Together By Fate.
14 Capítulo 13 - Desabafo molhado.
Domingo, 21:00
Pov Bernardo
Eu não falava com Sophia desde o dia anterior quando Pietro, Páris e as amigas dela foram embora. Logo depois da nossa discussão ela havia se trancado no quarto e não tinha saído pra nada. Eu me perguntava como ela estava fazendo para comer, já que não vi ela sair nem para isso. Eu pensava nisso enquanto escutava música deitado na minha cama e decidi que iria falar com ela. Afinal, se ela tivesse morrido ainda dava tempo de fugir, certo? Tirei os fones de ouvido e andei sem pressa nenhuma até o quarto dela sem me preocupar com o fato de estar descalço e sem camisa. Quando cheguei no quarto dela, a porta estava fechada como de costume. Parei pensando no que iria falar e decidir não pensar e fazer o que eu era melhor: só improvisar. Respirei fundo e bati duas vezes na porta. Como não obtive resposta, bati de novo. E de novo. E de novo. Até que resolvi perguntar.
— Sophia, você tá bem? – novamente sem resposta. Eu já estava ficando realmente preocupado quando arrisquei ver se a porta estava destrancada e para a minha surpresa estava. Abri a porta devagar tentando não fazer nenhum barulho para o caso dela estar dormindo, mas ao contrário do que eu pensava, ela estava acordada. Deitada, encarando o teto, descabelada, com o lápis de olho borrado, os olhos inchados e o nariz vermelho, vestida só com uma t-shirt do pink floid que parecia ser de alguém 5 vezes maior que ela. Alguma música depressiva tocava baixinho, provavelmente Parachute. Eu engoli seco e alguma emoção que eu desconhecia passou por mim, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela falou, numa voz vazia e sem me encarar
— O que você quer? – eu fechei a porta e cruzei os braços continuando no lugar onde eu estava.
— Você não saiu nem pra comer, então eu pensei que você estivesse... Sei la, pensei que tivesse acontecido alguma coisa. – eu disse angustiado.
— E desde quando você se importa? – ela disse com amargura ainda sem me encarar – Vai embora, Bernardo. – ela completou com a voz trêmula. E ai eu vi uma lagrima descer pelo rosto dela.
— Sophia, você tá chorando?
— Vai embora, Bernardo! – ela disse gritando. Eu não obedeci, eu conhecia Sophia o suficiente para saber que ela não choraria na minha frente, a não ser que fosse muito sério. Andei ate ela e me sentei ao lado dela na cama.
— Sophia, o que aconteceu? – eu disse sério e ela se sentou me encarando e secando as lagrimas.
— Tive a impressão de que já mandei você sair!
— Eu não vou sair até você me dizer o que te deixou assim!
— Não te interessa! – ela disse recomeçando a chorar
— Abre a guarda, Sophia! Sai da geladeira! Se desarma, poxa! – eu disse levando a mão instintivamente até o rosto dela e enxugando uma lagrima, ela afastou minha mão com firmeza
— É saudade do meu pai. Só. – enquanto ela falava aquilo, eu avistei na cama, em meio aos lençóis, uma foto que agora estava encharcada, mesmo de longe eu reconheci a foto. Aquela que meses antes eu vi, no painel, rasgada e depois remendada. Respirei fundo e disse
— Seu pai usa coroinha do Burger King? – eu disse com as sobrancelhas arqueadas e apontando para a foto. Ele pegou a foto, amassou-a e me encarou
— Bernardo, você é insuportável. – eu ri
— Eu sei. Vai me falar o que aconteceu? – ela parecia a ponto de começar a chorar de novo.
— Você fala como se se importasse. – disse contorcendo o rosto numa careta
— Eu me importo, Sophia. – ela grudou aqueles olhos azuis desconcertantes nos meus.
— De verdade?
— De verdade. – eu disse sincero. Ela respirou fundo e disse encarando o teto, como se quisesse evitar as lagrimas.
— Ele me traiu, Bernardo. Ele disse que me amava e depois... – ela não conseguiu completar a frase porque começou a chorar. – E agora, ele voltou sabe? Depois de tudo, parece que ele renasceu e voltou pra me atormentar! – ela disse entre as lagrimas. Eu estava transtornado com a cena. Ela parecia uma criança chorando e eu não aguentava mais ver aquilo, então eu fiz a coisa mais obvia a se fazer. Sai correndo? Não. Eu abracei Sophia. Ao contrario do que eu pensava, ela não tentou me matar ou algo parecido. Ela reagiu meio tensa a principio, mas depois enterrou o rosto na curva do meu pescoço e chorou ainda mais. Não sei por que, mas a respiração dela em contato com a minha pele me provocava arrepios. O cabelo ruivo e despenteado dela cheirava a iogurte de morango. Eu me encostei na cabeceira da cama e ela se aninhou, chorando, ainda mais no meu peito. Eu nunca imaginei que isso um dia fosse acontecer, mas eu estava abraçado a Sophia e aquela posição era extremamente confortável. Senti o corpo dela amolecer e percebi que ela havia adormecido. Antes que eu pudesse me dar conta, eu estava fazendo o mesmo.
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