Touches You

20 Capítulo 19


Londres, 4:15PM, 18/06/2011

Klaus e Leon estavam na sala, esperando para que Astrid e Sarah descessem para sair. De repente, dois rapazes encapuzados aparataram na sala. Com o barulho, Klaus se virou e entendeu a situação num instante.

— Sarah, blitzkrieg! — ele gritou, com um sotaque alemão mais forte que o normal, para a mulher, que estava no andar de cima.

Ao ouvir a palavra, Sarah congelou. Sabia que, toda vez que o marido dizia ou mencionava alguma blitzkrieg, havia um problema sério. Ela começou a descer as escadas, com a menor das suas filhas na sua frente.

— Klaus, o que está acontecendo? — Sarah perguntou

— Seu marido não pode responder agora, minha senhora. Ele vai ter que vir. Vai responder por traição. — um dos homens encapuzados falou.

Sarah percebeu que Astrid iria interferir e a segurou, pra evitar piorar a situação. Na frente de Astrid, a cena parecia estar acontecendo em câmera lenta. O pai e o tio sendo arrastados pra fora da casa por homens encapuzados.

— Sai! Me solta! — Astrid gritou pra mãe, que a segurava pela cintura.

— Astrid, você não pode ir.

— Eu tenho que ir. Ele é o meu pai. — Astrid já estava chorando — Deixa eu ficar com ele, por favor. — Astrid sacou a varinha do cós das calças e lançou um feitiço na mãe. — Desculpa, mãe, eu tinha que fazer isso.

A menina desceu as escadas correndo e esturporou o homem que levava seu pai, tomando cuidado pra não acertar ninguém além do Death Eater. Seu pai agradeceu rapidamente antes de apontar a própria varinha pro Death Eater que levava seu irmão.

— Você não vai levar ele. — Klaus falou pro Death Eater a sua frente. — Ele não é de nenhuma utilidade pro seu mestre.

— Vocês dois são traidores do sangue. — falou o outro Death Eater, com a varinha apontada para Klaus — É claro que vocês são de interesse do milorde. De preferência mortos.

Astrid tentou bolar uma mentira pra evitar que a vida do seu pai e a do seu tio fossem perdidas.

— Eles não são traidores do sangue! — Astrid soltou, chamando atenção para si. — Minha mãe é Squibb. Por isso que ela não faz mágica, mas eu e a minha irmã fazemos.

Klaus ficou mais tenso, mesmo depois do Death Eater ter baixado a varinha.

— Como é, garota?

— Isso mesmo. Minha mãe é uma Squibb. Descobri um dia desses. Ela escondia de todo mundo, inclusive do meu pai. Descobri porque ela deixou escapar que a mãe dela tinha estudado na França, no Beuxbatons. E o meu tio não tem nada a ver com o casamento dos meus pais.

— Mas ele foi flagrado saindo com uma funcionária do exército Muggle.

— Grande merda. — Astrid cuspiu as palavras — Desde que eu me entendo por gente, meu tio é solteiro. Ele nunca teve uma namorada nem aqui nem lá na Alemanha. E aquela mulher tinha dito que trabalhava no Ministério da Magia.

— Leon nunca... — Klaus começou a falar, antes de ser interrompido por um dos Death Eaters

— Leon? A gente tinha que pegar Klaus e Jähn. — ralhou um dos Death Eaters com o outro — Idiota! Invadimos a casa errada.

Os dois Death Eaters aparataram. Astrid deu um abraço apertado no pai e no tio.

— Pai, vou precisar de ajuda lá dentro. Tive que petrificar a mamãe. Ela não queria me deixar vir atrás de vocês.

— Aquela história é verdadeira, Astrid? — Leon perguntou

— Que história?

— A que a Sarah é uma Squibb?

— Eu tinha que salvar a pele de vocês, não tinha? Essa foi a única mentira que consegui bolar. Papai já tinha falado que Squibbs eram filhos de bruxos que não podiam praticar magia, então foi a única coisa que eu consegui contar pra que eles tirassem a acusação de traidores do sangue.

— Não tenho certeza se a queixa foi retirada. Muito provavelmente não, mas o plano de última hora foi bom.

— Onkel, aqueles caras tinham idade pra estar no mesmo ano que eu, só que em Hogwarts. Acho que eu reconheci um dos dois. Minha fama de mentirosa não chegou por lá ainda.

— Astrid, nunca mais me dê um susto desses. Mein Mädchen. — Klaus riu, passando o braço por cima dos ombros da filha.

Quando viu a mulher parada na escada, Klaus entendeu o que Astrid queria dizer. Decidiu chamar Ivan, já que ele trabalhava no Departamento de Reparos Mágicos. Klaus precisaria de ajuda pra dar uma nova memória à esposa.

— Filha, não conte a absolutamente ninguém que o seu tio trabalho no exército Muggle ou que a sua mãe é Muggle. Isso vai trazer problemas.

— Como se eu já não soubesse. — Klaus ignorou o comentário da filha.

— Mantenha a história de que você descobriu um dia desses que a sua mãe é Squibb. Se alguém perguntar sobre o que o seu tio faz, diga que ele trabalhou como Auror na Alemanha. Mas em hipótese nenhuma diga a verdade. Nem pros seus amigos da Durmstrang.

— Eu não vou mais pra Durmstrang. — ela afirmou

— E por que não?

— Porque todo mundo lá está praticamente fissurado em definir quem é esse Lord Voldemort. Alguns vários já começaram a seguir ele. Timm e Karo não ficaram do lado dele, mas mesmo lá na Durmstrang, ninguém confia de verdade em ninguém.

— Bem, se Timm e Karo não demonstraram simpatia, se junte a eles. Mas sempre fique de olho. Eles podem mudar de ideia.

Leon voltou pra sala segurando uma long neck de cerveja.

— Onkel. Não, por favor. — Astrid pediu

— Astrid.

— Onkel — ela fez uma cara de pidona.

— Tá bom. Nada de cerveja.

Leon apoiou a cerveja na mesa de centro e pareceu só perceber agora que a cunhada estava petrificada na escada.

— Não vai tirar ela dali, Hansi? — Leon perguntou

— Quando Ivan chegar, a gente ajuda Sarah.

— Pelo menos tira ela do meio da escada. Quando a Leslie chegar, ela vai estranhar ver a mãe nesse estado.

— A Leslie ainda demora a chegar, Onkel. Ela está com Oma Henderson e muito provavelmente Oma está tentando convencer a Leslie a comer mais. Que nem Oma Hoff faz comigo.

— Mas você esqueceu de crescer, Biene. A Leslie esqueceu de ganhar peso.

— Você é hilário, Onkel. Incrível — Astrid falou sarcástica

— Vou tirar a Sarah do meio da escada. É melhor.

Leon pegou a cunhada pela cintura e a colocou deitada num dos sofás, enquanto Klaus se sentou na frente de Astrid.

— Filha, tenho que te explicar exatamente o que está acontecendo. — Klaus começou a falar — Principalmente sobre esse Lord Voldemort. Ele está perseguindo todo mundo da comunidade bruxa que tenha algum tipo de relação com Muggles. Nascidos Muggles, meio sangue ou pessoas casadas com Muggles estão sendo perseguidos.

— Ele é praticamente o Führer da comunidade bruxa.

— Basicamente. Ele tem esses seguidores, que foram esses caras que vieram aqui, que são chamados Death Eaters. Eles acreditam que a comunidade bruxa deve ser limpa da “influência Muggle” e que a única maneira é matando todos os que defendem os direitos Muggles ou foram nascidos assim. Os que defendem os direitos, mas são sangue-puros, são torturados antes de serem assassinados. Os mestiços e os nascidos Muggles são assassinados logo de cara. Eu não quero, de jeito nenhum, você se envolvendo com esse tipo de coisa. Quero que você tenha cuidado. Nunca fui de impor coisas nem a você nem a Leslie, mas eu quero que, enquanto esse cara estiver solto, você me diga onde você está, com quem você está. Se alguma coisa estranha estiver acontecendo, me avise.

— E a Leslie? Ela não está indo nem para Hogwarts nem para Durmstrang. Não sabe que isso tá acontecendo. — Astrid questionou

— Eu vou falar com ela. Por enquanto, eu quero que você fique por aqui. A sua irmã está segura com sua Oma Henderson. Eles não vão conseguir chegar até a Leslie tão fácil, principalmente porque ela não oferece nenhuma ameaça. Como eu trabalho no Ministério e a sua mãe é Muggle, eles têm todo o interesse em vir atrás de mim, do seu tio e da sua mãe.

Astrid se encolheu. Mesmo sabendo que seu pai era um homem relativamente corajoso e que teria noções de como viver na surdina, ficou com medo. Ficou com medo por saber que todas as técnicas de “sobrevivência” não teriam tanta eficácia assim.

Lembrou-se das aulas que tivera junto com Severus, Remus, Lily e Miko, não muito antes de ir para Durmstrang. Alguns bruxos tinham a capacidade de invadir a mente dos outros e conhecer todos os pensamentos da mente invadida. Severus até tentou ensinar como ocultar os pensamentos, mas a promessa tinha ficado pro semestre seguinte e Astrid não pôde receber essa ajuda.

— Pai, tem um amigo meu, Severus, que sabe Oclumency. Ele disse que era muito útil. — Astrid comentou

— É útil sim, filha. Mas a gente não pode guerrear na base de ocultamento de pensamentos. Tem que ter... ...como dizer... ...uma artilharia mais pesada. Oclumency serviria se Voldemort só fosse fazer uma guerra mental. Acho que você, sua irmã e a sua mãe vão ter que voltar pra Munique e ficar com a sua Oma Hoff.

— Eu quero ficar com você, pai. Eu quero ficar aqui, quero poder ajudar. Conheço gente que amaria ajudar. Lily, James, Sirius, Remus... Gente que tem interesse em manter uma sociedade bruxa decente.

— Astrid, entenda uma coisa. — Klaus segurou a filha pelos ombros — Esse foi o primeiro blitzkrieg que teve aqui em casa. Vão ter várias até que eu e o seu tio, a gente morra. Esses caras não vão medir esforços pra caçar cada membro do Ministério que tiver relações boas com Muggles para destruir cada um. — Klaus respirou fundo — Lembra aquele jogo que você tinha, quando pequena, que ganhava o último que tivesse a peça em pé?

— Lembro.

— Essa guerra é mais ou menos assim. Só que, ao invés de só pessoas ou peças de pé, são bruxos com poder. Por isso que eu preciso que você fique com Oma e Opa Hoff, entendeu? Eu sei que você quer participar das coisas e que você é inteligente o suficiente, mas eu não quero arriscar a sua vida nisso. Entendeu?

— Entendi. Mas se eu quiser ajudar com coisas como dar uma informação ou alguma coisa do tipo, como um serviço de inteligência, posso?

— Depois a gente discute isso direitinho e com a sua mãe, tá certo?

— Tá. O pai do Miko vai demorar?

— Não. Ele já está chegando. — nesse instante, a campainha toca — Eu não disse?

Klaus abriu a porta e Ivan entrou rapidamente, com os olhos procurando por Sarah.

— Ela está ali. — Klaus mostrou — Acho que vamos ter que modificar a memória dela.

— O que aconteceu, Klaus? — Ivan perguntou

— Tivemos um blitzkrieg aqui em casa. — Astrid contou — Dois Death Eaters estavam levando meu pai e Onkel Leon pra fora. Minha mãe me impediu de sair e eu tive que petrificar ela pra poder sair e ajudar.

— Michael sempre disse que você era quase genial, mas isso foi estupidez, Astrid.

— Mas se eu não tivesse petrificado a minha mãe, eu estava sem pai e sem tio.

— Você conseguiu expulsar dois Death Eaters sozinha?

— Eles não eram muito mais velhos que eu e eu inventei que minha mãe era Squibb.

— Tá, isso foi jogada de mestre.

Ivan chegou perto de Sarah e se ajoelhou do lado dela, como se estivesse tomando um extremo cuidado. Em pouco tempo ele despetrificou a mulher, que parecia ter ficado furiosa.

— Não faça isso de novo, Astrid Sabine Hoff. Nunca mais faça isso. Está me entendendo? — Sarah esbravejou, já de frente para a menina, que estava toda encolhida e com os olhos arregalados de medo na poltrona.

— Ja, Mama. — Astrid murmurou (Tradução: Sim, mamãe.)

Klaus segurou a mulher pela cintura e pediu que ela se acalmasse. Leon chegou com um copo d’água para a cunhada.

— Sair de um feitiço de petrificação é horrível. — ele comentou

— Foi isso o que você fez comigo? — Sarah perguntou para Astrid.

— Foi. Mas acabei salvando o papai e Onkel Leon, mama.

— Você vai me explicar direitinho o que você fez, mocinha.

Astrid respirou fundo e começou a explicar.

— Papai gritou que a gente tava sofrendo um blitzkrieg. Eu desci correndo na sua frente. Papai e Onkel Leon estavam sendo arrastados pra fora de casa. Tentei fazer alguma coisa na hora, mas você me prendeu pela cintura. Tive que te petrificar pra poder resgatar papai e Onkel. Quando cheguei lá fora tive que contar uma mentira pra poder soltar papai e Onkel dos caras.

— Quem são esses caras, Astrid?

— Seguidores de um segundo Führer, mama. Mas não é como o do terceiro Reich. É tão ruim quanto, mas ele não quer a raça Ariana prevalecendo. Ele quer destruir todos os bruxos mestiços e os que vieram de famílias não bruxas. Ou seja, ele quer matar você, o papai, eu e a Leslie.

— E porque eu e seu pai?

— Você é considerada uma ameaça, junto com o papai, porque ele defende o direito dos nascidos em famílias não bruxas e você porque é o que ele considera o principal motivo do papai querer garantir esses direitos.

— Quero saber qual foi a mentira que você contou.

— Eu contei que...

Klaus fez um sinal pedindo que a filha parasse de falar. Ele ficou na frente da mulher.

— Sarah, tenho que ter uma conversa séria. Mais séria do que eu já tive com você. Esse homem que Astrid chamou de “segundo Führer” quer começar a destruir as famílias que tem envolvimento com o Ministério da Magia e que protegem os direitos de não bruxos. Ele quer isso pra dar visibilidade e usar como exemplo. Como eu tenho você e as meninas, eles vão me caçar até matar não só eu, mas você, as meninas e o Leon.

— E o que você pretende fazer?

— Vou levar você e as meninas pra casa dos meus pais. Vocês três ficarem aqui na Inglaterra é muito perigoso. Você consegue conversar com MacReady pra pedir dispensa pra ir pra Munique?

— Acho que consigo sim. Ele não vai ficar muito feliz, mas acho que consigo sim. Mas e você? O que você vai fazer?

— Eu tenho que ficar aqui, Sarah. Eu não posso abandonar o Ministério agora.

— Klaus, você não vai fazer isso. Ou eu fico aqui com você ou você vem comigo e as meninas pra Alemanha.

— Mutter, nicht alles noch schlimmer machen, bitte. — Astrid pediu (Tradução: Mãe, não faz as coisas piores, por favor.)

— Astrid, ich kann nicht akzeptieren, ein solches Angebot. Klaus, oder Sie kommen nach Deutschland mit uns und jeder bekommt hier. — Sarah insistiu (Tradução: Astrid, eu não posso aceitar uma oferta dessas. Klaus, ou você vem pra Alemanha com a gente ou todo mundo fica aqui.)

— Sarah, hör mir zu. Sie befinden sich hier bleiben, werden Sie ermordet werden. Die Mädchen werden gefoltert zu werden. Ist das, was Sie wollen? — Klaus questionou (Tradução: Sarah, me escuta. Você ficando aqui, você vai ser assassinada. As meninas vão ser torturadas. É isso o que você quer?)

— Ich will nicht, aber Sie können mit uns kommen. (Tradução: Não quero, mas você pode vir com a gente.)

— Sarah, ich kann nicht gehen, okay? Ich liebe die Idee, wieder mit Ihnen und den Mädchen nach München, aber ich kann das nicht jetzt. Außerdem wissen Sie, dass Astrid einen Plan letzten Minute, die Ihre Haut für ein paar weitere Tage gespeichert geschaffen? (Tradução: Sarah, eu não posso ir, ok? Eu amo a ideia de voltar com você e as meninas para Munique, mas não posso fazer isso agora. Você também sabe que Astrid criou um plano de último minuto, que salvou a sua pele por mais alguns dias?)

— Welcher Plan? (Tradução: Que plano?)

— Sie sagte den Jungs, dass wir bringen Sie nach Hause Hexe war, sondern versteckte es von allen. Aber für diese zu arbeiten haben wir, um Ihr Gedächtnis zu ändern. Wenn Sie damit nicht einverstanden sind, dauert es ein viel längeres Überleben für Sie und für uns alle. Aber ich werde dies nur tun, wenn Sie zustimmen. (Tradução: Ela contou para os rapazes que estavam levando a gente que você era de origem bruxa, mas escondia de todo mundo. Mas pra que isso dê certo a gente vai ter que mudar a sua memória. Se você concordar em fazer isso, vai dar uma sobrevida maior tanto pra você quanto para todos nós. Mas eu só vou fazer isso se você concordar.)

Sarah respirou fundo, tentando analisar as suas opções. Klaus não iria com ela e com as filhas de volta para a Alemanha. Ela se sentiu pressionada a concordar com a ideia de Klaus. Voltar para Munique e ter a memória modificada. Parecia a única decisão sensata a tomar.

— Tá bom. Pode modificar a minha memória. — Sarah autorizou a contragosto.

Depois de alguns feitiços lançados por Ivan, Sarah caiu desacordada no sofá.

— Ela vai ficar assim por alguns minutos, mas daqui a pouco ela vai acordar já com a nova memória.

Munique, 2:20PM, 21/06/2011

Astrid olhava ansiosa para o relógio. Queria que os ponteiros andassem mais rápidos para, finalmente, receber a ligação tão prometida do pai sobre as novidades na guerra. Sabia que não teria muita coisa nova, mas qualquer informação, por menor que fosse, já lhe pareceria muito. A garota se assustou quando a avó colocou a mão em seu ombro.

— Sabine, olhar o relógio não vai fazer ele andar mais rápido.

— Eu sei, Oma. A questão é que eu não sei o que faço. Não vou voltar pra Durmstrang, até porque eu não quero toda essa coisa de ter que me vestir de pele e lidar com nórdicos especulando o que está realmente acontecendo na Inglaterra quando eu sei que meus amigos estão lá correndo perigo.

— Filha, veja só. Eu sei que você é o tipo de pessoa que não vai ficar quieta, do mesmo jeito que seu pai não é. Só que eu não posso deixar você voltar pra Inglaterra agora. Não com a casa do seu pai estando em ameaça de invasão. Tem alguém que está na Inglaterra que você queira fazer as pazes?

Astrid baixou a cabeça. O primeiro nome que surgiu em sua mente era justamente o de Miko.

— Pelo visto tem. — falou a avó da menina — Então pegue papel e caneta que eu deixo você mandar a coruja pra essa pessoa.

— A senhora não quer nem saber o motivo de eu estar brigada e com quem?

— Não me interessa, até porque eu já suspeito do que se trata.

A menina pegou a primeira caneta que encontrou e arrancou umas páginas de um caderno que tinha sido largado na mesa da sala. Sentou num canto e começou a escrever.

“Miko,

Sei que eu pedi pra que você me esquecesse, que não retomasse contato. Mas eu estava errada. Queria pedir desculpas por ter sido tão babaca com você e de ter te deixado tão mal. Se você não quiser me desculpar, eu entendo — eu levei muito a sério uma coisa que eu não deveria. Como minha forma de selar uma paz entre a gente, vou começar a contar o que aconteceu comigo desde que eu gritei e me afastei de você. Sei que, se você ainda não me perdoou, você já parou de ler.

Em Durmstrang, só consegui fazer dois amigos. São dois amigos de infância de Frankfurt, Timm van Dort e Karo Königsmann. Eles me ajudaram a me adaptar à escola (acredite quando eu digo que as coisas lá são meio sérias demais). Eles, ainda bem, não me excluíram das piadinhas nem de nada. Mas não foram tão legais quanto você e o resto do pessoal foram.

Continuei sendo obrigada a fazer os OWLs no final do ano letivo. Para a minha surpresa, a ‘prova’ era um labirinto cheio de esfinges, bichos-papões, instruções e desafios. Aparentemente, fiz em menor tempo, mas não acho que seja grande coisa pras minhas notas. (Notas essas que ainda não chegaram, mas tudo bem. Não vou morrer por isso.)

Não sei se você ouviu pelo seu pai, mas a minha casa em Londres foi invadida por Death Eaters que estavam atrás do meu pai e do meu tio. Depois desse presente maravilhoso desse maldito Lord Voldemort, meu pai decidiu que seria interessante modificar a memória da minha mãe pra que ela acredite que é Squibb e que também seria legal mandar a família inteira pra Munique e ficar sozinho em Londres com o meu tio.

Em outras palavras, estou em Munique na casa da minha avó por tempo indeterminado. Por enquanto, estamos tendo que viver da maneira Muggle, com a diferença de que eu vou ser educada em casa (isso foi uma imposição da minha avó, já que eu já comecei uma educação mágica) e a Leslie vai para uma escola terminar o ensino mínimo Muggle. Provavelmente a minha avó vai me treinar pra ser uma caçadora de recompensas como ela foi.

Já estou começando a sentir falta de usar magia no dia a dia. Eu vou ENLOUQUECER se eu não tiver um mínimo de ação por aqui ou que eu possa voltar a usar magia.

Espero que esteja tudo bem com você.

Estou com saudades,

Astrid Sabine Hoff

(Ou só Biene)

PS: Se eu voltar pra Inglaterra por algum motivo, prometo tentar avisar.”

A menina colocou a carta no envelope e selou, mas não conseguia reunir a coragem necessária para mandar.

— Oma, queria um conselho da senhora. — Astrid pediu, se sentando ao lado da avó

— Diga, minha querida.

— Quando eu tava em Hogwarts, eu comecei a namorar esse cara. Ele sempre foi um amor de pessoa comigo e tudo mais. Só que eu magoei ele quando achei que ele tinha contado pra imprensa inglesa que eu iria pra Durmstrang. Só que eu to começando a sentir o peso do que eu fiz e to querendo pedir desculpas. Não quero voltar a namorar com ele, só voltar a falar com ele já tá de bom tamanho.

— Vou aproveitar que a sua mãe não está aqui para ser bem sincera. Volte a falar com ele, mas não precisa namorar mesmo não. Se quiser dar uns amassos, dê. Mas aproveite enquanto não precisa trabalhar. E me fale mais desse menino. Ele é um inglesinho?

— Ele é inglês, mas a mãe dele é saudita e o pai dele é meio russo. O nome dele é Michael, mas todo mundo chama ele de Miko.

— Nome forte.

— Ele é mais alto que eu, tem o cabelo preto e bem cacheado. — Astrid continuou descrevendo o ex-namorado para a avó.

— Agora estou começando a achar que se você não mandar essa carta, vai merecer ficar de castigo. — brincou a avó da menina