Topo do mundo
2 O vestido perfeito
Nami voltou tarde para casa. A conversa com Sanji foi esclarecedora em vários níveis, mas ainda restava uma preocupação latente. Ela não conseguia evitar.
Todos esses anos que viveu com Robin foram cheios de coisas lindas, memórias incríveis, e belas experiências. Mas também havia as partes baixas, e tudo era cercado de fotos publicadas sem autorização na internet. Bem, elas estavam em público, afinal. Em regra, fazendo algo bem cotidiano: indo ao mercadinho, comprando bebida, passeando no Central Park, fazendo piquenique com uns amigos. Não eram coisas excepcionais, mas ainda assim, havia pessoas interessadas nisso. Era chocante.
Robin lidava muito bem com isso, conseguia tirar humor das fotos bobas que eram publicadas e não perdia nenhum minuto de sono, mas Nami às vezes ficava incomodada. Algum ângulo estranho, um quadril um pouco mais largo, podiam deixá-la bem elétrica. Ela vivia pensando em mandar e-mails reclamando, mas Robin a impedia todas as vezes, com a mesma justificativa: Nami, ninguém está vendo isso, só você.
Era mentira, porque ela via os comentários: nossa, olha os peitões da gata borralheira! Acho que namorar uma ricaça tem suas vantagens.
Do que aquela pessoa estava falando?! Os peitos dela sempre foram enormes.
Nami bufou, fazendo Robin chamar de seu escritório:
— Amor? Já chegou?
— Oi — Nami caminhou até o cômodo. Robin estava de pijama, tomando algo fumegante numa caneca colorida.
— Eu parei de trabalhar há alguns minutos e estou vendo um desenho animado bonitinho. Quer ver também?
— Por que não foi para a sala? — Disse Nami, se aproximando, observando um gato azul e um peixe dourado com pernas na tela de Robin. Então tá.
— Já estava confortável.
Robin deixou a caneca num porta-copos e tocou nos quadris da noiva, trazendo-a para seu colo. Nami sentou-se e a abraçou, olhando-a nos olhos.
— Estava com saudade — disse a morena após um beijo. — Como foi com o Sanji?
— Foi legal. Ele ficou tão feliz por ser nosso padrinho, mas... não sei como vai reagir quando souber que o Zoro também vai ser. Pode ser meio explosivo.
— Sei. Acho que vai ser muito conveniente. — Robin deu um risinho.
Nami estreitou os olhos de forma acusatória.
— É tudo um plano malévolo para juntá-los de novo?
— Espere e verá.
Elas riram juntas e Nami a beijou, aprofundando o beijo rapidamente, fazendo com que Robin logo esquecesse o desenho animado e o chá que bebia para se ocupar com toques carinhosos e apaixonados. Era sempre assim com Robin, sempre despertava belos sentimentos em Nami, enchia o peito de alegria e um calor confortável.
Quando as carícias esquentaram, Nami foi obrigada a fechar a tampa do notebook, porque aquela voz infantil do desenho estava atrapalhando um pouco. Robin não evitou uma risadinha, porque não estava nem ouvindo mais o desenho. Aliás, ela bloqueava facilmente os ruídos externos quando estava ocupada com Nami. Ao contrário, Nami não gostava de barulhos contínuos.
Mas, tudo é adaptável. Robin ergueu as mãos para os seios de Nami sobre a blusa, roçando os dedos nos mamilos por cima do sutiã, fazendo-a estremecer de leve. Nami deitou a cabeça para trás e deixou Robin abrir sua calça jeans, os longos dedos adentrando gentilmente a calcinha, fazendo-a instintivamente abrir as pernas para facilitar o acesso. A cadeira de escritório não era o lugar mais confortável, mas não parecia ter importância.
Os lábios finos e delicados de Robin tocavam o pescoço de Nami de forma sutil, tanto quanto os dedos se moviam rapidamente sobre o clitóris, fazendo-a gemer e se contorcer da forma mais contida possível, já que muito peso e movimento podiam quebrar aquela cadeira. A gentileza das mãos de Robin eram o ponto fraco de Nami, sempre foram. Por isso, não demorou para ela estar com os pensamentos focados, as mãos passeando pelo corpo de Robin, onde conseguisse se segurar, esporadicamente agarrando no couro da cadeira para não machucar Robin com um apertão.
Robin ergueu a blusa e o sutiã de Nami para ter acesso livre aos seios e sussurrou algo sobre como ela era linda, gostosa, e como aquele cheiro a estava deixando inebriada. Nami a puxou para um beijo intenso, movendo os quadris junto com o movimento dos dedos de Robin em seu clitóris, sentindo os espasmos e arrepios tomarem conta de seus membros ao chegar num orgasmo rápido e infalível. Como Robin conseguia era um mistério.
Nami teve que tirar a mão de Robin à força do meio de suas pernas, provocando nela um risinho orgulhoso. Nami mostrou a língua de um jeito bobinho, fazendo pouco caso, mas a trouxe para um beijo lento e cansado, sentindo os dedos úmidos de Robin subirem sua cintura.
— Quer tomar um banho quentinho? — Robin sugeriu, ajudando Nami a tirar a roupa de vez por cima da cabeça.
— Quero. Você vem?
— Já tomei, mas acho que posso tomar outro.
Quando Robin acordou no dia seguinte, Nami já havia saído. Ela ficou um pouco triste por ver o travesseiro vazio, mas sabia que Nami tinha mais coisas do trabalho para resolver antes de tirar as férias que combinou com os chefes para se preparar para o casamento.
Robin tinha a vantagem de trabalhar de forma mais autônoma, com um grupo de pesquisadores, e não tinha horário fixo de trabalho. Podia cuidar dos afazeres de casa mesmo, e as viagens de expedição eram marcadas conforme a disponibilidade de todos, o que impossibilitava viagens surpresa ou responsabilidades que ela não assumiu surgirem de repente.
Assim, naquela manhã, ela preparou um desjejum leve enquanto checava suas notificações no Instagram, lia algumas notícias e assistia vídeos de gatinhos fofos. Ficou pensando que podiam adotar um animalzinho de estimação depois do casamento.
Depois, foi conversar com Koala sobre o encontro que teriam de tarde para procurar um vestido de noiva.
Nami já havia escolhido o dela, e não foi difícil. Nami fez a escolha bem rapidamente, aliás. Ela foi com Nojiko a uma loja que Nico Olvia sugeriu. Quando viu aquele vestido que descia justo até o quadril e se abria numa cauda majestosa, com as costas bem abertas e um decote reto tomara que caia, Nami se apaixonou. Era o vestido perfeito. Quando provou, serviu perfeitamente no corpo, só precisava fazer um pequeno ajuste nas costas para não ficar muito folgado.
Claro que Robin ainda não havia visto o vestido, todos sabem que dá azar ver a noiva antes do casamento.
Robin, por outro lado, decidiu convidar Koala para procurar vestidos com ela. Conheceu a atriz anos antes, quando prestou serviços de consultoria para um filme que ela fez, e elas criaram um laço divertido online, e sempre se encontravam quando Koala estava na cidade. Ao receber o convite, Koala imediatamente agendou uma viagem para Nova Iorque para ajudar Robin a escolher o vestido.
— Eu adoro essas coisas! — disse Koala quando se encontraram no centro. — Quando eu me casei com o Sabo, eu demorei tanto para escolher o vestido que ele ameaçou adiar a data. Tão pilantra! Não se pode apressar a escolha de algo tão importante. Você já tem alguma ideia?
Koala era bem faladeira.
— Eu pensei em algo tradicional, com manga longa de rendas.
— Combina com você, sabia? Podia até ser um vestido nas coxas, mostrar essas pernas poderosas... O que acha?
— Hum. — Robin fez enquanto caminhavam. Iam pegar um táxi ali perto para ir até a loja. — Não sei, mas podemos experimentar.
— Que divertido! — Koala disse enquanto acenava para um táxi que passava na rua. — Eu já sei qual vestido vou usar, é um marsala de uma grife que...
— Koala. — Robin interrompeu. — Você não pode usar marsala, a cor das madrinhas é rosa chá.
— Ah é, eu... espera, o quê?!
Robin riu enquanto entrava no táxi.
Quando desceram do táxi, Koala estava tão animada que mal se continha.
— Eu vou ser madrinha! Nem acredito! — Ela tinha um grande sorriso estampado no rosto sardento.
— Temos um convite especial, mas eu não pude deixar de aproveitar a deixa da nossa conversa. Desculpe não fazer o convite formal.
— Imagina! — Koala a abraçou pela cintura, era onde alcançava. — Eu estou muito feliz. Amei que pensou em mim. Agora, vamos escolher o vestido perfeito para você.
Robin olhou muitos vestidos, mas não estava gostando de nenhum em particular. O que achou mais bonito de todos ficou curto, e não era possível ajustar o tamanho para sua altura. Ficou triste depois disso, e precisou de uma injeção de ânimo de Koala, espumante e uns chocolates que a dona da loja ofereceu para a noiva e sua madrinha.
Estava olhando para si mesma no espelho com um vestido estilo sereia, que realçava bem suas curvas, mas não era o que estava querendo.
— Robin, achamos! — Koala chamou lá fora, junto com a dona da loja, e trazia consigo o que parecia ser o vestido perfeito.
Robin precisou de muita ajuda e delicadeza para colocar o vestido, mas sabia que havia encontrado o que estava procurando. As mangas eram justas com uma renda clássica que cobria toda a extensão do vestido, até os pés. O caimento não tinha suporte, nem uma cauda muito longa. A manga saía dos ombros e formava um decote em V nos seios, e um mais profundo nas costas.
Era tão lindo que deixou Koala em silêncio.
— É perfeito. — Robin murmurou, emotiva. — É o que eu estava procurando.
— Você quer usar véu? — Koala perguntou após fazer uso de alguns segundos para absorver toda aquela majestade.
— Não, combinamos que a Nami vai usar. Eu vou entrar primeiro no altar e subir o véu dela.
— Ah, vai ser tão lindo. — Koala a segurou por trás, nos braços. — Vamos escolher uma fivela para o seu cabelo?
— Não, eu vou usar a mesma que a minha mãe usou no casamento com o Kuzan. Mas preciso de sapatos novos.
— Oba!
O resto do dia, Koala e Robin passearam para procurar um sapato para usar com o vestido. Não precisava ser excepcional, já que estaria coberto, mas tinha que ser confortável e bonito. Elas comeram um café com torta e depois foram passear mais. Koala ficou muito animada com a perspectiva de escolher um vestido novo, mas afirmou que iria procurar em sua loja favorita de Londres.
Depois de encontrar o sapato perfeito, as duas decidiram tomar mais um café ali perto. Após se sentar, Robin olhou o celular e notou que havia uma enxurrada de notificações no Instagram, Twitter e até no Facebook, que ela nem usava muito. Quando abriu a primeira, ficou chocada: era uma foto que alguém tirou da janela da loja, flagrando-a com o vestido que havia escolhido para o casamento.
— Oh não... — Robin chamou a atenção de Koala. — Não acredito. Ouça isso: Achou que íamos perder essa? R. parece ter escolhido o vestido perfeito para seu casamento com N. Não queremos arruinar a surpresa, mas ops!, fizemos de novo. Tomara que não dê azar para as nossas meninas favoritas, mas vocês merecem saber tudo. Deem as boas-vindas à Gossip Girl, de volta a Nova Iorque. Beijinhos.
— Será que é a mesma pessoa?
— Não sei, mas Nami vai ficar arrasada. — Ela chamou um garçom e cancelou o café que havia pedido. — Desculpe, mas preciso ir. Se ela ver isso, eu...
Robin foi interrompida por uma ligação e, quando atendeu, Nami chorava do outro lado da linha.
— Eu não acredito que alguém fotografou você no seu vestido e publicou para o mundo ver! Para eu ver! É muito abuso, Robin!
— Desculpe. — Ela só soube dizer isso.
— Não que eu acredite em azar antes do casamento, mas é uma tradição, eu queria ser surpreendida, e agora estragou sua escolha também. Por que as pessoas acham que têm esse direito?
Nami soluçava e teve que respirar fundo para segurar o choro.
— Nami, eu estou indo para casa.
— Não se preocupe, eu ainda tenho uma reunião daqui a uns quinze minutos. Só vou chegar depois das sete. Essa semana vai ser muito corrida para eu sair de férias sem nada pendente, não quero ouvir de ninguém que deixei os outros na mão para ir me casar. E agora essa...
Ela estava mais calma agora, mas Robin estava com o coração partido.
— Nami, eu...
— Deixa, amor. Tenho que desligar, não posso entrar na reunião com essa cara. Amo você.
Robin não teve a oportunidade de responder.
Ela soltou um suspiro cansado e Koala a acalentou com um toque no ombro.
— Eu vou ficar mais uns dias na cidade, podemos procurar outro vestido, se você quiser...
— Tenho que pensar no que fazer, mas... por enquanto, vou pedir meu café de novo. Acho que pode me ajudar a pensar.
— Aqui tem uns biscoitinhos de amêndoa maravilhosos. Vou pedir para nós.
Robin enfiou o celular na bolsa e segurou o rosto com as duas mãos, derrotada. Claro que não acreditava em azar por causa do vestido, era uma brincadeira, mas certamente preferia que Nami fosse surpreendida em vez de ver o vestido através de uma foto tirada em segredo. Teria que pensar numa solução. Não queria outro vestido, aquele era perfeito. Havia servido tão bem que nem precisava de ajuste. Provavelmente só poderia resolver aquilo com sua noiva.
Foi o que fez. Mais tarde, já em casa, Robin esperou Nami chegar. Levou para ela uns biscoitos de amêndoa que comeu com Koala no café, e preparou um chá fresquinho de laranja com canela, o sabor favorito de Nami. Estava ansiosa para vê-la, e com um pouco de medo, talvez.
Quando Nami chegou, arremessando a bolsa no sofá, Robin rapidamente a recebeu num abraço.
— Sinto muito.
— Eu sei — Nami a abraçou com força, mas parecia exausta.
— Eu quero tomar a decisão com você. Quero saber se você quer que eu troque o vestido.
— Mas é tão lindo... — Nami murmurou, ainda envolta no abraço. — Não dá para vê-lo totalmente na foto, mas com certeza ficou perfeito em você.
— Ficou sim. — Robin sorriu, com a cabeça deitada no topo da de Nami.
— Que saco, essas lojas não poderiam ter janelas.
— Eu devia ter chamado uma lojista em casa, isso não teria acontecido.
— Isso é um absurdo! — Nami se afastou, irritada. — Tolher sua liberdade por causa de uma fofoqueira desocupada, parece que a bestinha gosta de acabar com a alegria dos outros. Deve ser uma infeliz.
— Não tenho dúvida.
— Eu não quero que você troque de vestido por isso. Sei que você ficou feliz com a escolha, eu te conheço. — Nami respirou fundo e se pendurou no pescoço de Robin, fazendo-a se curvar um pouco. — Nada vai me deixar mais feliz do que te ver no vestido que você escolheu, me esperando no altar... pouco importa se publicaram uma foto de metade do vestido na internet para ganhar umas curtidas. Só eu vou saber a sensação de te ver no dia do nosso casamento.
Robin deu um sorriso carinhoso e a beijou.
— Obrigada, Nami. Desculpe por isso. Sei o quanto te incomoda.
— Incomoda mesmo, mas eu amo você mais do que esse incômodo.
— E eu te amo tanto que trouxe uns biscoitinhos de amêndoa... estão te esperando com seu chá favorito.
Nami ficou alegre rapidamente, dirigindo-se com ela, de mãos dadas, até a cozinha. Robin ficou aliviada com a decisão de Nami. Trocaria o vestido caso ela quisesse, sem dúvidas, mas a forma como Nami lidou com a situação foi muito mais madura do que ela esperava. Era para elas, afinal de contas. Era o que importava. Foi melhor assim. E depois, após estar totalmente pronta, com o vestido, os ares seriam totalmente renovados. Aquela surpresa não poderia ser arruinada por nenhuma fofoqueira.
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