Notas iniciais
Olá, capítulo novo! Desculpem a demora, mas aqui está. Este capítulo não se encontra na primeira versão de TBC, sendo assim, é um capítulo bônus da segunda versão. Boa Leitura!!!

P.O.V Michael Demiurgos

— Homens! Essa é a parte oriental do planeta! – Estava sob minha responsabilidade orientar a tropa de anjos a atacar os demônios e proteger as pessoas, pelo menos nesse lado da Terra. – Todos nós temos deveres fixados aqui. Anjos da Guarda, sua missão principal aqui é salvar os sobreviventes e os levá-los ao local mais seguro!

— Sim, Arcanjo Michael! – Gritam todos os Anjos da Guarda que estavam a minha esquerda.

— Anjos Guerreiros, pisem e acabem com todos os demônios que encontrarem, sem dó nem piedade! – Afirmo a legião de anjos poderosos que se encontravam em fila na minha direita.

— Sim, Arcanjo Michael!

— Façam duplas ou trios, tendo pelo menos um Anjo da Guarda e um Anjo Guerreiro. Salvem o planeta desses monstros! Contudo tenham cuidado, temos além de Sairaorg outros três reis infernais pela Terra, então fiquem de olhos abertos e nunca baixem a guarda! Não hesitem em me chamar ou pedir reforço caso encontrem Sairaorg, Belzebu, Astaroth ou Mammon.

— Sim, senhor! – Gritam os Anjos.

— Pela honra e glória de nosso Senhor essa guerra já foi vencida por nós!!! – Estendendo minha grandiosa espada aos céus.

— Amém! – Exclamam todos os Anjos em uníssono.

Todos os meus súditos rapidamente se uniam em dois ou três para logo partirem em diferentes regiões. Vejo todos irem e quando necessário, os guio para regiões distintas para que cada local de minha jurisdição tivesse a proteção necessária para o máximo de vidas serem salvas. Não era possível salvar todos os humanos, mas iria proteger o máximo que eu conseguisse.

— Todos os Anjos já foram, senhor Michael.

Meus pensamentos são interrompidos quando ouço Luel, um arcanjo em ascensão, se dirigir a mim. Luel era meu discípulo "favorito" por assim dizer, por conta de sua ingenuidade, talento e fidelidade. Trajando uma armadura de cor branca, deixando seu cabelo raspado a mostra, ele me demonstra uma ansiedade muito grande. Apesar de não parecer tão poderoso por conta de seu corpo levemente magro, ele era um prodígio em termos de batalha. Ouso dizer que ele poderia chegar a meu nível e ao de Lúcifer um dia.

— Oh, eu nem havia lhe notado Luel. Por que você não foi com algum deles? Achei que minha ordem tivesse sido clara. – Falo num tom áspero enquanto guardo minha espada na cintura.

— De fato foi, por isso que fiquei aqui. Todos os grupos tinham integrantes de cada classe, então acabei por sobrar. E o senhor permanece aqui sem dupla, acho que poderíamos trabalhar juntos. – Ele dá uma leve risada.

— Você não tem jeito mesmo. Bem, vamos na direção do país denominado Vietnã. Mandei poucos anjos até lá.

— Sim, senhor.

Ao alçar voo, certos acontecimentos surgem a minha mente. Sairaorg havia despertado e até onde fui informado ele convencera três demônios poderosos a ficar do lado dele, e de certa forma, o Inferno agora estava enfraquecido, além de que procurei e não encontrei o mais poderoso e perigoso entre eles. Será que Lúcifer estava ao lado de seu filho? Ou talvez ele esteja vagando em outros lugares nesse momento...

— O senhor está bem? – Ouço novamente Luel, agora a interromper meus pensamentos.

— Estava pensando nos acontecimentos dessa guerra, filho. Os perigos que a Terra está correndo não são poucos, afinal quatro seres extremamente poderosos estão lutando para destrui-la por completo.

— Sim. Até agora só além de Sairaorg senti outra presença poderosa em ação, mas por pouco tempo.

— Esse foi Astaroth! – Afirmo. – De alguma forma ele demonstrou seu poder e momentos depois desapareceu do planeta, junto com outra presença de poder absurdo que surgiu junto dele.

— Eu reconheci essa energia e pareceu ser de uma bruxa, mas não parecia ser de uma bruxa comum. Senti um poder especial e puro vindo dela.

— Além dela, notei a presença de uma Andarilha que também é alguém extremamente forte. Parece que as duas estão do nosso lado afinal.

— Eu sempre imaginei que as chamadas Andarilhas fossem neutras e que bruxas fossem escravas de demônios, senhor Michael. Me surpreendem elas aparentemente estarem nos ajudando a salvar os humanos.

— Nunca generalize nenhum grupo, garoto. Nem todas as bruxas são más, afinal não se esqueça que várias delas foram para o paraíso durante aquela época anos atrás por fazerem boas ações a seus semelhantes. Você já devia não se surpreender que existem exceções à regra. – Ele dá outra leve risada.

— Tem toda razão, senhor.

— Veja! Chegamos.

Em segundos, nos encontramos em um local totalmente belo em termos de aparência. Basicamente todo esverdeado por causa de seu gramado natural, a paisagem era pura e tinha leves brisas no ar por conta da proximidade com o mar. Um local não coberto com a mata se localizava como uma mini montanha, sendo feito apenas de rochas de cor mármore que tinha algumas casas e barracos no topo de seu solo.

— Parece que aqui está intacto, chefe. – Afirma Luel admirando a paisagem.

— Não se deixe enganar. Ao que parece, não se teve ataques de demônios irracionais aqui, mas pessoas parecem ter escapado desse lugar às pressas. Algumas coisas estão bem desorganizadas. – Concluo pela análise dos objetos bagunçados que havia no local.

— Acha que o ataque aqui pode ter sido feito por demônios que não fiquem apenas destruindo tudo que vê pela frente?

— Sim. Então minha aposta estava certa.

— Como assim, chefe?!

— É provável que nessa parte do planeta tenhamos alguns demônios médios ou de grande porte. Na parte ocidental da Terra está recheados de demônios inferiores, mas aqui não se encontram muitos deles, mas com certeza devem existir alguns demônios médios que em teoria se equivalem a um Anjo Guerreiro.

— Então foi por isso que o senhor trouxe uma quantidade maior de anjos guerreiros para cá?!

— Exato. Convenci Gabriel a apenas ter quatro Anjos Guerreiros na parte de sua proteção ao planeta Terra pois ele tem Jehudiel, uma Bruxa e uma Andarilha a seu lado. Com tamanho poder, trouxe maior parte do exército celestial para essa parte do planeta e me parece que os subordinados estão tendo êxito em suas missões.

— Saquei sen..

De repente sinto duas energias de imenso poder surgirem em diferentes locais, sendo uma na região Norte e outra na região Oeste de onde estávamos localizados.

— Senhor Michael.

— Sim, eu também senti. Parecem ser energias demoníacas e extremamente agressivas.

Uma dessas energias era estranha, mas ao mesmo tempo me era familiar. Sim, eu já senti esse poder alguma vez.

— Vamos investigar primeiro essa energia que surgiu na região Norte. Parece ser a mais poderosa dentre as duas.

— Senhor, se me permite aconselhá-lo, acho que seria melhor nos separarmos por um tempo.

— E por qual motivo acha isso, Luel? – O questiono.

— São duas energias que surgiram perto uma da outra, contudo, em localizações diferentes. Se irmos para o mesmo local, provavelmente estaríamos perdendo um precioso tempo.

— Hum... Está bem, você tem razão. Salvar nossos humanos é nossa prioridade. – Concordo com sua percepção.

— Está bem. Eu vou confrontar a energia que surgiu na localização Norte. – Afirma Luel.

— Você tem certeza? É a energia mais poderosa que surgiu até então. – Afirmo num tom neutro tentando esconder minha ansiedade.

— Eu acho que tenho forças pra subjugar esse poder. Além disso, é bom que o senhor tenha que guardar o máximo de energias para chutar a bunda de Sairaorg e seus servos.

— Olha o linguajar, rapaz. Mas já que quer tanto se aventurar, vá. E não ouse voltar machucado. – Falo de braços cruzados.

Afirmando positivamente com a cabeça, Luel alça voo e parte a toda velocidade onde a energia tinha surgido. Enfim, agora eu tenho que investigar essa presença estranha que surgiu a alguns quilômetros daqui.

Mas... Que mal pressentimento é esse?

Se essa energia que me surgiu é estranha, a sensação que me tomou é ainda pior. Me traz uma certa angústia e nostalgia.

Sentia que estava prestes a perder alguém muito querido.

Novamente.

— Droga. Vou seguir esse pirralho disfarçadamente antes que ele se meta em confusão.

~~~~~*~~~~~

Num território urbano (agora extremamente destruído) estavam frente a frente Luel e um demônio que parecia ser de classe média. Estava observando tudo em cima de um prédio quase que totalmente destruído. Seu aspecto sombrio com orelhas pontiagudas e garras extremamente afiadas, junto com uma pele de cor azul-turquesa expressavam em seu ser um ódio iminente. Quem vê seus longos cabelos negros, junto de um vestido cor de pele nem pensa que aquele ser pode levar um continente inteiro as cinzas. A energia com certeza vinha daquele demônio e não tenho a certeza se meu discípulo poderia dar conta.

— Nyamah, o seu nome? Esperava algo mais sofisticado vindo de um demônio tão exótico. – Escuto Luel ironizando.

— O meu grande rei me batizou com esse nome. – Responde a denominada Nyamah.

— Imagino. Onde ele está agora? Acho que queria bater um papinho com ele.

— Pergunte para minhas gárgulas, gostosão.

Repentinamente, várias gárgulas pequenas surgem das sombras em diferentes posições. Umas no chão e outras em muros quebrados ao lado do demônio. Se totalizavam em sete no total.

— Minhas queridas, ataquem!!!

As gárgulas uma após uma atacam meu pupilo, contudo, o mesmo desvia de todos os ataques voando e girando pelo ar se protegendo. Rapidamente as gárgulas mudam suas estratégias e começam ataques conjuntos, onde novamente meu pupilo se protege com os braços cruzados em X o que cobria seu rosto.

— Quer dizer que esse é o limite de um anjo? Estou desapontada... – Diz debochadamente com um sorriso malicioso.

— Eu só estava brincando. – Afirma Luel indiferente.

Esse Luel realmente não aprende mesmo. Dou uma leve risada por conta do meu pupilo.

Ao novo ataque das gárgulas, Luel dá um grande pulo e mais rápido que os olhos humanos pudessem ver, ele materializa um arco e dispara exatamente cinco flechas enérgicas na direção das gárgulas, atingindo cada uma na cabeça, logo levando-as a queda iminente. Entretanto, ao mesmo tempo Nyamah surge nas suas costas disparando uma energia de cor escura na região onde estava suas asas, tendo como resultado a queda de Luel.

Esse demônio tem uma habilidade muito boa de se esconder pelas sombras. Luel teria capacidade de vencer?

— Isso foi golpe sujo! – Afirma Luel se levantando.

— Para seres esnobes como você, pode ser considerado, mas para seres como eu, isso se chama habilidade.

Luel lança uma rajada de energia com a palma de sua mão esquerda na direção do demônio que logo desce nas sombras, desaparecendo da nossa visão. Uma mão gigante surge do solo tentando envolver o anjo que logo alça voo, mas uma outra rajada de energia escura o atinge de raspão pelo lado esquerdo destruindo parte de sua armadura. Luel pousa em pé no chão e percebo que seus olhos estão fechados.

— Parece que notou minha habilidade, não é, lindinho? – Pergunta Nyamah levitando a alguns centímetros do chão e depois desaparece.

— Sim. Você se esconde pelas sombras dos locais, armando ilusões e me atacando com um real ser de uma direção distinta da ilusão sem revelar realmente sua presença. É uma habilidade bem útil, mas parece que você está me subestimando. Qual a razão de me atacar com golpes tão simplórios?

— Você não passa de um bebezinho que buscou briga com o ser errado, mas já que não quer brincar, o meu próximo golpe vai acabar totalmente com você!

— Não tenha total certeza disso.

Reunindo uma energia azul nas mãos, ele a dispara fazendo com que vá varrendo e destruindo todas as casas e muros. Antes que a energia chegasse perto, voo a velocidade da luz a uma distância que eles não pudessem ver, mas que eu conseguisse acompanhar a luta e ouvir o que eles falavam.

Luel destruiu toda a cidade e deixou o mínimo rastro de escombro possível! Foi uma boa jogada.

— Se achava que armando uma destruição em área iria me atingir, saiba que se enganou lindamente.

— Essa não era minha intenção! – Afirma Luel. – Sem escombros ou locais onde possa fazer sombra nesta tarde ensolarada...

Luel finca seu punho no chão e uma leve destruição linear ocorre no solo até uma leve explosão lançar Nyamah pelos ares.

— Descobrir sua verdadeira localização vira uma brincadeira de criança. – Conclui o meu pupilo.

— Maldição!!! – Grita Nyamah furiosa, logo desaparecendo novamente.

Luel volta a ficar de pé olhando todo o seu arredor e ataca com uma esfera de energia azulada a região esquerda de seu tronco fazendo o solo explodir lançando a demônio pela terra não mais asfaltada.

Quando a demônio se esconde pela terra, uma sombra levemente indica o local onde ela está escondida. Luel possui olhos muito clínicos para detectar qualquer diferença na região.

— Droga... Pare de zombar de mim!!! – Nyamah estava visivelmente furiosa.

— Mas você que não quis lutar a sério do início. – Dá de ombros Luel.

Se eu não conhecesse meu discípulo, não saberia dizer se aquilo foi ironia ou inocência. Com certeza foi inocência. Nyamah volta a levitar pelo chão e flutuando a alguns metros do mesmo, mais gárgulas aparecem a seu redor, sendo dessa vez o dobro da quantidade anterior.

— Vamos ver se você resiste a essa quantidade de almas a devorar todo o seu corpo!!! – Comanda Nyamah fazendo com que todas as gárgulas o atacassem de uma vez só.

No mesmo tempo que as gárgulas vão para cima do anjo, o mesmo faz uma pose de um ataque que tem sua assinatura. Unindo as duas mãos na altura do seu ombro direito e flexionando levemente os joelhos, uma energia azul com raios brancos tomam seu corpo, tendo logo em seguida uma esfera de energia também de cor azulada formando nas suas mãos.

Blue Canon!!!

Uma energia imensa vai em direção as gárgulas levando todas a explosão inevitável, tendo como principal alvo Nyamah que solta um grande grito de dor enquanto é consumida pela energia.

Após o ataque cessar, Nyamah se mostra cansada, toda chamuscada e com a parte superior a roupa queimada deixando à mostra uma parte de seu seio direito. E ao mesmo tempo que vejo essa imagem, uma forte dor toma o meu coração enquanto um frio forte na minha barriga surge do nada.

De novo esse sentimento? O que raios está acontecendo?

Um repentino grito me assusta, mas não mais que a transformação que Nyamah estava tendo nesse momento. Assim como seu poder, sua estatura estava crescendo absurdamente, e em poucos segundos ela estava como uma gárgula gigante de quatro metros de altura. Era visível que Luel tinha paralisado de medo, e não tendo nem reação, ele é atingido por um soco que pega metade de seu corpo, o levando a uma forte queda no chão.

Não!

— Não... Eu não posso perder aqui... – Luel se levanta com esforço e dispara várias rajadas de energia na direção do demônio gigante que recebe as rajadas como se fossem nada. Num rápido movimento, a gárgula gigante agarra Luel e o aperta fortemente, fazendo com que meu pupilo grite de dor.

— Largue ele, seu demônio repugnante!!!

Saco minha espada e a toda velocidade corto a mão de Nyamah pegando o corpo de Luel antes que o próprio pudesse cair no chão. Era possível escutar os gritos de agonia e palavrões vindos dela, mas nada disso me interessava. Agora eu sabia do que a sensação se tratava.

Era o pressentimento de perder alguém querido, uma pessoa que eu amava.

Pela segunda vez em minha vida eterna.

— Senhor Michael, me desculpa... Não fui capaz de vencer... – Fala Luel aos prantos cuspindo sangue.

— Pare de falar, rapaz!!! Poupe sua energia!

Eu tentava amenizar a dor de alguma forma, mas era impossível. Posso ter vários poderes e diversas habilidades, mas cura não é um deles.

Ele está morto...

— Tudo que posso fazer agora é vingar sua morte, meu amigo. – Enxugo as poucas lágrimas que surgiram em meus olhos, voltando a atenção pra Nyamah que olhava para mim com uma extrema fúria. – Venha, sua aberração! Agora eu que sou seu adversário!!!

— Você vai pagar por ter me machucado!!!

Fazendo a mesma pose do principal ataque do meu pupilo, rapidamente lanço o denominado "Blue Canon" na direção de Nyamah que nem consegue enxergar o ataque acabando por ser desintegrada em milésimos de segundo pelo poder destrutivo do golpe mágico. Após a poeira baixar, tudo que se pode ver são as cinzas do agora demônio gárgula que retorna ao Inferno como uma alma qualquer.

Materializo uma pá e cavo um túmulo ao qual coloco o corpo falecido de Luel. Faço uma rápida oração por sua alma, pois infelizmente todos os anjos que são mortos por seres demoníacos ficam vagando no purgatório por cerca de cento e trinta mil anos até retornar aos céus com sua forma original.

— Até breve, meu pupilo.

Voo pelo ar na direção da outra energia estranha que surgiu. Ela parecia parada e imóvel todo esse tempo, situação que me deixou com certeza ainda mais intrigado.

~~~~~*~~~~~

— Então era você...

— Há quanto tempo, meu caro tio.

Desço do teto do prédio onde havia pousado para encarar de perto um dos grandes reis do inferno, Mammon. Toda a área parecia destruída, mas não havia sinal de humanos ou anjos mortos aqui. Provável que os meus subordinados tenham evacuado a área antes de Mammon chegar.

Mammon tinha cabelos compridos loiro e olhos brancos, sua pele possuía algumas escamas douradas, diferente de seu meio irmão Caim, Mammon havia herdado muito mais a genética demoníaca.

— O que está fazendo aqui? Pensei que você não tivesse interesse no mundo terrestre.

— Mudei de opinião, sabe? – Ele fala se espreguiçando e se levantando da cadeira de madeira onde estava sentado. – Eu sou um homem bastante ambicioso. Sempre gosto de mais, muito mais.

— Era de se esperar do chamado "demônio da ganância". – Concluo.

— O meu irmãozinho me prometeu que caso eu me unisse a ele teria direito a todo esse planeta e os humanos que nele vive. – Mammon caminha em minha direção materializando em sua mão esquerda uma espada de ouro em chamas. – E futuramente, todo o plano existencial seria comandado por mim e por meus outros irmãos. Inferno, Terra, e até mesmo o céu!

Mammon avança pra cima de mim tentando desferir um corte horizontal que transpassa o meu corpo, mas a resposta é um soco em sua face que o faz voar alguns metros, porém, ele logo se recompõe em pleno ar.

— Esse golpe teria acabado com qualquer demônio que não fosse um dos grandes. Você realmente ficou muito forte, mas ainda do que era quando tentou me matar daquela primeira vez.

— Como você deixou seu corpo inatingível dessa forma? – Mammon limpava o pouco sangue que tinha em sua testa.

— Por que não pensa um pouco e tenta descobrir por você mesmo, meu bom rapaz?

Mammon invoca agora em sua mão direita uma espada de diamante emanando um frio mais gélido que as geleiras da Antártida. Com o poder de sua telecinese suas duas armas são lançadas em minha direção em movimento espiral, ao qual detenho o curso usando a ponta dos meus dedos indicadores. As suas armas eram feitas por tesouro humano e reforçadas com poder demoníaco.

— Como assim?! – Grita Mammon abismado.

— Inútil.

Desintegro as armas com a força do pensamento e com um movimento leve em sentido horizontal com a mão direita, o corpo de Mammon cai deitado no chão, o impedindo de se levantar.

— Você é com toda certeza superior a boa parte dos reis infernais, mas ainda continua um inseto se comparado ao irmão de seu pai. Fique quietinho se não quiser que a gravidade quebre todos os ossos de seu corpo. – O advirto.

— Não subestime a minha força!

Com bastante dificuldade, Mammon se levanta e com uma concentrada explosão de poder a gravidade que impus sobre o demônio se esvai.

— Você realmente ficou forte. Uma pena que trabalha as forças do mal. Treinou seu poder por esses anos todos? – Pergunto curioso.

— Até parece. Todo esse poder que eu adquiri são de almas fortes, seja de humanos, bruxas ou qualquer outro ser vivo que venderam suas almas por ganância e puro poder. Veja!

Após isso, uma aura obscura cobre o seu corpo emanando um poder ainda acima do que antes.

— Se existisse um ranking de poder demoníaco com certeza eu estaria apenas abaixo de Lúcifer e Sairaorg. E é com esse poder que eu vou te erradicar da existência!

Mammon levanta suas mãos para os céus e repentinamente uma energia de cor amarelo-ouro do tamanho de um grande meteoro se forma na palma de suas mãos.

— Quero ver como lidará com essa...

Com outro movimento sucinto da minha mão, a energia se dissipa em cinzas, voando pelo vento antes que Mammon pudesse sequer dispará-la.

— Maldição, você... – Grunhe o demônio.

— Separei os átomos existentes da natureza onde você está posicionado para que tal energia não causasse uma explosão gigante. O tempo pode ter passado, mas você como Astaroth e Sairaorg continuam inconsequentes.

— Agora é tudo ou nada... – Sussurra o demônio com raiva.

Logo surge em sua mão um cetro, que parecia uma lança, completamente feito de ouro, uma energia dourada cintilante começa a sair da ponta do cetro. Surpreendentemente soldados de ouro começam a surgir do chão, eram inúmeros e estavam preparados para me atacar.

— Ataquem! – Ordena Mammon.

A primeira fileira de soldados vem em minha direção se juntando como se fossem um redemoinho, ao chegar em mim eles abrem me acertando com seus escudos me arremessando para trás. Por mais que aquele golpe não tenha me ferido, uma habilidade dessas era novidade para alguém como eu, nunca imaginei que poderia existir algo desse gênero.

— Isso foi surpreendente. – Afirmo, mas Mammon não se importa com o que eu digo.

Sem perder tempo, Mammon faz com que a segunda fileira comece a vir em minha direção com espadas ao mesmo tempo que a primeira se prepara para defender a segunda. Cada fileira continha mais de dez soldados, olho de relance para a terceira fileira que se preparava já com cetros em mãos para me lançar magia, enquanto a quarta fileira preparava seus arcos.

Era impressionante e ao mesmo tempo exagerado, pois não havia nenhuma cor além do dourado estravagante. Ao mesmo tempo que eu eliminava facilmente os soldados que avançavam em mim e me protegia dos disparos de longe, Mammon continuava a criar mais e mais soldados.

— Por essa você não esperava, não é? – O sorriso dele era convencido e orgulhoso.

Pegando minha espada puxo dos céus o poder da luz e do vento, rapidamente avanço me girando como se eu fosse meu próprio tornado em direção aos soldados que, ao contato, voam e caem se dissipando no solo.

Sinto uma pancada na minha lateral esquerda me arremessando para longe, era uma dor aguda. Olho para meu lado esquerdo percebendo que outra fileira de soldados havia partido para cima de mim como se fossem uma única lança.

Balanço minha mão começando um feitiço, mas antes que pudesse conclui-lo sinto novamente uma repentina dor em minhas costas. Ao virar, vejo que mais e mais soldados vinham ao meu redor. Eles tomavam toda a minha volta me impedindo de sair. Sinto-os perfurando minha pele com suas armas ao mesmo tempo que a magia deles me queimava. Não conseguia ver mais o céu, tudo girava, era como se algum deles tivesse me envenenando sucessivamente impedindo que eu me curasse.

Estava caído no chão, os soldados continuavam, não conseguia mais ver nada além do dourado a minha volta. Reúno todas as minhas forças e com um alto e estridente grito me jogo em direção ao céu fazendo com que todos os soldados sejam atingidos pelo meu contato corporal e pela magia emanando de mim em um tom branco.

— Foi uma habilidade admirável, mas não iria me deter por muito tempo. – Digo assim que vejo que todos os soldados haviam se dissipado e Mammon estava se levantando do chão, provavelmente que havia sido derrubado pelo impacto da magia branca que havia sido arremessada de dentro do meu corpo para fora.

— Droga...

Socando o ar, golpeio Mammon usando as forças espaço-temporais da natureza. Os ataques por mim lançados pelos golpes não o atingem diretamente, mas guiam para que o universo o atinja usando suas forças para detê-lo. Eu posso me tornar um com a natureza e usar além dos elementos da terra, a alteração de órbitas planetárias, degradação de planetas, estrelas e movimentos das supernovas. E também ao me tornar um com a natureza, posso me tornar inatingível, quase que intocável.

— Maldição!!! – Grita e resmunga o demônio.

Ainda a receber os golpes, Mammon lança duas finas rajadas de energia pelos olhos que rebato com um chute para os céus. Logo, uso a vontade da natureza para que ele fique parado o impossibilitando de usar seus poderes.

— Eu... não consigo me mexer...

— Sua existência nesse planeta é um perigo para todos os humanos. Não vou permitir que os humanos filhos de Deus sejam assassinados por vocês!

Aplico em seu estômago um chute com meu pé direito, o lançando para um local onde se era dito fora do universo. Esse local não tinha noção de tempo ou espaço e tudo aqui vivia em constante movimento. Pedaços de estrelas, explosões e mudanças em sua aparência (numa constante metamorfose entre a total escuridão e a luz) faziam desse lugar uma dimensão totalmente fora da racionalidade.

Era uma dimensão feita por mim justamente para prender monstros ou ameaças que possuem em risco a vida da Terra ou do universo.

Antes que Mammon pudesse se recuperar, quatro correntes aparecem prendendo cada um de seus braços e pernas.

— Agora ficará quietinho aí, sobrinho. – Falo aparecendo em presença física encarando seu rosto ensanguentado.

— O que pensa em fazer? Irá me matar? – Mammon questiona me encarando com desprezo.

— Você ficará banido aqui por um ano inteiro. Sei que uma hora ou outra você voltará ao Inferno, mas poupo sua vida pois sei que um dia você ainda se renderá ao verdadeiro Deus.

Mammon repentinamente começa a rir disfarçadamente.

— Eu não venero nem mesmo meu pai, o que te faz achar que um dia vou "virar uma pessoa de bem", como você mesmo diz?

Viro minhas costas abrindo um portal em direção a Terra.

— O tempo dirá, Mammon. O tempo dirá.

P.O.V Lúcifer Morningstar

Escuto uma batida na porta dupla enorme do meu salão principal enquanto estava sentado em meu trono. Com um rápido e breve movimento com minha mão direita faço com que a porta se abra revelando nada mais nada menos que meu filho Caim.

— O que lhe traz aqui, filho? – Pergunto sério, mas com um certo apreço depois que ele entra e eu fecho a porta com outro movimento.

Caim era meu filho e de Eva, por mais que minha interferência no Jardim do Éden tenha sido mais para irritar meu pai, Caim sempre foi um dos meus filhos preferidos, mesmo que não fosse demônio, ele sempre foi o mais esforçado para buscar mostrar ser capaz, um orgulho e um exemplo de batalhador.

Me lembro como se fosse ontem, depois que Lilith aceitou deixar de ser a submissa de Adão, Deus criou Eva, a perfeita escrava. Confesso que na época tive pena dela, por ter sido exatamente criada para ser obediente a um ser tão repugnante como Adão, sendo assim, tentei apresentar a liberdade a ela como fiz com Lilith, a diferença é que Eva nunca teve coragem para se livrar de suas correntes.

Contudo, o motivo de não sentir mais pena dela é que mesmo tendo se rendido a luxúria apresentada por mim, ela nunca aceitou Caim, nunca o amou nem por um segundo. Diferente dela, por maior que seja meu ódio por Sairaorg, nem sempre foi assim, nunca fui um monstro com meus filhos como Eva demonstrou ser, eu sempre tratei meus herdeiros bem, o ódio só vem depois de escolhas estúpidas e imperdoáveis que tomaram.

— Um boato diz que Michael derrotou Mammon. – Explica Caim vindo até mim se ajoelhando em respeito.

— Já lhe disse que não precisa fazer isso. Sou seu pai. – Me levanto indo em direção a ele oferecendo minha mão para que ele ficasse de pé. – Eu tive uma sensação sobre isso. Aprecio que tenha vindo me relatar sobre, é necessário tomar de Michael algo como ele tomou de mim.

— Se não for grosseiro de minha parte. O que Michael lhe tomou? – Pergunta receoso.

— Simplificando, Michael tirou minha capacidade de confiar em todos, minha capacidade de “ser humano”. Por conta dele, não posso demonstrar fraquezas, nunca. – Digo confiando ao meu filho uma de minhas “cicatrizes” mais profundas.

— Agradeço por me contar sobre isso, prometo não contar para ninguém. – Ele se curva e eu deixo um breve sorriso escapar.

— Eu sei que não vai. Aprecio seu respeito por mim. – Caim volta a sua postura ereta, entretanto, não olha em meus olhos assim como todos não olham.

— Não acho que não possua “humanidade”, Asuna também concorda comigo. – Explica ele, a breve citação desse nome me faz voltar a minha expressão fechada.

— Como ela está? – Pergunto a ele tentando parecer indiferente.

— Não precisa se manter indiferente comigo. – Desvio meus olhos dele indo até a janela enorme da esquerda para observar Hellfihaim.

— Ela é apenas uma aliada valiosa. – Apesar de dizer isso, nem mesmo eu consigo acreditar em minhas palavras.

— Se é como quer que ela seja lembrada. – Caim suspira parando ao meu lado. – Ela está lutando incansavelmente, continua imparável.

— Certamente.

— Tenho muito o que fazer. Nos reencontramos em breve, pai. – Caim começa a se retirar, entretanto o paro colocando minha mão direita sem seu ombro, ele se vira.

— Saiba que tenho orgulho do que se tornou. Independente do que Eva te disse, você não é um erro para mim. Estarei aqui para o que precisar. – Após dizer isso, Caim me abraça com força, e eu retribuo.

— Obrigado... – Sinto a voz de meu filho oscilar, mas logo ele se afasta retornando a uma posição rígida.

— Nos reencontramos em breve. – Ele assente logo saindo do salão.

Por mais que todos acreditem em mim como alguém sem coração, um Rei implacável e cruel, alguém frio e punidor, é apenas ideias de quem não me conhece, entretanto, não é algo ruim, comandar nem sempre é fácil, existe o peso da responsabilidade, o peso de que não pode houver erros.

Meus filhos foram criados de forma rígida, não nego, entretanto, nunca neguei afeto a algum, pois isso é algo que aprendi com minha mãe, Asherah.

Asherah, a Deusa da Criação..., como sinto sua falta mãe, por mais que todos tenham te esquecido, eu nunca irei. Juntos criamos o Reino dos humanos, cada átomo, cada lugar, mas do que adianta se todos desconhecem isso, ao mesmo tempo que sinto ódio de levar a culpa de coisas que não me referem, sei o quão manipuláveis por meu pai, os seres humanos são.

Lembro-me de quão rápido foi a percepção de todos do Reino da Luz, de um Arcanjo poderoso e admirável, braço direito de Deus, para um demônio considerado desprezível apenas pelo fato de ter apoiado minha mãe contra a soberania egocêntrica de meu pai. Não me arrependo de ter me tornado o que sou, me libertei das amarras e da cegueira que todos os que continuaram seguindo Deus possuem. Criei o Reino das Sombras em honra e homenagem a minha mãe, um reino intocável por Deus e seus seguidores, um reino onde ninguém precisa seguir cegamente sem questionar, um reino livre para criações e ideias. Um reino onde os erros que são condenados não se definem a “negação de adoração”, mas sim por prejudiciais ou toleráveis.

Toco na parede de gelo, ao lado direito do local. A parede de gelo era como uma espécie de “observatório”, onde eu poderia localizar e observar tudo o que desejar. A primeira imagem que vem é de LightMare, mesmo que eu não tenha focado nela, meus pensamentos mais profundos a rondavam. Ela estava em sua forma de origem, como de qualquer jeito permanecia maravilhosa, a energia a rondava, a natureza a admirava, sua luz e força sempre foram admiráveis.

Toco novamente no gelo parando a visão agora em Sairaorg, por maior que seja meu ódio para com meu filho, gostaria de entender o que o fez se tornar o monstro de hoje. Eu sinto o quanto ele me odeia, sinto o desejo dele de ser superior a mim. A inveja sempre o rondou, achava que com o tempo iria passar, mas ele só se tornou pior. Não nego que ele foi capaz de conquistar a “lealdade” de demônios fortes daqui, mas isso só mostra o quanto ele acredita que a lealdade deve surgir do medo, do ódio e principalmente da superioridade, concepções opostas do que eu acredito ser necessárias em um comandante. O medo não conquista lealdade, apenas raiva escondida, o ódio só cega quem luta, e a superioridade só te afasta de quem está com você por concordar.

Ele acredita que criar caos na Terra pode mostrar a todos que ele é superior a mim, que todos os demônios deveriam deixar de me seguir, pois eu não busco a “vingança” que todos querem, mas é claro como ele só quer demonstrar a todos que é o “melhor”, pois no fundo sabe que ninguém realmente o seguiria por lealdade pura.

Com mais um toque, tenho agora visão de Michael. Meu irmão é o oposto de mim, mesmo que seu porte físico fosse parecido, enquanto possuo cabelos pretos compridos, olhos vermelhos intensos, pele branca como mármore e asas pretas, Michael possui cabelos loiros compridos, olhos verdes claros, pele clara levemente dourada e asas brancas. Ele trajava uma armadura azul celeste, já eu, roupas de tecido leve na cor preta.

Bruscamente, o ódio por ele e pelo nosso pai me invade. Deus eliminou Asherah como se ela não fosse nada, e Michael, bem, por conta de uma cega fidelidade ele obedeceu e se sujeitou as ordens egoístas de um pai tirano.

Me lembro de quando considerava meu irmão mais velho o meu “herói”, Michael era como um exemplo para mim quando éramos jovens e não nos metíamos ainda em “assuntos superiores”.

*~~Flashback On~~*

— Samael, meu irmãozinho, o que está fazendo? – Uma voz familiar interrompe meus pensamentos e foco na paisagem em minha frente.

Estava observando a água pura daquele lago que se estendia, ao fundo podia ver montanhas. Realmente aqui sempre foi tão calmo, sereno e puro. Meus pais acertaram ao criar um lugar assim.

— Olá, irmão. – Dou um sorriso ao ver Michael, meu irmão mais velho, ele me faz um breve cafuné.

Ter um irmão como Michael é incrível, mesmo que para todos eu seja considerado uma criança que não deve se meter em assuntos dos “mais velhos”, meu irmão, já em sua fase de adolescente quase adulto, sempre me inteirava de tudo. Lembro que desde pequeno ele sempre esteve ao meu lado, me ensinando e cuidando de mim, suas palavras sempre foram sábias e me faziam refletir.

— Fui ao treino ontem. – Começo minha fala fazendo com que os olhos de Michael, antes direcionados a água, se foquem em mim. – Você está cada vez mais forte. Quem sabe um dia eu não me torne tão forte quanto você?

— Eu tenho certeza que vai. Entretanto, Samael, nunca esqueça que o poder não vem da força, mas do que você sente. Do seu coração. – Diz ele tocando levemente meu peito.

— Então nosso pai é forte porque ama demais nossa mãe? – Pergunto arqueando uma sobrancelha, porém, a expressão dele não era a que eu esperava. Sinto meu irmão dar uma leve tremida ao mesmo tempo que seus olhos se tornam perdidos e tristes.

— No caso do nosso pai..., digamos que ele não acredita nisso.

— Então ele não ama nossa mãe? – Pergunto diretamente fazendo Michael congelar.

— É melhor deixar isso para lá. Não queremos que ele escute. Você tem muito pela frente para aprender e compreender. – Sussurra Michael olhando para o lago, eu sentia que tinha algo escondido, mas meu irmão nunca iria ir contra ao nosso pai, mesmo que ele soubesse que haviam muitas coisas a se discordar. – Nem sempre o que pensamos deve ser dito... E nem sempre devemos expor o que acreditamos, ainda mais quando sabemos o que deve ser seguido.

Por anos pensei que ele só queria me proteger da resposta, mas a verdade era que até ele mesmo não queria acreditar, não queria que a resposta o atingisse em cheio. Cresci admirando ao meu irmão e ao que ele acreditava, até que percebi que o que ele dizia não era o mesmo que ele fazia, ele nunca se libertou dos deveres.

Michael se tornou um prisioneiro dele mesmo.

*~~Flashback Off~~*

Michael mudou muito quando nos tornamos “adultos”, sua fidelidade para com Deus se tornou intolerante, eu jurava que ele seria o braço direito de nosso pai, mas por algum motivo eu fui escolhido. A única coisa que me salvava daqueles deveres “superiores” sufocantes era minha mãe, ela sempre foi amorosa, a perfeita calmaria após uma tempestade.

Em seu último suspiro, Asherah me concedeu seus poderes me tornando um dos mais poderosos. Me tornei capaz de fazer coisas que nunca jurava ser capaz, os poderes dela se misturaram aos meus me fazendo poder criar e destruir qualquer coisa, mas não apenas isso, minha força, habilidade e podres evoluíram a outro nível.

Michael nunca se conformou pelo o que nossa mãe fez, pois aquilo foi um ato de amor, se Asherah não tivesse feito aquilo, provavelmente que estaria preso até hoje no Reino de Luz, totalmente desfigurado...

*~~Flashback On~~*

— Me solta, Michael! – Grito de ódio e raiva, desesperado pelo o que estaria prestes a acontecer. – Deixa eu salvar nossa mãe!

Estava de joelhos, acorrentado ao chão por correntes mágicas. Não fazia nem uma hora que eu havia descoberto que Deus iria eliminar a minha mãe, Asherah. A maioria do Reino Da Luz comentava que meu pai estava correto em aniquilar a Deusa da Criação, pois ela estava tramando algo para “destroná-lo”.

Ao saber disso corri para alertar minha mãe, pois sabia que era mentira, porém, Deus ordenou que meu irmão traidor, Michael, me acorrentasse, me impedindo de chegar até Asherah.

— Você sabe que eu não posso, irmão. Nossa mãe tomou sua decisão errada e merece a consequência. Eu te peço que repense seu lado. Você sabe que Deus, nosso pai, tem toda a razão.

— Cale a boca, traidor! – Grito em fúria.

— É sua última chance de remissão.

— Eu nunca deveria ter acreditado em você. Michael, você não passa de um mentiroso. Dita as coisas e nunca as segue, você é um tolo!

— Sua chance acabou, meu irmão. Sinto muito, mas você também deve arcar com as consequências. Então seguirei as ordens de nosso pai. – Após Michael dizer isso sinto inúmeros cortes atingirem minha pele simultaneamente.

Meus gritos ecoavam pelo vale, a dor era insuportável, sentia cada corte, cada queimação pelas lâminas da espada de meu irmão. Deus não apenas almejou destruir minha mãe, mas ordenou ao seu próprio filho que castigasse seu outro filho.

Eu sabia que minhas costas, meu corpo inteiro, incluindo meu rosto estavam completamente cortados, desfigurados, queimados. Não era apenas a dor, eu sentia a brisa suave do vale invadir partes minhas que nunca deveriam estar expostas, partes que estariam protegidas pela carne, pela pele, mas que agora, pelos cortes profundos estavam expostos.

— Você se orgulha disso? – Cuspo sangue no chão verde do vale. – Olhe para mim! Olhe profundamente no meu rosto!!! Você se orgulha disso? – Estava gritando para aquele que um dia foi meu querido irmão. Michael me encarava sem expressão, na verdade, ele mal conseguia me encarar.

— Eu... – Antes que ele completasse sua fala, um clarão no céu surge ao mesmo tempo que um grito.

— Te dou tudo de mim, meu querido filho... – Uma voz familiar feminina surge próxima aos meus ouvidos.

Era Asherah, em seu último suspiro... A dor da perda me invade obscurecendo meu coração, uma ira me envolve. Minha mãe havia desaparecido para sempre. Asherah nunca mais voltará.

Antes que eu pudesse pensar em fazer algo, a mesma luz do clarão anterior agora me atinge com força total me fazendo cair no chão de olhos fechados. Estava inconsciente no chão.

Alguns minutos pareceram anos, mas quando meus olhos se abrem percebo que as correntes haviam sido destruídas, sinto um poder nunca jamais sentido antes. Assim que me levanto sinto minhas asas mais fortes, sinto meu corpo começar a se curar, entretanto, antes que a cura atingisse por completo, permito que cicatrizes permaneçam pelas minhas costas, para que aquilo fosse minha lembrança. A lembrança da traição de meu irmão e a morte da minha mãe.

— Eu nunca te perdoarei, Michael! – Voando perante meu irmão que estava paralisado, sinto que o mesmo não conseguia encontrar a si mesmo em seus pensamentos.

— Sama...

— Samael está morto! Das cicatrizes, das lembranças perdidas, de toda a hipocrisia desse lugar, agora renasço das cinzas de um lugar que um dia teve luz por conta de Asherah. Agora, sou Lúcifer Morningstar e eu não deixarei mais que o tirano de nosso pai tome todas as nossas escolhas novamente!

Deus não admitia contrariedade, muito menos que adorassem alguém além dele mesmo. Meu pai nunca admitiu que eu fosse mais próximo a minha mãe e piorou mais quando outros anjos (que se tornaram demônios) achavam que Asherah seria uma governante melhor. Por puro ciúmes e egoísmo, Deus matou minha mãe.

Foi naquele dia, foi a partir daquilo.

Ao Reino da Luz proclamei liberdade, abaixa a tirania e adoração absoluta, inúmeros anjos e arcanjos caíram comigo se tornando demônios, sendo assim, criei os Reinos das Sombras, o lugar onde nenhum Anjo poderia colocar seus pés, o lugar onde Deus não poderia alcançar e comandar.

Um Reino livre em homenagem a minha amada mãe.

*~~Flashback Off~~*

Minha fidelidade a minha mãe foi o que me manteve correto em minhas virtudes, foi a luz que eu encontrei em meio a todo aquele sofrimento. As cicatrizes em minhas costas são uma lembrança de que mesmo perante a tamanho sofrimento é possível se reerguer, é possível suportar e se reformular.

— Hoje você compreenderá o que eu senti a milênios atrás.

Sem perder tempo, transformo em outro toque aquela visão em um portal exato para a localização em que Michael se encontrava.

~~~~~*~~~~~

— Vejo que não mudou nada. – Digo friamente ao ser a minha frente.

— Finalmente nos reencontramos, Samael. – Diz Michael sem emoção.

— Vejo que continua obedecendo nosso pai cegamente.

— Como se você não obedecia a nossa mãe.

— Diferente de Deus, Asherah nunca me impediu de pensar por mim mesmo. – Explico calmamente me mantendo sem expressão.

— Se fosse assim, você teria visto que ela precisava ser contida, pois queria destronar nosso pai por pensamentos egoístas. – Diz ele me deixando com mais raiva, entretanto, não permito que ele perceba isso.

— Isso foi o que ele lhe disse, mas você sabe no fundo que realmente Deus fez o que fez por medo de que nossa mãe conseguisse mudar a visão de idolatrar e obedecer cegamente.

— Isso é balela. – Vejo a expressão dele se contorcer em negação com minha insinuação.

— Se você diz. Pelo menos eu pude realizar o sonho dela.

— E você se orgulha disso? Seu filho está matando inocentes e seus demônios causando o caos! – Dava para vez claramente que Michael estava irritado.

— Irmão, você pode me acusar de ter deixado tudo fora de controle, mas eu não governo o movimento de cada um. Nem todos dos Reinos das Sombras apoiam isso, por isso são apenas a criações (demônios inferiores) e alguns outros demônios que estão aqui. – Explico, mas aparentemente meu irmão não consegue compreender nem mesmo se fosse enviado por escrito, por conta de sua ignorância referente ao meu Reino.

— Como se eu fosse acreditar em você.

— Realmente não espero que acredite. – Dou uma breve pausa o que o deixa levemente ansioso. – Você deve saber que não estou aqui para conversar, então vamos logo para o que interessa.

Rapidamente nos teleporto para um lugar além da linha de espaço-tempo, estávamos no passado a milhões de anos atrás, entretanto, ainda assim não era o passado, pois não havia ninguém, apenas ele e eu naquele lugar que tanto conhecíamos.

Era nada mais, nada menos, que a origem do Reino da Luz, quando tudo era na verdade uma enorme campina com árvores frutíferas, um lugar que havia um lago imenso e algumas colinas aos longe. Aquilo tudo foi antes da morte de Asherah, depois que a mataram, todo o Reino foi alterado para uma “cidade” flutuante e iluminada.

— Por que nos trouxe aqui? – Pergunta ele.

— Aqui foi onde você traiu nossa mãe e a mim. Sendo assim, aqui será onde devolverei o que você me causou.

— Você precisava aprender uma lição por ter defendido as ações impuras de nossa mãe. Pena que aquilo não foi o suficiente para te fazer entender que nosso pai tem razão sempre. – Michael fala como se acreditasse naquilo mais que tudo, mas a verdade é que aquilo que eles fizeram comigo foi um ato cruel, bárbaro.

— Eu tenho pena de você, realmente a barreira que nosso pai colocou em todos os anjos não tem limite. Desse modo, vou mostrar exatamente o que leva uma obediência cega. – Ainda em tom sério, pronuncio tais palavras: – Sua fidelidade será sua queda.

Rapidamente vou para cima dele empunhando minha espada de poeira negra banhada no lago das almas perdidas, ou seja, minha espada era completamente escura como um breu possuindo uma aura de energia azul esverdeada espessa.

Assim que estou prestes a golpear Michael, ele bloqueia o ataque com sua espada, entretanto, por conta da minha força, ele é arremessado para trás. Sem dar espaço volto a golpeá-lo, Michael podia ser rápido e forte, mas na luta de espada, minha agilidade, destreza e leveza era sempre mais eficaz.

Aumentando cada vez mais o ritmo dos ataques, Michael começa a andar para traz para conseguir se defender melhor.

— Saiba que isso é por ter me impedido de salvar Asherah! – Grito, mas permaneço com minha voz fria.

— Eu fiz o que deveria ter feito e se pudesse faria de novo!

Quanto mais aumentava os ataques mais eu sentia o poder da minha espada, em um movimento rápido Michael defende o meu ataque ao mesmo tempo que ataca de volta com sua espada, a força faz com que minha espada trema e se envolva com um poder mais forte rapidamente se transformando em duas.

— Como?! – Michael encara as duas espadas similares a anterior, exceto por agora serem mais finais e mais leves.

Giro ambas as espadas ao mesmo tempo sentindo a leveza de ambas, a divisão só se torna melhor para meu estilo. Avanço novamente atacando primeiro com a direta e depois com a esquerda, percebo que Michael se enrola um pouco por conta da minha rapidez e por sua espada ser mais pesada.

Continuo a atacar com uma e depois com outra enquanto dou giros e me movo rapidamente para vários lados, alguns de meus golpes começam a acertá-lo causando cortes leves em seu rosto e braços. Me afasto um pouco e me preparo para dar um salto acertando as duas espadas em diagonal nele, o impacto é tão forte que Michael precisa criar um escudo de metal às pressas para impedir que o golpe o machuque profundamente. Entretanto, o escudo se parte com o contato enviando Michael para trás, ainda assim, de pé.

Michael ergue sua espada com uma mão e logo vejo um redemoinho se formar no lago, o redemoinho cresce e começa a subir se tornando em um tsunami poderoso azul escuro, provavelmente alterado para água tóxica e ácida. Rapidamente o tsunami atravessa Michael se abrindo para não o atingir, mas logo fechando impedindo que eu o visse e continuando a vir em minha direção. Começo a girar as espadas nas minhas laterais puxando todo o ar em direção a elas preparando um poderoso tornado que é arremessado em direção ao tsunami. O impacto faz com que o tsunami se desfaça jogando água para todos os lugares, os respingos da água queimam minha pele levemente, mas não me causam dor.

— Eu acreditei em você, confiei em você! Mas você, irmão, não passa de uma casca vazia! Apenas sabe idolatrar um ser que mesmo sendo seu pai não se importa nada com você, pois ele não sente nada por ninguém, nem sentiu quando matou a mulher que dizia que amava. – Minha voz se altera levemente, mas logo me acalmo. – Você acha mesmo que as migalhas que ele joga para você, são o suficiente?

— Só por que ele não demonstra não quer dizer que ele não me ame! Ele te amou assim como amou a nossa mãe, a diferença é que vocês provaram que vocês não mereciam o amor dele!

Era triste ouvir o que ele acreditava, pois eu mesmo já acreditei que nosso pai nos amava mesmo que nunca tivesse tido um único afeto, um único abraço ou carinho. Nossa mãe ao contrario sempre demonstrou um amor puro e genuíno.

— Ele sempre foi um péssimo pai, só você não percebe isso. – Digo sério, mas mesmo que minha intenção não fosse parecer rude, foi exatamente como ele sentiu.

— E o que você sabe sobre ser pai? Olha Sairaorg, se você fosse um ótimo pai ele não estaria fazendo isso! – Rebate ele, por dentro isso me fazia querer rir, mas apenas permaneço em uma expressão séria.

— Sei muito mais do que nosso pai. Se meus filhos vão se rebelar uma hora ou outra eu não tenho como prever. – Lembro de Caim, do nosso momento a algum tempo atrás, aquele abraço que dei em Caim é exatamente algo que Deus nunca fez conosco.

Michael vem rapidamente em minha direção começando a girar com sua espada, tento bloquear sua habilidade, mas era tão firme e imutável que acabo sendo atingido no braço. Sem perder tempo curo o ferimento do meu braço. Michael avança novamente, mas eu bloqueio seu golpe vertical de espada com uma barreira de poeira negra que se quebra após o golpe, sem esperar que ele tivesse preparando algo após o bloqueio, sinto uma luz dourada imensa me atingir me fazendo cair no chão com a força.

Antes que ele pudesse me acertar novamente com a espada, rolo para o lado o fazendo atingir o chão, nisso seguro sua espada passando uma carga de energia como a de milhões de raios juntos que ao o atingir o arremessa para longe o fazendo cair na água do lago que agora já estava normal.

— Nossa mãe nos amava, ainda não entendo como foi capaz de traí-la. O amor dela não significava nada para você? – Pergunto assim que ele sai do lago.

— Isso não apaga os pecados dela!

— Pecados? Querer o melhor para todos é um pecado agora? – Ironizo, a frase dele me deixa tão embasbacado que coloco minha mão em minha testa e balanço a cabeça negativamente.

— Ela só queria o melhor pra ela!

— Claramente você está falando agora do nosso pai. – Rebato agora voltando a minha expressão séria.

— Nosso pai te deu a honra de ser o braço direito dele e você o “agradeceu” fazendo tudo isso!

— Eu não pedi nada para ele! Muito menos devo o agradecer de algo! A única que merece minha gratidão é nossa mãe!!! Eu cresci sobre o amor dela, pelo carinho e proteção, e nem por isso ela me exigiu lealdade absoluta!

Novamente pego minhas espadas e vou para cima dele. Cada choque que minhas espadas davam com a dele faziam com que ao nosso redor tudo se movesse por receber rajadas de vento dos impactos.

— Diz que cresceu no amor, mas nem seus próprios filhos e súditos conseguem encarar seus olhos! – Rebate ele.

Dou um giro batendo com tudo em sua armadura a fazendo trincar. Rapidamente Michael voa para longe conjurando fogo azul em sua espada que logo, por conta de movimentos de ataque, bolas do mesmo fogo vem em minha direção, sem esforço desvio delas.

— Eles temem as inseguranças e erros que cometeram. Assim como você também evita encarar meus olhos. Contudo, nem todos possuem culpa. – Digo me lembrando de LightMare, ela sempre foi a única que conseguia olhar em meus olhos sem sentir medo.

— Me diga então, se seu coração é tão bom como você quer dizer que é. Por que possui tantas esposas que não possui sentimento algum? – Suas acusações eram óbvias, já que no Reino da Luz era proibido que os anjos se relacionem entre eles por ser considerado um ato impuro.

— Ao contrário de você, irmão. Eu já me apaixonei por alguém. A diferença é que meus sentimentos foram puros ao ponto de buscar protegê-la mesmo que isso custasse contato íntimo.

— Mentiroso! Isso só mostra o completo covarde e medroso que você sempre foi. Fugiu do Reino da Luz, pois não quis enfrentar nosso pai e agora me diz que deixou ir quem ama por querer protegê-la. Isso é uma completa mentira!

— Pode acreditar no que quiser, eu não me importo, irmão. Não mais.

Começo a canalizar o poder de tudo a minha volta, das bolas de fogo que mesmo desaparecidas a vista, ainda tinham seu poder. Após tudo a minha volta estar canalizado em meu ser, abro meus braços rapidamente com força soltando o poder que vem de meu peito. O poder invisível, mas de tamanho impacto faz com que Michael em pleno voo despenque no chão.

Começo a me transformar em minha face desfigurada, minha pele toda se transforma em vermelho ao mesmo tempo que eram marcadas por queimaduras e cicatrizes, meus olhos vermelhos brilham mais do que tudo emanando o poder total.

— Ter te tido como um exemplo foi a maior tolice que eu já fiz. Me diga irmão, participar da minha “punição” foi satisfatório?

— Como algo assim seria satisfatório? – Ele levanta com resistência. – Você é meu irmão mesmo que tenha se tornado completamente insano.

— Insano? – Pergunto achando divertido a escolha dele. – Pelo contrário, irmão. Nunca estive tão são na minha vida.

Michael começa a fazer o chão todo tremer, logo fendas começam a aparecer no chão enquanto uma luz potente aparece, era o núcleo do lugar, a luz de todo o Reino da Luz.

Mesmo que eu sentia uma leve queimadura, aquilo não me machucava, ando lentamente até parar em frente a Michael. Assim que os olhos dele se “prendem” aos meus eu percebo sua expressão facial mudar, ele começa a ficar nervoso, preocupado, apavorado.

— Mesmo você, irmão. Por mais que tente negar, não é livre de culpa e medos.

— Não... Não!!! Eu não podia salvá-lo, não é minha culpa que Luel morreu! Isso é mentira! Deus me ama! Não! Eu não o decepcionei! Eu fiz tudo o que ele ordenou! Eu não sou culpado dessas coisas! – Ele começa a gritar desesperado.

Era perceptível que não importava o quanto ele quisesse negar suas culpas e arrependimentos, sua negação não era verídica, pois aquilo o corroía internamente. Mesmo sendo um arcanjo poderoso, não estava livre das coisas que fazia, do que sentia verdadeiramente, daquilo que o martirizava.

— Pare com isso! – Grita ele se levantando e se jogando com tudo em minha direção, no entanto, caindo de cara no chão pois voei rapidamente para o lado.

Logo vejo Michael absorver o poder dos universos fazendo com que seu corpo inteiro crescesse e começasse a emanar luz celestial. Para não ficar para trás, invoco as chamas ardentes do Inferno, o vazio do espaço, o poder das almas do esquecimento e principalmente o poder de todas as almas injustiçadas. Meu tamanho não cresce, porém, isso não me torna mais fraco, pois o meu poder é inigualável.

— Seu jogo sujo não irá me abalar!

— Não seja tolo, irmão. Não existe jogar sujo ou limpo, cada um possui suas habilidades. – Digo a ele, mas Michael apenas ignora.

O vejo voar em uma velocidade superior à da luz desaparecendo no céu, quando ele volta está vindo rapidamente em direção ao solo. Assim que ele se choca com o chão o impacto lança rajadas de vento e pedaços do solo em minha direção que eu corto com uma das minhas espadas. Os pedaços se partem e o vento é cortado pelo vento que minha espada fazia pela rapidez.

— Impressionante. – Admito observando tudo a sua volta, haviam inúmeros círculos formados por conta do impacto.

— Não me importo com o que você acha! – Grita Michael vindo em minha direção com toda sua força e rapidez, entretanto, quando ele deveria me atingir, seu corpo passa reto por mim. – Mas como?!

— Você não é o único com poderes nunca jamais vistos.

— Que bruxaria você fez?! Nosso pai não vai permitir isso!

— Querido irmão, Deus não pode me controlar, nossa mãe garantiu isso. – Explico seriamente, sua expressão era de desespero.

Rapidamente crio um chakram feito com os metais forjados no Inferno banhados com o caldo das flores do sono. Assim que arremesso o chakram, ele avança atingindo as dobras das pernas de Michael fazendo-o gemer de dor e se inclinar para frente.

Logo que o chakram volta para minha mão direita, eu o arremesso de novo. Antes que acertasse a cara de meu irmão, ele puxa sua espada, entretanto, meu chakram se divide em dois fazendo com que voltem cortando os seus cotovelos.

— Eu não me darei por vencido! – Grita ele partindo para cima de mim tentando me cortar, porém, desvio facilmente de seus golpes corpo a corpo.

Cansado de continuar com essa luta, por mais que tenha me entretido um pouco, empurro ele pelas costas o fazendo cair de cara no chão. Ele se levanta rapidamente conjurando um chicote de luz que quando acerta o chão lança rajadas de luz celeste.

Mexo minhas mãos como se fosse criar uma esfera, mas na verdade isso cria uma barreira de aura negra em toda a minha volta. Assim que as rajadas atingem a barreira, elas são ricocheteadas de volta com uma força maior ainda em direção a ele que tenta voar e desviar delas. Antes que ele pudesse acreditar que desviou de tudo invoco uma esfera que cobre o céu todo deixando o lugar completamente escuro. Rapidamente tudo começa a congelar a minha volta, as asas de Michael endurecem o fazendo despencar no chão.

Sobrevoo a cima dele e lanço toda aquela esfera direto em seu ser. A esfera é absorvida pelo corpo inteiro de Michael que aos poucos perde a cor, ele estava cinzento parecendo completamente sem vida, seus olhos verdes agora estavam brancos, seus cabelos loiros estavam finos e desbotados, a armadura agora eram farrapos de roupas, por último, seu corpo forte e másculo agora não passava de um corpo completamente acabado sem força e seco.

— Não o matarei, meu irmão. Apenas sentira o que eu senti naquele dia quando nossa mãe morreu.

Sem perder tempo pego uma das espadas e em um único movimento gracioso e rápido corto as asas de meu irmão que assim que tocam o solo evaporam em cinzas. Michael nunca mais poderia ter asas, elas nunca mais poderiam voltar, sendo assim, essa escolha que parece aparentemente “leve” para um arcanjo é um sinal de impotência e de fraqueza. Um “poder” arrancado e que nunca poderia retornar. A dor que senti da perda de nossa mãe, agora ele poderia sentir em suas asas.

— Esse é meu “presente” para você, irmão. Agora você é capaz de entender o que aquele dia significou.

Em um movimento breve com as mãos voltamos para a Terra. Viro de costas para ele pronto para voar até um dos portais ao meu Reino.

— Até nunca mais, Michael.

Depois de anos de sentimentos guardados, eu finalmente pude mostrar a ele como eu me senti tão impotente e fraco naquele dia. Eu finalmente agora posso estar em paz por conta de seu assassinato, mãe. Atingir Michael de alguma forma manda um lembrete a Deus. E agora, a alma doce, pura e amorosa de minha mãe poderá estar livre. Saiba que mesmo que sua existência tenha virado pó, eu sempre a amarei, Asherah.

Notas finais
O que acharam? Até!