Totalmente demais 2
19 Capítulo 18
Notas iniciais
A fazenda como eu havia visto nas fotos era muito bonita, apesar de isolada, um casarão bem reformado, e um terreno muitíssimo bem cuidado. Isso porque Lili e meu pai mesmo não vindo mantinham sempre funcionários cuidando da manutenção da casa. Chegamos rapidamente saltando imediatamente do carro devido aos problemas ‘’estomacais’’ do porco e meu pai saiu ao nosso encontro acenando e sorrindo. Fiquei tão aliviada por vê-lo e vê-lo bem que esqueci toda a bizarrice das últimas horas.
— Porque sua calça está molhada Cassandra?
—Não está só molhada sogrinho— ela disse enquanto ia pra dentro da casa — eu e o Cassinho precisamos de um banho.
—Quem não precisa — Lili se apoiava no carro parecendo prestes a vomitar — como um porco em poucos minutos consegue fazer tanta sujeira?
— É porque não viram nossa viagem no começo — Jonatas debochou.
—Desculpe a estadia de vocês aqui era pro doutor Germano poder descansar e só estamos causando inconvenientes — Débora desculpava-se enquanto Charles retirava todas as malas e bolsas do carro.
Não se preocupem meninos — meu pai veio até nós com o olhar divertido — não vejo a hora de sumir desse fim de mundo — Lili olhou feio pra ele — ainda bem que estão aqui ou eu ia começar a mugir junto com as vacas! Estamos até comendo o mesmo capim — ele fez uma cena dramática enquanto Lili o ignorava e levava Charles e Débora pra dentro.
—Pai, você não está se comportando?
—Vou me comportar quando me servirem um filé bem passado!
Ficaríamos o fim de semana aqui e partiríamos na segunda. Era quando eu teria a minha primeira consulta com a psicóloga. Foi a Jojo, surpreendentemente que me ajudou, já que naquele dia conversamos durante o nosso almoço e eu lhe contei sobre minhas pretensões de retomar os estudos, e sobre o desejo de conversar com um profissional para lidar melhor com os traumas. Sempre vi a Jojo como uma irmãzinha e foi ótimo nossa conversa aquela tarde, a maneira como eu me abri com ela, contei sobre meus traumas e como eu me sentia.
Na semana seguinte, quando meu pai recebeu alta e eles vieram pra cá, ela me ligou e disse que a Natasha estava indo em uma médica e que eu deveria ir também já que se a psicóloga aguentava as chatices de corna da mãe dela, me aguentaria facilmente. Bem, espero que a Natasha não tenha ouvido isso. Eu aceitei a sugestão, e estava até ansiosa. Eu até aceitei fazer um comercial que o Arthur arranjou para mim. Depois, a próxima semana seria corrida, com os preparativos do casamento. Não que minha mãe e o Hugo se importassem com a festa. Eles se casariam em um lixão, usando um saco de batata, o importante era estarem juntos. O clima contagiou todo mundo. Até o Carlinhos parecia animado o que eu sabia era importante demais pra minha mãe. Ela não me priorizou por muitas vezes e aprendeu a lição. Ela jamais colocaria um homem a frente de seus filhos novamente. Mesmo um maravilhoso como Hugo.
— Bom vamos entrando — meu pai enlaçou um braço em volta do meu corpo e o outro do Jonatas — cuidando bem da minha filha rapaz?
— Sim, inclusive contra as bruxas e fantasmas.
Ele franziu a testa e eu tremi me agarrando a ele enquanto ouvia-se o barulho lá dentro de coisas quebrando e do porco grunhindo em meio aos berros da Lili.
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— Ainda não acredito que você vai embora — vi a última caixa sendo fechada e senti os olhos ardendo.
— Eu sei que vai ser difícil Lu, mas nós temos que cuidar dosa nossos maridos agora — ele correu até o Fernando o abraçando — nós dois ainda podemos namorar pela janela amiga — ele fez um coraçãozinho com as mãos.
— Vocês podiam é ajudar o Jamaiquinha aqui com as caixas — ele levantou uma e Fernando pegou outra maior com Max correndo pra ajudá-lo...ou fingir, porque ele jamais carregava peso.
Olhei o apartamento. Parecia tão vazio. Não porque metade das coisas foram encaixotadas, e sim porque meu melhor amigo do mundo inteiro ia me deixar. Se eu estava feliz por ele ir morar com o namorado? Claro que sim, e eu moraria com o Jamaica que não lavava um prato e deixava roupas espalhadas por toda a casa, mas bem, pelo menos ele não roubaria minha maquiagem como o Max.
— Não é um adeus Coalinha, ainda vamos ser vizinhos, eles só vão se mudar pro prédio em frente — Jamaica veio até mim e me deu um selinho rápido tropeçando ao se virar e caindo esparramando tudo da caixa pelo apartamento.
— Socorro com você Jamaica! — todos se ajoelharam catando tudo e eu me sentei deprimida observando a cena.
— Pode levantar essa bunda daí Lu e ajudar com as coisas — Max berrou e eu me levantei catando a primeira bolsa que vi pela frente.
— A gente podia estar agora na fazenda com os outros, é legal lá! — Jamaica disse emburrado enquanto descíamos até lá embaixo onde várias outras caixas esperavam.
— Nem pensar, o chefinho me atolou de trabalho essa semana, a gente só ia conseguir fazer a mudança na outra! Tem o comercial novo da Avon com a ruiva divando!
— E eu tenho pavor de mato Jamaica! — gemi só de imaginar todos os insetos — e pavor daquele porco que a Cassandra arranjou.
Atravessamos a rua com a pequena mudança. Max parecia tão animado que eu me obriguei a parar com a birra e ficar feliz por ele e o Fernando estarem juntos e darem esse passo importante na vida deles. Por sorte a família do Fernando era legal já que Max não havia mais visto os pais desde que ligou pra avisar que estava namorando. Meu coração doía por ele, porém ele era forte e corajoso. Superava fácil.
— Minha nossa senhora dos boy magias! Olha só aquele pedaço de mau caminho! Lu olha — ele me virou em direção ao cara que saía de um táxi e nossa ele realmente não era nada mau e...
— Nós somos comprometidos!
— Ah me poupe não somos cegos! — será que vamos ser vizinhos Brasillll? Nunca vi ele por aqui!
— Pelo menos disfarça Max, ele vai perceber! Olha lá, Jamaica e Fernando estão voltando!
— O que vocês estão olhando? — Jamaica perguntou enquanto se abaixava pra pegar outra caixa — podiam ao menos ajudar a carregar as coisas!
— Estamos olhando o bofe escândalo! — ele sorriu travesso.
— Max! — dei um tapa nele.
— Que bofe escândalo? A coalinha não precisa de mais ninguém com o Jamaiquinha aqui — ele levantou a camisa.
— E é por isso que eu estou saindo daquele apartamento! — Max fez uma careta pro strip do Jamaica e voltou o olhar pro táxi — ele é muito lindo gente!
— Acho que já deu Max! — Fernando puxou ele pela mão enquanto eu dava uma última olhada para o rapaz que abria a porta do carro pra..
— LEILA!
Os outros me olharam enquanto eu observava a cena estarrecida.
Ele pagou o táxi e os dois ficaram conversando próximos...demais pro meu gosto. Ela não estava com o Rafael? Ela trocou de homem de novo?!
Espera...onde está o Rafael?
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