Touch Me!
1 Prólogo
Prólogo
Ela acorda, sentindo o sol batendo sobre os olhos. O despertador não tocou, porém o peso que sente no seu corpo é o mesmo de quando ele o faz.
Procura esconder-se do sol, e adormecer por mais uns segundos. Não quer encarar o mundo, apenas quer dormir. Porque nos sonhos, tudo é simples. O subconsciente decorre sem que ela própria se dê conta, e as suas fantasias manifestam-se sem ressentimentos.
Vê o sorriso rasgado nos lábios dele, recorda o beijo que sabe que perdeu. Mas tem de acordar, enfrentar a dura e suja realidade. Aos poucos, levanta-se do seu paraíso perdido, pousando os pés sobre o chão. Gelado.
Uma lágrima caia, solta, no seu rosto, e ela foca-se no espelho do seu quarto. O seu rosto está pálido, e as sombras negras à volta dos olhos reflectem o cansaço de uma mentira.
Passa os dedos pela barriga enorme que carrega, contornando-a lentamente, e sente um breve pontapé. Não tardará muito para que aquela criança que ela suporta no ventre venha ao mundo, porém, ela continua a não se sentir preparada.
Não que não deseje aquele pequeno ser. Deseja-o mais do que a vida.
Não que não deseje o pai daquele pequeno ser. E não poderia ser outro para ela, porém o que mais queremos não é aquilo que nos faz bem. É o que nos mata.
Ouve o telemóvel a tocar, e procura-o num recanto do seu quarto. Não deseja atender, mas sabe que o tem de fazer.
- Jack. – Saúda, sem emoção na sua voz.
- Como estás Amélia?
Ela afasta o telemóvel da boca, suspirando longamente.
- Penso que bem, acordei agora. Vens ter comigo ao ateliê?
- Amélia! Não acredito que vais trabalhar. – Resmunga, como um pai severo.
Ela caminha, em passos vagarosos, dificultados pelo peso que tem no ventre. Procura a sua agenda, confirmando as tarefas programadas para aquele dia. Como espera, imenso trabalho. Demasiado trabalho para alguém que pode entrar em trabalho de parto a qualquer segundo.
- A semana da moda começa daqui a quinze dias. – Tenta explicar. – E provavelmente, não vou assistir à mesma.
- Tu tens uma barriga maior que o mundo. Não podes simplesmente trabalhar assim.
- Não posso simplesmente dar-me ao luxo de perder o emprego com a McQueen. Sabes que eu preciso disto, preciso muito disto se quero criar esta criança.
- Já falaste com o Diabo? Isto é, o pai.
Amélia senta-se numa cadeira. Não quer chorar novamente.
- Não, nem nunca irei falar.
- Amélia, ele envia cartas todos os dias. E-mails.
- Ele vai se casar.
- Porque tu o queres.
- Porque é assim que as coisas têm de acontecer. Ele é passado.
- É pai do teu futuro.
- Não importa. Eu amarei o sempre, mas não posso obriga-lo a criar uma vida que não é dele.
Brian anda em passos rápidos pelos corredores do estúdio. A banda está ainda toda a dormir certamente, porém ele não aguenta mais um minuto quieto.
- Brian?
Kim estava sentada num sofá, fumando um cigarro. Vestia as mesmas calças justas, que usara na noite em que se conheceram há um ano e meio atrás. Enrola o cabelo loiro entre os dedos da mão livre, deixando transparecer a sede de dinheiro que vê no homem que está à sua frente.
- Oh estás ai. – Expressa, sem qualquer tipo de interesse na mulher que está à sua frente. Na sua mente apenas corre uma imagem, bem nítida: a barriga que Amélia tinha ontem.
- Kim, o que é que tu tens? – Ela levantou-se e colocou-se na sua frente, colocando o bafo a tabaco sobre o rosto dele.
Ele fez uma careta, afastando-a. Só queria um minuto sozinho.
- Kim, por favor. Preciso de sossego.
- Não te percebo! Ficas estranho do nada! Kim, fala comigo!
Num gesto incontrolável a mão dele foi ao encontro do rosto dela, numa força que ele nunca imaginara.
- Kim, tu…
- Desculpa, Kim! Kim, desculpa-me. – Brian procura agarrá-la e pô-la nos seus braços, mas ela afasta-o.
- Brian, há algo que tu tens de saber. E sinceramente, não é algo que te queria contar desta forma. – Ela suspira longamente. – Brian, eu estou grávida.
Notas finais
Espero ansiosamente reviews para continuar :3
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