Topo do mundo
4 Preparativos
Robin e Nami haviam escolhido um espaço para eventos chamado The Foundry. Era no terraço de um prédio, com áreas ao ar livre e cobertas. Elas alugaram em conjunto todos os cômodos disponíveis, incluindo a estufa, a área do bar, e uma sala VIP para alguns dos convidados, essencialmente família, padrinhos, e também para as noivas se arrumarem, trocarem de vestido e coisas do gênero.
Na estufa, foi preparado um lugar para o jantar, com um grande buffet pronto para ser servido, e as mesas dispostas da forma como foram planejadas. Escolher o lugar de cada um foi a parte mais trabalhosa para as meninas.
O terraço era onde aconteceria a cerimônia e, com a sorte das duas, o céu estava aberto, ensolarado, e o tempo ameno. Depois do casamento, o espaço seria modificado para comportar algumas mesas e um espaço para dança, junto com um bar de coquetéis.
Na sala do bar, haveria um outro lugar para as bebidas, além de espaço fechado com sofás e cadeiras para os convidados se sentarem. Por fim, a sala VIP comportava um espaço para as meninas se arrumarem caso precisassem, com banheiros privativos, bem como a família e os padrinhos.
Ao ir inspecionar o lugar com Boa Hancock na manhã do casamento, Robin ficou emotiva. Estava tão lindo. As decorações eram rústicas, mas confortáveis, com belas flores, velas, cadeiras metalizadas, muita madeira e sofás confortáveis. Não era um espaço de alto luxo, talvez diferente do que os pais de Robin imaginaram para ela num passado não distante, mas definitivamente retratava o que ela e Nami imaginavam perfeitamente.
Boa estava agitada, ajeitando os arranjos manualmente caso estivessem milimetricamente fora do lugar.
— Hancock, acalme-se. — Robin pegou na mão dela. — Está tudo perfeito.
— Está mesmo, não é? — Boa acabou dizendo, com um sorriso orgulhoso nos lábios. — Eu escolhi tudo com o maior cuidado. É uma obra de arte. Cada arranjo, cada almofada, tudo foi minuciosamente escolhido.
— A cozinha está preparada para a equipe do Sanji?
— Sim. Já verifiquei os utensílios que ele pediu, e os ingredientes vão ser entregues logo mais. Vou estar aqui para recebê-los. Sanji vai deixar todos os pratos prontos nos réchauds para poder participar da cerimônia com mais tranquilidade. Está tudo combinado.
— E os fotógrafos, câmeras, bartenders...
— Robin, está tudo preparado, te prometo. Só quis que viesse inspecionar os detalhes da decoração para que não houvesse erros. Da organização, cuido eu. Agora... — ela olhou o relógio. — Está na hora de você ir se preparar. Tenho certeza que tem um longo dia de idas ao spa e massagens para receber.
Robin deu um risinho, porque era verdade.
Como o local era aberto, elas haviam marcado a cerimônia para o fim da tarde, enquanto o sol estaria se pondo, e a festa seguiria pela noite. Após um almoço leve, Nami foi com Nojiko e Kaya para curtirem uma tarde de mimos. Junto delas estava Bellemere, e também Hina, sua namorada. Fariam as unhas das mãos e pés, massagens, cabelo, maquiagem e tudo o que tinham direito. Robin ia ser acompanhada por Koala nessa empreitada, além da mãe Olvia, enquanto os padrinhos Zoro, Sanji e Usopp, e o padrasto de Robin, Kuzan, tinham direito a uma tarde no barbeiro também, com algumas mordomias.
Sanji, no entanto, já havia dito que não estava disposto a participar, porque iria cuidar do preparo do jantar. Zoro ficou um pouco decepcionado.
Embora não quisesse deixar transparecer, Usopp percebeu que ele estava um pouco abatido:
— O que houve, cara? — Usopp esfregou o rosto depois que o barbeiro passou uma loção especial. — Como você pode ficar com essa cara, mesmo sentindo sua pele virar de bebê de novo?
— É só cansaço — disse ele. — Viajar para lá e para cá pode ser cansativo.
Zoro fingiu não sentir o olhar de Kuzan, que o encarava com reprovação. Já havia feito o possível para consertar a situação com Sanji, não? Mas o que Sanji pedia para ele ao término do relacionamento era complicado. Zoro nunca fez por maldade. Ele só sabia como a mídia e os canais de fofoca podem ser prejudiciais para as pessoas, e maléficos aos relacionamentos. Ele assistiu o que uma fofoqueira online fez com Robin e Nami, imagine o que a mídia de verdade podia fazer com ele e Sanji. Só queria protegê-lo de ataques pessoais desnecessários. Achava que como se relacionavam só dizia respeito a eles. Em vez disso, acabou ofendendo-o ainda mais, como se sentisse vergonha, e não conseguiu contornar a situação.
Pelo contrário, no entanto, Zoro sentia orgulho de Sanji e não hesitaria em falar sobre isso com o mundo, mas se preocupava com os resultados ruins que poderiam vir disso. Teria que pensar melhor no assunto.
Enquanto isso, Nami estava deitada numa cadeira de massagem. De um lado, Nojiko segurava uma mão, e a outra estava solta no ar.
— Calma, Nami. — Nojiko acariciava a mão da irmã, enquanto ela respirava fundo. — Não se preocupe com nada.
— Não estou tão nervosa assim. Só ansiosa. — Nami mexia os ombros quando a massagista apertava com um pouco mais de força. Seu rosto estava enfiado naquele buraco de mesas de massagem, e ela encarava o chão.
— Deixe sua irmã, Nojiko — Bellemere falou um pouco mais alto, porque também estava com o rosto num buraco de mesa de massagem. — Ela está ótima! Vai ficar ainda melhor quando colocar aquele vestido lindo!
— Você também, Bellemere — Hina falou ao lado dela, com uma voz doce. — É possível que me dê ideias.
— Nem comece — Bellemere se defendeu. — Quem sabe daqui uns anos.
Não era nada de mais, Nami só queria que tudo fosse perfeito. Expectativas normais. Respirou fundo. A massagista era excelente, mas nada parecia tirar a tensão de seus ombros. Queria ficar pronta logo e casar, estar perfeita para ver Robin chorando enquanto ela chegava no altar. Só não podia chorar muito, ou arruinaria a maquiagem. Era difícil pensar em tudo!
Robin, por outro lado, parecia estar tranquila. Ela, Koala e Olvia se divertiram com uma massagem de pedras quentes, conversavam sobre vários assuntos e decidiram qual a cor de sombra que Robin iria usar. Ela não estava tão ansiosa quanto Nami para que a cerimônia corresse bem, porque confiava na organização de Hancock; sua ansiedade era para poder ver Nami e oficialmente passar a vida com ela.
— O que você escreveu nos votos? — Koala perguntou em algum momento.
— Isso é segredo. — Robin lançou um olhar esperto para a amiga, que fez um biquinho triste. — Eu achei que seria difícil, mas falar sobre o que eu sinto pela Nami é tão... fácil. Só precisei escolher as palavras.
— Eu já estou emotiva só de pensar. — Koala suspirou.
— Tenho certeza que o que quer que você decidiu dizer veio do seu coração — disse Olvia. — Será uma cerimônia linda.
Robin sorriu para a mãe, feliz com a reação dela. Ela estava aproveitando o dia genuinamente, relaxando um pouco, porque aquela mulher parecia nunca sossegar. Então, era bom vê-la tranquila durante o dia, sem pensar excessivamente no trabalho ou em outros afazeres quaisquer. Além disso, a presença de Kuzan por um período de tempo mais longo que o normal também parecia estar fazendo bem a Olvia.
Sanji já havia fumado cigarros demais enquanto pensava se poderia passar no barbeiro. Havia pensado o suficiente sobre o assunto e decidido que deveria encarar Zoro como um adulto. No início, a ideia de ir ao barbeiro e passar a tarde com ele por perto parecia um grande incômodo, e a desculpa de trabalhar na comida caía como uma luva. Só que não poderia evitar isso por muito mais tempo.
Decidiu que passaria por lá antes de ir começar os preparativos de vez. Precisava dar um trato na barba de qualquer forma, para o cavanhaque ficar perfeito, então, não poderia fazer mal.
Quando chegou ao barbeiro, os rapazes estavam se preparando para ir passar um tempo na sauna. Usopp ficou feliz ao vê-lo.
— Que bom que veio! — Disse ele, recebendo o amigo com um sorriso. — Se quiser uma cerveja gelada, tem ali.
— Estou bem, não vou beber hoje. — Sanji sorriu de volta.
Ao lado de Usopp, estavam Kuzan e Zoro, os dois de toalha no quadril. Sanji evitou olhar Zoro por muito tempo.
— Vamos para a sauna conosco, depois você passa pelo barbeiro — sugeriu Kuzan.
— Não posso ficar muito — Sanji olhou o relógio na parede. — Mas acho que posso ficar uns minutos na sauna. Não deve fazer mal.
— É, suar todo essa nicotina — Usopp fez uma careta.
Sanji ignorou a implicância e foi tirar a roupa. Seria o teste máximo poder ficar sem roupa, ou com roupas mínimas, perto de Zoro, sem passar vergonha. Claro que nada ia acontecer com Usopp e Kuzan junto deles, mas sabia que podia gerar constrangimentos desnecessários. Zoro sentia uma atração dolorosa por Sanji, e ele sabia muito bem.
E não diferente do que pensou que seria, quando estavam sentados na sauna, conversando, Zoro ficou calado a maior parte do tempo; isso não era anormal para ele, mas Sanji percebeu o olhar dele escapando pelos cantos, espiando enquanto Sanji pousava a mão sobre a barriga ao mudar de posição.
Em seu íntimo, Sanji adoraria ser provocativo, mas preferia se lembrar que sentia raiva e, por isso, não poderia se insinuar.
Ele saiu da sauna antes dos demais, mas quando estava saindo do banho para se vestir, deparou-se com Zoro sentado num dos banquinhos do vestiário. Ele se levantou ao ver Sanji chegar.
— Por favor, Zoro. — Sanji foi logo dizendo. — Não comece.
— Você pode ficar calado um único minuto e me ouvir?
— Não. — Sanji cruzou os braços.
— Ugh. — Fez Zoro, revirando os olhos. — Eu quero você de volta.
— Claro que quer. — Sanji se movimentou pelo vestiário para pegar as roupas. — No seu lugar, eu também iria querer.
Zoro esfregou o rosto. Ele ainda estava só de toalha, o que deixou Sanji desconfortável, porque... afinal, também tinha uma atração dolorosa por Zoro. E cair nos braços dele não seria um desafio.
— O que eu tenho que te dizer para te convencer?
— Não é a mim, Zoro. — Sanji olhou para ele com um pouco de calma dessa vez. — É para você. Você quem tem que ter confiança em nós, se formos ter um relacionamento. Eu não tenho medo do mundo, mas o tempo todo sentia que você tem.
Zoro o encarou por uns segundos, mas não respondeu. Sanji não ficou esperando, porque não tinha tempo de verdade, e não poderia brincar com uma coisa séria como o casamento das meninas. Iria fazer a barba e sair logo para começar os preparativos do jantar. Fez um aceno com a cabeça antes de se afastar para se vestir, e não foi seguido.
Enquanto estava sentado na cadeira do barbeiro, ficou pensando se conseguiu colocar alguma lógica na cabeça de alga daquele homem. Talvez finalmente tivesse usado as palavras certas para que ele entendesse... que não precisavam ter medo se tivessem um ao outro.
Nami e Robin enfrentaram muitas coisas e sabiam que tinham uma à outra nos momentos difíceis. Não por outro motivo que estavam casando, apesar de todas as adversidades e diferenças sociais. Zoro só tinha que entender que eles também poderiam ter isso, caso permitissem.
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