Toys
1 Entrevista.
Notas iniciais
A carol_zinha betou pra mim. Então tô atualizando aqui.
“Eu o quero”.Foi o que pensei quando ele entrou na minha sala. Seria apenas mais um dos meus brinquedinhos.
A aparência dele me chamou atenção. Não era do tipo que trabalhava em empresas como a minha. Por mais que ele não demonstrasse, a minha habilidade de observar bem as pessoas fez com que eu percebesse o quão incomodado ele estava com aquele terno e sapatos. Separados talvez ele ficasse mais livre, mas o conjunto de vestimentas o deixava agoniado. Existiam olheiras e talvez por ser segunda-feira de manhã seu rosto ainda apresentava sonolência. Aposto que ele teria bebido na noite anterior. Será que gostava de beber? Não deveria ter o analisado tanto enquanto ele colocava o currículo sobre minha mesa. Seria mais interessante descobrir as coisas vindo dele.Outra coisa que eu observei e me chamou bastante atenção foram os dedos alongados que ele tinha. Talvez tocasse algum instrumento. Várias imagens dele tocando inúmeros instrumentos passaram pela minha cabeça, enquanto eu lia o melhor currículo que haviam me mandando naquele mês. Não porque eu estava interessado no rapaz, mas por sua formação ser realmente esplêndida. -Sente-se. – Eu pedi ao terminar de ler os documentos. Ele agradeceu com uma reverência e se sentou, cruzando as pernas. Meu olhar não havia saído dele. Pude ver o tecido da calça prensar as coxas dele. Não eram as mais torneadas, mas pela altura e magreza que ele apresentava de pé, eram belas coxas. Meu interesse apenas aumentou com aquilo. O rapaz me impressionava sem sequer ter dito uma palavra. – Toca algum instrumento? - Baixo senhor. – O espanto era aparente na voz dele. As piscadas mostraram que ele não entendera a pergunta e nada mais normal do que querer entender. – Por quê? Isso me ajudaria com o emprego? - Se nós estivéssemos contratando baixistas, talvez. – Deixei claro o sarcasmo na minha voz. O descruzar e cruzar de pernas dele e o engolir de saliva em seco fizeram todo o nervosismo que ele escondia desabrochar. – Você é bastante ousado em fazer essa pergunta na sua entrevista, a maioria das pessoas apenas responderia. – O vi abaixar a cabeça e seus ombros se moveram, mostrando que ele respirou mais fundo. Ele queria o emprego. Por quantas entrevistas ele teria passado? Não era, de forma alguma, bom ser dispensado. – Gostei disso. Além de ter guardado bem o seu nervosismo e ter que usar essa roupa, que tenho certeza que não gosta de usar, estar aqui pontualmente na segunda-feira de manhã é complicado não é? Para mim também, por isso escolho a segunda-feira para fazer as entrevistas. Você conseguiu-me surpreender com o seu currículo. Sem dúvida o melhor que vi nesses meses de procura por um economista. – Ao fim da frase o olhar dele já estava sobre mim. Seus lábios tremeram. Percebi que ele queria sorrir. Me levantei e caminhei até parar na sua frente, fiquei olhando-o um tempo. Ele me encarou e isso foi bom. Estendi uma das mãos a ele. – Está contratado. –Ele segurou a minha, com força, nós as balançamos. - Obrigado senhor! – Ele deixou o sorriso largo surgir nos lábios, mostrando os dentes. Não foi o sorriso mais bonito que eu já vi. A condição ruim dos dentes dele mostrava o quanto bebia e fumava, mas isso não é um problema. O que se tornou interessante foi a sinceridade no sorriso dele. - Não agradeça... Isto é, me faça um favor, certo? Não sorria mais assim. O espero amanhã bem cedo. Alguém, ou eu mesmo, irá mostrar sua sala. E não é necessário usar terno. Nós avisaremos quando esse tipo de coisa precisar ser feita. Ele diminuiu o sorriso, escondendo os dentes. Fez uma reverência e fiquei observando-o, atentamente, sair da sala até que a porta se fechasse. Feito isso dei início a papelada de contratação dele. Os próximos meses seriam divertidos.
Notas finais
Universo alternativo, oi. Esperem pelo próximo capítulo.
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