Dia 18, Segunda- Feira

Hoje eu faria minha ultima consulta antes de ter Yasmin. Daqui a dois dias faria nove meses. Roberto tinha que trabalhar, então Myka foi comigo ao consultório. Não demoramos muito, mas a médica disse que Yasmin iria demorar mais alguns dias.

– Ok, agora a gente tem que comprar uma roupa decente pra eu ir à reunião. – falei quando entramos no carro.

– Reunião? Você não vai à reunião nenhuma, sua filha pode nascer a qualquer momento! Você vai pra casa e eu vou voltar pra empresa. – disse Mykaella.

– Não! Eu vou nessa reunião nem que esteja morrendo! – pronunciei. – Você precisa voltar ao trabalho, então eu vou só.

– Ai, ok. – disse Myka pegando o celular. – Olha, eu vou pedir à Bárbara pra me encontrar na empresa, ela vai te levar. – Ela tentou, e tentou mas não conseguiu então, ligou pra Bia Pâmella. – Pronto, ela vai te levar, mas ainda acho uma má ideia.

Quando chegamos, demorou menos de 10 minutos até Bia chegar. Fazia meses que não a via, e ela estava bem diferente. Ficamos conversando por uns minutos e depois saímos para as compras.

– Ok, você senta aqui. – disse ela apontando pra um sofá pequeno que havia perto do provador. – E eu vou pegar algumas roupas pra você!

Depois de um tempo ela voltou com quatro blusas, cinco vestidos e duas calças.

– Eu não vou provar isso tudo, não. – protestei.

– Ah, vai sim. Eu achei essas tão lindas! Vai, vai. – ela me colocou dentro de uma cabine e sentou-se no sofá pra me esperar.

Eu provei todas as roupas com combinações possíveis. Ela até pegou acessórios pra complementar, mas eu me sentia horrível. Porém quando experimentei o último vestido, ficou lindo. Ou pelo menos melhor que os outros. Até ela, que era difícil de convencer, achou bom, então levamos aquele.

Dia 19, Terça-Feira

Era noite quando Roberto chegou com um amigo e sua mulher, do trabalho, para o jantar. Eu não estava me sentindo muito bem, então deixei ele cuidar dos convidados e do jantar enquanto eu me deitava um pouco.

– Você está bem? – perguntou Roberto ao entrar no quarto. – Eu acabei o jantar agora, vim ver se você estava bem pra comer.

– Sim, e estou com fome! – respondi. Ele me ajudou a levantar, e então senti uma dor aguda na barriga. – Ah! – gritei. Não era uma dor comum, era algo forte que me fazia contorcer.

– Ai meu Deus, vai nascer? – perguntou ele nervoso.

– Eu não... – tentei falar, mas a dor era maior. Coloquei a mão embaixo da barriga e quando a tirei vi sangue, e me assustei mais ainda.

– Eu vou lhe levar para o hospital! – ele me pegou no colo e me levou até o carro.

Não esperamos muito até a obstetra aparecer e me examinar. Ela disse que fazia parte da gravidez quando se estava perto do parto, por conta do nervosismo, ela recomendou que eu fizesse alguma atividade que não exigisse esforço e que eu pudesse me distrair.

Ela disse que eu precisaria ficar lá nas próximas duas horas, e caso acontecesse alguma coisa, ela poderia diagnosticar uma gravidez de risco, e o parto teria que ser feito.

– Você vai ficar bem, tenho certeza. – falou Roberto segurando minha mão, enquanto me ajudava a deitar.

– Espero que sim. – disse eu ainda sentindo um pouco de dor.

Passamos mais de duas horas ali, talvez quatro, ou cinco, mas depois fiquei melhor e fui mandada pra casa.

Dia 20, Quarta-Feira

Passei o dia em casa, sem fazer nada, então fui arrumando a bolsa de Yasmin, troquei todas as roupas de dentro, mudei tudo de lugar no quarto dela, com dificuldade consegui mudar o berço. À tarde, Andréa veio ficar comigo.

Ela chegou umas 15h, ficamos conversando e vendo filmes, que mesmo não sendo tristes me fizeram chorar... A tarde toda.

Ela preparou brownies para nós e os pôs na mesa de centro.

– Então, quando você vai se casar? – perguntei.

– Casar? Tá muito cedo pra isso! Ele nem tá morando comigo nem nada, e eu estou enrolada com outro cara... Mas acho que ele vai dar certo. – respondeu ela, digitando no seu celular rapidamente. – Que eu vou encontrar, daqui há... Duas horas!

– Ahr, e eu louca pra que essa menina saia logo não aguento mais! Quero poder sair e fazer as coisas normalmente!

Conversamos por mais uns instantes, e depois ela saiu, porque disse que estava atrasada para o encontro, então fiquei em casa.

Mais tarde Roberto chegou do trabalho e tivemos um jantar romântico que ele preparou.

– Então, eu tenho uma notícia... – falou ele.

– O que? – perguntei.

– Eu fui... – ele pigarreou. – Eu... – então começou a tossir. Ele pôs a mão na boca e cada vez tossia mais forte. Ele deu um gole no champanhe, mas continuou a tossir.

Ele se levantou para ir ao banheiro, mas quando chegou à porta caiu desacordado.

Eu surtei. Liguei para a ambulância, coloquei um travesseiro embaixo de sua cabeça e tentei acordá-lo. Não sabia o que fazer.

Os paramédicos logo entraram no apartamento e fomos direto para o hospital.

Ele não demorou muito a ser atendido e foi levado rapidamente para a UTI, disseram que era algo grave, mas não me contaram com detalhes. Eles me colocaram em uma cadeira especial perto do quarto onde ele estava e me deram primeiros socorros, como se essa fosse minha preocupação. Não que não estivesse preocupada com o bebê, mas o foco agora, era ele.

Nunca teve diagnóstico de nenhuma doença nem nada, e agora ele está internado na UTI, sem nem sabermos o que é.

Liguei para Duda vir para o hospital, caso acontecesse alguma coisa. E ela chegou logo.

– Ka, você tá bem? – perguntou ela ao chegar.

– Estou, mas estou preocupada com ele... Não sei o que é, ou o que pode acontecer... – respondi, chorando.

– Calma, eu vou ver se consigo alguma informação. Você não pode se estressar. – disse Duda. Ela se levantou e foi até o balcão próximo de onde estávamos.

Pouco tempo depois ela voltou.

– Olha, disseram que ele está com alguma coisa no pulmão, mas ainda não sabem o que é... Ele ainda não acordou, mas vai acordar em pouco tempo, e a gente vai poder entrar, ok? – falou ela.

– Ai meu Deus, tudo bem... – respondi, tentando me acalmar.

Depois de uma hora, o médico nos permitiu entrar na sala.

– Você tá bem?! – gritei ao entrar no quarto.

– Hey, estou sim. – respondeu ele com a voz falhando.

– Graças a Deus... O médico lhe disse o que você tem? – perguntei preocupada.

– Sim, ele disse que eu tenho um tumor no pulmão, mas...

– O que?!

– Não se preocupe, ele disse que já está marcando a cirurgia de emergência. Quanto mais cedo tirar, mais rápido eu melhoro. – disse ele sorrindo. – Não se preocupe, ok? – ele pegou na minha mão.

– Ahr... tudo bem... Mas quando vai ser isso?

– Mais tarde... Ou amanha, ele não disse ao certo. Mas será logo. – disse ele. – Mas, e aí? Como está nossa Yasmin? Não teve nenhum problema, né?

– Não, não... – falei respirando fundo.

– Ainda bem, você não deve se preocupar, ok? Vou ficar bem.

Dia 21, Quinta-Feira

Nunca estive tão exausta. O médico realizou a cirurgia pouco tempo depois que saí da sala. Claro, fiquei preocupada. A cirurgia atrasou, houve complicações, demorou mais do que devia... No final deu tudo certo. Mas não consegui dormir sabendo que ele poderia não acordar.

Já eram 8h, sentei numa poltrona do lado da cama dele, e o observei. Poucos minutos depois ele acordou.

– Ah, ainda bem! Você acordou! – disse eu pegando no seu rosto.

– Oi. – disse ele sorrindo. – Como me sai?

– Deu tudo certo. Você está bem, agora. – respondi.

– Espero!

Algumas horas depois o médico apareceu e disse que ele só precisaria ficar ali por dois dias, para concluir os exames e para ter certeza de que ele estava realmente curado.

Duda voltou pra ficar comigo e me ajudar, já que eu não podia fazer tudo pra ele. Ela trouxe algumas roupas, escovas de dentes, e coisas básicas, da minha casa, necessárias para nós.

Passamos a tarde conversando no quarto de Roberto. E tinha dado tudo certo.

Notas finais
Próximo Capítulo: Mykaella. (sem data definida u.u)