Três Príncipes, Três Princesas
8 Irmãs unidas, Pais em apuros
Notas iniciais
Bella
– Eu confio em você, querida. E te prometo que você não vai se arrepender e pode acreditar, você já tem meu filho nas mãos, exatamente como tem seu pai.
Forcei minha mente a ignorar as palavras de Esme, é claro que eu sabia o que elas significam e acredito que qualquer pessoa poderia interpreta-las, no entanto eu não sabia se podia confiar nelas, afinal, Esme é mãe e pelo exemplo que tenho em casa, sei que esses “seres abençoados” fazem qualquer coisa por seus filhos.
Por isso mesmo, expulsei esses pensamentos de minha conturbada cabeça, coloquei-me de pé, passei uma escova nos cabelos, quem em minha singela opinião estavam clamando por um corte generoso, longe das vistas de Alice, claro, porque nunca que em sã consciência “aquela baixinha” me deixaria abusar do corte.
Passei de leve as mãos sobre a roupa, tentando ao máximo desfazer os pequenos vincos que haviam se formado depois da minha soneca inesperada. E só então me dirigi para o quarto de, minha doce, Alice.
O corredor permanecia silencioso e a meia luz. Assustador. Abafador.
Senti um leve tremor, ficar sozinha e em lugares escuros, eram, com certeza, um dos meus maiores pontos fracos.
Fechei os olhos, apertei as mãos em punho e corri para o meu destino.
Ofegantemente, cheguei à porta e bati descontroladamente. Segundos depois uma Alice, emburrada e curiosa veio a meu encontro.
– Olhe Rose... A “Bella adormecida” acordou! Fale de uma vez Isabella, o que deseja? Veio ter certeza de que eu, sua irmãzinha, que te ama, ainda está se debulhando de tanto chorar, por causa de suas grosserias.
Eu odiava quando uma das duas era sarcástica comigo. Como se Alice e Rose chorassem. Essa fraqueza, era pura e exclusivamente, minha.
– Não, Alie, para sua completa alegria, eu “renasci das cinzas”, somente pra te pedir perdão, e dizer que você é a irmã que eu mais amo, depois da Rose, claro.
– Ora sua, sua.... Desaforada.
Pisquei sugestivamente para uma folgada Rósalie, que permanecia estirada na cama de Alice. Seu brilhante sorriso me indicava que ela se divertia de nosso diálogo.
Alice, por outro lado, me deu um leve tapa no braço e fingiu uma indignação demasiada, perante a minha declaração de amar mais a nossa irmã mais velha.
– Ok, mas agora falando sério, desculpe-me de verdade, Ali. Eu estava nervosa e descontei em você. Você não merecia ser o alvo de minhas frustrações. Perdoe-me, pois eu a amo demais e não quero que fique um “clima ruim” entre nós.
– É, Bellinha, você está certa eu não merecia mesmo, mas como eu te amo e nunca concordaria com esse “tal de clima ruim”, é claro que eu te perdoo.
Surpreendendo-a, me joguei em seus braços, fazendo assim com que nós duas desabássemos na cama, ao lado de Rose. Então, passei a dar beijos barulhentos nas duas, enquanto Alice me fazia cócegas e Rósalie se debatia tentando nos afastar.
Se havia uma característica que nos precedia, era o nosso bom relacionamento, que sempre fizemos questão de manter e exibir.
– “Pronto, pronto” agora vamos, parem de tanta “melação e choradeira”, porque isso não faz bem pra pele e sinceramente, eu pretendo chegar em casa linda e exuberante, assim como eu saí...
Eu não consegui ver o sorriso que Rose estampava, chegar a seu coração, no entanto, se possível, amei mais ainda minha linda irmã, ela estava mesmo disposta a se sacrificar. A sacrificar sua vida e seus sonhos de “futura rainha”, por mim. E esse era mais do que um grande estímulo, para que eu decidisse, de uma vez por todas, dar uma segunda chance a Edward, a eles, a nós. Minhas irmãs e eu merecíamos isso.
– É sobre esse assunto, que eu queria falar com vocês. Eu pensei melhor e decidi que não quero ir pra casa hoje, eu quero ficar e jantar aqui, e se as coisas não se resolverem e eu perceber que Edward não é mesmo, o que quero e preciso, então, aí sim, amanhã, bem cedo, voltamos para Forkian. O que vocês me dizem, hein?
Dei uma divertida piscadela para elas.
Alice e Rósalie se encararam, eu sabia exatamente o que elas pensavam: “Isabella Swan nunca mudava de opinião”, neste quesito, eu era exatamente igual a papai e a vovó Marie.
– Quem é você e o que fez com minha irmãzinha? “Saia desse corpo que não te pertence”.
– Por Deus! Deixe de se dramática, Rose. Eu só.... Hum! Mudei de ideia.
– Ah tá bom, Bella. E eu me chamo “Dona Romana”. A quem você acha que engana irmã?
Rolei os olhos pra ela e fiz careta.
– E que nome podemos dar essa sua mudança? Ameaça? Medo? Insegurança? Jasper? Emmett? Ou seria Edward? Vocês conversaram, se acertaram? Ora!! Confesse de uma vez, Bella.
– Pelo amor de Deus, Alice! Uma pergunta de cada vez. E não, nós não conversamos. Eu não fui ameaçada e muito menos, fui procurada pelos seus digníssimos. Eu só, pensei melhor e resolvi que quero dar uma segunda chance, ao “filhinho mimado” da rainha.
A morena e a loira se entreolharam. Eu teria que melhorar meus argumentos, aqueles não estavam, e nem convenceriam ninguém.
– Tá, então suponhamos, que Alice e eu, acreditemos nessa sua “mentira deslavada”, você não acha que é muito tarde pra chegar a essa conclusão? Há essa hora papai já deve estar colocando nossa bagagem no carro.
– E aí que vocês entram, minha irmãzinha, linda e loira.
Rose crispou os olhos pra mim. Piadinhas de loira sempre a tiravam do sério. O que ela não sabia é que o “loira” era um adjetivo, pois eu amava aquelas mechas claras de minha irmã.
– Eu sozinha, não vou conseguir convencer, o Charlie, mas se nos juntarmos...
Alice sorriu acompanhando meus pensamentos. Era sempre assim, quando nos uníamos papai era macinha da modelar em nossas mãos.
– Eu não sei... Papai estava muito nervoso. Dessa vez acredito que nem esses seus olhinhos castanhos serão capazes de convencê-lo.
– Ah Rose, deixa de ser medrosa. Ou não me diga que “morenão bombado” não mereça esse risco?
Rose empurrou Alice para fora da cama, todavia a “criaturinha” não se deu por vencida.
– O meu “loirão”, merece que eu corra o risco de ser deserdada por papai. Eu topo. Vamos nessa, Bellinha.
Sorri para o pequeno desentendimento das duas.
Agora era questão de segundos para que Rose topasse. Minhas irmãs eram assim, quando uma se dedicava a uma causa, logo podia contar com o apoio das outras.
– Ok, vocês venceram. Vamos logo falar com papai. Eu ainda tenho que me preparar, para estar mais que perfeita essa noite.
Sem dar chance que ela mudasse de opinião, agarrei a mão das duas e as arrastei para os aposentos de meus pais.
Era chagada a hora de enfrentar o “todo poderoso” de Forkian.
Narrador
Charlie falava “afoitamente” com alguém ao telefone, quando de repente a porta de seu quarto se abriu sem aviso.
O Soberano não reprimiu o sorriso, ao ver suas três filhas entrando entusiasmadas e sorridentes. Bella, sua caçula, nem parecia aquele bichinho acuado e triste, que ele deixara descansando no quarto, há alguns instantes atrás.
– Está certo, Billy. Mais tarde eu te ligo, de casa, para continuarmos com essa conversa. Meu quarto acaba de ser invadido por três mulheres exuberantes e eu preciso dar atenção a elas antes que algum “marmanjo” ache que elas estão disponíveis.
O rei ainda trocou mais algumas palavras misteriosas com o amigo antes de encerrar a ligação internacional e quando o fez seu sorriso, se possível, ficou maior ainda.
– A que devo a honra da presença de tão belas damas em meu humilde quarto? Vocês já estão prontas? Partiremos assim que vocês ajeitarem a bagagem.
Renée, que naquele exato momento saia do banheiro, de roupão e uma toalha enrolada no cabelo, olhou atentamente para suas três filhas, seu sentido aguçado de mãe lhe dava a certeza, de que elas estavam tramando alguma coisa.
– Sabe paizinho, nós estávamos pensando mesmo a respeito da nossa partida e chegamos à conclusão de que, será que poderíamos ficar aqui hoje, e partir somente amanhã de manhã? Eu estou faminta e gostaria tanto de provar da culinária “Angelina”? Eu fiquei sabendo, que o tempero deles é fantástico. O que o senhor acha, papaizinho?
Charlie conhecia muito bem cada uma delas, e saber que Alice estava mentindo, era muito simples para ele.
– Alice, Alice... Não me tenhas como “bobo”, filha. Seu argumento é fraco. Você pode fazer muito melhor do que isso
Advertiu o rei. No entanto, Alice fingiu que o assunto não era com ela.
E então Rose, que até aquele momento não havia se manifestado, tentou do seu jeito.
– Eu também gostaria de ficar, papai. Emmett me contou que o rei Carlisle, tem uma coleção de carros antigos, e que, inclusive, possui um dos primeiros carros que a “nossa” empresa produziu. Eu queria tanto vê-los.
O rei suspirou chateado. Outra mentira.
– Até você, Rose? Você é a próxima Bella? Isso é um complô?
Seus olhos migraram para Bella, e então a morena, decidiu que seria ela quem teria que “jogar limpo” ali.
– Por favor, paizinho, não brigue com elas, eu as persuadi a me ajudar a convencer o senhor a ficar. Não fique contrariado, a culpa é toda minha, e eu a assumo.
– Mas, querida? Eu não estou te acompanhando filha. O que te fez mudar de ideia amor?
– Deixe-me te explicar, pai. Eu decidi que quero ficar, pelo menos mais hoje. E se depois do jantar, se depois de conhecer o príncipe de verdade, eu chegar à conclusão de que não compensa mesmo, insistir nessa loucura de casamento, eu prometo para o senhor, que poderemos partir bem cedo amanhã, e nunca mais, mas nunca mais, colocaremos nossos pés aqui.
O rei fez uma careta e refletiu. A hipótese de ficar mais tempo ali, não o agradava. No entanto, a curiosidade também o “carcomia”, o que teria feito Bella mudar de ideia?
– E será que seu pai e eu, podemos saber o porquê, dessa mudança de pensamento assim tão, repentina?
A dúvida também dominava a rainha e uma mãe nunca se enganava, alguém tinha influenciado Isabella. Renée, só não sabia quem era. E se conhecia bem a filha, sabia que ela não seria capaz de delatar ninguém.
– Não existe um por que, mamãe. Eu só acho que não estou sendo racional. O “carinha” só “foi meio idiota” comigo e eu agi como um bebê chorão. Essa não sou eu, por isso quero me dar à chance de tentar outra vez, para não me recriminar em dúvidas no futuro.
A rainha não fez mais perguntas, mas ela também sabia que a caçula mentia.
– E pelo que parece, essa comitiva, é um conluio, para me convencer. Estou certo?
Charlie apontou para as três, “amontoadinhas” no canto.
– Por Deus, papai! Como o senhor pode pensar tão mal de suas filhinhas queridas?
– Alice, Alice, não se divirta as minhas custas, filha. Eu conheço vocês, e sei que se eu disser não, isso aqui vai virar um pandemônio, e não pararão de lamentar, até que eu diga sim. Então para economizar a saliva, as mentiras, o teatro de vocês e os meus ouvidos, eu digo que, sim, nós ficamos. Mas, se um deles, qualquer um deles, fizer uma “brincadeirinha”, uma “piadinha” por mais inocente que seja, eu garanto que não perdoarei e nós embarcaremos pra casa imediatamente. E não haverá rainha, rei, príncipe ou “princesinhas mimadas”, que me farão mudar de ideia. Agora se vocês me permitem, eu preciso de um banho, já que vou participar de um jantar oficial. E vocês, desapareçam daqui e vão se arrumar de uma vez.
Rose, Alice e Bella não controlaram o impulso de pular no pescoço do pai e enchê-lo de beijos, afinal o pai amado merecia aquele agrado.
E Charlie ainda não fazia ideia, mas, naquele momento, salvou mais uma vez a vida de suas filhas.
Enquanto isso no andar de baixo, uma Esme sorridente, mas quase sem fôlego se dirigia rapidamente a sua família.
– Carlisle, levante desse sofá, homem. Nós temos um jantar para cancelar.
Carlisle sentiu o “sangue fugir de seu rosto”, cancelar o jantar significava que nem sua mulher tinha sido capaz de convencer a princesinha a perdoar seu filho.
– Cancelar o jantar? Como assim mulher? Você ficou louca?
– Mãe....
O abatimento e a dúvida também tomaram Edward. Ele havia mesmo estragado com tudo e Isabella, como era de se imaginar, não lhe daria uma segunda chance.
– Calado, Edward. Não interrompa a sua mãe, isso é falta de educação, eu já lhe ensinei isso.
– E é isso mesmo que você ouviu Carlisle. Cancele, adie, sei lá. Esse jantar só não pode acontecer hoje.
– Cancelar? Adiar? Você tem noção de que temos duzentos convidados, entre familiares, conselheiros e amigos, somente esperando pela chance de conhecer as princesas. Não tem como cancelar. O que direi as pessoas?
Esme começava a perder as “estribeiras” com o marido. O tempo deles era curto e se ele não começasse a acompanhar seu raciocínio, não daria tempo de ajeitar tudo antes que a família real de Forkian descesse.
– “Sei lá”, invente, use a criatividade. Só faça o que estou mandando. Cancele este evento.
– Esme? Não tem jeito!
O rei de Angelus também já começava a se desesperar.
– É claro que tem. Use seus, muitos, empregados imprestáveis. Mande dizer a eles que adiaremos porque, porque...
O cérebro da rainha “trabalhava a mil por hora” em busca de uma desculpa perfeita.
– Ahh! Já sei! Diga a eles que hoje vai chover e que a sua tataravó tinha uma supertição de que se apresentassem futuras esposas em dias chuvosos, os filhos nasceriam de cabeça para baixo, é, é isso, de cabeça para baixo. Ou então, melhor, diga que os pimentões vermelhos se estragaram, e que pimentões vermelhos são essenciais para dar sorte em um jantar de apresentação e que sem eles não poderemos servir jantar “porcaria nenhuma”.
Carlisle olhava “embasbacado” para a esposa. Ele tinha certeza “Esme havia enlouquecido”.
– Mas, mãe, os bebês nascem de cabeça para baixo. Ou não nascem?
Até Emmett parecia mais confuso que o normal, tamanha confusão que a mãe falava.
– Pimentões vermelhos? Mamãe nem está na época de pimentões ainda.
Jasper também não conseguia acompanhar a rainha.
– Calado, Sr Emmett, pelo que eu ainda me lembre, você não sabe nada de bebês, eu espero.
– E você Jasper? Traga para mim seu diploma de Engenharia Agronômica. Ora seus fedelhos. Sumam daqui e vão fazer algo de útil. Tomar um bom banho, para tirar esse cheiro de “bebês chorões”, seria uma boa pedida.
Emmett e Jasper não esperaram o surto aumentar e logo se esconderam nos refúgios de seus quartos.
– E quanto a você, Carlisle. Eu já disse cancele esse jantar. Ou melhor, adie. Remarque esse maldito evento para amanhã, porque hoje jantaremos somente nossa família e a família de Charlie. Nós começaremos de novo e dessa vez nada dará errado. Por isso, cancele! Use os milhões de “puxas- sacos” que você tem, para este fim. E tenho dito!
Carlisle, estremecendo, seguiu rumo a seu escritório, a noite prometia ser fria e ele faria qualquer coisa que agradasse sua esposa, pois esperava “de todo coração” que ela amolecesse e que aconchegasse o corpo quente ao dele, no final da noite. E para conseguir isso, ele seria capaz de cancelar até o “feriado de coroação” se assim ela desejasse.
Então, depois de sumir com o restante da família, Esme voltou seus lindos olhos verdes para seu filho caçula.
– Agora, querido, são19: 30,você tem exatamente, uma hora para descobrir tudo, a respeito de Isabella Swan. As 20:30, eu quero os três, no pé da escada, lindos, limpos e perfumados, esperando pelas beldades de Charlie.
– Então quer dizer que elas ficarão? Você conseguiu Esme? Mãe, eu sou seu fã.
Edward falou com ela, no entanto seus olhos já procuravam pelo seu computador pessoal.
– Ela ainda não me confirmou, mas eu sei que Bella vai conseguir dobrar, o velho Charlie. Por isso eu te recomendo, Edward. Não erre de novo, aquela garota, é exatamente como o pai, inteligente, bonita, brilhante, um coração de ouro, mas turrona e cabeça dura, “feito uma porta”. Ela não será capaz de perdoar outro deslize.
Edward ainda gargalhou com as palavras da rainha, e instintivamente suspirou aliviado, ele ainda não sabia por que, mas sentiu que ficaria devendo essa, a mãe pelo resto de seus dias.
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