Together

12 Um certo ciúme.


—Você poderia me dizer o que aconteceu pra você está com essa cara de quem comeu e não gostou? – Natália me perguntou, enquanto entravamos no colégio de mãos dadas, recebendo alguns olhares como sempre.

—Não é nada. – murmurei.

—Sempre não é nada, e esta resposta está me cansando ultimamente. – ela disse suspirando. – O que você tem meu amor? Somos um casal. Você tem que confiar em mim, assim como eu confio em você.

—Eu confio em você. – respondi virando os olhos. – Só estou de mau-humor algum problema nisso?

—Não. – disse baixo.

—Desculpa, não quis ser grosso.

—Tudo bem. – ela sorriu de lado. Passei meu braço pelos seus ombros, trazendo-a para perto de mim, e lhe dando um beijo no topo de sua cabeça. – Obrigada.

Levei a mesma até o seu armário, e lhe dei um rápido beijo. Fui em direção ao meu, mas vi uma cena que me chamou atenção, melhor, uma pessoa. Violetta falava com Tomás, na frente da porta de nossa sala. Eles sorriam um para o outro e isso me fez pensar se...

—León? – alguém interrompeu meus pensamentos. Era o Diego. – Como vai cara?

—Bem. – respondi curto.

—Observando a Castillo? – perguntou vendo que eu não tirava os olhos dela.

—Sim, mas não é nada demais. – dei de ombros. – Você sabe se esse Tomás tá de papo pra cima dela? – perguntei cruzando os braços.

—Tá querendo saber demais hein meu amigo, isso tá estranho.

—Não viaja Diego. – falei revirando os olhos. – Agora me responde.

—Que eu saiba, ele sempre foi muito afim dela. Mas a Violetta nunca esteve muito disponível pra ele, e você sabe que a melhor amiga dela gosta dele.

—É, eu sei dessa história. – suspirei a vendo dar um beijo na bochecha do Tomás, e entrando na sala.

—Por que a pergunta?

—Há alguns dias vi eles dois na praça, ele ajoelhado segurando um buquê de flores, achei que eles estavam começando algum relacionamento.

—A Violetta é bem centrada nos estudos, não sei se ela quer um namorado ainda.

—Será que ela já teve mais alguém?

—Por que você não pergunta a ela, em vez de querer saber sobre a Castillo em cima de mim? – perguntou cruzando os braços. – Eu não sou seu informante não.

—Quer sabe Diego? Esquece essa conversa. – falei lhe dando as costas, irritado. E ainda o escutei rindo.

Violetta

Entrei na sala de aula, Francesca já estava lá, com a cara emburrada. Ela havia me visto conversando com o Tomás, e ficou meio estressadinha. Sentei na carteira ao seu lado, como todos os dias.

—Amiga, não estávamos falando sobre nada. – falei suspirando. – Ele pediu para mim as datas das provas da semana que vem.

—Eu sei. – ela disse grossa. – Mas porque tinha que pedir pra você? Eu cheguei primeiro, estava do lado dele, mas só foi você chegar, que ele foi correndo atrás de você. Isso é ridículo!

—Você não disse que iria esquecê-lo? – perguntei.

—Disse. Mas não se esquece de uma hora pra outra. – reclamou cruzando os braços.

—Eu sei, mas você poderia ir parando de sentir ciúmes dele comigo. Eu sou a última pessoa da face da terra que iria querer alguém como ele.

—Você tem razão amiga. É que às vezes eu não me controlo.

—Tudo bem. – sorri de lado.

O sinal bateu e eu peguei meu material. Depois de uns dez minutos, minha irmã, Natália, León e Diego entraram sorte que o meu professor não estava presente ainda. Eles eram a turma da rebeldia, vamos dizer assim.

***

—Vilu. – minha irmã disse vinda em minha direção na hora do intervalo, e isso era bem estranho, já que ela quase não falava comigo na escola. – Avise ao papai que eu não volto pra casa hoje.

—E eu posso saber aonde você vai? – perguntei. – Papai não vai gostar disso.

—Não me importo. – ela disse suspirando. – Apenas diga que eu não volto, talvez só amanhã, depois da escola.

—Tá... – suspirei dando mais um gole no meu suco.

Ela sorriu e se retirou, indo para a mesa dos seus amigos. Francesca me olhava sem entender, assim como Marco e Tomás, que estavam na mesma mesa que nós, como todos os dias da semana.

—Você e sua irmã são completamente opostas. – Marco disse rindo.

—Eu sei. – suspirei. – Meu pai vai ficar uma fera com ela, mas parece que a Ludmila não toma jeito.

—Você devia ser mais como ela. – Francesca aconselhou-me e eu fiz uma careta. – É... Sua irmã é mais solta, se enturma mais.

—Nunca vou ser como ela, então não crie expectativa. – falei séria, e os garotos riram.

Observei minha irmã de longe. Ela estava sentada sobre a mesa, com a blusa do uniforme com dois botões abertos, e a gravata desarrumada, seus cabelos estavam soltos, jogados para o lado, e sua saia estava um pouco mais curta do que as das outras garotas, assim como a da Naty, e as duas usavam sapatilhas pretas.

—Literalmente eu nunca vou ser como ela. – Francesca riu.

***

—Violetta, posso falar com você? – escutei a voz de León soar.

Inspirei e expirei, antes de me virar para trás. Eu estava sozinha, guardando os meus materiais, Francesca saiu correndo para falar com Marco, pois os mesmo eram a dupla no trabalho de biologia.

—O que você quer? – perguntei ignorando-o com o meu olhar que estava direcionado a minha mochila.

—Queria te fazer uma pergunta. – ele disse com as bochechas estranhamente vermelhas.

—O que? – perguntei séria, queria rir, mas não podia fazer isso com ele.

—É... Eu queria saber se... Se... Se você e o... Tomás tem algum tipo de relacionamento?

—O que?! – praticamente surtei com a pergunta. – Claro que não! E... – pensei um pouco. – Por que a pergunta? – cruzei os braços, irritada com a intromissão dele, e com raiva de mim por tê-lo respondido.

—Eu queria só saber. – coçou a nuca e eu fechei a cara. – Você está brava pela mensagem que eu te mandei ontem, não é? – perguntou mais tranqüilo e eu não entendi.

—Espera... Que mensagem?

—Você não recebeu? – perguntou me olhando desconfiado.

—Claro que não. – eu disse tirando meu celular do bolso colocando na ala de mensagens. – Olha. – e não tinha nada, mostrei pra ele.

—Mas eu pensei que eu tinha mandado. – ele falou um pouco afoito, tirando o celular do bolso também. – Droga! – exclamou agora nervoso. – Mandei para o Maxi... – eu ri inaudível.

—Sério León, isso não tá te fazendo bem... – falei com certo sarcasmo. – O que você queria me diz quer com essa mensagem? – perguntei já que eu não entendia o motivo dele querer ter me enviado.

—Não... Nada, esquece isso. – falou suspirando com os olhos fechados, mas logo os abriu. – Finge que essa conversa não aconteceu ok?

E antes de eu responder, ele deu as costas, saindo apressadamente da sala. Queria saber o que ele queria ter me dito. Suspirei, peguei minha mochila, e saí logo em seguida. Aquele garoto era louco, mas no qual eu me apaixonei.

León***

Estava saindo da escola, totalmente constrangido por ter tido uma conversa com a Violetta. Qual é? Parecia que eu estava com ciúmes. O que não era verdade, ou será que... Será que nada! Ela tem razão, isso não tá me fazendo bem.

—León! – escutei alguém me chamar, enquanto eu andava quase correndo por aquelas ruas. Olhei para trás, encontrando Natália tentando vir atrás de mim. Parei imediatamente. – Não tínhamos combinado de irmos á lanchonete tomar um suco com nossos amigos?

—Eu esqueci. – falei um pouco rápido, e ela lançou aquele olhar super desconfiado pra cima de mim. – Mas eu acho que não vou mais, não me sinto muito bem.

—Tem certeza? – assenti. – Então eu vou com você pra sua casa, cuidar de você. – ela deu um sorriso meigo ao terminar a frase.

—É melhor não... Digo que você tem que sair, se divertir, não precisa me suportar a todo tempo. – falei tentando não deixá-la vir comigo.

—Amor, mas eu amo ficar com você. – disse manhosa.

—Mas agora não é um bom momento. – falei um pouco rude.

—Você está muito mal humorado hoje. – resmungou cruzando os braços.

—É só por hoje, não dormi bem à noite. – menti.

—Então tá bom. – me deu um rápido beijo. – Vou com o Maxi, Diego e a Luh. – sorri. – Tchau, te amo.

—Também. – respondi baixo.

Segui com o meu caminho, agora com passos mais calmos. Não podia ficar dispensando há Natália toda hora, ela ia acabar percebendo, se é que já não percebe. Minha cabeça rodava a mil por hora, e eu realmente não sabia o que estava acontecendo.

Cheguei a casa em vinte minutos. Isso porque parei em um barzinho para comprar uma água, estava morrendo de sede. Peguei minha chave e abri a porta cuidadosamente, tentando não fazer barulho.

—Chegou cedo rapaz. – meu pai disse assim que eu entrei, largando o jornal e me encarando um pouco sério. – Não saiu com sua namorada hoje?

—É... Na verdade não estou me sentindo muito bem. – menti.

—Estranho, normalmente ela viria cuidar de você. – falou rindo e eu o acompanhei um pouco forçado. – Ela não desgruda de você um segundo. Se bem que, vocês andam um pouco distantes. Isso se chama desgaste de relacionamento, não é verdade?

—Pai, não é isso, é que não vejo motivos pra ficar pra cima e pra baixo com a Naty. – respondi um pouco grosso. – Além do mais, você e a mamãe não vivem grudados um no outro como chiclete.

—Isso é porque nós sabemos a dosagem correta para ter um casamento maravilhoso, e não desgastante. – revirei os olhos, ele sempre queria filosofar para o meu lado. – Mas está tudo bem entre vocês?

—Sim. – rápido e curto.

—Tem certeza?

—Absoluta pai, não enche. – reclamei fechando a cara.

—Eu te conheço León. Sei quando alguma coisa está te incomodando. Eu sou seu pai filho, você pode confiar em mim, me dizer o que está acontecendo?

—Pai, não é nada que saco! – quase gritei, com raiva daquela intromissão toda na minha vida. – Eu só quero que me deixem em paz, só isso.

Não esperei pela bronca e nem por ele me chamar pra termos uma conversa. Subi correndo para o meu quarto, me trancando no quarto na primeira oportunidade, minha cabeça estava explodindo já.