Together By Fate.
17 Capítulo 16 - Pesadelo e uma conversa suspeita.
Notas iniciais
Segunda, 21:55
Pov Sophia.
Felipe Bórgia diz: Amanhã você vai ter uma surpresa, corujinha.
Era isso que dizia a mensagem na minha rede social. Eu me assustei. Por dois motivos: Eu não imaginava que Felipe fosse falar comigo e muito menos que tivesse uma surpresa pra mim. O outro motivo era ele se lembrar do nosso apelido de quando nós namorávamos. “Corujinha e peixinho” eu ri sem humor ao lembrar do meu namoro com Felipe. Fechei o notebook e senti que a qualquer momento as lágrimas viriam. E elas vieram com uma força enorme. Eu me deitei na cama e felizmente, ou infelizmente, o choro não durou muito tempo. Eu estava tão cansada que peguei no sono logo depois.
Meus sonhos foram turbulentos. Primeiro eu estava me afogando num mar castanho avermelhado. A cor não me era estranha, é como se eu já tivesse visto ela em algum lugar. A sensação era aterrorizante, era como se alguém me puxasse e não me deixasse subir. Quando eu finalmente conseguia ir para a superfície eu estava numa estrada, na cena de um capotamento. Era horrível. O carro capotado e o corpo de um homem preso nas ferragens. Os livros que ele sempre levava no carro, rasgados e molhados por causa da chuva que caia. Brinquedos e uma cadeirinha de criança espalhados pela pista. Eu gritava por socorro, mas ninguém parecia vir, ninguém parecia escutar. Quando a ajuda chegava, ninguém conseguia me ver. Depois de algum tempo, eu vi uma mulher chegar com uma menina no colo. A mulher gritava e a menina chorava muito aninhada no colo da mãe. O homem era meu pai. A mulher minha mãe e a menina era eu. Eu acordei gritando.
Pov Bernardo.
Terça, 01:45
Eu acordei com o grito de Sophia e antes que pudesse pensar em qualquer outra coisa eu já estava correndo pro quarto dela. Antes que eu abrisse a porta, o grito parou. O que teria acontecido? Uma barata? Uma aranha? Um rato? Entrei no quarto e encontrei ela numa situação ainda pior que a de ontem. Sentada, com a cabeça apoiada nos joelhos, os braços em volta do rosto. O corpo tão coberto de suor que o baby doll preto que ela usava estava encharcado. Ignorei o jeito como ela estava vestida e tentei focar em outras coisas. Ela tremia e chorava muito. Fechei a porta e me aproximei devagar.
– Sophia? – eu chamei baixo enquanto me sentava ao lado dela. Ela chorava muito e isso me deixava muito aflito. Eu fui tomado por uma vontade inconsciente de fazê-la parar de chorar. De protegê-la. Eu toquei as costas dela delicadamente e ela me encarou. E os olhos dela estavam entre um azul escuro e um cinza nublado.
– Desculpa ter te acordado. – ela disse com a voz trêmula enquanto as lágrimas escorriam pelo rosto dela. Mesmo sabendo que ela não deixaria, eu tentei enxugar as lagrimas e para a minha surpresa ela não tentou tirar minha mão como das outras vezes. O rosto de Sophia era macio e ela pressionava os lábios tentando conter o choro. Sem perceber, eu comecei a acariciar o rosto dela. Era engraçado como isso fazia alguma coisa dentro de mim se mexer.
– O que aconteceu? – eu perguntei preocupado. Sophia não me encarava e eu percebi que a qualquer momento ela começaria a chorar. – Ah, Soph. — Eu disse meio que num gemido e abracei-a. Ela não relutou. Pelo contrário, ela se aninhou em meus braços, da mesma forma que no dia anterior.
– Foi um pesadelo. – ela disse com a voz trêmula – Com o dia que meu pai morreu. Foi horrível, Bernardo. – eu não sabia o que falar. Não tinha sido um pesadelo comum. Eu não sabia como o pai de Sophia tinha morrido, até porque ela nunca tinha conversado comigo sobre isso, mas deveria ter sido algo realmente horrível.
– Sophia, já passou ok? Durma. – eu senti ela ficar tensa e a respiração dela se tornou mais pesada
– E se eu sonhar de novo? – ela sussurrou e eu apertei mais o abraço
– Se você sonhar de novo, eu vou estar aqui. – isso era muito estranho. Até poucos dias atrás eu não suportava nem estar no mesmo lugar que Sophia e agora eu estava aqui, servindo de travesseiro e tentando fazer com que ela não tivesse mais sonhos ruins. E o pior, além de estar totalmente confortável, eu estava até gostando de toda essa estranha proximidade. Escutei ela suspirar e logo depois a respiração ficou leve e o corpo amoleceu. Assim como no dia seguinte, não demorou muito para que depois que Sophia dormisse, eu dormisse também.
*
Quando eu acordei, Sophia, assim como no dia anterior, não estava mais na cama. Conclui que ela não estava no banheiro porque a porta estava aberta. Olhei no relógio e eram 6:20. Eu iria me atrasar. Corri pro meu quarto, fiz minhas higienes e tomei um banho rápido. Peguei a primeira roupa que vi, me vesti, peguei minha mochila e desci as escadas correndo. Assim, rápido, sem tempo de pensar em nada. Quando cheguei na sala, Sophia estava deitada no sofá, escutando musica nos fones de ouvido tranquilamente. Quando ela me viu, se levantou.
– Como sempre eu tenho que esperar você né? – ela disse, soando reclamona demais até pra ela. Eu olhei pra ela incrédulo. Não eram nem 7 da manhã e ela já estava me irritando. Andei até a porta.
– Você deveria ter me acordado! – eu disse enquanto abria a porta. Nós saímos e só quando nos começamos a andar, ela respondeu.
– Você é bonitinho demais dormindo. – eu olhei pra ela e arqueei a sobrancelha. Aparentemente, não era só pra mim que as coisas estavam mudando.
*
Andamos o resto do caminho em rápido e em silêncio, não levou muito tempo e chegamos. Quando chegamos, por incrível que pareça, o colégio estava vazio. Sophia pediu para que eu segurasse a bolsa dela e foi no banheiro. Eu andei até o pátio e fiquei sentado esperando por ela. Pietro, Páris, Thalassa e Helena ainda não tinham chegado. Pessoas chegaram, o colégio encheu, as pessoas foram para sua sala e nada de Sophia. Fazia uns 15 minutos que ela tinha ido quando Pietro e Páris chegaram. Pouquíssimo tempo depois, quase como se tivessem combinado, Thalassa e Helena chegaram também.
– Ué, cade a Soph? – Helena perguntou a mim apontando para a mochila de Sophia, que estava ao meu lado.
– Ela foi ao banheiro tem um tempão e ainda não voltou. – eu disse calmamente.
– E você nem pensou em ir atrás dela, bonitão? – Thalassa disse pegando a mochila de Sophia e andando em direção ao corredor onde ficavam os banheiros. Pietro, Helena e Páris a seguiram. Eu revirei os olhos insatisfeito e fui atrás.
Quando achamos Sophia, ela não estava no corredor dos banheiros. Ela estava no corredor das salas de aula. Encostada no armário dela, ela parecia tensa, enquanto um garoto, que eu conhecia de algum lugar conversava com ela. Ela tentava se esquivar enquanto ele falava cada vez mais próximo dela. Escutei Thalassa e Helena arfarem. Helena sussurrou para Thalassa, mas eu consegui ouvir.
– É ele, Tessy!
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