Touches You

19 Capítulo 18


Durmstrang, 02:30PM, 31/05/2011

— Fräulein Hoff? — o diretor chamou, abrindo um pouco a porta da sala de provas.

— Ja? — Astrid respondeu

— Entre, por favor.

Astrid entrou, com medo do que poderia encontrar. Não tinha certeza de como seria a prova, já que, apesar de terem o direito de estudarem, os alunos não ficavam sabendo a forma da prova, abrindo espaço para todo tipo de avaliação.

Assim que viu o que tinha na sala, Astrid entendeu o que precisaria fazer. Aquilo seria uma espécie de labirinto que ela teria que utilizar todas as coisas que deveria ter aprendido ao longo de cinco anos de estudo. No caso dela, no último ano.

Ela esperou a autorização para entrar. Assim que entrou no labirinto, viu uma silhueta familiar.

— Você realmente acreditou no meu irmão? — uma versão do Miko falou — Achou mesmo que tinha sido ele que saiu espalhando a sua vinda pra Durmstrang? É muito ingênua, mesmo. — o sarcasmo escorria na voz dele — Fui eu. Eu que contei pra Rita Skeeter, a jornalista do Daily Prophet.

— Você não é real. Isso não é real.

A menina mentalizou o feitiço. Sabia que aquele não era propriamente um bicho papão. Se fosse, não era um adulto. Talvez uma criança ou um bebê, mas, definitivamente, não um adulto. Quando abriu os olhos novamente, o caminho estava livre. Lembrou-se da regra da mão direita que normalmente rege labirintos e se guiou dessa forma. Durante o percurso encontrou várias esfinges que lhe fizeram perguntas sobre os mais variados assuntos, criaturas mágicas e placas com instruções para cumprir.

Perto do final da prova, Astrid sentiu o chão ruir e uma fenda se abriu no chão a sua frente.

— Ah, não. Um bicho papão adulto, não. — ela reclamou antes de lançar o feitiço.

Quando o chão na sua frente voltou ao normal, ela foi lançada, como se tivesse sido cuspida pelo labirinto.

— Ora, ora. Sabia pelo seu histórico que você seria extraordinária. — o diretor comentou, se aproximando da garota ainda caída no chão — Fräulein Hoff, a senhorita conseguiu completar a prova no menor tempo existente. Mas seu sobrenome... Não tenho certeza porque me soa tão familiar.

— Meu pai e meu tio estudaram aqui, senhor. Klaus e Leon Hoff, Herr Becker.

— Tem razão. Os olhos cinzentos são inconfundíveis. Mande lembranças minhas ao seu pai e ao seu tio. — o diretor ofereceu a mão para Astrid se levantar.

— Os resultados saem quando?

— Você vai receber uma carta nas férias com as notas. Mas pode ficar tranquila. Pelo tempo que você levou pra completar a prova e o seu histórico dizem que as suas notas não serão ruins.

— Obrigada, Herr Becker.

Astrid saiu pela porta indicada pelo diretor. Mesmo já tendo realizado a prova, se sentia estranhamente nervosa. Não sabia exatamente o motivo do nervosismo, imaginava que fosse passar assim que saísse da sala.

— E aí, München? Como foi na prova? — Timm perguntou assim que encontrou a amiga

— Acho que fui bem, van Dort. Como você foi?

— Nunca fui bom em labirintos, mas acho que fui ok. Karo tá meio pra baixo achando que vai reprovar e não vai conseguir as notas pra ser medibruxa.

Astrid revirou os olhos. Do que conhecia da nova amiga, Karo era uma das melhores alunas do ano deles e claramente tinha capacidade de tirar notas boas o suficiente pra conseguir qualquer profissão.

— Quando é que ela vai entender que ela é uma ótima aluna e que, no dia em que ela tirar uma nota ruim, eu deixo de ser alemã?

— Acho que nunca. Tento explicar isso a ela desde sempre, mas nada adianta. Vamos logo, porque ainda tenho que mandar uma carta pra casa avisando como eu fui na prova. E acho que você deveria fazer o mesmo.

Astrid seguiu o amigo de volta para os dormitórios, onde encontraram a amiga sentada ainda em estado de choque.

— Astrid, eu não posso reprovar tudo, posso? — Karo perguntou desesperada — Eu vou poder voltar ano que vem, né?

— Karo Königsmann, me ouça bem direitinho. — Astrid começou — Você não tem como reprovar em absolutamente tudo. É basicamente impossível, principalmente considerando que as maiores notas da escola são suas. Eu não vou reprovar tudo, assim como você. Sinceramente acho que você vai conseguir notas mais do que suficientes para virar medibruxa.

— E a senhora, dona Astrid Hoff, até agora não veio nos contar o que você quer fazer.

— Voltar pra Londres. Sinto falta da minha família.

— Você me entendeu.

— Eu não disse porque eu não sei. Talvez eu acabe trabalhando com alguma coisa de arte Muggle. Quando eu era pequena e ainda só tinha as opções Muggle pela frente, queria ser professora de arte.

— Sério?! Nenhum plano do tipo virar Auror ou caça recompensas?

— Só se rolar. Mas eu realmente queria voltar pra Inglaterra, sabe? Me acostumei a ter que falar inglês o tempo todo, a ter que lidar com as pessoas me xingando pelo nazismo, assim como eu amei ter ido a Hogwarts.

— Isso tem cara de que tem namorado no meio. — Timm interferiu

— Ex-namorado. Terminei com ele antes de vir.

— Mas ainda usa presente dele. — Timm apontou para a correntinha pendurada no pescoço da menina

— Ah, qual é, Timm? É só uma correntinha, que, por acaso, é bonita e eu quis manter.

— Ok, acho que a Karo vai concordar comigo que você precisa de uma conversa séria sobre esse assunto. Porque você terminou com ele?

— Porque eu achei que ele tinha contado pra uma jornalista que eu não voltaria pra Hogwarts esse semestre. Só que foi o irmão dele, mas mesmo assim, não voltei atrás, porque eu tinha pedido pra que Miko não contasse a ninguém.

— Olha, Astrid, você foi e ainda está sendo burra. Muito burra, na verdade. Esse menino, pelo visto, pra ter comentado com o irmão, se importa com você. Quem fez a cagada foi o irmão de Miko, seja lá qual o nome dele.

— O irmão dele é Max.

— Tá. E o cara se chama Miko?

— Na verdade é Michael, mas todo mundo chama ele de Miko. Eu não quero entrar no mérito de quem está errado nessa história, tá legal? Eu sei que vocês dois amam uma história de amor que tem uma desgracinha no meio e que os dois pombinhos voltam e fazem sexo de reconciliação. Isso não vai acontecer comigo.

— Mas tá mais do que na cara que você gosta dele. Não vou discutir com você porque eu sei que você nunca vai admitir que ainda sente alguma coisa por esse Michael.

Astrid olhou enviesado para o amigo. No fundo, sabia que ele estava certo, mas não iria admitir em voz alta de jeito nenhum. Ela não se sentia pronta para desculpar Michael pelo que aconteceu, mesmo depois de receber as cartas da irmã e do ex-cunhado implorando para que ela voltasse atrás na decisão de terminar todo e qualquer relacionamento com Miko.

Hogwarts, 03:00 PM, 31/05/2011

Lily estava matraqueando pela milésima vez sobre as provas junto com Emmeline. Miko fingia estar interessado, mas estava com a cabeça viajando longe. Estava pensando em Astrid, em como ela tinha se dedicado no semestre anterior para atingir o mesmo nível dos outros alunos e conseguir prestar os OWLs como todo mundo.

— Emmeline, como é a prova dos OWLs lá na Durmstrang? — Miko perguntou, interrompendo o interminável discurso de Lily sobre a prova de Transfiguração

— Não sei te responder, Miko. Por um motivo bem simples: eu só fiz os OWLs aqui. — a garota respondeu com grosseria — Mas porque você quer saber? Tá pensando em trocar de escola?

— Não, não. Tava pensando na Astrid. Ela tinha ficado tão ansiosa pra fazer os OWLs daqui que eu fiquei curioso agora pra saber se é muito diferente.

— Você poderia tentar perguntar pra ela. Sabe como é? Você pega um pergaminho, uma pena e um tinteiro. E escreve assim no pergaminho “ei, Astrid, como são os OWLs por aí na Durmstrang? Aqui em Hogwarts é um monte de prova louca.”

— Você fala como se fosse fácil e eu não fosse receber um berrador com uma resposta grosseira. Às vezes tenho a impressão de que a gente não conheceu a mesma Astrid. Tem certeza de que você tá falando de uma baixinha, de cabelo preto curto e com um sotaque alemão ultra forte?

— Tenho certeza absoluta, Michael.

— Absurdo! Ninguém que esteja tão calmo comigo me chama de Michael. Saia daqui, mulher. Você está louca. Vá dormir.

— Você é quem tá precisando dormir. Antes que você vá, quero te dar um aviso: ou você toma o primeiro passo pra voltar com a Astrid, ou você vai se arrepender muito pelo resto da sua vida. Mande uma carta pra ela se mostrando arrependido ou o que seja, mas dê o primeiro passo, ok? Eu estou odiando você desde que o semestre voltou.

— Eu também te odeio, Emmeline. Lily, você vai pra Hogsmeade, próximo fim de semana?

— Se eu for, eu vou com o James. — a menina fez uma cara de culpa — Desculpa, eu não quero te deixar segurando vela.

— Não, sem problema. Eu vou com o Remus ou com o Sirius, se ele não decidir ir com a Marlene. — Miko revirou os olhos — Enfim, de qualquer jeito, espero conseguir as minhas notas pra fazer o curso do Ministério e vou pro dormitório. Qualquer coisa, vocês sabem onde me achar.

King’s Cross, 04:10 PM, 10/06/2011

A estação estava lotada com ingleses vindos de todas as regiões do país. Astrid procurava algum rosto conhecido. Sua mãe, seu pai ou sua irmã. Acabou encontrando o pai sozinho, com os braços abertos, convidando prum abraço, que ela prontamente aceitou.

— Verpassen Sie nicht Hogwarts? (Tradução: Não sente falta de Hogwarts?).

— Nein. Zumindest nicht so viel wie ich dachte. (Tradução: Não. Pelo menos não tanto quanto eu imaginava.)

— Nicht das Miko? (Tradução: Nem do Miko?).

Astrid baixou a cabeça.

— Ich vermisse ihn. Ich weiß nicht, Papa. Es ist kompliziert. Ich hatte ihn gebeten, nicht zu jemand sagen... (Tradução: Dele eu sinto muita falta. Sei lá, pai. É complicado. Eu tinha pedido pra que ele não contasse pra ninguém...).

— Hm. Geschenk deiner Mutter. — Klaus falou, entregando um pequeno embrulho (Tradução: Presente da sua mãe.).

— Ein Geschenk? Mama? (Tradução: Um presente? Mamãe?)

— Ja.

Astrid parou e abriu o pacote. Viu um amuleto que tinha visto a própria mãe usar vários anos antes.

— Sie gab mir? Real oder ist es ein Witz? (Tradução: Ela me deu? De verdade ou é algum tipo de brincadeira?).

— Es ist deine Mutter. Sie würde nicht einen Witz dieser Art. (Tradução: É a sua mãe. Ela não faria uma brincadeira desse tipo.).

— Apropos sie, wo ist sie? Oder in Manchester arbeiten? (Tradução: Por falar nela, cadê ela? Em Manchester ou trabalhando?).

— Sie musste zu einer Anhörung zu gehen. Ein Bekannter von seinem Onkel wirklich Hilfe brauchte. Und brachte sie schließlich, um die Änderung hier zu beenden. (Tradução: Ela teve que ir numa audiência. Um conhecido do seu tio tava precisando de ajuda. E ela finalmente conseguiu terminar a mudança pra cá.).

— Und Leslie? Aufenthalt mit Oma Henderson? (Tradução: E a Leslie? Ficou com a vovó Henderson?)

— Wieder falsch. Leslie ging zu ihrem Freund zu treffen. (Tradução: Errado de novo. A Leslie foi se encontrar com o namorado dela.).

— Ah, Max.

— Lassen Sie uns nach Hause gehen? Ich habe ein paar Dinge zu beenden und Sie müssen müde sein. (Tradução: Vamos logo pra casa? Tenho que terminar umas coisas e você deve estar cansada.)