Torneio das dimensões

3 O Treino Da Arena Perdida




A semana passou mais rápido do que Ozen esperava.


Não houve luta.


Não houve descanso de verdade.


Foram dias de conversa.


Dias de entendimento.


E, de alguma forma… ele e Kima acabaram ficando mais próximos.


Mas aquilo não era amizade comum.


Era algo estranho.


Como se os dois soubessem que, naquele mundo, qualquer vínculo podia desaparecer rápido demais.


⸻


Na manhã do sétimo dia, Kima finalmente falou:


— Hoje começa seu treino de verdade.


Ozen levantou o olhar.


— Finalmente.


Ela virou de costas e começou a andar.


— Me siga.


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Eles chegaram a uma estrutura enorme escondida entre prédios antigos.


Uma arena.


Mas diferente da que ele tinha visto antes.


Essa parecia… abandonada.


Ozen olhou ao redor.


— Como você tem acesso a isso?


Kima subiu alguns degraus e respondeu sem olhar pra ele:


— Arenas não têm donos fixos.


— Como assim?


Ela parou no topo da escadaria.


— Para ganhar uma arena, você não compra.


— Você conquista.


Ozen franziu a testa.


— Conquista?


Kima assentiu.


— Toda arena começa “livre”.


— Qualquer um pode lutar nela.


— Mas quanto mais você vence…


— Mais a arena passa a reconhecer você.


Ela virou o rosto levemente.


— E quando você domina uma arena…


— Ela vira sua.


Ozen olhou ao redor, impressionado.


— Então essa é sua?


Kima deu um pequeno sorriso.


— Essa dimensão não tinha dono.


— Agora tem.


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Ozen ficou em silêncio por alguns segundos.


Então falou:


— Um dia… eu vou ser mais forte que você.


Kima olhou para ele.


O silêncio ficou pesado.


Então, pela primeira vez, ela soltou um leve sorriso.


— Então comece tentando sobreviver.


Ela pulou para a arquibancada.


E estalou os dedos.


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Do chão da arena, duas estruturas começaram a se formar.


Metal se contorcendo.


Carne sintética surgindo.


Dois robôs em forma de dinossauros.


Grandes.


Rápidos.


Perigosos.


Kima falou de cima:


— Se você quer me ultrapassar…


— Comece desde o zero.


— E sobreviva a isso.


⸻


Ozen respirou fundo.


E avançou.


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O primeiro robô veio com tudo.


Ozen desviou e acertou um golpe que arrancou um dos braços da criatura.


Mas o segundo reagiu rápido.


CRACK!


A mandíbula metálica prendeu no ombro dele.


— Tch!


Ozen chutou o outro robô com força, usando o impulso para se lançar no ar.


Ele subiu até o teto da arena.


— Então é assim que funciona aqui…


Ele girou no ar.


E desceu como um meteoro.


BOOOOM!


O impacto fez a arena tremer.


Um dos robôs foi destruído.


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Mas antes que ele reagisse…


O segundo apareceu atrás dele.


CRASH!


Uma cabeçada brutal o atingiu.


Ozen perdeu o equilíbrio.


A visão ficou turva.


E ele foi arrastado pelo chão metálico da arena.


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Por alguns segundos… ele não pensou em nada.


Só dor.


Mas então ele voltou.


— Não… ainda não.


Ele girou o corpo e chutou com toda força.


O robô o soltou.


No mesmo instante, Ozen agarrou a cabeça dele.


— Acaba logo com isso.


E apertou.


CRAAAAASH!


A cabeça do robô explodiu em pedaços metálicos.


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Silêncio.


Ozen caiu sentado no chão, ofegante.


Pela primeira vez desde que chegou naquele mundo…


Ele estava exausto.


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Kima desceu lentamente.


Olhou para ele.


— Você demora demais.


Ozen respirava pesado.


— Eles eram fortes…


Kima cruzou os braços.


— Não.


Ela olhou para os restos dos robôs.


— Esses eram fracos.


Ozen ficou em silêncio.


⸻


Três dias depois.


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Kima estava sentada lendo quando falou:


— Existe um jeito de acelerar seu crescimento.


Ozen levantou a cabeça.


— Como?


Ela fechou o livro.


— Existem três flores mágicas neste mundo.


— Com elas, posso criar uma magia que aumenta todos os seus atributos.


Ozen ficou surpreso.


— Então vamos pegar.


Kima balançou a cabeça.


— Não é tão simples.


— Eu não sei onde estão todas.


Ela começou a enumerar.


— Uma está dentro de um vulcão adormecido.


— Outra em um campo de terra viva…


— Cheio de criaturas perigosas.


Ozen sorriu.


— Então a gente vai lá.


Kima o observou por um segundo.


— Não “a gente”.


Ela se levantou.


— Você vai sozinho.


Ozen franziu a testa.


— O quê?


Kima virou de costas.


— Eu te ensinei o básico.


— Agora você precisa aprender o resto sozinho.


Ela olhou para ele por cima do ombro.


— E se quiser sobreviver…


— Voe melhor.


— Porque existem inimigos que também voam.


Ozen ficou em silêncio.


E pela primeira vez…


Ele percebeu que aquele treino não era um caminho fácil.


Era uma sobrevivência.


⸻



E levantou voo.


Enquanto desaparecia no céu…


lembrou das palavras de Kima:


“Uma no vulcão…”


“Outra no campo perigoso…”


E ele pensou:


— Beleza… então começa de verdade agora.