Totalmente Seu...

150 As emoções continuam...


Notas iniciais
Meninas, como vcs sabem Nessie sempre teve a saúde frágil e as última emoções fizeram com que o parto acelerasse, o problema maior nesses casos é que qdo a bolsa se rompe, há perda do líquido amniótico, chamado de "bolsa rota", o que induz o parto a ser mais rápido, nesse caso se há demora, pode haver o chamado "parto seco", que é muito mais doloroso. Outros fatores que fizeram acelerar o parto, foram os momentos tenso pelos quais eles passaram. Fortes emoções podem acelerar o parto. Bom, espero que gostem desse capítulo, se der tempo, postarei mais um ainda hoje, do contrário, postarei amanhã no período da tarde porque tenho médico do trabalho às 14:15 hrs amanhã. Talvez, eu volte a trabalhar já no fim de semana. Mas, veremos. Bjos.

Os homens da família Black, mais Charlie e Carlisle, estavam no jardim ao lado do corpo de Nahuel. Billy já havia ligado para o delegado Marcus e ele acabara de chegar, examinara o corpo, guardou o revólver e o punhal em um saco plástico transparente, eram provas, evidências do crime e do que motivara tal.

–Senhor Black, eu preciso que Jacob vá até a delegacia prestar depoimento, só pra cumprir com as formalidades, era visto que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde e graças a Deus, a parte afetada foi o criminoso e não inocentes.

–Delegado, o quão tudo isso poderá afetar meu neto? – Ephraim perguntou.

–Olha, o que podemos alegar é invasão de domicílio, legítima defesa, acho que ele saíra ileso disso tudo.

–Muito bem, mas ele precisa se apresentar agora? É que minha nora acabou passando mal quando aconteceu tudo, você sabe, ela está nos dias de dar à luz e a gravidez dela é de risco, Jake está muito preocupado e posso garantir que nem um exército inteiro o tirará do lado da esposa nesse momento. – Argumentou Billy.

–Não tem problema Billy, eu entendo, sei que não deve estar sendo fácil pra ele. Eu só peço pra que seja o mais rápido possível, se não houver outro jeito, me avisem que eu virei tomar o depoimento dele e da esposa.

–Obrigado Marcus, muito obrigado mesmo, não avalia como isso é importante pra nossa família.

–Vocês são pessoas idôneas, Jacob é primário, tem residência fixa, não tenho porque leva-lo preso, sem contar que tenho a confissão do assassinato de Félix e Demétri por Nahuel e a ameaça dele a Jacob por escrito, se a coisa tivesse acontecido em um outro local que não aqui ou na empresa, eu teria que leva-lo para averiguação, mas, invasão de residência é crime e o proprietário tem autonomia pra matar, ou fazer o que tiver que fazer, acho que qualquer um de nós teria feito o mesmo que seu filho fez.

–Bom, mais uma vez obrigado, agora, vamos ver como minha neta está. – Agradeceu o patriarca dos Black.

–Tudo bem senhor, eu preciso chamar os peritos e o IML pra recolher o corpo.

–Fique à vontade Marcus, pode fazer seu trabalho tranquilo. – Ofereceu Billy.

***

As três mulheres entraram no quarto de Nessie, ela estava sentindo novamente as dores, a cada nova dor, seu coração batia mais lentamente, sua respiração se tornava mais dificultosa, Carmen já começava a se preocupar, precisavam leva-la para o hospital logo.

–Como ela está? – Quis saber Esperanza.

–Sentindo muita dor, eu preciso fazer um exame de toque pra avaliar melhor, mas estou sem luvas, acho que temos que leva-la agora mesmo para o hospital.

–Eu trouxe luvas Carmen, pode examiná-la. – A vovó respondeu oferecendo a caixa de luvas à médica.

–Ah, perfeito! Agora poderemos ter uma real visão de como está o processo e ter uma dimensão de quanto tempo temos. Nessie, querida, já conhece o procedimento, vai ser muito mais incômodo, mas, é necessário.

–Tudo bem doutora, faça o que tiver de fazer, eu sinto que as dores estão em um intervalo mais curto.

–Eu contei sete minutos desde a última minha querida. – Revelou Sarah.

–Vamos ver agora mesmo, erga as pernas naquela posição tão conhecida sua. Eu vou retirar sua calcinha, tudo bem?

–Sim doutora, tudo bem. – Ela respondeu respirando fundo.

A doutora fez tudo o que havia falado, ao realizar o toque, juntou as sobrancelhas em uma expressão preocupada, não estava nada bem, não teriam tempo pra irem ao hospital, sem contar, que reparara que Nessie sentia grande dificuldade pra respirar.

Pela sua experiência, sabia que não seria nada fácil, tanto que falara que Nessie não podia ter um parto normal, mas, agora constatava que seria mesmo normal, não teriam tempo para uma cesariana, até chegarem ao hospital, prepara-la, era uma cirurgia, precisariam anesteciá-la. Definitivamente não daria tempo.

Nessie sentiu uma umidade escorrer por suas pernas e uma dor aguda muito mais forte que as anteriores a fez se arcar e gritar, surpresa pela dor.

Carmen pode constatar que ela perdia o "tampão" e perdia junto líquido amniótico, o que eles chamavam de "bolsa rota". E um dos riscos em uma gestante cardiopata, era o risco de parto prematuro.

–Nessie, o que foi minha querida, o que está sentindo? – Perguntou Sarah desesperada.

–Sarah, acho que chegou mesmo a hora, chame o Jake, por favor, não estou suportando a dor.

Ela respirava com dificuldade, Sarah entendeu na hora o que ela dissera, Carmen já terminava de examiná-la.

–É Sarah, não dará mais tempo de leva-la para o hospital, ela já está em trabalho de parto, a bolsa rompeu, ela está perdendo líquido amniótico, além do líquido gestacional.

–Mas, Carmen, ela não pode ter parto normal!

–Eu sei disso, mas não há outro jeito, se esperarmos mais perderemos os três.

–O que está acontecendo? Eu ouvi a Nessie gritar, o que houve? – Perguntou Jake entrando correndo no quarto, ele já havia tomado banho, tirado a roupa suja, estava sem nenhum resquício do sangue de Nahuel nas mãos.

–Jake, meu filho, a Nessie entrou em trabalho de parto, seus filhos vão nascer.

Ele arregalou os olhos assustado.

–Então vamos correr para o hospital, doutora, eu a levarei. Eu corro com o carro, dará tempo.

Ele disse já se aproximando dela com desespero.

–Não Jacob, você não está entendendo, ela já está em trabalho de parto, não há mais tempo de uma cesariana, iria demorar demais, até a anestesia fazer efeito, enfim, se não tirarmos os bebês agora, corremos o risco de perder os três. A respiração dela está cada vez mais fraca, o coração não aguentará.

Nessie deu um novo gemido, ela sentia falta de ar, seus pulmões pareciam que iriam explodir a qualquer momento, seu coração estava muito fraco, tremores involuntários tomavam conta de seu corpo, não teria forças para expulsar seus filhos, as dores cada vez mais intensas, em um intervalo menor.

–Não, isso não, eu não irei permitir, faça o que tiver que fazer doutora, mas salve-os, por favor salve-os eu não posso perde-los. — Ele implorou já chorando em desespero.

Ao seu lado, as mulheres também choravam, a situação de sua nora era muito complicada, pelo que ela via, Nessie não teria forças para expulsar os bebês, como iriam fazer?

–Jake, Jake, meu amor. – Ela chamou com voz fraca, respirando com dificuldade.

Ele tomou-lhe a mão entre as suas.

–Meu anjo, por favor, não fale nada agora, poupe o seu ar, minha pequena, aguenta firme eu estou aqui, não permitirei que nada te aconteça, vai dar tudo certo meu amor.

–Amor, me escuta, eu... eu... quase não consigo falar. – Ela respirou fundo. – Se eu não conseguir... se algo me acontecer... cuide de nossos filhos, diga... que eu os amo... que eu os amei com todas as minhas forças. E eu amo... amo você

–Não, não diga isso, minha pequena, por favor, não fale assim, eu não vivo sem você Nessie. – Ele implorou.

–Amor, me promete! Eu... preciso que me prometa... que vai ser forte... eu acho que não vou... que não vou conseguir.

–Não Nessie, não, meu amor, por favor! Não desista, eu estou aqui com você, não vou deixar que me abandone, eu não vou suportar viver sem você. Eu te amo, eu te amo muito. Meu amor, por favor eu lhe imploro, seja forte, por mim, não me abandone, não me deixe, meu anjo. — Ele pedia em desespero.

Mesmo em todos os momentos em que ela estivera de alguma maneira em perigo, ele sentira medo, quando acontecera o sequestro, a cirurgia do coração, o tiro que ela levara, mas agora, agora, agora o medo era algo que estava esmagando-o por dentro, ele nunca vira ela perder as esperanças, ela sempre fora forte, era a hora dele ser forte pelos dois, ele não iria perde-la, ela não iria abandoná-lo.

Nessie mantinha os olhos fechados, as lágrimas escorriam por seu rosto, não suportava vê-lo sofrer por sua causa, mas a verdade é que começava a achar que não conseguiria resistir a tanta dor, mas como abandonar o homem de sua vida? O seu amor? Tinha que tentar, por ele, por ela, por tudo o que viveram juntos, por tudo o que suportaram por causa do amor deles, um amor lindo, completo, que os brindara com seus filhos que queriam vir ao mundo nesse momento, seus filhos que eram tudo pra eles, os bebês que ela sonhara tanto e que poderia nem ver o rostinho deles, ver com quem se pareceriam, saber o sexo de cada um deles.

–Mamãe, ela vai conseguir, não vai? – Ele perguntou abraçando-se em Sarah.

–Meu menino, eu queria poder dizer que sim, que ela vai conseguir, mas eu não posso Jake, eu não posso te dar essa resposta. Carmen, o que a gente faz?

–Sarah, preciso que você ligue agora, imediatamente para o doutor Rodrigues, cardiologista dela, peça a ele pra vir pra cá agora, mas que antes, deixe tudo pronto no hospital, assim que os bebês nascerem a levaremos, ele precisa trazer tudo o necessário pra intubar se for preciso, ele saberá o que fazer. Peça pra Bella subir aqui ela poderá me ajudar, vou precisar de você também Sarah, de todas vocês e de toda ajuda que puder ter, preciso de água quente, uma tesoura esterilizada, toalhas de banho grandes.

–E eu doutora, posso permanecer aqui não é? Eu não sairei do lado dela, ninguém irá me tirar daqui.

–Tudo bem Jake, você fica, podemos precisar de você.

Mais uma contração tomou conta do corpo de Nessie, seu gemido, porém saiu mais fraco dessa vez, Carmen contava os batimentos dela e constatou que estavam cada vez mais fracos, estava com medo, nunca tivera tanto medo de realizar um parto em toda sua vida, não queria perde-la, nunca vira um amor tão grande em todos os anos de profissão.

Com toda sua experiência, achava que Nessie não conseguiria, mas, como profissional, manteria a esperança até o último minuto, último milésimo de segundo, enquanto houvesse uma chance, ela se agarraria nisso.

–Amor, eu estou aqui, vai dar tudo certo, tá bom? – Jake tinha a voz suave ao falar com ela.

Queria dar-lhe força, dar-lhe esperança, era tudo o que ele se apegava nesse momento, as lágrimas caíam abundantes por seu rosto, ele não ligava, não tinha vergonha.

–Jake, eu queria que você procurasse o doutor Soares, ele estava na festa, preciso da ajuda dele, por favor! – Carmen pediu, lembrando do velho médico que tinha muita experiência.

–Agora doutora? Eu, não queria ter que sair daqui.

–Ela não terá nenhuma contração nos próximos minutos, as dores é que lhe cansam, que a deixam sem ar. Por favor!

–Tudo bem, eu vou correndo, mas me promete cuidar dela?

–Claro que sim.

Jake saiu correndo do quarto, todos estavam reunidos no corredor, a família em peso, as mulheres choravam, os homens também tinham lágrimas nos olhos.

Estavam todos preocupados, rezando pra que tudo desse certo. Charlie andava de um lado para o outro enquanto Carlisle juntamente com Paul e Harry davam entrevistas e explicações sobre o que havia acontecido.

–Como estão as coisas meu filho? – Quis saber Billy.

–Mal papa, muito mal, ela acha que não vai conseguir. – Ele respondeu caindo em um choro sofrido, soluçante.

Billy abraçou o filho também chorando, nem quando ela levara o tiro, vira seu menino tão desesperado, as coisas deveriam estar mesmo muito mal.

–Eu não posso perde-la meu pai, não posso, Nessie é minha vida, meu tudo, como vou conseguir viver sem ela? Eu não posso. – Ele disse se agarrando ao pai.

–Ela vai conseguir dessa vez mais meu filho, ela tem você, tem os filhos, tem a gente, todos estamos torcendo, rezando pra tudo dar certo.

Billy sabia que se alguma coisa acontecesse com a nora, perderia seu filho também, ele não suportaria viver sem a mulher que amava, entendia seu filho, pois não sabia viver sem sua Sarah também.

–Ed, mano, faz um favor pra mim, procure o doutor Soares, a doutora Carmen precisa dele.

Bella entrou no quarto e se assustou com o quadro a sua frente, sabia que era uma situação delicada, mas não imaginava que fosse tanto, Nessie estava muito pálida, a respiração fraquinha, quase não se mexia, sentiu um frio gelado tomar conta de seu corpo, amava a amiga como amava sua irmã, faria de tudo pra ajuda-la nesse momento.

–Doutora, o que quer que eu faça?

–Bella, preciso que vá no meu carro e me traga minha maleta, depois, vou precisar que monitore a pressão de 3 em 3 minutos, eu sempre trago comigo um oxímetro de pulso digital, poderemos ver a saturação, ele também mostra os batimentos cardíacos.

Doutora Carmen entregou a Bella as chaves do carro e ela saiu correndo, desceu as escadas rápido, com Seth logo atrás dela.

–Bella, o que a doutora disse? Como Nessie está?

–Mal Seth, Nessie está muito mal. – ela respondeu chorando.

Seth se pôs a chorar junto com a amiga, amava Nessie como a uma irmã.

–Eu vou no carro da doutora buscar a maleta dela, vem comigo?

–Sim, claro.

O estacionamento ainda estava cheio de carros, reportagem, policiais, o IML ainda não tinha levado o corpo de Nahuel. Bella e Seth fizeram de tudo pra passar despercebidos, não queriam ser interrogados por um bando de repórteres ávidos por notícias. Todos sabiam que Jake havia atirado, ou imaginavam isso, afinal, ele confessara.

Bella acionou o controle do alarme do carro, pra saber qual dos carros era o da doutora, torcendo pra que ninguém ouvisse, pegaram a maleta e voltaram correndo pra casa.

Jake voltou para o quarto acompanhado de doutor Soares.

–Doutora, qual a situação? – O médico quis saber, mas na verdade já adivinhou o que acontecia.

–Ela está em trabalho de parto Soares, as contrações estão de cinco em cinco minutos, mas ela já está sem forças, como ela vai fazer para empurrar? Os bebês são grandes, eles entrarão em sofrimento fetal se ela não fizer força, corremos o risco de perder os três.

Jake mordeu o lábio inferior com força, até sangrar, abaixou-se ao lado da cama e pegou na mão de sua mulher, estava gelada, suada, a vida no corpo dela parecia se esvair aos poucos, ele não suportava vê-la assim, mas precisava estar alí, necessitava segurar sua mão.

Sarah e as demais mulheres da família, Esperanza, Rachel, Sue, Rose e Leah, entraram no quarto com tudo o que a doutora havia pedido. Carmen ergueu o vestido de Nessie, antes, colocou um dos lençóis cobrindo-a da cintura pra baixo e colocando novas luvas fez outro exame de toque.

–Uma das cabeças está mais pra baixo, mas precisamos que ela faça força quando vier uma nova contração.

–Espera Carmen, eu acho que já sei o que iremos fazer. Jake, você vai sentar às costas dela, ajeite-a pra que ela fique com as costas apoiadas em seu peito, meio que sentada no meio de suas pernas, irá segurar nos braços dela por dentro, pra que ela tenha apoio em você.

Jake se posicionou da maneira que o médico o instruíra, sentiu que os cabelos dela estavam grudados de suor, ela estava mole em seus braços, o desespero quase o dominou novamente, mas agora, ele precisava ajudar sua mulher, ele precisava dar-lhe toda a força que pudesse.

–Eu vou precisar da força de mais um homem. Jake, posso chamar outro homem pra ajudar? É um método antigo, utilizado pelas parteiras antigas, mas que sempre dá certo.

–Claro doutor, faça o que tiver que fazer, vale tudo se for pra ajudar minha mulher.

–Certo! Leah, chame o Emmet pra mim.

Leah abriu a porta e chamou o primo, que entrou e vendo a cena diante de seus olhos se assustou.

–Emm, será que poderia nos ajudar? Precisamos da sua força mano.

–Claro que sim mano, é só dizer o que preciso fazer.

–Emmet, você fica aqui, quando eu mandar você vai fazer esse movimento, irá empurrar a partir do estômago de Nessie pra baixo, tudo bem?

–Sim doutor, eu entendi.

–Ótimo, assim que vier a contração, eu aviso, o Jake a segurará com força e Emmet irá empurrar. Desse jeito, ela fará uma mínima força, acho que conseguiremos. Ela sentirá muita dor, apenas isso, não se assustem.

Assim, quando veio a contração, Nessie se remexeu nos braços de Jake que a segurou forte, com muita pena por ter que fazê-la passar por isso. Emmet empurrou com toda a força, ela gritava desesperada, sentindo como se seu corpo rasgasse por dentro.

–Me perdoa meu amor, me perdoa, mas é necessário. – Jake lhe disse entre lágrimas.

Ele estava com o coração arrebentado de dor por ver ela passando por tudo isso. Ela caiu mole novamente nos braços dele que se assustou.

–Nessie! Nessie, meu amor.

Doutora Carmen olhou para Bella do outro lado e ficou mais tranquila.

–Bella!

–Pressão 9x6, saturação 85, batimentos 62, respiração 13.

–Os sinais estão caindo, espero que o Rodrigues chegue logo. – Disse Carmen. – A cabecinha está apontando, está dando certo, mais um pouco e sairá.

Dois minutos depois, nova contração, foi realizado tudo novamente, novo grito insuportável de dor dela que já não aguentava mais tanta dor.

–Calma meu anjo, só mais um pouco, nosso primeiro filho está saindo, só mais um pouco meu amor, você vai conseguir, nós iremos conseguir. – Jake dizia pra animá-la.

–Bella!

–Pressão 9x5, saturação 82, batimentos 60, respiração 10.

Apesar de não entenderem nada do que Bella dizia, eles estavam se desesperando porque sentiam que ela estava piorando.

–A cabecinha saiu inteira, só mais um pouco. – Carmen disse também emocionada.

Soares estava ao lado dela preparado pra pegar o primeiro bebê, com jeitinho, ajeitando aqui e ali, Carmen conseguiu tirá-lo, quando nova contração se apresentou, dessa vez, Nessie nem teve forças pra gritar.

–É um menino! – Ela revelou levantando-o enquanto Soares cortava o cordão umbilical.

Era um belo e enorme garotão, os cabelos negros como os de Jake, os olhos também escuros, chorava a plenos pulmões.

–Meu Deus, nem parece de sete meses! Exclamou Esperanza emocionada.

–Ele é lindo! – Exclamaram Sarah e Rachel juntas.

As mulheres choravam emocionadas, Jake e Emmet não estavam diferentes.

–Olha meu amor, nosso filho, nosso menino, ele é lindo.

Nessie deu um sorriso fraco, Doutor Soares trouxe o bebê para perto dela, que abriu os olhos ao perceber a presença do filho em seu peito.

–Meu bebê... meu filho... eu... eu sonhei tanto...

Ela voltou a fechar os olhos. Enquanto Sarah pegava o neto e o enrolava em lençóis.

–Doutora, os sinais dela estão caindo muito rápido. – Avisou Bella.

Nesse momento, porém, Billy entrou no quarto avisando que o cardiologista chegara com uma ambulância.

–Ah! Graças a Deus, agora temos uma nova esperança, mas, temos que ajuda-la agora com outro bebê.

–Então, como vão as coisas. – Quis saber doutor Rodrigues, entrando no quarto acompanhado por dois enfermeiros.

–Difícil Rodrigues, ela não tem forças pra empurrar, um, já conseguimos tirar, agora, falta o outro. – Explicou Soares.

–Então, vamos ajuda-la, eu preciso de dois acessos bem calibrosos, como está a PA dela?

–Nesse momento, 8x4, saturação está 74, batimentos 48 e respiração 8.

–Ela está ficando bradicárdica. Preciso de uma ampola de 3ml de Adrenalina a cada 3 minutos, 10ml de soro fisiológico, quando o bebê nascer iremos sedá-la e intubar, por enquanto vamos apenas ambuzar pra ajuda-la na respiração.

–Jake, Emmet, quando vier novamente, já sabem, esse está um pouco mais longe ainda, vai dar mais trabalho. – Disse Carmen.

Quando veio nova contração, os dois irmãos fizeram como foram instruídos, Nessie já não gemia mais, nem forças pra isso ela tinha.

–Vamos meu amor, você consegue, por mim, por nossos filhos, por favor! – Jake implorava chorando.

–Ufa! Ainda bem, está coroando, mais um pouco querida, vamos lá, vamos conseguir, vamos trazer esse bebezinho ao mundo, algo me diz que é sua princesinha Nessie, vamos querida. – A doutora a incentivava.

Outra contração e nova força desprendida pelos dois pra ajudar Nessie, dessa vez ela conseguiu gritar, com o ar extra em seus pulmões, ela teve um pouco de suas forças recuperadas.

–Isso meu anjo, mais um pouquinho, estamos quase lá. – Jake a incentivava.

Até que em uma nova contração, mais forças desprendidas, um novo chorinho um pouco mais fraco e rouco se fez ouvir, tirando o segundo bebê, doutora Carmen o ergueu como fez com o primeiro, enquanto Soares cortava o cordão.

–Eu não disse? É uma menina Nessie, uma princesinha linda!

A garotinha, era uma cópia exata da mãe, os cabelos se enrolavam na nuca, os olhos esverdeados, parecia uma bonequinha.

–Olha minha pequena, ela é linda, nossa princesinha, se parece com você. – Ele disse.

Jake, que pensara que não tinha mais lágrimas, sentiu nova emoção dominá-lo, nunca imaginara que sentiria algo tão gigantesco tomar conta de seu coração ao ver o rostinho de seus filhos, parecia que ia explodir por dentro, era uma emoção nova, desconhecida, um poderoso instinto de proteção tomou conta dele, era um sentimento puro, genuíno, algo que levaria pra toda vida, agora sabia o que era o amor despretensioso, um amor completo, um amor de pai, agora se tornara real, ele era pai.

Ali estava a complementação do seu amor pela mulher em seus braços, a mulher que tomara conta de sua vida, que o ensinara a amar, a mulher que era tudo pra ele. Abaixando a cabeça depositou um beijo em seu rosto, ela estava gelada, suando muito.

–Obrigado por esse maravilhoso presente meu amor. Eu amo você!

Porém, ele a sentiu mole em seus braços, nova onda de desespero, um desespero imenso tomou conta dele.

–Nessie! Nessie, acorda por favor, Nessie, não faça isso comigo, doutora, o que está acontecendo? Porque ela esmoreceu de repente?

–Jacob, agora precisamos que nos dê licença, ela perdeu totalmente os sentidos, é isso, a última dor que ela sentiu foi demasiado para o corpo dela.

Bella tremia chorando ao verificar novamente os sinais vitais da amiga, ao ver Bella dessa maneira, Jake se desesperou ainda mais, isso era um sinal de que estavam perdendo-a.

–Vamos sedá-la, agora, não podemos perder nenhum segundo, eu preciso de 3ml de Dormonid, e uma ampola de Fentanil diluída e 100ml de soro glicosado, vamos intubá-la, ou então a perderemos. – Ordenou o doutor Rodrigues.

Jake se afastou para que os médicos e enfermeiros pudessem fazer o que fosse preciso para salvar sua amada. Leah abraçou o primo com carinho, estava com medo, medo de que fosse tarde demais pra salvá-la, ela fora valente até alí, mas até onde Nessie conseguiria ir?

Todos os procedimentos foram realizados, a maca foi posicionada e colocaram-na para poderem leva-la. Os bebês também iriam junto para realizarem exames e todos os cuidados. Fora colocado um soro glicosado de 100ml com Noradrenalina, outro de Fentanil pra correr. O Fentanil era pra diminuir a dor que ela sentia.

–Sarah e Rachel, preciso que venham comigo e tragam os bebês. – Pediu Carmen ajeitando suas coisas.

–Claro que sim Carmen. – Sarah respondeu.

–Eu vou junto. – Decidiu Jake.

–Filho, não acho que seja uma boa ideia. – Billy tentou dizer.

–Pai, por favor, eu vou junto com a minha mulher, não a deixarei de maneira nenhuma. Ninguém irá me impedir – Disse já descendo as escadas correndo atrás dos enfermeiros que levavam sua mulher.

–Jake! Jake, espera, segurem-no. – Billy gritou.

Sam, Edward e Jasper o seguraram, no entanto, eles tiveram que desprender muita força para contê-lo.

–Jake, você precisa se apresentar para o delegado, acabou de matar um homem, meu filho.

–Então dê um jeito, eu não vou fugir, diga ao delegado que estarei no hospital com a minha esposa. Por favor meu pai, eu preciso estar lá, entenda.

–Filho, eu, eu não sei como agir nesses casos.

–Peça ao tio Harry, ou ao tio Paul pra conversaram com o delegado. Já disse que ninguém irá me impedir. Agora, me soltem, porra! – Ele gritou, os soluços tomavam conta de seu corpo.

Em um arremedo de força, que nem mesmo ele sabia possuir conseguiu se soltar e correu para seu carro, arrancou cantando pneus, saindo atrás da ambulância que já passava pelos imensos portões da mansão em grande velocidade, as sirenes cortando o silêncio da noite.