Notas iniciais
Obrigada CrazyShadows pelo seu review! Este capitulo já entra na história presente.
Para quem leu e também não entendeu muito bem, o Prologo é uma parte do passado. Este capitulo é já no presente da história com Marie Williams e Matt Shadows como protagonistas, como iram perceber.
Optei por escrever a história na primeira pessoa, normalmente contada pela Marie ou pelo Matt, o que não significa que também não haja pontos de vista de outras personagens.
Com tudo dito, espero que gostem ;)

I

Marie

- Mariette Williams! Ou te levantas imediatamente, ou vamos ter sérios problemas.

Tapei as orelhas com as minhas mãos, tentado ignorar a voz da minha mãe, que provinha do andar debaixo. Queria e precisava de dormir mais umas boas horas de sono.

- Marie! – Ouvi de novo a minha mãe a gritar, acompanhada pelo estrondo da porta do meu quarto a abrir-se de rompante. Como previa, Amélia olhava-me com a sua pior cara. – Primeiro dia de aulas. Tens de acordar.

- Mãe, não quero ir. – Pedi.

- Mariette.

Levantei-me rapidamente. Odiava o nome Mariette, e faria qualquer coisa para não o ter de ouvir.

Amélia beijou-me a testa, sorrindo.

- Despacha-te, a Nicky deve estar a chegar. — Disse-me num tom suave.

Esperei que a mãe saísse do seu quarto para entrar na casa de banho. A última coisa que queria era ir para a escola e ver-me cercada pelos mesmos rostos de sempre, e sempre iguais.

Era sempre assim, em qualquer lugar. Não valeria a pena fugir para outro local, pois sabia que todos os adolescentes se tratavam de uma massa anónima com os mesmos rostos e os mesmos trajes. Apenas alguns revoltados mostravam a diferença, mas eram sempre os mesmos revoltados fosse onde fosse.

Tentei sorrir ao espelho, e gostar do que via. Porém, fui incapaz. O meu cabelo brilhava sobre o mesmo negro de sempre, e os meus olhos mantinham o esverdeado incrível, mas sentia-me igual a tantas outras que por ai existiam.

Sabia que me viam como diferente, claro que viam. Era filha de Amélia Williams. Mas que diferença faria realmente?

Era a minha mãe que era especial, era ela que criava roupas incríveis que eu me limitava a vestir. Não era eu que era especial.

Senti o sol a pôr-se dentro de mim própria, criando uma escuridão profunda em mim. Talvez, se ele estivesse presente, talvez se assim fosse, nada fosse assim.

A fúria percorreu os meus pensamentos internos. Olhei para os calções de cintura subida e a camisa de renda que a mãe escolhera para o meu primeiro dia de aulas, pegando neles e atirando-os contra uma parede. Não ia ser de novo apenas a filha da Amélia Williams. Iria criar-me a mim própria.

Matt

Acordei com o telemóvel a vibrar junto a minha cabeça. Peguei nele aos apalpões, atendendo sem ver de quem era a chamada.

- Como é? Vais levantar esse rabo da cama ou nem por isso?

A voz de Syn soava demasiado real para ser vinha apenas do telemóvel. Atirei com o cobertor para o fundo da cama, esfregando os olhos e obversando Syn encostado a ombreira da minha porta, com o telemóvel na sua mão.

-Matt Sanders, a tua sorte é eu não ser em uma rapariga nem ser homossexual. – Disse-me. – Tu assim só de boxers. – E emitiu um fingindo suspiro de prazer.

- Vai-te fuder Brian. — Resmungei-lhe.

- Não ofendas o nome do teu pai e meu tio. – Implicou por detrás de um sorriso. – Vá, despacha-te. Ainda quero ver as raparigas antes de me enfiar numa aula.

Soltei uma gargalhada. O Syn nunca iria mudar: sempre há procura de uma nova vitima para a sua colecção.

Levantei-me da cama, preguiçoso. Não queria ir para a escola. Queria permanecer no verão, em tour com o meu pai e a banda; eu e o Syn a visitar todo o mundo.

Também não queria ter de voltar para Londres. Eu amava estudar no colégio de Huntington Beach. Puder observar o mar, sentir a areia. Como eu tinha saudades de casa!

- Fomos uns maus putos. – Disse, quase para mim próprio.

- Matt, Matt. Aproveitamos a nossa adolescência. Sim fomos expulsos e dai? Londres não é assim tão mau. – Respondeu-me Syn, continuando a sorrir.

Mas eu não conseguia. Londres não era assim tão mau, era péssimo. Chovia, fazia frio.

E não era a minha casa. Talvez o local onde nascera, mas não o sentia de todo como casa.

Notas finais
Espero que gostem, deixem review! :)