Together By Fate.

15 Capítulo 14 - Amigos?


Pov Sophia.

Segunda, 6:00

Quando eu acordei Bernardo ainda dormia profundamente. Fiquei um tempo aninhada no peito dele, evitando me mexer e sentindo o cheiro dele. Era estranho, mas era extremamente confortável. Deitada ali, eu vi que se Bernardo não tivesse feito o que fez, eu provavelmente teria chorado a noite inteira. Isso foi legal da parte dele. Apesar de toda a minha brutalidade, ele ficou ali e ao modo dele, me ajudou a esquecer do que tinha acontecido. Enquanto eu pensava nisso, minha barriga roncava e me lembrei de que tinha algum tempo que eu não comia de verdade. Respirei fundo e me levantei tentando me mover o mínimo possível para não acordar ele. Quando eu consegui ficar em pé sem acorda-lo, eu pude ver o rosto dele. Bernardo não era feio, pelo contrário, era até bem bonito. Enquanto ele dormia, a boca dele ficava meio aberta, – não aberta do tipo “oi, estou babando” aberta do tipo fofinho – ele puxava o ar pelo nariz e soltava pela boca, formando até um biquinho. Eu sorri vendo aquilo. Minha barriga me acordou dos meus devaneios e me trouxe de volta a minha realidade mais urgente. Minha fome.

Desci as escadas fazendo o mínimo de barulho possível. Corri até a cozinha e enquanto enchia uma tigela com cereal e leite, meu pensamento vagava entre Felipe e Bernardo. Felipe era meu passado, um passado negro e muito ruim, já Bernardo era... Franzi as sobrancelhas ao comparar Felipe e Bernardo. Bernardo não era nada, nem meu amigo. Era estranho pensar nele como qualquer outra coisa. Sem perceber, eu já estava sentada na mesa comendo mecanicamente quando Bernardo entrou na cozinha e me encarou como se esperasse eu dizer alguma coisa
– Bom dia. – eu disse e ele me olhou arqueando a sobrancelha, com um ar incrédulo
– Bom dia... – eu sorri de lado e continuei comendo. – O que deu em você hoje? – ele disse com um ar divertido
– Dormi muito bem. – eu disse sem pensar e depois me amaldiçoei mentalmente por causa do sorriso enorme que ele deu enquanto ia em direção a geladeira preparar o café da manhã dele,
– Foi? Bom saber. Precisando... Só chamar. – ele disse rindo, fazendo com que eu risse involuntariamente. Olhei para o relógio e vi que se não corresse iria me atrasar.
– Vou me arrumar, ou vou me atrasar. – eu disse me levantando enquanto ele se sentava. Antes que eu pudesse sair da cozinha, ele disse baixinho
– Quer que eu te espere? – eu parei e olhei para ele incrédula. Eu poderia ter respondido que não, mandado ele se fuder e dizer que já tinha dado essa coisa de amiguinhos. Mas, sem saber o motivo, eu resolvi dar uma chance.
– Pode ser. – e subi as escadas antes que ele me respondesse.

Cerca de 40 minutos depois, nós estávamos saindo de casa a pé. Bernardo andava com as mãos nos bolsos e eu com os braços cruzados, num silencio constrangedor, daquele tipo onde muitas coisas devem ser ditas, mas ninguém tem coragem para dizer. Seguimos em silencio e pra mim era até melhor assim. De vez em quando, Bernardo olhava pra mim e sorria. Era inevitável sorrir também.

*

Thalassa e Helena já pareciam ter esquecido o que aconteceu sexta e no intervalo estavam mais preocupadas em me contarem o que aconteceu depois que elas saíram da minha casa com Páris e Pietro. Já eu, estava mais preocupada em comer sem que ninguém me atrapalhasse. Enquanto elas falavam, eu procurava uma mesa vaga no refeitório, e a única que tinha cabiam 6 pessoas. Resolvemos sentar naquela mesmo.
– Sophia querida, você não imagina a pegada que ele tem. – Tessy suspirando enquanto se referia a Pietro. O comentário dela só deu brecha para que Helena começasse a falar de Páris também.
– Sabe, eu pensei que o Páris fosse só um gatinho engraçadinho... Mas não Soph! Ele é maravilhoso!
– Uau. Meus parabéns. – eu disse sem prestar muita atenção. Elas repararam que eu não estava prestando muita atenção.
– O que aconteceu, Sophia? – Tessy perguntou parando de suspirar por Pietro.
– É, a gente tá aqui, totalmente empolgadas e você ai, viajando. – Hele completou. Eu empurrei a bandeja do meu lanche pra longe, desistindo de comer.
– Felipe. – elas me olharam confusas.
– Que Felipe? Seu ex? – Helena disse franzindo as sobrancelhas
– O próprio. Ele tá solteiro.
– E o que você tá pretendendo fazer? – Tessy disse – Voltar a falar com ele? – eu não respondi e ela encarou isso como um sim. Mas não era um sim... Era só um talvez.
– Sophia, aquele cara te traiu! Te deixou mal durante meses! Pelo amor de Deus, não me inventa de ir atrás dele! – Helena disse naquele tom maternal que ela sempre usava para dar conselhos a mim e a Thalassa. – Até porque isso foi ano passado! Você já esqueceu ele né? – pelo visto, a minha expressão entregou que não, eu não tinha esquecido Felipe. – PELO AMOR DE DEUS, SOPHIA! – Helena disse quase gritando. Ela abaixou o tom quando a cantina inteira olhou pra ela – Sophia, esquece esse cara!
– Sabe do que você precisa, Soph? De um namorado! Tá mais do que na hora de virar a página. – Thalassa disse como se arranjar um namorado fosse a coisa mais fácil do mundo.
– Thalassa, sou eu, Sophia, a nerdzinha esquisitinha e feia lembra? – quem respondeu a minha pergunta foi Pietro, enquanto se sentava ao lado de Thalassa.
– Olha Soph, nerd e esquisita você pode até ser, mas feia você não é não! – ele disse num tom divertido, enquanto Páris se sentava ao lado de Helena e Bernardo se sentava de frente pra mim. Páris e Bernardo riram do comentário dele.
– Obrigada, Pietro. Você também não é feio não... É só intrometido mesmo. – eu disse fazendo com que todos rissem. Pietro realmente não era feio. Ele tinha cabelos bem pretos e olhos azuis — que ao contrário dos meus que eram quase cinzas e pareciam tempestades – eram elétricos. Além disso, ele era bem forte, do tipo definido. Mesmo ainda era o mais baixo dos três meninos. Já Páris, tinha cabelos castanhos escuros cacheados, olhos cor de âmbar e pele morena clara, alto, tinha um porte bem atlético. Se eu não soubesse que ele é humano, diria que ele é um elfo. Enquanto eu pensava em Páris e Pietro conversas e risadas tomaram conta da mesa. Thalassa, Helena, Páris e Pietro conversavam animadamente, já Bernardo me encarava rindo. É... Há coisas que não se pode fazer junto sem acabar virando amigos. O que aconteceu sexta-feira era uma dessas coisas.


Notas finais
tão gostando?? Obrigada por toooodos os reviews! apesar de não ter muito tempo pra responder eu leio e adoro todos! vocês são demais! beijoos