Touches You
8 Capítulo 7
Hogwarts, 03:00 PM, 17/09/2010
Astrid já tinha conseguido aprender quase todos os feitiços de defensa ensinados no primeiro ano. O progresso dela era visível e o professor pediu um tempo, saindo e pedindo que a menina permanecesse na sala. Alguns longos minutos depois, o professor voltou com o diretor.
A surpresa estava estampada no rosto da menina. Só tinha visto o diretor na mesa dos professores na hora das refeições e só o tinha ouvido falar no primeiro jantar do ano letivo. O diretor analisava a menina com olhos atentos e deu uma volta completa ao redor dela antes de falar.
— Astrid, você teve aula com algum outro aluno desde que chegou aqui? — a voz do diretor não era acusatória, parecia mais um pai preocupado.
— Não senhor. Só com os professores. — a menina falou — Mas nas férias estudei com um amigo algumas matérias.
O diretor se sentou na frente da menina.
— Que matérias seriam essas?
— História da Magia, Herbologia e Astronomia. Também estudei algumas coisas de Defesa Contra a Arte das Trevas.
Dumbledore olhou pra ela pensativo. Era a primeira vez que algum aluno demonstrava aquela capacidade de aprendizado e também era a primeira vez que algum aluno era esquecido da escola.
— Filius, acredito que temos um caso extraordinariamente raro diante de nós. — falou o diretor — Falarei com o Ministro para poder leciona-la alguns assuntos mais avançados. Por enquanto, você está dispensada das aulas, Astrid.
Astrid saiu da sala e foi quase que correndo de volta pro dormitório com um sorriso nos lábios. Teria aulas extras com assuntos mais avançados. Em outras palavras, deixaria de ver conteúdos já vistos por outros alunos para ver assuntos que os outros provavelmente nunca veriam em suas vidas. Na porta da sala comunal da Ravenclaw, ela esbarra em Emmeline.
— Desculpa, Emmeline. — Astrid falou, ajudando a amiga a recolher os livros que haviam caído.
— O que aconteceu, hein? Você não é tão desligada assim.
— É só uma notícia que recebi. Não posso falar sobre porque não tá confirmada, mas eu te conto quando confirmar alguma coisa.
Emmeline foi em direção a biblioteca e Astrid entrou na sala comunal, mas logo saiu correndo pro dormitório feminino e começou a escrever uma carta pro pai, contando o que tinha acontecido. Terminando de escrever, foi até o corujal e mandou a carta. Aproveitou que estava ensolarado pra pegar seu material e estudar um pouco na beira do Black Lake. Depois de algumas horas, Astrid recebeu a resposta do pai.
“Biene,
Foi muito bom ler sobre o seu avanço. Pouco antes de receber a sua carta, recebi uma do professor Dumbledore, me contando a mesma coisa, mas com um aspecto a mais. Você demonstrou ter capacidade de aprender muito assunto em pouco tempo. Mais assunto do que pessoas normais conseguem. Isso é um excelente sinal, Asta. Significa que você realmente puxou a minha família e que você vai saber tirar proveito desse conhecimento.
Apesar de toda essa alegria, estou preocupado com uma coisa. Você não soou muito como a velha Astrid que eu conheço. O que houve? Tem alguma coisa que você não me contou? Se tiver alguma coisa te incomodando, me conte. Talvez eu possa ajudar. Eu sei que eu não fui o pai mais presente do mundo, mas quero poder reverter essa situação para que a gente possa viver melhor.
Sempre de olho,
Klaus (também conhecido como seu pai)”
Astrid ficou com medo de qual seria a reação do seu pai se soubesse que estava namorando. Talvez ficasse feliz, já que é com o filho de um amigo dele, mas existia a possibilidade dele ficar com raiva ou chateado, por não ter a oportunidade de conversar com o menino. A menina ficou tão imersa na sua batalha interior que não percebeu a chegada do namorado.
Ele a abraçou e beijou o topo da cabeça dela. Quando percebeu que ela estava distante, mas com um olhar meio triste, ficou preocupado.
— Asta, o que foi? — perguntou
— Recebi uma carta do meu pai. Não sei se eu conto ou não pra ele que a gente tá namorando. Quer dizer, não sei qual vai ser a reação dele quando souber.
— A única maneira de saber qual vai ser a reação dele é contando.
Os dois ficaram num silêncio constrangedor.
— Astrid, você já teve algum namorado antes? — Miko perguntou
— Tenho mesmo que responder essa pergunta? Tipo, de verdade?
— Só se você quiser.
— Minha reação a contar ou não pro meu pai foi completamente acusatória. — Astrid baixou a cabeça, se encolheu e ficou um pouco em silêncio — Nunca namorei antes.
Miko puxou Astrid mais pra perto e a botou no colo. Os dois ficaram ali sentados na beira do lago. Volta e meia, Miko começava a mexer no cabelo de Astrid, fazendo carinho.
— Acho que, se você vai contar pro seu pai sobre a gente, você tem que conhecer direito quem você namora. — Miko falou
— Não é má ideia.
— Vamos lá... Tenho um irmão gêmeo, nasci e cresci em Londres. Meu nome do meio é Dawud...
— Sério que seu nome do meio é Dawud?
— Eu sei. Não gosto muito da combinação Michael Dawud, mas não posso fazer nada. Ou era Michael Dawud ou era Michael Ivan.
— Michael Dawud soa melhor.
— Continuando. Falo árabe, russo e inglês, nunca saí do país e por um triz não me tornei um dos Marauders.
— Por que não se tornou um?
— Acabei decidindo que viver de detenção não era uma boa ideia. Meus pais viviam recebendo cartas de Dumbledore e de McGonagall dizendo que eu tinha feito besteira.
— Já que eu sei mais ou menos quem você é, vou dizer mais ou menos quem sou eu. Nasci em Munique e vivi por lá até uns doze anos e depois me mudei pra Manchester. Dois anos antes da gente se mudar pra Manchester, minha mãe botou meu pai pra fora de casa. Até não muito tempo atrás eu não entendia muito bem o motivo da minha mãe ter chutado o meu pai de casa até saber que ele é bruxo e ela tinha descoberto.
— Deve ter sido barra.
— E como foi. Quando minha mãe começou a perceber os primeiros sinais de magia tanto em mim quanto na minha irmã, ela nos mandou prum colégio interno lá em Manchester. Passei os piores anos da minha vida por lá. Eu só tinha Ashley como amiga, além da Leslie. E tinha o fato de ninguém acreditar que a Leslie é a minha irmã gêmea.
— Realmente, é meio difícil de acreditar que vocês duas são gêmeas. Mas dá pra perceber muito bem que são irmãs.
— Pois é. Ela sempre foi maior do que eu, por isso que as pessoas diziam que não era possível nós duas sermos gêmeas. Hoje em dia nem ligo mais. Segundo a Leslie, eu sou a mente criminosa das duas, enquanto ela é a executora dos crimes.
— Por favor, me diga que os seus planos diabólicos eram tão ruins quanto os meus.
— Digamos que, normalmente davam certo, mas não eram muito sádicos. O mais cruel que eu fiz foi queimar a peruca de uma das freiras do colégio interno que eu estudava. Garanto que a peruca era particularmente horrorosa e povoava os pesadelos de 20 entre 10 alunos. E no fim ela não fez nada comigo, porque não conseguiu provas que me incriminassem.
— É sério isso? Então acho que vou pedir pra você tacar fogo no Peeves.
— No Peeves? Ele é super gente boa comigo. Tá certo que ele acha que eu tenho conexões com o Bloody Baroon, mas ele não faz nada de mais comigo.
— Isso explica tudo. A única entidade que o Peeves respeita é o Bloody Baroon. Mas é só por medo.
— Ah, uma coisa que eu não te contei. Meu nome do meio é Sabine.
— Sabine? É até bonitinho. Astrid Sabine. É bem melhor do que Michael Dawud.
— Pode até ser bonitinho, mas a única pessoa na face da terra que me chama de Sabine é o meu tio, irmão do meu pai. Isso quando ele não me chama de Biene, que é o apelido de Sabine. Mas de Biene até minha irmã me chama, então...
— Biene?
— É. Biene. Também quer dizer abelha.
— Abelha. — Miko deu uma risadinha — Apropriado.
Astrid revirou os olhos enquanto Miko a abraçava mais forte.
— Se você me prometer não me encher o saco sobre Biene significar abelha, até libero você me chamar assim.
— Prometo solenemente que não vou encher o saco de Astrid Sabine Hoff por causa do apelido dela. — Miko falou levantando a mão direita — Satisfeita?
— Hm, vou pensar no seu caso. — ela disse com um sorriso malicioso nos lábios.
Miko deu um selinho nela e fez uma carinha de pidão.
— Tem certeza que ainda precisa pensar, Biene? Por favor... — e começou a encher a namorada de beijos, a fazendo rir.
— Tá bom, Michael. Pode me chamar de Biene.
— E, se você quiser, pode me chamar de Dawud. É o meu “apelido” oficial pros parentes que vêm da Arábia.
— Parentes da Arábia?
— São primos e tios pelo lado da minha mãe. De vez em quando eles vêm pra cá pra comprar coisas pra revender por lá. Normalmente eles passam o tempo inteiro reclamando que está tudo muito caro, mas acabam comprando muita coisa.
— Então eles são mercadores?
— São.
Quando começou a anoitecer, os dois foram de volta pra sala comunal. Astrid colocou os livros e as anotações de volta no malão e foi com Miko pro salão principal. O jantar já estava sendo servido, mas ainda tinham poucos alunos. Aos poucos, o salão foi enchendo com mais e mais alunos. O que mais se ouvia era o som de conversas e de talheres batendo contra os pratos. Astrid terminou de comer e ficou esperando o namorado terminar. Antes dos dois chegarem até as portas, Damon aparece na frente deles.
— Professor Flitwick quer falar com você, Astrid. Ele tá na sala dele. — Damon avisou
— Obrigada, Damon. Já estou indo. — Astrid respondeu com um sorriso. Ela puxou Miko pela mão e os dois foram em direção à sala do professor — Pouco antes de eu ir pro Black Lake, fui dispensada das aulas extras de hoje. Dumbledore disse que falaria com o Ministro pra ver se, ao invés de receber o conteúdo que eu perdi, eu receber um conteúdo mais avançado.
— E você só vem me contar isso agora? — Miko para de andar
— Dawud, eu não estava com esse assunto na cabeça quando você chegou. Eu estava preocupada com o meu pai. Como contar pro meu pai sobre a gente. Não deixei de te contar isso por maldade.
— Você realmente confia em mim, Astrid?
— Claro que confio. Se não confiasse, não teria te contado nada nem estaria te levando comigo.
— Prometa que você não vai deixar de me contar mais nada.
— Prometo solenemente. Podemos ir agora?
— Vamos.
Os dois foram em silêncio até a sala do professor. Astrid deu duas batidas rápidas na porta antes de abri-la.
— Professor? O senhor mandou me chamar? — Astrid perguntou entrando na sala.
— Entre. Por favor, senhor Thompson, espere um momento do lado de fora, sim? Não vou demorar com a sua namorada. — com o comentário do professor, tanto Astrid quanto Miko ficaram vermelhos.
Miko fecha a porta e fica esperando. A conversa entre Astrid e o professor demora não mais do que cinco minutos. Quando a menina sai da sala, ela abraça o namorado com um sorriso enorme nos lábios. O diminuto professor sai da sala pouco depois da aluna.
— O senhor pode acompanhar as aulas também. — o professor falou
— Seriam aulas de que? — Miko perguntou
— Transfiguração, defesa... Esse tipo de coisa. — Astrid falou — Vai ter tempo pra gente estudar pros OWLs.
— Aceito a proposta. — Michael respondeu com um sorriso
O professor concordou com um aceno de cabeça e saiu. Miko olhou pra namorada.
— É impressão minha ou você disse “pra gente estudar pros OWLs”? — ele perguntou
— Não, não é impressão sua. Eu deixei de ser dispensada dos OWLs. Vou ter que fazer como qualquer outro aluno. Ou seja, vou ter que estudar pros OWLs, pras provas normais e pras provas das aulas extras.
— Vai ter prova nas aulas extras?! — Michael soou desesperado
— Brincadeira. Não vai ter prova pra aula extra. Só tava querendo saber qual seria a tua reação. Mas você vai ter que manter segredo sobre essas aulas. É que a gente vai ver coisas que nem todo mundo pode ter acesso.
— Coisas como...
— O feitiço para virar animagus, um feitiço contra dementors... Esse tipo de coisa. Bem, só estou repetindo o que Flitwick disse, já que eu não faço a menor ideia do que seja —
Miko puxou Astrid prum canto, tapando a boca dela. Astrid começou a se debater e a tentar destapar a própria boca. Miko fez sinal para que ela se acalmasse. Pelo corredor passava Lucius e Bellatrix. Os dois Slytherin estavam com cara de poucos amigos e pareciam discutir sobre alguma coisa. Quando os dois saíram de vista, Miko soltou Astrid.
— Desculpa por isso. É que eu não confio em nenhum daqueles dois, principalmente no estado que eles estavam. — Miko se desculpou
— Tudo bem. Continuando o que eu ia dizendo, preciso saber o que é um dementor, já que eu ainda não vi um.
— E nem queira. Dementors são os guardas da prisão bruxa, Azkaban. Eles sugam toda a sua felicidade até você ficar sem alma, além de te fazer reviver seus piores momentos. Tive a sorte de nunca ter visto um pessoalmente, mas quem já viu não gosta muito de falar no assunto.
— Então acho que esse feitiço contra eles não é de todo mau.
— Com certeza é muito útil. Espero nunca ter que encarar um de verdade.
— Quais seriam os momentos que o dementor te faria reviver?
— Não tenho certeza. Acho que foi quando eu achei que meus pais iriam ficar com raiva de mim por eu ter ido pra Ravenclaw, ao invés da Gryffindor ou Hufflepuff, como o meu irmão e o resto da minha família antes dele. Eu sei que era um medo bobo, mas na hora realmente me apavorei.
— Acho que pra mim seria o dia que meu pai teve que sair de casa. Eu senti como se eu tivesse sendo abandonada, deixada com a minha mãe.
— Você é realmente apegada ao seu pai, hein?
— Sou. Não consigo nem me identificar nem confiar na minha mãe. Fico sempre com a sensação de que ela vai fazer a mesma coisa que ela fez com o meu pai se descobrir que sou bruxa. Ou mesmo que ela vá fazer coisas piores do que só me colocar num colégio interno.
Miko parou na frente de Astrid, bloqueando a passagem dela. Ele pegou no rosto dela com cuidado e deu um beijo demorado e ela retribuiu.
— Biene, você é a melhor coisa que me aconteceu desde que eu entrei em Hogwarts. Não quero te perder de jeito nenhum. E não vai ser a sua mãe te trancafiando num colégio interno em Manchester que vai me impedir de te ter. Estamos combinados?
— Estamos. E o senhor nem invente de sumir, viu? — Astrid falou segurando as vestes dele, como se precisasse de proteção — Eu te amo, Dawud.
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