Torneio das dimensões

4 O Despertar Do Vulcão




Ozen voava havia algum tempo.


Finalmente, encontrou o campo da primeira flor.


Ele desceu lentamente e começou a procurar.


Então se lembrou do que Kima havia dito:


— As flores brilham.


— E dá para sentir sua presença dependendo da situação em que estão.


Ozen continuou andando.


Até que viu uma luz amarela entre a vegetação.


Uma flor.


Ela brilhava intensamente.


— Achei você.


Ele se abaixou e a arrancou do chão.


No mesmo instante…


CRAAAAACK!


A terra se abriu.


Depois outra.


E outra.


Três criaturas enormes surgiram do solo.


Pareciam répteis gigantes de pele escura e ossos expostos.


Dagon Crawlers.


Por um instante, Ozen teve um flashback.


A voz de Kima ecoou em sua cabeça:


— Quando arrancar a flor, eles vão aparecer.


— As flores são uma proteção que nós, humanos, não conseguimos enxergar.


Um dos monstros avançou.


SNAP!


As mandíbulas passaram por centímetros do rosto de Ozen.


— Quase?!


Ele levantou voo imediatamente.


Os três monstros ficaram para trás.


Depois de algum tempo…


Ozen voltou ao beco onde ficava a casa de Kima.


Ele entregou a flor.


Kima a observou.


— O que aconteceu?


— Os bichos apareceram…


— Mas eu não estava esperando que fossem tão grandes.


Pela primeira vez, ela sorriu.


Então guardou a flor.


— Agora vá buscar a do vulcão.


Ozen cruzou os braços.


— Tem alguma coisa que eu deveria saber?


Ela o encarou.


— Já ouvi histórias.


— Existe um monstro dentro do vulcão.


— Ele dorme lá dentro.


— Enquanto estiver dormindo, não causa problemas.


Ela deu um pequeno sorriso.


— Mas acho que você ainda é fraco demais para se preocupar com isso.


Ozen ficou vermelho de vergonha.


— O-oi?!


— Onde fica esse vulcão?


Kima apontou.


— Siga reto, passando pela arena onde você apanhou quando chegou.



Pouco tempo depois…


Ozen passou voando acima da arena.


Continuou em frente.


Depois de quase vinte quilômetros…


Ele finalmente viu o vulcão.


Do topo saía uma fumaça fina.


E uma intensa luz laranja podia ser vista de longe.


A segunda flor.


Ozen pousou.


Caminhou até ela.


E a arrancou.


BOOOOM!


Algo atingiu seu rosto.


Seu corpo foi lançado contra o chão.


O impacto foi tão forte que o vulcão inteiro tremeu.


Ozen levantou a cabeça.


À sua frente…


Havia um garoto voando.


— Quem é você?!


O estranho não respondeu.


Apenas sorriu.


— Sempre quis lutar com alguém que também voasse.


Então…


O chão voltou a tremer.


Mais forte.


CRAAAAACK!


A montanha começou a desmoronar.


Lava explodiu por todos os lados.


E algo gigantesco saiu de dentro do vulcão.


Um enorme pássaro vermelho.


Tão grande que sua sombra cobria quase um terço da cidade.


A criatura olhou para os dois.


Então fixou os olhos na flor que estava na mão de Ozen.


Ela abriu as asas.


VENTOOOOOM!


Furacões surgiram.


A terra tremeu.


O garoto arregalou os olhos.


— Então a lenda era verdadeira…


Ele olhou para Ozen.


— Temos que deter isso!


— Eu não sou forte para isso!


— Não importa!


Ele disparou.


E acertou um soco no rosto do monstro.


Nada.


A criatura nem se moveu.


Porque ela só tinha um objetivo.


Recuperar a flor.


Os dois voaram juntos.


Desviaram das garras.


E acertaram um soco simultâneo na barriga do monstro.


Depois outro.


E outro.


Rosto.


Cabeça.


Costelas.


Barriga.


Nada funcionava.


Então…


WHOOOSH!


Uma das asas do monstro atingiu Ozen.


Seu corpo despencou.


Direto para o chão.


O outro garoto ficou sozinho.


Até que sentiu uma presença.


Uma mulher apareceu.


Kima.


Ela juntou as mãos.


— Território Divino…


Ela abriu os olhos.


— Geleiras Cristalinas.


Em um raio de quinhentos metros…


Tudo mudou.


O vulcão desapareceu.


Agora existiam enormes geleiras.


Água.


Cristais.


Parecia outra dimensão.


O monstro rugiu.


E lançou uma rajada de fogo.


Kima respondeu com uma enorme corrente de água.


As duas forças colidiram.


Vapor cobriu todo o lugar.


Mas aquele era o território dela.


Ela controlava tudo.


Silenciosamente…


Apareceu sobre a cabeça do monstro.


Encostou a mão nele.


— Congele.


CRAAAAACK!


Gelo se espalhou pelo corpo inteiro da criatura.


Com dificuldade…


Ela conseguiu congelá-la.


Então o território desapareceu.


Kima caiu de joelhos, completamente exausta.


Olhou para o garoto.


— Procure o Ozen.


— E leve esse monstro para bem longe daqui.



Algum tempo depois…


O garoto encontrou Ozen caído.


Ele o acordou.


— Uma mulher muito forte derrotou o monstro.


Ozen se levantou.


Então percebeu.


A flor não estava mais com ele.


— Espera…


Ele olhou para o garoto.


— Se explica.


O garoto levantou as mãos.


— Meu nome é Kaminari.


— Eu não peguei sua flor.


— Quando você estava caindo, eu ia salvar você.


— Mas essa mulher apareceu.


— Quando fui olhar, ela já estava com a flor na mão.


— E você estava escondido em um canto.


— Acho que ela salvou você.


Ele abaixou a cabeça.


— Por favor… acredita em mim.


Ozen ficou em silêncio.


Depois suspirou.


— Tá.


Kaminari sorriu.


— Obrigado!


Ozen cruzou os braços.


— Mas por que me atacou?


Kaminari ficou envergonhado.


— Eu sempre quis lutar com alguém que voasse.


— Ainda não sou forte para entrar nas arenas.


— Então quando vi você indo para o vulcão…


— Achei que estava treinando.


— E ataquei sem perguntar.


— Foi mal.


Ozen ficou alguns segundos em silêncio.


Depois sorriu.


— Você é forte.


Kaminari abriu um grande sorriso.


— Sério?!


— Além de voar… que poderes você tem?


Kaminari estalou os dedos.


Faíscas surgiram.


— Poderes elétricos.


— Mas ainda estou aprendendo.


Então ele olhou para o céu.


— Tenho alguns compromissos.


— Depois a gente luta de verdade.


Ele levantou voo.


E desapareceu.



Ozen voltou para a casa de Kima.


Entrou.


Mas não a encontrou.


Então ouviu um barulho.


Foi até o quarto.


E a viu sentada na cama.


Exausta.


— O que aconteceu?


Kima levantou o olhar.


— Quem salvou você fui eu.


— Usei um poder muito cansativo.


Ozen abaixou a cabeça.


— E eu ainda perdi a flor…


Kima tirou algo de trás das costas.


A flor laranja.


— Não.


— Eu peguei.


Ozen ficou surpreso.


Então os dois sorriram.


Kima se deitou.


— Vá descansar.


— Você também apanhou bastante.


Ozen deu uma pequena risada.


E pela primeira vez naquele dia…


Os dois simplesmente descansaram.