Três Príncipes, Três Princesas
35 Lua de Mel- Parte II- À volta
Notas iniciais
Alice
Alguns Anos atrás...
Chovia, chovia pra caramba, mas também, desde que eu me lembre, Forks sempre fora assim: Frio, chuvoso e verde.
No entanto, dessa vez estava diferente. Além da chuva, o vento também estava descontrolado. Tanto que as janelas e a porta do terraço, do quarto de Rósalie, batiam como se alguém muito grande, os chacoalhassem pelo lado de fora.
Eu estava assustada, muito assustada. Com medo não, mas assustada sim.
Alice Swan não tinha medo de nada.
Rosie e eu, para passarmos o tempo, estávamos no quarto dela, folheando algumas revistas e livros. Tentando, ao máximo, ignorar os gritos do quarto ao lado.
Agora, as coisas haviam desandado de vez.
Leah, uma amiguinha de sala, havia atacado Bella.
Nossa irmãzinha, de apenas cinco anos, havia sido trancafiada no banheiro, sem dó nem piedade.
Um banheiro que inundara por causa da chuva e que se não fosse por Jacob Black, uma catástrofe poderia ter acontecido.
Nossa Bella havia sido hospitalizada e só recebera alta hoje, segunda feira à tarde.
Por isso, neste momento, ela estava dormindo, se recuperando. O que era menos mau, porque desde o ocorrido Bells não parava de chorar. E entrava em desespero toda vez que se via sozinha.
Agora, imagina se ela estivesse acordada e ouvindo os gritos horrorosos de nossos pais? Bells entraria em parafuso facinho.
— Eu não aguento mais esse inferno, Renée. Eu exijo a separação.
— Então suma daqui de uma vez. Oras! Apesar de tudo o que aconteceu com Bella, você se recusa e ver o que “aquela pestinha” está fazendo com sua filha. Se elas são mais importante, suma daqui, Charlie. Porém, não haverá volta e as meninas ficam comigo. Eu irei até o inferno, mas mostrarei a todo mundo o verdadeiro rei Charlie Swan.
— Você está me ameaçando?Ninguém ameaça o rei.
— Ai! Me solta ou eu vou começar a gritar.
Começar a gritar? Mamãe já gritava há anos.
— Rose, Alie...?
Rósalie e eu, assustadas, deixamos o livro que líamos e olhamos, ao mesmo tempo, para a porta onde uma figurinha pequena, chorosa e desgrenhada aparecia.
— Vem aqui, Bells.
Bella estava descalça, apavorada.
Arrastava um pequeno cobertor com uma mão, enquanto a outra levava o polegar à boca. Os grandes cabelos castanhos estavam soltos num emaranhado louco. Os olhos estavam roxos em volta e muito vermelhos nas pupilas. Ela estava chorando e parecia muito mais doente do que da última vez em que a olhamos enquanto dormia.
— Não precisa ficar com medo. É só a chuva, irmã.
Rosie levantou o edredom e a ajudou a subir na cama alta. Logo, minha irmã mais velha envolvia os braços em volta de nossa caçulinha.
— Eu não gosto de chuva, Rosie. Gritos, tem muitos gritos. Eu não gosto de gritos também. Porque eles gritam, Rosie? Peça para que parem, por favor?
Impossibilitada de uma ajuda maior, levei minhas mãos aos cabelos dela e comecei a afagá-los. Rósalie entoava baixinho, uma musiquinha de criança.
O medo da chuva, segundo a psicóloga que havia advertido nossos pais, era consequência do ataque sofrido. Bella teria que fazer acompanhamento a partir de agora.
— Durma, Bells. Não é nada. Durma. Nós estamos aqui com você.
— Mas, eu quero o papaizinho e a mamãezinha.
Os soluços dela eram de partir o coração. Nada do que Rose ou eu disséssemos substituiria o conforto da presença de nossos pais.
Algo impossível de se conseguir no momento porque, os gritos continuavam e agora acompanhados de objetos se partindo.
— Minhas filhas. Todas minhas. Rósalie, Alice e Isabella irão para onde eu for. Eu sou o rei, minhas filhas princesas. Você não é nada. Eu as levarei comigo, quer você queira, quer não.
— Você é rei, não pai. Eu as carreguei. Eu as quis. Você não precisa delas. Imagine só a opinião popular quando souberem do seu segredinho sujo. Eu não hesitarei em torná-lo público para que as meninas permaneçam comigo. Você não sabe do que sou capaz, quando se diz respeito a minhas filhas, Charlie. E além de tudo, você não precisa delas, você tem...
— Rosie, peça para eles pararem. Que parem de gritar.
Os soluços e gemidos de Bells sacudiam a cama. Com as mãozinhas, ela tentava tapar os ouvidos e abafar os barulhos.
— Eles não vão parar, Bella. É melhor você se acalmar por si mesma. Está tudo bem, logo vovó Marie estará aqui.
— Alice...
Minhas mãos saíram do cabelo dela e se fecharam em punho. Todos queriam ocultar a verdade de nós. Porém, Rose e eu já compreendíamos o que se passava e Bella era muito inteligente, ela também seria capaz de entender. Então, pra quê mentir?
— Ela precisa saber, Rosie.
— Alice, nossos pais decidem isso.
— Nossos pais não decidem nem a vida deles. Escute a discussão. Bella deve saber para se proteger e já se acostumar com a ideia.
— O que eu preciso saber, Alie? Me conte, me conte eu já sou grande.
Cinco anos. Quem era grande com cinco anos? No entanto, a inteligência dela...
— Nossos pais vão se separar, Bells. Charlie não ama mais Renée e por isso ela o mandou ir embora.
— Não escute Alice, Bells. Isso não vai acontecer. Eles só estão bravos um com o outro. Você vai ver logo eles fazem as pazes e tudo volta ao normal. Não precisa se preocupar.
Não foram os olhos vorazes de Rosie que me atormentaram depois do que eu disse. Foram as sucessões de fatos.
— Não!
O grito de Bells e o levantar de qualquer jeito.
O clarão de um raio e o estrondo grandioso de um trovão.
E por fim, a fala de nossa mãe, do outro lado da parede.
— Você não as quis. Nunca as quis. No entanto Deus foi Pai, porque se eu não te dei o seu tão sonhado filho e...
Mamãe nunca terminou aquela frase, porque os gritos de Rósie e Bella fizeram com que tudo mudasse.
— Bells, espere, Bells...
Porém Bella não parou, nem nós.
Corremos para fora do quarto atrás de uma ágil caçulinha que corria aos prantos e soluços para o andar de baixo.
— O que está acontecendo? Alice?
Fui agarrada, quando Charlie e Renée saiam do quarto, creio eu que, assustados com nossos gritos e nossa correria.
— Eu disse a Bella que vocês iam se separar. E ela saiu correndo e chorando e....
— Você o quê?
Nunca papai havia me segurado com tanta força e raiva.
— Você e mamãe estavam gritando. Isso já vem acontecendo há muito tempo. E agora Leah machucou a Bella. Nós ouvimos vocês, papai.
— Oh Deus!
Mamãe levou a mão à cabeça e saiu em disparada atrás de minhas irmãs.
— Bella? Rósalie?
Charlie, porém, não me soltou. Seus olhos pareciam ejetados de fogo e ele já levantava a mão para me estapear, quando o grito de Rósalie o fez mudar de foco.
— Bells... Mãe! Bá! Alguém, socorro!
Sem cuidado algum, Charlie me jogou contra a parede oposta, como se eu fosse uma boneca de pano qualquer, e saiu correndo.
Meio tonta me levantei e corri o seguindo, para então presenciar a pior cena pelo qual nossa família já havia passado.
— Bá, chame uma ambulância. Agora!
Bella estava atirada ao chão, no último degrau que levava aos jardins de Renée. O corpo virado para cima, os olhos fechados, enquanto os pingos da chuva forte a inundavam. No entanto, esse nem era o pior, o pior era que ela estava completamente imóvel enquanto uma poça de sangue já rodeava sua cabeça inteira.
Se aquilo não era o inferno, acho que chegou bem perto. Foram segundos, minutos, horas sem nenhuma notícia boa.
Bella não estava bem.
Esse quadro só teve uma leve mudança dois dias depois do ocorrido, quando ficamos sabendo que nossa irmã ainda permaneceria hospitalizada sem previsão de alta, pois estava com a cabeça enfaixada e com muitas dores. O silencio em nossa casa continuava ensurdecedor. E Rosie e eu não fomos autorizadas a voltar para a escola.
O assunto separação fora enterrado.
E o que mais marcara daquilo tudo, fora que a única vez que papai deixara o quarto de Bells, fora para vir até mim e com a ajuda de um cinto, me ensinara que eu nunca, jamais, deveria me intrometer nos assuntos de adultos e muito menos com minha irmãzinha.
Essa lembrança eu carregaria para sempre, porque assim como Bella, eu teria uma cicatriz para reavivar cada memória. Ela do tombo da escada, porque isso era a única coisa que ela se lembrava do ocorrido, e eu, da mão de Charlie descendo pesada e sem piedade sobre mim.
Voltando ao presente
Edward
— Não seja teimoso, Edward. Uma hora ou outra vocês terão que assumir as responsabilidades que lhes foram delegadas. Então para quê procrastinar isso? Volte logo, é uma ordem!
— Pai, não seja tão intransigente, por favor.
— Não! Nada de, por favor. Vocês não podem e não vão adiar a volta. Trato é trato, quinze dias foram o combinado e assim será. A vida não é somente mel. A realidade os aguarda. Entrem naquele avião amanhã bem cedo ou eu mandarei Paul buscá-los.
Respirei fundo para conter a crescente irritação. Carlisle às vezes, ou melhor, na maioria das vezes me tirava do sério.
Levantei-me da poltrona, em que me acomodara, e saí para o terraço.
Segurei firme, com a mão direita na pequena grade de madeira que separava nosso bangalô da praia particular.
— E Bella, filho? Como ela está?
Esme, porém...
— Ainda tem essa parte. Você quer de mim, mais uma semana para curtir sua mulherzinha, mas esquece de que ela tem um pai, que provavelmente vai adoecer ou enlouquecer se não estiver com a filha nos braços no próximo final de semana. Você precisa de mais algum motivo para voltarem imediatamente ou esses bastam? Porque posso listar mais uma dúzia se ainda não estiver convencido e satisfeito.
Apertei mais o telefone entre os dedos. Onde Esme estava com a cabeça quando colocou nossa conversa no “viva a voz”?
Eu não queria falar com Carlisle, eu só queria comunicar a minha mãe de que retardaria nossa volta em uma semana.
— Bella está...
Levantei a cabeça e contemplei a linda mulher de biquine vermelho, minúsculo. Chapéu de aba larga. E enormes óculos de sol protegendo a face.
Bella descansava numa espreguiçadeira, enquanto curtia o sol fraco de fim de tarde.
— Linda, mãe. Bella está mais linda ainda.
Observando mais atentamente o cenário que se estendia a minha frente, cheguei à conclusão de que não era capaz de discernir onde a estonteante paisagem natural começava ou terminava. Minha mulher e ela pareciam se fundir, se completar. Uma parecia ter sido feita para a outra.
— Isso eu sei, querido...
O risinho baixo de Esme me fez relaxar. Só Deus, pra explicar as fórmulas ocultas e curativas de uma mãe. Aliás, creio que isso dê um bom norte para estudos. Vou indicar essa ideia para minha médica estudiosa, favorita.
— O que eu quero saber é se ela está bem?
Rá! Essa resposta era fácil. Sim, ela estava mais do que bem. Eu havia cuidado disso. Os olhares astutos e as presenças marcantes, porém cautelosas, de Sam, Zafrina e Stephan me ajudaram a garantir que minha mulher estivesse melhor que bem.
— Bella está bem, mãe. Ontem almoçamos na vila de pescadores. A senhora não imagina o quanto de presentes ela comprou.
— Ah! Imagino sim, comprar lembranças é mal de mulher. Fico feliz que a ligação de Jasper não tenha a afetado.
Voltei a ficar tenso, imediatamente.
— É claro que não a afetou. Porque eu não contei a ela que meu irmão ligou. E nem vou contar. Isso está fora de cogitação.
— Edward você está indo por um caminho sem volta, filho. Quanto mais Bella souber, mais fácil será para a segurança fazer seu trabalho.De mentiras nunca saem coisas boas, meu bem.
Ignorei a repreenda de Esme e tratei de por um fim naquela ligação. Eu não era mais um garotinho para levar bronca. E se era mesmo nosso último dia ali, eu trataria de aproveitá-lo, com minha mulher, da melhor maneira possível.
— Tá bom, mãe. Eu vejo isso depois. Agora eu preciso mesmo desligar. Fique com Deus e até amanhã...
Pude imaginar a careta de desaprovação, dela quando a ouvi gemer e respirar fundo. Esme odiava quando eu a desobedecia e agia por mim mesmo.
— Tudo bem, filho. Você é responsável pelos seus atos. Só não me venha com reclamações depois. Façam uma boa viajem. E que Deus lhes proteja. Eu te amo.
— Amém, mãe. Também te amo. Até amanhã.
Finalizei contrariado por imaginar que Esme havia ficado chateada.
— Seja prudente, Edward. Vejo-te amanhã, filho. Se cuide e cuide da filha de Charlie.
— Certo, pai. Eu terei. Até amanhã.
Desliguei o telefone, voltei ao quarto e o deixei de qualquer jeito no criado mudo, voltando imediatamente para o terraço.
Bella havia se virado de bruços. O lindo corpo, agora poderia ser apreciado de outro angulo. Eu precisava tocá-la, urgentemente. Eu precisava ter a certeza de que ela estava ali e que eu não estava apenas sonhando.
Apressei o passo e quanto mais eu me aproximava, mais eu murmurava, como um mantra a mim, a Deus e a nossos inimigos.
Linda! E minha, toda minha! Para sempre minha.
Eu cuidaria dela com toda minha força. Ninguém a tomaria de mim. E quando digo ninguém é ninguém mesmo.
Eu sabia que, pelo menos nesse sentido, Jasper não estava sendo exagerado, nem um idiota.
Meu irmão havia me ligado na segunda feira e me alertara de que nosso serviço de inteligência interceptara várias ligações suspeitas que, segundo Jasper, descreviam com detalhes a localização exata de cada princesa de Forkian.
Essa informação gerara um alerta vermelho a nosso reinado e a Forkian. Jasper e Emmett haviam retornado imediatamente, para casa. Eu, porém, depois de uma longa conversa com Sam, Stephan e Zafrina optei por ficar. Eu não queria apavorar Bella por meras suposições.
Claro, que algumas precauções imediatas foram tomadas, tanto, que só ousei levá-la a vila, ontem. E mesmo assim permaneci tenso na maior parte do tempo me dando ao luxo de relaxar somente quando chegamos aqui, no aconchego de nosso bangalô.
Minha decisão não fora bem recebida em Angelus, e menos ainda em Forkian. Meu sogro, minha sogra e dona Marie haviam me ligado, irritadiços, diga-se de passagem. E nada do que eu disse ou propus foi capaz de acalmá-los. No entanto fui firme, Bella era responsabilidade minha agora. E eles teriam que aceitar isso.
Emmett e Jasper haviam me deixado em paz depois da segunda ligação quando os mandei cuidarem da própria vida. Agora, Esme e Carlisle, aí já é outra história. Ninguém vencia os reis de Angelus pelo cansaço. Eles ligaram todos os dias.
E quem poderia culpá-los? A vida de minha mulher era preciosa demais. Contudo, eu cuidaria dela.
— Ah! Estou me sentindo tão sozinha aqui. Devo chamar Stephan para que me faça companhia?
Espantei todos os pensamentos de terroristas, ataques e sequestros que me atormentavam. Aquela vozinha melodiosa tinha o dom de me distrair de toda e qualquer outra coisa que não fosse sua dona.
— Faça isso, princesa. E testemunhará o que príncipe Edward de Angelus, faz com garotinhas más de Forkian.
Desci, rapidamente, os últimos degraus e cruzei a passos largos, a pequena faixa de areia que me separava dela.
Prevendo minha pressa e meu já, bom humor, Bella se virou acompanhando com olhares ansiosos cada passo que eu dava.
Ver minha mulher tão serena e descansada somente reforçava a minha teoria de que a omissão era o melhor para ela. Enquanto estivéssemos seguros, eu não via necessidade de preocupá-la com as paranoias de perseguição de Jasper e sua equipe.
— De vez em quando, garotinhas más, que se apossam do corpo e da mente de princesas inocentes, gostam de sair para brincar.
— É?
O sorriso meio tímido, meio safado. O ar de menina. A postura de adolescente e o corpo de mulher me atraiam cada vez mais. Ela havia aprendido a jogar comigo em com minha libido. Eu estava criando um monstro.
Ela tinha-me nas mãos. E eu faria qualquer coisa por ela.
— É!
O leve rubor aparecendo no rosto de marfim, levemente bronzeado.
Sem forças para resistir, me abaixei arranquei-lhe os óculos e de surpresa a peguei no colo.
Os gritinhos entoados por ela, eram bálsamos para meus ouvidos.
— E que tal, se eu esfriasse os ânimos e esse fogo dessa garotinha teimosa e má?
— Creio que não será possível, meu príncipe. Água fará o efeito reverso nessa situação.
As pequenas mãos estavam em meu cabelo. Os olhos intensos, apaixonados e desejosos, permaneciam grudados nos meus. Eu não era homem de resistir aos encantos dela.
— Vamos por sua teoria a prova. Pronta para um último mergulho?
O pequeno franzido na testa me certificou do que eu já sabia: Bella também lamentava o fim de nossa lua de mel. Só que ao contrário de mim, ela disfarçava tudo com o silêncio ou com um risinho disfarçado.
Essa era uma informação sobre ela que eu teria que ficar atento. Bella guardava as coisas para si.
— Pronta para um último mergulho aqui. Mas, acima de tudo, pronta para um começo de vida nova. Pronta, totalmente pronta, para você. Sempre!
Sem me conter, beijei-a com intensidade e carinho.
E ali, a beira mar e com o sol como testemunha implorei a Deus que nos abençoasse e nos protegesse de todas e quaisquer tempestades que estivessem por vir.
Bella
Nossa última noite na ilha foi marcada por um delicioso banho duplo de banheira, á luz de velas e regado a toques e carícias íntimas e ousadas, que culminaram com juras de amor e na união de corpos e almas.
Edward e eu, não somente satisfazíamos as necessidades de nossos corpos, nós, literalmente, fazíamos amor.
Para completar a linda noite, um leve e romântico jantar a luz de velas nos foi servido no terraço, com a marcante melodia dos sons do mar como trilha sonora.
E por fim, nos rendemos ao cansaço. E nos aconchegamos nos braços um do outro.
O mais surpreendente de saber, era que desde que Edward e eu passamos a dormir juntos, eu nunca mais tive insônia.
Infelizmente, nossa noite não foi tão longa como eu desejava. Às quatro horas da manhã fomos despertos por um telefonema de Stephan. Era chegada a hora de voltar para casa.
A peregrinação de volta foi a mesma: barco, carro e só então aeroporto. Somente duas coisas diferiam de nossa chegada.
A primeira, foi que Edward, Stephan, Sam e Zafrina estavam nervosos e mais atentos que o normal.
E a segunda, é que eu estava meio trôpega. Bem “mais pra lá do que pra cá”, de tanto sono. Tanto, que Edward praticamente me arrastava, segurando firmemente minha cintura junto a si. Enquanto Zafrina, mantinha seu braço me sustentando do outro lado.
Eu estava caindo de sono e cansaço, devido aos constantes exageros de meu marido e eu.
Eu só consegui ficar totalmente desperta quando já no aeroporto, notei a presença de dois caças MIG- 35 da FAF (Força Aérea Forkiana), flanqueando nossa aeronave. De imediato, meus instintos se colocaram em alerta. Algo não estava certo. Eu sabia disso porque Jacob havia ficado horas e mais horas me dizendo do poder de fogo daqueles caças, quando papai comprou uma série deles.
— O que está acontecendo?
Perguntei a todos, mas não me dirigindo especificamente e ninguém. Eu só queria uma resposta.
— Não está acontecendo nada, amor.
No mesmo instante em que Edward proferiu aquelas palavras, eu parei. Simplesmente, estaquei no lugar. Fazendo birra igual à criança teimosa.
— Mas, o quê...?
Perguntou surpreendido com minha parada.
Cruzei os braços, fechei a expressão e o encarei com incredulidade. Eu não arredaria pé até que me contassem o que se passava.
— Você quer mesmo começar esse casamento com mentiras, Edward? Tomas-me por ingênua ou tola se achas que não sei que está escondendo algo há dias.
— Amor...
Edward então, se virou, parou a minha frente e descansou as mãos em meu rosto, acariciando e me encarando com intensidade e tensão. Ele tentaria me ludibriar?
— Não está acontecendo nada. Essas duas aeronaves estavam em treinamento no porta aviões, que as Forças Armadas de Forkian mantêm no Oceano Pacífico.
Sim ele tentaria.
— Seu pai, querendo dificultar e intensificar mais o trabalho deles, sugeriu que acompanhassem nosso retorno a Angelus. Simulando assim, uma situação de alto risco.
Ele mentia. Isso era óbvio.
Charlie sabia o quanto eu odiava exibições, exageros e excessos de seguranças e pessoas me cercando. Ele nunca faria algo assim sem me consultar.
— Você mente. Eu odeio mentiras, Edward.
— Por favor, Bella. Eu não estou... Eu...
As mãos dele me deixaram e repentinamente seguiram até seu cabelo, causando uma revolta maior ali.
Edward estava nervoso.
— Princesa, perdoe-me interromper. Eu sei que a conversa é importante, porém eu ficaria mais tranquilo se vocês a tivessem no jato. Nós precisamos embarcar imediatamente. Não podemos esperar o sol raiar. Não é seguro permanecer a céu aberto por tanto tempo.
Sam foi categórico e acabou que respondeu o que eu precisava saber.
Sem esperar por mais ninguém, voltei a caminhar, passei por Edward, saldei o comandante e sua tripulação que nos aguardavam no início da escada. E por fim, entrei e me dirigi a meu lugar.
Eu precisava me acalmar, ou faria uma loucura e daria um show na frente de todos eles. E eu não era de fazer isso. Nunca!
— Odeio quando você me ignora.
Edward se sentou ao meu lado e passou a travar meu cinto de segurança.
— E eu odeio quando você mente.
O ouvi respirar fundo, frustrado. Porém, não me importei. Eu também estava chateada. Ele estava sendo um idiota.
— Altezas, bom dia. Posso lhes servir alguma coisa ates de decolarmos? Creio que ainda não tenham tomado café.
Eu me virava para negar a oferta quando ele me interrompeu.
— Traga um café bem forte e sem açúcar, para mim e para minha esposa, um suco de maracujá, com açúcar e gelo.
Agora incrédula e mais irritada ainda, voltei a encará-lo com fúria.
— Eu sou capaz de fazer minhas escolhas, Edward. Por acaso está pretendendo me dopar ou algo assim?
Sem que eu me desse conta, as mãos dele voltaram a revirar seus cabelos, raivosas e impiedosas, aquele ato me deu minha resposta:
Sim, Edward queria que eu dormisse.
— Deus!
Gemeu fechando os olhos por alguns segundos, respirando pesado e profundamente.
Quando voltou a me encarar sua postura, a expressão e a fala haviam se suavizado.
— Não, minha linda princesa. Eu não quero dopar você. Somente preciso que relaxe e volte a dormir. Sei que exigi demais de você esses dias e sei que odeia acordar cedo. Temos 10 tediosas horas pela frente. Você pode descansar enquanto a enfrentamos.
O tom doce e baixo também me fizeram baixar a guarda.
— Eu não quero dormir. Quero saber o que está acontecendo. Fale comigo, Edward? Eu não vou quebrar se souber da verdade. Eu não sou de vidro, meu príncipe.
Devagar, ele acariciou meu rosto. A boca veio para junto da minha. Beijos doces e lentos, me distraindo, me tomando, me relaxando.
— Em casa. Lá eu prometo que sentaremos e conversaremos. Eu não quero te preocupar sem saber tudo que se passa de verdade.
Aquilo não era o que eu queria ouvir, porém resolvi que lhe daria um voto de confiança.
— Promete?
Virei à cabeça de encontro à palma de sua mão. Automaticamente, os dedos dele acariciaram a misteriosa cicatriz que eu tinha na parte detrás da cabeça.
— Eu prometo tudo e qualquer coisa que quiser, meu amor. Agora, por favor, apreenda a garota má e deixe que minha linda e doce esposa volte para mim. Estou com saudades dela agora.
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