Três Príncipes, Três Princesas
84 Cumprindo Promessas
Notas iniciais
Bella
— O senhor tem consciência de que terá que colocá-los no berço alguma hora, não tem?
Como vinha fazendo desde que os meninos nasceram, Charlie não me respondeu.
Estava ocupado demais com Liam no colo, enquanto seus olhos não se desviavam de Andrew nos braços de mamãe, sentada bem ao seu lado, num confortável sofá, que Aro mandara colocar em meu quarto.
Segundo ele, privilégios de quem recebe visitas reais.
— Pai, e Forkian?
Insisti.
— Passei meses ensinando aquele imprestável do seu cunhado para quê? Fique tranquila, Bells. Tenho tudo sobe controle. Por que não aproveita que está tudo certo por aqui e tira um cochilo? Vamos ficar quietinhos até que eles necessitem de você de novo.
Adormecer? Rá! Impossível.
Eu havia passado minha quarta noite no hospital e dormir não era uma opção. No máximo, cochilos curtos de dez ou quinze minutos. Fechar os olhos me dava arrepios, claustrofobia e uma sensação desesperadora. O ar simplesmente fugia dos pulmões.
Quando chegava essa maldita hora e Edward desligava as luzes, o que também era uma tortura, eu acendia as noturnas acima da cabeceira da cama e sentava o mais ereta possível para não ousar dormir. Os pesadelos que sucediam os minutos de cochilo também eram aterrorizantes.
— Não estou com sono. Estou é preocupada com o senhor e suas obrigações.
— Está tudo na mais perfeita ordem, querida. Não se preocupe. A não ser, é claro, que estejamos atrapalhando vocês. É isso, Bella? Você e seu marido querem curtir seus filhos sozinhos e estamos atrapalhando? Pode me dizer, porque se for nós...
— Pai...
Afastei o lençol que me cobria e forcei meu corpo para me sentar direito, ainda não era possível ficar muito tempo daquele jeito ou numa mesma posição.
— O senhor e a mamãe não estão atrapalhando, muito pelo contrário, acho que Edward se mudaria para cá se não estivessem aqui. É a única hora que ele se dispõe a sair do meu lado. E, além disso, preciso de ajuda com os meninos. Ângela teima em não me deixar levantar dessa cama sozinha.
— Não os julgue.
Com extremo cuidado, e dando um olhar pesaroso a Andrew, por ter que se afastar, Charlie se levantou e veio para perto de mim.
Com a mão esquerda acariciou meu rosto.
— Ângela quase perdeu você, ela só está sendo cuidadosa. E seu marido? Bem... Ele não teve dias bons enquanto você...
Charlie pensou, pensou, olhou para minhas mãos imobilizadas em tipoias, resultado de dois dedos quebrados em cada mão, e só depois de um tempo se dignou a falar.
—... Enquanto você não estava conosco. Peço que tenha paciência se ele ficar mais paranoico com essa coisa de segurança, filha. Deus do céu! O menino desceu ao inferno várias vezes esses dias.
— Estão melhores amigos agora, é?
Brinquei abrindo um sorrisinho sarcástico.
— Você nem imagina, Bella. Ele... ele... Ei, o que foi príncipe? Cansou do colo da vovó? Você quer a mamãe, é? Já sentiu saudades? Não precisa chorar. Você quer mobilizar o hospital inteiro? Eles estarão aqui em um minuto se continuar com esse resmungo. Vovó te dá para a mamãezinha.
Andrew resmungou, isso mesmo, resmungou. E pronto... Comoção geral.
Charlie ficava chateado. Mamãe se comovia. Edward? Aparecia do nada. Esme quase chorava junto e etc, etc e etc... Isso sem citar Annie e Lizzie, que estavam derretidas pelos primos e choravam, sempre que eles choravam.
— Renée, você o colocou numa posição desconfortável. Ele não gosta de ficar para o lado esquerdo. Por isso que chorou. O entregue a mãe dele... Não pode fazer o garotinho do vovô chorar. Ele é o príncipe do vovô.
Charlie repreender mamãe não era novidade alguma quando um dos meninos chorava. Nunca era culpa deles.
— Me dê ele aqui, mãe.
Estendi os braços, aliás, eis o motivo do ortopedista não ter engessado meus braços e mãos, eu precisava deles para segurar minhas crianças.
— Isso é luxinho, vovó e vovô. Só luxinho. Tem pessoas demais para mimar.
Imitei meu pai fazendo voz doce.
Peguei Andrew torcendo para que Liam continuasse quietinho nos braços do avô. Eles pereciam um reloginho, um chorava segundos depois, o outro abria o “berreiro”.
Se bem que, Liam era mais chorão que Andrew. Emmett disse que é porque demorou a chorar, agora estava descontando.
— O que você quer, ein, amor? A barriguinha está cheia. Ainda não está na hora do banho. Vovó Esme nem chegou.
— Ele está com saudades do papai, não é filho?
Era sempre assim. Eu eternamente prenderia o ar e perderia o fôlego quando olhasse para ele.
Edward era o meu sol, um dos motivos que me fizeram lutar para voltar.
— Oi...
— Sentiu minha falta? Eu trouxe algo para você.
Ele equilibrava rosas vermelhas nas mãos, mais um buquê. Ele me trazia um, todos os dias, desde que acordei depois que meus filhos nasceram. O quarto estava abarrotado deles, porque papai, Emm, Jasper e até Carlisle tiveram a mesma ideia.
— Mãe, por favor...
Apontei para as rosas num pedido mudo para que ela as colocasse na água.
— Sinto sua falta sempre.
Enfatizei amorosa.
Cuidadosamente, se abaixou e encostou os lábios nos meus.
Saudoso e aliviado.
Era como se, se tirasse os olhos de nós, por poucos minutos que fosse, causasse-lhe dor, muita dor.
— Bá mandou algumas frutas frescas e o pijama que você pediu. Também mandou dizer que já está com saudades. Tem mais uma coisa aí. Deixe-me só lavar as mãos que vou pegar Andrew para você ver.
Bá e Chay haviam vindo em meu segundo dia de internação, hoje era o quinto e eu estava louca para ir para casa, mas Ângela...
— O que é?
— Olhe você.
Edward pegou meu bebê e sentou ao meu lado. Os olhos ansiosos em mim.
— Me ajuda?
Tinha coisas que, com as mãos imobilizadas, era impossível fazer. Eu odiava estar tão dependente.
— Em tudo que precisar, princesa. Estou aqui para você. Nunca precisará fazer nada sozinha ou estar sozinha. Estou aqui.
Edward dizia isso sempre que surgia uma oportunidade, era algo que ele sentia necessidade de afirmar a mim e a ele mesmo.
Papai e mamãe se afastaram nos dando privacidade.
Com dificuldade, abri a sacola que ele colocou em meu colo e a revirei, encontrando uma caixa vermelha grande, retangular, coberta de camurça suave.
Uma caixa de joia.
— Edward, não precisava. Eu tenho tudo o que de melhor o mundo pode oferecer.
— Shiii. Não estrague o momento.
Calou-me com um beijinho.
— Apenas aprecie. Não é, filho? Diz para a mamãe abrir depressa a caixa, porque logo, logo você não ficará tão tranquilo aqui no colo do papai.
Desajeitadamente, segurei a caixa entre as mãos e ele a abriu.
— Ah, Deus! Minhas alianças.
— Sogra, uma ajudinha aqui, por favor? Garotão, papai vai de entregar para sua vovó de novo. Se comporte. Mamãe precisa ser mimada um pouquinho. Já, já serão vocês.
De bom grado, mamãe voltou a pegar Andrew, que parecia muito atento e obediente as palavras do pai.
Os olhinhos verdes nem piscavam direito quando ouviam a voz de Edward.
— Sei que não pode usa-las, por enquanto, mas não queria que ficasse mais um minuto sem elas. Por isso...
Ele retirou da caixa o anel de noivado, o de formatura e a aliança de casamento e só então percebi que estavam encaixadas, como pingentes, em uma grossa e entrelaçada corrente de ouro amarelo.
Sem permitir que eu pensasse muito naquilo, pegou-a entre os dedos e deslizou-a pelo meu pescoço e a fechou ali.
— Eles ficarão aqui até tenham condições de voltar para seus dedos. Depois darão lugar a isso...
Sorrindo e sorrindo muito, retirou mais uma caixa do bolso, igualmente vermelha, só que numa versão bem menor.
— É... Lindo... Eu... Eu...
Não era um presente, era uma declaração, exagerada, de amor.
Era um pingente, de dois meninos príncipes, de coroas e tudo.
Cada um, de um lado de um coração talhado em uma linda pedra preciosa completamente azul e exageradamente grande.
— Não agradeça antes de saber dos detalhes, princesa.
Com o pensamento sabe-se lá onde, segurou a peça nas mãos. E delineou a pedra, delicadamente, com as pontas dos dedos.
— Eu havia encomendado antes de tudo pelo que passamos, mas aí...
Ele repirou fundo evitando o assunto.
O assunto que eu também evitava, mas, mexia e virava, pairava como um “elefante branco” em meio a nossas conversas.
— Enfim, Stephan, mesmo de repouso em uma cama de hospital, me obrigou a fazer algumas modificações. E como, jurei para Deus e para mim, que nunca mais mentiria para você, preciso te dizer para que nunca se afaste dele.
Uma sensação ruim me fez estremecer, eu queria tapar os ouvidos e fugir. Eu já escutara aquelas mesmas palavras em outra época.
— Essa pedra aqui é uma Tanzanita Azul. Uma pedra rara e naturalmente azul, mas esta, em especial, foi quimicamente modificada pela Tiffany & Co. Seu azul foi reforçado para quase marinho, a fim de esconder um... Um rastreador, princesa.
Ah não! Ah não! De novo não!
— Um... Um rastreador? Edward, eu... eu...
Engoli em seco e instintivamente soltei a caixa.
Coloquei a mão sobre a barriga, lembrando-me de onde o último havia ido parar.
Sem que eu pudesse impedir, meus olhos se encheram de lágrimas e minhas mãos começaram a tremer.
— Ei... Ei, shiii. Não precisa disso. Você está segura, minha vida. Eu juro! Está segura para sempre.
Então porque malditamente eu precisaria de outro rastreador?
Tentando adiar mais um surto, ele segurou minha cabeça entre as mãos e a puxou para seu ombro escondendo meu rosto em seu pescoço. Com a boca, falava palavras de consolo e beijava minha testa com carinho.
— É grande demais, Edward. Não vou conseguir engolir esse. Preciso de um pequeno. Quero minha tornozeleira de volta e precisamos providenciar um para as crianças também e um para você e...
Eu soluçava e tentava falar ao mesmo tempo.
Ao longe os lamentos baixos de mamãe e resmungos, nada lisonjeiros, de papai eram ouvidos também.
O “Volturis malditos” se destacava.
— Princesa... Princesa olhe para mim...
Com muito custo me afastei dele.
Eu temia, a todo instante, estar vivendo uma ilusão. Tinha dificuldade em fechar os olhos, dormir.
Receava que ao acordar tudo não houvesse passado de um sonho, uma ilusão de meu cérebro ferido e que eu ainda estava preso naquele inferno.
— Respire, meu amor. Isso... Devagar. Deixe o ar entrar... Agora o deixe sair. Assim... Como o psicólogo ensinou.
Ele repirava alto, profundamente e devagar me incitando a imitar seu gesto.
— Jasper já mandou fazer um rastreador para os meninos. É um pingente que adornará uma pulseira. As meninas já ganharam um e é igual a uma joia que tínhamos quando criança. Respire... Isso...
Ele fazia gestos com a mão, para cima e para baixo, me influenciando a continuar respirando, me acalmando. Exatamente como o idiota do psicólogo nos ensinara a fazer em momentos assim.
— E seu pingente agora é grande porque, e eu prometo isso a você, minha vida, que não precisará engoli-lo, Bella. Nunca mais a deixaremos para trás. O rastreador é mais para minha tranquilidade. Você pode entender isso, minha vida? Eu prometo com toda minha força e meu amor, princesa. Você pode confiar em mim?
Eu podia? Podia confiar em alguém depois de ter visto e sofrido o pior do que as pessoas eram capazes?
— Eu confio, Edward. Mas, vou precisar de ajuda. Está tudo tão confuso e a todo instante eu fico imaginando que se tivessem demorado um pouquinho mais para nos encontrar os meninos e eu poderíamos não estar aqui e...
— Shiii... Eu prometo, Bella. Vamos superar isso. Nada mais vai colocar vocês em risco. Você tem minha palavra estou cuidando disso.
Ele voltou a me puxar para o conforto de seus braços. Renée continuava chorando comigo e papai continuava resmungando, agora com Liam, de como ele ajudaria a cuidar de nós.
Como se meu pequenino já entendesse algo.
— Eu acredito em você, Edward. Eu acredito...
— Ei, é daqui que pediram o melhor padrinho de todos?
— Stephan!
Eu quis pular da cama e abraça-lo com força, porém, Edward, prevendo que eu faria isso mesmo, me segurou pelos ombros.
— Devagar aí. Tem pontos e fraturas para todos os lados. Ele está em melhores condições que você agora. Espere... Deixe que venha até você.
O sorriso torto, que eu amava, zombava de minha ansiedade. Mas nem me importei, eu estava feliz. Meu amigo estava ali.
— Oi, minha rainha, é bom te ver.
Como poucas vezes fazia, Stephan se dobrou num joelho e curvou a cabeça.
— Pare com isso imediatamente! Está em recuperação também. Levante daí, seu bobão. Venha me dar um abraço ou desço dessa cama e vou até você. E aí já viu, não é? Vai irritar meu pai e Edward.
— Já vou aí, Isabella. Mas antes pode, por favor, ser uma rainha civilizada e soberba e me deixar reverenciar a pessoa linda e altruísta que salvou minha vida.
Ruborizei e odiei aquele ato. Stephan era um amigo e não um servo.
— Levante-se, é uma ordem.
— É assim que se fala... Gostei do cabelo, te deixou mais bonita ainda. Aliás, está linda. Cheia de olheiras, mas lindona... Edward amigo, você tá enrolado. Ainda bem que arrumou dois garotos. Porque essa sua mulher ainda vai te dar muita dor de cabeça.
E gargalhando, debochadamente, se levantou e veio até mim, me estreitando apertado em seus braços e acariciando meu cabelo.
Eu não sabia, se ele sabia, do ataque que dei por causa do cabelo. Se sabia não comentou e me fez mais feliz quando achou que ficou legal.
Porque bonito, vamos lá respeitar, é exagero...
— Como é bom te ver, Bella. Eu rezei tanto... Estava inconsciente, mas algo me dizia o que estava acontecendo. O desespero de todos chegava até mim. Eu lamento tanto por não ter estado lá. Feito mais...
— Já passou... já passou. Por favor, vamos esquecer isso.
Ele não estava convencido, no entanto me conhecendo bem, mudou de assunto.
Esse era o Stephan que eu adorava.
— Claro que vamos superar. Agora, para de enrolação, e olhe o que eu trouxe para você.
Só então percebi que ele segurava uma sacola, de papel, nas mãos.
— Fiz Bree fugir do emprego dela e comprar isso para você. Eu já te disse que a patroa dela é um carrasco que a faz trabalhar feito uma escrava? Aiinda bem que ela está de férias.
Sorri do jeito Stephan de ser. Estava precisando demais de uma visita dessas.
— Vamos, pegue. Porque ninguém merece tantas flores. Será que esse povo não entende que não se come isso?
Edward fez uma expressão de desgosto e desconforto. Eu só não compreendia se era pelo comentário dele ou por minha expressão de felicidade ao abrir a sacola e encontrar ali dois croissants quentinhas.
— Ela acabou de tomar café, seu babaca. Recheado de frutas e coisas saudáveis.
Edward pegou a sacola de minhas mãos e colocou sobre a mesa, perto do sofá.
Graças a Deus, que não viu seu amigo encenar “enfiando o dedo na garganta e fingindo vômito” quando pronunciou a frase “coisas saudáveis”.
— Parem de implicar um com o outro, parecem crianças. Quero que conheça alguém. Mãe...
Renée veio para perto de mim. Peguei Andrew de seus braços.
Imitando meus gestos Edward pegou Liam de papai.
— Ei amor, mamãe quer que você conheça seu padrinho.
Meus filhos eram perfeitos. Ah! Isso era coisa de mãe, óbvio que era.
Mas, que culpa eu tenho? Era verdade.
Andrew e Liam eram idênticos. Uma leve “pluminha” loira despontava da cabecinha deles.
E os olhos? Ahh, os olhos! Verdes. Tão verdes quanto os do pai, do avô e da bisavó. Só não eram mais Cullen’s por falta de espaço.
Papai, mamãe e vovó Marie ficavam inventando traços Swan's neles, tipo: narizinho arrebitado, orelhinha pequena, pezinhos altos, mas era tudo invenção.
Meus pequenos só me deram o trabalho e o orgulho de carregar, porque eram o pai “escrito”.
— Viu? Quando mamãe apresentou Liam ao padrinho Emmett prometeu que o seu apareceria logo. E aqui está ele. Príncipe, esse é seu padrinho Stephan. A mamãe e vocês devem muito a ele, por isso, você deve ama-lo, respeita-lo e cuida-lo com todo seu ser, tá bom? Porque, se algum dia a mamãe e o papai faltarem, é com ele que poderá contar. Entendido?
Andrew tinha a mãozinha esticada em minha direção e me encarava com tamanha atenção que parecia que entendia minhas palavras.
Carinhosamente e sentindo o cheiro delicioso, de bebê dele, beijei sua testa e o estendi ao melhor amigo de Edward, que não titubeou, o pegou.
— Ei garotão, eu estava ansioso para conhecê-lo, mas aquela médica da sua mãe é uma chata e não me deixava vir. Seu pai tem me visitado e babado me mostrando umas fotos suas. Ele insistia que você e seu irmão eram lindos. Eu duvidei, sabia? Edward mente demais. Mas, dessa vez ele está coberto de razão. Vocês são muito mais do que bonitos. Tem nada do seu pai. São a cara da sua mãe.
Edward e Charlie gargalharam alto.
Stephan, mesmo se recuperando, não perdia a chance de provocar meu marido.
— Hum, vamos nos sentar ali? Se padrinho aqui é fortão, mas anda meio “capenga”. Quando for grande te explico o motivo. E prometo que será por pouco tempo. Afinal, tenho que me recuperar logo para poder ensinar a seu irmão e você autodefesa, jiu- jitsu, luta livre, capoeira. Essa última, ainda estou aprendendo, contratei um professor fodão, lá do Brasil. O quê? Não fica indignado. Sou seu padrinho, mas vou ensinar um monte de coisas a seu irmão também. O padrinho dele, que não é nem um pouco tão legal quanto eu, mora longe. Acho que vou conquistar seu irmão também e ensina-lo a me chamar de padrinho, só pra provocar o Emmett. O que acha?
Sorri para a interação deles. Stephan o aconchegou entre os braços e, com confiança, caminhou até o sofá e se sentou. A conversa seria longa, pois Andrew é tranquilo e só se irrita se estiver com fome ou sono. O que não era o caso agora.
— Quer aproveitar que estão tranquilos e tomar um banho? Encontrei com Ângela no corredor e ela disse que, dependendo dos resultados dos seus exames, você poderá ir para casa.
Casa! Deus como eu queria isso.
— Pedi a Alice que encomendasse algumas coisas para a equipe médica, você sabe se já estão prontas?
— Estão. Deixei no carro. Zafrina vai pegar assim que desejar.
— Tudo bem. Acho que quero esse banho então. Eles tomaram uma mamadeira agora a pouco, antes de você chegar, estão alimentados e limpinhos. Não darão trabalho.
Ele concordou, caminhou até mamãe e fez menção de entregar Liam a ela.
Eu sabia o que aquele gesto significava. Por isso...
— Mãe, você me ajuda com o banho?
Imediatamente Edward se virou para mim e me encarou.
Abaixei a cabeça.
É, eu não estava pronta para que ele visse cada hematoma que cobria meu corpo.
Edward
Acompanhei, com os olhos, a enfermeira retirar o soro do cateter no braço de Bella. Eles estavam o mantendo ali porque, segundo Ângela, devido à anemia e o estresse emocional, as veias estavam difíceis de acessar, então queriam manter uma, para aplicar a medicação intravenosa que ela ainda estava recebendo.
Depois, ainda sem me ter coragem de me encarar, Bella se segurou na mãe e caminhou a passos lentos, desajeitados e nada seguros para o banheiro.
Confesso, quase perdi a compostura várias vezes só nesses minutos. Era difícil demais ver o sacrifício que ela estava fazendo e não poder fazer nada.
Eu queria ajudar. Pegá-la no colo e evitar que se esforçasse mais do que o necessário.
Sonhava por auxilia-la no banho.
E desejava, mais do que tudo, que eu fosse sua primeira opção em qualquer coisa que fosse. E eu até era. Porém, falou que era banheiro, banho, trocar de roupa, Bella mudava completamente.
E isso me deixava desesperado.
Ângela garantira que minha mulher não havia sofrido violência sexual. Então, eu não entendia o que se passava em sua mente quanto a eu vê-la nua.
— O que psicólogo disse?
Charlie veio até mim e, como vinha fazendo demais, retirou meu filho de meus braços.
— Disse que preciso ir devagar. Que ela precisa de espaço e tempo para se abrir e nos contar, se quiser, sobre tudo o que aconteceu e o que passou.
Segurei a mãozinha de Liam e beijei seus dedinhos.
— Mas, ele me parece perdido também. Diz que ela não fala do assunto. Que afirma, o tempo todo, que está bem e que não precisa das sessões.
— E você está surtando, só para variar.
— Claro que estou, Stephan!
Fui para perto dele e me sentei ao seu lado. Inclinei-me e levei as mãos aos cabelos, o desejo de arrancá-los era demais.
— Ela está se fazendo de forte. Finge que nada aconteceu, mas surtou por causa do cabelo e agora a pouco quase parou de respirar porque viu o novo rastreador e logo pensou que ele é grande demais para se engolir. Ela não dorme, Stephan. Passa a noite vigiando o sono dos meninos ou lendo ou presa em algum pensamento. Recusa-se a fechar os olhos. E quando por, não aguentar mais, faz isso, acorda assustada e com lágrimas nos olhos. É a pior coisa de se ver. Estou louco para pedir perdão por causa das fotos, as lindas fotos que nos levaram a esse momento, mas ela não deixa. Nem consigo abordar o assunto.
— Ei Andrew, está vendo esse homem aqui do seu lado? É seu pai, lembra? Olhe bem para ele, porque antes de você completar três anos ele já vai estar careca. E imagina se, sua mãe, bonitona daquele jeito, vai ficar com um careca? Que tal você e seu irmão darem uns conselhos para ele antes que ela arrume um padastro, gostosão, para vocês?
Ajeitei a postura e o encarei azedo pelo maldito rumo que aquela conversa estava tomando.
— Pare de falar besteiras para meu filho. Você ainda não o batizou, posso desfazer o convite.
— E comprar uma briga com Isabella? Não, você não seria capaz... Se já comia na mão dela. Imagina agora que te deu dois presentes desses? Só se você fosse louco.
— Sou obrigado a concordar com seu amigo, filho.
Ressaltou Charlie, brincalhão.
A felicidade não saia de seu rosto desde que viu Bella bem e conheceu os netos.
— Vocês estão zombando da minha cara. Eu aqui desabafando, preocupado e vocês...
— Rá! Pode ir parando com o drama. Bella é que passou por “maus pedaços” e está aqui, se mantendo forte e tentando “lamber as feridas”. É corajosa, como só uma Swan sabe ser. Pode até demorar, mas vai sair dessa. Agora se recomponha e abra um sorriso, porque ela precisa de você é assim.
Olhei em seus olhos e, sem me conter, segurei seu ombro, o bom. E o apertei num gesto de compreensão.
— Obrigado, Stephan. Você não sabe como sou grato a Deus por nada de mais sério ter acontecido. Precisamos de você conosco.
— Claro que precisam. Ou quem seria o padrinho lindão desse garoto aqui? Não é, Andrew?
— Eu poderia muito bem ser o padrinho. Mereço esse cargo mais do que você.
Jacob entrou no quarto, no mesmo instante em que Bella, ainda amparada pela mãe, saiu do banheiro.
Ela estava de cabelos molhados e vestindo o pijama de calça e blusa, de mangas longas, que havia me pedido para trazer.
Linda!
— Vai sonhando, Black. Edward nunca deixaria que você batizasse um dos filhos dele.
— Mas, Bella deixaria. Agora pergunta se ele faria alguma coisa contra, se ela quisesse.
Os dois sorriram um para o outro concordando com o ponto de Jacob. Não sei onde eles arrumaram isso de que eu “comia não mão de minha mulher”.
— Querem parar? Parecem duas crianças brigando. Sabiam que Jasper nem Alice encrencaram por não serem padrinhos dos meninos?
— Isso é porque eles estão “pisando em ovos” com você e Edward, Bells. Agora pare de falação e venha se sentar. Não estou vendo firmeza alguma nessas suas pernas. Está se alimentando direito?
Antes que ele se atrevesse, fui até ela e dei meu braço para que se firmasse.
Quando chegamos ao lado da cama, muito alta, diga-se de passagem, delicadamente segurei sua cintura e a levantei aconchegando-a ali.
— Quer se deitar?
— Não. Só colocar as pernas para cima.
Desajeitadamente, ela chegou para trás e se virou de maneira que encostou as costas na cabeceira da cama. Peguei suas pernas e as levantei até que ela as aconchegasse sobre o colchão.
— Está bom assim?
Perguntei, enquanto ajeitava os travesseiros em suas costas.
— Está. Só levante um pouquinho mais a cabeceira.
Apertei alguns botões no controle da cama e esperei até que ela se sentisse confortável.
— Obrigada. Jake, você pode me ajudar?
Agradeceu-me e estendeu o braço para que Jacob ligasse o soro.
Ele, prestativo, lavou as mãos, esterilizou com um álcool gel sobre a bancada, no canto do quarto, e foi até ela.
— Como está? Sentindo alguma coisa além do esperado? A cicatrização da cirurgia está boa? E os dedos, doem?
— Estou bem. A cicatrização está boa. Repuxa um pouquinho quando fico de pé, mas nada preocupante. Os dedos estão bem imobilizados, não doem. Tudo dentro da normalidade.
A interação deles era notória. Jacob perguntava, ela respondia. Ele segurava o braço dela, ela o firmava. Ele pegava a mangueira do soro, ela segurava o cateter.
Perfeitos como dois e dois são quatro.
Creio mesmo, que se não fosse minha, ela seria dele. Porém, graças a Deus, eu estava ali.
E agora, vendo aquilo com outros olhos, olhos que acreditava numa sincronia de amigos, irmãos e logo, logo de...
— Respire... Mais uma vez...
Deslizou o estetoscópio pelas costas dela, clinicamente.
— Ei Black, o que pensa que está fazendo? Essa paciente é minha. Os seus estão bem ali.
Ângela escolheu bem essa hora para entrar no quarto.
Atentamente, observou todos ali dentro, desaprovadamente.
— Ordens médicas não são com vocês, não é? Eu disse, poucas visitas e aleatoriamente.
Jacob continuou a atender Bella, ignorando completamente a amiga quando a mesma se aproximou e o cutucou com o dedo.
Usamos da mesma tática, ignoramos sua repreensão.
— Não estou vendo nenhuma visita aqui, doutrora Weber. Todos nesse quarto são família.
Stephan, que não fugia de uma confusão, provocou fazendo-a revirar os olhos, perder a paciência e tomar o estetoscópio das mãos de Jacob.
— Quer parar? Eu vim aqui para isso. A propósito, o que ainda está fazendo em Ângelus? Você não ia para Pushian? Sua mulher vai te deixar. Tem quantos dias que não aparece por lá? Duas semanas?
O assunto pairou no quarto como um fantasma. Jacob fez careta para ela.
— Não que seja de sua conta, mas vim ver meus pacientezinhos, dar-lhes alta e me despedir. Dá para deixar de ser chata, Âng? Só porque Bella te tornou uma médica de destaque não precisa ser uma cadela. Eu estava só vendo se ela estava bem.
Tensamente, Jacob pegou seu instrumento das mãos dela e se afastou indo em direção a Andrew, que ainda estava com Stephan.
— Vamos ver como anda esse meninão aqui, tio?... Hum! Bells, você vai ter que dar um jeito de diferenciá-los para nós. Porque está complicado aqui.
— Andrew, Jake. Esse é o Andrew.
Ele pegou meu filho e o levou até a bancada colocada ali para facilitar a vida dos médicos e também dos pais no manuseio com as crianças.
O segui...
— Então Andrew, vamos ver como estão às coisas aqui?
Ângela falava algo com Bella e ela só respondia com acenos de cabeça, os olhos estavam em Jacob e nosso filho mais velho.
— Huum! Muito bom. Umbigo tá sequinho, já, já cai. E tudo ficará mais fácil de lidar. A respiração está limpa e os batimentos muito bons. Os exames dele estão ok, já conferi. E logo vocês receberão uma cópia e Bella pode se certificar disso também.
Ele olhava para mim e falava clinicamente, profissionalmente.
— Agora me ajude aqui, papai do ano, porque preciso pegar aquele rapazinho ali.
Fui para onde ele estava e abotoei o macacãozinho verde de meu filho, que ele abrira para examina-lo, e o peguei para que desse a vez a Liam.
— Ei, está brigando comigo? Ficará deitadinho aqui só por um minuto, depois te devolvo para seu vovô. Deixa de ser marrentinho, menino.
Igualmente, desabotoou a roupinha de meu pequeno e o avaliou com atenção. Liam não gostou de nada do que ele fez, chorou alto fazendo Bella ignorar totalmente Ângela.
Charlie, por pouco, não acertou Jacob com o estetoscópio.
Abafei uma risada.
— Huum! Muito bom, irritadinho! Umbigo também está bom. Batimentos e respiração também estão na medida certa. Os exames dele também foram satisfatórios. Só quero que Liam engorde mais um pouquinho. Mas, nada preocupante. Está tudo certo aqui também.
Dessa vez ele mesmo o vestiu e veio para meu lado.
— Já segurou os dois ao mesmo tempo?
Neguei já apavorado com essa possibilidade.
Eles eram tão pequenos.
— Então vamos dar um jeito nisso. Vou liberar os meninos agora e em algumas ocasiões você precisará fazer isso, pelo menos enquanto Bella estiver de repouso. Ela já sabe com se faz. Então me deixe te ajudar.
O quarto ficou silencioso e nos tornamos o centro das atenções.
Todos nos olhavam. Bella com orgulho e amor estampado e declarado.
— Firme os braços e não fique inseguro, Cullen. É tudo questão de prática.
Deixando Liam sobre a bancada, ele veio até mim, tirou Andrew dos meus braços.
— Agora, vamos lá. Eles são pequenos, bem molinhos, frágeis, mas não são quebráveis assim. Por enquanto, é mais complicado porque terão que ficar deitados, daqui a algum tempo eles só quererão ficar sentados e aí será mais tranquilo. Só exigirá mais força de você. Comece a treinar mais.
Brincou risonho e colocou Andrew em meu braço direito.
Stephan retirou o celular do bolso.
— Eles ficam na posição que você colocar, não podem se virar. Então só depende de você para que não caiam.
Firmei o braço e aconcheguei meu filho. Ele certou o esquerdo na posição certa e então pegou Liam e o colocou ali.
— Isso! Só tenha firmeza.
Ele não se afastou de imediato, se eu vacilasse pegaria um deles sem pestanejar.
Não era difícil. Só desajeitado. Nada que eu conseguiria fazer sozinho, mas uma sensação inexplicável que eu faria questão de repetir sempre.
Era preciso prática.
Stephan fotografou o momento.
Bella se emocionou.
Meus filhos estavam em meus braços. Ela estava ao alcance de meus olhos e mãos.
O que mais um homem poderia querer?
— São tão levinhos.
Ameacei um ninar leve.
— Agora eles são levinhos. Segure-os assim por meia hora e depois conversamos.
Sorriu retirando da maleta o bloco de receitas.
— Estou dando alta para eles agora. Quero que continuem com a alimentação que prescrevi e da maneira que prescrevi. Volto em uma semana e quero vê-los. Bree vai marcar uma hora e entrar em contato. Qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo, me liguem e eu venho para cá.
— Eu não vou amamenta-los, Jake?
Tirei a atenção deles e olhei para ela.
Bella estava, claramente, chateada.
Jacob fez-se de profissional, mas deu para perceber que odiou o que teria que fazer.
— Lamento, doutora Cullen. Mas, enquanto estiver fazendo uso de medicamentos optaremos por uma alimentação artificial.
— Jake, depois eles não pegaram o peito. Você sabe disso. Por favor, eu quero amamenta-los.
Ela baixou a cabeça e pude ver as lágrimas se acumulando no canto de seus olhos.
Aquilo acabava comigo. Malditos Volturis que acabaram com tudo que planejamos, com tanto cuidado, para quando nossos filhos nascessem.
— Amor...
Entreguei os meninos a Charlie e Renée e fui para perto dela.
Levantei seu queixo e passei os polegares pelo rosto de princesa, molhado e chateado.
Eu queria dizer que sentia muito, que daríamos um jeito, mas não tinha como. Ela e Jacob entendiam muito mais desses assuntos do que eu.
— Desculpe, Isabella. Ordens médicas. Eles nasceram fora do tempo. Passaram por muita coisa. Não quero facilitar. Nem deveria os dar alta agora, porém sei que estarão melhores em casa, longe do hospital e de tudo que pode conter aqui. Em uma semana conversamos melhor sobre a alimentação deles.
Ele continuou escrevendo e não ousou a olhar para ela.
Jacob não resistiria se a encarasse num momento tão frágil como aquele.
Eu o entendia.
— Aqui está. Eles já podem ir para casa.
Deixou a receita sobre a mesinha de cabeceira.
— Eles podem ir para casa, eu não. Meus filhos vão e eu vou ficar? Tirarão eles de mim? Edward? Pai?
E sem que qualquer um pudesse esperar, outra crise veio.
Bella levantou as pernas até o peito e começou a se balançar tremendo muito e dizendo coisas desconexas.
— Eles são meus... Não podem, não podem... Eu não vou conseguir... Está doendo... Não puxe o cabelo, Caius... Dói... Frio, muito frio... Quero água... Pai... Edward... Está escuro... Quero ir para casa.
— Princesa...
Charlie entregou o bebê a Stephan e veio para perto dela também. Bella clamava por nós dois.
Atordoada e agindo rápido, Ângela pediu uma medicação através do telefone de cabeceira.
— Shiii... Estou aqui... Bem aqui...
Segurei seus ombros fazendo-a parar de se balançar.
Charlie a abraçou.
— Ninguém os tirará de você, filha. Ninguém tirará vocês de nós. Só respire... Está tudo bem... Abra os olhos... É dia, Bella... Você está em casa, querida... Em Ângelus.
Levantei o rosto dela do ombro do pai.
— Olhe para mim. Estou aqui. Bem aqui...
Ela abriu os olhos no instante em que Ângela injetou a medicação. Devagar, seu corpo foi amolecendo e seus olhos se fechando.
Aquilo era um calmante.
— Pronto. Ela vai se acalmar e descansar agora. Nem preciso perguntar se dormiu a noite, não é?
Neguei e deitei seu corpo na cama. A cobri com o cobertor fino que trouxemos de casa.
Charlie desceu totalmente a cabeceira.
— O psicólogo pediu para evitarmos situações de estresse. Vocês dois não ajudaram. Podem se esforçar mais da próxima vez?
Articulei irritado.
Jacob e Ângela trocaram um olhar envergonhado.
— Dê alta a ela, Ângela. Garantirei que fará tudo o que receitar.
— É muito cedo, Edward. O corpo e a mente dela não estão prontos. Preciso acompanha-la de perto. Não quero deixar nada passar.
— Você está sendo mesquinha. Bella é seu caso mais importante, está repercutindo em sua carreira e está se aproveitando disso. Sabe, como ninguém, que mantê-la aqui não é seguro. E que ela terá todos os recursos em casa.
Eu me recusava a acreditar em Jacob. Pensar que Ângela estava fazendo aquilo de caso pensado?
Não! Achei melhor aceitar que só estava sendo precavida. Caso contrário eu... Eu...
— Ela é minha paciente e melhor amiga. Só quero garantir que fique bem. Aliás, nem devia dar alta aos meninos. Você é que está louco para ir para casa e agindo impulsivamente.
Os dois se enfrentaram duramente.
— Ou dá alta a ela ou aviso a Aro e peço a Ben que a retire do caso.
— Você não ousaria...
Jacob deu dois passos até ela perigosamente.
Charlie o segurou pelo braço.
— Ela não resistirá sã se os filhos forem e ela não. Enlouquecerá, Ângela. Pense bem no que está fazendo.
Com raiva, a doutrora Weber foi até sua maleta retirou o receituário de lá e rabiscou algumas folhas com urgência.
— Por conta e risco do doutor Black estou liberando-a. Sigam as receitas e tragam-na para uma consulta quando trouxerem os bebês para serem avaliados. Vou mandar desligar o soro e assim que acordar podem ir.
Arrancou as folhas, as depositou junto com as de Jacob por sobre a mesa de cabeceira e sem se despedir de ninguém nos deu as costas e saiu batendo a porta e assustando meus filhos que imediatamente começaram a chorar fazendo Bella se revirar, de desconforto, no leito.
— Jake, você acha que Bella está mesmo pronta para ir para casa?
Peguei Liam de Renée. Charlie pegou Andrew, de Stephan.
— Ela está. Em casa você poderá evitar situações como essa. Ângela está deixando o caso subir a cabeça.
Assenti, ninando um bebê irritado em meus braços.
Bella não acordou.
Sedativos! Só aquilo para fazer com que dormisse com tranquilidade.
— Vou preparar as mamadeiras.
Minha sogra saiu do quarto deixando quatro homens e dois bebês irritados para trás.
Era nesses momentos que eu ansiava por Esme aqui a todo o momento.
Aliás, onde estava minha mãe?
Bella
Acordei, um tempo depois, com um gosto amargo na boca e uma sensação meio grogue me dominando.
Por quanto tempo eu havia apagado?
Maldita Ângela e seus sedativos.
— Tudo bem? Está sentindo alguma coisa?
Edward estava ao meu lado, segurando minha mão. A ansiedade era palpável nele.
— Estou bem. Onde estão os meninos?
Ele se afastou um pouco e pude ter visão completa dos bercinhos perto dos sofás.
— Dormindo, assim como a mamãe deles.
— O que está acontecendo? Minhas flores? Nossas coisas? Vocês estão levando Andrew e Liam para casa? Só estavam esperando que eu acordasse? Edward?
Eu tinha consciência de que estava descontrolada, agindo feito uma criancinha. Contudo era impossível se controlar quando um medo insano, a toda instante, vinha em minha memória e ameaçava me sufocar.
— Princesa, fique calma. Ninguém vai embora sem você. Eu não poderia deixar um ou outro. Jacob se responsabilizou por sua alta. Por isso, nós estamos indo para casa. Só estava esperando você acordar. Já até pedi que Zafrina buscasse as coisas que você queria que entregássemos a equipe médica. Só precisamos fazer duas coisas antes de sair.
Aliviada, soltei o ar que nem percebi que prendia.
— Ângela deve ter ficado furiosa.
Edward deu de ombros, sorrindo muito.
Eu teria problemas em acalmar minha amiga, certeza que teria.
Contudo, teria mais que agradecer a Jacob. Ir para casa era tudo que eu precisava agora.
— Já podemos ir. Quer se levantar agora?
Assenti e estendi os braços para que ele me ajudasse a sentar e depois levantar.
— Sei que é pedir muito, mas preciso que troque de roupa. Muitas pessoas fizeram campanhas de orações e vigílias por nós. E quando a resgatamos eles vieram para a porta do hospital e não saíram mais. Jasper acha que seria atencioso se saíssemos na sacada de um dos quartos centrais, junto com os meninos, para que eles tivessem um vislumbre de vocês. Em forma de agradecimento, entende?
Sair? Pessoas? Muitas pessoas?
— Me perdoe, Edward. Eu não posso aparecer para o povo agora. O meu cabelo, ele... Ele...
Tentando não surtar, e falhando miseravelmente, levei a mão aos cabelos e os sacudi descontrolada.
— Amor...
Respirou fundo, imagino eu, buscando paciência no mais íntimo de seu ser.
— Você está linda, ou melhor, é linda. O povo te ama, Bella, pelo que é e pelo que faz. A aparência é só um mero detalhe, princesa. Aposto que amanhã todas estarão copiando seu corte.
O carinho dele era de derreter o coração. Então, por que eu não conseguia ceder e recomeçar a viver sem medo e insegurança?
— Olhe, minha vida, ninguém vai te obrigar a fazer nada que não queira. Mas, nosso povo orou tanto por nós. Merecem, pelo menos admirar, mesmo que de longe, a nossa família linda, unida e feliz. Pense bem...
Sua mão acariciava meu rosto, os olhos ansiosos não deixavam os meus.
Como negar-lhe alguma coisa, por mais apavorante que fosse?
— Vai estar comigo?
— O tempo todo e para sempre.
— Então ficaremos bem.
— Prometo que será rápido e que não terá perigo. Mandei instalar um vidro blindado por todo lugar. Vocês estarão seguros. Jasper reforçou a vigilância em volta do hospital também.
Jasper é? Eu precisava que alguém me inteirasse das coisas.
— Nós estaremos seguros.
— Quê?
— Você disse “vocês estarão seguros”, quando o certo é “nós estaremos seguros”. Eu preciso que esteja bem para que eu esteja também, Edward. Nunca se esqueça disso.
Ele assentiu. E tenho certeza de que seria uma longa batalha, porque teimaria em nos colocar primeiro, sempre.
Então, tomando a iniciativa, a primeira vez desde que fui resgatada, me aproximei e encostei os lábios nos dele.
Era para ser algo suave e tranquilo, contudo, Edward estava impaciente e sedento.
As mãos migraram de meu rosto para minha cintura, com um pouquinho mais de força.
A boca sugava, mordia, exigia...
A língua estava em toda parte. Invadindo, tomando posse, se deliciando.
— Saudades, muitas saudades de você, princesa. Amo nossas famílias, mas temos que concordar, denconfiômetro não é o forte deles.
— Não é mesmo.
Respondi sorrindo voltando a buscar sua boca até que, num ímpeto a mais, Edward apertou um ponto dolorido em minhas costelas fazendo-me gemer de dor e ele se afastar, minimamente, arfante e assustado.
— Te machuquei? Dói em algum lugar? Devo chamar Ângela?
Ele não me soltou e com os olhos avaliava cada parte que podia.
— Está tudo bem, Edward. Foi só uma dorzinha.
Voltei a levantar a cabeça para que ele me beijasse.
Em vão... Já estava perturbado demais com medo de me machucar.
Adeus clima bom.
— Vamos ajeitar as coisas? Não quero sair daqui a noite. Nossa equipe acha melhor não, também.
Frustrada, era isso que eu estava. Malditas costelas doloridas!
— Tudo bem. Pode me soltar e pegar uma roupa, por favor?
Incerto, ele me soltou e foi até a mala em cima do sofá.
Olhos assustados ainda presos aos meus.
— Rosie mandou dizer, para você vestir esse vestido azul. Como ela não está aqui e quem manda é você. O que quer vestir?
Ele era lindo e estava se divertindo com nosso pequeno momento a sós.
— Quero uma calça preta, que está mais no fundo da mala e quero uma blusa branca, soltinha, de mangas compridas. O que menos precisamos agora é da mídia especulando meus ferimentos.
Ombros, mãos, marcas de dedos nos braços. Vestido? Rosie estava louca.
— Onde está mamãe?
Perguntei quando ele voltou para perto de mim já em posse das roupas.
— Foi para casa ajeitar as coisas para nosso volta. Seu pai está supervisionando os preparativos da nossa aparição e saída. Quer que eu chame alguém para te ajudar?
Eu sabia que aquilo o magoava, mas Deus! Eu não estava preparada.
— Não. Só quero que não olhe para mim, por um segundo.
— Minha vida, eu...
— Por favor, Edward, por favor. Prometo que vou me esforçar mais. Prometo que esses “chiliques” serão passageiros. Só me dê um tempinho. Eu prometo...
— Não são “chiliques” não diga isso. E você terá o tempo que precisar, princesa. Só me guie no caminho para que eu não me perca, ok? Às vezes será complicado para mim também e precisarei que tenha paciência e seja a luz que me trará de volta. Tá bom?
Concordei apaixonadamente por ele. Se Edward continuasse a se comportar assim seria impossível não ama-lo cada dia mais.
— Te amo.
Dei voz a meu pensamento.
— Assim como eu te amo.
E, com olhos nos olhos, me encarando quente com olhar de quem poderia me despir ele mesmo, Edward se virou para a parede.
Com dificuldade, por causa das mãos, tirei a blusa do pijama e deslizei a bata branca por sobre a cabeça. Como ela era grande, bem modelo de grávida, cobriu até perto de minhas coxas.
Era o que eu precisava.
— Acho que preciso de uma ajudinha agora.
Pedi, descendo o cós da calça o máximo que podia sem me abaixar muito. Esse ato os rastros da cesárea impediam.
— Isabella... Isabella...
Sacudindo a cabeça em negação, e com um sorriso cafajeste no rosto, ele se voltou para perto de mim e se abaixou a meus pés, segurando meu corpo enquanto retirava meus chinelos.
— O que faço com você?
Mais uma vez, olhos nos olhos, ele levantou as duas mãos até encontrar o cós da calça e puxa-las para baixo.
Depois pegou a outra me vestiu e a levou até o alcance de minhas mãos.
Com a mesma atenção pegou uma sapatilha preta, com pedrarias, e deslizou por meus pés.
— Não precisa se esconder. Cada traço, marca ou cicatriz de seu corpo serão adoradas e reverenciadas por mim, seu servo. Elas servirão para lembrar-me de que amo e devo amar, acima de qualquer coisa, a mulher que deu tudo para trazer-se e trazer nossos filhos para o pai deles.
Então, ainda ajoelhado a meus pés e sem levantar a blusa, deu um beijinho delicado e cheio de significados bem por cima do local do corte da cesárea.
Nós ainda não sabíamos, mas esse gesto seria o início do fim de meus traumas quanto a minha aparência corporal.
— Agora passe um batom enquanto ajeito seu cabelo. Alice disse que precisa de um pouquinho de cor, para não parecer mais pálida do que já é. Você tem noção que suas irmãs são mandonas, não tem?
Entregou-me a necessaire, que com certeza era minha irmã que havia arrumado.
Enquanto eu disfarçava, mais ou menos, as marcas de expressões ele deslizou a escova e a mão por meus cabelos, ajeitando-os e aproveitando para dizer o quanto estavam bonitos. Gesto esse, que foi essencial para que eu não demonstrasse o desconforto que sentia de tê-lo mexendo ali.
— Sua mãe vestiu os meninos com macacões vermelhos. Disse que na saída se veste assim para dar sorte. Quer deixa-los assim ou troca-los?
Olhei para minhas crianças confortavelmente dormindo em seus bercinhos.
— Deixe assim. Gosto deles de vermelho. Realça os olhos e os cabelos.
Em mais um gesto de carinho, ele beijou minha testa, retirou a necessaire de minha mão e a guardou na mala juntamente com tudo que ainda sobrara em nosso quarto.
Depois, se afastou e a entregou a Demetri que já nos esperava na porta.
— Seu pai está aqui fora, para nos ajudar. Quero que deixemos esse quarto com nossos filhos nos braços, mas não posso exigir demais de você. Então, por favor... Por favor, não surte.
Abrindo totalmente a porta papai entrou com hesitação.
Ele empurrava uma cadeira de rodas.
— Lamento, filha.
Não falei nada, tive medo de abrir a boca e começar a chorar. Então, devagar, fui até ele e me sentei.
Não era assim que eu esperava sair daqui.
— Será só até o carro, eu prometo.
Entendi os braços, ainda em silêncio. Eu precisava do conforto de um dos meus filhos para me manter sã.
— Ei filho, não chora. Papai vai te colocar nos braços da mamãezinha. Quer local melhor para tirar um cochilo? Estamos indo para casa, amigão. Vocês vão conhecer o lugarzinho lindo que preparamos para vocês.
Liam resmungou, e resmungou muito, por ter sido tirado do berço e acordado.
Quando Edward o colocou em meus braços fiz o que sempre o acalmava, encostei o nariz em sua testa e acariciei.
— Pode dormir, filhotinho. Ninguém vai atrapalhar o soninho de vocês. Mamãe promete. Shiii, está tudo bem. É o papai e a mamãe, tá bom?
Igual ao irmão, Andrew resmungou quando mexido. Edward o acalmou ninando-o devagar e falando palavras doces.
— Prontos?
Charlie perguntou.
Respirei fundo e disse a ele que nos tirasse dali.
Ao sair do quarto me deparei com toda a equipe que nos atendeu a nossa espera.
Foram tantos “oohhss” e “aaahhhsss” que Liam até alertou procurando, com a cabecinha, o motivo daquele alvoroço.
— Zafrina, entregue a eles as encomendas que Edward trouxe.
Minha segurança distribuiu a todos uma pequena lembrança que meu marido e eu havíamos encomendado para eles: Uma réplica de dois ursinhos marinheiros, os mesmos da decoração do quarto, sobre uma âncora e com coroas na cabeça.
— Meus filhos, minha esposa e eu não temos palavras para agradecer o carinho e a atenção de vocês. Sintam-se abraçados e saibam que Andrew e Liam logo, logo voltaram para agradecer, eles mesmos, por terem dado tudo de si por nossa família. Tenham nossa gratidão eterna.
Alguns fizeram menção de aplaudir, mas Jacob os parou a tempo, com um aceno de mão.
Não sabíamos como os meninos reagiriam e uma choradeira dupla ali, não seria legal.
— Em algum momento quando recobrei meus sentidos e percebi que estava sendo cuidada por vocês, fiquei tranquila e me entreguei totalmente. Conheço vocês, convivo com cada um e sei de seus potenciais. Obrigada por cuidarem de nós. Contem sempre conosco agora.
Papai aproximou a cadeira de todos e fiz questão de cumprimenta-los, um a um, e deixar que vissem e tocassem meus pequenos príncipes.
— Em breve estarei de volta. Guardem meu lugar e não deixem que o doutor Black faça besteira.
Finalizei o momento sorrindo e brincando com eles.
Abracei Bree e Jacob com mais afinco e só então deixei que papai me conduzisse para nosso próximo destino.
Ângela não apareceu para se despedir.
Edward
Deixamos todos para trás e com surpresa vi Stephan nos acompanhando.
Mesmo em recuperação, ele retornava a equipe.
Sam não estava ali. Jasper o havia remanejado, pelo menos até que Bella desse falta e minha ira passasse.
— Amor, quero agradecer a equipe que nos resgatou e desejo que conheçam nossos filhos. Marque um encontro com eles, por favor.
Deus! Do nada, ela solta uma dessas com tanta tranquilidade que às vezes penso que sabe de meus segredos mais sombrios.
— Peter e sua equipe estão em missão, princesa. Assim que eles retornarem farei o que pediu.
Charlie e Stephan me olharam com indignação e acusação. Todos sabiam que mentir para minha mulher nunca era uma boa coisa.
Eu iria contar a ela o que tinha feito, só não seria agora.
Apertei mais Andrew nos braços me forçando a acreditar que estava fazendo o certo, por nós, por nossa família.
— Preciso passar com vocês em um lugar rapidinho.
Ela especulativamente tentou me decifrar.
Não dei pistas, iria surpreendê-la e foi a chance perfeita para mudar de assunto.
— Encontrei esse lugar num ato de desespero. E naquele momento entendi o que leva você e sua família a acordarem num domingo de manhã e irem até lá. Deus me ouviu Bella. Eu estava apavorado e desesperado. Clamei, chorei, pedi e Ele me ouviu. Deixou que você ficasse comigo e ainda me deu Andrew e Liam perfeitos e com saúde. Por isso, prometi que o primeiro lugar que eles visitariam seria a casa do Senhor.
Antecipando-me a pai e filha, abri a porta da capela e me afastei para que Charlie a empurrasse.
Os dos tinham lágrimas nos olhos.
Liam e Andrew estavam quietinhos e atentos a todos os sons.
— Tenho certeza de que já esteve aqui, mas para mim foi totalmente novo e gostaria que pudesse ver a emoção que compartilhei.
Sorri, agora, ao me lembrar de como Deus havia me dado o sinal de que eu tanto precisava naquela hora.
— Ali sogro, pare ali.
Apontei para o fim do corredor, bem ao lado do primeiro banco onde eu havia me refugiado dias atrás.
O sentimento de reverência e adoração adornava o lugar.
Até o ar ali parecia mais puro e aromatizado: lavanda pura em sua total essência.
Deixando-me dominar pelo ambiente, levantei os olhos e declarei como se o próprio Deus estivesse, em carne e osso, a nossa frente.
— Então Senhor, eis-nos aqui. Sei que já os conhece pelos nomes, mas quero fazer isso da mesma maneira que o Salvador foi apresentado ao templo. Este anjo lindo, em meus braços, é nosso primogênito, o Andrew. E o pequeno milagre de olhos verdes no colo de minha esposa é nosso Liam, Senhor. Quero que saiba que essa é só a primeira de muitas visitas, Pai. Porque o Senhor nos salvou e agora é nossa vez de agradecer. Por isso, conte com os meninos e comigo acompanhando Bella todos os domingos em sua casa, Senhor. Espere-nos para a ceia. Amém.
Bella e Charlie sussurravam também. Nós tínhamos demais o que agradecer, no entanto, algo me dizia que naquele instante ela só estava grata por eu ter reconhecido as quão maravilhas Deus faz por nós.
— Podemos ir agora. Deus já conhece a nossa família.
Disse baixo não querendo atrapalhar o momento deles. Nem forçar o corpo dela demais,
Era hora de ir para casa.
— Ele conhece antes de entrarmos por aquela porta. Obrigada, Edward. Você não tem ideia de como pedi por esse momento.
— Desculpa por ter demorado tanto, princesa. Vou ficar mais atento às coisas que são importantes para você e para nossa família a partir de agora.
Acariciei seu rosto deixando transparecer todo o amor que eu sentia. Ainda estava pensando uma maneira de como poderia recompensa-la por tudo que havia me dado.
— Não quero estragar o momento, mas, precisamos ir.
— Se pai está certo. Assim que estiver mais forte repetiremos essa visita.
Ela concordou, fez o sinal da cruz e então colocou a mão por cima da do pai estimulando-o a leva-la para fora.
Também me despedi da casa de Deus e, com Andrew junto ao peito, segui atrás deles.
A equipe de segurança nos esperava do lado de fora. Privacidade em primeiro lugar.
— É no final do corredor à esquerda, senhor.
— Obrigada, Amum.
Caminhamos em silêncio.
O percurso até o quarto, preparado para nossa aparição, estava completamente vazio. Evacuado, como Charlie dissera que seria melhor.
— Poderíamos ter feito isso da minha sala. A sacada de lá da visão completa de toda parte da frente do hospital. E tenho certeza de que aquele vidro é inquebrável.
— E mostrar a imprensa mundial onde é sua sala? Não filha. Jasper e Edward são precavidos. Um quarto aleatório foi muito boa ideia.
— A imprensa descobre qualquer coisa, pai.
— Eu sei, mas dificultar a vida deles não custa, não é?
Concordei, em silêncio, com meu sogro.
Recusava-me a pensar em como seria no dia em que Bella resolvesse clinicar novamente.
Eu enlouqueceria. Certeza!
— É aqui, senhor. Já está tudo pronto e testado. Não tem perigo.
Acenei positivamente. Abri a porta e dei a Bella uma visão geral do lugar completamente vazio. Só a nossa espera.
— Stephan, Zafrina, Demetri e eu estaremos ao fundo, por garantia. O senhor e sua família poderão chegar até bem perto da proteção.
Voltei a concordar afirmativamente.
— Pronta, princesa?
Passei para frente de Bella para que meu olhar no seu desse-lhe a segurança que necessitava.
— Pronta. Vamos lá. Quero ir para casa logo.
Disposto a dar-lhe o mundo e coragem para seguir em frente, entrei primeiro e me coloquei a direita, dando-lhe passagem.
— Pai, por favor.
Charlie, como toda paciência do mundo, empurrou a cadeira até que estivesse ao meu lado.
Então juntos, como seria até a eternidade, nos movemos até ficarmos bem em frente à parte de vidro.
A princípio, quando ainda estávamos despercebidos, Bella pode contemplar a multidão parada, lá em baixo, na porta do hospital e atrás de um cordão de isolamento feito por seguranças do hospital, de nossa equipe e da polícia local.
— Nossa! São tantos. Devem estar com sede e fome, Edward.
Aquela era minha mulher... A rainha de meu povo.
— Mamãe sabia que diria isso. Ela providenciou sanduiches, água e até cobertores para os que pernoitam aqui desde que chegou.
Coloquei a mão em seu ombro, acalentando-a.
E esse simples gesto chamou a atenção de algumas pessoas e aí... Tudo virou uma comoção total.
Eles nos identificaram e começaram a apontar, aplaudir e gritar palavras de conforto e alegria.
— Virem os meninos para frente um pouquinho. Eles querem vê-los.
— Senhor, eu não acho que essa ideia de Stephan seja boa. Eles podem...
Estendi a mão calando Amun. Stephan tinha todo o direito e sabia o que era melhor para nós, sempre.
— Princesa...
— Me ajude, pai.
Bella não titubeou nem precisou que eu pedisse. Ela também concordava com minha opinião sobre Stephan.
Charlie foi até eles, pegou Liam, o levantou e colocou de frente para a vidraça. Bella, confiantemente, o segurou pela barriguinha mantendo-o junto ao peito.
Imitei seu gesto.
Causamos uma loucura. Os gritos e flashes eram tantos...
Choro, soluços e palavras de carinho.
— Não é o povo que faz coisas ruins, Amun. A fome de poder faz coisas ruins. O povo só luta, trabalha e torce por nossas vidas e vitórias. Edward, os meninos e eu somos o sopro de sonho que eles têm perante tantas dificuldades e sofrimentos.
Esse reino, um dia, será regido por nós e quando esse dia chegar, quero que eles nos olhem e vejam pessoas que amam e confiam pelo que elas são e fazem, não porque tem uma coroa na cabeça.
Olhem amores, aquelas pessoas amam vocês. Que tal dar um tchauzinho para elas...
Pegou a mãozinha de Liam e o fez acenar para eles.
Imitei-a.
Sem me conter mais e deixando que todos achassem que eu sorria para a multidão, fiquei em silêncio e deixei que as palavras dela flutuassem pelo quarto.
Bella não era só uma médica, filha, mãe e esposa dedicada.
Era a rainha que Ângelus merecia...
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