Três Príncipes, Três Princesas
36 A Face do perigo
Notas iniciais
Edward
— O carro está ali.
Seguimos Stephan em silêncio. O cansaço me batia fortemente. Foram mais de dez horas de viajem, dentre pousos para reabastecimento, diferenças de fusos- horários e variações de clima.
Após a decolagem Bella se obrigou a relaxar e dormiu. Então, a coloquei no pequeno quarto do avião e voltei para junto do restante da tripulação. Eu não seria homem de descansar enquanto não estivéssemos seguros no espaço aéreo de Angelus.
E pela primeira vez, desde que viajamos, me arrependi de ter ido para tão longe. A volta foi tortuosa. E só conseguimos chegar em casa por volta das oito horas da noite.
— Sam e Zafrina, o carro da frente os aguarda. Eu vou nesse com Edward e Bella.
Nós dirigimos para o carro apontado, por um nervoso, Stephan. A paranoia de Jasper afetava a todos.
— Ok. Vemos-nos em casa.
Zafrina e minha esposa trocaram um olhar compreensivo e cheio de significados. Elas se falavam sem palavras.
Abri a porta traseira e dei a mão para que Bella se apoiasse ao entrar. Logo que me acomodei, Paul colocou o carro em movimento.
— Altezas...
— Paul...
O cumprimentei sério, por outro lado, Bella sorriu. A amabilidade dela, era a mesma com todos.
— Pronto. Estamos em casa. Cansada? Pode relaxar agora.
Virei-me de lado, levei a mão direita até sua nuca massageando-a, acariciei seus cabelos e a puxei para mais pertos, beijando devagar as têmporas e as maçãs do rosto. Bella estava com olheiras profundas, bem marcadas no rosto de boneca.
— Cansada da viajem, meu corpo dói em partes que nem sabia que tinha. Mas, com sono definitivamente, não. Dormi muito. Você que deve estar exausto. Não pregou o olho.
— Só um pouquinho. Posso suportar mais algum tempo.
Fechei os olhos quando as mãos delicadas contornaram minhas pálpebras, cabelo e testa. Bella era meu descanso. Eu nem precisaria deitar para me entregar a ele.
— Direto para casa, alteza?
— Sim. Direto.
Eu tinha ódio do sarcasmo que ele usava quando me chamava de “alteza”. Não era segredo para ninguém que Paul preferia Jasper e seus métodos de governar. Eu só não entendia a implicância comigo. Jasper será o rei dele e pronto.
— Você sabe se Alice está em Ângelus, Paul?
Bella, creio que vendo como meu corpo retesara de irritação, mudou de assunto. Minha linda esposa, estava mais quieta que o normal, distante não, mas quieta sim. Eu precisava, urgentemente, dar um jeito de abrandar aquela tensão que eu mesmo havia criado entre nós.
Eu teria que conversar com Jasper, antes de qualquer coisa, somente ele seria capaz de me dizer a veracidade e a periculosidade de toda essa história de ameaças e terroristas.
— Sim, minha senhora. As princesas, Rósalie e Alice estão aqui. E diga-se de passagem, ansiosas para a sua chegada.
Se possível, puxei Bella para mais perto. Eu precisava dela para conter meu mau gênio. O nervoso estava voltando ao pico, quando assimilei as palavras daquele “segurançazinho de merda”.
Se Emmett estava aqui era sinal de que as coisas eram bem piores do que imaginei.
E que “porra” de diferença de tratamento era aquela? O “minha senhora” dele saiu quase como uma oração devocional. Será que Paul já estava a par e apoiava a loucura de Jasper por minha mulher? Paul já a imaginava como sua rainha futuramente?
Essas dúvidas fizeram com que uma dorzinha ridícula, de cabeça, começasse a me incomodar.
— Rose está aqui?
Bella remexeu-se tentando afastar-se, um pouco, de meu agarre e aperto.
Não cedi um milímetro sequer. Ela era minha. Totalmente minha.
— Sim, senhora. Desde sábado que eles chegaram e...
— Bella, Paul. Me chame de Bella é melhor para nossa comunicação e ...
— Isabella. O nome dela é Isabella. Chame-a pelo nome dela, Paul.
A corrigi rapidamente e ainda fiz questão de ignorar sua incredulidade e o riso de Stephan.
Bella poderia ser amável e humilde de natureza, porém, com alguns eu exigiria que impusesse respeito.
— Ah Deus! Agora eu vi. Paciência tem limites, Edward.
Murmurou baixinho, cruzando os braços e fazendo um beicinho adorável e lindo.
Nem me importei. Nem me deixei seduzir. Eu não permitiria tais liberdades com os apoiadores de Jasper.
Segundos depois eu quase me arrependi do ataque. O silêncio que se instalou no interior do carro foi tão incomodo e constrangedor que fizeram meu estômago revirar em reprovação. Mais uma coisa para se juntar a leve dor de cabeça.
Sem contar a reclamação de minha consciência pesada, porque já era a segunda vez, em menos de dois dias, que eu irritava e tirava minha Bella do sério.
— Chegamos. Stephan, junte-se a Sam e Zafrina e me acompanhem até a sala do rei. Teremos uma reunião rápida e logo vocês serão liberados. Aproveitando, Edward, seu pai ordenou-me que desse, dois dias de folga para os seguranças que lhes acompanharam na viajem. Portanto, terça feira e quarta feira serão outros colaboradores que os acompanharão a qualquer lugar que seja.
Encarei-o pelo retrovisor interno e assenti. Paul estava mais profissional agora e Stephan, por incrível que pareça, não fez nenhuma brincadeirinha, nem se manifestou. O “climão” de instantes, ainda reverberando e afetando nosso meio.
— Casa... Obrigado, Senhor.
Bella gemeu. E tive que concordar. Graças a Deus estávamos no nosso lugar onde poderíamos ser nós mesmos.
— Venha.
Sem esperar que nenhum deles abrisse a porta, desci e ajudei-a a fazer o mesmo.
— Chegaram!
Não contive um sorriso ao contemplar a animação de mamãe. Era incrível. Nem a escuridão da noite fora capaz de ofuscar o sorriso brilhante dela quando nos viu.
— Ah, querida! Que saudades.
Esme estreitou Bella em seus braços, enquanto acariciava, de leve, seu cabelo.
— Vamos entrar? Vocês devem estar cansados. Charlote, peça para alguém pegue as malas deles. Bá, sua garota chegou. Supervisione se o jantar já está pronto para ser servido.
As ordens vinham de todos os lados. Ela ansiava por nos agradar.
Com uma expressão de contentamento as observei mais um pouco. Elas pareciam mãe e filha. Essa impressão me fez refletir, por segundos, e somente então, me dei conta do quanto Esme sentira falta de uma presença feminina por todo esse tempo.
Ela teria três filhas agora.
Sem esconder a inundação de sentimentos resolvi implicar e brincar um pouquinho.
— Então mãe, também senti sua falta, sabia? É muito bom ver a senhora também, já que me perguntou.
— Ah! Hã? O que quê...? Ah meu Deus!
Percebendo seu lapso, Esme desceu ou poucos degraus da entrada, que já havia subido e voltou a meu encontro.
Rapidamente, estreitei-a num abraço. Somente Deus sabe o quanto eu sentira falta dela.
— Oi, mãe.
— Oi, filho. Perdoe minha empolgação. Que bom que voltaram. Essa casa fica vazia demais sem você, meu amor.
Fechei os olhos e inspirei profundamente seu perfume de Jasmim e Rosas. Esme era sinônimo de lar, conforto e carinho. Esme era sinônimo de mãe amorosa.
— Venha, vamos entrar. Vocês parecem cansados.
E estávamos mesmo.
Abraçados, cruzamos o pequeno espaço que nos separava da porta e então, adentramos.
Toda nossa família estava lá.
Bella e as irmãs já matavam as saudades nos braços umas das outras.
— Até que enfim, hein irmão. Achei que não iria mais voltar para casa. Você sabe “que não é só Deus que mata, né”?
— Emmett!
— O quê?
Perguntou fingindo inocência, perante a indignação de nossos pais. Bella corou de todos os tons de vermelho possível e se escondeu no ombro de Rosie. Ela ainda se sentia intimidada pelas brincadeiras de Emm.
— Eu sei. Assim como sei que “inveja também mata”, irmão.
Piquei um olho, divertido. E o puxei para um abraço. Emmett era um refúgio de diversão e distração. Eu o amava demais. E trataria de ser mais bem- humorado com ele.
— Jasper.
— Seja bem vindo, Edward. Bella.
Jasper optou pela cordialidade e distância, Bella e eu, seguimos seu exemplo. Eu só precisava decifrar se aquilo era real, ou mais uma mudança de estratégia.
— Pai.
Fui surpreendido quando Carlisle ignorou a mão que eu lhe oferecia e me puxou para um abraço de homens. Meu pai sempre foi mais contido, sério. Talvez Esme tenha conversado com ele a respeito de demonstrações de carinho.
— É bom ter você em casa, filho. Espero que toda tensão e teimosia tenham valido a pena.
Busquei os olhos intensos e luminosos, mesmo em meio ao cansaço, de minha esposa. E o que vi ali era minha certeza.
— Valeu cada segundo.
— Então, não se fala mais nisso.
Sorri em acordo. Carlisle estava propondo uma trégua. Que eu aceitaria sem pestanejar.
— Muito bem, agora que já nos abraçamos e matamos um pouquinho a saudade, por que vocês não sobem e se aprontam para o jantar? Bá, me disse que em trinta minutos tudo estará pronto e servido. Tomem um banho e desçam.
Bella concordou e eu já concordava também quando fui interrompido.
Por Deus! Nós começaríamos bem mais cedo do que imaginei.
— Filho, se não se importa, seus irmãos e eu gostaríamos de lhe falar rapidamente. Prometo não me estender muito.
Se eu soubesse que ele não seria capaz de cumprir aquela promessa teria recusado veemente a proposta.
— Ora Carlisle, seja o que for, pode esperar. Eles acabaram de chegar. Devem estar exaustos e famintos. Deixe isso para amanhã.
— Não, Esme. Não pode esperar. Seremos breve.
Jasper, imperceptivelmente, sinalizou afirmativamente com a cabeça. Lembrei-me na hora, da conversa de Paul e Stephan ainda no carro.
— Amor...
Com duas passadas eu já estava de frente para Bella, acariciando seu rosto e falando docemente.
— Porque você não sobe e vai enchendo a banheira para nós? Prometo não me demorar aqui.
Enfatizei meu ponto com um carinho delicado na bochecha e um beijo doce nos lábios. Eu sabia as armas que tinha.
Como previ, rendida ela respirou fundo e concordou.
— Ok. Mas, não demore muito, por favor. E lembre-se de que ainda teremos aquela conversa mais tarde.
— Estou lembrando, princesa.
Voltei a beijar seus lábios e acompanhei- a com o olhar até que subisse, juntamente com as irmãs. As risadinhas delas inundavam nossa casa, antes tão séria e sem vida.
— Não prenda os meninos mais do que o necessário. Eles estão no início do casamento, de lua de mel ainda. Não irrite as esposas deles tão cedo. Quero que tenhamos um bom relacionamento.
Esme, com o dedo em riste, alertou nosso pai.
— Meia hora, minha rainha. Somente meia hora...
— E nem um minuto a mais.
Disfarçamos nossa cara de nojo, quando papai a beijou deliberadamente, distraindo-a.
Tenho que lembrar-me, para um futuro próximo, de que isso constrangia os filhos. E que não era legal.
— Vamos lá.
Ignoramos os barulhentos beijos e seguimos para uma sala ao lado da biblioteca. Carlisle, na maioria das vezes, preferia usar a sala dos livros para reuniões mais íntimas, porém quando o assunto era mais sério e incluía mais pessoas, sempre nos reuníamos em seu escritório aqui de casa.
— Sentem-se.
Acomodamos-nos, nos lugares vagos em frente a uma enorme mesa centenária de carvalho.
Minha atenção imediatamente tomada pela presença da segurança principal de nossa família. Paul, Heidy, Sam, Zafrina, Stephan, os dois seguranças de Emmett, os dois seguranças de Jasper e mais quatro pessoas, dois homens e duas mulheres, que presumi serem os responsáveis por Rósalie e Alice.
— Bom, já que Edward e a esposa já retornaram, podemos enfim, debater a gravidade das ameaças que sofremos na semana passada.
Carlisle estendeu a mão para que Paul se pronunciasse.
— Como nosso rei já adiantou, semana passada nosso serviço de inteligência interceptou essas ligações.
Com um computador de mão, ele acessou algum programa e então digitou algumas senhas e códigos para logo a voz grossa, raivosa e em um idioma, desconhecido para mim, encheram a sala.
— A tradução aparecerá embaixo. Prestem atenção.
As falas eram rápidas, mas nítidas. O ódio com que uma pessoa falava e a outra respondia era algo assustador. E só piorou quando passaram a citar as, como eles disseram, “novas aquisições” da família real. O nome das princesas não foram citados diretamente, no entanto, “a loira”, “a baixinha” e “a morena” eram ditas a todo momento. Eles sabiam a localização exata de cada uma e quantos seguranças a estavam cercando em vários momentos. Isso me assustou em demasiado.
— Bom, essas ligações foram interceptadas, localizamos os terroristas e eles já estão sob nossa custódia. Até agora, sabemos que são daquele grupo terrorista e que o objetivo deles é sequestrar alguém da família real de Angelus. Porém, não conseguimos retirar mais nada deles e olha que tentamos vários métodos de intimidação.
— Mas, por quê? Eu não entendo. O que fizemos a eles?
Interrompi Paul e seu sorriso, quando citou possíveis métodos de tortura.
Um frio no estômago me atingia. Bella estava em risco iminente.
— Como eu disse, ainda não conseguimos tirar nenhuma informação deles. Porém, suspeitamos que essa predileção seja pela atenção e comoção que atrairiam para si se sequestrassem alguém da estirpe das princesas. Também estamos trabalhando com a hipótese de que seja por vingança, retaliação. Já que, no passado, disponibilizamos nossas tropas e nosso serviço de inteligência na luta contra o terror.
Eu me lembrava dessa época. Perdemos vários bons soldados em emboscadas no oriente médio.
— Bom, essas informações, vocês já estavam a par. Agora vamos as novidades. Essa manhã foi exibido por um canal de televisão asiático um vídeo, onde o principal líder terrorista, nos exige e libertação imediata dos seus homens. E, segundo ele, se nos negarmos pagaremos, com vidas, na parte mais frágil de nossa casa.
Paul voltou a mexer no computador e logo a imagem de um homem encapuzado e empunhando um fuzil de alto calibre preencheu a tela.
As ameaças eram mais fervorosas e cruéis. E tinham um cunho de terror que me fizeram querer sair dali e ir de encontro a minha esposa para protegê-la de tudo e todos.
— Temos a localização desse?
— Infelizmente não, Emmett. Mas, temos certeza de que vieram do Oriente Médio. E ainda tem mais...
De novo ele mexeu no computador, abrindo agora uma rede social especializada em pequenas mensagens.
— Agora a pior, em minha opinião.
Eu senti o frio tomar conta de mim. A mensagem estava em árabe, porém o nome de duas pessoas estava em nosso idioma: Alice e Isabella.
Jasper não se surpreendeu. Afinal, ele devia estar a par de tudo aquilo.
— A mensagem diz que uma delas terá a cabeça, enfeitando a entrada da cidade deles, se não cumprirmos com o acordo imposto.
Jasper e eu nos levantamos ao mesmo tempo. Minha cabeça latejava e o ar não entrava por lei nenhuma. Bella corria risco. A vontade de escondê-la de tudo e todos inundando cada veia do meu ser.
— Aqui, filho. Tome isso.
Carlisle encheu dois copos com Uísque puro. Deu um a Jasper e outro para mim.
— Nós precisamos pegá-los, pai. Dê a ordem e eu me encarrego do restante. Aa estratégia ao cerco.
Zafrina se remexeu desconfortável. Jasper já se colocava pronto para a guerra. Eu tentava pensar noutra maneira de resolver isso, colocar civis na linha de frente, por nossa culpa, não era a melhor solução. Bella nunca concordaria com isso.
— O jantar está servido e Bella já desceu. Saiam daí agora.
Esme gritou do outro lado da porta.
Rapidamente, papai se levantou e foi até ela. Não sei o teor da conversa, só sei que meu pai a afungetou. O que foi bom porque creio que nenhum de nós, conseguiríamos disfarçar a preocupação estampada em nossa face.
— Bater de frente? Você só pode estar louco, Jasper?
— Sua mulher não teve o nome ameaçado, Emmett. Ela não está na linha de fogo. Portanto, fique fora disso. Edward e eu que teremos de tomar essa decisão. Você não faz ideia do que estamos sentindo.
— Ora, você! O que pensa que...?
— Chega! Gritar e se atacarem não vai nos ajudar em nada. Essa raiva que estão sentindo tem que ser direcionada aos alvos certos.
— Mas, pai...
— Chega, Jasper. Eu mandei você calar. Edward, o que acha?
Todos me olhavam, porém a atenção de meus irmãos era o pior de se encarar. Eu, de todas as maneiras, alegraria um e contrariaria o outro.
— Concordo com Emmett. Uma guerra direta só enfraqueceria nossas defesas e mataria civis. Prefiro que usemos nosso poder de fogo para nos proteger, enquanto a inteligência estuda outras maneiras de abatermos os alvos.
— Dois “arregões” medrosos vocês. Como vamos abater alvos se estaremos a quilômetros de distância? Achei que a vida da sua esposa tinha mais valor, mas pelo que vejo...
— A vida de minha mulher é tudo o que penso, Jasper. Por isso, quero intensificar sua proteção, aqui. Debaixo de nossas asas. Não ouse colocar isso em xeque. Uma proteção mais íntima e mais fácil de controlar. E sei lá como abateremos os alvos. Talvez com mísseis de longo alcance ou com aeronaves não tripuladas, drones. Não sei. O estrategista aqui é você, se vire. Mas, uma guerra direta não tem a minha aprovação.
— Mas, tem a minha. E, aliás, ninguém precisa da sua aprovação mesmo. Ou você se esqueceu de que sou eu o primeiro na linha de sucessão?
Vi vermelho. Aproximamos-nos perigosamente. Ele que tentasse me deixar de fora quando o assunto incluía minha esposa.
— Chega! Se afastem! E parem de arrumar encrenca um com o outro. Jasper, estou bem vivo aqui e esse reino é meu. Se esperei que Edward chegasse para que tivéssemos essa conversa é porque a opinião dele muito me interessa.
Papai então se virou para mim.
— Agora, Edward, acalme-se. Você está parecendo uma bomba relógio prestes a estourar. Jasper estudou a vida inteira para ser o melhor no que faz, então saiba que a opinião dele também me interessa. Exatamente como a de Emmett. Não é porque ele mora em Forkian agora, que deixou de ser meu filho e motivo de minha preocupação.
Contrariado de ter sido advertido, como uma criança, atravessei a sala e parei ao lado de Emmett. Quanto mais eu me distanciasse de Jasper e sua ideias loucas, melhor sairíamos dali.
— Então, o que vai ser meu rei? Tenho que saber que decisões chegaram, para que eu possa organizar e redirecionar meus homens.
Papai nos encarou e pensou por alguns segundos para então soltar seu veredito.
— Faremos exatamente como Emmett e Edward disseram...
— Ah! Que merda, pai!
— Calado, Jasper. Eu ainda não terminei. E lave a sua boca antes de falar comigo.
Minha vontade era de gargalhar, porém me controlei. Carlisle estava com tudo hoje.
— Seguiremos pelo caminho certo. Dobraremos nossas atenções e reforçaremos nossas defesas e segurança. Jasper, aumente o rigor nos portos e aeropostos. Mande que vigiem as fronteiras noite e dia. Peguem, interroguem e punam qualquer um em atitude suspeita. Grampeie todos os telefones que quiser, gaste quanto precisar. Porém, não baixe a guarda.
— Isso não será o bastante, pai. O senhor sabe disso. Estamos falando de fanáticos e terroristas.
Jasper passou as mãos nos cabelos e respirou fundo. Ele parecia cansado e rendido. Um medo de estar errado, em defesa de minha opinião, me abateu. Se algo acontecesse com Bella, Alice ou Rósalie, por minha culpa, eu nunca me perdoaria.
— Se não der certo, e as ameaças continuarem ou chegarem mais perto, mudaremos de tática e partiremos para o combate direto, como você deseja. E aí será para valer, porque serão Angelus, Forkian e Pushian unidos contra o terror.
— Eu só espero que não seja tarde demais, quando resolvermos contra- atacarmos.
— Não será, filho. Tenha fé.
Sem mais assunto, Jasper saiu e nos deixou. Ele havia perdido e não saíra satisfeito com isso.
Nós, por outro lado, passamos mais duas horas em reunião decidindo a melhor maneira de nos protegermos.
Esse atraso fez com que somente saíssemos dali quase uma hora da manhã. Não havia mais ninguém perambulando pela casa.
Eu havia descumprido uma promessa.
Bella já dormia quando entrei em nosso quarto. Mais uma vez, ela dormira frustrada comigo e mesmo que eu não tivesse culpa, não consegui ignorar a pontinha de tristeza que me atingiu.
Não era para nossa volta ter terminado com ela dormindo sozinha.
Precisando, mais que tudo, senti-la nos braços. Tomei um banho rápido, vesti uma sunga qualquer e me deitei ao seu lado, puxando-a, imediatamente, para meus braços.
Bella gemeu e se aconchegou em meu peito.
Amanhã seria um novo dia. E eu trataria de colocá-la a par do que se passava. Era certo que eu florearia um pouco a realidade. Não queria que ela vivesse aterrorizada e desejasse estar em Forkian, porém não poderia jamais, deixar de contá-la da gravidade de nosso primeiro problema oficial.
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