Totalmente demais 2
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Estávamos partindo. Eu me lembro do dia em que cheguei aqui. De como tudo era lindo, como as cores, a comida, as pessoas me pareciam diferentes. Tudo agora era familiar. Era como uma segunda casa, um lugar que abriu os braços para mim.
— Me liguem assim que chegarem — Josie limpou uma lágrima do rosto — E você vai cuidar muito bem dela, do contrário vou destruir você!
— Prometo — Jonatas assentiu a abraçando.
Não havia mais ninguém no aeroporto já que nossa festa de despedida na noite anterior juntara um número imenso de pessoas, modelos, fotógrafos e profissionais, todos aqueles que havíamos conhecido. Jurei não ficar emotiva, mas agora prestes a partir e a abraçar Josephine pela última vez até o próximo encontro me desarmava.
— Sem lágrimas querrida — ela dizia, mas chorava também — É apenas um breve adeus. E lembre-se! O que você conseguir fazer você pode. Você é capaz de conquistar o mundo.
Nos abraçamos em meio ao choro e seguimos ao embarque.
— Nossa Eliza — Jonatas me olhava preocupado enquanto buscávamos nossos assentos — ela prometeu que iria nos visitar. Se ela não for eu volto aqui e a obrigo a ir comigo! Não é um adeus — ele segurou a minha mão.
— Sei disso. Não é isso — eu funguei
Era a tristeza de saber que ela ficaria sozinha. Agora que eu sabia a verdade era difícil aceitar que minha amiga tinha um vazio tão grande e ninguém para preenchê-lo.
O avião levantou vôo. Jonatas tremeu e apertou a minha mão, um sorriso meu brotando entre as lágrimas. Ele sempre teve medo de decolar, e mesmo as poucas viagens que fizemos não foram suficientes para aplacar o medo.
— Pronta pra voltar pra antiga vida?
— Não. Pronta pra recomeçar uma nova com você.
Nós teríamos muito pela frente.
E eu mal podia esperar.
Apesar do pequeno atraso pousamos em casa. Casa repetia continuas vezes para mim mesma. Jonatas parecia nervoso e ao mesmo tempo inacreditavelmente alegre em rever sua família e eu me senti culpada por privá-lo de estar com eles todo esse tempo...porém não arrependida. Vivemos uma linda história nesse ano. E outra se iniciaria a partir de agora.
— Filha? — ouvi a voz de minha mãe e soltei pela primeira vez a mão do Jonatas correndo como uma garotinha para os braços abertos da minha mãe — Ai como senti sua falta Eliza! Não acredito que você passou tanto tempo longe! — Dayse saltitava em volta de nós duas buscando por atenção.
— Eu via você igual a uma princesa nas fotos Eliza! — a esmaguei em um abraço e procurei o Carlinhos que estava ao lado de braços cruzados se recusando a fazer cena de garota. Bom eu era uma garota e ia fazer a cena, assim o puxei pra mim apertando os dois.
— Para Eliza! — ele resmungou
— Não sentiu minha falta? — ele me encarou
— Senti mas...ARGH! — o abracei mais e depositei beijos no seu rosto que tentava limpar tudo com cara de nojo, mais sorria de volta. Levantei o rosto e minha mãe estava com lágrimas nos olhos nos observando.
Meu coração ia explodir de tanta felicidade.
Jonatas também tinha sua própria cena. Rosângela estava lá. Claro que estava. Sorrindo e apertando o filho que retribuía. Olhei ao redor e só eles estavam lá. Hugo junto e Florisval, porém ninguém mais. Minha mãe pareceu entender minha procura pelo restante da família.
— Seu pai e todo o resto estão nos esperando no Flor do Laço.
— A festa vai ser grande — Florisval abriu os braços como que pra indicar o tamanho. Nem imaginam o que arrumamos.
— E sem reclamações os dois — Rosangela olhou pra mim uma primeira vez sorrindo verdadeiramente. Havíamos entrado em algum tipo de acordo eu acho. Nas poucas vezes em que nos vimos ela foi imensamente gentil, e até mesmo carinhosa. Minha mãe dizia que o coração sempre está pronto pra acolher alguém que salva a vida do seu filho — os dois já ficaram longe da gente tempo suficiente! — ela puxou o Jonatas pros seus braços de volta que resmungou — não vamos soltar vocês tão cedo!
Minha mãe concordou e eu também fui sufocada, mais sem reclamações. Estávamos de volta. E eu ainda tinha dezenas de pessoas pra matar as saudades.
Vivi uma pequena vida em Paris. Uma aventura. Amei, sorri, brinquei, aprendi. Chorei. Permiti-me sonhar, mesmo quando não sabia o que desejar. Era como um pequeno sonho e agora eu estava desperta, e de volta a realidade. E não era ruim.
— Porque você está sorrindo como se fosse louca? — Carlinhos me perguntou quando entramos no carro.
— Porque eu sinto que coisas incríveis vão acontecer.
E iriam. Eu só não imaginava o que ainda iria me acontecer.
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