Tomorrow 7
5 Mykaella
Dia 19, Terça-feira
Assim que cheguei à empresa, Joana, secretária, veio correndo para me entregar um relatório sobre o trabalho que Josh ficou encarregado.
– Mykaella, houve alguns problemas... – começou ela. – o Sr. Copperman não esteve cumprindo seus negócios. Bem, segundo o relatório, ele deveria ter recebido a resposta de Sophia Blanchard, a dona da imobiliária que estávamos negociando. Mas, ele esteve desviando dinheiro todo este tempo. Nada tem entrado em nossa conta desde setembro.
– O que?! Espere aí.
Entrei na minha sala rapidamente e liguei para o setor financeiro. Pouco tempo depois já tinha o orçamento e o lucro da conta da empresa. Estava exatamente igual ao mês passado, como Joana havia dito.
– Não pode ser... – disse. – Thaís tem que voltar! Joana ligue para a dona da construtora, e repasse tudo o que combinamos, veja se ela está ciente de tudo.
Peguei meu celular o mais rápido possível. Quando olhei para a tela havia duas chamadas de Katarina, mas não tinha tempo de retornar, disquei o número de Thaís e esperei. Minutos depois, e ela não atendia. Tive que resolver por conta própria.
Mandei três e-mails para Josh e liguei para o departamento de negócios, esperando que ele estivesse na empresa, mas não estava.
– Mykaella, eu liguei para ela! – falou Joana, vindo em direção à minha sala. – O problema é maior que pensávamos. A Srta. Manson da construtora, disse que ele vem traindo sua mulher com ela, e subornando-a para dirigir dinheiro para sua conta e não para a da empresa.
– O que?! E como ela... Ela aceitou isso? – perguntei.
– Sim, ela ficou nervosa ao falar, mas disse que era a coisa certa, então resolveu denunciar o plano dele. – explicou Joana. – Ah, e ele tem investido em imóveis fora do país, e ele estava com ela há poucos minutos na construtora.
– Ligue para ele, e o traga o mais rápido possível.
Passamos a tarde tentando falar com ele, mas nada. No início da noite, marcamos uma reunião de trabalhadores na empresa, como uma desculpa, para ele aparecer no outro dia, e assim poderíamos pegá-lo de verdade.
Dia 21, Quinta-feira
Era de tarde quando cheguei da delegacia, depois do acontecimento de ontem, tivemos que ir dar depoimento na polícia. Todos ainda estávamos abalados com a morte de Joana e com tudo que havia ocorrido.
– Mamãe! – gritou Emily ao me ver.
– Oi, Ems! Cadê o papai? – perguntei, pegando-a no colo.
– Com o Enzo jogando, no quarto. – respondeu ela.
Quando cheguei ao quarto, Aníbal estava tentando ensinar Enzo a jogar vídeo game.
– Myka! – disse Aníbal. – Como foi na delegacia? – perguntou ele colocando meu cabelo atrás da orelha.
– Ah, foi cansativo. Eu tive que explicar praticamente tudo o que a gente fez na empresa nesses últimos meses, Thaís estava lá comigo, mas foram depoimentos individuais. – respondi abraçando ele.
– Você deveria descansar, fazer alguma coisa diferente. – disse ele sorrindo.
– Ah, é? Tipo o que?
– Ah, sei lá, tipo um piquenique, quem sabe... – ele segurou minhas mãos e me levou à cozinha.
– Um piquenique? – sorri.
– É! Eu estive planejando com as crianças um piquenique, amanhã. Só nós quatro, no parque aqui perto, o que você acha? – perguntou ele animado.
– Eu acho perfeito! Mas, como a gente vai arrumar as coisas...
– Não, isso você deixa comigo, ok? Amanhã, eu só quero que você esqueça tudo o que houve na empresa, tudinho, e venha com a gente, tá bem?
Dia 22, Sexta-feira
Acordei com um barulho vindo da cozinha. As cortinas mais finas estavam fechadas, deixando a pouca luz da manhã entrar. Olhei para o lado e Aníbal não estava lá, provavelmente foi ele que causou o barulho.
Levantei, vesti uma roupa simples e fui à cozinha.
– Bal?
– Bom dia, Myka! – disse ele colocando as últimas maçãs na cesta.
– Bom dia mamãe! – disseram Enzo e Emily correndo para me abraçar.
Minutos depois fomos nos arrumar, eu vesti o vestido que Bia havia feito pra mim, e fui ajeitar as crianças.
Aquele parque não era um simples parque, foi onde Aníbal me pediu em casamento, bem debaixo daquele salgueiro, próximo ao lago. Numa tarde exatamente como essa. E agora depois de anos, estamos de volta com nossos filhos.
Aníbal e Enzo colocaram a toalha, e eu e Emily arrumamos a comida. Enzo logo pegou sua bola e chamou o pai para jogar.
– Bem, vou lá! – disse Aníbal sorrindo e me dando um beijo na testa.
– Tudo bem! Vem Em, vamos colocar os sanduíches. – chamei.
Assim que terminamos de arrumar Enzo e Aníbal correram para onde estávamos e nos puxaram para o campo e acabamos jogando bola todos juntos.
Depois de algumas horas, nos sentamos na toalha e comemos, enquanto contávamos a história do pedido de casamento às crianças.
Quando já era final da tarde, arrumamos as coisas e fomos para o carro. Lembrei que tínhamos que comprar um presente para Katarina, afinal amanhã é o aniversário dela, e a reunião.
As crianças já estavam cansadas demais, então deixamos elas na casa de Miguel, e fomos para ao shopping.
Assim que chegamos, fui direto à livraria procurar o livro que ela tanto falava, e Aníbal foi resolver alguma coisa no banco. E quando de repente me deparo com o amigo de Katarina. Thomas.
– Uhm, oi... – falei, sem certeza de que ele lembrava de mim.
– Oi, Mykaella! – disse ele surpreso e me abraçou.
– Vim comprar um livro pra Katarina, amanhã é o aniversário dela e vamos comemorar. – falei.
– Sim, sim, eu comprei uma coisa... Diferente pra ela, sabe? – disse ele sorrindo. – Você vai para o evento da ONG? – perguntou ele.
– Vou sim! – sorri.
– Então, você vai saber qual é o meu presente! – disse ele animado demais. Sinceramente eu não sabia o que estava acontecendo. – Ah, ela mandou avisar que já voltou pra casa.
– Ah, que ótimo, como ela está? – perguntei. Havia me esquecido completamente de visitá-la, com tudo o que tinha para resolver sobre o “acidente” na empresa.
– Bem melhor, ela saiu esta manhã da minha casa. – sorriu ele.
– Ainda bem! Vou ver se ligo para ela hoje. – falei.
– Tudo bem, te vejo segunda no evento! – despediu-se.
Fiquei extremamente curiosa para saber o que ele havia comprado para Katarina, e porquê ele vai dar justamente no evento. Mas, bem, isso eu só iria saber no dia.
Fui para a sessão de livros, comprei o que ela tanto queria, e voltei para encontrar Aníbal.
Quando estávamos prestes a sair do shopping, ouvimos uma sirene de carro de polícia e ouvimos uns gritos.
– Ai meu Deus, o que é isso? – falei desesperada.
De longe, percebi um homem atirando para cima, mas a medida em que ele ia correndo em direção à entrada do shopping pude ver quem era.
Era um homem alto, loiro, desgrenhado, barba mal feita, e sua blusa estava rasgada na parte do braço, onde havia um pequeno corte. Não reconheci de primeira, mas quando virou-se diretamente pra mim, eu vi. Era Josh.
Aníbal tentou me colocar para dentro do shopping, mas havia muita gente correndo para entrar, e outras, que achavam que o tiro era dentro, sair.
Josh chegava cada vez mais perto, deu dois tiros para o lado dos policiais que planejavam atacá-lo. E meu desespero ia crescendo.
– Segure em mim! – gritou Aníbal. Sua voz era fraca em meio aos gritos, mas eu pude ouvir. – Segure!
– Não! – ele tentou ficar na minha frente, quando viu que a arma apontava para a gente. – Aníbal, não! – gritei.
E então o tiro.
Fale com o autor