Together By Chance 1 Temporada REBOOT
30 A Descendente Da Casa De Hécate
Notas iniciais
P.O.V Mônica Souza
— Ai, doeu... – Me queixo de dor.
Estudo e massageio meu braço direito com a intenção de amenizar a dor por ter lutado tanto. Entretanto, agora não é hora de descansar.
— É verdade! Ainda tenho que ir atrás dos meninos e da Maga. – Digo para mim mesma, deixando que meus pensamentos saiam em palavras.
— Não adianta procurar. Eles estão muito longe, longe de você...
De repente, uma escuridão imensa se espalha pela rua e por todo o céu. Era como se um blackout tomasse conta de tudo, engolindo as casas e tudo que havia no bairro, contudo, surge perante mim uma figura que emitia uma mínima aura de luz, ainda assim, suficiente para que eu o enxergasse. Tal ser tinha um formato parecido com o de uma minhoca, tinha dois braços pequenos e várias correntes pelo corpo, além de seus olhos transmitirem uma profundidade sem igual. Flutuava ligeiramente do chão e sua cor era amarelada com algumas listras pretas, tal como a escuridão que me tomava!
— Você é... Phóbius!
Esse monstro tinha sido derrotado por mim e pela Denise quando éramos crianças. O que ele estaria fazendo aqui? Como se libertou daquela caixa que o havíamos selado? Aquele ser ria loucamente enquanto o encaro. Seus risos me arrepiavam por serem tão exóticos e assustadores.
— Isso mesmo. Mônica seu nome, não é? De fato, eu estava preso, mas creio que você já deve ter se dado conta da tribulação de que esse planeta está vivendo. Graças ao senhor Astaroth que descobriu minha localização através de mensagens cerebrais que dei para ele, fui libertado por suas próprias mãos.
— Mas..., mas... quem guardava essa caixa era a Madame Creuzodete! Onde ela está agora? Diga!!! – Pergunto ansiosa e apreensiva.
— Ora, minha cara. O que você acha que aconteceu com ela?
— Você não...
— Bingo! – O monstro começa a rir vitoriosamente. – Astaroth já a mandou para o mundo dos mortos!
Quase que involuntariamente cerro meus punhos com força e deixo cair lágrimas de tristeza e frustração. Eu sabia que nesse caos todo iríamos ter mortes, mas nunca pensei que perderia pessoas próximas. Ela era minha amiga, nos ajudou já em muitas confusões de outrora e esses monstros a mataram! Não!!! Eu não aceito perder mais amigos!!!
— Agora, com meus poderes, governarei esse planeta e futuramente, toda a existência! Lembra da última coisa que lhe falei? "Um dia voltarei e vou dominar o mundo". E esse dia chegou hoje!
Avanço para cima de Phóbius e o encho de socos, mas que no fim, não adiantaram em nada. Os socos transpassavam seu corpo que parecia inatingível.
Por utilizar minha força, e também, por conta da batalha passada, começo a arfar de cansaço, entretanto não me dou por vencida!
— Garota ingênua, acha mesmo que ataques físicos podem me atingir? Sua tolice será o seu pior castigo, Mônica!
Correntes vindas da escuridão me envolvem e sinto uma dor extremamente terrível. As correntes lentamente quebram meus ossos dos braços me fazendo soltar um grito de dor agonizante.
— Ora, quem diria que veria você gritando de dor tão rapidamente assim? Não se preocupe, só estamos começando!
Suas correntes que antes me prendiam, deixam de envolver meu corpo e acabo caindo no chão de joelhos. As pontas antes circulares, tomam formas extremamente pontiagudas e acabam perfurando minhas mãos, braços e pernas, me fazendo gritar novamente de dor.
Estava sendo torturada como nunca antes em minha vida. A quantidade de sangue que escorria de mim era grande enquanto as correntes ainda grudadas em meu corpo rasgavam minha pele e músculos de maneira lenta e sádica.
— Isso, Mônica! Sofra! Chore! Receba tudo o que merece pela humilhação que me fez passar! Contudo, não pense que será apenas você que vai sofrer! Saiba que atacarei e destruirei tudo em você, tudo mesmo.
Abro meus olhos lentamente e vejo a rua do bairro do Limoeiro num dia ensolarado, haviam algumas pessoas andando normalmente e crianças brincando no campinho. Eu via tudo de cima sem poder me mover. Ainda me sentia presa pelas correntes daquele maldito fantasma.
— Obrigado, turma. Vocês foram muito legais em me ajudar nisso! O aniversário da Mô é amanhã e me custou muito fazer esse bolo sem poder usar meus poderes.
Ouço uma voz conhecida em baixo de mim. João estava andando com Cebola, Cascão, Magali e DC carregando um bolo de morango com duas velinhas. Meu namorado e meus melhores amigos juntos.
— Que nada cara, de boa! – Afirma Cascão.
— Eu ainda vou querer um pedacinho, hein? – Percebo Magali encarando a comida com olhos pidões.
— Eu ainda acho que bolo de Jiló com creme de queijo uma pedida melhor! – Vejo DC soltando aqueles comentários bem exóticos.
Ver aquela cena me enchia de paz. Parecia que estava vendo um dia normal do bairro do Limoeiro. Todavia, apenas parecia mesmo.
Do nada sinto um terremoto se iniciando, todas as casas do bairro começam a serem destruídas, várias pessoas viram monstros horrendos devoram meus amigos. Um banho de sangue. Vejo partes do corpo do meu namorado sendo estraçalhadas e jogadas ao ar ao ser devoradas por um demônio verde. Ouço gritos de dor vindo deles, num sofrimento que parece ser interminável.
— Você vê, Mônica? Seus amigos sofrendo, morrendo e você não pode fazer nada. – Ouço uma voz que parecia não ter dono chegar a meus ouvidos.
Começo a rir descontroladamente.
— Hum? – A imagem desaparece e logo vejo a escuridão tomar conta de tudo novamente enquanto Phóbius se materializa em minha frente.
Não conseguia não rir da cara do fantasma que estava parado diante de mim.
— Do que está rindo, sua patética mortal? Não sabe que sua vida agora depende de meu humor?
Todo o meu corpo se contorcia de dor. Muito sangue escorria de meu corpo e o sofrimento que eu passava era gigantesco. Contudo, tinha um pequeno fator que ele não recordava de que eu sabia.
— No fim, Phóbius, além de covarde, você é um ser patético!
— O quê?!
— Você acha mesmo que suas falsas correntes podem me segurar?
Faço pouca força, e logo, me desprendo das correntes que ao mesmo tempo somem no ar, virando pó.
— Maldita! Como você... Eu fiz seu maior medo se tornar realidade e você nem foi afetada!
— Phóbius, eu já enfrentei você antes. Eu tinha sete anos e te derrotei. – Digo enquanto caminho até ele. – Sei que você controla o medo existente em nós. De fato, você não errou. O meu maior medo é sofrer perecendo nas mãos de alguém e ver meus amigos na situação mais complicada possível. Mesmo assim, como já te disse antes, te derrotei. E sabe o motivo?
Assim que paro em sua frente o pego pelo pescoço com minha força. Aos poucos, todo o sangue, dores e marcas de sujeira vão desaparecendo de meu corpo.
— I-impossível... – Phóbius gagueja.
— O motivo pela qual sua derrota é iminente, é porque você não é real! É simplesmente imaginação, fantasia!
— Você... você realmente cresceu...
— Enfrentei inimigos e adversários que muitas vezes não dependia de força bruta, precisava utilizar a inteligência também. E você, é simplesmente o mais fraco e tolo de todos eles. A Madame Creuzodete disse que você era uma entidade. Como uma entidade que ataca as fraquezas e falhas do ser humano, pode ter o direito de existir?
Phóbius estava em minhas mãos.
— Agora, seu cretino, liberte os meus amigos ou você vai se dar mal! Sei que você está com eles!!! – Pressiono fazendo força no braço o qual o segurava.
— Não se engane, garotinha...
Phóbius se dissolve das minhas mãos e logo aparece em minha frente novamente.
— Eu não sou um humano ou um simples fantasma. Sou a entidade do medo, o que traz a dor, o sofrimento e o caos a todo ser vivo. Os meus poderes não seguem a casualidade.
— Eu não estou nem aí para o que você é! Apenas traga quem você prendeu de volta agora!!!
— Eles estão num lugar bem longe. Acho difícil você vê-los.
— Cretino!!! Você...
Num piscar de olhos, um clarão toma conta de Phóbius, quando o clarão se vai, percebo que o monstro havia desaparecido. Fico sem entender, mas não creio que ele tenha fugido. Não era apenas isso que acontecia.
— Mas o quê?!...
Aos poucos, uma sensação estranha surgia em meu corpo, não demorou muito até que sinto-o desmaterializar-se. No mesmo instante, percebo que estou num lugar exótico, onde haviam várias montanhas ao norte e os ventos eram suaves, ao mesmo tempo que traziam calafrios. Porém, creio que esses calafrios eram referentes ao ser que estava na minha frente.
— Está cansada, Mônica? Acho que sim, você tá seminua e um pouco tostada, né? Tenho que admitir que meus servos são uns lixos fracos por não terem conseguido acabar com você.
Não é possível! É aquele demônio que surgiu no acampamento!!! O monstro que tomou o corpo de João!!!
— Isso mesmo, sou Sairaorg Gremory. O futuro deus desta terra!
— Maldito! Pare de ler meus pensamentos e devolva o João!!! – Grito tentando resistir à pressão que ele me fazia.
Me sentia oprimida por ele. Nunca fiquei assim. Parecia ser um coelho prestes a ser pego por uma cobra. Ele começa a rir.
— Pobre tola, apenas ajoelhe-se perante toda minha magnitude!
A grande pressão cobre o meu corpo e imediatamente eu me ajoelho perante ele. Como pode eu, a líder da turma que já enfrentou seres especiais e todo tipo de ameaça, me sentir submissa e incapaz perante esse demônio nojento?
— Admito que minha contraparte pura tem bom gosto. Porém, ele bem que podia ter conseguido algo melhor.
— Deixe de bobagens! Traga o João de volta agora!!!
Com muito esforço me levanto e resisto a pressão que ele exerce sobre mim.
— Imbecil! Fique feliz por ainda continuar viva. São poucos os que se opõem a mim que continuam respirando.
— O que você quer de mim? Já não basta ter roubado meu namorado e iniciado esse apocalipse?!?!
— Quero seu corpo para mim. Agora!
— O quê?!
— Sabe, eu vi você lutando contra todos os meus soldados através dessa bola de cristal. – Ele aponta para a esfera cristalina em seu lado esquerdo da poltrona que está sentado. – Eu achei muito interessante sua força e dedicação. Quero ver se é tão enérgica assim em outros assuntos. – Ele sorri maliciosamente.
— Você não vai tocar em uma só parte do meu corpo! – Invoco meu Sansão e o arremesso com toda minha força contra Sairaorg. – Tome!!!
Entretanto, invés da minha arma o atingir, ela fica parada no ar, lentamente a mesma se vira e vem em minha direção me obrigando a saltar para o lado para que eu pudesse desviar. O Sansão veio tão forte que causou um buraco praticamente sem fundo na terra.
— Patética. – Fala Sairaorg num tom bem assustador.
Ele parece ser um oponente que não conseguirei vencer.
~~ Alguns Momentos Antes ~~
P.O.V Magali Lima
— E lá se foi mais uma horda de demônios. – Digo levando vários demônios irracionais para sua extinção.
Tinha voltado para São Paulo, mas ainda estava longe do bairro do Limoeiro. Via que em todo o mundo, o principal foco de demônios destruidores era a minha cidade natal. Vários anjos e demônios nesse momento travavam batalhas intensas, e eu tinha que fazer minha parte ajudando Ângelo a proteger onde vivo. Gostaria muito de saber onde ele está.
Caminho com intenção de chegar a meu bairro, mas percebo três luzes vindo em minha direção parando em minha frente, contudo, não são inimigos e sim, anjos!
— Olá! – Levanto minha mão esquerda os cumprimentando de longe. – Fiquem tranquilos, eu derrotei os demônios daqui e...
— Fique parada onde está, submundana!!! – Afirma um dos anjos em um tom hostil.
— Acho que está haven..
Minha fala é interrompida quando um deles me acerta na cara com um poderoso chute. O ataque repentino me faz cair no chão.
— Ai! – Coloco minha mão rapidamente curando o local atingido. – Vocês são mesmo anjos?
— Claro que somos, sua impura!
Outro anjo joga bolas de energia em minha direção que viram algemas ao tocarem nos meus dois braços, me prendendo ao chão.
— Mas afinal, quem são vocês?! Por que estão me atacando? – Pergunto confusa e irritada.
— Raguel. – Raguel era o anjo mais alto dos três, tinha pele escura, olhos azuis e cabelo baixo. Tinha o corpo bastante robusto e vestia uma camisa branca com calça preta.
— Eu sou Kyle. – Kyle tinha longos cabelos cacheados louros e olhos castanhos, sua pele era branca como neve. Trajava a mesma coisa que Raguel.
— E eu, Hiodô. – Hiodô era o mais forte fisicamente e empunhava uma espada de metal em sua mão esquerda. Tinha uma pele morena, olhos pretos e cabelo parecido com um estilo Channel. Poderia dizer que ele seria uma mulher se o seu terno branco com gravata rosa e o sapato cor-de-pele claro não o denunciasse como homem. – E você garota, identifique-se!
— Sou Magali, bruxa herdeira da casa de Hécate. – Falo enquanto disfarçadamente vou me soltando das algemas.
— Olha, uma bruxa! Então nossa pista não estava errada. – Alega Hiodô para os outros. – Então dê adeus a esse mundo garota!
O anjo vem em minha direção com um movimento em diagonal tentando me decapitar com a espada, mas acaba atingindo o chão causando um barulho enorme com o impacto, por eu ter conseguido me libertar e sobrevoar.
— Qual a razão de vocês estarem me atacando? Eu não sou um demônio, nem inimiga do Reino Da Luz. – Questiono enquanto flutuo graciosamente no ar.
— Bruxas tem de morrer!!! – Grita Kyle materializando uma submetralhadora de cor branca. O anjo grita ferozmente em um tom de guerra.
Vários tiros de energia são lançados a mim e ricocheteados pelo escudo de energia que invoquei na mesma hora.
— Morra! – Fala Raguel.
Rapidamente o vejo segurar firme seu arco enquanto flechas de energias de cor roxa eram lançadas a uma velocidade superior à do som vinham em minha direção. As flechas esbarravam e se dissipavam entrando em contato com meu vestido. Raguel me ataca sucessivamente do lado esquerdo, lado contrário onde Kyle me enchia de tiros enérgicos.
— Eu já disse que não sou inimiga de vocês!!!
Expulso fortemente meu poder mandando os dois Anjos Guerreiros pelos ares. Após isso, uma grande bola de energia elétrica é mandada em minha direção, sinto ela explodir no simples toque em minha pele.
— Gostou?! – Ouço a voz de Kyle me provocando.
Após a fumaça se dissipar, vejo que nada disso tinha me afetado. Eu estava sem nenhum arranhão e minhas roupas foram levemente chamuscadas.
— Impossível! Eu coloquei toda minha força nesse ataque! – Afirma Kyle perplexo. – Afirmo novamente que bruxas devem morrer!!!
Diversos tiros novamente são lançados contra mim, mas eles incomodavam menos do que o fato dos anjos, que normalmente são seres bons e protetores, atacarem alguém que está do lado deles.
— Deixa eu ver se entendi, vocês estão me atacando apenas por eu ser uma bruxa?! – Digo após parar a disparada de tiros afetando Kyle com uma esfera de energia.
— Exatamente! – Confirma Raguel secamente olhando em minha direção com repulsa.
— Vocês pensam estão no tempo da Inquisição? Pois saiba que a "bruxa má" aqui vai lhes ensinar uma coisa!!!
Faço um movimento circular com as mãos num gesto rápido, cordas mágicas aparecessem e prendem os três amarrando todos os seus corpos, cessando o ataque contínuo. Kyle e Raguel caem sentados no chão e logo os três ficam bem juntos. As cordas eram como ímãs e se grudavam caso ficassem perto uma da outra.
— Nos solta!!! – Ordena Hiodô se debatendo loucamente junto com Kyle. – Nos tira daqui logo se não irá se arrepender!!! – Ameaça.
— Vocês acham que estão em posição de ficar exigindo alguma coisa? – Digo em um tom suave.
— Tire-nos daqui!!! – Kyle gritava tanto que começava a me incomodar, então com um simples estalar de dedos, faço com que um sono pesado toma conta de seu corpo.
Era incrível como que alguns feitiços eu era capaz de fazer sem pronunciar palavras, apenas agindo de forma natural. Era como se eu fosse uma deusa.
— Desgraçada! Com mais um de seus truques, né? – Hiodô estava me encarando com ódio. – Qual o próximo passo? Nos matar?
— Vocês são fortes e deviam estar me ajudando a vencer esses monstros. Por favor, não continuem ameaçando minha vida. Eu não sou sua inimiga!
— Eu jamais seria benevolente com a aliada de Asuna!!!
— Asuna?! – Digo confusa.
Claro, só pode ser a Monique.
— De onde você a conhece? – Pergunto seriamente.
— Ela sempre foi uma das vadias de Lúcifer!!! Aquela maldita desgraçada, com toda a certeza sei que ela é uma das responsáveis por estar comandando esse caos. Aquela Andarilha preferiu o Satanás que a mim quando eu estava vivo...
— Tudo isso é dor de cotovelo? – Pergunto abismada, achando até levemente engraçado.
— Não totalmente. – Ele dá uma leve risada.
Olho para trás e vejo Ângelo voando em minha direção, empunhando uma espada e trajando uma armadura prateada.
— Ângelo, quem são eles?
— Desculpe, minha flor. – Se pronuncia Ângelo passando por mim e encarando os três. – Esses três são apenas anjos malcriados e rebeldes.
— Ângelo, tire-nos daqui! – Grita Hiodô.
— Vocês! Será que não aprendem? Depois do milagre e da confiança que Deus deu a cada um de vós, continuam a cometer erros?
— Como assim, Anjinho?
— A razão da confusão é que esses três aqui eram três caçadores ferrenhos de bruxas e feiticeiros na época da Inquisição. Por causa deles, diversos e diversas bruxas foram mortas injustamente.
— Fizemos o que tinha de ser feito! – Afirma Raguel com o mesmo tom indiferente de antes.
— O castigo deles era estar condenado ao Inferno por toda a eternidade no início, mas após anos e anos seguidos pedindo clemência e libertação, Deus livrou suas almas de um duro sofrimento e eles foram transformados em Anjos Guerreiros. Anjos que deveriam manter a paz e a ordem.
— E é isso que estamos fazendo, seu imbecil!!! – Grita Hiodô com raiva.
— Vocês são irracionais? Esse foi o motivo de serem inicialmente condenados ao Reinos Das Sombras. Magali é uma menina doce e pura que está nos ajudando nessa batalha! Como vocês podem ser tão cegos e atacar alguém que está tentando acabar com esses demônios?
— Bruxa é bruxa. São submundanos desprezíveis e nojentos. Não me arrependo do que fiz e do que faço! – Afirma Raguel dando de ombros.
— Vocês serão imediatamente julgados pelo nosso Senhor!
— Espera, Ângelo. Vou poupar seu tempo até pois imagino qual seria o julgamento deles.
Me aproximo dos anjos e estendo minha mão esquerda em suas direções fazendo com que uma forte luz surja envolvendo-os, quando a luz se dissipa as asas e aureolas haviam desaparecido.
— Mas que?!?! O que você fez? – Pergunta Hiodô se debatendo mais.
— Rebaixei vocês a humanos novamente. Com toda certeza o Reino Da Luz não deixaria um bando de anjos rebeldes com os poderes que vocês têm, assassinar qualquer um que considerem mau.
— Maldição, voltei a ser um humano fraco! Quem você pensa que é pra definir o que somos ou não? Apenas Deus tem autoridade para tal feito!!!
— De certa forma, isso não é muito diferente do julgamento que o chefão lhes daria, viu? Até pois se fosse distinto, com toda a certeza eu já levaria uma chamada por telepatia. – Fala Ângelo piscando pra mim enquanto abre um portal e os "joga" para dentro dele. – E você Maga, é melhor entrar também. Aqui estará segura.
— Você sabe que não posso fazer isso, Ângelo. É meu dever ajudar vocês que estão do lado do bem.
— O campo de batalha é um local repleto de sangue e mortes...
— O qual eu estou destinada e fadada a enfrentar. – Digo o interrompendo.
Ângelo suspira. Percebo que ele havia entendido o recado.
— Já vi que nada que te disser irá fazer você mudar de ideia, né? Também percebo que você não é mais a mesma Magali de outrora. Bem, vou indo então. Toma cuidado, viu?
— Ângelo, espera! – O chamo.
— Que foi?
— O que de fato aconteceu entre a Monique e você? Toda vez que citamos o nome dela, você... – Antes de completar minha frase, sou “cortada” por ele.
— Nos falamos mais tarde, Magali.
Ângelo alça voo logo saindo do meu campo de visão. Sentia uma culpa vinda do meu Anjo da Guarda, e desde sempre sentia um clima de rivalidade vinda deles. Sei que esse não é o momento para desenterrar feridas do passado, mas se quisermos superar essa crise, teremos que estar juntos, unidos.
~~~~~*~~~~~
Os meus poderes! Eu tenho pleno controle deles e eles estão em seu auge. Estou incrivelmente poderosa, tanto que já derrotei muitos demônios no caminho. Porém, eles não param de aparecer. Mesmo aqui no bairro do Limoeiro onde estou, eles aparecem em forma substancial, sendo provavelmente atraídos por meu poder.
Sem mencionar uma palavra e apenas levantando um dedo, dezenas de demônios viram pó instantaneamente. Olho para os lados e percebo que nenhum demônio agora restava nesse bairro, estava totalmente desértico.
— Parece que o Ângelo ajudou todos do bairro a se esconderem. Enfim, acho que vou tentar lidar com o chefão logo para ver se essa invasão de demônios acaba.
"Não!!!" Uma voz no meu subconsciente ecoa, essa voz... Cebola! Ele está em perigo!
— Cebola?!
Não consigo localizar sua presença. Apesar de sua voz, ele não está nesse plano, ou melhor dizendo, nessa dimensão. Conjuro um feitiço e, saindo do local onde me encontrava, olho ao redor, me encontro em um ambiente tranquilo fora da realidade, onde tudo era sombrio, sem vida e destruído. Pessoas passavam sem falar com ninguém, sem expressões em seus rostos. Pareciam mortos-vivos. Estou no mundo dos sonhos e sei disso, pois os conhecimentos concedidos por tia Nena e Viviane atingem uma quase onisciência.
— Cebola?!
A figura que eu via do Cebola diante de mim era totalmente fora de seu ser. Ele estava na rua, suas roupas eram maltrapilhas, e ele tinha envelhecido muito. Sentado no chão, pedia esmolas a todos que passavam em sua frente.
— Cebola!
Corro em sua direção e o seu mau cheiro fica evidente quando fico em sua frente.
— Uma esmola, por favor, moça...
— Cebola?! Não está me reconhecendo? Sou eu, Magali!
Ele me mostra uma expressão duvidosa.
— Impossível!
— Como?
— Magali foi morta há cerca de trinta anos. Ela era uma amiga minha. Você deve ser alguma descendente dela. – Cebola se levanta e caminha numa direção oposta à minha se apoiando numa bengala. – Desculpe, mas tenho de ir.
— Espera aí! – Corro ficando em sua frente novamente. – Eu? Morta?
— Você não! A Magali. Há cerca de trinta anos atrás houve uma guerra entre Anjos e Demônios, na qual Sairaorg, filho de Lúcifer ganhou, e agora, ele comanda esse mundo com seus demônios. Todas as pessoas boas que lutavam pelo bem, acabaram tendo suas vidas destruídas e agora são perseguidas e/ou escravizadas pelos demônios servos de Sairaorg. Por mais que pareça um ambiente tranquilo, todo o planeta virou um Inferno na Terra. Meus pais, Magali, Mônica, Cascão, Xaveco e toda a turma foram mortos ou transformados em escravos ou demônios. No fim, eu fui o único que restou...
Entendi logo de cara. Alguns demônios pareciam ter poderes para fazer mortais irem para o mundo dos sonhos, e esse mundo, era o pior cenário existente para o meu amigo. Estendo meu braço e coloco em seu ombro.
— Amigo, você confia em mim?
— Como posso confiar em uma pessoa que nem conheço?
Cancelo a ilusão mental que tomava o corpo do Cê e rapidamente seu corpo começa a mudar. Seu rosto volta a ser juvenil, suas roupas antes estraçalhadas, ficam novas e seu mau cheiro desaparece.
— Mas o que... Magali?! O que está acontecendo?!
— Simplesmente fiz você voltar ao normal. E também restaurei suas memórias. – Falo aliviada e abraço meu amigo com força.
— Onde estamos? Aqui parece o Limoeiro, mas está tudo tranquilo. Estávamos em meio ao caos.
— Isso é uma dimensão alternativa a realidade. Agora preciso que segure minhas mãos e esvazie sua mente. – Digo saindo do abraço.
Cebola fecha seus olhos, e aos poucos, todo esse cenário vai desaparecendo. Logo, nos encontramos em um vazio. Um local onde não se tinha noção de tempo ou espaço. Só a escuridão preenchia tudo.
— Cebola, me diga, quem estava com você?
— O Cascão e a Mônica. Estávamos te procurando, e após uma briga que tivemos do nada uma escuridão tomou a mim e eu adormeci. Depois, não lembro de nada.
— Provavelmente, a criatura que fez isso tem poderes sobre a cabeça das pessoas. Venha, Cebola! Precisamos achar os dois.
O cenário que preenchia os medos de Cebola já havia se extinguido. Também senti que Mônica estava realizando esse feito sem ajuda então agora tenho que salvar o Cas.
— Maga, você acha que encontraremos o Cascão e a Mô aqui?
— É possivelmente o lugar mais provável onde ele deve estar. Phóbius ataca a mente das pessoas e seus maiores medos. Contudo, a Mô parece ter se dado bem.
Um portal se abre, Cê e eu o adentramos. Havia uma cidade que era tomada pela poluição, violência e destruição. Invoquei um feitiço para que Cebola e eu fôssemos invisíveis a qualquer olho humano, exceto o do Cascão.
— Maga, veja!
Cebola me aponta um local e vejo o Cascão sentado na calçada, de short e camisa amarela. Mesmo parando em sua frente, era como se ele não me percebesse. Seu olhar era fixado no horizonte, onde várias brigas estavam acontecendo por mero acaso.
— Cascão? Cascão!!!
— Não adianta, ele está em uma fase parecida com a que você estivera antes. Sem noção do que realmente é real. Parece que ele está vivendo uma ilusão dentro desse mundo.
— Ele... está sonhando dentro do sonho?!
— Basicamente isso.
Seguro suas mãos e percebo que seu consciente via várias mortes, sendo elas de toda sua família, amigos e pessoas que eram queridas por ele. Não só sua família, Cascão ainda vivia em um mundo onde se culpava pelo acidente da Cascuda (que foi falso, mas em seu subconsciente era real), e que os eventos após tal acontecimento era que todos viam sendo mortos, um a um.
Não!!!
Magali!!!
Em um cenário idêntico ao que vivemos atualmente, eu, em sua ilusão estava sendo morta por um demônio menor que me atacava perfurando meu corpo e alisando minhas partes íntimas. A língua dividida do monstro entrava em minha boca, e aos poucos, ia sendo estuprada enquanto Cascão, amarrado numa corrente grudado a uma parede, era violentamente espancado por outros demônios de fogo.
— Não!!!
Recuo três passos para trás e caio de joelhos no chão. Cebola vem em minha direção e me ajuda a levantar.
— Maga! Maga!!! O que houve?
— Eu estou bem. – Digo me levantando. – O que o Cascão está vivendo é um cenário totalmente horrível dentro de seu coração. É como se ele não estivesse mais vivo.
— O quê?! Mas, você não pode o libertar dessa ilusão, assim como fez comigo?
— Posso, mas a ilusão é tão profunda, tão real, e o cenário que o Cascão vive é tão intenso, que dificilmente palavras adiantariam. Para isso, tenho que derrotar aquele que causou tudo isso. – Abro as mãos e me concentro para invocar o causador dessas cenas. – Libere Stephus!!!
Ao pronunciar tal feitiço, a figura que atormentava Cebola e Cascão surge em minha frente.
— Ei! Eu conheço esse... essa... coisa!!!
— De onde você o conhece?! – Pergunto curiosa.
— A Mônica e eu enfrentamos ele no passado, mas conseguimos vencê-lo. Não acredito que ele está livre novamente!
— Então, você me teletransportou para cá. – Phóbius me encara. – Herdeira da casa de Hécate. Saiba que a garota que com quem brincava agora estava prestes a testemunhar meu verdadeiro poder, mas jogar com um ser que vive no extremo poder das bruxas mais poderosas de várias eras, é algo muito mais divertido.
Phóbius era um ser que vivia no mundo desde os primórdios do universo. Era até compreensível que soubesse quem eu sou e da minha descendência.
— Você já fez muito das suas, Phóbius! Eu não vou continuar permitindo que você cause mais problemas às pessoas! – Falo irritada.
— Maga, nem parece que é você... – Confessa Cebola.
— Acha mesmo que alguns simples truques seus de magia podem me destruir? Deixe-me mostrar algo, jovem feiticeira.
As correntes que cobriam seu corpo caem no chão, e lentamente, se dissolvem tomando uma forma humana. Aquilo eram almas.
— Está vendo? Isso são almas que suas tataravós fizeram para me selar.
Graças ao conhecimento me concedido por tia Nena, sabia do que aquilo se tratava. Mesmo na Idade Média, a depressão já era uma doença existente, mesmo que ninguém soubesse o que era, e nem mesmo existia sua definição.
Contudo, várias pessoas, principalmente no Leste Europeu ou nos lugares onde hoje se encontram o Japão e o continente asiático, suicidarem-se por medo, pois Phóbius as atormentava psicologicamente, às levando a extrema loucura. Tais pessoas que se suicidaram por conta do medo, tinham suas almas pelo controle de Phóbius.
Nessa mesma época, diferente do que se pensava, bruxas lutavam para proteger pessoas de demônios ou de fantasmas que atormentavam nações e povos. Minhas avós, Lelston e Phalena, usaram tais almas que estavam como meros peões nas mãos dele para limitar seus poderes, como forma de correntes, e o selaram para que Phóbius não tivesse como escapar do baú de Valentine, dando um descanso a essas almas perdidas.
— Ataquem!
Todas as almas vêm em minha direção e na de Cebola. Crio uma barreira onde todas essas almas se desfazem ao tocar, contudo, eram várias e voltavam ao normal instantaneamente após se dissolverem.
— O que está fazendo?! Aquelas almas vão nos atacar uma hora ou outra, temos que fugir!
— Elas não fazem isso por vontade própria. Mesmo mortos, suas almas ainda são controladas pelo medo e não têm seu descanso necessário. Não posso destruir essas almas ou deixá-las numa prisão eterna para deter esse miserável.
— Pequena tola! – Phóbius fala com puro desdém de minha atuação. – Como pretende me bater sabendo que essas almas são minhas escravas?
— Antes, minhas avós te derrotaram pois não sabiam como retardar seus poderes, porém Phóbius, eu sei como te dar um fim definitivo.
— Como?
— As almas, que são guiadas pelo medo, pelo terror, nunca tiveram um real descanso, entretanto, fui ajudada a ter tais poderes e conhecimento que vai além da imaginação humana e científica. -Estendo a minha mão e recito um antigo feitiço, a qual tinha apenas uma finalidade, libertar almas que estavam aprisionadas. – Haizen Storius!
Uma luz extremamente forte surge em meio aos céus que se encontrava escuro. Toda essa luz em forma circular libera uma energia que purifica as almas que estavam ao chão.
— Mas como?!
— Phóbius, todas as almas antes aprisionadas, estão indo para o lugar de descanso. Todo esse terror, medo, que fazia você ter o controle dessas pessoas, tudo isso está se desfazendo!
— O que está acontecendo?! E o meu corpo...
Ao ser envolvido na luz, aos poucos, o ser de Phóbius vai queimando e se dissolvendo em meio a tal força.
— Essas almas foram libertas do medo. Porém, você é a personificação desse sentimento. Phóbius, se esse ataque purifica todas as almas da aura maligna e a transfere para um ambiente de paz, você que não possui nada de bondade e é a personificação do próprio medo, será apagado, para sempre.
Phóbius solta um enorme e alto grito de agonia e desespero.
— Incrível! – Cebola ao meu lado, relaciona perplexo.
— Maldita seja, anomalia universal! Maldita seja a casa de Hécate!!! – Elevando seu tom de voz, Phóbius despeja suas palavras como se me amaldiçoasse.
Tal feitiço o reverteu ao nada. Aos poucos, tudo vai se desfazendo e voltamos a nossa dimensão normal. Quando retornamos ao bairro do Limoeiro, Cascão cai, desmaiado. Cebola vai e carrega o amigo em seus braços.
— Não se preocupa, ele está bem. Como Phóbius foi destruído, ele foi liberto do campo dimensional que estava preso.
— Maga, é incrível! Você recuperou seus poderes e os está utilizando de forma extremamente eficaz. Como conseguiu isso?
— Eu explico isso mais tarde. Agora, vocês precisam ir.
— Mas o que...
— Sem discussão, Cebola.
Abro um portal com a simples força do pensamento, o portal os levaria a parte mais segura presente na Terra. Para onde eu não sei, mas tal encanto serviria para deixá-los em um lugar que os demônios nunca alcançariam facilmente.
— Uma ameaça poderosa está prestes a surgir e vocês devem ficar seguros. – Coloco minha mão sobre o seu ombro. – E diga ao Cas que depois disso darei uma ótima surpresa a ele.
— Maga, tem certeza que não quer minha ajuda?
— Fiquem a salvo a partir de agora. E não escapem mais dos lugares que sejam confiáveis.
Cebola balança a cabeça com um sinal de positivo e rapidamente fecho o portal pois quem estava prestes a aparecer era mais que ameaçadora, era simplesmente, um dos maiores demônios que existia e um dos seres mais poderosos do universo. Sua figura, era tão poderosa que literalmente aos poucos, todo o espaço-tempo e a Terra tremia mesmo não se manifestando totalmente no local.
— Saia já daí, Astaroth.
— Oh, então já havia notado minha presença?
Aos poucos, Astaroth surge em carne e osso a minha frente, flutuando à vários metros do chão.
— Só poderia ser uma herdeira da casa de Hécate. Realmente, depois de gerações, voltei a me encontrar com sua descendência.
Astaroth desce e ficamos apenas a alguns passos de distância um do outro. Sinto que a tensão tomava conta do ar.
— Quem diria que depois de anos, eu retornaria a Terra, sem nenhuma relação com vocês.
— Parece que minhas tataravós não lhe deram uma lição a altura. O que ganhará servindo a Sairaorg?
— Olha lá como fala. Apesar de estarmos em lado opostos, você ainda me deve respeito, neta. Meus genes, parte de meus poderes, existem em você nesse momento.
— Cale a boca!!! Eu me recuso a aceitar que meus poderes venham de você, maldito!
— Querendo ou não, parte de mim está em você! Sua avó Phalena era uma mulher extremamente fértil sabe...
— Já mandei você calar essa boca!!!
Repentinamente o ataco com alguns raios que caem das nuvens escuras do céu, os quais facilmente ele consegue desviar.
— Ora, minha cara, acha mesmo que tais ataques tão lentos podem me alcançar ou me ferir? Se quiser me atacar efetivamente deve fazer algo parecido com isso aqui.
Astaroth levanta suas mãos e uma espada em chamas se forma nos ar. Ele empunha essa espada e me ataca fervorosamente com vários ataques contínuos, mas me esquivo com perfeição de todas as investidas feitas.
— Ora, parece que ganhou variadas formas de batalha também. Além do poder, ganhou habilidades marciais?
— Não seria uma bruxa completa se não soubesse ao menos algumas técnicas de luta. – Astaroth dá várias risadas após eu dizer isso.
Parece que ele estava se divertindo com o rumo que a batalha tomava.
— Tem razão, então atacarei com algo muito mais sério.
— Como?!
De uma forma rápida, sua energia maligna começa a crescer. Parece que toda a órbita planetária estava tremendo. Em suas mãos, um fogo extremamente vermelho sangue estava se formando e tomando conta de seu corpo. Isso não pode ser!!!
— Não podemos continuar aqui!!! – Estendo minhas mãos e as aponto para o seu ser. – Planetus Staeteis!!!!
Rapidamente uma luz no envolve e nos teletransporta a um local vazio totalmente sem vida, sem luz, parecendo com um deserto no fim de um pôr do sol. Ao mesmo momento que somos teletransportados, uma bola de fogo me atinge e acabo voando para longe, caindo no chão. Lentamente, ele se aproxima de mim e observa ao redor.
— Onde estamos? Aqui... não parece a Terra.
— Exato. – Respondo, lentamente me levantando perante ele. – Aqui é Triedus, um planeta inabitável localizado a bilhões de anos-luz da Terra. O calor que você está emanando nessa forma é absurdamente alto e só sua presença poderia matar milhões de inocentes de uma só vez.
— Mas é claro. Eu simplesmente invoquei as chamas do Inferno. As chamas que estão localizadas nas Ilhas de Tortura do Reino Das Sombras. – Astaroth aos poucos vai formando algumas bolas de fogo em suas mãos. – Tais chamas possuem um calor de 200.000 graus, que seria quase igual a um calor 34 vezes maior que o do Sol. Parece que você também se revestiu de um poder especial, capaz de resistir a tal temperatura. É realmente incrível você fazer isso com tamanha rapidez.
Astaroth tinha razão. Caso eu não tivesse revestido meu corpo de uma magia que impede o calor de me alcançar, eu já estaria morta a muito tempo.
— Esse planeta, também será o seu túmulo, Astaroth!
— Essa eu pretendo ver.
O demônio rapidamente solta várias bolas de fogo, que eram direcionadas a mim sem cessar. Mesmo conseguindo desviar, sua velocidade era extremamente alta, a ponto de causar vários rasgos no espaço-tempo, e seu calor era tão árduo que todo o planeta entrava em um cataclisma ambulante.
— Droga! Não posso ficar me esquivando apenas. Preciso reagir! – Penso em voz alta.
Rapidamente, sussurro bem baixinho um feitiço fazendo uma parede de gelo surgir em minha frente me protegendo de todas as bolas de fogo, dissipando-as totalmente.
— Essa é a parede de gelo eterna. Uma invenção executada por antigos feiticeiros para proteger de qualquer ataque climático. Apenas mudei sua forma para que me protegesse de seus ataques.
— Podem até te proteger de minhas bolas de fogo comuns, mas não te protegerá disso!
Astaroth flutua para o alto e, em suas mãos, uma gigantesca bola de fogo se forma, muito maior que as antigas. Emanando um calor ainda maior que antes, a bola de fogo cresce cada vez mais, a ponto de ser possível vê-la até mesmo fora desse planeta.
— Não escapará disso, netinha. Não se esse planeta for completamente destruído!
— Acho que nem a parede me protegerá disso... – Sussurro para mim mesma.
Consumindo a parede de gelo completamente, a bola de fogo se choca com o solo do planeta causando uma destruição tão imensa e incalculável que o planeta explode, totalmente.
— Não tente esconder sua presença, linda netinha! – Ouço ele falando de costas para mim.
— Já disse que não sou sua neta!
Me envolto em um campo de força roseado, contatando com ele telepaticamente. Estamos no espaço sideral, onde não se tem nenhum oxigênio, logo é impossível pronunciar uma só palavra.
— Maldito! Variadas formas de vida poderiam se desenvolver ali. Não mostra remorsos ao destruir um planeta inteiro?
— Remorsos? Acha mesmo que um simples sentimento humano existe em mim? Eu sou Astaroth, um dos grandes reis infernais! E você devia deixar de proteger seres que tentaram matar seus descendentes.
— Eu não vou deixar você fazer o que quer!
— Por qual razão? Magali, você não é uma bruxa. E sim uma anomalia. Metade bruxa, metade filha do fim... Um ser único existente no universo. E dotada de poderes tão maravilhosos que enfrentam os meus em igualdade. – Sinto ele se comunicar me bajulando, permaneço calada. – Junte-se a mim. Sei que deseja descobrir mais de sua identidade, de seu ser, a razão de existir. Você é muito maior do que isso. Se una a mim e junto com Sairaorg, conquistaremos todos os reinos de todos os universos!
— Astaroth, mesmo que não tenha certeza sobre mim ou sobre o que devo fazer, sei o que posso fazer agora! – Desfaço o campo de energia e me posiciono em uma posição de luta. – O meu dever é acabar com sua existência e a de Sairaorg!
— Você tem a mesma determinação de Phalena. É incrível como você é uma cópia exata da personalidade de sua tataravó.
— Sim, porém com motivações diferentes. Ela queria te proteger, já eu, desejo te destruir!!!
O agrido com vários ataques de energia que seriam capazes de destruir vários planetas e estrelas de toda uma galáxia facilmente. Ele desvia e rebate algumas com facilidade. Graças a escassez de planetas ao redor dessa galáxia, era possível atacar ele com todas minhas forças, mas ainda assim era uma batalha difícil de se ter um vencedor.
— Já que deseja aumentar a dose da batalha... Que seja feita teu querer!!!
— Como eu já te disse, Astaroth. Não deixarei que faça mais das suas!!!
Parto para um confronto de punhos que enfatiza o combate corporal. Vários socos são altamente defendidos por mim que consigo revidar a cada ataque feito. No espaço sideral, o impacto de nossos golpes se chocando vai causando várias destruições de estrelas que cercam o local, nos levando cada vez a escuridão do vácuo.
Sussurrando rapidamente um feitiço, faço com que meus dois punhos sejam reforçados de fogo infernal e concentrado com um feitiço de aumento de força qual consigo acertá-lo no estômago, o obrigando a se chocar em um asteroide que ali passava. Extensas bolas de energia vêm em minha direção, contudo, consigo desviar todas elas com muito esforço. Cada bola de fogo atinge sóis que tinham em locais um pouco distantes daqui os levando para sua inevitável extinção.
— Você consegue invocar chamas do mundo infernal?! – Ele se comunica comigo.
— Infelizmente em meu sangue corre genes demoníacos, porém diferente de você, não quero escravizar meus amigos.
— Nunca pensei que teria uma batalha desse nível. Quando aceitei a proposta de Sairaorg, só queria causar destruição, lutar com anjos e os torturá-los, mas estar aqui, lutando com minha descendente e me deleitar na batalha tão rapidamente, é algo que nunca pensei que ia presenciar.
Ignoro-o e parto para o confronto, imersa a uma aura escura. Logo, uma poderosa forma de energia com a forma de uma cabeça de um dragão azul vem em minha direção, me obrigando a criar um portal e levar essa energia para outro local. Percebo que a energia transferida foi mandada para outro local, e instantaneamente, três galáxias foram dizimadas, várias vidas desses planetas foram levadas a morte.
Minha distração quase foi fatal, pois desvio de última hora de várias lanças de energia demoníacas lançadas em minha direção. Contudo, tanto o dragão quanto as lanças eram simples distrações.
Vejo que em suas mãos uma energia contendo todo o seu poder demoníaco de forma azulada, é direcionada a minha. Em contrapartida, reúno todo o poder possível, invocando diversos tipos de feitiços existentes, fazendo que agora, eu atinja o poder máximo que eu poderia alcançar em forma destrutiva. Concentro uma bola de poder de cor verde e lanço contra ele fazendo com que os dois poderes se choquem. Todo o universo treme com a colisão de poderes e vários planetas e galáxias vão sendo destruídos a milhares de anos-luz de nós.
— Não acredito, é incrível! O choque de poderes é tão grande que estamos dando início a uma extinção universal! Quem diria, anomalia. Refez um big bang em miniatura apenas para que impedisse que tudo fosse destruído. Um fenômeno que apenas Deus conseguiu fazer.
Apesar das galáxias estarem sendo destruídas, invoquei um poder da criação para impedir que tudo fosse destruído. Isso impedia todo esse universo de ir para a não-existência.
— Não gosto de imitar ao grande Deus, pois seu ser e divindade é único. Sou uma simples mortal que não quer mais ver destruição em massa.
— Muito honroso. Mesmo com seu poder atual, capaz de derrotar até mesmo arcanjos, sua lealdade é inabalável. Porém...
Aos poucos, seu poder empurra sobrepujando o meu. Acabo sendo pressionada a recuar.
— Eu sou poderoso, um dos grandes reis infernais. E você, não passa de uma anomalia. Sem identidade, sem objetivos. Apenas se esforça para proteger esses humanos tolos.
— Não! Você está errado!
— O quê?!
— Astaroth, mesmo que atualmente eu não tenha certeza do que sou, de quem eu sou! Tenho pessoas comigo que me amam e que fariam de tudo para que eu siga em frente.
Aos poucos, vejo que diversas imagens de variadas pessoas se formam atrás de mim.
— Phalena, meu amor... – Escuto seus pensamentos.
— Se eu recebi todo esse poder, toda essa sabedoria, experiência, é porque confiam em mim! – Ele estava calado. – Todas essas pessoas que estão me dando forças são a descendência da casa de Hécate. A família de feiticeiras que existe desde tempos imemoriais!
— Percebo. Hécate, Phalena, Uzisterá, Diana, Yuzuy, Tiara, Lelston, Nena, e agora você.
Toda minha energia aos poucos vai se aumentando e sua vantagem, vai cedendo a mim. Sinto essas almas todas se juntarem ao meu corpo em uma extensa e incrível aura vermelha que cobre todo o meu ser.
— Então era isso, Phalena... Aqueles que lutam pelo bem, pelos outros, sempre irão triunfar sobre mim, mas saiba de algo, Magali... Nem mesmo dezenas de vocês, vencerão Sairaorg! A menos que Deus desça dos céus, Sairaorg jamais será derrotado!!!
— Obrigada, tia Nena...
Um grande poder sai de mim e o consome totalmente levando tanto seu corpo quanto a sua alma a derrota iminente.
— É o fim...
— Ainda não, minha neta...
Sinto a mão de minha vó Hécate, a primeira bruxa de minha descendência no meu ombro. Sua alma estava a se comunicar.
— Você sabe que não terminou.
Hesito um pouco, mas logo aceno com a cabeça. Me concentro e trago de volta todos os planetas destruídos nessa batalha devastadora. Tal feitiço me fazia sentir medo de tentar tomar o lugar de uma divindade como Deus.
— Vó, eu...
Olho para trás e percebo que minha vó não se encontrava mais ali. Lágrimas escorrem de meu rosto e sinto a falta de oxigênio tomar conta de mim.
Voo ao planeta mais próximo que se encontrava a 800 quilômetros de onde estava e rapidamente pouso lá. Era um planeta habitável assim como Triedus, onde se tinha uma vista incrível de flora e fauna, sua beleza era tão encantadora quanto a da Terra em épocas jurássicas. Caio de joelhos no chão, pois todas as minhas forças foram absorvidas nesse combate. Nem mesmo força para executar um novo feitiço de teletransporte eu tinha. Aos poucos vou perdendo a consciência...
— Estou muito cansada..., preciso descansar, mas antes... Priedus Yourstius.
Caio no chão e lentamente, um portal se abre sugando o meu corpo para dentro. O portal é a última coisa que eu vejo antes de cair completamente num sono profundo.
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