Notas iniciais
Prontas para o último capítulo? Então vamos lá... Capítulo dedicado inteiramente a Duda que que alegrou com um linda recomendação. Eu amei!

Bella

— Quer parar de fazer “cara feia” para as pessoas, Stephan? Está assustando as crianças. Ala pediátrica, lembra?

Remexi, incomodada, os ombros me livrando da mão dele que me impulsionava, protetoramente, a andar mais rápido.

— A “cara feia” é para os pais e algumas mães desavisadas e cegas que por acaso não enxergam essa aliança desse tamanho em sua mão esquerda. Tem certeza de que Edward viu você sair de casa, Bella? Essa calça branca está indecente.

Zafrina, a meu lado, revirou os olhos e suspirou pesadamente e alto.

Stephan estava implicando comigo para aliviar o clima, mas era evidente, que algo o incomodava.

— Me poupe, tá? Estamos num hospital. E se ninguém te contou trabalho aqui e usar branco é meio que uma norma.

— Não seja irônica, Isabella.

— Então não seja rabugento. Está agindo como um namorado ciumento. Lógico que Edward me viu sair, tanto que até implorou para que o esperasse chegar, antes de tirar o uniforme.

Pisquei matreira disfarçando com um “bom dia” para duas enfermeiras de minha equipe.

Meus seguranças olhavam atentamente para tudo, em busca de algo que eu não sabia o quê.

— Não estou sendo um namorado ciumento, isso eu sou com Bree. Com você sou um irmão preocupado, um compadre cuidadoso e um segurança comprometido.

— Esqueceu o modesto...

Completei, mordendo os lábios para não gargalhar e chamar, mais ainda, a atenção dos presentes para nós.

— E bonito...

Sorriu brincalhão ignorando minha “chamadinha” de atenção.

— Preciso ensinar umas coisinhas para os “pestinhas”. Já está passando da hora deles começarem a cuidar da mãe que tem.

Voltei a revirar os olhos ao entrarmos em meu consultório. Assim como toda ala pediátrica, ali estava estranhamente, vazio.

Bree nos recebeu com seu sorriso angelical de sempre.

— Você precisa é controlar esse seu linguajar perto dos meus filhos. Juro que se escutar Andrew e Liam dizerem mais uma vez “titio “asper” “budão””, além de ficar de castigo com eles, ainda será remanejado como segurança de Alice por um ano.

— Deus me livre! Está louca? Você não seria capaz. Além do mais, Edward não permitiria.

— Quer mesmo competir comigo? É só saber como e quando pedir. Acha que Edward me negaria alguma coisa lá pelas quatro da manhã, depois de uma noite muito, muito proveitosa?

Parei junto à mesa de Bree, me virei para ele e o olhei displicentemente como quem diz “me tente”.

— Eca!

O olhar de raiva que me devolveu, garantiu que ele sabia a resposta.

— Bom dia, Bree. Onde estão todos?

— Bom dia, Bella. Não sei o que está acontecendo parece que todos estão atrasados. Está tendo um dia difícil?

Levantou a sobrancelha para o namorado.

Porém, o Stephan brincalhão já havia desaparecido. Assim que Bree relatou o fato da falta de pacientes, ele e Zafrina ficaram mais atentos observando tudo ao redor.

Franzi o cenho e fiz questão de trancar dentro de mim, as lembranças ruins que tentavam emergir em qualquer situação anormal.

Elas não me afetavam mais.

— Bom para nós então. Tenho alguns exames e casos para avaliar.

— Falando nisso...

Abriu a gaveta e me entregou um envelope lacrado do laboratório do hospital.

— Devo marcar uma consulta com a doutora Senna?

Seus olhos eram intensos e felizes.

— Não, ainda não. Mas, você poderia me trazer um daqueles cafés deliciosos da padaria da esquina. Por que não aproveita e leva Stephan como companhia? Acho que ele merece algo quente para alegrar um pouco mais seu dia.

Fugi da pergunta muda dela. Eu ainda não estava pronta para falar daquilo com alguém que não fosse Edward. A nova obstetra poderia esperar até amanhã.

— Claro que nos vamos. Alguma preferência e...

— Vá com Zafrina, Bree. Vou ficar por aqui... Bella, por favor, entre para sua sala e não saia de lá antes que eu vá busca-la.

Stephan continuava observando tudo.

Zafrina imediatamente guiou Bree para fora do consultório.

— Stephan, pare! Você está me assustando.

— Eu sei. Porém, jurei que nunca mais pecaria por falta de cuidado. Por favor, entre.

Ainda o achando paranoico, entrei, guardei minha bolsa, coloquei o celular ao alcance dos olhos caso Tia ou Bá me ligassem e finalmente me sentei e avaliei o envelope que tinha em mãos.

A ansiedade de saber o resultado era enorme, porém o medo da decepção me travava. Eu não estava pronta para encontrar um “negativo” e frustrar Edward. Contudo...

— O que pensa que está fazendo? Eu sabia que algo estava errado. Você não vai entrar aí. Não com essas pessoas. Bella foi clara quanto à presença delas.

Coloquei-me de pé no mesmo instante em que a voz de Stephan se elevou.

Ouvi alguns murmúrios em resposta, mas estavam baixos. Não deu para entender muita coisa.

Sem perceber comecei a tremer. Não era possível que a história se repetiria.

Deus! Eu tinha os meninos agora, pequeninos ainda. Precisam de mim... Por favor...

— Não! Nem pense nisso. Sou responsável pela segurança dela. Só ela muda de ideia. Pare!

De repente a fechadura se mexeu.

Segurei com as duas mãos à mesa quando a porta se abriu com violência.

— Droga, Stephan! Percebe a merda que fez? Olhe para ela?

Edward? Deus, era Edward!

Correu para meu lado e segurou meu rosto, com preocupação e carinho.

— Respire, princesa. Sou eu. Respire... Não está acontecendo nada. Está segura. Stephan é que não sabe controlar o tom de voz. Por favor...

Com muito esforço tentei fazer o ar entrar e sair lentamente. Não era hora para surtar.

— Aqui... Dê isso a ela.

Quê? Como?

Olhei para a pessoa, não grata, que segurava o copo com água e então entendi o motivo da discussão de Stephan.

Jacob Black e sua esposa, com um imenso barrigão de grávida, estavam em minha sala e só entraram ali com a ajuda de Edward.

Eu não estava entendendo mais nada.

— É só você ordenar que os coloco para fora daqui, Bella. Todos... Inclusive seu marido traíra. É só dizer as palavras, minha rainha.

— Também serei seu rei, Stephan. Quer ter mais respeito?

Edward tentou suavizar a situação, mas Stephan não cedeu.

Neguei o copo que me estendeu.

Respirei mais devagar, deixando que o controle voltasse a tomar conta de mim. Eu podia lidar com aquilo.

— Trabalho para ela. Sou responsável por ela, você quis assim. E uma de suas ordens era que não deixasse esses dois se aproximarem. O que pensa que está fazendo, Cullen?

— Estou cumprindo uma promessa. Pode nos deixar a sós, por favor? Não há perigo aqui, Stephan.

— Nunca precisou...

Meu segurança franziu o cenho e olhou para mim esperando pelo que eu queria.

Edward resmungou algo como “lealdade de merda!” e então se voltou para mim também.

— Princesa...

Tentou me tocar.

Afastei-me propositalmente e fazendo com que acompanhasse meus atos com os olhos, peguei o envelope em cima da mesa e o guardei na última gaveta de minha mesa.

Ele observou intensamente o que aquilo poderia ser. Já tínhamos nossas duvidas. Só faltava a confirm...

— Bella, por favor, nos escute. Edward não tem culpa. Ele foi só o meio para que entrássemos. Precisamos falar com você e...

— Stephan, chame a segurança. Essas pessoas estão proibidas de entrar aqui. Aliás, ligue para Jasper e peça que emita um alerta para que sejam proibidos de entrar no reino. Quanto ao senhor meu marido, pode deixar que me resolvo com ele mais tarde.

Cruzei os braços em sinal de desagrado e dei dois passos para trás, longe do alcance de qualquer um deles.

Stephan já tinha o telefone na mão.

— Não! Espere...

Edward acenou para o amigo suplicante. E não faço ideia do que transmitiu no olhar, só sei que fez Stephan recuar.

O que estava acontecendo?

Jacob se manteve quieto o que era, no mínimo, estranho.

Pela minha visão periférica ainda percebi Leah deixar uma lágrima escorrer.

Por Deus, ela sabia o que era chorar!

— Princesa... Minha vida...

Levantou as duas mãos em sinal de súplica e voltou a se aproximar lentamente. Como se pedisse autorização.

— Desculpe-nos por ter te assustado. Não era a intenção. Porém, sempre que tento tocar nesse assunto em casa, você se esquiva. Infelizmente estamos ficando sem tempo. Eles precisam que você os escute. Por favor, princesa? Por favor...

Segurou meu rosto entre as duas mãos e o acariciou atencioso e intenso.

Não respondi...

— Meu amor, eu sei como está se sentindo. Deus! Eu sei. Mas te conheço, Bella. E sei que se condenará para sempre se negar escutar o que eles têm a dizer. Amor, Jacob esteve lá por nós, sem pensar nas consequências. Nosso filho... Ele salvou nosso filho, Vida. Eu prometi que o ajudaria quando chegasse a hora. Por favor... Confie em mim. Eu não estaria aqui se não fosse estritamente necessário.

— Ainda não é a hora, Edward.

Tempo, eu só queria mais um pouco de tempo. É óbvio que Jacob, e olha que eu disse Jacob, merecia mesmo a minha segunda chance. O problema é que ainda estava tudo muito recente. Eu só queria mais alguns dias de paz e sossego.

— Agora é a hora, Bella. Eles não têm tempo. Por favor, escute. Só sente ali e escute. Eu juro que é um assunto que vai querer saber. Confie em mim, princesa. Pode fazer isso?

Ele implorava, implorava por Jacob... Era Edward intercedendo. O meu Edward companheiro, pai de meus filhos. O amor de minha vida e que fazia tudo para me ver feliz. Se ele estava dizendo... Eu confiaria.

— Vai ficar comigo?

— Claro que vou! O tempo inteiro. Limpei minha agenda para isso.

Acenei em concordância então.

— Stephan, por favor, nos deixe sozinhos. Pode ir tomar aquele café agora.

— Tem certeza?

Nada convencido, esperou por minha resposta.

Voltei para perto de minha cadeira e me sentei.

— Edward tem certeza, então também tenho.

— Ok. Estarei ali fora até que todos saiam.

O agradeci. Era certo que não abandonaria seu posto até que tudo parecesse em ordem.

— Sentem-se.

Apontei para as cadeiras a minha frente.

Edward, pegou outra que estava próxima ao sofá e trouxe para meu lado. Também aproveitou e pegou um copo de água para mim, já que me recusei a tomar o que Jacob me ofereceu.

— Aqui. Tome! Não quero que se estresse mais do que o necessário.

Aquele olhar, penetrante, que me deu me certificou... Ele sabia, soube exatamente no mesmo momento que eu.

— Obrigada!

Deixei que meus dedos resvalassem nos dele sentindo o coração palpitar e atrasando ao máximo a inevitável conversa que teria pela frente.

— Então, o que os trazem aqui mesmo depois de ter deixado claro de que não são bem-vindos?

Coloquei o copo mais para o lado da mesa e cruzei uma mão na outra apoiando os cotovelos na mesa.

Leah me olhou, porém não disse nada. Jacob foi quem quebrou o silêncio.

— Primeiramente, gostaria de pedir que não se chateasse com Edward. Só recorri a ele porque você não me atendeu e ignorou qualquer tentativa de aproximação.

— Não se preocupe com isso, ninguém interfere em minha relação com Edward. Sabemos separar as coisas. Agora poderia ir direto ao assunto? Não estou com tempo para choramingos, Jacob.

— Não, Isabella! Por favor, o escute. Ele só está sendo gentil e...

No mesmo instante apertei uma mão na outra sentindo a tensão querer me dominar. Uma coisa era falar com Jacob, outra muito diferente, era falar com Leah.

Edward, pressentindo o mesmo, esfregou meu ombro com movimentos circulares, me acalmando.

— Não, Leah! Cale-se! Só temos essa oportunidade e você prometeu ficar calada. Se Bella levantar a voz, Stephan entrará aqui e nos colocará para fora e ordem de ninguém o parará. Além do mais, Edward só concordou com isso contanto que você se mantivesse na sua e não irritasse a mulher dele. Então, fique quieta!

— Tudo bem. Desculpe. Eu só queria ajudar.

Completamente diferente da Leah que eu conhecia, ela se calou, abaixou a cabeça e acariciou a barriga.

Deus! Era um Swan ali.

— Perdoe-me por isso, Bells. Sei que está chateada e te entendo completamente. Eu mereço isso. E te daria todo o tempo do mundo para me perdoar, se eu o tivesse, porém...

Leah se encolheu mais em sua cadeira.

Jacob falava comigo carinhosamente, inteiramente diferente de como a havia tratado segundos atrás.

— O que está acontecendo, Jacob? Direto ao ponto, lembra?

Perguntei quando a expressão dele passou de determinação para dor e sofrimento. Jacob não era assim. Ele não desanimava, não sofria, muito menos chorava. Ele atacava e corria atrás.

Era evidente que algo estava errado.

— Isso está acontecendo, Bells.

Pegou da mão de Leah um grande envelope branco e me entregou.

Era uma série de exames, feitos por ela, em um laboratório de Pushian.

— Olhe você mesma e diga-me o que vê.

Despejei o conteúdo na mesa e sem pressa e atentamente fui passando e avaliando documento por documento, deixando por último a ultrassonografia de data recente.

Droga! Droga! Droga!

— Quando descobriram?

Perguntei, ganhando tempo para respirar, enquanto reavaliava os exames, mais uma vez.

Droga! Não tinha dúvidas.

— Semana passada, na ultra de 32 semanas. Demorou muito para ser identificado e está crescendo rapidamente.

— E desde então fizeram uma série de exames, mas não uma biopsia fetal porque poderia colocar em risco a vida do bebê.

— Exatamente.

Respirei com força e pela primeira vez, baixei um pouco a guarda e olhei em direção a Leah. Ela estava acabada... Sofrendo.

Tenho certeza de que odiaria se soubesse que eu estava sentindo pena dela, mas foi só o que senti, perante aquela situação.

— Pelo amor de Deus, parem de falar em códigos ou termos médicos. O que está acontecendo? O que vê aí, princesa? Jacob me adiantou que era urgente, mas não deu maiores detalhes.

Virei-me para Edward e acariciei seu rosto o acalmando e a mim também.

— Um Neuroblastoma, é isso que Bella está vendo nos exames, Edward. Nosso pequeno Seth está com um grande problema.

Pela minha visão periférica, o vi esconder o rosto entre as mãos e chorar. Leah acariciou suas costas com carinho.

— O que é isso? É grave? Você pode ajudar?

Meu íntimo sentiu o baque da palavra pronunciada em voz alta e do que viria pela frente.

Eu queria fechar Jacob em meus braços e acalmar seu coração. Pai nenhum merecia receber uma notícia daquela.

— Um Neuroblastoma é um tumor maligno, príncipe. Ele se desenvolve rapidamente e é quase sempre identificado em bebês e crianças. E infelizmente é muito grave.

O choque da notícia também tomou Edward o fazendo recuar de meu toque e olhar, com piedade, o casal a nossa frente.

Dor era tudo que se via.

— Não vejo como posso te ajudar, Jake. E você sabe disso. É trabalho para um neotogista e oncologista infantil.

Voltei a me virar para ele, que imediatamente, levantou a cabeça e me encarou assim que neguei ajuda.

— Não me negue isso, doutora Cullen. É trabalho para uma neuropediatra, a melhor neuropediatra. Olhe onde está alojado, Bells. Do lado esquerdo do pescoço, chegando à coluna vertebral. Por favor, não me negue isso...

Mostrou-me, nervoso, mais uma vez os exames.

— Sei que não gosta de mim, Isabella. Mas...

— Não, Leah! Em silêncio. Não estrague mais as coisas e...

Levantou a voz para a esposa fazendo a recuar em seu lugar.

Imediatamente, estendi a mão e segurei a dele na minha. O trazendo para mim, totalmente a mim. Confortando-o.

Deixando que ela falasse.

— Sei que não gosta de mim, doutora Cullen. E não te julgo por isso, eu mereço. Porém, você sempre foi a melhor. Sabe como ninguém o que faz e te admiro por cada linha que escreveu. Cada vida que salvou. Cada método que desenvolveu e cada prêmio que ganhou. Por isso, eu te imploro, não como a irmã bastarda idiota que sempre te invejou. Ou como uma companheira de profissão que sabe que não pode fazer mais do que o possível. Peço-te como uma mãe, completamente apaixonada pelo filho e que sabe que se ele tiver somente 1% de chance de vida, você lutará por esse 1%. Não por mim, que não mereço, mas por seu amor a medicina, as crianças, a Jacob e a seus filhos, porque sabe exatamente o que estou sentindo. Então, eu te imploro... Por favor, salve o meu filho. Eu me ajoelho e juro lealdade a ti, se isso a fizer ter piedade de nós. Só preciso de ajuda para...

— Não! Está louca!

Parei-a quando firmava nos braços da cadeira, pronta para se levantar e ajoelhar.

Deixei que uma lágrima escorresse pelo meu rosto. Eu queria demais poder dizer-lhe não. Leah não merecia minha compaixão e piedade.

Mas, Deus... Era um bebê. Um bebê inocente. O bebê do meu amigo...

— Bells...

— Amor...

Soltei uma mão de Jacob e segurei a de Edward apertando com força, antes de respirar fundo e voltar a minha posição de antes.

— Ok. O que o obstetra fez quando recebeu a notícia?

— Deu a Leah uma injeção de Celestone Solustan para amadurecer os pulmões.

— Então ele acha que precisa adiantar o nascimento.

Confirmou com a cabeça e em seus olhos pude ver que concordava com a ideia. Eu também... Quanto antes o bebê nascesse mais rápido se iniciaria o tratamento.

— É castigo, não é? Deus está me punindo por tudo que a fiz passar. Só que eu é que fiz uma grande “merda” não meu filho. Eu mereço esse sofrimento, ele não. Por favor, salve-o...

— Por favor, doutora Clearwater, se recomponha. Uma das coisas que o doutor Black e eu provamos em nossos estudos é que a força, atitudes e pensamentos positivos dos pais ajudam, e muito, nesses casos. Temos cerca de 46% de chances de recuperação. Vamos nos apegar a eles.

— Vamos? Isso quer dizer que vai nos ajudar?

Um fio de esperança tomou o rosto dele.

Edward apertou a mão em minha perna e soltou a respiração que prendia. Aliviado...

Será que ele pensou mesmo que me negaria a ajuda-los?

— Vamos estudar o caso e tomar a melhor decisão. Espero que tenham vindo preparados. Preciso que permaneçam aqui. Necessito de minha equipe e da estrutura desse hospital para fazermos um bom trabalho.

— O que você mandar.

Leah respondeu, também parecendo mais tranquila e até esperançosa.

Era o que eu precisava ouvir. Não perdi tempo.

— Bree, venha até aqui, por favor.

Interfonei para meu braço direito ali no hospital.

Dois segundos depois ela e Stephan estavam a minha frente.

— Acompanhe a senhora Black e certifique- se que ela dê entrada no internamento, imediatamente.

— Sim, senhora.

Digitava no tablet tão rápido quanto eu falava.

— Depois marque uma reunião de emergência com a doutora Senna, a nova obstetra. Com o chefe da oncologia infantil e da unidade neonatal. E também com o doutro Ben.

— Uma junta médica?

— Isso! E diga que tenho urgência. Cancele todos os meus compromissos possíveis e reagende os impossíveis. Assim que tiver o novo cronograma em mãos te aviso.

— Sim, senhora. Mais alguma coisa?

— Por enquanto é só, obrigada. Estou indo para a sala de reuniões e quero todos lá assim que puder.

Ela acenou em concordância.

— Me acompanhe, senhores.

Tratou Jacob e a esposa com o profissionalismo que se esperava dela.

Stephan não se manifestou, ficou revezando o olhar entre todos os presentes naquela sala.

— Vamos lá.

Jake ajudou Leah a se levantar e antes que ela passasse pela porta se dirigiu a mim uma última vez.

— Obrigada! Você é mesmo tudo que dizem.

Fechei os olhos e simplesmente concordei. Eu não queria pensar em quem era ela naquele momento. Queria somente pensar que carregava o filho de meu melhor amigo.

— Vou te dever uma vida, Bells.

— Não! Vamos dever a Deus uma vida. Você sabe dos riscos. Sabe que uma cirurgia em um ser tão pequeno é arriscado e que provavelmente o tratamento a seguir será ainda mais doloroso, mas tenha fé, Jacob. Eu tenho...

Sem me conter, saí de meu lugar, parei de frente a ele e o abracei, deixando que me escondesse nos braços e que chorasse em meu ombro.

— Desculpa por não ter te contado sobre seu pai. Perdão... Você já sofria tanto. Eu só quis evitar mais dor. Eu só queria ser o lugar feliz...

Afastei-me, limpei suas lágrimas e beijei sua bochecha carinhosamente.

— Você é meu lugar feliz... Agora vá cuidar de sua esposa. Assim que decidirmos como atuaremos, me junto a vocês para explicar os procedimentos. Fique tranquilo, tenha fé. Vai dar tudo certo.

Antes de sair, ele voltou-se para Edward e o agradeceu também.

Eu podia visualizar um futuro com eles amigos.

— Eu entendi direito, o filho deles está doente?

— Por pouco tempo.

Respondi a Stephan.

— Agora porque não liga para Benjamin e me atualize sobre meus filhos. Quero saber se minha casa ainda está de pé.

— Se quer que eu saia princesa, é só pedir. “os pestinhas” estão bem, ou então Tia já teria acionado até a força nacional.

Brincou, de propósito, para aliviar o clima.

— Saia!

Edward ordenou e antes que obedecesse ainda murmurou um “não trabalho para você”, provocante.

Sem me conter, voltei para perto de Edward, precisando, mais do que tudo de seu apoio.

— Então, o que acha da minha decisão?

Sem que eu precisasse pedir, ele encostou-se a minha mesa e me puxou para o meio de suas pernas, o aconchego de seus braços.

— Acho que se não os ajudasse, não seria a minha Bella que conheço e idolatro. É uma criança, princesa. Já pensou se fosse conosco? Ele ajudaria sem pensar duas vezes. Assim como você o fez. Amo seu altruísmo.

Beijou minha testa e acariciou minhas bochechas com a ponta do nariz.

— E se eu não for tão boa, Edward? Se depois de tudo eu voltar a ignora-los e não quiser que façam parte de nossas vidas?

Ele puxou um pouco a cabeça para trás e encarou até minha alma, com aquelas orbes verdes que somente meus pequenos tinham iguais.

— Então, nós os colocaremos em seus lugares e proibiremos a entrada deles em nosso reino. Porém, acho que não fará isso. Leah já será castigada por toda vida, princesa. Mesmo que você não queira. Ou acha que é fácil saber que seu marido, o amor de sua vida, o pai de seu filho, ama de todo coração sua irmã?

Sentindo um aperto enorme no peito, não pude controlar o que queria dizer.

— Você se sente castigado de saber que Jacob me ama?

— Você o ama?

Respondeu-me com outra pergunta. Nem precisei de tempo para responder.

— Claro que não. Eu te amo, meu príncipe e nunca duvides disso.

— Então, acho que o castigo também será para seu melhor amigo, minha vida.

Mostrando toda minha admiração e amor por ele, busquei sua boca e o beijei intensamente.

Edward era demais o amor de minha vida.

— Eu preciso ir...

Disse minutos depois, regados de carícias e carinhos amorosos.

— Eu sei. Mas, antes porque não abre aquela gaveta e me mostra o exame positivo de gravidez que fez ontem e que está com o resultado bem ali. Quero preparar uma noite só nossa para comemorar. Um incentivo seria bem vindo...

Sorrindo matreira, me afastei dele, me abaixei, peguei o exame e o entreguei quando já estava do outro lado da mesa, pronta para sair.

— Não quer me ajudar a abrir?

Também sorriu acariciando o pedaço de papel como se fosse algo valiosíssimo.

— Não. Eu já sei o que está escrito aí, senhor meu rei. Acho que seria uma boa noite para experimentar deixar os meninos com papai na casa nova dele. Sabe como é, não é? De repente me deu uma vontade de comer morangos com chocolate, completamente nua, em nossa jacuzi particular...

Notas finais
Vejo vocês no Epílogo...