Together By Fate.
16 Capítulo 15 - Mocinha e mocinho.
Notas iniciais
Segunda-feira, 18:28
Pov Sophia
De vez em quando, minha escola resolve fazer umas pegadinhas e nos deixar presos nela até quase 19:00. Hoje era um desses infelizes dias. Eu estava presa numa aula de história em que só eu parecia prestar atenção. Eu sempre gostei muito de história, meu pai era professor e estudar história era uma das únicas maneiras que faziam eu me sentir perto dele. Afastei os pensamentos sobre meu pai. Olhei para o meu lado direito e Thalassa lixava as unhas. No meu lado esquerdo, Helena rabiscava inconscientemente o caderno. Olhei para trás e na mesma fileira que eu, porém no fundo da sala Bernardo escutava musica com fones de ouvido, do lado direito, Pietro encarava o nada e no lado esquerdo, Páris dormia com a boca aberta. O resto da sala estava tão perdido quanto eles. Eu revirei os olhos e voltei a encarar o professor. Alguns segundos depois meu celular vibrou.
“Você tem 1 nova mensagem: Bernardo
Você tem 1 nova mensagem na rede social.”
Mensagem na rede social? Essa hora? Quando eu chegasse em casa eu olharia. Encarei o celular por algum tempo e abri a mensagem de Bernardo.
“Vai querer ir pra casa sozinha no escuro, mocinha? k”
“Tenho outra opção?” – eu respondi.
“Claro que tem! Se quiser me esperar... Eu vou dar uma passada na coordenação de esportes e vou. Coisa rápida.”
Eu parei, pensando por alguns poucos instantes.
“Ok, eu espero.”
Assim que eu respondi a mensagem o professor liberou os alunos. Esperei a maioria dos alunos saírem e sai da sala com Thalassa e Helena atrás de mim, já no celular ligando para seus pais. No corredor cruzamos com Pietro e Páris. Eles trocaram sorrisinhos e Páris disse
– Soph, o Bear tava atrás de você.
– Onde ele tá? – eu perguntei
– Ele foi pra a coordenação de esportes. – Pietro disse enquanto abraçava Tessy de lado e Páris pegava Helena pela mão. Eu, segurando vela desde sempre para sempre.
– Ah ok, ate amanhã, casais. – eu disse deixando os quatro a sós.
– Até amanhã, Soph! – escutei eles dizerem em uníssono enquanto eu descia as escadas e rumava para a coordenação de esportes. Quando eu cheguei lá, olhei pelo vidro da porta e Bernardo estava lá, conversando animadamente com um monte de outros garotos que eu conhecia de vista e alguns professores. Quando ele me viu fez sinal com a mão para que eu esperasse, eu apenas assenti com a cabeça. Coloquei os fones de ouvido e fiquei esperando encostada na parede. 5 minutos e nada de Bernardo sair. Resolvi me sentar no chão e esperar. 10 minutos e eu já estava impaciente. 15 minutos. 20 minutos. Quando iam dar 25 minutos, eu decidi não esperar mais. Me levantei, peguei minha mochila e andei até a saída. Me deparei com o portão de entrada dos alunos fechado. Eu teria que sair pela secretaria. Dei meia volta e andei ate a secretaria, passando pela frente da coordenação de esportes. Nem me dei o trabalho de olhar para ver se Bernardo estava ou não saindo. Não precisava dele pra ir comigo até em casa... Que mal tinha? Eram só algumas quadras da escola para minha casa. Eu sai da escola dando boa noite para o segurança enquanto eu passava. E ele disse me fazendo parar.
– Sophia, seria melhor você ir com alguém ou chamar um táxi. Não é muito bom uma mocinha andar essa hora sozinha.
– Obrigada, João... Mas eu não tenho com quem ir.
– Então tome cuidado, ok? Essa cidade é um perigo a noite.
– Tomarei. – eu disse sorrindo e recomecei a andar. Eu andava rápido, seguindo o ritmo da musica que eu escutava que era This is War de 30 Seconds to Mars, a musica e o perigo iminente de um assalto ou coisa pior não me deixavam pensar em nada. Quando eu estava a mais ou menos 1 terço do caminho, eu senti uma mão forte e quente segurar meu braço. Eu gelei e um arrepio percorreu minha espinha. A pessoa que me segurava me girou e quando eu encarei-o, eu dei de cara com Bernardo. Minha primeira vontade foi enchê-lo de tapas. E foi isso que eu fiz.
– Que susto, Bernardo! – eu disse enquanto distribuía tapas pelo corpo dele. Ele soltou alguns “ai!” antes de segurar meus braços com uma força desnecessária, pra variar. Ele não sabia a força que tinha.
– Que merda, Sophia! Você disse que iria me esperar! – ele disse me olhando irritado.
– Você demorou demais, eu resolvi vir embora. – eu disse me soltando dele, dando de ombros e recomeçando a andar agora com ele ao meu lado.
– Eu não demorei. – ele disse indignado.
– 25 minutos? Pra falar sobre alguma besteira de esporte? Fala sério, Bernardo!
– Ah... Talvez eu tenha demorado um pouco sim. Mas você não podia ter vindo sozinha.
– E porque não? O Bicho papão vai me pegar? – eu disse com sarcasmo.
– Você quase foi assaltada uma vez, lembra?
– Claro que lembro né, animal! Eu só não me lembrava de que você se preocupava com o risco deu ser assaltada. – ele franziu o cenho, como se o que eu disse tivesse pego ele de surpresa. Depois de algum tempo ele parou de caminhar e me puxou pelo braço, me fazendo parar também.
– Eu não me preocupo.
– E por que veio correndo atrás de mim? – eu disse me aproximando dele. Ele se aproximou mais, praticamente colando nossos corpos.
– Eu não queria deixar a mocinha em perigo. – eu arqueei as sobrancelhas e falei provocando-o.
– E se eu não for a mocinha? – eu me aproximei ainda mais, deixando nossos rostos a centímetros.
– Melhor ainda, porque eu nunca disse que era o mocinho. – ele se aproximou e quando eu senti que ele ia me beijar, eu mordi meu lábio inferior e me afastei. Ele me olhou incrédulo fazendo com que eu sorrisse. Antes que ele falasse alguma coisa, eu saí correndo, rindo como nunca. Eu escutei ele gritar “Puta que pariu, Sophia!” e senti ele vir correndo atrás de mim. Ele poderia ser bem mais forte que eu, mas eu era mais rápida.
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