Três Príncipes, Três Princesas
61 Apressada? Não, só daquele tanto
Notas iniciais
Charlie
As risadas altas e cheias de vontade me fizeram abrir um sorriso, o maior e melhor sorriso que Charlie Swan seria capaz de produzir.
— O que faz aí? Apreciando as crias?
Acenei uma afirmação com a cabeça, mas não retirei os olhos delas. Eu não estava em posição de perder alguma coisa mais.
— Aonde elas vão?
Perguntei quando braços delicados me abraçaram e mãos macias alisaram meu pescoço.
Fui instantaneamente dominado pelo sentimento de satisfação plena. Eu estava com meus maiores tesouros bem debaixo de minha proteção.
— Rosie e sua teimosia insistem que a faixa vermelha, que Lizzie já tem, não combina com a saída de maternidade que ela comprou. Então, estão indo a caça de outra.
Rosie e suas manhas.
Eu rezava para que ela só tivesse um filho. Porque ninguém era obrigado a aguentar aquele comportamento mais de uma vez, nem mesmo o pobre do marido dela, nem Bella e sua bondade.
— E Emmett?
— No escritório, cansado de argumentar e implorar para que a esposa se aquiete. Bella nem tenta mais. Só fica a espreita já que Rosie reclamou demais, desde que acordou.
— Os outros já chegaram?
Perguntei a contragosto.
Renée suspirou auto e desencostou a cabeça de minhas costas.
— Se “os outros” se refere à família de suas filhas, eles devem estar a caminho já. Deixe de implicância, homem. Bella já percebeu suas atitudes e posso garantir que não está nada feliz.
Engoli o monte de impropérios que estavam na ponta da língua. Era só o que me faltava, minha filha se virar contra mim em favor de estranhos.
Hunf! A que ponto chegamos.
— Por que vem a família toda hoje? Já não bastam os “dois encostos” de todos os finais de semana?
Renée se afastou de mim, no mesmo instante em que o carro, que levava minhas filhas, atravessava o portão.
— Charlie, o que você queria? Que eles passassem esse tempo todos sem elas? Absurda essa ideia. Você pode até não concordar, mas suas filhas são casadas agora. Conforme-se! E alem disso, Carlisle e Esme as amam. O que não é novidade porque nossas filhas são adoráveis, criadas e modeladas para serem amadas mesmo. Então, é mais que normal que todos estejam com saudades. Ainda mais Alice e Rósalie estando grávidas.
Ah, se ela soubesse o tamanho do meu arrependimento. Eu devia ter dado Bella a Jacob. Seria a solução perfeita. Meu afilhado faria as coisas do jeitinho que eu sonho. Onde eu estava com a cabeça quando aceitei “um rebelde” como esposo de meu bebê?
— Bella comeu?
Desviei o assunto a puxando para meus braços. Eu queria colocar um ponto final a época de crises e brigas.
— Não. Assim como nos últimos dias, ela anda meio sem apetite. Acho que a caneca de leite da madrugada tem atrapalhado a alimentação dela.
— Duvido...
Renée levantou os olhos curiosos para mim. Respirei fundo e dei a ela o que queria. Além do mais, eu precisava desabafar aquilo com alguém.
— Bella não toma mais leite de madrugada. Aliás, Bella não tem mais insônia. Ela não desceu nem um dia, desde que chegou aqui.
Reprimi a amargura da lembrança de levantar madrugada após madrugada, durante uma semana, para levar o leite a ela, e não encontrá-la em parte alguma.
Imagine qual foi minha surpresa ao verificar, todos esses dias, e encontra-la ressonando tranquila em sua cama.
— Nossa! Que bom, não é? Isso significa que a insônia se foi? Depois de tantos anos, tantos especialistas e tantas técnicas? Rá, quem diria que o que ela precisava era do cansaço que só um homem pode dar.
Bruscamente, afastei-a de mim. Era demais para a cabeça de um pai.
— Vá cuidar do almoço, Renée. Logo as visitas chegam e quero que eles mantenham a boa impressão de nós.
— Charlie? Eu só estava brincado. Pare, homem. Onde está seu senso de humor?
Não me dei ao trabalho de olha-la. Minha manhã estava acabada.
— Foi embora junto com a insônia de Bella e a partida de mamãe e aquele homem. Agora, pare de falar asneiras e vá receber as visitas, porque elas acabam de chegar.
Crispei as mãos e continuei a me afastar dela, não me importando com o barulho que a família de minhas filhas fazia ao chegar.
Eu amava Renée, mas, era em ocasiões como essas que eu pensava demais no que eu tinha feito com minha vida...
Edward
— Minha esposa, Renée?
Perguntei quando abracei minha sogra ainda na sala. Havíamos acabado de chegar e eu não via Bella em parte alguma.
Eu estava dormente de saudades. E com o peito tomado por uma sensação ruim.
— Bella, Alice e Rosie deram uma saidinha rápida. Não se preocupem. Antes que vocês se acomodem, elas estarão de volta.
Reprimi a frustração por ela não estar ali me esperando. Lógico que Bella sabia de nossa chegada, o problema é que Rósalie vinha exagerando em suas manhas. E nem se importava que nossa saudade era quase que insuportável.
— Rósalie está bem, Renée?
— Está, Carlisle. Reclamando um pouco do peso e do inchaço, mas, isso é o de menos. O mau- humor é que tem sido complicado. Emmett tem sido um santo.
— Alice também foi? Ela está se comportando como uma irresponsável colocando- se em perigo. Não pensando na vida de meu filho. Vou leva-la para casa amanhã de um jeito ou de outro, nem que seja amarrada.
Se tinha uma coisa que eu havia aprendido ao longo dessa minha convivência com os Swans era que “nunca, em hipótese alguma, se deve agredir, seja verbalmente, fisicamente ou psicologicamente qualquer um deles”. Porque todos se transformavam quando algum membro se seu clã estava em perigo.
Mas, pelo visto, meu irmão ainda não aprendera essa lição. Por meio segundo, senti pena dele.
— Jasper, meça suas palavras. Você não está em casa.
— Só estou dizendo a verdade, mãe. Duvido que a senhora tenha se comportado assim quando grávida.
E o pior é que nem as sobrancelhas arqueadas de nossa sogra lhe serviram de sinal. Ele insistia no assunto.
— Fale mais uma palavra ofensiva de minha filha e prometo que ela nunca mais pisa em Ângelus, seu insolente. Quem você pensa que é?
Charlie, acompanhado de um Emmett também nada feliz, adentraram a sala. Meu sogro parecia mais carrancudo e bravo que o normal e meu irmão, imitava sua aparência. Creio que atualmente Emm seja mais Swan que Cullen.
Convivência faz essas coias.
Agradeci a Deus por aquelas carrancas não serem destinadas a mim.
— Charlie, você não pode discordar que ela vem se comportando como uma...
— Uma Swan exemplar, que está na companhia das duas irmãs que, graças ao bom Deus, uma é médica e que nunca deixaria que nada de mal acontecesse a nenhuma delas. Agora, cale-se antes que eu perca a minha pouca paciência e cause um problema diplomático e familiar entre minha família e a de seu pai.
Carlisle manteve a expressão fechada e as mãos em punho em direção a Jasper.
Era impressão minha ou a relação deles andava muito estremecida?
— Perdoe-me por isso, amigo. Mas, as atitudes desse garoto estão me tirando do sério. Controle-o ou serei obrigado a fazer isso.
— Tudo bem, Charlie. Jasper está cansado e subirá para o quarto que vocês destinarem a ele agora e só sairá de lá bem mais tarde. Quando todos os ânimos estiverem menos exaltados.
— Pai...
— Agora!
Emmett e eu nos olhamos e mal disfarçamos a risada com uma tosse.
Carlisle estava colocando Jasper de castigo?
— Quantos anos ele tem, pai?
Arriscou Emm quando Jas, batendo o pé e resmungando feito criança, se distanciava de nós.
— Para se educar não precisa idade. Aprenda isso.
Satisfeito com a atitude do rei de Ângelus, Charlie pôs-se a cumprimentar aos demais. Quando chegou minha vez, fui surpreendido.
— Seja bem- vindo, filho. Bella não se demorará. Você já é de casa e conhece o caminho. Sinta-se a vontade para esperá-la no quarto de vocês.
Meio estupefato e tonto murmurei...
— Obrigada, Charlie. Seguirei seu conselho.
Com a cabeça fervendo ao pensar no que ele tramava agora, me despedi e fui ao encontro do cheiro de Bella. Era o que eu tinha para o momento. Não ousava nem fantasiar o que Charlie estaria tramando. Cada momento ele se comportava de um jeito e isso me assustava. Apesar, de Bella e eu estarmos muito bem eu ainda tinha receio quando o assunto era meu sogro. Eu sabia, de cor e salteado, do tamanho do amor e admiração de minha princesa por ele.
Não esperava o momento de estreita-las nos braços, para sentir que era minha e que estava bem. A saudade era tanta que dificultava a respiração. E ainda tinha aquele maldito pressentimento que não me deixava em paz.
Maldita Rósalie e suas ideias infantis.
Bella
Uma coisa eu havia aprendido com esse tempo que Edward e eu passamos distantes, ele lá em Ângelus, eu aqui em Forkian, isso nunca mais se repetiria.
Rósalie podia engravidar mais trinta vezes se ela quisesse, porém, faria isso sem que eu observasse seus últimos dias de gestação.
Privar, meu marido e a mim, de nossa companhia, nossa casa, não fora a melhor das ideias.
Apesar de nos vermos todos os finais de semana, porque Edward vinha em todos, não era o suficiente.
A falta dele estava cobrando seu preço. Eu me sentia doente. Sem fome, com ânsias e enjoos e com muito sono, mas bota muito sono nisso.
Eu estava um trapo ambulante. Não que deixasse transparecer, pois, insistia em não reclamar e suportar.
Passaríamos por isso.
Além do mais, tínhamos nossos aliados para nos distrair nessa luta, Esme e Stephan do lado dele e Rosie e Alice do meu lado.
Aliás, acho que era exatamente isso que minhas irmãs faziam agora, com conversas tão ousadas e íntimas.
Distração...
— Ah, Bells! Não seja tão puritana. Rose e eu sabemos que você e Edward faziam peripécias naquele quarto. Imagina agora que vocês têm aquele casarão todo só para vocês.
Sorri abaixando a cabeça, enquanto elas gargalhavam mais uma vez. Passear com minhas irmãs era uma das melhores e piores coisas da vida. Somente quando eu me via na companhia das duas é que eu me dava conta, de verdade, do quanto eu sentia falta delas.
Agora, por exemplo, estávamos voltando para o carro, depois de “revirarmos” cinco lojas em apenas meia hora, em busca de um bendito laço vermelho que combinasse com a saída de maternidade de Lizzie.
Resultado disso? Duas sacolas, equilibradas por Paul, segurança de meu pai, abarrotadas de laços, presilhinhas e fitas das mais variadas cores.
Eu nem pensava em falar que, muito provavelmente devido à espessura e cor dos cabelos de Rosie, Lizzie nasceria com pouquíssimo ou nenhum cabelo.
Deus me livre de começar mais uma sessão de choro sem fim.
— Não sou puritana, Lice. Edward e eu somos ativos mesmo, no entanto não ficamos por aí nos gabando, como você e Rose fazem. Agora, podemos mudar de assunto? Estou ficando com vergonha e, se vocês não perceberam, tem muitos fotógrafos por aqui.
— Não se gaba porque se esconde nessa faceta de tímida. Ah Bella! Seja mais atirada, irmã. Os homens gostam disso.
— Rá! Vai esperando. Meu homem gosta do jeito que sou.
Sorrimos mais uma vez e caminhamos a passos lentos até o carro. Sam e Zafrina, juntamente com mais dois seguranças, nos rodeavam, no entanto não era o suficiente para afastar os paparazzi, que insistiam e tirar uma imagem de Alice, de mim e da imensa barriga de nove meses, quase completos, de Rosie.
Imensa barriga que me preocupava, pois desde cedo eu sentia Rósalie estranha. Era óbvio que estava me escondendo algo. E eu suspeitava que fosse porque esperava que Esme e Carlisle chegassem para que só aí pudéssemos nos dirigir ao hospital para que ela fizesse mais uma ultra.
— Princesas, precisamos sair logo daqui. Esses “desocupados” se farejam, e logo isso aqui estará um inferno.
Seguimos o conselho de Zafrina, apertamos o passo e logo estávamos no estacionamento subterrâneo, a poucos segundos do carro.
Porém, tudo que está ruim pode piorar.
E infelizmente, eu não estava preparada para a sucessão de fatos que se seguiram.
— Hum... Isso não é bom. Aí!
Olhei assustada para Rose, que imperceptivelmente havia ficado dois passos para trás.
— O que foi? O que não é bom?
Voltei para perto dela e alisei suas costas. Rosie estava encurvada para frente, as mãos fazendo movimentos circulares na barriga.
— Lizzye está agitada desde ontem e agora parece mais insatisfeita ainda, com o pouco espaço.
— E você me diz isso só agora? Merda, Rosie! Devíamos ter ficado em casa. Essa agitação não é boa para Lizzie e você.
Sam percebendo um problema, se aproximou e pegou Rosie no colo. Tive que correr para acompanhá-los até o carro.
Alice que não percebera o acontecido, nos olhou assustada, quando a acomodamos.
— Calma, Rósalie. Respire devagar, feche os olhos e relaxe. Logo estaremos em casa e você poderá descansar.
Seguindo meu conselho ela recostou a cabeça no banco. Troquei um olhar preocupado com Alice.
— Sam, vá direto para o hospital, ela não está bem.
— Princesa, estamos mais perto do palácio. Precisamos avisar ao príncipe.
— Seja rápido.
— Ah! Bella!
Voltei meus olhos para ela, quando o grito agoniado me congelou a alma.
— Droga!
A bolsa de Rosie havia rompido e o líquido amniótico escorria para todos os lados.
— Droga! Sam para o hospital. Rápido. Nossa princesinha apressada, não vai esperar pelos avós, muito menos os nove meses completos.
Então, sem demora, logo nosso carro deslizava pelas ruas. Passei a alisar a testa de Rosie e contabilizar as contrações.
Por Deus! Eu não era obstetra, mas poderia diagnosticar, de olhos fechados, que as contrações dela estavam em intervalos curtos demais.
— Vamos, Rosie. Só respire devagar. Como Angie, te ensinou. Faça isso por mim. Sim, irmã?
Ela não respondeu, só fechou os olhos e trincou os dentes quando foi abatida por outra onda de dor.
Alice se mantinha imóvel do lado dela. Só me faltava essa, ela entrar em pânico.
— Vamos logo, Sam.
No entanto, as coisas não estavam a nosso favor, pegamos um engarrafamento, gerado por um carro com defeito no meio da avenida.
— Putz princesa, demorará mais do que o normal.
— Okay Sam. Só fique calmo.
— Bells...
Rosie gemeu de novo.
— Está doendo muito. Irmã, eu não entendo disso, mas acho que Lizzie está pressionado a cabeça bem aqui embaixo. Me leve para o hospital, Bells. Eu quero a anestesia.
Droga! Droga! O pulso dela estava acelerado demais e as contrações maiores e em intervalos bem menores agora. Lizzie não esperaria.
Estava acelerado demais.
— Tá Rosie. Só fique tranquila e controle a respiração. Não empurre. Nós já vamos para casa.
Tirei o cabelo de seu rosto e respirei profundamente, me preparando para o que estava prestes a fazer.
— Ai Bells. Eu não consigo. Me ajude...
Choramingou alto e se contorceu de dor.
Ainda bem que os vidros do carro eram escuros.
— Alice me ajude aqui.
Pedi já tentando ajeitar Rósalie. Era agora ou nunca. E que Deus me ajudasse.
Porque eu havia feito partos sozinha só de emergências quando fazia residência. Agora, eu somente ficava por conta dos pequenos quando eles já estavam fora dos corpos das mães.
— O que eu faço, Bella?
Perguntou Alice nervosa, tirando-me de meus medos e pronta para ajudar, mesmo assustada, diga-se de passagem.
— Eu vou chegar para a ponta do banco e você vai chegar para a outra, vou deitar Rose em seu colo e colocarei as pernas dela em cima do banco.
— O que? Você ficou maluca? Bella o que está acontecendo?
Ignoramos Rósalie.
Alice assentiu e já foi arrastando nossa irmã para junto de si, juntamente com o seu vestido, ignorando a indignação e preocupação dela.
Lice já havia entendido que faríamos, eu agradecia a Deus por ela estar ali.
— Suas contrações estão longas e em curto espaço de tempo, Rose. Seus batimentos cardíacos estão um pouquinho acelerados. E pelo que você me disse só agora, está com contração há um bom tempo. E se eu não estiver muito enganada, deve estar com dilatação também. Eu vou abrir as suas pernas e farei um exame de toque, estamos do outro lado da cidade andando como tartarugas, a meia hora de casa e à uma hora do hospital, eu terei que começar os procedimentos aqui.
— Não, Bells! Eu não posso ter minha filha num carro, no meio da rua. Eu não quero um parto. Eu quero a anestesia, irmã.
Ignorei, mais uma vez, os choramingos dela e automaticamente me liguei no modo médica. Para mim agora, aquele era um caso de emergência, onde meu lado sentimental deveria ser colocado de lado.
Ela até poderia querer um peridural, mas Lizzie não. Era evidente quem venceria a guerra ali.
— Zafrina, ligue para casa e peça para que Emmett mande preparar o helicóptero. Coloque-o a par da situação. Sam, pise fundo! Vá para casa. Não vai dar tempo de ir para o hospital.
Abri suas pernas, arranquei, de qualquer jeito a lingerie e a toquei com cuidado. A dilatação estava em torno de nove a dez centímetros. Ótimo!
Lizzie nasceria ali, sem pompa nem circunstância.
Somente sendo filha de Rósalie e Emmett mesmo.
— Bells!
Gritou mais uma vez curvando o corpo para cima.
— Não vai dar tempo, Rosie. Tem que ser agora. Você vai ter que empurrar. Lizzye está pronta. Você tem que estar também.
— Bella. Você tem certeza?
— Alice, não questione. Respeito e entendo seu estado. Preciso demais de você irmã, mas se não conseguirá, por favor, dê seu lugar a Zafrina.
Negando veementemente ela segurou as duas mãos de Rósalie, como uma sustentação, uma ponte.
Era minha vez.
Passei a trabalhar em Rose.
— Agora, vamos lá Rosie. Quando você sentir que a contração está vindo, juntamente com a vontade de empurrar, não segure empurre. Empurre com toda vontade que conseguir.
Segurei seus joelhos mais abertos.
— Logo isso terminará. Eu te prometo. Confie em mim.
— Ahh! Bella! Lá vem mais uma. Ahhh!
— Isso, não segure. Não segure, empurre Rósalie. Empurre...
— Ah! Bells...
Droga... droga... Por que viemos nesse carro pequeno? A falta de espaço não favorecia nem a ela, nem a mim.
Quando eu disse que Lizzie nasceria em um veículo ou avião, era só brincadeirinha, não uma praga.
Eu e minha maldita boca grande.
— Isso! Passou, irmã. Passou. Você está indo muito bem. Da próxima você vai fazer mais força... Vai empurrar com mais força. Tudo bem? Vamos acabar com esse sofrimento. Sam, acelere aí, pelo amor de Deus.
— Mais dez minutos, princesa. Segure aí, estamos chegando.
— Bells!
Intervalos curtos, muito curtos. Por Deus! Ela não aguentaria dez minutos.
— Empurre irmã. Agora Rose. Agora... Mais força.
— Ahh! Porra, Bella! Tá doendo.
Eu imaginava. Mas, se ela pudesse ver o que eu já via, aposto que não desistiria.
— Tá vindo. Tá vindo Rosie. Eu já posso ver a cabecinha. Vamos, irmã. Com mais força agora, toda força. Merda, Sam!
Uma virada brusca nos sacudiu, por inteiro.
— Chegamos princesa.
— Bella!!!
Aí vinha outra. Que o mundo se dana-se, era agora.
— Empurre Rose. Empurre. Com força. Toda força que puder. É agora...
E foi um pandemônio de portas batendo, gente saindo, gente entrando. Uma loucura a nossa volta.
— Saia daí, Alice. Deixe-me entrar. Que merda é essa? Pare, Bella! O que você está fazendo? O avião está pronto estamos indo para o hospital.
Ignorei meu cunhado. Ele poderia estar indo ao raio que o parta, já Rósalie e Lizzie...
— Vamos Rosie. É agora, na próxima você vai forçar o máximo que puder, não segure, não segure...
— Agora Bells. Agora...
— Empurre irmã. Empurre.
Saindo do pedestal em que estava se colocando e vendo a gravidade da situação, Emmett passou a influenciar a esposa.
— Vamos, amor. Vamos, gatinha. Nossa princesinha está chegando. Vamos amor...
— É agora, Rósalie. É agora, minha netinha já está vindo. Eu já posso vê-la.
Esme passou uma toalha por minha testa e segurou meu cabelo para trás. Mentalmente, a agradeci por isso.
— Empurre, Rosie. Empurre...
E então, finalmente às dez horas e trinta e dois minutos, um choro alto e forte foi ouvido e eu, no momento mais emocionante de minha vida, amparei a minha primeira sobrinha.
A minha primeira e linda afilhada havia vindo ao mundo por meio de minhas mãos. Um milagre de Deus.
Grossas e quentes lágrimas desciam por meu rosto. Era emoção demais.
— Isso, meu amor. Chore, Florzinha. Chore mesmo. Grite ao mundo que você chegou cheia de vida e saúde.
Puxei delicadamente a pequenininha e a trouxe para cima. Eu precisava tira-las dali o mais rápido possível.
— Mãe, por favor, em minha maleta tem uma tesoura já esterilizada, pegue-a para mim, no entanto, tome o cuidado de não tocar na lâmina.
Renée, que já antecipara os fatos, e tinha minha maleta em mãos, entrou no banco da frente e se posicionou ali.
— Mãe, preciso que faça uma troca comigo. Vou lhe entregar Lizzye e então pego a tesoura, okay?
Ela assentiu já com os olhos marejados, mas brilhosos de orgulho e amor pela neta.
Enquanto isso, Emmett acariciava o rosto de Rosie, enquanto essa ainda gemia baixinho.
Eles também choravam acompanhando, com os olhos, tudo que eu fazia.
— Assim. Devagar.
Entreguei a pequenina à mamãe e passei a finalizar os procedimentos que poderiam ser feitos fora de um hospital. Cortei o cordão umbilical, peguei duas toalhas que Alice me estendia e limpei o máximo que consegui. Teria que bastar até que Ângela a examinasse. Como dissera Jasper em mais de uma ocasião, eu não era um especialista.
Já o carro... Coitado do dono e do pobre coitado que o lavaria.
— Isso! Pronto. Agora me dê aqui essa garotinha apressada.
Entreguei a Esme os equipamentos e as toalhas que eu havia utilizado. E peguei Lizzie, que ainda chorava, dos braços de mamãe.
— Tem duas pessoas querendo te conhecer aqui, princesinha. Que tal parar de chorar e mostrar a eles sua beleza.
Delicadamente, levantei o corpo, me inclinei e coloquei Lizzie nos braços de Rosie. Que maternalmente já a aconchegou contra o peito. Ela e Emmett sorriam e choravam bobamente. Era a primeira vez que eu via meu cunhado sem fala.
— Ah, Rosie! Ela é linda! Perfeita. Obrigado, amor. Muito obrigado.
Os dois muito emocionados contemplavam a pequena bebê branquinha, berrerenta e muito inchada ainda.
— Oh, Emmett. Olha a boca dela. Igual a sua. Ela se parece com você. Olha esses dedinhos, amor...
Deixei que o sentimento de alívio e contentamento me dominasse. Agora eu podia respirar também.
— Querida, o que fazemos agora?
Dando privacidade à família e ao seu mágico momento, desci do carro e parei ao lado. Minhas pernas estavam bambas e foi preciso que eu firmasse na porta para que não caísse.
Toda nossa família estava em volta do carro, até Jasper.
Meu pai e Carlisle pareciam até meio fora do ar de tanta alegria e emoção.
Edward me olhava um tanto orgulhoso e preocupado. Não sei o que foi melhor de encontrar em seus olhos calorosos.
Eu estava morrendo de saudades.
— Enrolem o bebê numa manta. Troquem só a roupa de Rose e a levem para o hospital, de helicóptero de preferência. Está tudo bem, mas eu prefiro que ela seja examinada por Ângela. Alice deve ir também, ela passou por fortes emoções. Eu só vou tomar um banho e sigo para lá.
Mas, meu corpo tinha outra ideia em mente.
Senti uma forte pontada em algum lugar, não sabia se na cabeça ou no estômago, só sei que reclinei um pouco para frente. Tentado fazer com que os pontos escuros, que teimavam em embaralhar minha vista, desaparecerem.
— Droga, Bella! Você não vai a lugar algum, a não ser sua cama.
Fui pega no colo e imediatamente dominada pelo cheiro maravilhoso que me fazia falta todos os dias, desde que cheguei aqui.
De quem fora essa ideia absurda? Odiei cada segundo da distância de Edward.
— Você foi fantástica, princesa. E já fez muito mais do que deveria. Vocês não deveriam ter saído de casa com Rósalie nesse estado. No entanto, agora eu vou te levar paro quarto, você vai tomar um banho e descansar. Você parece exausta, Bella.
E eu estava mesmo.
Deitei minha cabeça nos ombros de Edward e fechei os olhos. Meu corpo estava mole, o estômago embrulhava e os malditos pontos pretos insistiam em permanecer comigo.
— Amor, um pediatra precisa consultar a Lizzie mais minuciosamente. Eles precisam de mim.
— Não Isabella! Eles têm outros pediatras naquele hospital. Agora quem está precisando de cuidados é você, portanto cale-se e descanse.
Minha natureza me pedia para argumentar e brigar, mas a verdade era que eu estava mesmo, muito cansada. Então segui os conselhos de meu marido e me mantive quieta, todavia, minha mente estava tranquila e serena, pois mais uma vez, minha profissão me proporcionou uma alegria que creio eu, nenhuma outra conseguiria.
No entanto... as fortes emoções não acabavam ali.
— Bella? Bella?
Só fui capaz de distingui a voz de Edward bem ao longe antes da inércia me tomar de vez.
— Bella? Fale comigo, Bella?
Isabella Swan desmaiara...
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