Together By Fate.

36 Capítulo 35 - Tortura.


Quarta, 20:30

Pov Sophia

- Sabe, Bernardo, sua avó me ligou. – Ares começou a falar enquanto nós jantávamos fazendo com que Bernardo franzisse as sobrancelhas
— Minha avó? – ele questionou surpreso – A mãe da minha mãe?
— Ela mesma. Ela disse que está com saudade de você e disse que talvez você pudesse ir passar as férias com ela. Já que as férias são mais longas e tudo mais. – Ares disse naturalmente enquanto eu, Bernardo e minha mãe – que parecia ter sido pega de surpresa – encarávamos ele
— As férias... Com a minha avó? – Bernardo falou devagar – Pai, eu odeio a minha avó.
— Ela é sua avó, mãe da sua mãe. A única lembrança que ela tem da sua mãe é você...
— Ela me culpa por a minha mãe ter morrido... – Bernardo interrompeu o pai, que interrompeu ele
— Se culpasse não ligaria dizendo que sente saudades.
— Ok, ok. – Bear disse de maneira definitiva, como se quisesse encerrar o assunto — E o que você disse a ela?
— Eu disse que você iria. – assim que Ares disse isso, Bernardo engasgou com o suco
— Você disse o que? – ele perguntou enfrentando o pai
— Que você iria e você vai. – Ares disse de maneira autoritária. Bernardo encarou a mim e a minha mãe e só faltou gritar por socorro
— Ares, o Bernardo é bem grandinho pra saber aonde quer ir. – minha mãe argumentou
— Eu discordo. – Ares rebateu arrogante
— E você vai obrigar ele a ir? – eu disse encarando Ares
— Eu sou pai dele... – ele começou a dizer
— É pai, mas não é dono. – eu rebati irritando-me
— Sophia! – minha mãe me repreendeu
— Sophia o cacete, mãe! Esse cara acha que pode mandar em todo mundo, acha que é Deus. – eu disse me levantando — Prepotente, arrogante, autoritário. – eu completei enumerando os defeitos do meu padrasto
— Olha o respeito, menina! – Ares vociferou enquanto eu subia as escadas
— Eu respeito quem se dá ao respeito. – eu respondi já subindo.

Algum tempo depois, Bernardo irrompeu pela porta do meu quarto.
— Você só piorou as coisas. – ele disse batendo a porta
— Só piorei? – eu disse indignada – Eu fiz o que você deveria ter feito! – eu disse elevando a voz
— Eu deveria ter feito o que, Sophia? Brigado com meu pai? Enfrentado ele? – ele perguntou irritado
— Deveria mesmo! Deveria ter tomado uma atitude! Deveria ter coragem pra enfrentar ele...
— Coragem e atitude são coisas totalmente diferentes de falta de respeito! – ele disse me interrompendo
— Eu já disse que eu respeito quem se dá ao respeito! – eu exclamei irritada – E convenhamos, o seu pai não se dá muito, né? – ironizei
— Como é que é? — ele perguntou num misto de surpresa e incredulidade
— É isso mesmo! Seu pai é um arrogante, Bernardo, um prepotente que acha que impõe moral na marra...
— Não fala do meu pai! – Bernardo disse gritando
— Não é pra falar do seu pai? Então vai lá, Bear querido! Faz o que o seu pai tá mandando, meu amor! Vai pra casa da avó que te odeia e que vai fazer da sua vida um inferno! Vai e me deixa aqui! – eu disse no mesmo tom de voz que ele. Bernardo respirou fundo
— Então é esse o problema? É você não querer ficar longe de mim? – ele disse tornando a voz aveludada e se aproximando de mim
— Não muda o foco do assunto! – eu disse me afastando dele
— O que é que você quer que eu faça, Sophia? – ele perguntou impaciente e tentando se reaproximar
— Quero que você faça o que quiser, Bear. Eu só quero que você tenha vontade própria. – eu disse cansada
— É complicado, Sophia. Eu posso enfrentar qualquer pessoa, menos o meu pai... – ele respirou fundo — Vem comigo... – ele disse num tom de suplica – Vai ser mais fácil encarar ela se você tiver comigo.
— Não, eu não vou com você. – eu disse negando com a cabeça – Você não tá fazendo isso porque você quer e sim porque o seu pai acha que é certo. Você tá fazendo isso pra agradar ele e eu não vou compactuar com isso. – eu completei um tanto quanto rude
— Sophia... – ele tentou argumentar
— Chega, Bernardo. – eu disse andando até a porta e abrindo-a — Vai, faz o que o seu pai tá te pedindo e quando você voltar a gente conversa.
— Você tá terminando comigo... De novo? – ele perguntou tão confuso que chegou a ser engraçado
— Não to terminando!. – eu comecei a explicar me segurando para não rir – Vai e quando você voltar a gente conversa, já disse.
— Bom saber que você manda na relação. – ele ironizou
— Manda quem pode, obedece quem tem juízo. – eu disse no mesmo tom enquanto indicava a porta aberta com a cabeça – Vaza.
— Sem nem uma despedida antes? – ele disse se aproximando daquele jeito sexy de sempre
— Você que quis assim. – eu provoquei enquanto dava de ombros.

*

Ao contrário do que eu o fiz pensar, nós tivemos uma despedida sim. Rápida – uma madrugada toda é rápida? -, mas extremamente intensa. Na manhã seguinte, assim que Bernardo foi, eu não pude deixar de sentir raiva. Dele, do pai dele, da maldita avó dele e até mesmo da minha mãe, que não faz nada para impedir o marido dela.

Pela primeira vez desde a chegada de Ares e Bernardo na minha casa, eu me senti sozinha. Eu sentia falta dos olhares que Bernardo me dava durante o almoço/jantar, sentia falta das provocações e das piadinhas dele, sentia falta da estupidez e de toda ogrice natural dele, sentia falta dos toques, dos beijos e até do cheiro dele. Posso dizer que foram os três meses mais depressivos e lentos da minha vida e eu que me arrependi de não ter ido com ele durante todos os segundos que nós passamos longe um do outro. Ficar longe de Bernardo, por um lado, tinha sido bom, porque eu havia tido muito tempo pra pensar nele, na nossa relação e no que eu sentia por ele. E nesse tempo pensando, eu só confirmei o que eu já imaginava. Estava loucamente, perdidamente, intensamente – e todos os entes possíveis — apaixonada por Bernardo.

Pov Bernardo

Foram os três meses mais insuportáveis de toda a minha vida. Minha avó morava numa fazenda, isolada do resto humanidade. Apesar dos meus primos e primas e tios e tias que enchiam a casa, eu me sentia incrivelmente só e apenas uma pessoa me vinha a cabeça. Sophia. Cada momento que eu passava longe dela era como uma eternidade. Eu queria a minha baixinha sabidinha de volta. Eu precisava dela. Queria ter ela nos meus braços, queria o corpo dela no meu, queria os beijos dela, as broncas, as patadas, queria ver o sorriso dela. Era torturante ficar longe e ter que fingir estar bem. Três meses era muito tempo. Muito mesmo. Muito tempo pra pensar e pra fazer descobertas. A primeira dessas descobertas era que eu não aceitaria mais nada que meu pai me impusesse, por mais que fosse bom. E a segunda, era que quando eu encontrasse Sophia, eu nunca mais iria deixar que ela ficasse longe de mim.

Notas finais
Esse capitulo deu uma bela adiantada na história. :) Desculpem a demora! Foi fofinho né? Gostaram?