Notas iniciais
Desculpem- me pela demora. Acredito que agora, as postagens voltem ao normal. Então seja bem- vinda Terça Feira. Esse capítulo foi muito esperado por alguns, espero que gostem. Me deixem saber. Comentem! Capítulo totalmente e lindamente dedicado a DaniiiMoranguinho que me presenteou com a minha quinta recomendação. Obrigada!

Edward

Eu estava um caos, um completo caos, na verdade acho que a semana toda foi um caos...

“Tá”! Acho que estou exagerando um “pouquinho” nem foi tão caos assim. Mas, é que quando se tem uma infinidade de sentimentos o atormentando, você meio que perde a noção das coisas e passa a não conseguir dominar suas próprias ações.

O fato de não ter conseguido falar com Bella, a semana inteira (leia-se quatro dias), somado a inveja do “mel” de meus irmãos e cunhadas, estavam, de verdade, me deixando a beira de um “ataque de nervos”.

Quando Charlie me fez saber que levaria minha princesa de volta, eu meio que comecei a me preparar psicologicamente para a tormenta, pois imagino que ninguém, pelo menos não em sã consciência, se conformaria com a ideia de não ter Bella em seus braços. Ainda mais depois de ter provado de seus doces encantos.

No entanto eu não estava preparado para a angústia que me dominou na quinta-feira à noite.

Durante toda a semana foi impossível me comunicar com minha princesa. Foi tudo um desencontro total, quando eu liguei, ou ela estava no hospital ou na universidade. E quando ela encontrava um tempinho e me retornava, ou eu estava numa reunião importante, ou dormindo, ou tomando banho.

E por fim, quando na quarta feira, perdi a paciência e liguei de madrugada, quase fui “escorraçado” por uma mal- humorado Charlie Swan.

É, eu tinha que dar um jeito de conquistar meu sogro, as coisas não podiam, de maneira nenhuma seguir por aquele rumo, porque eu ainda tinha gravado e “bem fresco” na minha mente as palavras “linda e educadas” dele.

– Você perdeu o juízo garoto? Por acaso Alice e Rose não lhe disseram que minha Bella dorme somente de quatro a cinco horas por noite e isso quando dorme? Agora se você não se importa eu gostaria de voltar a dormir. Volte a ligar amanhã, e que seja em um horário mais apropriado, garoto.

E depois dessa bronca, juntando como fato de que minhas cunhadas estavam tomando decisões importantes do casamento, que também caberiam a Bella, só contribuíram para que eu perdesse o controle e gritasse com “meia dúzia” de pessoas no palácio.

Por isso mesmo, antes que eu cometesse outra besteira vim para casa e me tranquei em meu quarto, me recusando a falar ou ficar na companhia de quem quer que seja.

Tentei pela “milésima” vez ligar para Bella e mais uma vez foi em vão. Frustrado, tomei um banho quente, na tentativa de relaxar, vesti somente o short do pijama e me joguei de qualquer jeito na cama. Se eu forçasse muito a minha mente a se desligar, talvez eu dormisse e então, graças a Deus, só acordaria na sexta, o dia em que milagrosamente eu encontraria minha princesa.

Bella, minha doce e linda Isabella.

...

Creio que em algum momento de meu mal- humor e de meus devaneios acabei dormindo e só acordei porque meus instintos reconheceriam, em qualquer lugar do mundo, o toque suave e caloroso que acalentava e afagava meus cabelos.

– Hum! Que delícia! Desse jeito vou ficar manhoso. Sabia?

– Mais manhoso? Isso é impossível, querido.

Virei- me de barriga para cima.

Eu adorava admirar minha mãe, Esme era linda e boa por natureza.

– Se eu sou manhoso, a culpa é toda sua mãezinha. E você estar aqui agora, somente contribui para que esse meu defeito se agrave.

Esme acenou em concordância e abriu seu lindo sorriso para mim.

– Eu sei. No entanto, que mãe resistiria ao ver um filho triste, sofrendo por um amor? Eu não! Julgue-me, eu assumo.

Aproximei-me dela e voltei a colocar a cabeça em seu colo.

– Eu não estou sofrendo e nem estou triste, mãe. É que...

– Tá bom! Eu sei que não. E como se chama agora quando se está com o coração tão apertado que somos até capazes de descontar em qualquer um nossas frustrações.

Gemi.

– Okay, minha rainha. Você venceu. Eu estou meio abalado mesmo. Todavia, me dê um desconto, eu nunca senti nada parecido por alguém e convenhamos mãe, passividade não é algo que combine comigo. Como a senhora acha que estou me sentindo, sabendo que estou longe de Bella, que ela não atende o telefone e que o maldito do Black a está rondando todos os dias? “Eu não sou de ferro, oras”!

Fechei meus olhos e reprimi minha raiva. Minha mãe não poderia ser alvo de meus ataques. Eu teria que aprender a levar em consideração os conselhos de meu pai e meu sogro.

– Ei querido! Se acalme. Você acha que estou aqui por quê? Ninguém está te condenando Edward. Somo sua família e só queremos seu bem. Tanto que tenho boas novas para você.

Abri meus olhos depressa e me sentei.

– O que foi? A senhora falou com Bella? Ela está bem? Ela disse por que não me atende?

– Não, meu amor. Calma, respire, Edward. A novidade é bem melhor. Depois de três noites no sofá, seu pai está bem calminho. Então, me aproveitando da situação, o convenci de que deveríamos adiantar nossa partida. Por isso, arrume suas coisas e abra um sorriso nós sairemos às oito.

Sem conter a empolgação, me joguei nos braços dela e a apertei junto a mim.

– Obrigado, minha rainha. Muito obrigado. Você é a melhor, mãe.

– Não me agradeça, filho. Só se comporte como te criei e nós já estaremos certos. Agora levante daí e faça suas malas. Você perdeu o jantar, por isso pedirei à copa que traga algo para você lanchar.

– Okay! Ah! Te amo, mãe. Muito mesmo.

– Ah! Edward?

Já a caminho do closet, parei e dirigi a Esme minha total atenção.

– Sim, minha rainha.

– Eu já expliquei a Rósalie e a Alice a fórmula de como se acalmar um marido. E saiba que amanhã, também colocarei Bella a par dessa tática. Por isso, sugiro que, quando acabar a reforma de seu novo quarto, e você e Bella forem mobília- lo, invista em uma boa cama de casal, contudo, não se esqueça de comprar um bom sofá. Seu pai trocou o dele quatro vezes, até que se acostumou bem com um. Seus irmãos já estão pesquisando sobre isso. Junte-se a eles nessa ideia. Minhas noras são bem parecidas comigo, acho que elas acatarão a meu conselho.

Ri alto para ela, ainda ignorando o quanto aquele aviso era importante para o futuro.

– Tudo bem, minha rainha. Informação anotada e processada.

E sem mais delongas ela se foi, me deixando feliz e muito animado.

Uma coisa eu tinha que aceitar: Esme sempre convenceria Carlisle, quando o assunto éramos nós, seus filhos. Internamente, rezei a Deus e pedi para que eu fosse pai seguindo os ensinamentos e exemplos de minha mãe. Esme era tudo o que eu queria, um dia, ser para os meus: carinhosa, amorosa, forte e complacente.

Instintivamente peguei o telefone e deixei uma mensagem para Bella. E que a sexta chegasse logo.

Bella

Fim de mais um dia.

Graças a Deus, Isabella Swan ainda estava viva e isso era um grande motivo para se comemorar.

– Hoje você se superou Bella. Já passa da meia noite. Seu pai já ligou três vezes. O rei está muito irritado e você, com certeza, terá problemas.

Fechei a porta do carro, recostei minha cabeça no banco e fechei os olhos.

– Leve-me para casa, Sam, Zafrina já está pegando no meu pé, e eu estou cansada demais para se quer, ousar responde- la.

– Tudo bem, querida. Descanse. Daqui a pouco eu te acordo.

Tirei os sapatos, soltei a bolsa e a maleta, joguei o jaleco para o lado e relaxei. Um cochilo não faria mal, eu ainda tinha uma noite inteira pela frente.

A semana havia sido um inferno, aulas, provas, plantões, correria, insônia, Charlie, Alice, Jacob, a falta de Edward. Eu nem imaginava por onde começar a colocar as ideias em ordem.

Creio que Jacob tenha sido a parte mais complicada, até porque com Edward eu não falava desde Domingo. Todavia a situação não era muito diferente da com Jacob, que injustamente, desde segunda, se recusava a falar comigo.

Eu seria capaz de descrever “o gosto amargo que as palavras” dele deixaram em mim.

– Três meses, Isabella? Três meses? O idiota aqui, achando que você voltaria convencida da loucura que está cometendo e você volta e me informa que está namorando e que se casa em poucos dias? Você só pode estar louca ou então eu tenho cara de idiota.

– Jake, fale baixo, pelo amor de Deus. Você está fazendo um papelão.

E estava mesmo. Nós estávamos no meio da biblioteca abarrotada de estudantes. Fico até admirada de que ninguém tenha gravado nossa discussão e postado em alguma Rede Social, seria o escândalo do século.

– Eu estou pouco me lixando para isso, Isabella. O meu “papel de trouxa” me cega.

– Jake, você sabia que seria assim. Eu nunca te dei esperanças, eu nunca tive esperanças. Meus pais e os de Edward têm um acordo. Eu não posso simplesmente, quebra-lo.

– É Isabella, você nunca me deu esperanças. O seu primeiro beijo certamente, não significou nada para você, os meus sentimentos também não significam nada pra você. Quer saber? Eu vou pra casa. Vou me dar o resto da semana de folga. Se vire sozinha. Se você não pensa em mim, eu é que não vou ficar me esforçando para cuidar e ajudar você, afinal você nunca me deu esperança. Não é? Você não pode quebrar um acordo, no entanto o meu coração, você pode, pois bem, a partir de agora é cada um por si.

E eu até tentei argumentar, mas foi exatamente isso que ele fez. Jacob foi para La Push e me deixou sozinha com a introdução do artigo para entregar, seus plantões para cobrir, uma pesquisa para terminar e redigir e por fim um pai contrariado para acalmar, porque se já não bastasse todas as coisas que eu tinha para fazer, Charlie ainda insistia que eu tinha que ser mais tolerante com seu afilhado, pois segundo ele, Jacob estava sofrendo.

Hum! E Charlie achava que conhecia o Jake.

E era exatamente por ser tolerante que eu estava a caminho de casa a essa hora. Eu passei esses dias todos encobrindo Jacob, na verdade, eu me esforçava para que nossos professores e coordenadores tanto da universidade quanto do hospital, não dessem falta dele, pois já que eu não tinha como corresponder às expectativas amorosas dele, pelo menos eu corresponderia positivamente a nossa amizade.

– Princesa? Nós chegamos. Você está dormindo? Quer que eu te carregue?

Suspirei alto e abri os olhos. Divaguei tanto que nem vi o tempo passar.

– Não, Sam. Vá descansar. O dia de vocês também foi puxado. Tenham uma boa noite e até amanhã.

Sam e Zafrina se despediram e sumiram para os seus respectivos alojamentos.

Subi devagar os poucos degraus que me levavam a imponente entrada do Palácio das Flores, nossa residência oficial, e sem esperar por formalidades entrei. Também há essa hora era impossível acreditar que alguém estivesse me esperando.

E como imaginei, todos já haviam se recolhido, assim nem ousei procurar ninguém. Subi para meu quarto.

Lá me dirigi ao banheiro antes que o cansaço vencesse e eu me rendesse a minha cama. Um banho me alertaria, e era disso que eu precisava naquele momento.

Encarei a banheira uns três segundos antes de me decidir pela ducha, “ficar de molho, igual frango gratinado”, também não era o recomendado para meu estado de espírito.

Tomei um banho rápido, sem molhar os cabelos. Vesti um pijama de malha e já me preparava para sair, quando percebi o sinal vermelho da secretária eletrônica, fiquei tentada a ignora-lo, no entanto não o fiz. Eu tinha pessoas demais com quem eu deveria ter falado hoje, mas não consegui.

Pressionei o botão e esperei, logo a voz melodiosa de Alice reverberou pelo quarto.

Isabella, sua desnaturada, você não me ligou. Eu preciso, de verdade saber o que você achou de nossas ideias para a decoração e buffet. Arranje um tempo e faça isso, eu lhe enviei algumas fotos e dados no seu email, para que você tenha noção do que estou falando. Outra coisa, passe no Ateliê e entregue o croqui do vestido que você escolheu. Você escolheu um não é? Espero que sim, todos lá já estão sabendo do que se trata. E por fim, ligue pro seu namorado. O “coitado” está a ponto de “subir pelas paredes” de tanta preocupação. Irmã, isso não se faz. Bom eu já vou. Se cuide, Bells. Vemos-nos amanhã. Amo-te.

– Droga, Isabella! Você esqueceu-se de escolher o vestido. Que noiva é você afinal?

Olhei para o aparelho com medo de que Alice saísse de lá. A lista dela era enorme, e infelizmente seria toda deixada de lado até segunda-feira. Isabella Swan, definitivamente, não estava “dando conta do recado”.

Cliquei de novo no aparelho e ouvi o próximo recado.

Princesa, te liguei duas vezes, somente hoje. Aconteceu alguma coisa? Estou preocupado. Ligue-me quando ouvir o recado, não importa a hora que seja. Eu preciso ouvir sua voz hoje, se não vou enlouquecer. Ah! Papai mudou o horário da nossa ida, sairemos daqui bem cedo, então lá pelas dez da manhã, já estaremos aí. Estou ansioso. Ligue-me tá? Estou com saudades. Beijos.

É! Pra dizer que as coisas não podiam piorar... Edward tinha acabado de mudar esse conceito.

Uma e meia da manhã? Nunca que eu ligaria para ele naquele horário, o “coitadinho”, como disse Alice, já deveria estar em seu “terceiro sono”.

Ignorei o aviso de que eles estariam em nossa casa cedo. Eu não mentiria para ninguém que desconhecia essa informação, todavia era a minha vez de estar ocupada.

Por fim, sai do quarto e desci para meu escritório, eu ainda tinha uma longa noite de estudos pela frente.

Charlie

Revirei-me na cama mais uma vez e de repente, acordei assustado. Buscando o relógio no criado mudo observei que já se passava das três. Fui então, tomado por uma apreensão inexplicável, eu não sabia se Bella havia chegado. Eu havia dormido antes de minha garota chegar e isso era imperdoável.

Joguei o edredom para o lado, me levantei, joguei um roupão por cima do pijama e rumei para o quarto de meu bebê.

Como de costume e “pra variar”, ela não estava na cama, no entanto os vestígios no ambiente me certificaram de que ela estava, ou pelo menos esteve em casa.

Ainda preocupado, me dirigi ao lugar onde mais se encontrava Bella nessa casa. E confesso, não foi surpresa passar pelo escritório e notar, pelos rastros de luzes debaixo da porta, que ela estava ali.

Suspirei aliviado.

Sem fazer barulho, passei reto e fui para a cozinha.

Lá, retirei o leite da geladeira despejei um pouco em uma caneca, adocei, coloquei duas colheres bem generosas de “achocolatado”, misturei tudo e levei ao micro- ondas, ajustei o time, esperei alguns segundos e logo com uma caneca fumegante rumei de novo para o escritório.

Não foi surpresa encontrar Bella debruçada sobre a mesa, em volta de três livros e mais um computador. Era sempre assim que eu a encontrava todas as madrugadas.

– Tenho saudades de quando você era pequena e eu sabia exatamente, onde estava, que horas chegaria e quando iria para cama. Parece que as coisas estão meio fora de controle, mais do que o normal, essa semana.

Assustada, ela olhou para mim. Bella parecia muito mais cansada esses dias. Algo estava atormentando-a.

– Também tenho saudades dessa época. As responsabilidades não eram tantas.

Fechei dois livros, coloquei-os de lado e empurrei a caneca a sua frente.

– Beba. E comece a me contar qual é o problema que está fazendo com que suas olheiras aumentem.

Como fazia todas as noites, em que eu estava em casa e lhe trazia o leite da madrugada, ela fechou os olhos, bebericou o líquido e gemeu em satisfação. Esse era um dos melhores momentos de meu dia, apreciar o quanto minha caçula valorizava pequenos agrados. Por isso, que eu me repreendia quando tinha que viajar e delegar a Donna, eterna babá de minhas crianças, essa função, que tanto me agradava.

– Fale, filha. Estou esperando. O que te aflige?

– Não é nada, paizinho. Eu só estou mais cansada que o normal. É isso.

Fingindo acreditar naquela “balela” dela, Bella era assim, “tudo há seu tempo” e sem esperar por mais explicações, levantei-me, peguei sua mão, fazendo-a me acompanhar, fui até o sofá e me sentei.

Bella já sabendo o que eu queria, deixou a caneca ao lado do computador, deitou-se e descansou a cabeça em meu colo.

– Isso é tão bom. Não sei se posso viver sem seu cafuné de madrugada, pai. Não pare. Só por favor, não me deixe dormir, eu ainda tenho muito que fazer.

– Chiiii!!!! Fique em silêncio e feche os olhos. Só relaxe, eu não deixarei você dormir.

O sorriso calmo dela me garantiu que, tanto ela quanto eu, sabíamos que eu estava mentindo, e que era questão de segundos até que ela dormisse e eu a carregasse para a cama, todavia Bella não discutiu. Só seguiu minhas ordens e se desfez em meus braços.

Fico pensando o que será de mim daqui a três meses. Se ela não se imaginava sem mim, eu é que não podia sequer pensar na possibilidade de não tê-la mais sobre minhas vistas.

Eu já errei muito com minha filha e erro até hoje. E talvez por consciência pesada, me negava a acreditar que a perderia para o Cullen.

Eu esperaria e torceria, até o último instante, pela revolta de Bella.

Bella

Eu sabia onde estava. Charlie quase todos os dias me trazia para a cama. Acho que era um acordo mudo entre ele e eu.

Por isso, antes do “bip” irritante de meu celular, eu já estava de pé. O que significava que era mais cedo que o meu normal.

Tomei banho, escovei os dentes, penteei o cabelo, vesti uma calça e uma regata impecavelmente brancas, peguei um jaleco limpo, a bolsa e me dirigi para a cozinha. Eu não ia comer àquela hora. Claro que não! No entanto se eu não passasse por lá para roubar um beijo de minha Bá ela me “estrangularia” depois.

– Bom dia pra minha linda e doce Donna.

Abracei o corpo rechonchudo e cheiroso da mulher que “desde sempre” estivera em minha vida.

– Caiu da cama foi? Ou tinha “formiguinhas em seus lençóis”? E não pense que me bajular fará com que você se safe de um café reforçado. Sei que seu dia será corrido, por isso sente essa “bundinha” aí, que eu já trago seu café.

– Ah Bá! Dessa vez eu vou ficar te devendo mesmo. Tenho que apresentar um trabalho num seminário daqui a pouco e ainda tenho que repassar algumas dúvidas. A biblioteca me espera, minha linda. Por isso, beijos e até mais.

Saí antes que ela começasse a resmungar. Bá era um doce, no entanto quando contrariada fazia da vida de qualquer um, uma tormenta.

– Bom dia, Sam. Bom dia, Zafrina. Levem-me para a universidade, por favor.

Meus seguranças, que já me esperavam, acredito que imaginando como seria meu dia, trocaram um olhar cúmplice e logo obedeceram minhas ordens.

– As dez horas, seu pai quer você em casa, Bella. Por isso, querida, te esperamos as nove. Apesar de não ser uma visita oficial, a imprensa já sabe da chegada da família real de Forkian e acredito que o trânsito virará “um inferno” perto desse horário.

Voltei meus olhos para janela e contemplei o dia chuvoso de Forks.

– Eu não irei pra casa as nove, Sam. Hoje tenho um seminário importantíssimo agora de manhã e a tarde, graças ao “piti” e ao sumiço de Jacob, estarei “atolada até o pescoço” de trabalho no HoCeF (Hospital Central de Forks), por isso, não precisam se preocupar.

– Mas, Bella, seu pai disse que...

– Eu me entendo com meu pai mais tarde, Zafrina. Agora deixem de conversa que eu quero estudar.

Ignorei a presença deles e voltei meus olhos para meu tablet, fingindo estudar. Eu sabia de tudo aquilo, Edward havia me informado que chegaria mais cedo, contudo ele sempre soube a hora e o dia que chegaríamos à semana passada e nem isso o fez me esperar.

Isabella Swan não era vingativa, muito menos escandalosa, do tipo que grita e briga, quando contrariada. Todavia, Isabella Swan sabia, exatamente, como mostrar as pessoas onde elas tinham errado e o tamanho do estrago que haviam deixado em seu coração.

E era justamente isso que eu ensinaria a Edward naquele dia.

Por isso mesmo, nem me preocupei com o horário e fiz questão de desligar meu celular assim que pus os pés na universidade e, só para melhorar a situação, ignorei todas as vezes que Sam e Zafrina se aproximavam para falar comigo. Como agora, por exemplo.

– Bella, seu pai ligou. Princesa, ele está “uma fera”. Vamos pra casa. No caminho nós ligamos para o assessor de seu pai e ele dará um jeito nos seus horários. Agora, por favor, nos acompanhe. O avião da família Cullen já pousou e seu pai não tem uma justificativa para sua ausência.

Carlisle também não teve uma justificativa na semana passada.

E a quem Charlie estava querendo enganar? Meu pai devia estar “saltitando” de alegria, por causa da minha afronta.

– Ainda não, Sam. Agora eu vou para o hospital cobrir a ausência do idiota do Jacob. Ao contrário dele eu tenho responsabilidade com meus pacientes e se aquele bastardo não sabe separar as coisas, eu sei. Agora vamos logo.

– Ai Bella! Só você mesmo, pra deixar o noivo esperando. Jacob vai adorar saber que, no fim, ele conseguiu “melar” os planos do “principezinho”.

Bufei e revirei os olhos para minha amiga Ângela. Ela sempre seria uma fã de Jake.

– O que o Jacob vai adorar saber?

Aquela voz interrompeu o discurso que eu ia desabar em Ângela.

Virei- me rapidamente e fechei a cara para seu dono.

– Jake seu idiota. Você é um ...

Sem esperar por mais de minha indignação, Jacob me pegou no colo e me rodou como seu eu fosse um bebê.

– Ahh, seu maluco! Coloque-me no chão. Eu vou cair.

– Deixa de ser “molenga”, Bells. “Tá com medinho, é”? Eu estava com saudades e vou fazer essa sua “raivinha” passar imediatamente.

– Que droga, Jacob. Coloque-me no chão.

Ele me ignorou e continuou a me rodar.

– Não!

Eu já estava pronta para começar a esmurrar suas costas, quando de repente...

– É melhor você obedecer a minha noiva, “cachorro”. Seus pais nunca te ensinaram que não se deve tocar no que não é seu?

E sem demora, fui colocada ao chão. E o que quase me fez cair, nem foi a tontura que me abateu, devido a brincadeira, sem graça, de meu amigo, e sim o olhar raivoso que meu príncipe desferia a Jake e a mim.

É, se eu “queria cutucar a onça com vara curta” eu, literalmente tinha conseguido.

Edward

A raiva me cegava, eu via tudo vermelho e nem se contasse até dez seria capaz de me acalmar. Eu precisava “estrangular” alguém, eu só estava na dúvida se fazia isso com o “cão sarnento” que ousou tocar em minha namorada, ou se fazia com Isabella que me ignorou a semana inteira e nem se dispôs a me esperar no aeroporto ou em casa.

Putz! Algo no fundo da minha mente me dizia que eu merecia tudo aquilo, mas eu ignorava aquela informação. Eu estava nervoso demais.

– Edward! Eu não te esperava aqui. Eu estava indo para o hospital e...

Diminui o espaço entre nós, me coloquei colado nela, abracei seu corpo e ataquei seus lábios com fervor.

Eu tinha noção que estava dando um espetáculo e tanto, todavia eu não me importava, foram quatro dias de total distância e pra completar, a ferida do ciúme ardia forte em mim.

– Belo espetáculo, Cullen. Marque-a como sua. Eu não me importo. Só não se esqueça de que você vai pra casa no domingo e eu continuarei aqui, ao lado dela.

Rosnei em frustração e ódio e me afastei de Bella.

– Você está insinuando o que, “Cão”?

– Por favor, por favor. Vocês estão chamando a atenção. Podem se comportar só um pouquinho?

Fiz cara feia para ela. Eu estava com muita raiva, o ordinário, pelo contrário, sorriu, me provocando.

– Pois bem! Agora que já estão mais calmos, vamos às cordialidades. Edward esse é o príncipe Jacob, meu melhor amigo...

O “sujeitinho” fez careta para o adjetivo que ela usou ao se referir a ele. Eu gostei!

– E Jake, esse é o príncipe Edward, meu namorado e...

– Noivo e futuro marido. A seu dispor.

Cortei- a e me fiz presente. Pelo meu olhar periférico notei os seguranças que me acompanharam se aproximando.

– Princesa, seu pai os espera. Só faltam vocês para que possam seguir viagem. E Jacob, o rei Charlie manda lhe dizer que Bella já fez muito por você, e que agora é sua vez de retribuir, por isso, segundo o rei, “cubra as faltas dela”.

– Mas, Paul...

Atravessei o segurança.

– Para o carro, Isabella.

Revirando os olhos e suspirando audivelmente, ela ainda me fez mais uma raiva antes de obedecer.

– Tchau, Jake. Até segunda.

Bella abraçou, de novo, o idiota.

– Se cuida, Bells e não cometa nenhuma besteira. Nós ainda temos muito que conversar.

Ela acenou e no caminho ainda abraçou uma garota, que parecia se divertir com aquela situação.

Aproveitei a oportunidade e me aproximei de meu concorrente.

– Mantenha suas mãos para você, Jacob. Bella sempre foi minha e agora, mais do que nunca, eu a reivindiquei para mim. E espero que isso seja o bastante para que você entenda que não pode toca-la. Ou então esteja preparado para as consequências.

– Engraçado não é, Cullen? Até sexta passada, Bella, nem te conhecia. Você nem se importou em recebe- la em sua casa. E agora, chega aqui e dá uma de “namoradinho” apaixonado e ciumento. “Se toca”, otário! Eu conheço essa garota desde que ela nasceu. Você não sabe do que já fiz e passei por ela. E se não está pronto para uma disputa, eu sugiro que se retire do jogo. Pois eu vou lutar com tudo que posso para convencê- la e a meu padrinho de que sou o melhor.

Trinquei os dentes e fechei os punhos.

– Tente rouba-la de mim, “Cachorro”, e se prepare para uma guerra. Estude o poder de ataque de suas tropas e das minhas e então veremos quem pode mais.

– Isso é uma ameaça, Cullen? Você seria capaz de levar inocentes a uma guerra, por causa de seus interesses pessoais?

– A princesa não é só um interesse pessoal, Black. Angelus já a ama, assim com eu. E por ela, farei qualquer coisa. Por isso se afaste, é um aviso.

Para mostrar coragem, o “bastardo” também fechou os punhos e se aproximou. No entanto, creio que temendo uma confusão, foi interceptado pelo segurança, que Bella chamou de Paul.

– Por favor, príncipe Edward, o rei está à espera. Queira se dirigir ao carro.

Acenei em afirmação e fiz o que ele me disse. Porém ainda pude ouvir meu inimigo dizer.

– Isso não acaba aqui, Cullen. Bella é minha! E nem seu exército a tirará de mim.

Sem parar de caminhar, virei à cabeça para ele e o respondi.

– “Sua”, é a “senhora sua mãe”, Black. E se é uma competição que você quer, é uma competição que terá. Se prepare para a luta.

E sem lhe dar mais atenção, abri a porta traseira do carro e me sentei ao lado da mulher que estava, sem dúvida, tirando o meu juízo.

– Agora a conversa é conosco, senhorita Swan.

Notas finais
Comentem! Beijos e até Terça.