saudades. Muitas saudades. Desculpe-me pela forma como agi e gritei. Tenho inúmeros defeitos, princesa, e o pior deles é a impulsividade. Eu não consigo me controlar e a somatória dos acontecimentos da semana, me deixaram insano.
Puxei uma mecha sedosa até meu nariz e aspirei profundamente.
– Eu prometo me desculpar com seus seguranças, seus pais, sua avó e até com o Papa se você assim desejar. No entanto eu preciso que olhe nos meus e diga que me perdoa, mais uma vez, pelo tamanho da minha idiotice e ignorância.
Ela fechou os olhos, repirou fundo, se afastou de meu toque, se levantou da cama e me encarou.
– Eu também tenho defeitos, Edward. Aliás, também preciso pedir desculpas por ter sido imatura e irresponsável com você. Todavia, isso não me dá o direito de descontar em ninguém a raiva que sinto. Se decidirmos seguir em frente com esse relacionamento, você terá que aprender que quando eu o frustrar deve ser em mim que você deverá descontar. Eu não sou adepta a injustiças, é bom que fique ciente disso.
As mãos dela iam, a todo instante, da cintura ao cabelo. Bella naquela postura brava e com aquele ”pedaço de roupa”, estava mais desejável ainda.
Eu só queria beija-la e estreita-la em meus braços.
– Eu não quero descontar nada em você, princesa. Eu prometo que serei mais...
– Não! Não prometa! Você não será capaz de cumprir essa promessa. E eu odeio mentiras. Bella Swan não é uma princesa. Ela é uma médica, imatura, feia e rancorosa. E que vai te tirar muito do sério se você decidir seguir em frente com essa coisa de relacionamento, aliás, porque não desistimos de vez, dessa loucura? Você não terá paciência comigo e eu não saberei lhe dar com a situação. Eu não quero isso, Edward. Então talvez seja melhor cada um seguir seu caminho. Eu assumo as consequências com nossos pais. Não precisa temer.
Pulei ao seu lado e segurei seus ombros. As lágrimas já escorriam de seu rosto.
– Pare, Isabella! Não se diminua para mim e não diga bobagens. Princesa...
Levantei sua cabeça e sequei seu choro com os polegares. Eu precisava faze- la entender que eu a queria, mais que tudo.
– Eu não posso e nem vou prometer que será sempre um conto de fadas. Não somos “santos”, princesa, e erraremos muito. Mas, por favor, não nos tire a chance de vivenciar algo inexplicável. Eu quero você, Bella, só você. E eu a quero por mim e não porque meu pai e seu pai assinaram um papel.
Beijei sua testa.
– Por Deus, Isabella! Eu estou pouco me lixando para esse contrato. Eu me encantei e desejo e sonho com você ao meu lado. Por favor, princesa, perdoe todas as vezes que eu for um idiota. Diga que ficará comigo e que teremos um futuro juntos? Eu imploro, Isabella.
Bella
Eu queria dizer sim, todavia tantas coisas implicavam nessa minha resposta.
– Diga sim, princesa. Diga sim e prometo te amar para sempre.
Respirei fundo. Pensei em meu pai, em Jacob e em mim.
– Prometo te rogar perdão toda vez que eu perder a paciência, prometo ser o que você sonhou. Diga sim, meu amor. Só diga sim.
Amor, princesa, quantos mais adjetivos ele usaria? Será que tudo isso era para me ludibriar? Será que quando a realidade, de viver a sombra dos irmãos o tomasse, ele não se arrependeria da escolha?
– Eu faço o que você quiser, Bella.
E então ele falou a “palavra mágica”. Era a minha deixa. Talvez a única chance de negociar algo tão importante.
– Jacob.
Prendi a respiração e vi a face dele mudar, de desesperado por algo para nervoso e chateado, também por algo.
– O que tem o, o, o “bastardo”?
– Eu aceito o que você quiser, Edward. Suporto seus “pitis”, te perdoo sempre que possível e me caso sem nem pensar duas vezes, no entanto eu quero que você pare de implicar com Jake.
– Seu amiguinho não está em discussão Isabella. Estamos falando de nós, de nosso relacionamento e de nosso futuro. E isso significa que eu não pretendo conviver com “o cachorro” todo “meloso” pro seu lado. Eu pretendia somente entrar nesse assunto quando as coisas já estivessem resolvidas entre nós. No entanto, já que você o trouxe a tona, eu exijo que você se afaste do Black.
Levantei o queixo e empinei o nariz.
–E quem é você pra exigir alguma coisa? Então, muito bem, Cullen. Se essa é sua opinião final, sugiro que arrume “sua malinha” e volte para casa. Jake é meu amigo e eu não vou e nem posso abrir mão dele.
Desfiz-me de seu agarre e caminhei para o banheiro.
– Agora se você não se importa, eu preciso de um banho.
Dei-lhe as costas, na tentativa de encerrar o assunto. Ledo engano.
– Droga, Isabella! Não faça isso comigo.
Edward levantou o tom de voz e antes que eu desse com a porta na sua cara fui interceptada novamente.
– Você não vai brigar comigo outra vez. Mas, não vai mesmo!
Tentei passar por ele, no entanto foi em vão. Edward me puxou e no segundo seguinte atacou meus lábios.
Eu tinha consciência da proximidade e tinha mais consciência ainda de que ele não havia me dado uma resposta positiva a respeito de Jacob.
No entanto, quem poderia julgar “uma pobre princesa indefesa” quando seu namorado possessivo e “doente” de ciúmes, a beijava com tanto ardor e vontade.
E, Deus! Como eu estava com saudades da sensação que aquela boca e aquele agarre causavam em mim.
O tremor nas pernas, a ardência no baixo ventre, a ansiedade no estômago a dormência nos lábios, a doçura na língua.
Edward me tinha nas mãos e não sabia. Era só ele me beijar assim toda vez. E eu perderia a razão fácil, fácil.
Às vezes eu me pegava imaginando: se só o beijo faria isso comigo, imagina o...
– Agora sim, podemos conversar, princesa. E creio que esse sorriso e esse adorável rubor em sua face, sejam sintomas e certezas de que você também não é imune a mim.
Respirando fundo e me afastando minimamente, beijei suas bochechas.
– Não, Edward. Eu não sou imune a você.
– Muito bom saber. Muito bom...
E sem esperar por ele, me atrevi e fui, de novo, ao seu encontro.
Beijei-o de novo.
Era a maneira que eu tinha de dizer que também havia errado e que me arrependia disso.
– Você não imagina o quanto senti sua falta, princesa. Não faça mais isso comigo. Castigue-me de outra maneira, Bella, só não me afaste de você. Eu fico louco quando não tenho notícias suas.
– Eu não quero castigar você, príncipe. Mas, também não quero ter que me submeter a todas suas vontades. Eu não sou assim. Talvez Alice e Rose tenham sido educadas com esse propósito, todavia, eu não fui. Eu quero você, Edward, no entanto, eu não vou abrir mão da minha amizade com Jacob e se isso te incomoda tanto, acho melhor nós...
– Shiii! Você está começando a ser insana.
Acho que como uma alternativa de me calar, ele me beijou novamente. E dessa vez mais forte, mais ardente e mais apertado. Ele passava naquele ato, toda frustração por meus atos.
– Você não vai terminar o que nem começamos direito, Bella. Não vai!
Disse se afastando e encarando meus olhos.
– O que vou te dizer agora, pode me levar ao arrependimento eterno, no entanto você não me está me dando alternativa, portanto, eu concordo com essa sua amizade com o Black.
– Ah!
Joguei-me em seus braços, “que no susto” me rodearam e me tiraram do chão.
– Obrigada, obrigada, obrigada, meu amor!
Enchi Edward de selinhos demorados e longos.
– Nossa! Se eu soubesse que sua reação seria essa, teria cedido antes. Contudo, não se empolgue tanto, eu tenho minhas condições.
O sorriso dele nesse momento, devia se contrastar com minha decepção. “Estava bom demais pra ser verdade”.
– Condições? Que condições? Edward, isso não é justo?
Uma carranca de indignação se formou na face dele. Edward se afastou e passou a mão no cabelo diversas vezes.
– É sim, Isabella. Muito justo. Estou disposto a ceder e me controlar ao máximo, no entanto exijo que você deixe bem claro ao Black que “somos partes de um todo”, que somos namorados, seremos noivos e nos casaremos muito em breve. E quero que ele saiba que o que estamos fazendo não tem nada a ver com o compromisso firmado por nossos pais. Quero que ele saiba que nosso relacionamento é fruto desse sentimento enorme que nos toma.
– Príncipe, você está sendo o absurdo, agora. Jake não me vê assim. Ele sempre soube que não poderíamos ter nada. Somos só amigos, como irmãos.
– Ora, Bella! Não seja obtusa! Ele não te vê assim. Converse com ele. Coloque as coisas às claras. E eu prometo que farei o possível para “não mata- lo” cada vez que ele encostar-se a você.
Eu não sabia o que pensar. Contudo, eu sabia que essa conversa com Jake era inevitável. E como Edward estava se esforçando, era a vez de exigir que Jacob fizesse a sua parte.
Sorri feliz. Eu encontraria o meio termo.
– Okay! Eu aceito sua proposta. Vou conversar com Jake assim que voltar para casa.
Edward suspirou aliviado, para a minha resposta.
– Agora espere alguns minutos, vou me vestir e já descemos. Estou faminta e vovó já deve estar servindo o almoço.
– Certo.
Sorriu vitorioso.
– Mas, não demore. Quero muito aproveitar esse fim de semana e esse lindo lugar com você. Eu anseio por ter você em meus braços, Bella.
Aproximei-me e, ficando na ponta dos pés, o beijei longa e docemente.
– Já volto.
Corri para o banheiro, joguei uma água no rosto, prendi o cabelo em um rabo alto, escovei os dentes e me vesti. Optei por uma calça jeans, uma blusa de malha verde escura de mangas compridas e nos pés uma simples bota de cano baixo e salto grosso de cor marrom. Afinal estávamos na fazenda e eu queria muito mostrar a meu namorado as maravilhas do meu lugar favorito.
Passei um desodorante e terminei, a sessão beleza, com meu perfume predileto. Dei uma olhada no espelho e gostei do que vi.
Sim, eu estava pronta.
Voltei para o quarto e encontrei Edward estirado em minha cama.
– Vamos?
Ele abriu os olhos me estudando com atenção.
– Eu já disse que você é linda?
Timidamente senti o fogo inundar meu rosto.
– Não você não disse. E agora não é o momento. Vamos logo antes que eu morra de fome e você seja acusado de maus tratos.
Agarrei sua mão e saí o arrastando para fora. Ele não ofereceu relutância.
– Essa casa é linda, sabia? Aliás, todas as residências oficiais de Forkian são lindas.
Edward admirava a casa de minha avó.
Olhei para a esplendorosa escada e contemplei em volta. A arquitetura daquele lugar era mesmo de encher os olhos.
– “Modéstia a parte”, mas é mesmo. Meus antepassados tinham bom gosto. E essa casa, em particular, é uma maravilha do mundo.
– Você gosta daqui, não é?
Perguntou ele, enquanto descíamos.
– Amo, na verdade.
– Posso saber o motivo especial.
Observei mais atentamente a sala e me deixei levar pelas memórias.
– Eu sempre vinha pra cá nas férias. Alice e Rose, desde crianças, tinham uma agenda cheia, já eu, não. E como Charlie e Renée não queriam a consciência pesada por me deixar um mês ou mais, em casa, somente com a Báh, me traziam para cá. Por isso minha vó e John me mimam tanto, eu era presença constante aqui. Às vezes acredito que eles me conhecem melhor do que meus pais.
Minha voz era melancólica e saudosa.
– Amor, você não acha que seus pais erraram quanto à criação diferenciada de vocês? Emmett sempre soube que herdaria o reino de seu pai, Jasper é herdeiro direto de meu pai, e nem por isso Esme permitiu que eles se sentissem ou fossem preferidos a mim. Quando tivermos nossos filhos quero que eles sejam criados como fui.
Ignorei a menção a nosso futuro.
– E eu concordo com você. No entanto, eu fui responsável direta em não querer frequentar a mesma escola e os mesmos eventos que minhas irmãs. Alice sempre me lembrava que eu não precisaria daquilo. E por fim, juntei o “útil ao agradável”. E não tenho do que reclamar, tive uma infância linda, aqui nesse lugar.
Edward me abraçou e continuamos a caminhar para a sala de jantar.
– Sua vó e o mordomo tem mesmo cara, de quem foram massa de modelar em suas mãos.
– Mordomo? Que mordomo? Aqui não tem mordomo.
Parei de uma vez e olhei em dúvida. Será que minha vó havia feito uma contratação e eu não sabia. Todavia, um mordomo não era algo que se encaixaria na Fazenda do Orvalho.
– Oras! O tal John. Se ele não é o mordomo, o que é? Suas irmãs, sua avó e você parecem tão próximas dele. Somente seu pai que me pareceu meio arredio quanto ao homem.
Parei de repente e me coloquei na frente de Edward.
– John não é o mordomo, Edward. Nunca foi. Ele é marido de vovó Marie.
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