Três Príncipes, Três Princesas
91 Epílogo
Notas iniciais
Alguns meses depois...
Edward
“- Bella”!
“Vi com horror, antes de a inconsciência me tomar, minha princesa sendo arrancada, a força, do banco traseiro do carro, pelos cabelos. Depois, sendo arrastada e jogada, violentamente, no interior de um carro, enquanto disparos, de todos os lados, ecoavam”.
“ Ah, não! De novo, não! Outro sequestro”.
“Deus! Minha esposa, meu bebê. Bella não conseguiria passar por aquele martírio outra vez. Eu a perderia”...
— Bella?!
Gritei exasperado me sentando na cama e acordando do inferno que se passava em meu inconsciente. Eu estava encharcado de suor, minhas mãos tremiam e meu corpo estava em frangalhos.
Eu odiava ter sempre o mesmo pesadelo.
— Estou aqui, vida...
Murmurou baixo em meio a um gemido.
Rapidamente, pulei no chão e corri ao encontro dela no banheiro.
Só então me dei conta de que estava vestido com a mesma calça social e camisa do dia anterior.
— Deus! Graças a Deus!... Como está se sentindo?
Agradeci ao Todo Poderoso, para total confusão dela que nem imaginava o tormento que eu acabara de passar.
— Estou bem... Só com um pouquinho de dor.
Um pouquinho?
Ela estava com as duas mãos, sobre a bancada, da pia do banheiro, e totalmente inclinada para frente.
— Podemos ir para o hospital agora?
Perguntei, me aproximando e esfregando suas costas com carinho e cuidado.
Havíamos passado uma noite insone com Bella sentindo as primeiras dores esporádicas das contrações.
Como é óbvio que faria, se recusou a ir para o hospital, porque estava só com 39 semanas e insistia em chegar nas 40.
Dessa vez, agi com maturidade e como se espera de um pai de “terceira viagem”. Apoiei e fiquei do seu lado, pois as dores estavam controladas.
Secretamente eu as controlava com meu relógio de pulso: de hora em hora e duração de cerca 10 ou 12 segundos.
Porém, não ouve tranquilidade. Bella virou e revirou na cama e eu me recusei a vestir um pijama ou dormir. Pois, a qualquer momento sua bolsa poderia romper e teríamos que correr para o hospital... Isso não aconteceu.
— Assim que você tomar um banho e se trocar, iremos. Os intervalos estão de vinte a trinta minutos. Nossa garotinha não vai esperar o dia certo... Teimosa!... Liguei para papai e mamãe. Já estão lá embaixo entretendo Andrew e Liam. Stephan já pegou as malas.
— Por que não me acordou?
Ignorei a tentativa de brincadeira, ao chamar minha pequena de teimosa. Eu odiava quando ela fingia não estar sentindo nada.
Não precisava ser forte para mim.
— Porque não estava na hora e você precisava descansar.
Ajustei a postura dela.
Com uma mão circundei as olheiras proeminentes e com a outra alisei a protuberância dura, dilatada...
Eu é que precisava descansar? Rá, Bella...
— Já avisou a doutora Senna?
Beijei sua cabeça, acarinhei os braços e, silenciosamente, implorei a Deus e a “Nossa Senhora do Bom Parto” que protegessem minhas meninas.
Eu queria tanto que Bella fizesse uma cesárea... Mas, dessa vez, fui voto vencido. Nossa filha, era literalmente, pequena e já estava posicionada para um parto normal.
O máximo que consegui foi tirar da cabecinha linda de minha esposa, “tão teimosa quanto à filha”, de ter nosso bebê em casa. Eu não abriria mão de recursos médicos.
Que a naturalidade e Bella fossem “as favas”. Eu queria era a segurança de um hospital.
— Ela já está nos esperando.
— Certo! Dê-me dois minutos então.
Reprimi a risada ao ver que ela fazia “faneca” para o meu curto tempo de banho.
— Volte para o quarto. Deite-se.
Tentei guia-la. Contudo, fui impedido por sua relutância.
— A bolsa não rompeu. Preciso estimula-la. Deixe-me aqui. Vá para o banho. Estou bem. Pode manter os olhos bem abertos em mim, de lá.
Apontou para o box do banheiro.
— Certo. Não demoro.
Livrei-me das roupas, e sem perder tempo corri para debaixo da água quente, que nessa situação não serviria em nada para acalmar meus nervos.
Preocupado, vi Bella, mais uma vez, apoiar as duas mãos na bancada de mármore, e dessa vez se abaixar e levantar com dificuldade.
— Ei, vá com calma, amor. Deixe isso para quando estivermos no hospital.
Virei-me totalmente para ela, enquanto lutava para tirar a maldita espuma do cabelo.
Bella me olhou de cima abaixo e, confesso, “seria cômico se não fosse trágico”:
Seu olhar “de fogo” me fez arrepiar todo e acordou “partes” em mim que não deveriam acordar nesse momento.
— Poderia parar de me avaliar, senhora Cullen? Não temos tempo nem condições para isso agora. Não brinque com fogo, princesa.
Sorri provocante, mas não perdendo nenhum detalhe da expressão dela. No mínimo sinal de perda de controle, iríamos para o hospital imediatamente.
Mesmo que eu precisasse ir de roupão: dane-se o pudor. Era minha esposa e minha filha. Porra!
— Estudos comprovam que sex... Ou melhor, amor bem feito, ajuda no parto.
Deliciei-me com a visão do vestido branco abraçado as novas formas e curvas até a cintura. E soltinho na parte debaixo, que abrigava meu lindo bebê.
Bella estava magnífica. Fora uma gravidez saudável com poucos quilos a mais, porém coberta de muitos mimos e amor, tanto pela família, quanto por mim e pelos meninos.
Desejei, amei e realizei cada desejo dela. Até mesmo o de macarrão instantâneo com molho branco e filé de peixe, frito.
Cuidei de cada enjoo, fadiga e onda de calor.
Despistei toda vez que os hormônios a dominaram: até mesmo quando chorou porque o iogurte de limão havia acabado.
Fui compreensivo e driblei a situação cada vez que nossos filhos ameaçaram uma crise de ciúmes por causa da nova irmãzinha.
Redimi-me por cada minuto que fiz besteira na última gravidez. Tanto que eu mesmo articulara, pagara, assistira e participara do ensaio de grávida, dessa vez.
Certo que, mais no fim, virara mesmo um ensaio fotográfico de família, porque Andrew e Liam foram incluídos no cenário.
No entanto, uma nova e grande parede de nosso escritório já estava devidamente reformada e pronta para receber uma réplica de 2,80 de altura por 5,00 de largura de minha linda mulher grávida em trajes provocantes, mas ao mesmo tempo de muito bom gosto.
— Não me tente, minha vida. Não temos tempo e você nem disposição para isso. Podemos falar disso daqui alguns dias?
Sai do banheiro já me secando e rumando para o closet. Ignorei cada reação não controlada de meu corpo.
Como uma gravidez saudável o desejo foi incontrolável. Foram noites e até dias insaciáveis em que minha esposinha gostosa me tentava deliciosamente e sem hora marcada.
E agora, com mais experiência e amadurecimento podemos, literalmente, aproveitar essa fase tão intensa e deliciosa de nosso relacionamento.
Eu me fartei e...
— Ai...
Bella tornou a se curvar para frente em dor. Não me passara despercebido que o intervalo das contrações estavam diminuindo.
Deus! Foco, Edward. Foco...
— Vida, tudo bem aí?
— Quarent...
Empertiguei a cabeça para vê-la, enquanto me vestia e calçava um sapato. Ela trincava os dentes e esfregava o abdômen respirando lentamente e com dificuldade.
— Quarenta dias, senhor meu rei... Se prepare para o sofrimento de me amar somente com olhos e mãos.
— Promessas, promessas...
Certeza de que minha tentativa de brincadeira saiu mais nervosa do que o desejado.
Eu já pegava o celular e a carteira e os colocava no bolso. O cabelo, os dedos mesmo dariam um jeito. Não tínhamos tempo.
— Pronto! Onde estão as malas que deixei aqui ontem?
— Stephan as buscou enquanto você dormia. Já estão no carro. Vamos porque ainda teremos uma pequena batalha antes de sair.
Concordei.
— Vem, vou te carregar.
— Não vai, não.
Fugiu de minhas mãos com um aceno, porém se firmou em meu ombro para melhor auxílio ao caminhar.
— Andar ajuda. Só não me deixe cair.
— Nunca!
Peguei sua mão e a guiei com cuidado. Jamais odiei tanto aquelas escadas como naquele momento.
— Mamãe!
Sem que ninguém pudesse deter e como faziam todos os dias, Andrew e Liam correram para Bella e se enroscaram em suas pernas.
— Aonde você vai?
— “Polque” o papai tá te “segulando”?
Era sempre assim, a onda de indagações vinham em duplas. E agora com três anos as palavras ainda saiam aos tropeços, mas o nível das perguntas era algo de se “embasbacar”.
“Os pestinhas inteligentes”, como dizia Stephan, estavam nos deixando loucos e até constrangidos em certas ocasiões.
Como, por exemplo, numa tarde em que fomos lanchar na casa de mamãe. Liam simplesmente olhara para Alice, quando já estávamos na mesa, e perguntara: “Tia Lice, “polque” a mamãe é mais “monita” que você, se são “rimãs”? Drew e eu somos “monitos” igual”.
Eu quis rir, juro que quis. Mas, Bella enrubesceu e meu deu aquele olhar de... “Corrija o seu filho”.
Nosso pequeno ficou de castigo sob protesto de Stephan que insistia que: nunca se viu ser castigado por falar a verdade.
E não pensem que Andrew ficava atrás.
Numa noite ele acordou de madrugada e chamou pela mãe. Bella estava exausta porque perdera um paciente e a dor a havia consumido, então levantei e como, quando queria a mamãe só servia a mamãe, o levei para nosso quarto para que dormisse com a gente.
Quando o deitei no meio de nós Andrew se aninhou a mãe e então notou que a camisola dela havia desalinhado e que os seios estavam à mostra. Imediatamente e falando sozinho, ele ajeitou a roupa dela e ainda resmungou algo como: “Tenho que “convesá” com a mamãe. Vovó “Emes” disse que “Liz e Anni” tem que “tomá” cuidado “pala” não “mostá” as paltes. “Selá” que isso "selve pala" mamães, papai”?
Eu só me dignei a confirmar que sim, servia. E então os ninei para que voltassem a dormir.
E Adivinhem? Mal o dia raiou e ele perguntou a mamãe se Bella também tinha que “tomar cuidado com as partes”.
Emmet rirá disso até 2050.
— Digam “bom dia” para o papai primeiro.
Só então eles se soltaram dela e vieram até mim. Eu já estava acostumado.
Abaixei-me e abracei os dois ao mesmo tempo.
— Papai e mamãe vão para o hospital buscar a irmãzinha de vocês. Vovô Charlie e vovó Renée os levarão para casa deles até que a gente volte.
— Querida...
De relance contemplei Charlie e Renée se aproximarem de Bella e a abençoarem.
Como previsto, o rei de Forkian agora morava em Ângelus.
Na teoria, ele ainda não havia abdicado da coroa para Emmett, porém na prática meu sogro já morava no fim de nossa rua e mimava meus filhos mais do que o necessário.
Graças a Deus, a relação dele e Bella estava melhor, óbvio que não ainda 100%, como era. Mas, creio que logo que nossa filha chegasse ao mundo, esse patamar seria alcançado. Charlie estava se desdobrando para ter de volta todo carinho e admiração da filha.
— Está tudo bem, pai. Já está quase na hora. Cuidem deles por nós.
— Claro que cuidaremos.
Renée olhou para minha mãe que também estava ali.
— Ah, não!
— Mamãe, eu não "quelo" que você vai.
Os esperados dois “biquinhos” mais adoráveis do mundo e os cruzar de braços mais emburrados desse mesmo mundo, também apareceram sem que nenhum de nós pudesse evitar.
A esperada guerra estava armada...
Andrew e Liam amavam cada integrante de nossa família, inclusive os avós e a mim, no entanto nada, e quando eu digo nada, quero dizer nada mesmo, chegava perto da preferência deles pela mãe.
Acho que esse era um dos motivos de ansiar tanto por uma menininha.
Eu queria a conexão de pai e filha, exatamente como Bella e Charlie tinham.
Falando em menininha, desde o começo meu sogro e eu apostamos numa. Bella também sabia, só não queria alimentar minha brincadeira com o pai. Essa gravidez fora diferente demais da primeira.
E quando a Ultra confirmou nossas suspeitas, fiz papai promulgar três dias de feriado e comemorações. Afinal, era meu bebê sendo gerado pela mulher que amo. Isso merecia demais uma festança.
— Já falamos sobre isso, não falamos? E...
— Quê? Ficou louca?
Saindo de meus devaneios, segurei seus braços quando os estendeu, para os dois, a fim de pega-los.
Essa fora uma das nossas poucas desavenças sobre “cuidado” nesse período. Andrew e Liam ainda estavam pequenos e perder o colo, da mãe, de uma vez, não fora fácil.
Então, vira e mexe, Bella trapaceava e os pegava.
— Venham...
Deu-me seu olhar de gelo e os guiou até a sala.
— Aqui...
Segurou as mãos deles e os ajudou a subir no sofá para que suas alturas estivessem equivalentes.
— Amor... Não podemos demorar.
— Quer ter um bebê no trajeto, Bells?
Ela ignorou Stephan e a mim, como excelente mãe que era, sua atenção estava voltada inteiramente para os meninos.
— Mamãe e papai, estão indo para o hospital buscar a irmãzinha de vocês. Vovô Charlie e vovó Renée cuidarão dos dois lá na casa nova deles. E amanhã, papai vai busca-los e leva-los até o trabalho da mamãe para que conheçam a irmãzinha. Combinado?
Ela acariciava o rostinho de cada um. Porém, nossos gêmeos eram uma força da natureza. E Andrew sempre começava...
— Ah não, mamãe. Não vai. Não “quelo” ficar sem você. Busca a “rimãzinha oto” dia. Deixa ela lá...
— Liam não quer “numir” no vovô sem a mamãe. Liam também não quer “rimãzinha” hoje.
— Ei...
Os juntou num abraço e, mais uma vez, trincou os dentes, de dor.
Dei dois passos em sua direção, porém parei quando estendeu a mão me parando.
— O que o Super- Homem e o Hulk da mamãe estão falando? A irmãzinha não é nosso sonho, para cuidar, proteger e amar? Ela e a mamãe precisam de seus meninos fortes agora.
Conter a ansiedade deles nove meses foi um custo, todo dia era um tal de: “Que dia a rimãzinha chega”?
Isso sem mencionar que os questionamentos ficaram mais atrevidos, tais como: “Po que a mamãe comeu a rimãzinha”?
Todo dia tinha um motivo a mais para Stephan e Emmett se divertirem e Bella e eu ficarmos um pouquinho mais constrangidos e loucos.
Reprimi um sorriso para as lembranças, quando Liam se soltou dela e bateu a mãozinha em punho no peito.
— O “Ulk” não “vede” é forte, mamãe. Ele vai sentir “saudadona” da mamãe e do papai, mas vai “espelar” feliz a “rimãzinha”.
O “ulk não verde” fora a maneira mais inteligente que Bella inventara para incentiva-los a não se colorirem mais. Segundo ela, o super- herói na cor natural era muito mais bonito, inteligente, esperto e etc, etc, etc.
Andrew não se mexeu, ou seja, não se desgrudou dela.
— Amor?... Andrew?
— “Drew”, mamãe “pecisa” ir. Solta ela. O “Supe- lomem” veste a cueca “elada”, mas, é “fote tabém".
Stephan gargalhou alto, ganhando um “shiii” meu. Não precisávamos, agora, que Bella se irritasse com as “maluquices” que ele e meu irmão ensinavam aos meninos e Liam sempre repetia.
Charlie os olhava com admiração e até um pouco bobo.
A quem eu queria enganar? Eu os olhava do mesmo jeito.
Chequei a questionar meu sogro se Bella agia assim quando pequena.
Charlie disse que não. Bella era inteligente e esperta, fora do normal. Mas, tremendamente tímida. Segundo ele, esse “serelepês” eles herdaram de mim. Esme concordava.
— Filho...
Os ombros dele se sacudiam e então vimos que chorava. Meu coração perdeu uma batida. Eu odiava deixa-los. Sabíamos que teríamos que fazer isso demais quando assumíssemos o reino. Mas fora exatamente por dores assim que eu escolhera deixar meu pai onde estava.
— Não precisa chorar, Andrew. Amanhã estaremos juntos. Você não quer ficar com o vovô? Tia também vai para lá dormir com vocês.
Só então ele se soltou dela.
Bella beijou cada trilha de lágrimas dele.
Era detestável vê-lo naquele estado. Porém, não tínhamos alternativa. Não dava para leva-los conosco.
— Eu “quelo” ficar no vovô e “quelo” a “rimãzinha” também. Mas, vou ficar com saudades da mamãe. Não “quelo dolmir” sem você e o papai.
— Oh, amor...
Bella os abraçou com mais força.
— Mamãe também vai sentir muita saudade. Prometo que vai ser rápido e que logo, logo estaremos com nossa garotinha em casa. Tá bom? E que a noite, antes de vocês dormirem, ligaremos e falaremos muito, tá? Pode fazer isso por nós? Pode ser forte?
Timidamente, ele sacudiu a cabecinha em concordância.
— Isso! Muito bom! Agora, de verdade, a mamãe precisa ir. Onde estão meus beijos gostosos?
Relutante, Andrew jogou os braços em volta dela e a beijou em todas as partes esquerda do rosto, porque as do lado direito eram de Liam.
— Qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo, é só ligar, sogro. Eu dou um jeito.
— Vá tranquilo e nos atualize quando ela nascer. Emm e Rosie estão a caminho. Os meninos ficarão entretidos com as primas, já que levaremos Annie também. Não se preocupe com eles, o difícil é só até saírem. Depois tudo fica bem.
Abracei meus filhos já vendo Renée se despedir de Bella e pegar Andrew no colo com a desculpa de que precisavam pegar os brinquedos que gostariam de levar.
— Volte para mim, filha. E traga nossa garotinha. Eu te abençoo. Tudo vai ficar bem aqui. Não se preocupe.
— Obrigada, Pai.
Charlie a beijou na testa e pegou Liam com a mesma desculpa.
— Sejam bons garotos, não briguem com as meninas e se protejam, tá? Papai ama vocês e amanhã nos vemos.
Os abracei, com força e beijei seus rostinhos bonitos.
— Andrew ama papai.
— Liam “tabém” ama papai.
Eu adorava vê-los falando na terceira pessoa. E saber que estavam crescendo rapidamente e perdendo esse costume chegava a doer.
— Estarei no hospital com vocês logo, logo. Só vou dar uma ajuda aqui para Charlie e Renée até saírem. Que “Nossa Senhora do Bom Parto” te proteja, minha querida.
— Amém, Esme.
— Cuide dela...
Mamãe cochichou em meu ouvido enquanto se afastava juntamente com meus sogros e meus filhos que agora choravam alto e se esticavam em nossa direção.
— Vamos...
Peguei uma Bella, com olhos lacrimejantes, pela mão e nos guiei para fora.
— Eles estão bem... Não se preocupe... Vai ficar tudo bem...
Esfreguei seus braços, aquecendo-a, enquanto a levava para o carro e a colocava no cinto.
Rapidamente Stephan pôs o automóvel em movimento.
— Onde estamos indo?
Observou atenta se recostando ao assento, esfregando a barriga e trincando os dentes quando outra contração veio forte.
— Pista de pouso. O helicóptero está pronto.
— Edward, não precisa disso. Está controlado. Temos tempo.
— Eu disse a ele... Mas, seu marido tende a só escutar e atender você, Bella. Uma hora terá que me contar que “mandiga” fez para tê-lo prostado a seus pés. Ele não era assim, hein?
Stephan piscou matreiro, mas o pé continuava a toda no acelerador. Tentava disfarçar, mas era evidente que estava tão tenso como eu.
Ele amava Bella, como todos que a conheciam bem.
— Isso se chama amor, Steph. Lindo e puro amor.
— Aprendeu ou quer que desenhemos? Meus filhos podem fazer isso para você. Eles são ótimos em tudo. Agora dirija calado.
Estiquei o braço sobre o encosto do carro e me virei para ela beijando seu cabelo e acariciando a barriga, rezando a Deus para que elas ficassem bem.
— Não vou correr nenhum risco, princesa. Você me convenceu do parto, então deixe que o torne o menos complexo e sofrível possível.
Ela somente assentiu, voltando a se retorcer de dor.
As contrações estavam mais regulares, diferença de quinze minutos talvez e durando algo em torno de 30 segundos. Segundo os pré-natais que acompanhei, devidamente normais.
Mas, vai falar isso para um marido louco de medo de algo dar errado?
— Respire, minha vida. Só respire. Já estamos chegando.
Entramos a toda velocidade na pista de pouso e Stephan estacionou bem próximo do helicóptero que já estava ligado, somente nos esperando para alçar voo.
— Venham.
Ele abriu a porta e a ajudou a sair enquanto eu saia pela outra porta e corria até eles.
Zafrina e Sam que vinham no carro logo atrás correram para pegar as malas e levarem-nas até a aeronave.
— Posso te pegar agora?
— Não, ainda não. Estou bem.
Então, só dei-lhe a mão e segurei-a com firmeza pela cintura. Stephan segurou e abaixou sua cabeça a guiando para seu lugar.
— Sam, Zafrina, vão no carro. Digam a Demitri e a Benj que não percam os meninos de vista. Não façam nada sem minha autorização. A segurança do hospital já foi reforçada e de lá tomarei conta de tudo.
Fechei os cintos de Bella e me juntei a ela. Stephan estava todo modo, chefe de segurança.
— Tudo bem?
Esfreguei o ventre dela quando decolamos. Sua cabeça estava inclinada para trás e ela mordia fortemente o lábio inferior. Tratei de chamar sua atenção antes que se ferisse.
— Bella?
— Hum! Podemos ir mais rápido? Está começando a ficar muito incomodo.
— Sete minutos, princesa. Sete minutos...
Stephan respondeu do banco da frente, bem ao lado do piloto.
— Respire, vamos... Faça o ar entrar pelo nariz, forte e lentamente. Depois expire devagar pela boca. Vamos, minha vida, do jeito que aprendemos...
Bella
Respirar? Respirar? Deus!
Eu queria demais ser uma louca e gritar para que Edward se calasse. Mas, como fazer isso quando estava estampado na face dele o medo de que algo desse errado? E tudo por minha culpa?
Mas, Deus de misericórdia... Como convencer um marido super-protetor de que a recuperação do parto era inúmeras vezes mais rápida do que o de uma cesárea? Isso sem contar os riscos...
— Preparando para o pouso...
Droga! Droga! Iríamos balançar outra vez.
Fechei os olhos e as mãos em punho segurando a vontade louca de gritar e expressar a minha dor.
As contrações estavam próximas, muito próximas uma a cada cinco minutos e durando 45 segundos. Mas, nada da bolsa estourar. Senna teria que intervir. Edward surtaria...
— Espere!
Segurou minhas mãos quando tentei destravar o cinto antes mesmo da aeronave tocar o solo.
Logo Stephan abria a porta e me tirava dali. Uma maca me esperava e Edward conversava rapidamente com minha obstetra.
— Eu não vou naquilo.
Apontei para o equipamento.
Stephan me segurou pelo braço e Edward me sustentou ao nos afastarmos da aeronave.
— Pelo amor de Deus, princesa...
— Doutora Cullen, vejo que está tudo em ordem.
Estendi a mão para minha mais nova amiga e dei um olhar mortal a dois novos internos do “meu hospital”.
— Temos uma menina apressada e uma bolsa que não estoura, doutora. Contrações constantes e dilatação.
— Vamos resolver isso. Consegue andar?
Acenei em concordância.
— Ótimo. Vamos por aqui e...
— Mas, doutora...
— Fique calmo, senhor Cullen. Teremos um parto daqui a pouco. Andar ajuda no melhor posicionamento do bebê, nas contrações e no rompimento da bolsa. Ao contrário de seu desespero que não ajuda em nada nessas horas. A doutora...
— Bella, Senna. Me chame de Bella.
Resmunguei ao entrar no elevador. Edward já me cercava de novo.
— Respire, amor. Respire... Vai passar, vai passar...
— Respire nada, Bella. Deixe vir, deixe a dor vir...
Ela tocou minha barriga e cortou Edward.
— Senhor Cullen, vou levar sua esposa para o quarto e preparar tudo. Por que o senhor não vai até a recepção e cuida dos detalhes burocráticos da internação?
— Nem morto, doutrora! Da última vez que tirei os olhos de Bella quando estava para ganhar nossos filhos, foi uma catástrofe. Ninguém me tira daqui. São para esses momentos que somos muito bem assessorados e pagamos uma fortuna... Stephan vá até Bree e peça que ela tome conta disso.
— Uma fortuna é o que o seu sogro vai me pagar quando eu quebrar seus dentes por ficar fazendo filho na filhinha dele, Edward.
Entramos todos no quarto com Stephan já colocando as malas sobre o sofá. E mesmo que não perdesse a oportunidade de brincar com Edward o telefone já estava a "pleno vapor” falando com Bree.
— Minha mãe cobre a oferta. Ela quer aquela casa derramando de netos. Agora se cale e vá conferir a segurança. E se acostume, porque pretendo passar por isso por pelo menos mais duas vezes e...
— Rá! No seu sonho, Cullen!
Gemi, ao ser pega no colo, a contra gosto, e ser colocada na cama. Duas enfermeiras já estavam em volta de mim, uma aferindo a pressão, outra pegando uma veia para um soro.
— Então quer dizer que terei orgulho de trazer ao mundo o último herdeiro da geração Cullen-Swan?
— Certeza!
Os ombros de Edward cairam. O homem queria mais... Acho que ele se esquece de que Andrew e Liam dão trabalho por quatro e agora teremos a nossa menininha. Estava bom, não estava?
— Preciso que se troque, princesa.
Firmei o corpo nos cotovelos antes que ele voltasse a me ajudar a sentar para colocar as vestes do hospital.
— Podemos falar disso depois? Eu queria mesmo, mais um. Mas, só de pensar nos enjoos, nas suas noites insones, no inchaço, nos choros dos meninos por você não poder pega-los e agora essas dores? Me deixa insano. Odeio ver você sofrendo, princesa.
Beijou minha testa, com carinho.
— Ela está chegando, minha vida. Quando estivermos com nossa menininha nos braços tudo terá valido a pena. Eu estou bem, Edward. Vai dar tudo certo.
Voltei a me deitar agora já com o “lindo” verde do hospital em todo meu corpo.
— Ei, fiquei sabendo que tem princesa reinando neste quarto? Princesa que dará a luz a uma princesa, para ser mais exato.
— Ei, Jake. O que faz aqui.
Falei por entre os dentes me esforçando para segurar a dor.
— Ah, vim trazer Seth e...
— Seth? O que foi? Onde ele está?
Assustada, fiz menção de me levantar. Contudo, tanto ele quanto Edward me deitaram de novo.
Senna já preparava o instrumento para o rompimento da bolsa.
— Quietinha aí, doutora. “Seu pequeno sucesso” está saudável como um tourinho. O trouxemos para exames de rotina e como sei que estamos bem perto de uma princesinha nascer, quero estar aqui para sua primeira consulta.
— Os exames estão prontos? Quero vê-los. Traga para mim.
— Bella! Fique aí...
Disse Edward um pouco mais enérgico.
O olhei espantada com seu rompante...
— Por Deus, princesa... Você está se contorcendo e eu estou apavorado e mesmo assim quer se levantar e cuidar de tudo. Fique quieta aí. Seth está bem. Vamos cuidar de nossa pequena agora? Podemos?
— Ele está certo.
Olhando bem dentro da imensidão verde que conseguia tudo de mim, encostei-me aos travesseiros e repirei com calma.
— Tudo bem. Você está certo. Desculpe... Eu... Eu, estou com medo.
— Não precisa. Estou aqui. Sempre aqui...
Encostei a cabeça em seu peito e fechei os olhos. Sentindo seu cheiro me inundar.
— Relaxe, Bells. Isso... Seu afilhado está bem. Cada dia comendo mais comida sólida e ganhando peso. Os exames estão todos certos e prometo que assim que você e a bebê estiverem bem, eu trago para que possa avaliá-los. Agora se concentre e se acalme...
Pois é, Seth é nosso afilhado.
Acho que depois que ele nasceu e que minha equipe e eu dedicamos “25hs” de nossos sete dias por semana, totalmente a seu tratamento, que graças a Deus, surtiu o efeito esperado e foi um grande sucesso, Jacob se sentiu na obrigação de nos chamar para batiza-lo.
E se Leah não se opôs, eu é que não o faria. Afinal, o pequeno era filho de meu amigo, tinha o meu sangue e era um pecado de tão lindo, com seus olhos escuros, cabelos abundantes negros e totalmente lisos. Isso sem falar na pele morena e lisinha. Totalmente a cópia do pai.
O menino era perfeito. Só podia ser afilhado de Edward e meu mesmo.
Leah ainda era um assunto mal resolvido em minha vida. Eu a cumprimentava e suportava, contudo estávamos longe, muito longe de sermos mais do que conhecidas.
— Ai...
Puxei as pernas para cima e curvei o corpo, com dor...
— Doutor Black, eu preciso que nos dê licença...
Senna já estava com a pinça na qual usaria para perfurar a bolsa em mãos.
— Ok. Estou saindo. Vemos-nos daqui a pouco. Boa sorte, Bells. Boa sorte compadre.
— Obrigado, Jacob.
Edward
— O que vai fazer com isso?
Perguntei atônito assim que Jacob bateu a porta do quarto.
A enfermeira já havia aberto e dobrado as pernas de minha mulher para cima.
— Se acalme, Edward. É seguro. Totalmente seguro. Preciso romper isso antes de irmos para a sala de parto. Acelerará as contrações...
— Ahhh. Droga! Odeio essa parte.
Gemeu Bella baixinho quando uma quantidade relativamente grande de água e sangue??... Saiu de... De... Lá.
— Isso, agora sim. A dilatação está boa. Vamos trocar essa roupa, esterilizar tudo e te levar para a sala de parto. Edward, acompanhe a enfermeira que ela te preparará para o parto também.
— Eu não posso fazer isso daqui? Não quero deixa-la sozinha.
— Não, não pode. E ela não estará sozinha, nem por um minuto. Estarei aqui. E sua saída será por pouco tempo. Eu prometo.
Eu sabia, não tinha escolha. Tinha que me afastar se quisesse estar com ela quando mais precisasse, mas...
— Pode ir, meu rei. Eu não vou a lugar nenhum, Edward. Stephan deve estar aí fora interditando toda essa ala e interferindo em todo funcionamento do hospital.
Como dizer a ela que eu sabia daquilo, que aquele não era o meu maior medo?
Mas, com ela é Bella, a minha Bella, ela sabia...
Segurou meu rosto com carinho e devagar levou minha mão a boca, beijando-a com devoção.
— Não vou morrer, vida. Não vou te deixar. Temos uma prole para tomar conta. Faremos isso juntos.
— Promete?
Acariciei sua mão com meus lábios. A pele branquinha já estava ficando roxa por causa da picada da agulha.
— Prometo. Te amo. Vá...
Desci meus lábios delicadamente nos dela.
— Te amo.
— Te amo.
— Papai já vem, filha. Seja boazinha com a mamãe. Se comporte.
Passei os lábios pelo abrigo seguro de “minha vidinha” e conversei com ela como eu fazia questão de fazer todos os dias.
— Por aqui, senhor.
Dei mais uma olhada nelas e estão, a passos largos, segui a tal mulher.
Se eu estava inseguro e apavorado?
Deus! Eu estava.
Amo meus filhos e se pudesse queria ter mais alguns, o que não aconteceria, pois, passar por tudo isso outra vez estava fora de cogitação.
Eu odiava ver Bella sentindo dor e dando uma de forte para garantir que eu não surtasse.
Três era um número bonito. Um número cheio de significados para os Cullen’s e os Swan’s e seria também o nosso número...
— Irmão, o que ouve? O que faz aqui?
Fui parado ao passar pela sala de espera.
— Minha irmã está bem?
— O que fazem aqui?
Olhei atentamente Emm, Rosie, Jasper, Alice, mamãe e papai parados me observando com ansiedade.
— Ora, cunhado! Viemos assim que mamãe avisou que Bella estava sentindo dores. Deixamos Lizzie com eles. Só os netos para segurarem Charlie de estar surtando por esses corredores.
— Onde está Bella? Por que não está com ela.
Rosálie e Alice, tê-las tão “cordeirinhos” era até de se estranhar. E era exatamente assim que se comportavam com minha mulher agora.
Bella as havia ignorado por quase seis meses. E não foram poucas as vezes que pediram desculpas e fizeram coisas e mais coisas para se redimirem...
Contudo, Bella é Bella e só quando teve seu tempo para digerir toda a história e decepção foi que aceitou a reaproximação quase que total do pai, da avó e das irmãs.
E quando eu digo quase é quase mesmo, porque a Bella que colocava os desejos dos Swan’s em primeiro lugar, não existia mais. Eles a haviam matado.
E em seu lugar, havia ressurgido a minha senhora Cullen que pensava em nossos filhos, em mim e nela, antes de qualquer coisa.
Então, agora era comum ela dizer alguns “nãos” para eles sempre que nossos anseios estavam em primeiro lugar.
— Ela está bem. Se acalmem. Será encaminhada para a sala de parto em minutos. Estou indo me trocar para acompanha-la. Vocês viram os meninos? Eles pararam de chorar?
— Senhor Cullen, nos precisamos ir...
— Vá com a enfermeira, querido. Andrew e Liam já estavam entretidos com as primas. Se concentre em Bella e nossa netinha e deixe que cuidaremos do resto.
— Vai dar tudo certo, filho.
Assenti para mamãe e surpreendentemente, meu pai. Que agora fazia questão de participar mais de nossas vidas.
O que netos não fazem, não é?
— É isso mesmo, vai lá ajudar sua mulher a trazer aquela garotinha para o mundo. Aguardaremos ansiosos pelas novidades.
Estranhando Emm, Jasper e... Jacob? Que sorriam bestas e cochichavam mais ao canto, me despedi deles e voltei a acompanhar a enfermeira que me apressava.
— Lave bem as mãos e as unhas com esses equipamentos aqui.
Fiz o que ela me mandou observando Bella que acabava de entrar, por outra porta, na sala bem em frente ao cubículo de vidro em que eu me aprontava.
— Agora vista isso.
Enfiei mãos, braços e pernas nas roupas que ela me estendia. Depois tive os cabelos escondidos por uma touca e o rosto, quase todo, coberto por uma máscara.
— Não toque em nada, senhor. Sua esposa será a única em que colocará as mãos, por enquanto.
Vesti as luvas e fiquei com as mãos elevadas, tomando cuidado para fazer o que ela ensinava.
— Agora vamos. Sente- se aqui...
— Edward...
— Estou aqui, princesa. Bem aqui.
Sentei ao lado dela e me aproximei o máximo que a maca me permitia.
Atravessei uma mão por cima de sua cabeça e toquei seu ombro. A outra ficou fazendo carinho em seus braços.
A boca a milímetros da orelha dela.
— Bem, doutora. Estamos com a dilatação certa e um bebezinho em posição. Prontinho para sair. Sei que sabe disso muito bem, então quando vier à contração quero que empurre com tudo que pode.
Bella só assentiu, já trincando os dentes.
— Agora...
Curvou a cabeça para frente e fez força.
Segurei sua mão e acariciei seus cabelos. As palavras de incentivo vieram normalmente, assim como a doutora Senna havia me incentivado a fazer.
— Isso, vida. Muito bom... Está tudo bem. Você é incrível...
— Ah!
Relaxou cansada, quando a contração passou.
Enxuguei sua testa com uma compressa que me foi entregue.
— Aí vem outra...
— Empurre, Bella. Empurre com força...
A doutora instruía.
— Forte, vida. Ah! Isso, princesa... Você está indo muito bem.
Beijei sua testa quando ela voltou a relaxar.
— Eu já consigo ver, Bella. Será seu último empurrão. Vamos lá...
— Eu não consigo. Edward...
Lágrimas desceram pelos olhos dela e me cortaram como mil adagas afiadas.
— Consegue, minha linda. Você é a rainha mais forte que esse reino já viu. Só mais um. Pela nossa pequena. Vamos, amor...
— Ahhhh...
Curvou o corpo para cima e empurrou com força exagerada e foi o que bastou para um chorinho lindo ser ouvido.
— Nasceu, amor. Nossa garotinha nasceu...
Emocionado, agora era a vez de minhas lágrimas descerem enquanto eu beijava o rosto dela e tentava ver alguma coisa por cima da proteção que nos isolava do procedimento em si.
— Quer ter a honra de cortar o cordão, papai?
Olhei para Bella, olhei para a doutora e quando ela me deu a ordem foi que consegui tomar uma decisão.
— É sua garotinha, querido. Vá lá...
Beijei sua testa em agradecimento e só então fui até onde a doutrora estava.
— Aqui... Assim...
Ensinou-me, para logo depois me entrega-la totalmente.
— Oi, linda. Eu sou o papai. O seu papai...
— Acho que essa menininha quer conhecer a mamãe podia fazer a gentileza de guia-la até lá.
— Eu... Eu...
— Está tudo bem. Ela é pequena, mas forte. Vá... Estou bem ao seu lado.
Hipnotizado pelo pequeno bebê em meus braços voltei para perto de Bella e abaixei minha garota perto da cabeça dela.
— Aqui... Desse jeito.
Senna a pegou e deitou, ao contrário, sobre o ombro de Bella, de forma que sua cabecinha estava ao alcance dos olhos e boca da mãe.
— Oi, amor... Você é linda, filha! Seja bem- vinda, princesa... Perfeita, Senna?
— Perfeita é apelido, Bella. Olhe só essas bochechas.
Instantaneamente, ao sentir o cheiro da mãe, ela parou de chorar.
— Os cabelos, Edward?
Sorri bobo. Ainda não dava para ver maiores detalhes, mas os fartos e intensos cabelos castanhos eram visíveis.
— Ela é linda. Obrigado, meu amor. Obrigado...
— Ela é linda. A nossa Lindsay Carlie Swan Cullen é perfeita, Edward.
Lindsay Carlie esse era o nome que havíamos escolhido para nossa filha depois de muitas sugestões. Umas até inenarráveis de Andrew e Liam.
O Lindsay foi unanimidade em casa, mas o Carlie...
Andrew era Charlie. Liam, Edward. Eu queria demais que nossa filha tivesse Isabella no segundo nome. Porém, Bella bateu o pé e não quis e como Stephan diz, sou um “pau mandado” e que essa discussão ocorreu numa manhã de muito enjoo e mal- estar. Eu me calei e concordei com o que ela quisesse.
E foi aí que veio o Carlie, segundo Bella...
C- De Charlie e Carlisle
A- De Andrew
R- De Renée
L- De Liam
I- De Isabella
E-De Edward e Esme
E com essa justificativa e tapeação ficou: Lindsay Carlie Swan Cullen. A nossa princesinha que eu rezava, fosse a cópia da mãe. Eu merecia duas Isabellas em minha vida.
Pelo menos no cabelo eu já havia sido atendido.
— Lamento atrapalhar o momento família, mas mamãe e bebê precisam de cuidados agora. Se despeçam papais...
— Daqui a pouco estaremos juntas, filha. Tia Senna e tio Jacob são amigos da mamãe e vão cuidar de você. Já, já nos vemos... Mamãe te ama. Seus irmãos estão ansiosos por você. Seja bem- vinda, amor.
Bella falava com voz doce e embargada e o bebê resmungava e remexia impaciente, as perninhas. Parece que já prevendo que a separação seria breve.
— Oh florzinha, vá vestir uma macacão bem rosa para o papai, tá? Tem um monte de presentes e visitas te esperando e papai quer te pegar no colo e não te entregar para mais ninguém. Já, já nos vemos...
Com olhos lacrimejantes, beijei o rostinho pequeno e enrugado.
Bella fez o mesmo...
— Levem- na para a pediatria. O doutor Black está de sobreaviso. O bipem. Edward, preciso que você se afaste agora. Vamos cuidar de sua esposa e dentro de meia hora mãe e filha já estarão no quarto.
Arregalei os olhos e segurei a mão de Bella. Eu não queria deixa-la.
— Vá com ela, minha vida. Está tudo bem aqui. Por favor... Não quero que fique sozinha.
Dividido, olhei para onde minha filha havia sido levada, olhei para minha esposa completamente exausta e frágil naquela maca... Eu não sabia o que fazer... A vontade de socorrer as duas era imensa.
— Pode ir tranquilo, Edward. Bella precisa de cuidados agora. Está em boas mãos, eu prometo.
Para me provar aquilo, minha esposa estendeu, devagar a mão para mim. A peguei antes que se enforcasse mais do que o necessário.
— Já passou, minha vida. Estou bem. Não vou a lugar nenhum, Edward. Vá cuidar de nossa princesa.
Passei a palma da mão pela testa dela, ainda molhada de suor, e beijei seus cabelos demoradamente.
— Você foi fantástica. Obrigado! Obrigado, minha rainha. Descanse agora. Você precisará estar recuperada para quando os dois irmãos mais lindos que um casal poderia fazer, decidirem que já é tempo de conhecerem a irmãzinha deles.
Ela sorriu, sorriu o meu sorriso de felicidade. Aquele que me conquista a cada dia.
— Eu te amo, Edward. Amo com o maior amor que um ser humano é capaz de amar. Amo-te para cuidar e ser cuidada uma vida inteira.
Deslizei o dedo pelo caminho de uma lágrima que simplesmente desceu de seus olhos, ignorei as minhas.
Ela estava frágil, havia acabado de dar a luz e mesmo assim conseguia acabar comigo com sua maestria de rainha e dona de mim.
— Assim com eu te amo, minha linda. Amo a cada novo raiar de sol, amo a cada respirar. Amo a sua capacidade de me fazer seu, de me fazer completo.
— Para sempre...
— Para mais que sempre... Num piscar de olhos estarei junto a ti...
Ousei beijar seus lábios mais uma vez antes de me levantar e correr os olhos até encontrar, meia sala de cirurgia emocionada limpando seus olhos e fungando.
A passos lentos sai dali... Sai... Mas meu coração ficou com ela. Porque desde o dia em que coloquei os olhos naquela pequena menina doce e inteligente, eu não era, mas dono dele, de mim ou de alguma coisa. Eu era todo... Isabella Swan.
Fim
Ahhh!!!!! Esperem, tem mais um pouquinho...
Edward
— O que fazem aqui?
Ainda atordoado pela força dos sentimentos que estava sentindo, vi com estranheza Emmett, Jasper e Jacob me cercarem assim que saí da sala de parto.
— Queremos notícias. Como elas estão?
— O bebê nasceu?
— É uma linda garotinha, Edward!
Dei-lhes o meu maior sorriso de todos.
Jacob já havia visto, sua profissão lhe garantia algumas regalias.
— Nossa Lindsay é belíssima. Bella e eu não poderíamos ser mais agraciados. Andrew, Liam e Lindsay são nossos maiores tesouros a certeza de que fizemos e faremos um ótimo trabalho.
Por segundos nenhum deles disse nada, só sorriram e se perderam em pensamentos.
Porém Emmet, e digo de passagem, muito sério para o Emmett que conheço, quebrou o clima e falou.
— Lizzie, Annie e Seth. Andrew, Liam e Lindsay, irmão…
Apontou para si, depois para Jasper e Jacob e por fim parou em mim. Eu não estava entendendo nada.
— Os filhos de vocês e meus filhos, eu sei. O que que tem? O que deu em vocês? Deixem-me passar eu preciso cuidar de minha mulher e filha agora e vocês estão me atrapalhando e atrasando. Saiam...
— Edward, respire e preste bastante atenção.
Dei um passo para longe deles, mas Jasper me segurou.
— É um assunto sério, irmão. E tem que ser discutido agora.
Jacob fechou mais a expressão.
Não! Não! O que eles tinham na cabeça?
Eu não queria ouvir... Eu já sabia. Todo pais sabe...
Droga! Droga!
Deus! Bella me mataria.
— Parem!
Resmunguei, mas nada pararia aqueles três idiotas.
— Irmão, estamos aqui para propor um acordo...
Ofeguei... Certeza! Bella me mataria antes mesmo que batizássemos nossa linda garotinha...
— Um acordo que leva em consideração Ângelus, Forkian e Pushian, compadre. E só precisamos que diga sim...
— Eu...
Ahh! Mas, isso é assunto para outra história. Porque, agora Edward Cullen queria mesmo era comemorar e viver o seu...
“E viveram felizes para sempre”!
Fim
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