— Não acho que a Francesca vai aceitar numa boa, você dizer que está afim dela. – eu disse e ele concordou comigo. – E também não acho justo com o Marco, ele é tão inocente quando se trata de sentimentos. – continuei e ele assentiu com uma expressão triste. – Mas se você acha mesmo que é ela que você quer... Não vejo problema. – sorri.

— Sério? – arqueou uma de suas sobrancelhas. – Também não acho justo com o Marco. Além do mais, nós temos uma amizade, e eu não sei se quero acabar, por uma garota. – concordei prontamente.

— Organize os seus sentimentos. Acho que você está tão confusa quando a Fran em relação ao Tomás e o Marco. – ri.

— Ainda tem esse idiota no meio. – disse suspirando irritado, se referindo ao Tomás.

— Ele não é de todo o pior. – dei de ombros. – Pelo menos ele não está afim dela né? Sobram mais chances para você e o Marco disputarem o coração da Fran.

— Tem razão. – penteou os cabelos para trás. – E sabe quem não parou de olhar para cá? – perguntou e eu neguei não entendendo. – Sua paixãozinha. – riu e eu revirei os olhos. – Relaxa Vilu.

— Já falei que não quero falar sobre o León. – fechei a cara.

— Mas parece que ele quer.

— Hã? Como você sabe?

— Tá vindo pra cá. – sorriu divertido e eu arregalei os olhos. Eu não ia me atrever a virar para trás para saber se é verdade ou não. – Vou deixar vocês sozinhos.

— Diego, não se atreva. – segurei seu braço impedindo ele de se levantar.

— Apenas relaxe. – riu beijando a minha testa e logo se levantando. – To de olho. – piscou. – Qualquer coisa grita. – fiz uma careta e ele riu, saindo em seguida.

Fechei os olhos contando até dez para não surtar. Hoje, definitivamente não era um dos meus melhores dias. Minha irmã está agindo como se fosse minha pior inimiga. Francesca não está falando comigo. León derrubou refrigerante no meu vestido. Diego me deixou sozinha para falar com León. E León está agora, neste exato momento sentando no lugar que antes estava ocupado pelo Diego. Definitivamente, não é o meu melhor dia.

— Oi. – ele disse baixo. Não respondi. – Posso falar com você?

— Acho melhor não. – falei pronta para me levantar.

— Violetta. – segurou minha mão. Seu toque me desarmou, e eu caí sentada novamente no sofá. Sou patética, anotem isso. – Eu preciso. – suspirei como uma boba apaixonada. E era o que eu era não?

— O... O que q-quer? – quase não saiu à frase.

— Esclarecer... Pedir desculpas. – respondeu confuso. – Só queria dizer que, eu me arrependo de tudo que eu te disse ou fiz. – continuou e eu senti o meu coração dentro do peito apertar. Eu não queria que ele tivesse agido daquele jeito impulsivo, mas também não queria que se arrependesse. Qual é? Eu sou tão ruim assim?

— Tudo bem. – tentei não parecer afetada.

— Sério? Então a gente pode esquecer tudo que aconteceu né? – abaixei a cabeça e assenti. – Ótimo.

— Já posso ir? – perguntei sentindo meus olhos marejarem.

— Eu ainda não terminei, eu... – o interrompi.

— Preciso ir. – resmunguei me levantando. – E-Eu... Tenho umas coisas... Pra fazer. – inventei qualquer coisa e saí o mais depressa daquela casa.

Talvez ele tenha me chamado. Mas a música estava alta, a casa agitada, eu só queria me livrar daquela festinha que só estragou mais a minha noite.

Cheguei a casa e me joguei na cama. Eu sou muito burra. Ele jamais gostaria de mim do jeito que eu gosto dele. León acabou de terminar um namoro. Eu seria só uma diversão que ele curte num dia e quer distancia no outro. Meus olhos encheram de água, e eu não tive nem forças para pegar meu diário e desabafar.

***

Violetta, onde você está?— esse era o Diego todo irritadinho pelo celular, me acordando de um sono para esquecer o babaca do León.

— Em casa. – murmurei cheia de sono. – E a propósito... Você me acordou.

Desculpa bela adormecida.— disse irônico. – Não vi você desde a hora que te deixei sozinha com o León. Aconteceu alguma coisa? Estou preocupado.

— Aconteceu que eu descobri que o León é um babaca lindo. – murmurei voltando a me lembrar de nossa conversa e escutei Diego rir. – Estou tentando ter uma conversa séria ok?

Desculpa.— riu mais uma vez. — Mas o que o tão disputado León fez?

— Não quero falar não. – suspirei.

Você não queria uma conversa séria?

— Sim, mas não quero falar do León. Ele quer me esquecer, e eu também vou esquecer ele. – disse decidida.

Faça-me rir.— disse sarcástico. – O que aconteceu?

— Isso que eu te disse. Cada vez mais eu sinto que eu me enganei em relação ao León. Ele é um idiota sabe, melhor mesmo a namorar alguém ao meu alcance.

Ao seu alcance?— perguntou não entendendo.

— É. Ao meu alcance. Alguém que goste de mim de verdade. Como o Tomás. – falei e Diego gargalhou. – Diego!

Você e o Tomás? Não se iluda. Ele não é cara pra você.

— Então quem é pra mim? – perguntei frustrada por ser tão difícil namorar alguém que tenha o mesmo tipo de sentimento que eu.

Acredite, mas eu acho que é o Vargas.

— Você está claramente me empurrando para o seu amigo babaca.

Eu estou claramente dando a minha opinião sobre a pessoa que eu acho que é pra você.

— Diego, me faz um favor?

Todo a ouvidos.

— Desliga o celular, e só fala comigo na segunda-feira, ok? Preciso de um tempo comigo mesma.

Ah não. — murmurou. – Esse é um tipo de favor impossível. Eu me preocupo com você. E não quero que essa nova Violetta se feche de novo.

— Nova Violetta? – perguntei sem entender.

É. Você nunca que iria me contar que achava o León um babaca se não tivesse aberto os seus sentimentos para mim, se não tivesse confiado em mim.

— Diego? – o chamei.

Sim?

— Até segunda. – desliguei o celular.

Afundei a minha cabeça no travesseiro esperando que essa noite não passasse de um pesadelo.

***

Acordei pela manhã, sentindo a minha cabeça um pouco dolorida. Tomei um banho e coloquei meu moletom super confortável e prendi meu cabelo em um coque. Arrumei a cama e saí do quarto para tomar café. Era exatamente meio-dia.

Desci as escadas encontrando Ludmila comendo um pedaço de bolo de chocolate enquanto assistia alguma premiação reprisada. Fui até a cozinha e peguei o pote de biscoitos, me juntando a ela no sofá. A mesma me olhou de soslaio, mas não disse nada, então resolvi não falar nada também.

A premiação acabou e logo começou um programa que eu adoro. Animei-me e deixei o pote de biscoito de lado, para prestar mais atenção. Porém, Ludmila trocou o canal.

— Qual o problema? – perguntei sem entender. Ela sabe que eu amo esse programa.

— Nenhum. – resmungou.

— Dá pra volta para o canal onde estava? – me irritei.

— Não.

— Ludmila. – falei em um tom ameaçador.

— Não. Enche. – disse pausadamente.

— Qual o seu problema garota?! – perguntei alterando o meu tom de voz.

— O problema é que você é cínica de mais! – olhou para mim com raiva, e eu fiquei me perguntando o que eu tinha feito.

Foi aí que me lembrei da Natália.

— Não sei do que você esta falando. – murmurei.

— É claro que sabe! Você é uma fura-olho Violetta. Como pode fazer isso com a Natália? Ela é nossa amiga!

— Nossa nada. Sua amiga. E eu ainda não sei do que você está falando.

— Sabe sim. O León deu um pé na bunda dela, e a culpa é toda sua! – me acusou.

— Minha? Presta atenção no que você fala!

— Eu estou prestando. – me olhou com fúria. – Você foi ridícula. Você acabou com um dos romances mais lindos e cobiçados do ano Violetta. Você definitivamente passou dos limites. Antes eu achava que você era uma sonsa, mas vejo que não é tanto assim.

Puxa... Isso me feriu.

— É por isso que ninguém gosta de você. – continuou e eu a encarei nos olhos, sentindo uma grande vontade de chorar, mas eu estava segurando. – Você não é digna de amar e nem de ser amada. Você destruiu um relacionamento, como pôde?! Agora a Naty está lá, toda despedaçada, por sua culpa.

Por minha culpa. Só minha.

Pensar em suicídio uma hora dessas é normal, não é?