Totalmente demais 2
21 Capítulo 20
Notas iniciais
— Depressa Débora, vamos embora daqui antes que o Jason nos pegue! —ela pegou suas bolsas arrastando elas pelo quarto seguida por um Cassinho curioso — rápido Débora, eu não vou te esperar não! Eu vou embora dessa casa agora!
Sentei-me na cama enquanto ela corria em círculos pelo quarto. Ao ver minha inércia ela correu até o quarto ao lado pegando tudo que era meu e do Charles e jogando em cima da cama!
— Me ajuda Débora por favor! — Ela pegou o porco no colo — espera um pouco nós temos de passar pela bruxa fantasma zumbi no meio do caminho? AAAHHHH qual morte vai ser pior?!
— Chega Sandra eles estão averiguando pra descobrir o que é — peguei minhas roupas que ela havia espalhado.
— E ninguém apareceu! Todos foram mortos pelo Jason ! — Cassandra apertou o porco que grunhia desesperado — nós ficamos viúvas! E meu bebê ficou orfão!
— Dá pra ouvir eles conversando no andar de baixo — suspirei e me larguei na cama exausta.
Ela se arrastou pela cama juntamente com seu filho e puxou as cobertas nos cobrindo.
— Sandra...
— Cassandra!
— Cassandra — rolei os olhos reparou no Charles?
Ela me olhou.
— Claro que não! Ele é meu cunhado e eu amo o Fabinho, mesmo sem o corpo do Tiago Lacerda!
— Hã? Não sua maluca, eu estou mencionando o estado dele. Reparou o quanto ele está estranho?
— Estranho? Do tipo possuído? Ele foi possuído pelo fantasma da bruxa? Ou por um Alien como daqueles filmes que eu vejo! E se todos foram possuídos Débora! Você é você! Porque eu sou eu! Eu acho! — ela pulou da cama e correu até a porta trancando-a — pronto estamos seguras!!
— Não sei se estarei segura algum dia da minha vida com você como irmã — me sentei na cama — eu tentava dizer que ele parece nervoso, estressado, preocupado! Acho que é por causa de uma prima dele que apareceu e depois sumiu sem nem se despedir. Ele ficou dias ligando pra todos da família. Ou então é o Rafael.
— O que tem o Rafael?
— Bom, é que ele...
Fábio e Charles abriram a porta e Cassandra começou a gritar.
— Calma! Somos nós! — Fábio se defendeu dos travesseiros que ela arremessava.
Ela encarou nossos namorados.
— E como eu vou ter certeza? — ela disse arremessando outro travesseiro.
— Que? Charles me olhou confuso.
— Não tente entender, passei minha vida inteira com ela e ainda não consigo.
— Algum tipo de bicho revirou tudo lá fora!
— Bicho? Que bicho? — ela pegou o porco no colo sufocando o pobre.
— Não sabemos. Não temos casos de ataques de animais selvagens aqui, mas por precaução vamos nos manter aqui dentro.
— Melhor fechar as janelas também por causa dos morcegos.
— O QUE? TEM VAMPIROS AQUI TAMBÉM? QUE RAIO DE LUGAR É ESSE?!!
— Pelo amor de Deus Fábio, tire ela daqui! — Implorei enquanto ele tentava acalmá-la e conduzia-a para fora.
Charles olhou pra mim divertido.
— Apesar das insanidades dela ela tem sua parte de razão. Não gosto muito daqui! Tudo está dando errado.
— Amanhã de tarde nós vamos embora.
— É. Imagine tudo que vai acontecer até lá!
—---------------------------------------------------
— O que é isso? — Arthur pegou um envelope na mesa — não vi isso aqui ontem.
— É que eu levei pro meu quarto — Jojo rabiscava algo em seu caderno. Ela havia pegado gosto pelo mundo da moda, embora fosse negar até a morte. Agora tinha inúmeros esboços de roupas elaboradas por ela, algumas realmente promissoras.
— Tem o meu nome no envelope.
— O nosso. É Arthur e família. Eu sou da família!
— Eu também sou — Gabriel disse orgulhoso e Jojo piscou pra ele.
— Vocês dois são — ele suspirou, mas é errado pegar a correspondência dos adultos.
— Eu não sou criança! — Ela bateu a mão na mesa.
— Parem com isso! Arthur isso é o convite do casamento do Hugo com a mãe da Eliza.
— Sério? — Ele abriu o envelope analisando o conteúdo — Como você sabia? Todo mundo leu?
— Não, eu também tenho o meu. Eu fui convidada, assim como minha irmã.
— Foi convidada pro casamento do ex — ele zombou infantil.
— Ela pegou o noivo. Já você pegou a filha da noiva — Jojo riu e então ficou séria rasgando a folha em que desenhava e jogando no chão.
— Sem bagunças Maria João — eles estavam prestes a iniciar uma nova briga quando o celular do Arthur o distraiu completamente — Alô! É o que? — ele permaneceu estático enquanto uma voz falava apressada do outro lado da linha— desculpe. Pode repetir?
— Que houve? Perguntei.
— Certo. Eu vou. Eu...obrigada.
Ele continuou parado sem olhar pra nada em especial, com telefone na mão.
— Fala pai, que saco! Quem morreu?
— Seus avós.
— Meus avós morreram? — Ela se levantou assustada.
— Não. Eles foram presos.
—------------------------------------------------------
— Nada como um domingo de descanso! Você recebeu o seu convite pro casamento do Hugo e da Gilda?
— Sim. Ele é em parte meu chefe lembra? O pessoal da revista vai. Bom, não todos já que dizem que é só uma festa simbólica. O casamento mesmo vai ser no civil.
— Se eu fosse milionário meu casamento ia entrar pra história! — Ele pegou meu sorvete roubando um pouco.
— Imagino. Eu gostaria de um casamento clássico — suspirei.
— Já passou da hora do Fernando e do Jamaica pedirem nossa mão — ele jogou o cabelo de um lado pro outro e começamos a andar pela calçada enquanto cantarolávamos a marcha nupcial, até o Max parar feito uma estátua.
— Que foi? — Segui em direção a onde ele olhava com os olhos esbugalhados — É o estúdio do Rafael — Olhei pra trás. Estávamos esperando os meninos que foram comprar um lanche e nos afastamos muito na nossa brincadeira de caminhar até o altar.
— A janela — Max apontou.
— Está aberta. Será que ele voltou? Porque o Charles está viajando.
— Você não viu o que eu vi! — Ele me empurrou pra trás de um carro com tudo me jogando no chão.
— Ai Max! Ficou louco! — Tentei me levantar e ele me impediu.
—Observe — ele apontou pra janela e eu vi Leila com uma xícara olhando o movimento.
— Nossa! É aí que ela está! Que alivio! O rapaz devia ser só um amigo dela e ele deve morar lá perto, por isso eles estavam...
O tal rapaz apareceu na janela. Falou alguma coisa e Leila o olhou com espanto. De repente começou a rir.
— Me abana Lu!
— Não acredito nisso! Eles estão na casa do Rafael?!
— Ele está pelado!
Eu processei melhor a informação. Ele não estava pelado, estava com uma toalha enrolada. Parecia ter acabado de sair do banho. Ela passou a mão pelos cabelos úmidos dele e ele deu um beijo no topo de sua testa. Me senti enojada.
— Eu sei que o Rafael aprontou muito! Comigo inclusive! Só que ele não merece isso! Na casa dele? Onde é que ele está?
— Enterrado em algum lugar com certeza! Mataram ele e pegaram até a casa dele! — Max olhou os dois indignado e depois sua expressão se suavizou — A garota é uma safada, mas tem bom gosto! Olha só aquele peitoral!
— MAX ISSO É SÉRIO!! — Gritei! E alto de mais. Os dois ouviram e se viraram pra nós, nos encontrando agachados na calçada. Leila nos olhou por alguns segundos e começou a acenar.
— Eu que não fico aqui vou ser a próxima a morrer! — Max falou enquanto saía correndo.
Olhei pra ele já distante e pra Leila me encarando com a testa franzida.
— Melhor não arriscar! — Saí correndo também.
—---------------------------------------------
Ainda era cedo pro almoço, só que estávamos famintos na cozinha revirando a dispensa atrás do que comer. Depois da cena do meu pai com a lasanha ontem, Lili resolveu se livrar se tudo que poderia tentá-lo e fez a Eusébia e os meninos levarem tudo pra uma das casas vizinhas.
Segundo ela nós deveríamos dar o exemplo pro meu pai saber que era possível comer bem e saudável.
Só que os mingaus e papas de aveia e fruta servidos no café da manhã fizeram nosso estômago revirar. Só de imaginar o que teria no almoço já me assustava mais do que a coisa que rodeava a casa.
— Achei um pouco de linguiça e bacon haha! — Jonatas comemorou! — A Eusébia deve ter escondido coitada! Nem ela aguenta as gororobas que a dona Lili está fazendo!
— É muito pouco! — Charles comentou enquanto eu pegava a faca pra cortar — vamos fazer com macarrão?
— Não, demora muito! — Jonatas pegou um saco de pão — a ruivinha prepara o recheio e eu tosto o pão! Vamos lanchar rápido enquanto as duas estão dando banho no bebê!
— Eu não acho isso certo gente. A dona Lili recebe a gente aqui e nós roubamos comida? Que horrível — Débora tentou argumentar mas sua barriga roncou alto e ela abaixou a cabeça envergonhada.
— Eu também acho isso errado porque pode ser algum parente do Cassinho! — Cassandra comia seu oitavo iogurte. Só ela gostava daquilo.
— Entendam que eu estou com fome! — Jonatas se desesperou — Eu já passei fome na rua e eu gosto de comer! — ele abocanhou o pão antes mesmo de eu colocar o recheio.
— Eu também vou— Fabinho não foi nada cavalheiro pegando o primeiro lanche pronto e atacando— Isso está muito bom Eliza! Só faltou um queijo aqui! — Ele ofereceu a Cassandra que resolveu largar seu iogurte assim como Débora que também se rendeu.
Pegamos nossos lanches e íamos nos sentar para começar a comer quando ouvimos um barulho de passos e tentamos esconder tudo. Charles deixou um pedaço de linguiça cair no chão e Cassinho correu e pegou, devorando.
— Nãoo agora ele é um porco canibal!! — Cassandra começou a chorar.
Meu pai entrou na cozinha e nos encarou por alguns segundos.
—Oi pai — Fabinho disse amarelo — enquanto o porco pulava desesperadamente em volta do Charles querendo comer mais —foi bom o cochilo?
— Eu quero o bagulho.
— Hã?
— Eu senti o cheiro da linguiça lá do quarto!
— Pai!
—Eu só quero um pedaço — ele veio até nós tentando ver o que tínhamos nas mãos atrás das costas — só um pedacinho!
— Doutor Germano, está parecendo um viciado!
— Só um pedaço! Eu só preciso de um pedaço! Eu sei quando parar! — Ele abriu a jaqueta do Fabinho que lutava com ele — Ahá! — ele pegou o sanduíche e ia levando a boca quando Lili e Euzébia apareceram.
— Que está acontecendo aqui? — Lili perguntou e no susto meu pai jogou o sanduíche embaixo da mesa, o porco correndo pra pegar.
— Ai meu Deus, bruxas, fantasmas, zumbis, Jason, aliens, vampiros e agora um canibal! — Cassandra se enfiou embaixo da mesa brigando com o porco pela posse do sanduíche.
— Que cheiro é esse? — Lili aspirou o ar.
— É o Cassinho! Meu pai inutilmente falou.
— Vocês estão comendo escondido?
— A gente nem conseguiu — Jonatas se lamentou enquanto Cassandra corria atrás do porco que devorava o lanche. Na confusão ela derrubou o próprio sanduíche.
— A regra dos cinco segundos! — Meu pai pegou o sanduíche e Lili furiosa tomou dele.
— Eu não estou acreditando! Você Germano eu podia imaginar, agora vocês?! — Ela abanou o lanche no ar!
O porco grunhiu alto e esquisito. Nós olhamos pra ele que havia terminado de comer o lanche e olhava fixamente para Lili. Para o sanduíche na verdade.
— O que foi? — Ela deu um passo pra trás e o porco disparou até ela — SOCORRO!! — ela saiu correndo.
—Mãe!! — Fabinho gritou.
— Cassinho!! — Cassandra gritou.
— O lanche!! — meu pai e Jonatas berraram.
Corremos atrás deles que corriam pela sala derrubando tudo.
— Lili solta o lanche — gritei — é isso que ele quer!!
Só que no nervoso ela agarrou firme o sanduíche correndo pela casa e derrubando um pedaço de linguiça e bacon uma vez e outra pra deleite do porco.
— Cassandra faz alguma coisa! — Fabinho gritou.
— A culpa não é minha! Vocês viciaram ele! Ele puxou ao sogrinho!
Lili abriu a porta e saiu correndo,e berrando pra fora, todos nós indo atrás. De relance vi que tudo fora revirado novamente inclusive o lixo. Porém a situação se desenrolando a nossa frente era mais urgente.
— Socorro!! — Ela gritou e tropeçou caindo no chão e sendo alcançada pelo porco que subiu nela caçando a comida.
Quando a alcançamos ele já comera tudo e saiu em disparada pra dentro da casa provavelmente pra cozinha em busca de mais. Acho que meu pai e o porco precisariam de uma desintoxicação.
— Mãe tudo bem? — Fabinho e meu pai levantaram ela toda descabelada e suja do chão.
—Você!! — ela apontou pra Cassandra.
— Se eu tivesse comido isso não teria acontecido! Você guardou algum Jonatas?
— Na confusão eles caíram — meu namorado lamentou e eu e Lili estapeamos os dois.
Um uivo distante nos parou.
— Que droga é essa agora? — Lili berrou — Mais bichos?
O uivo triste e rouco persistiu.
— Ai nãoo — Cassandra agarrou em Fabinho — é um lobisomem! Era só o que estava faltando! NÃOOO — ela correu em direção a casa.
— Nossa família é a melhor de todas — Jonatas sussurrou ao meu ouvido. Eu me senti tão feliz por ele ter nos mencionado como uma família que esqueci os uivos mesclados a briga de Lili com meu pai e o barulho de coisas quebrando e berros de Cassandra e Cassinho dentro da casa.
Nós éramos uma família e eu amava cada parte dela.
Fale com o autor