Três Príncipes, Três Princesas
73 Minha vida não passa de uma mentira
Notas iniciais
Edward
Depois de nossa parada estratégica, graças a Stephan, para lanchar, não demorou muito para que chegássemos a nosso destino.
Assim que o carro parou, Charlote veio a nosso encontro para informar que éramos aguardados, por todos, no escritório de papai.
Já imaginava um jeito de despistar Bella para pedir a Chay um favor, quando minha esposa pediu para que esperássemos um minutinho porque ela precisava usar o banheiro.
Foi a minha deixa...
— Chay, por favor, leve até nós, dois copos de água e coloque cinco gotas disso em cada um. E seja discreta, é um segredo.
Ela acenou em concordância e guardou o frasco do remédio no bolso do casaco, sumindo, imediatamente, para a cozinha.
— Estou pronta.
— Ok. Vamos lá. Stephan, nos acompanhe, por favor.
Fechei a mão de Bella na minha, guiando-a e ao mesmo tempo usando-a como sustentação para me manter são. Eu não sabia o que esperar daquela situação que nos aguardava.
— Edward?
— Oi?
Ela parou forçando assim meu corpo e minha atenção para ela.
Já estávamos na porta do escritório.
— Que foi?
Peguei seu rosto, delicado, entre minhas mãos.
— Promete para mim que, seja qual for o teor dessa conversa, não afetará nosso casamento? Por favor?
Angustiado por Carlisle estar estragando nosso momento, deslizei uma mão por seu cabelo, desci a outra para nosso meio, mais precisamente para o ventre avolumado e por fim, encostei minha testa na dela.
— Não precisa ficar com medo, minha vida. Te dou minha palavra. Nada, nem ninguém vai, se quer, ameaçar o que conquistamos.
“A duras penas”, eu quis acrescentar.
Em meu íntimo ainda não acreditava que havia sido perdoado tantas vezes. Bella era demais, isso era fato.
— Nosso casamento está a salvo. Garanto a você e a nossos filhos. Nada nos afetará.
Acariciei meus garotos e beijei a testa dela, selando minha palavra.
— Agora vamos acabar com isso de uma vez, porque tem uma comemoração nos esperando em nosso quarto.
Hum... Malvada!
Porém...
— Só mais um minuto...
Soltei-a um pouquinho e a encarei com intensidade.
— Princesa, Jasper está aí dentro e...
— Edward...
— Não! Espere, Bella! Deixe-me falar, por favor.
Fui categórico, não rude. Eu precisava que ela entendesse e cooperasse, mas que não sentisse como se minha palavra fosse uma imposição.
Eu era seu marido, não seu dono.
— Ok. Pode falar.
Isso!
Comemorei em meu íntimo.
— Jasper está aí dentro e não sei qual será a reação dele perante o que for revelado. Por isso, quero que acompanhe Stephan ao menor sinal de descontrole. Não permitirei, que ele ou qualquer outro, coloque a sua vida ou de nossos filhos em risco. Prometa-me que fará o que Stephan disser, sem protelar.
Bella me devolveu o olhar intenso. Ela me entendia, claro que entendia. Agora entendia.
— Tudo bem. Eu farei.
Toda conciliadora e meiga, ela apertou os dedos em meus cabelos e encostou os lábios nos meus num beijo delicado e rápido.
— Agora vamos lá.
— Vamos.
Levantei a cabeça e troquei um olhar significativo com nosso amigo e segurança. Palavras não eram necessárias. Ele sabia que Bella era prioridade ali.
Abri a porta e deixei que ela passasse primeiro. Silenciando, imediatamente, o lugar.
— Graças a Deus!
Esme respirou aliviada assim que nos viu.
O que ela estava pensando, que havíamos fugido?
— Oh, minha querida! Parabéns!
Vovó Elizabeth, sempre tão contida, não foi capaz de resistir e envolveu Bella nos braços.
— Obrigada, minha rainha.
Também fui puxado para o abraço.
— Eu que agradeço, meus filhos. Vocês não tem noção do presente que me deram.
Eu já ia perguntar do que ela estava falando quando papai não resisitiu a tanta felicidade e se pronunciou.
— Mamãe!
— Ora, cale-se Carlisle! Esse assunto é entre eles e eu.
Abri um leve sorriso e beijei a testa dela como num agradecimento por conter Carlisle.
— É tão bom tê-la aqui, vovó.
— Espero que pense assim até o fim dessa reunião, querido. Eu espero mesmo. Agora vamos. Sentem-se ali. Quanto antes terminarmos com isso, melhor. Quero saber tudo sobre meus bisnetos.
Alisou o ventre de Bella.
— Aqui.
Charlie chamou nossa atenção batendo, com a mão, numa das duas cadeiras a seu lado.
Fomos para lá.
Bella se sentou ao lado do pai. Passei por eles e me postei, de pé, atrás dela. Minhas mãos, automaticamente, encontraram caminho dos ombros dela e passaram a massageá-los circularmente, bem devagar, quase como numa carícia. Aquilo a relaxava.
— Alice, sente-se aqui.
Chamei por minha cunhada que estava do outro lado, perto demais de Jasper.
Seria mais fácil proteger as duas se elas estivessem perto uma da outra.
Alice não titubeou e logo atendeu meu pedido.
Pude sentir, sem nem mesmo olhar, a exasperação e sofrimento que Jasper demonstrava.
Dane-se! Ele merecia.
— Stephan, você pode sair agora. Isso aqui é uma reunião de família e...
— Ele fica!
Cortei Carlisle, não dando chance para discussões.
Stephan atravessou a sala e se encostou à parede atrás de nós. Ali ele estava perto o bastante e também teria uma visão privilegiada.
— Carlisle, dê início à reunião.
— Ainda não, vovó.
Nesse exato instante, como se soubesse que era aguardada, Charlote entrou com uma bandeja na mão e foi logo ao encontro de Bella e Alice.
— O que é isso?
As duas perguntaram em uníssono.
— É só água. Eu pedi, para que assim que Bella chegasse, servissem um copo a cada uma de vocês. Precisam se hidratar e é ótimo para acalmar os ânimos e os bebês. Bebam!
Ângela, que permanecia quietinha ao lado de Renée, me ajudou. Nem precisei convencê-las, era só falar nos bebês.
— Agora podem começar.
Instrui quando Chay saiu.
Vários suspiros foram proclamados de todos os cantos da sala e foi só então que observei a tudo com mais atenção.
Tio Eleazar e tio Aro estavam ao lado de vovó.
Papai, em sua cadeia, protegido pela mesa que o separava dos demais, com Esme, de pé, ao seu lado.
O restante, das duas famílias, estavam dispersos pelo lugar.
Não me passou despercebido que Jasper e Emmett estavam lado a lado. Eu só não sabia o que pensar sobre aquilo. Se era uma estratégia de Emm para contê-lo se precisasse. Ou se já estavam “todos amiguinhos” outra vez.
Trinquei os dentes perante a última possibilidade.
Será que só eu o via como ele era, de verdade?
— Bom, como todos já sabem, Edward e Bella receberam hoje a notícia de que serão pais de dois meninos...
Instintivamente, Charlie e eu sorrimos.
Não que eu tivesse preferência por meninos, claro que não. Em algum momento teria que convencer Bella e engravidar de novo para tentarmos uma menininha.
Porém, dois meninos, eram a melhor solução e apoio que um marido e pai de garotas bonitas precisavam.
— ...E essa informação nos traz aqui para esclarecermos e informá-los de algumas coisas.
— Rá! Eu não sei se queremos saber dos segredos sujos dessa família. Hoje é um dia de festa, pelo menos para mim e minha esposa.
— Edward, fique quieto, filho. É um assunto importante. Sua vez de falar chegará e prometemos que sanaremos todas as suas dúvidas. Agora tenha paciência e escute sem interrupções, por favor.
Quis continuar a argumentar, porém Esme era Esme. Calou-me com classe e educação.
— Obrigado, querida!
O rei beijou a mão dela antes de dar prosseguimento a seu discurso.
— Nossa família está no trono de Ângelus há mais de 400 anos. Desde que nosso ancestral Antony Cullen liderou um exército de rebeldes contra um rei inescrupuloso e impiedoso...
Ótimo! Era uma boa hora para uma aula de história.
— ...E desde essa época temos criado leis, seguido costumes, aprimorado técnicas e mantido tradições para que os Cullen nunca percam o poderio sobre nosso reinado. E é por isso, que estamos aqui hoje, para que eu, o rei regente, possa informar a meus herdeiros o nosso maior segredo de sucesso.
Meus pelos se arrepiaram.
Emmett, Jasper e eu nos olhamos.
Era óbvio que sabíamos da existência desse “tal segredo”, mas nunca lhe demos muita importância. Parecia fantasioso demais. E toda vez que o questionávamos éramos dissuadidos ou até mesmo repreendidos por tanta especulação.
Com o tempo aprendemos a deixar o assunto de lado.
— ...Os Cullen’s são guerreiros e homens fortes que lutam por seus interesses e de seu povo sem medir esforços. Sem pensar em ninguém mais, sem colocar os seus em risco, sem perder o que conquistamos.
Carlisle se levantou, mas continuou atrás da mesa. Os olhos iam de mim a meus irmãos enquanto, fervorosamente discorria.
— ...Mas, nem sempre foi assim. No início de nosso reinado, nossos antepassados foram ameaçados e atacados de mais maneiras do que podem imaginar.
— Não acredito que ele nos trouxe aqui para falar sobre o orgulho de ser Cullen. Posso esmurrá-lo? Está passando um jogão na TV e estamos perdendo. Preciso começar, desde já, a ensinar meus netos a gostarem de futebol.
— Pai!
— Shiii! Quietos! Tem gente tentando ouvir aqui.
Charlie e Bella cochichavam atraindo meu sorriso e a gargalhada baixa de Stephan.
Meu sogro era impossível e seria um avô incrível.
Contudo, Alice nos repreendeu e acabou com a graça. Como sempre, uma chata.
— ...Porém, vencemos todas. Um Cullen nunca perdeu uma guerra. E isso é fenomenal pois, nos rendeu aliados fortes e nos tornou temidos e respeitados.
Carlisle olhou para Charlie que assentiu em consentimento.
— Contudo, também forçou nossos inimigos a serem mais espertos e mudar as estratagemas. E foi numa dessas que quase fomos pegos.
Respirou fundo antes de prosseguir.
— O terceiro rei de Cullen de nome Harryson só teve um filho, na verdade, uma filha, Maxine. Pelos nossos registros, uma joia preciosa de beleza, pureza e bondade. O que não passou despercebido pelos lordes da época e logo, com apenas 14 anos, sua mão fora prometida ao príncipe Carter Volturi.
— Como?
Sem me conter indaguei, segurando os ombros de Bella com um pouco mais de exagero.
— Volturi? De Volterra?
— Edward, não me interrompa, senão...
— Responda o garoto.
Charlie ordenou. Era evidente que ele também havia assimilado os nomes com os terroristas que nos ameaçavam.
— Sim, fiho. Estamos falando dos mesmos Volturi’s.
— Droga, pai! O senhor não podia ter escondido uma informação assim e...
— Não! Parem! Sei que é uma notícia bombástica e vamos voltar a falar disso em breve, eu prometo, mas não hoje. o foco aqui é outro. Deixe que seu pai termine. O momento crucial está chegando.
Vovó me silenciou. Porém eu voltaria aquele assunto. Ah, se voltaria.
— Obrigado, minha rainha! Como eu ia dizendo, logo a princesa Maxine e Carter estavam noivos e tudo parecia perfeito. O povo amava a herdeira do trono e ansiavam que ela se casasse logo para que eles pudessem ter um novo rei também. Porém, o escolhido, apesar de um cavalheiro com a princesa e sua família, não se importava nem fazia questão de cativar os conselheiros, servos e o povo de Ângelus. Fato esse que incomodou demais o pai da princesa que então passou a observá-lo com mais atenção. E, obviamente, não gostou nada do que percebeu. O príncipe era arrogante, prepotente e cruel. Nada bom e apropriado para um futuro rei, mesmo naquela época...
Voltei minha atenção para Jasper me esforçando muito para não gritar: “- Escute bem, babaca”.
— ...Por isso, tomou atitudes drásticas. Mandou dois de seus homens de maior confiança para que se infiltrassem no reino de Volterra e descobrissem tudo que pudessem sobre a família Volturi.
A sala estava em completo silêncio. Papai parecia até um contador profissional de histórias.
Como eu disse, fantasioso demais.
— Meses depois quando retornaram, os servos estavam bestificados e amedrontados, pois descobriram que o príncipe, na verdade, não amava a princesa. O casamento nada mais era que um plano para retirar o poderio de nossa família.
— Como assim?
Alice perguntou fazendo assim com que Carlisle voltasse os olhos para ela.
— Ah, querida Alice! O príncipe, juntamente com o pai, planejaram tudo. Carter se casaria com Maxine, a engravidaria, daria seu sobrenome e assinatura ao bebê e dias depois do nascimento mataria a esposa. Tornando seu filho, o único herdeiro e dono do trono de Ângelus. O que obviamente, o faria seu tutor e rei interino até que a criança completasse idade necessária para governar, porque matar o pai de Maxine, o atual rei, também fazia parte dos planos. E aí enquanto o pequeno herdeiro crescia, Carter e o pai fariam uma “lavagem cerebral” nele e então... Adeus, Cullen’s! Adeus, Ângelus!
— Mas isso não chegou a acontecer. Chegou?
Ele não respondeu imediatamente.
Dramaticamente, passou os olhos por todos que ali estavam, para depois prosseguir.
— Não, não aconteceu. Depois de toda descoberta o rei Harryson mandou executar o príncipe Carter, comandou os exércitos numa batalha épica e sangrenta em Volterra, capturou e executou o rei e agregou aquelas terras a nossas, tornando assim Volterra como parte do reino de Ângelus.
Voltei a apertar Bella pelos ombros. Uma sensação, que eu andava sentindo há algum tempo, fez os pelos de minha nuca se arrepiarem e minhas mãos tremerem.
Era possível que os terroristas eram alimentados pelo rancor dessa história até hoje?
Eu precisava falar com Jas..., quero dizer, falar com Emmett. Era isso, eu precisava falar com Emmett sobre aquele assunto.
— Ok, pai. Ótimo saber mais sobre nossos antepassados, mas, creio que o senhor tenha nos contado tudo isso por um motivo. Então, prossiga, por favor.
Pedi para que continuasse.
De repente uma urgência em levar Bella para casa começou a me assolar.
— Você está certo, Edward. contei-lhes essa história para justificar que foi a partir desse fato que nos tornamos um povo mais criterioso e desconfiado. Por isso, criamos regras, que se tornaram tradições e que são seguidas até a atualidade, a fim de proteger nossa família e, principalmente, nosso povo de toda e qualquer ameaça. E agora chegou o momento de tomarem conhecimento delas.
Era agora.
A tensão entre vovó, papai e mamãe era palpável.
Jasper, surpreendentemente, permanecia de cabeça baixa. Era como se ele já soubesse daquilo tudo.
— E que tais regras são essas? Pare de mistério, pai.
— São regras básicas, mas essenciais para o bom andamento do reino, Emmett. Tais como: O príncipe herdeiro e sua família, obrigatoriamente, residirão em Ângelus, mais precisamente em Ângeles. Os herdeiros ao trono, sem exceção, terão educação e treinamento militar. Não é aceitável que o rei e seus herdeiros tenham casos extraconjugais. E assim por diante. Elas são uma porção, vocês receberão uma cópia delas logo. Apesar de, sua mãe e eu já garantirmos de que vocês cumpririam a maior parte delas, o restante agora é com vocês.
— Irmão, você está protelando. Vá direto ao que nos trouxe aqui.
Carlisle voltou a ficar calado por alguns segundos. Ele parecia relutante. Era mais como se vovó, mamãe, sei lá, as circunstancias o obrigassem a seguir com aquela baboseira.
— Eleazar tem razão. Fiz questão de vocês seis aqui hoje, porque descobrimos que Edward e Bella terão filhos, mais especificamente, homens. Isso muda tudo e automaticamente colocará Edward como o primeiro na linha de sucessão ao reino.
— O quê?
— Como?
— Por que?
— Ah, meu Deus!
As reações vieram de todas partes: Alice, Renée, Rosie e Emmett. Porém a mais surpreendente, veio de Charlie.
Antes de Carlisle terminar de falar ele já estava de pé e, ameaçadoramente, apontava o dedo para papai.
— Seu bastardo, filho de uma mãe. Eu lhe mandava relatórios constantes das meninas. Você sabia que muitas vezes negligenciei Bella e sua educação porque ela não seria rainha. Maldito! Eu deixei que minha filha se matasse de estudar num curso que exigia demais dela, simplesmente porque ela queria provar que era boa em alguma coisa, já que não seria rainha. Eu vou matar você.
Afaguei os ombros de Bella quando ela encostou a cabeça no encosto da cadeira e fechou os olhos.
Droga! Eles estavam estragando nosso dia.
Não estávamos entendendo nada.
Charlie, furioso, deu dois passos para mais perto de Carlisle.
— São as regras, Charlie. Eu não poderia contar até que um dos meninos tivessem filhos homens. E além do mais, eu nunca pedi que Bella tivesse uma educação diferente. Emmett, Jasper e Edward tiveram as mesmas chances. Mesmo que acreditassem que somente os dois mais velhos seriam reis.
— “As favas” com suas regras. Eu vou...
— Charlie, por favor, se acalme.
— Cale-se, Renée. Olha o que está fazendo? Está defendendo eles e essas burrices que estão dizendo para justificar suas loucuras. Estou falando do que fiz com nossa filha, por culpa deles. Não os defenda, mulher!
— Não estou defendendo-os, meu rei. Estou tão indignada quanto vocês. Mas, olhe para trás. Vocês estão assustando as meninas.
Sem pensar duas vezes, Charlie se virou para Bella e Alice.
Minha esposa continuava de olhos fechados. Já Alice respirava com força e parecia alarmada.
— Doutora Weber...
Ao chamado de mamãe, Ângela veio para perto de nós, se abaixou perto das irmãs Swan´s e começou a cochichar com as duas, enquanto esfregava os pulsos de Alice com movimentos circulares.
Charlie fechou as mãos em punho, engoliu a raiva, temporariamente, e voltou a se sentar perto das filhas.
Ficou evidente que ele e Carlisle conversariam a sós mais tarde.
— Pai, espere um minuto. Todos estão tentando entender aqui. O senhor está dizendo que Edward, o mais novo de nós, será o próximo rei de Ângelus? Como explicaremos isso?
Vovó, vendo que Carlisle falar só causaria mais tumulto, se antecipou e respondeu Emmett.
— O caso de Edward é exatamente igual o de seu pai, Aro e Eleazar. Que, teoricamente, são os mais velhos e primeiros na linha de sucessão. Porém, Jane e Irina não selaram essa teoria. E aí veio você, querido, e jogou todas as preferências de seu avô por “água abaixo”.
— Exatamente como nós.
Pronunciei-me, pela primeira vez. Vovó acenou em concordância.
Agora eu entendia a fala inicial dela. A rainha nunca concordou com as ideias de Jasper.
— Volto a insistir, como vocês justificaram que papai seria rei?
Vovó continuou a falar.
Emm parecia mais feliz e curioso do que indignado.
O que estava havendo com eles?
— Com Aro as circunstâncias nos ajudaram. Jane nasceu prematura e precisou de cuidados médicos até os cinco anos de idade. Ele renunciou a coroa para se dedicar a família. Aliás, foi daí que veio o interesse dele pelo hospital. Já com Eleazar não ouve desculpas, ele foi obrigado o renunciar. E dissemos que foi porque não achava que ser rei era sua vocação.
— O que não poderemos falar dessa vez. Porque todo mundo sabe que Jasper seria capaz de qualquer coisa por esse título.
Jasper, que até o momento, se mantinha de cabeça baixa, se ajeitou e me olhou com intensidade. Eu podia ler muitos sentimentos perpassando por ele, o mais visível, porém, era ... arrependimento?
Ótimo!
— Ah, Deus! É isso! Ele sabia. Jasper sabia dessa tradição, regra, sei lá, chamem como quiser. Só sei que Jasper sabia. Por isso mudou de ideia quanto ao divórcio. Ele estava disposto a brigar com Edward por Bella, mas aí Carlisle e ele tiveram uma conversa e ele mudou totalmente. Ficou algum tempo agradável e depois passou a me pressionar por um bebê. Depois foi a vez de querer saber o sexo e quando descobrimos que era uma menina tudo veio abaixo. Era por isso, Deus! Era por isso que ele não queria uma menina. Uma menina não garante o reino, porque uma menina não dará aos filhos dela sua assinatura. Isso é lei aqui também, não é?
Papai e vovó assentiram.
Alice se afastou de Ângela e se colocou de pé. Ela sim estava indignada.
— Não pode ser! Eu me preparei a vida inteira para isso. Aprendi cada maldita etiqueta. Infernizei a vida de Bella. Fui mesquinha e fútil para agora vocês dizerem que ela será a rainha? Eu não aceito isso. Entenderam? Não aceito. Se virem. Deem um jeito ou eu vou à imprensa mundial e detono vocês. Conto ao mundo sobre como o reino de Ângelus é machista e preconceituoso com suas mulheres. Eu não me submeterei a Isabella. Nunca!
Dito isso, uma Alice surtada, saiu da sala correndo. A mãe e Rósalie foram atrás dela.
Stephan se aproximou de nós.
— Ângela...
— Não saio daqui. Elas podem ajuda-la. Sou sua médica.
Uma lágrima escorreu pelo rosto de minha princesa. Amaldiçoei Alice e sua arrogância.
— Estou bem. Papai e Edward cuidarão de mim. Vá até ela. Ou então eu irei.
Inclinei-me e toquei Ângela no ombro.
— Vá, por favor. Eu te chamo se precisarmos.
Ela se colocou de pé e me encarou. Não precisei falar outra vez.
Eu não queria Bella perto de Alice naquele momento.
— A respiração dela, fique de olho. Não deixe que se altere. Vou ver Alice e já volto.
Quando saiu, foi minha vez de colocar tudo para fora.
— Vocês só podem estar brincando conosco. Isso é insano, pai. Como assim serei rei, se minha vida inteira foi baseada em você ensinar Jasper e Emmett a governar?
— Não me acuse disso. Eu dei aos três a mesma educação. Todos estão preparados igualmente.
— Ah, não se engane, papai. Todo mundo nessa casa sabe que Emm não era seu preferido, porque para ele estava reservado o reino de Forkian. Agora Jasper, ele sempre esteve ao seu lado. Todas as vezes que precisou se ausentar ele o substituiu, quando você sabia que existia a possibilidade do rei ser eu?
Carlisle passou as mãos pelos cabelos com força. O nervoso tomava conta da situação.
— Eu não podia levantar dúvidas. Você já tinha sua mãe e sua avó com suas preferências. Eu precisava cuidar de Jasper, eu não o preferi. Filho, eu os amo por igual.
— Você precisava cuidar de nos dois. Minha vida fora baseada numa mentira, para agora o senhor jogar um reino em nosso colo.
Sai detrás de Bella e me posicionei de frente a eles. Somente a mesa nos separava.
— Edward, você está se alterando. Calma, querido. Seu pai não podia falar nada. Nisso eu tenho que defendê-lo.
— Mas, ele falou, vovó. Contou a Jasper. Deu-lhe uma vantagem para agora vir dizer que nunca o preferiu? Está estampado que ele não está feliz com isso. Nem disfarçar ele consegue. A senhora sabia que ele nem nos parabenizou pelos meninos?
Vovó se virou para o filho com indignação e surpresa.
Ele porém, a ignorou.
— Você está parecendo um garoto resmungão. Agradeça o presente e acabe com isso para então podermos comemorararmos os meus netos.
— Presente? Presente? Pelo que eu entendi o senhor está sendo obrigado a fazer isso.
— Ora, seu insolente. Cale-se e...
Cansado de meus ataques, Carlisle bateu, violentamente a mão na mesa e levantou a voz.
— Você é um garoto mimado, sempre foi. Esme o estragou e agora terá que aprender a ser rei. Sempre preferi Jasper sim, porque ele é forte. Se parece comigo. Não se deixa dominar por uma mulher e sabe, muito bem, que pelo reino fazemos qualquer coisa. Dei-lhe uma vantagem e não me arrependo. E faria de novo, pois...
— Ora, seu...
Debrucei-me sobre a mesa e agarrei-o pelo colarinho. O sacudi como um boneco e fechei a mão para esmurrá-lo.
Porém fui chamado por quase todos na sala.
Não me importei. Eu não teria parado, juro que não teria.
Porém, o toque de Bella em minhas costas e a voz chorosa me fizeram refrear.
Ela era prioridade.
— Edward? Por favor, vamos para casa. Estou tão cansada! Entregue isso para Jasper, ele e seu pai sempre quiseram. Não precisamos que nossos filhos se matem no futuro por causa de um título. Nós não precisamos disso. Vamos embora, vamos viver nossa vida. Desista disso, por favor.
— Querida... Se acalme. Não chore, por favor....
Esme atravessou a sala, se aproximou de nós e passou a esfregar as costas de Bella. Acalmando-a.
Charlie também veio para perto. Os olhos dele fuzilavam papai.
Respirei fundo, me virei e segurei Bella em meus braços.
— Vocês vão para casa conosco, agora. Não precisam levar nada. Não precisam de nada daqui. Carlisle que pegue esse reino e enfie no...
— Eles não podem.
Jasper se pronunciou pela primeira vez. Atraindo toda atenção para si.
— Também é uma das regras. Edward não tem escolha, não pode desistir, nem abdicar do reino. É sua obrigação para com seu povo. Se tentar desistir do trono será cassado e juntamente com sua família, executado por traição. E Não duvido que façam cumprir essa regra já que somos um povo arraigado em tradições.
Bella choramingou.
Carlisle ficou quieto.
Emmett colocou a mão por sobre o ombro de Jasper o incentivando a continuar a falar.
— Você será um bom rei, irmão. O melhor. Aceite a coroa e provará a nosso pai que não se precisa de treinamento quando se tem o dom. Será um bom rei e um ótimo pai, desempenhará os dois papeis e provará a todos que isso sim é possível, que só Carlisle não conseguiu, porque nosso sogro soube como fazer e você saberá também. E não tema o futuro de seus filhos, Bella. Eles serão criados por vocês. Vejo somente duas opções para o futuro deles, se sairão melhor do que nós quando ficarem sabendo quem será o rei, ou então encontrarão uma maneira de burlar e mudar o sistema porque serão uma mistura de Edward Cullen e Isabella Swan serão extraordinários, inteligentes, espertos. Serão o melhor de vocês.
Esme suspirou e vovó secou uma lágrima que escorreu pelo seu rosto.
— Não desista, irmão. Seja rei, nosso rei. Eu, Jasper Cullen, segundo na linha de sucessão ao reino de Ângelus, me submeto aos futuros reis de Ângelus.
Dito isso, surpreendentemente, Jasper se colocou num joelho e abaixou a cabeça, numa mesura perfeita de submissão e reconhecimento.
— Eu, Emmett Cullen Swan, futuro rei de Forkian e terceiro na linha de sucessão ao reino de Ângelus também me submeto ao futuro rei de Ângelus. Meu exército será seu exército, irmão.
Emmett também se dobrou em mesura.
Meu sogro sorriu e acenou em concordância.
Respirei fundo, ignorando temporariamente o gesto de meus irmãos, tomando uma decisão.
Carlisle havia me colocado naquilo, o que ele não imaginava era que eu não era um fraco. Nunca fora.
— Amor...
Levantei a cabeça de Bella para que ela me encarasse.
Não precisei que ela falasse, encontrei naquele olhar o sim que precisava.
— Juntos.
Cochichou e beijou minha testa. Depois se afastou minimamente e encarou meu pai.
— Eu, Isabella Marie Swan Cullen, não me submeto, porque num casamento não existe submissão e sim companheirismo. Então, eu, Isabella Maria Swan Cullen prometo que apoiarei meu rei, meu marido nessa longa jornada. E prometo ainda que criaremos nossos filhos da melhor maneira possível para que eles possam ser mais fortes do que tradições arcaicas e encontrem um jeito de mudar isso. Colocando e dando as mulheres o devido valor que elas têm.
Vovó e Esme aplaudiram e acenaram para Bella em apoio.
Quando ela fez menção de se ajoelhar, a segurei, impedindo que continuasse.
— Lado a lado, de joelhos não.
Ela sorriu lindamente. E segurou minha mão.
Voltei meu olhar para um embasbacado Carlisle.
— O que diz as suas tradições sobre quando o herdeiro assume o reino?
Meio estático ele falou baixo.
— Diz que ele está pronto assim que se descobrir pai de meninos. A data pode ser prorrogada, depende de você a escolha é sua. Só teremos que planejar as ideias das renuncias.
Bom. Muito bom!
Peguei Bella pela mão, passando por Emm e Jasper, coloquei a mão no ombro de cada um e os fiz levantar.
Quando estávamos perto da porta, me afastei para que Stephan e Bella passassem, depois voltei a olhar para Carlisle e sem remorso algum, dei o golpe fatal.
— Comece a fazer as malas, alteza.
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