Touch
1 Come Back Home
Notas iniciais
O papel escorregou entre as mãos brancas. Uma lágrima escorreu solitária. Era realmente o fim de seu casamento. Pelos três anos que teve para pensar, Emma ainda tinha esperanças. Mesmo conhecendo sua futura ex-mulher. Segundo Graham, seu melhor amigo desde a infância, Regina estava namorando um morador novo na cidade. Estavam saindo há alguns meses, mas só agora resolveram assumir publicamente um namoro oficial. Deu seu melhor sorriso amargurado e tomou mais um gole de seu copo com whisky.
A camisa branca estava dobrada até os cotovelos, os cabelos meio bagunçados e a calça jeans já estava gasta pelo tempo. Colocou o braço na cadeira, apoiando o queixo na mão enquanto observava a neve cair através da janela de seu apartamento. NY ficava congelante nessa época do ano. Logo seria Natal, e a loira esperava passar com os pais e o filho. Porém, será que conseguiria encarar a ex-esposa e o atual companheiro? Sentia saudades de Henry, mas como suportar a dor de ver tudo o que construiu durante anos ruir à sua frente? Bom, teria que ser bastante forte para o que estava por vir. Era uma realidade. Regina não lhe amava mais.
Talvez se tivesse aceitado isso antes, lhe pouparia todo seu recente sofrimento. Acabou sua bebida e se levantou. Precisava dormir um pouco. Tinha um objetivo e iria cumpri-lo ainda essa semana. Já havia falado com seu chefe e pelo tanto de férias e folgas acumuladas, poderia ficar bastante tempo afastada.
Emma trabalhava como detetive no Departamento de Homicídios de NY. Conseguiu o cargo assim que se mudou para a cidade, pois este tinha sdio oferecido quando a loira ainda estava casada e morava com a mulher e o filho em uma cidade no Maine. Iria recusá-lo, mas após o que aconteceu, não pensou duas vezes antes de aceitar. Pelos três anos que viveu ali, não tinha tirado um só dia de folga. Sequer tenha passado algum feriado com a família. Fazia hora extra sempre que podia. Exceto quando Henry vinha lhe visistar juntamente com os avós, que vinham assim que a saudade da filha apertava.
Ingrid e George Swan eram pessoas simples, mas que tinham bastante dinheiro. Por não conseguir engravidar, a senhora Swan decidira adotar e o esposo a apoiara. Por isso, acolheram Emma quando esta ainda tinha seis anos. Após verem que gostariam de uma família grande, dois anos depois adotaram David e três anos mais tarde fora a vez de Elsa. Ambos recém-nascidos quando foram para a casa dos Swan. Para a felicidade do casal, os três eram bastante unidos e por isso não causavam muitos problemas. Cada um com sua personalidade. Percebendo que não conseguiria adormecer rapidamente, tomou dois comprimidos do seu calmante. Desde que saíra de casa, fazia uso de remédios para estresse, ansiedade e depressão.
Não era o tipo de mulher que chorava por tudo ou sensível. Pelo contrário, sempre se mostrava bastante forte e sabia lidar com as dificuldades de sua vida. No entanto, ainda sofria por estar longe do filho e por ter perdido a mulher que mais amou um dia. Ainda amava. Regina sempre seria a única a derrubar os muros em volta do coração da filha mais velha dos Swans. Talvez por isso, sua credibilidade no amor era quase nula naquele momento. Consegiu dormir por algumas horas, mas infelizmente continuava enfrentando fortes enxaquecas. Pelo menos estava acostumada a ignorá-las. Abasteceu seu fusca amarelo, que chamava carinhosamente de Ferrugem, com as duas malas que levava. Não ficaria muitos meses, mas aprendera com Regina a sempre se previnir em viagens.
Sorriu tristemente ao se lembrar das manias da ex-mulher. Balançou a cabeça afastando os pensamentos e pegou estrada. Passaria para abastecer o carro e comer alguma coisa, mas apenas quando estivesse na metade do caminho. Olhou mais uma vez para os papéis que carregava no banco do passageiro, veirificou se sua arma estava carregada e se seu distintivo estava ao alcance das mãos. Emma tinha apenas um destino naquele dia: Storybrooke.
~~SQ~~
Regina massageava as têmporas enquanto respirava fundo. Estava em seu segundo mandato como prefeita da pequena cidade, mas ainda continuava enfrentando praticamente os mesmos problemas. Ninguém tinha o que reclamar sobre sua gestão, mas estava ficando cansada daquela vida estressante e sobrecarregada. Serviu-se com um pouco de vinho, claro que estava no meio da manhã ainda, mas o álcool muitas vezes ajudava a enfrentar um dia de trabalho. Pensava em voltar a ler os relatórios, quando seu celular tocou.
— Se não for algo importante, nem se incomode em me importunar. — atendeu já impaciente.
— Credo, irmãzinha. Quanto mau-humor e ainda nem é horário de almoço.
— Zelena, o que você quer? — bufou ao escutar o tom divertido e irônico de sua irmã mais velha.
— Bom, eu deveria desligar após ser tratada de forma tão rude.— Regina revirou os olhos com o drama da outra. — Mas quero te convidar para irmos ao Habbit Hole hoje à noite.
— Ainda é sexta-feira.
— Francamente Regina, quem trabalha no sábado nessa cidade? Vamos combinar que você merece um descanso e sua secretária agradece. A pobre deve estar desesperada com toda a sua delicadeza matinal.
— Eu tenho certeza que você adoraria consolá-la por ter uma chefe tão megera, não é mesmo? — sorriu de forma divertida.
— Por mais que o olhar ingênuo e as bochechas coradas da senhorita Belle French sejam muito excitantes, não quero iludir a moça. — rebateu mal segurando o riso, pois sabia que estava mentindo descaradamente. — Enfim, não fuja do assunto. Hoje vamos sair e ponto final.
— Zelena, eu sou uma mulher comprometida agora. Não posso me dar ao luxo de ir à bares tarde da noite. Além de ser prefeita.
— Faça-me o favor, irmãzinha. Todos nós sabemos que Moe te viu nascer. — disse se referindo ao dono do estabelecimento. — Você sabe que quase todo mundo se conhece nessa cidade. Convenhamos que não se tem mais nada para fazer aqui, então não terá ninguém te julgando por estar indo em um lugar desse nível.
— Nós não temos mais 17 anos e eu sou uma mãe.
— Queridinha, juventude é questão de espírito. Henry é mais careta que você, a dona Cora e a Granny juntas. Tenho certeza que ele não vai se importar.
— Vou ter que levar o Robin. — tentou mais uma vez, apelando para o namorado sabendo que a irmã o odiava.
— Não vou nem falar sobre essa criatura. Saudades da Emma nessas horas. Mas enfim, você vai e pronto. Nos encontramos lá às 22hrs.
— Bom dia para você também.
Desligou irritada ao escutar o nome da ex-esposa. Ainda não perdoava a loira por ter ido embora, mesmo sabendo que a culpa era totalmente dela. Regina fugia de seus reais sentimentos e da situação. Claro que queria voltar correndo para os braços de Emma, mas não admitia isso a si mesmo, fingia que tinha superado e esquecido sua separação. Tentou voltar sua concentração para os relatórios. Porém, estava inquieta e nervosa demais para isso. Pediu que Belle lhe enviasse algo para comer na hora do almoço. Percebeu que a garota realmente mal lhe olhava de tanto receio e se lembrou da irmã.
Zelena era o tipo de mulher que não se abalava com nada, apesar de ser bem assustadora para quem não a conhecia, era doce e educada ao mesmo tempo. Uma ótima pesssoa, que sempre sabia dar os melhores conselhos e agir calmamente em qualquer situação. Protegia Regina de tudo e todos. Sempre foram bastante unidas. Talvez por isso a morena acabasse fazendo as vontades da irmã mais velha ou seguindo o que ela dizia.
Já quase no fim da tarde, não aguentava mais ficar presa naquele escritório. Dispensou Belle e avisou que iria embora mais cedo. Passaria no Granny's, a lanchonete da cidade, para tomar um café forte e comer algumas panquecas. Fazia isso desde criança e quando tinha algum tempo passava no estabelecimento. Entrou indo diretamente para o balcão, onde sempre fazia seus pedidos. Estava segurando sua xícara na mão quando se virou. A cena que vira lhe deixara com o coração a mil por hora e as pernas fraquejando.
Na verdade, não era o que tinha visto, mas sim quem. Ela estava lá, sentada ao lado do filho, do irmão e a da cunhada. Seus olhares se encontraram, fazendo com que Regina deixasse a xícara escorregar de suas mãos, caindo no chão. O líquido negro se esparramara no chão e o cheiro impregnava o ambiente. Abriu a boca, mas a voz não saía e a garganta estava seca. Demorou longos segundos para recobrar a compostura e finalmente gaguejar.
— E-Emma?
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