Três Príncipes, Três Princesas
78 O ensaio
Notas iniciais
A dois instantes do Caos
Bella
— Alô, querida, tudo bem? Te acordei?
Olhei descrente para o quarto já prevendo a tempestade que enfrentaria ao descer as escadas e encontrar Edward no andar debaixo.
Porque sim, para Esme estar me ligando às sete da manhã era porque algo grave estava acontecendo.
— Não, Esme. Acordei faz tempo. Aconteceu alguma coisa?
Perguntei de uma vez, evitando que ela desse voltas e mais voltas antes de criar coragem para chegar aonde queria.
— Edward já foi para o palácio?
Quem dera! Pensei.
Esme, porque era Esme, ignorou meu desejo de ir direto ao assunto. Era óbvio que também estava temerosa em enfrentar a superproteção de meu marido. Já havíamos passado por isso antes.
— Não. Deve estar tomando café com vovó. Ainda não foi, porque não veio se despedir. Mas, Esme, o que aconteceu para me ligar assim tão cedo? É alguma coisa com Lizzie?
Perguntei já me levantando e vestindo a primeira roupa que encontrei pela frente.
Rosie havia chegado noite passada e eu ainda não a tinha visto. Vovó e ela estavam-me “atazanando” para fazer o “tal ensaio” de grávida.
Então as fotos seriam hoje.
Eu só esperava que Edward gostasse mesmo desse presente, porque do contrário, eu mataria as mulheres de minha família por estarem me fazendo passar por isso no sexto, quase sétimo mês de gravidez.
— Está tudo bem com Lizzie, Rosie e Renée, não se preocupe.
— Então...
Induzi, já calçando as sapatilhas, penteando os cabelos e deixando-os solto mesmo. Eu não podia marca-los com um rabicó, não queria ter que lava-los antes da cabeleireira os deixar prontos para as fotos.
— O problema é Annie. Querida, sei que Alice e você não estão bem e que romperam. Mas Bella, o bebê não está bem. Chorou muito a noite. Alice e Jasper não pregaram os olhos e sua irmã já chorou junto com o bebê. Será que você poderia vir aqui só um pouquinho? Eu acho que são cólicas, mas, eles são “marinheiros de primeira viagem” e estão desesperados. E Jacob não está na cidade.
Peguei minha maleta e sai do quarto.
Droga! Edward não ficaria nada feliz.
— Tudo bem, sogra. Estou indo. Para adiantar minha vida, aqueça, no fogão, um pouco de água, por favor.
— Tudo bem. Bella?
— Oi?
Desci os últimos degraus já dando de cara com Edward me olhando de cima a baixo nada satisfeito ao ver a maleta em minhas mãos.
— Obrigada!
— Se eu não estiver aí em cinco minutos, chame a polícia, Esme. Porque seu filho vai me matar.
Não esperei que ela respondesse. Eu tinha problemas maiores para resolver.
— Onde pensa que vai? Eu estava subindo para conferir se havia dormido de novo. O que Esme queria?
— Oi, marido. Bom dia.
Bajuladora e fugindo do assunto, enquanto podia, o abracei, como a barriga deixava, é claro. E dei beijos leves em sua boca.
— Não adianta adular. Aonde vai, princesa? E por que essa maleta? Bella, nós não combinamos que hospital só à tarde?
— Não vou ao hospital, bobinho. Sei de nosso combinado. Não esqueci. Vou ali na sua casa e volto...
— Minha casa é aqui.
Interrompeu-me bruscamente, porém, sorri. Era verdade.
— Tá bom, vamos tentar outra vez: Vou ali na casa de sua mãe. Annie não está passando muito bem e vou dar uma olhadinha.
Ele levantou a sobrancelha, porém, não indagou o ponto de que Alice e eu não estávamos nos falando.
Ao fundo, na sala de jantar, vovó Marie tomava seu café fingindo que não nos ouvia.
— Amor, você não dormiu. Essa visita não pode esperar?
Suplicou levando a mão a minha barriga e acariciando.
Como faziam desde ontem quando ele os tocava, os meninos se reviraram.
— É um bebê, minha vida. Prometo que resolverei o problema rápido. Além disso, dormirei à tarde, já que vovó, sua mãe, minha mãe, Rosie, Alice e eu vamos passar à tarde em um “SPA fazenda” fora da cidade.
— Como assim? Você não me falou disso. Stephan não me contou que passariam o dia fora. As coisas não funcionam assim, Isabella.
Argumentou indignado.
Vovó Marie riu ao fundo. Fora ideia dela não contar a ele antes, de nosso passeio, porque, era óbvio que surtaria.
Segundo ela, era melhor evitar o sofrimento antes da hora.
— Edward, vamos ter um dia de garotas. E o lugar fica a dois quilômetros da cidade. Não precisa se preocupar. Estarei com nossa família. Elas cuidarão de mim.
— Não! De jeito nenhum. Sem chance! Você não sai daqui.
Torci os lábios e cruzei os braços, eu estava tentando entende-lo custava-o entender meu lado?
Deus, eu não queria mentir, mas as “benditas fotos” teriam que ser um presente surpresa.
— Você sabe que não manda em mim, não é? Por que não posso sair? Está acontecendo algo que não sei?
Bati o pé, insistentemente.
Vovó riu baixo.
Edward, estranhamente, deu dois passos para trás e pareceu desconcertado com minhas perguntas.
— Bella, não estou impondo coisa alguma, amor. E não está acontecendo nada com que precise se preocupar. Só estou pensando em sua saúde. Já está perto, princesa. Precisa se cuidar.
— Sei me cuidar.
Passei as mãos nos cabelos pensando, que ele estava me prendendo por tempo demais, e que Annie devia estar se esgoelando na cabeça de Alice e Jasper.
Humm, será que o choro dela era muito potente?
Torci para que fosse. Eles merecaim um pouco mais de sofrimento.
Pensamentos assim faziam de mim uma pessoa ruim?
Não! Acho que não.
— Eu sei que você sabe se cuidar, minha vida, nunca duvidei disso. Eu é que não dou conta de mim sem saber se você está segura e saudável. Deixe-me ir, por favor? Prometo que não vou até vocês, só quero saber onde é esse lugar.
Meus hormônios de grávida, me dominaram ao vê-lo tão vulnerável, me implorando para ir junto.
Ele só queria cuidar de nós.
— Tá, você pode ir, eu só preciso...
— Ei, paradinha aí. Não! Ele não pode ir, Isabella! Pare de se aproveitar dos hormônios de sua mulher, Edward Cullen. Isso não é nada bonito, muito menos aceitável.
Vovó se juntou a nós e me repreendeu.
Dei de ombros e fiz careta.
O que ela queria que eu fizesse? Eu não tinha controle sobre mim.
— Stephan vai te dar a localização do lugar e te manterá atualizado de todos os passos dela. Agora, ir junto está fora de cogitação. Dê espaço, Edward. Ela precisa respirar. Além do mais, estaremos cercadas de seguranças. Os de Alice, de sua mãe, de Rosie, de Renée, de Bella, os meus. O que mais você quer? Deslocar as forças armadas?
Edward encarou vovó, e era como se eles conversassem, em silêncio, sobre algo que eu não sabia. E isso ameçava me irritar.
— Tudo bem. Você pode ir...
— Eu não estava pedindo...
— Isabella, não brinque. Ainda posso mudar de ideia.
— Tá, calei.
Coloquei as duas mãos por sobre a boca.
— Você pode ir, mas com a condição de que, Stephan e Zafrina não saiam de perto de você, nem por um segundo. Entendeu?
Era um pedido razoável. Já que era óbvio que meus seguranças não me deixariam em paz mesmo.
— Entendi.
— Tem consiência de que não vou almoçar com você?
Fez um biquinho adorável de manha. Quase o mordi de tão lindo que ficou.
Deus do céu, eu amava demais esse homem!
— Não, não vai. Mas, que tal um jantar a beira da piscina, só eu e você? Quem sabe não está muito quente à noite e terminamos isso de uma maneira que nos dois amamos.
Sorri maliciosa.
— É um desejo?
Perguntou cativo já esquecendo a contrariedade de minha saída.
— É sim.
— Ok. Vou preparar tudo. Não se canse demais nesse “tal SPA”. Quero minha esposa bem disposta no fim da noite.
Coloquei-me na ponta dos pés e o beijei de boca aberta. Ele merecia, também sabia ceder.
— Agora, vou lá.
Afastei-me, sorrindo agradecida para vovô Marie que, graças a Deus, intercedera.
— Volta aqui, Isabella. E o café da manhã?
— Vou comer com a sua mãe, Rosie e mamãe. Tchau amor.
— Isabella...
Abri meu maior sorriso lhe dei tchauzinho e ainda mandei beijinhos, o provocando demais.
Edward era uma peça. A minha peça.
Alice
— Ela chegou.
Obrigada! Obrigada!
Agradeci a Deus baixinho. Eu ainda não acreditava que Esme convencera minha irmã a vir aqui.
Aproveitei e rezei, para que Edward não a tivesse estressado com isso. Ela não merecia. E eu não queria mais ser motivo de amarguras e tristezas na vida de minha irmã.
— Eu sabia que mamãe conseguiria.
Jasper também soou agradecido.
Segundos depois passos invadiram o corredor, ou melhor, eu achava que eram passos e vozes, já que o choro de Annie, que se retorcia em meu colo, não fazia de minha audição algo confiável.
— Aqui está ela, a princesa, escandalosa, da vovó.
Esme e mamãe entraram primeiro, logo atrás, veio Rosie e por fim, Bella, em roupas casuais, que não eram da minha coleção, e de posse de sua, inseparável, maleta.
Ela não usar Alice Cullen me incomodou. Mais um vínculo cortado.
Bella não estava brincando quanto a me esquecer.
— Com licença.
Pediu formalmente antes de entrar. Ela não precisava daquilo, já que o palácio oficial sería dela. Mas aquela a minha frente não era a futura herdeira do trono, era a melhor profissional prediátrica que eu conhecia: Dr Isabella Swan Cullen.
— Sogra, por favor, coloque a água que esquentou na banheira e a “tempere” com água fria, mas não esfrie muito. Preciso que esteja mais para quente, do que para fria. O mais suportável possível para um bebê. Teste com o braço.
Esme, com humildade e não lembrando-a de que era mãe de três, acenou em concordância e se dirigiu para o banheiro de meu quarto e de Jasper, já que Annie estava passando seus primeiros dias ali conosco.
— Ah, aí está o bebê da titia. Porque não diz para mim, onde dói, princesa. Titia quer saber, fala para mim, gatinha.
Bella fez voz doce e pegou minha filha de meus braços. Que instantaneamente, se calou e se concentrou na voz da tia. Foi como se a reconhecesse e se sentisse confortável e segura.
Aproveitando-se desse fato, Bella continuou falando, deitou-a em minha cama, e começou a tirar sua roupinha.
— Titia vai colocar uma coisa fria em seu peito, mas não precisa chorar, nem se assustar, tá bom? É rapidinho e não dói.
Minha filha choramingou quando o estetoscópio entrou em contato com sua pele. Mas, foi só um choramingo. Nada escandaloso, como instantes atrás.
Traidora! Precisava esfregar na cara o quanto Bella era boa? Eu já sabia disso. Infelizmente, não a valorizei enquanto podia.
— Ah, titia, não tem nada aqui. Nada de batimentos acelerados. Está fresquinha, não tem febre. É só cólica chata mesmo. Porque você não me ajuda, titia?
Ela continuou fazendo voz doce. Annie já não chorava. Todo o quarto estava em silêncio só observando o entrosamento das duas.
— Titia vai melhorar essa dor feia, tá? Vamos tomar um “banhozinho”?
Sem medo e já terminando de tirar a fralda de minha filha, ela, experientemente, muito mais do que eu, a pegou no colo e seguiu rumo ao banheiro.
— Pai e mãe, me sigam. Quero ensinar umas coisas.
Dirigiu-se a nós profissionalmente.
No trajeto, pegou algo na maleta.
— Isso que eu tenho aqui é óleo de camomila. Pingarei três gotas na água, que como disse, deve estar bem quentinha.
Com destreza, segurou o bebê com uma mão, se abaixou e colocou o outro braço na água, testando a temperatura, depois pingou ali três gotas verdes, do frasco que trouxera.
Imediatamente, um cheiro doce e relaxante invadiu todo o lugar.
Nossa família toda acompanhava o procedimento atenta.
— Isso, está muito boa. Agora é só aproveitar.
Desceu Annie na água. Que nem se assustou. Pareceu ter gostado demais do que estava recebendo.
— Esse é um banho de relaxamento, então não se preocupem com a higiene. Só pensem que o intuito é relaxar e acalmar as dores e o bebê. Existem remédios para isso, mas vamos tentar formas paliativas, antes de apelarmos para eles, ok?
O tom de voz mudara totalmente. Agora a Dr Cullen falava conosco, ensinava. Totalmente profissional.
Ela deslizava a mãos pelo corpinho de minha filha, que já não chorava, só prestava atenção no que a tia dizia e fazia.
— Façam movimentos circulares, seguros. Nada leve demais, nada forte demais. Dosem. Usem as pontas dos dedos e as palmas das mãos. Peito, barriguinha, pezinhos, braços, mãos e por fim...
Ela segurou Annie verticalmente, encaixou-a no braço, e a virou deixando-a agora, com a barriguinha na água.
Eu ainda não me atrevera a fazer aquele movimento, ela era pequena demais e eu temia machuca-la. Bella não via problema nisso, seria uma mãe e tanto.
— Costas e ombros. Quando a água começar a ficar mais para morna do que para quente, é hora de tirar.
Esme já esperava com uma toalha aberta por sobre o peito.
— Isso, meu amor, já está bem melhor, não está? Titia vai acabar com esse incomodo de vez, agora.
Levou-a de volta para o quarto e deitou-a, outra vez, na cama.
A seguimos de perto.
— Agora pinguem mais algumas gotas, do mesmo óleo, nas mãos e massageiem o peito e abdômen dela, bem tranquilamente. Façam isso com as janelas e as portas fechadas para que ela não se resfrie.
Continuou a nos guiar, mas de uma forma bem baixa e doce.
— Isso, princesa. Relaxe para a titia. Essa dor feia já está passando, não é? Vai ficar tudo bem agora. Você pode fechar os olhinhos porque seu sono será tranquilo e muito bem cuidado.
Como se entendesse o que a tia dizia, Annie fechou os olhinhos. A respiração ficou mais devagar e, lentamente, Bella foi parando com os movimentos. Depois, devagarzinho, a vestiu com o macacão, rosa claro, que mamãe lhe entregou.
— Cólicas são ruins, mas o contato e a segurança dos pais ajudam muito a aliviar. Não deixem que o medo os domine. O bebê sente. Ele precisa se sentir seguro, certo de que serão capazes de tudo por ele. Isso, por si só já ajuda muito.
Depois de vesti-la, Bella passou a mão por debaixo do corpinho de minha pequena, a levou para perto de si, protetoramente, e a guiou até o berço, colocado, estrategicamente, ao lado de nossa cama, bem perto de onde eu dormia.
Renée, levantou o cortinado, retirou a manta e o cobertor de lá, para que Bella a acomodasse melhor.
— Está tudo bem, está tudo bem. A titia está aqui.
Bella voltou a embalar Annie quando ela resmungou, ao ser colocada no berço.
— Ela vai dormir agora e se não dormiu bem à noite, será um sono grande e profundo, não se preocupem. Recomendo que, repitam esse procedimento mais a noite, para que ela durma tranquilamente no período certo e não troque um pelo outro. Vou deixar a receita do remédio também, mas reafirmo que só devem recorrer a ele em casos extremos. E se depois de tudo isso as cólicas continuarem, não hesitem, liguem para Jacob e agendem uma consulta.
Escreveu alguma coisa no receituário e entregou a Jasper, não me olhou, nem vacilou, quando nos mandou procurar Jacob.
— Jake deve voltar a atender semana que vem, enquanto isso, estarei à disposição. Se precisarem de alguma coisa, é só pedirem para Esme me ligar.
O “enquanto isso” não me passou despercebido. Ela estava decidida a nem ser a médica de minha filha.
Começou a juntar seus aparatos, fechou a maleta e se dirigiu a porta.
— Bella, só um minuto, quanto é a consulta? Sei que Edward não quer que clinique, mas estávamos desesperados.
Jasper levou a mão ao bolso do paletó pronto para pegar a carteira.
— Não se preocupe com isso, Jasper. Esme e mamãe já pagaram pela consulta.
Desdenhou com um acenar de mão. Deixando evidente que só fizera aquilo por respeito a nossas mães.
— Está tudo pronto aqui. Vamos descer? Prometi a meu marido que tomaria café com vocês. E é bem capaz que ele especule Chay para saber se cumpri a promessa. Ou então, não duvidem de que ele apareça no nosso dia de mulheres.
Esme e Renée concordaram e sorriram docemente para ela. Rosie a agarrou pelo braço, pronta para guia-la para fora.
— Bella?
Chamei. Ela olhou-me, indiferente.
— Obrigada. Você foi incrível, mais uma vez. Obrigada.
Por um segundo achei que ela “baixaria os muros” e sorriria amigavelamente para mim. Porém...
— Não precisa agradecer, amo minha profissão.
Ponderou antes de nos dar as costas e sair.
Ela agira com a frieza que eu esperara, por isso relutei demais antes de deixar Esme incomoda-la. Sua indiferença machucava muito mais do que palavras.
— Você vem conosco, não vem?
Rosie me perguntou da porta, com piedade.
— Acho melhor não, Rosie. Vou aproveitar que Annie dormiu para descansar também. Estou exausta.
Ela concordou com um sorriso amarelo.
— Não desista, Alice. Vocês precisam desse tempo. E não sei se você percebeu, mas Bella só se referiu a si mesma como: “a titia”. Isso é um bom sinal, não é?
Era?
Não respondi, nem eu sabia.
Ao mesmo tempo em que queria ter esperanças, tinha medo de alimentar algo que não fazia mais parte de minha vida.
Ah! Pobre princesa rica que mete os pés pelas mãos e depois se arrepende.
Que Deus olhasse por mim e por meu marido. Porque, pelo que parece, minha filha teria uma tia amorosa e não pagaria pelos erros dos pais egocêntricos.
Stephan
Abri a garrafa de água, que acabara de pegar no carro, dei um gole grande e entreguei-a a Zafrina.
O sol estava “rachando”.
— Ela ainda está lá dentro com aquelas mulheres?
— Está. Não se preocupe. Será um dia demorado, Stephan. Fotos é assunto sério para essas pessoas. Nunca vi tanto tecido e Bella com tão pouca roupa. A barriguinha dela está linda, tem razão de seu patrão ser todo babão e meio paranoico.
Meio? Ela definitivamente, não conhecia Edward ou não o via com muita clareza.
— Volte para lá, Zafrina. Não é um lugar que eu possa acompanha-la, mas você pode. Não quero que Bella fique sozinha com desconhecidos. Mesmo que Rósalie esteja lá, preciso de alguém perto dela que saiba e não hesite em manusear uma arma, se preciso for.
— Você sabe que investiguei, pessoalmente, cada componente dessa equipe, não sabe?
— Sei.
Claro que sabia, só não ousei dizer que havia feito isso antes dela. Toda prevenção era pouca. Tivemos uma reunião com a doutora Weber e ela nos alertara que, como Bella estava numa gestação gemelar, o parto poderia acontorcer a qualquer hora a parti da 28º semana.
— Então se acalme, homem. Vou voltar para lá agora. Aliás, eu gostaria de saber para quê tantas fotos, se a maioria, são tão sensuais que só Edward poderá ver.
Arqueei a sobrancelha em dúvida se ela não sabia mesmo ou se estava só brincando.
— O quê?
Não, santa ingenuidade, ela não estava brincando.
— É para seduzir o marido. Não seja inocente, Zafrina.
Ela enrubesceu e se afastou sem mais conversa.
Droga!
Às vezes eu me esquecia de que ela e Sam não têm experiência alguma em relacionamentos.
Maldito rei de Forkian, suas leis malucas e sua mania de segurança.
Deixando minhas indagações de lado, e disposto a fazer bem meu trabalho, pela “milésima vez”, dei a volta, no galpão onde Bella fazia as fotos e averiguei se não havia nada de anormal a sua volta.
Passei por cada homem dos nossos, bem espalhados a uma distância segura do local e trocamos olhares conciliadores.
Tudo estava em ordem.
Observei, mais a frente, a casa onde o restante das mulheres reais estavam. Elas não eram responsabilidade minha, mas eu não baixaria a guarda quanto à segurança delas também.
Somente a princesa Rósalie estava com Bella, elas preferiram assim. Porém, nada impedia aquela família de sair para “espairecer” por um tempo.
Como se a realeza precisasse “espairecer”?
— Essa realeza paga bem seu salário, Stephan.
Sorri ao pensar neles assim. Edward e Bella eram muito mais amigos que patrões.
Voltei a minha posição inicial, de frente a única porta do galpão, onde ela era fotografada. O lugar era privilegiado e dali eu tinha visão de quase toda a propriedade. Eu precisava ficar mais atento que o normal, “as vidas de Edward” estavam em minhas mãos.
— Ah não! É brincadeira. Só pode!
Gemi de desgosto ao sentir o telefone vibrar em meu bolso, de novo.
— Cara, você precisa parar com isso. Ela está bem, do mesmo jeito que há uma hora. Você precisa se controlar, Edward, está parecendo um maricas.
— Você está perto dela? Passe o telefone. Rósalie deve ter confiscado o dela, porque não me atende mais.
Ignorou minha brincadeira e reclamou igual criança quando é impedida de comer um doce muito gostoso.
— Quantas vezes você ligou antes que a “loira má” intervisse?
Ficou calado por algum tempo antes de me fazer soltar uma gargalhada alta.
— Só três.
— Três? A loira esperou isso tudo? Eu, no lugar dela e com aquele poder, teria perdido a paciência na primeira ligação. Cara, você precisa dar um tempo. Sua mulher precisa respirar. Você a está sufocando e a enchendo de desconfiança com essa atitude.
— Cuide da sua vida, Stephan. Só passe o telefone para ela. Agora!
Compadeci-me com a voz angustiada dele. Quem dera eu pudesse o ajudar. Era bem capaz da loira, me colocar para fora a ponta pés, se eu tentasse entrar naquele lugar.
— Lamento, chefinho, não posso passar para ela. Estou na porta de uma sala de massagens. Agora, se você não se importar de eu invadir lá, e vê-la nuazinha como veio ao mundo...
Provoquei, só para ver se ele descontraía.
— Brinque com isso e será um homem morto, Stephan. Não me importo, nenhum pouco, se Bella gosta de você. Quebro sua cara, se ousar, espia-la. Aquilo tudo lá é propriedade partícular de Edward Cullen.
— Ah, tá! Vou avisar isso para os tatuados gostosões, sem camisa e de shortinho de lycra, que entraram na sala, logo após Isabella.
Segurei a risada, segundos me separavam de uma explosão.
— Estou indo aí. Mande a localização para o celular do Sam.
Voltei a gargalhar.
— Chefe, é muito fácil te tirar do sério. Se assossegue aí. Só tem mulher nessa porra de lugar. Aliás, se Bree cortar meu “pinto” quando souber onde estou, a culpa será toda sua e de Isabella. Você e ela terão que arcar com todas as despesas hospitalares. E só para te alertar, transplante de “pinto” custa uma fortuna.
Pude ouvir Edward rir alto do outro lado da linha.
Isso!
Distraí-lo também era minha missão. Segundo a rainha Esme, somente Bella e eu conseguíamos essa façanha nestes dias tão incertos.
— Sabe Stephan, estive pensando, Bella me sugeriu, ou melhor, me impôs algo que incluía você e Emmett em uma posição bem privilegiada e próxima aos meus filhos. E na hora, confesso, concordei e pensei: “Deus, essa mulher é “fodona””. Mas agora, que estou recobrando o juízo, acho que terei que enfrenta-la, decepciona-la e persuadi-la. Porque, imagina a influência que dois padrinhos como vocês causariam a meus filhos? Deus do céu, preciso evitar isso enquanto há tempo.
Pela primeira vez, em anos de trabalho junto a Edward, fiquei sem fala. O que ele estava tentando dizer, era... era...
— Eu entendi bem? Você está me convidando para ser padrinho dos seus filhos?
Ele respondeu disfarçando um sorriso na voz. Era a vez dele de brincar e se divertir as minhas custas.
— Era para ser de um, dos meninos, mas estou mudando de ideia, lembra?
— Seu bastardo de uma figa, você não pode me convidar e desconvidar no mesmo dia. Vai de desencontro as regras de boa educação. Seus pais não te ensinaram isso, não? Ou melhor, sua mãe, porque aquele projeto de pai, não conta.
— Esme até tentou, mas acho que isso era função de padrinho. Acho que tio Aro foi meio omisso. Tanto, que não o chamo de padrinho e sim de tio. Viu? Função de padrinho é muito importante. Você não serve. Mas, se é falta de educação convidadar e desconvidar no mesmo dia, amanhã te desconvido formalmente.
— Como assim, eu não sirvo? Serei o melhor dos padrinhos. Sua mulher é uma deusa e tem razão, sou ideal. Para de ser chato!
Edward se divertiu mais com minha pequena explosão. Nem me importei, ele que se danasse, eu teria sim um afilhado príncipe.
Já posso até visualizar a cara de inveja dos meus irmãos ao saberem da novidade.
— Você sabe que um bom padrinho cuida do afilhado, do irmão do afilhado e da mãe deles, não é? Então faça seu trabalho e me conte algo de útil.
Bastardo manipulador!
Atravessei o pequeno espaço que me separava de Bella, disfarçadamente e com muito cuidado, espiei pela janela.
Eu não podia dizer a ele que Bella estava envolta, somente, em um tecido vermelho, com o Brasão do Cullens, e com um ventilador, fazendo seus cabelos, soltos, flutuarem ao vento. Ele surtaria e aparecia aqui em dez minutos.
Porém, eu tinha que dar o braço a torcer, ele tinha mesmo que cuidar do que era dele: Bella era linda!
— “Compadre”...
Provoquei, sem me conter.
— Ela está cochilando, não vou incomoda-la. Está tudo bem. E pode ficar tranquilo, como eu disse, só tem mulher aqui.
Ele respirou alto, aliviado.
— Será que já estão acabando?
Olhei para o outro lado, algumas pessoas já juntavam os aparatos utilizados no ensaio.
— Acho que sim, o sol já esta se pondo. Creio que não demorarão a fechar.
— Certo, estou indo para aí.
— Não! Quê? Edward, vou leva-la para casa. Fica calmo.
Merda! O cara sabia demais me ludibriar. Se ele chegasse aqui de repente Rósalie me mataria.
— Stephan, já estou no estacionamento do escritório. Passei o dia sem minha mulher, não vou perder nem mais um minuto. Adeus!
Desligou na minha cara.
Passei segundos olhando para o aparelho, pensando em como ele era petulante, possessivo, obesessivo e loucamente apaixonado.
Sem alternativa, bati na porta. E fui atendido por uma das assistentes da fotógrafa que, aliás, assinou, sem maiores problemas, o termo de confidencialidade de informação e divulgação das fotos.
Quanto a isso estávamos resguardados, nada daquilo sairia na imprensa.
— Ah, Bella! Ficaram lindas. Vamos fazer mais algumas à meia luz, sem o tecido e...
Bella fez careta e achei que era a hora certa de parar a “irmã má da Branca de Neve”, se bem que, Alice se encaixava melhor nesse papel.
Aliás, a Branca de Neve tinha irmãs? Tenho que me lembrar de conferir isso. Um bom padrinho deve saber histórias para contar ao afilhado.
Mas, pensando bem... Acho melhor comprar uma coleção de Quadrinhos da Marvel. Meu menino não seria desses de gostar de contos de fadas.
Enfim, parei de divagar, antes que Edward chegasse e estragasse a surpresa e eu morresse escalpelado e...
— Princesa, lamento te informar, mas seu momento de liberdade acabou. Edward está vindo para cá. Se não quiserem que ele invada e descubra tudo é melhor pararem agora, lamento.
Não entendi, Bella sorriu o sorriso mais amável do mundo para mim. Como se eu tivesse livrando-a de um marítimo.
Era louca essa mulher, certeza.
— Ok, Stephan. Obrigada! Nós já acabamos aqui. Vou encontrá-lo na saída. Quero ir para casa. Estou cansada.
Não era uma mentira, ela estava cansanda. Os pés estavam inchados e os lábios pareciam um pouco sem cor.
Foi aí que entendi a expressão dela, Bella estava odiando fazer aquilo. Creio que se Rosie não tivesse a convencido de que seria “o presente” para Edward ela não teria se prestado a isso.
— Até que você o segurou muito, Stephan. Ainda tinha mil ideias para essas fotos, mas, antes pouco do que nada, não é?
Bella, sem a loira ver, torceu o nariz para aquilo.
— Tudo bem, leve seu tempo para se ajeitar, te espero aqui fora.
Ela sorriu lindamente para mim.
Como tratar uma pessoa dessas como patroa?
— Já vou.
Dei-lhes liberdade, sai, fechei a porta e me posicionei do lado de fora.
Minha equipe estava a postos me olhando com atenção, a um sinal meu, todos estariam prontos para defender Bella a qualquer custo. E não era só pelo que recebiam em troca. Edward e ela, eram bons demais com todos.
Ângelus terá uma sorte danada de tê-los como reis.
Edward
Sam parou o carro bem de frente ao portão e quando estava pronto para se identificar e entrarmos, o Land Rover de Bella apareceu em nosso campo de visão, bem de frente ao portão também, pronto para sair.
— Vou com ela. Dê ré, Sam.
Sem esperar por resposta, saí do carro. Ele deu ré, e o portão, de acesso, foi aberto para que Stephan saísse.
— Oh, saudade malvada!
Dei um murrinho em seu braço divertido e, agora, em paz.
Ele não estava mentindo. E eu não o julgaria por aquilo, não naquele dia. Ele tinha feito um excelente trabalho.
— Abra.
Concordando, destravou as portas traseiras do carro.
— Oi.
Entrei e fechei a porta atrás de mim, sem esperar por convite.
— Oi. Como foi o seu dia?
— Ruim, sem vocês.
Sem conseguir mais me segurar, toquei seus cabelos com posse, e puxei sua cabeça para perto.
Sua boca, na minha, foi meu próximo ato.
Eu estava sedento.
Stephan colocou o carro em movimento.
— Você está linda. O cheiro então... Tomou banho agora?
— Dia no SPA tem suas vantagens.
Gracejou matreira, voltando a me encher de beijinhos salpicados de boca aberta.
Ela também sentira minha falta.
— Eu trouxe uma coisa.
Estendi a ela o copo com o Milk-Shake de sua preferência.
— Da Starbucks ali da esquina. Está geladinho e com Ovomaltine em dobro, como você gosta.
Os dela brilharam quando lhe entreguei o copo.
Era fácil demais agradar uma criança.
— Humm! Obrigada, eu estava com sede e faminta. Você adivinhou.
Levantei uma sobrancelha e encarei Stephan pelo retrovisor do interior do carro.
Ele somente deu de ombros e abriu um sorriso cínico.
— Humm, delícia.
Gemeu e lambeu os lábios, depois levou o canudinho à boca e sugou com os olhos fechados, levando-me imediatamente a um “estado de dureza” igual a do homem de ferro.
Bandida!
— Não faça isso, princesa. Ou não respondo por mim.
Ele fingiu que não me ouviu e continuou a provocar.
Danada! Quando chegássemos em casa, eu arrancaria aquelas roupas, a levantaria na parede, prenderia suas mãos com abraçadeiras e...
Ai, ai, ai... Nada disso, bonitão. Lembre-se do maldito conselho de Ângela: “Sexo nesse período é um pouquinho mais complicado. Peço que tenham cuidado, façam as coisas devagar e deixem as extravagâncias para depois do resguardo. Bella estará mais sensível e mais dolorida. Ache uma posição que a agrade”.
E essa posição era, ou ela de lado em conchinha, ou de costas comigo de joelhos entre suas pernas. Definitivamente, não eram as minhas preferidas. Eu odiava a falta dos abraços, dos olhares, do contato amoroso.
Fui alertado por minha consciência e obrigado a cheirar seus cabelos e respirar fundo, para me acalmar.
Faltava pouco. E se ela estava passando por uma gravidez gemelar, sem reclamar, eu também teria que me privar de alguma coisa e aguentar como homem que sou.
— Ah patrão! O que posso fazer se Bella se diz com fome toda vez que é indagada sobre isso?
Olhei para ela, com medo, de que a conotação da brincadeira a atingisse errado, minando dúvidas em sua autoestima quanto a sua aparência e peso.
Ledo engano, graças a Deus! Bella sorria e se deliciava com a bebida gelada de sorvete e chocolate, como se Stephan nem tivesse falado com ela.
— Sua missão inclui alimentar meus filhos. Então, não reclame.
Zafrina, ao seu lado, sorriu, mas se manteve quieta e discreta.
— Ei Bellinha, até que enfim ouviu a voz da razão e resolver presentear seu filhote com um padrinho lindão como eu, não é? Prometo-te que ensinarei muitas coisas boas ao garoto.
Aproveitando que o sinal estava fechado, virou-se para trás, brincou e piscou para ela.
— Contou a ele?
Meneei a cabeça em concordância.
— Claro que ele contou. Seu marido não sabe se segurar quando o assunto sou eu. Ele me ama também. Mas, voltando ao assunto principal, você não vai se arrepender em me escolher, Bellinha.
Bella deitou cabeça em meu ombro, relaxada e fazendo barulho ao sugar o restinho de sua bebida.
— Espero mesmo, Stephan. Seja bonzinho de agora para frente, porque você não imagina as armas que tive que usar para convencer meu marido de que você e Bree eram os certos.
— Bree era a certa, já você...
Zombei... ele merecia por me irritar todos os dias.
Embasbacado, ele voltou a nos encarar quando outro sinal fechou.
— Bree também?
Nem atentou para minha provocação.
— Lógico! Tenho fé que ela coloque juízo em sua cabeça. E você sabe, não é? Padrinhos casados dão os melhores conselhos.
Foi a vez dela, piscar para ele, que, de tão aturdido, nem percebeu que já estávamos autorizados a ir. Só quando Sam buzinou do carro detrás foi que se tocou.
— Uma secretária e um segurança. Vocês estão preparados para as críticas do mundo e, principalmente, de Alice e seu pai?
Peguei o copo vazio, da mão de Bella, e coloquei no console, a nossa frente. Limpei sua mão com o lenço do meu bolso e puxei-a para minha boca beijando seus dedos e sentindo o gosto doce da bebida.
Deliciosa!
— Não. Não convidamos uma secretária e um segurança para padrinhos. Convidamos o melhor amigo de Edward e minha melhor amiga. Quer padrinhos melhores? E, pelo que me lembre, não devemos satisfações a Alice e a Carlisle. Você deve, amor?
— Nem obrigação sem satisfação.
Poderei.
Esse era um dos motivos do porque de eu a amar tanto. Bella era uma mina de bondade, altruísmo e respeito pelo próximo.
— Obrigado!
Stephan agradeceu. E por instantes, antes que ele tossisse e disfarçasse, olhando para o lado, vi seus olhos marejados.
Olhei para ela e toquei seu rosto docemente, ela sempre estava certa.
— Te amo!
Cochichei.
Ela pegou minha mão e colocou por cima da protuberância, que neste momento, se movimentava bem de leve.
— Nós também te amamos.
— Estão se mexendo?
Zafrina perguntou. Bella aquiesceu.
— Também quero sentir. Tenho direitos de padrinho e vou começar a exigi-los com mais frequência.
Stephan, passado a emoção, chantageou já voltando a seu estado de humor habitual.
— Nem vem! Edward os agradou com Milk Shake, siga o exemplo dele e talvez possamos negociar.
— Ah, Isabella, não seja ingrata. E as “croissants sagradas, com café preto” da padaria da esquina, de todos os dias de manhã?
— Por que você acha que Bree já os sentiu? Ela traz meu café todos os dias, não você. Seja mais criativo, meu amigo.
Stephan abriu a boca, fingindo espanto para as palavras dela.
— Então, podemos falar de nomes agora? Ainda tenho minhas ideias e isso também é direito de padrinho, não é?
— Vai sonhando!
O empurrei de leve.
— Aproveitou o tempo com nossa família e decidiram sobre a decoração? Precisamos acelerar isso, princesa.
Precionei já pensando que se os meninos adiantassem demais, não teriam onde dormir, porque ela ainda estava num impasse. E por isso, todos os móveis do quarto que, aliás, de início seria um só para os dois, estavam ainda embalados.
— Não tem jeito, Edward. Bem que você poderia me ajudar.
— Não entendo nada de decoração, princesa. Ficará a deu gosto essas coisas.
Os ombros dela caíram e uma carranca de contrariedade tomou a face de porcelana que eu amava mais do que tudo.
— Não precisa entender, só precisa me ajudar. Sua mãe, mamãe e Rosie insistem nas tais três coroas douradas para os bordados dos kits de berços, que, segundo elas, por “questão de vida ou morte”, precisa ser pastel. No papel de parede, não abrem mão de um tom de dourado abaixo com mais coroas.
Levantei a sobrancelha ao imaginar como aquilo ofuscaria em um dia ensolarado.
— Tá, isso é a opinião delas. E a sua?
— Ah, Edward, não sei. Imaginei o quarto num azul, bem clarinho, quase como o das águas da lagoa lá da fazenda. O papel de parede, poderia ser de cavalos marinhos e peixinhos e nos kits de berços, me encantei com um de ursinhos marinheiros e âncoras, que vimos naquela loja onde encomendamos a maior parte das roupinhas. Quero que nossos filhos sejam crianças normais. Eles não precisam, desde pequenos, de algo que os lembre, a todo momento, do que os espera.
— Então serão ursinhos marinheiros, princesa. São nossos filhos, nos decidiremos o que é melhor para eles.
— Não, amor. Não podemos decidir assim, sua mãe...
— Minha mãe teve três oportunidades de decorar os quartos dos filhos dela. Agora é nossa vez. Não se preocupe em desaponta-la. Ela supera.
— Talvez, se colocasse coroas nos ursinhos marinheiros, elas não se chateassem tanto.
Stephan, voltou a intervir e só nos restou, gargalhamos outra vez.
E assim com leveza e brincadeiras nem percebemos que já estávamos em nossa propriedade.
Tudo voltava ao normal, à órbita girava certa com ela em meus braços. Imprensa, terroristas, inseguranças, pressentimentos, nada me atingia quando meu mundo, minha vida, meus bens preciosos estavam presos em meus braços.
Fácil resolução. Difícil missão.
Algo, bem distante, em meu íntimo me alertava de que eu não poderia aprisionar Bella em casa, ou ao meu lado para sempre.
E essa certeza me amedrontou.
O que eu faria?
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