Torneio meio-bruxo: jogo ou profecia?-interativa
13 O quanto vale uma vitória
Notas iniciais

POV Merida Dunbroch
Eu realmente não sei o quanto os semideuses sabem sobre o mundo bruxo, mas com certeza nunca ouviram falar de quadribol, ou do pomo de ouro. Nós bruxos sabíamos que se não fizéssemos algo, logo o pomo estaria fora de vista, inalcançável. Mas os semideuses não, então enquanto todos nos alarmamos, eles ficaram com cara de "mas que diabos...". Chamei meu grupo para um canto, e falei bem rápido.
– Tudo bem, se não agirmos agora, não teremos chance de ganhar isso. Não temos vassouras, e duvido que o accio funcione aqui, não sabemos o quão longe estamos de Hogwarts. Alguma ideia?
– E quanto aos pégasos? — Liam perguntou.
– É verdade, eles devem estar aqui para isso. — Hiccup diz.
– E como é que nós montamos essas coisas? — Katryna pergunta.
– É fácil — disse Akisha, e correu até o cavalo mais próximo, e graciosamente subiu no lombo do animal, já segurando a crina — Basta fazer o que eu fiz.
– Tudo bem, Merida, você é a apanhadora da Grifinória. Pegue um dos pégasos e persiga aquele pomo como nunca fez antes. — Katryna diz, e eu assinto. — O resto de nós vai tentar impedir que os outros times peguem o pomo. Mas se algum de vocês avistar o pomo, dê um sinal para os outros, e tente pegá-lo.
– Que tipo de sinal? — pergunto, franzindo o cenho.
– Sei lá. — ela responde. — Algo discreto. Manteiga de amendoim está bom.
– Okay. — digo, e corro até o pégaso mais próximo.
Não foi fácil montá-lo, mas com algum esforço eu consigo. Inclino o corpo para frente, assim como Akisha fez, e o pégaso empina e levanta voo. Não era nada como voar em uma vassoura, mas não era tão ruim. Fui para o alto, para ter uma visão de toda a extensão aquele lugar. Era realmente imenso, mas não podia ser infinito. Passei a procurar o pomo. Era impossível enxergá-lo com tanta névoa.
Dei meia volta e me aproximei dos outros. Eles estavam apenas mantendo voo por aí. Alguns estavam mais altos também, procurando o pomo, e alguns nem tinham montado nos pégasos. Nada acontecia. "Bem" pensei "não pode ser tão difícil. Basta achar esse bendito pomo."
E, como uma obra do destino (muito engraçado, universo, você é hilário), percebi um movimento com o canto do olho. Virei o pégaso bem a tempo de ver os seres mais esquisitos que eu já tinha visto em toda a minha vida: parecia uma mistura de mulher com pássaro. Elas tinham corpo de mulher, mas asas nos braços e garras que pareciam bem afiadas. Eram montes delas. E estavam vindo diretamente para nós.
As pessoas que ainda estavam na montanha rapidamente levantaram voo. Pude ver os semideuses erguendo suas armas: arcos e flechas, espadas, lanças, martelos... tudo estava muito épico, exceto pelo fato de que eu ainda não tinha o menor sinal do pomo e com certeza essa interrupção só iria piorar.
– Merida! — alguém gritou, e me virei a tempo de ver Dean passando ao meu lado (bem desajeitado, se me permitem dizer). Ele quase caiu do cavalo para puxar a varinha, que estava no casaco, e depois olhou para mim. — Esqueça esses bichos! Vá procurar o pomo!
Assinto e giro o cavalo, de modo que fiquei de costas para as criaturas. A maioria dos participantes agora estava num combate direto com elas, mas pude ver alguns rodeando o lugar, procurando também. Akisha era uma delas. Ela voava como se tivesse nascido para isso, posicionando uma flecha no arco. Ela mal olhou para as criaturas e lançou a flecha, derrubando três. Não pude deixar de ficar impressionada, mas não tinha tempo para isso. Os minutos estavam passando e nenhum de nós tinha avistado o pomo. Estava começando a ficar impaciente, e vi que seria difícil segurar todo aquele exército. Uma das criaturas estava se aproximando de mim. Eu não sabia se feitiços funcionavam com esse tipo de bicho, e eu mal conseguia me equilibrar no cavalo para puxar a varinha. Felizmente, Hiccup apareceu bem na hora, enfiando uma adaga nas costas da criatura, que se transformou em um pó. Ela me entregou a adaga.
– Bronze celestial. Vai matá-las. Mais cuidado da próxima vez. — ele disse, e se virou, sacando uma espada e foi em direção à luta.
Depois disso, ainda fiquei alguns minutos procurando o pomo. Pelo menos eu tinha uma vantagem: era a única apanhadora participando do torneio. Isso poderia me ajudar. E não demorou muito depois disso até que eu visse um pequeno movimento à minha frente.
– MANTEIGA DE AMENDOIM! — gritei, e Akisha olhou para mim, primeiramente confusa, mas logo se lembrou do que tínhamos falado antes e começou a me seguir. Os outros apenas me olharam como se eu fosse louca. Eu nunca tinha feito isso com um pégaso, mas não devia ser tão diferente da vassoura. Desajeitadamente, virei o cavalo até focalizar. O pomo estava alguns metros à minha direita.
Errada de novo.
A crina do pégaso voava na minha cara o tempo todo. Acho que eu tinha pegado o com a maior crina, sinceramente. Era muito mais difícil fazê-lo virar. E agora, Kristal tinha visto meu movimento e, consequentemente, o pomo. Se lançou em direção à bola, pilotando não muito melhor do que eu.Eu ainda tinha uma pequena vantagem na distância. Faltavam só alguns centímetros... instiguei o pégaso a ir mais rápido. Akisha estava atrapalhando Kristal, o que me deu ainda mais tempo. Estávamos quase nos chocando contra a parede de uma montanha, mas eu tinha que pegá-lo. Quando meus dedos se fecharam ao redor da pequena esfera, eu puxei bruscamente a crina do cavalo, fazendo-o parar bem a tempo. Tínhamos vencido a primeira prova.
Eu já estava me virando para comemorar quando ouvi alguém me chamar pela segunda vez. Era Alfred, com uma expressão alarmada no rosto. Junto dele estava Sam, que parecia não ter entendido nada. Kristal já tinha dado meia volta para comunicar ao time que eu tinha capturado o pomo, imagino, e Akisha estava ao meu lado, sorrindo.
– Você capturou? — Sam disse — Pelos deuses, achei que...
– Não temos tempo para isso, temos que sair daqui o mais rápido possível! — Alfred interrompeu, já dando meia volta para ir embora.
– Por que? Já ganhamos, acho que essa parte acaba aqu... — Akisha começou a dizer, mas nesse momento, a parede da montanha explodiu em milhões e pedaços. Ouvi alguém gritar alguma coisa, mas não consegui entender. A última coisa que me lembro foi de ter caído do pégaso, segurando o pomo o mais forte possível, e de algo vermelho cortando o céu. Fogo.
POV Samuel Winchester
Já estava lutando contra aquele exército a algum tempo. Eu não sabia se teríamos que derrotar todas elas, ou se acabaria quando alguém agarrasse o pomo, mas por enquanto tinha que continuar lutando. Dean havia conjurado um escudo em volta de nós dois (podíamos ser de times diferentes, mas ainda éramos irmãos) e eu investia com minha espada. Não precisava de pégaso, eu conseguia voar, por ser filho de Zeus. Estava indo muito bem, mas não sabia se ia poder lutar para sempre, e o exército de harpias parecia não ter fim. Foi aí que apareceu o Alfred. Ele não estava com uma aparência muito boa. Estava pálido, com suor escorrendo pela testa. Ele me olhava com uma expressão de urgência.
– Você tem que vir comigo agora. — ele disse, sério. Olhei para Dean e lancei um olhar perguntando se ficaria tudo bem.
– Pode ir cara, eu me viro aqui. — ele diz. Assinto e sigo Alfred, que já estava bem mais a frente.
– Ei, o que foi? — pergunto, quando o alcanço. — Para onde estamos indo?
– Você precisa estar lá quando acontecer.
– Quando acontecer o que? Lá aonde?
Ele não respondeu, apenas continuou em direção a uma montanha. Pude ver Merida e Akisha voando rapidamente em direção a algo, e presumi que tinham avistado o pomo. Quando chegamos, Merida já havia capturado a pequena bola, e Akisha comemorava. Tinha acabado de dar os parabéns quando senti alguma coisa estranha. Leves vibrações no ar, aumentando. Olhei para a montanha enquanto Merida falava. Algo estava vindo em nossa direção. Algo grande.
– CUIDADO! — gritei, mas já era tarde. A parede da montanha explodiu. Merida caiu do pégaso e Alfred foi jogado para longe, mas conseguiu se segurar. Não vi onde Akisha foi parar. A força da explosão me lançou para trás, e acabei batendo na parede atrás de mim. Tudo ficou embaçado por um momento e senti algo escorrendo pela lateral da minha cabeça. Sangue. Depois que minha visão voltou ao normal, pude ver o que tinha causado tudo aquilo.
Um dragão realmente enorme estava saindo da montanha. Realmente muito grande. Ele possuía uma couraça cinzenta que não aparentava ter qualquer ponto fraco. Suas asas deviam ter sozinhas três metros cada uma. Quatro chifres saíam de sua cabeça e os olhos eram vermelhos. Havia uma série de espinhos ao longo de sua coluna. Ele esperou por um momento, atordoado com a luz, mas logo lançou um jato de fogo contra o céu.
– Você tem que derrotá-lo! — alguém gritou. Era Alfred, que estava alguns níveis abaixo de mim. — Foi para isso que te trouxe aqui!
– Bem, se tiver alguma ideia, será bem vinda! — grito de volta. O dragão agora estava se preparando para alçar voo. Não havia nada que o impedisse de chegar até os outros, que ainda enfrentavam as harpias. E aí eles não teriam chances.
Saquei uma adaga e joguei nele. Ela bateu em sua couraça e caiu no chão, sem causar nenhum dano. Mas eu havia conseguido o que queria: a atenção dele. Já podia sentir as nuvens negras se juntando acima de nós. Se eu conseguisse invocar um raio poderoso o bastante...
Mas não tive tempo para fazer isso, pois o dragão lançou sua cauda na minha direção. Ela me atingiu e me empurrou contra a montanha. O impacto fez com que pontos pretos dançassem na minha frente. Ele moveu a cauda e eu caí no chão. Minha espada havia caído a apenas alguns metros. Eu a agarrei e então olhei para o dragão. Ele estava se movendo rapidamente em direção aos outros. Alfred estava alguns metros na frente, segurando Merida, que parecia meio grogue, mas estava bem.
Me levantei, cambaleando. Eu precisava fazer isso agora, ou seria tarde demais. Me concentrei, ignorando a dor na cabeça e levantei a espada. Um raio caiu na ponta da espada, que eu havia levantado em direção ao céu. O raio atravessou a espada e passou por todo meu corpo antes de seguir em direção ao dragão. Ele não era tão grande ou forte para aguentar essa carga elétrica. Ele rugiu e lançou chamas em direção aos outros e ao exército. Pude vez o pó, em que as harpias carbonizadas haviam se transformado, caindo. O dragão ainda conseguiu voar por alguns metros antes de desabar nas montanhas, inconsciente. Eu sabia que não estava morto, então tínhamos que sair dali antes que ele acordasse.
A dor na minha cabeça piorou. Invocar um raio não era fácil, ainda mais um tão forte assim. A espada escorregou dos meus dedos e caiu no chão enquanto eu caía de joelhos. Depois tudo ficou escuro, e eu desabei.
POV Amélia Brave
O barulho realmente me assustou. Eu estava lutando contra as harpias quando ouvi a explosão. Todos paramos, olhando em direção a montanha. Os pégasos ficaram nervosos com o dragão, e eu não podia culpá-los. Não era pequeno. Infelizmente, as harpias não pareciam estar surpresas, e continuaram atacando. Uma delas enfiou as garras no meu braço direito, com o qual eu segurava o arco. Gritei, mais de surpresa do que de dor, mas consegui puxar uma flecha com o braço bom e cravei em suas costas, transformando-a em pó. Alguém apareceu ao meu lado. Era Dean Winchester, se me lembro bem.
– Temos que sair daqui. Aquele dragão não tem nada que o impeça de vir aqui nos matar. Precisa de ajuda aí? — ele diz, olhando para o meu braço.
– Estou bem, obrigada. — digo, forçando um sorriso. Ele assente e começa a se afastar. Consigo manobrar o cavalo para longe do dragão, voltando para onde Dumbledore, Louis e toda a plateia estavam. Os dois diretores pareciam preocupados, mas não podiam interferir. Ainda haviam participantes do torneio lutando contra as harpias, e apenas um ou outro havia voltado, devido a algum ferimento. Akisha estava chegando, com um corte feio na testa. A enfermeira veio para cuidar de nossos ferimentos, mas para semideuses isso era mais fácil. Ela apenas nos entregou um pouco de ambrosia. Eu comi e uma onda de calor agradável atravessou meu corpo. Tinha gosto de sorvete. Meu braço logo começou a melhorar, e a cabeça de Akisha também.
– O que aconteceu lá? — perguntei, encaixando outra flecha no arco.
– Não sei. Estávamos comemorando por causa que Merida capturou o pomo, e de repente esse bicho apareceu. — ela respondeu, lançando três flechas de uma vez.
– Quem está lá?
– Merida, Sam e Alfred, eu acho. Não consegui achá-los, então decidi vir para cá.
Nesse momento, um raio cortou o céu, atingindo a cabeça do dragão. Segundos depois ele caiu inconsciente, não sem antes lançar um jato de chamas. De repente, como se não houvesse mais um motivo para estarem ali, as harpias pararam de nos atacar e deram meia volta, deixando os participantes exaustos e surpresos. A esse ponto, a maioria já tinha recuado um pouco, por causa do dragão, mas não conseguiram deixar a luta com as harpias. Quando elas bateram em retirada, e o dragão estava derrubado, eles voltaram para onde nós duas estávamos. Pude ver, ao longe, duas formas vindo o dragão em direção a nós. Logo reconheci Merida e Alfred montados em pégasos. Alfred também levava um Sam inconsciente. Eles se aproximara, e Merida ergueu a mão fechada, triunfante.
Abri um sorriso. Havíamos ganhado a primeira parte. Os torcedores do time de Ártemis (sonserina no geral) gritaram e comemoraram enquanto eles pousavam. Louis andou até os três, seguido por Dean.
– O que aconteceu? — o semideus perguntou, olhando para o irmão, preocupado. A enfermeira já tinha aparecido e agora colocava Sam em uma maca, que logo foi levada embora, provavelmente para alguma enfermaria improvisada, sei lá. — Foi ele quem invocou o raio, não foi?
– Sim, foi — disse Merida, descendo do pégaso. Ela mancou até a enfermeira. — Ele vai ficar bem, né?
– Claro que sim, mas temo que ele não vá poder participar das outras fases. Terá que descansar. — a enfermeira diz, e logo nos deixa para acompanhar Sam.
Dean parecia aliviado. Todos agora olhavam com expectativa para Dumbledore, que começou a falar:
– Bem, acho que todos vocês merecem os aplausos. Foram muito bem. A vitória dessa parte é do time de Ártemis, que ganhou cinquenta pontos.
Ao ouvir isso, o time de Ártemis comemorou. O time de Atena parecia abalado; tinham perdido um de seus integrantes temporariamente.
– Vocês terão dez minutos para descansar. Em seguida, um outro portal se abrirá, e vocês irão para a segunda parte: Poseidon. — Louis avisa. — Nós iremos com a platéia agora, para que se acomodem nas arquibancadas do local, então vocês ficarão aqui com a enfermeira e a professora Minerva. Nos veremos em breve.
Ele vira as costas, e então a enfermeira volta para cuidar de outros ferimentos, nenhum muito grave. Exatamente dez minutos depois, outro portal se abre, e a professora nos manda atravessar. Não estava achando que iríamos ganhar a próxima prova, pois o time de Hécate tinha dois filhos de Poseidon, mas acho que não seria fácil para nenhum dos três times. Eu já estava meio receosa — tinha certeza de que haveria muita água, e acho que meu maior medo era de me afogar. Respirei fundo para me acalmar, mas acho que não deu muito certo, porque Dean se aproximou.
– Algum problema? Sua cara não está das melhores. — ele diz.
– Só... é um medo que eu tenho de me afogar. Acho que essa prova de Poseidon vai ter muitas chances de que isso aconteça. — respondo, apreensiva. — Eu nem sei nadar.
– Não se preocupe. Eu te ajudo se você precisar. — ele diz, sorrindo. Retribuo o sorriso, e então nós dois seguimos a fila e atravessamos o portal.

POV Malu Calmon
Eu estava realmente revoltada. Era meu dever na prova anterior achar uma pequena esfera voadora de ouro que se movia tão rápido quanto o Papa-léguas. Sinceramente, eu nunca tinha feito isso na vida. Eu mal vi quando Merida, Akisha e Kristal começaram a correr atrás do pomo, então não consegui chegar a tempo da explosão. Graças aos deuses né. Mesmo assim, estava com sede de vitória. Essa coisa que o importante é competir é balela. O bom de tudo é ganhar. E eu estava realmente confiante de nossa vitória na segunda parte da prova. Eu e Peter éramos filhos de Poseidon, e embora ele seja mais lerdo do que uma porta, eu acho que ele ainda poderia nos ser útil.
Portanto, assim que o portal se abriu, eu fui a primeira a atravessar. Senti o cheiro de mar, que me revigorou. Já não sentia mais o cansaço que a última prova havia proporcionado. Estávamos em um lugar maravilhoso. A brisa marítima bateu em meu rosto fazendo meus cabelos voarem. Os expectadores já estavam devidamente acomodados. Dumbledore e Louis nos aguardavam, virados de costas para o mar. Vários hipocampos aguardavam. Creio que seriam nossas montarias nessa parte. Eles estavam agitados.
– Acho que já estão todos aqui. Creio que vocês já saibam seu objetivo. — Dumbledore apontou então para um lugar perto dali, para uma pedra com um formato estranho. — Estão vendo aquela rocha que parece um troféu? É lá que terão que fincar a bandeira, que está em um lugar relativamente perto daqui. Se alguma pessoa pegar a bandeira e outra roubar dela, essa outra tem todo o direito de ganhar. O que conta é fincar a bandeira na pedra. Podem começar.
Depois disso, ele se sentou para assistir, junto com Louis. Nessa prova, acho que os semideuses teriam um pouco mais de facilidade, pois já jogávamos capture a bandeira há muito tempo. Se algum bruxo pegasse antes de nós, eu ia surtar. Fizemos uma reunião do grupo.
– Tá, pessoal, eu não quero perder essa prova. De jeito nenhum. — começo. Aponto para Savvy, Luke e Dean. — Vocês nunca jogaram isso, eu acho, mas é bem simples. Não tentem pegar a bandeira, apenas impeçam que os outros a peguem.
– E, se eles pegarem, Nick vai usar seus dons de filho de Hermes, okay? — Liz pergunta, olhando para ele, que assente. — Okay, então Malu e Peter tentem pegar a bandeira. Vocês três impeçam os outros de pegá-la. Nick rouba se alguém pegar. Dylan, você e eu vamos escoltar quem pegar a bandeira. Entendido?
Todos assentem e então vamos para os hipocampos. Escolhi um dos maiores. "E aí, cara. Preciso que você seja bem rápido hoje, okay?" pergunto mentalmente. Sim, eu podia falar com cavalos. Coisa de filho de Poseidon. Ele me respondeu com um "yeah". Quem diria que cavalos falavam assim né. Montei nele, enquanto os outros times também se dirigiam para os outros hipocampos, e comecei a procurar a bandeira.
Dumbledore havia dito que ela estava perto dali. Eu não sei qual é a definição de "perto" daquele velho, porque fiquei uns vinte minutos procurando a bendita bandeira e nem eu, nem Peter e muito menos os cavalos tiveram algum sinal dela.
– Já viu alguma coisa? — Peter pergunta, ao meu lado.
– Não. Nem eu e nem Chester. — respondo, olhando em volta.
– Chester? Quem diabos é Chester?
– É o hipocampo, oras. Eu dei esse nome par...
Então senti alguma coisa agarrar meu tornozelo e me puxar para a água. Desejei ficar seca. Olhei em volta procurando o que tinha me atacado. Era uma sereia, ou pelo menos parecia uma. Tinha dentes afiados e seu cabelos flutuavam em sua volta. Segurava um tridente. "Só pode estar de brincadeira" penso. Ela investe com a arma, mas invoco uma corrente que a lança para longe. Porém, outra já está se aproximando. Pude ver que haviam várias, e que eu não tinha sido a única puxada para baixo. Cristal, Saphira, Stephen, Liz — estavam todos a minha volta lutando contra outras dessas coisas. Dei impulso e voltei à superfície. Peter estava olhando para mim.
– Você está bem?
– Sim, estou. — respondo. — Eu meio que sou filha do deus do mar, sabe? É preciso mais do que algumas sereias para me derrubar. Agora para de enrolar e vai pegar a bandeira.
Sou puxada mais uma vez, mas já estou preparada. Saco minha espada e enfio nela antes que possa reagir, transformando-a em pó. Vejo o hipocampo de Peter se afastando. Foco minha atenção nas outras sereias. Alguns dos que tinham sido puxados já tinham conseguido voltar à superfície, mas outros ainda lutavam. Fui até Amélia, que parecia ligeiramente desesperada, mas não precisei chegar até lá, pois Dean a salvou antes. Então vou até Liz, matando a sereia que a está atacando. Ela nada até a superfície, fazendo sinal para que eu a siga.
– O que foi? — pergunto quando chegamos. Ela está tossindo e ofegando, tentando respirar. — Ah, claro, desculpe.
– A bandeira... — ela começa a dizer, e aponta em direção a uma formação rochosa perto dali, que cobria minha visão de outra parte do mar. — Está lá...
– Sério? Quando foi que você viu? — pergunto.
– E isso lá importa? Vai logo, sua anta. — ela diz, tossindo.
Liz: pode estar morrendo que não perde a oportunidade de te xingar. Monto em Chester, que se aproximou depois que eu voltei, e sigo em direção às pedras que ela havia apontado. Quando cheguei lá, não havia bandeira nenhuma. Já estava amaldiçoando Liz mentalmente quando vi que o suporte para a bandeira estava lá, e então percebi: alguém já tinha pegado. Dei meia volta e então vi Akisha cavalgando em direção à pedra, segurando a bandeira.
POV Akisha Assfly
Felizmente, aquelas sereias não tinham conseguido me puxar. Minha função era capturar a bandeira, então esperei para ter certeza de que todos do meu time estavam bem antes de sair procurando. Eu tinha visto ela atrás de algumas rochas, então foi para lá que eu me dirigi. Cheguei, aliviada por ninguém mais ter achado ela antes. Desci do hipocampo e arranquei a bandeira do chão. Depois, sabendo que assim que alguém me visse iriam começar a me perseguir, corri, montei novamente no cavalo e o fiz ir o mais rápido possível.
O que mais me preocupava era Nick, o filho de Hermes. Eles podem roubar suas calças e você não perceberia de imediato. Malu havia me visto, mas não me perseguiu. Ao invés disso, ela deu meia volta. Imaginei que fosse avisar Nick. Desviei de mais algumas sereias quando ouvi alguma coisa.
Aparentemente, a tática das sereias não estava mais funcionando. Uma delas havia subido em uma pedra e começou a cantar. Logo, as outras se juntaram à elas. Eu parei e estava preparada para cobrir os ouvidos quando percebi que não estava fazendo efeito algum. Pelo menos, não em mim. Porém, todos os garotos haviam parado o que estavam fazendo apenas para olhar. Então começaram a se dirigir ao local onde as sereias estavam. Muitas das outras que não estavam cantando aproveitaram o momento para puxar os garotos de novo. As garotas tiveram que ir atrás deles, tentando pará-los ou para salvá-los do afogamento. Eu sabia que assim que colocasse a bandeira na pedra, a prova iria acabar e ninguém se machucaria. Por isso, após um instante de atordoamento, continuei seguindo em direção ao local onde deveria deixar a bandeira.
Pelo menos sabia que Nick não poderia roubar a bandeira, ou pelo menos era o que eu pensava. Eu estava a poucos metros do local quando notei que a bandeira não estava mais comigo. Olhei em volta e vi Nick passando ao meu lado, balançando a bandeira para me provocar. Encaixei uma flecha no arco, preparada para fazê-lo derruba-la, quando uma grande onda quebrou em cima de mim, me derrubando. Quando voltei à superfície, vi que Malu havia feito aquilo, e agora Nick já estava na pedra. Ele fincou a bandeira, triunfante, e assim que ele fez isso, as sereias pararam de cantar e desertaram, assim como as harpias. Bufei, com raiva. Os garotos estavam lentamente acordando do transe, e olhavam uns para os outros perguntando o que havia acontecido. Nadei até onde Nick e Malu estavam, agora acompanhados por Dumbledore (que eu não sabia como tinha chegado lá tão rápido). Ele apontou a varinha para a própria garganta e, quando falou, sua voz se propagava, alta o suficiente para todos ouvirem.
– E assim terminamos a segunda parte, com vitória do time de Hécate! — ele diz, apontando para Nick e Malu. — Gostaria de parabenizá-los mais uma vez. Terão outros dez minutos para se secarem e se prepararem para a terceira parte. Boa sorte a todos.
Dizendo isso, ele dá um giro e desaparece no ar com um "POP" muito alto. Enquanto os torcedores do time de Hécate comemoravam, eu fui até onde os dois semideuses estavam.
– Antes de mais nada, como foi que você não foi afetado pelas sereias? — pergunto, olhando para Nick.
– Bem, foi ideia da Malu. Ela meio que me jogou na água, onde eu não conseguia ouvir as sereias, e me falou por linguagem de sinais...
– Que você demorou dois anos para entender. — Malu diz, revirando os olhos. — Gastando nosso precioso tempo com a sua lerdeza.
– Cala a boca. — ele interrompe, sorrindo. — Ela me falou que você tinha pego a bandeira. Então ela pegou a espada e cortou um pouco de tecido, e enfiou nos meus ouvidos de uma maneira super delicada. Acabou que funcionou muito bem. Eu não conseguia ouvir mais nada. Se bem que até agora eu não sei se foi por causa do tecido ou do jeito que ela quase arrancou meus ouvidos.
– O importante é que funcionou. — ela diz, em sua defesa.
– Mas não precisava me encharcar também, né. — digo. Agora eu estava ficando com frio.
– Claro que precisava. — ela retruca. — Você podia roubar a bandeira de novo, e eu realmente não queria perder a prova do meu pai.
Desisto de discutir com ela e então monto de novo no hipocampo para voltar até a praia. Peguei uma toalha e comecei a me secar. Estávamos empatados, e o time de Atena ainda não tinha nenhum ponto. Eles tinham que ganhar a prova de Hades se quisessem nos alcançar. Mas essa parecia ser a mais difícil. Talvez nenhum dos times conseguisse ganhar.
POV Alfred Tames
O meu time estava perdendo, mas eu sabia que isso não ia ficar assim. Eu tinha certeza de que iríamos ganhar a prova de Hades. Certeza mesmo. Estava sentado no chão, esperando o portal se abrir, e Merida se sentou ao meu lado.
– Tudo bem, vou direto ao ponto. — ela diz, enquanto Dean também se agacha perto de nós. — Como você sabia que o dragão iria aparecer?
Todo meu corpo se enrijece e eu procuro uma resposta que não pareça muito absurda. Não podia contar do sonho. Não agora.
– Não sei, só... tive um pressentimento. — digo, com a maior naturalidade que consigo e ambos concordam com a cabeça. Me sentia mal por não contar a eles, principalmente para Dean, que tinha sido meu único amigo por muito tempo. Mas eu não podia. Talvez eles ficassem bravos depois, mas era por um bem maior. Eu tinha que esperar o momento certo para falar, ou todo esse torneio, tudo, iria por água abaixo. Ainda mais agora que eu sabia o que iria acontecer no final.
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