Together
13 Surpreendente
Francesca
—Bom dia gente. – cumprimentei os meninos na escola.
—Bom dia Fran. – responderam juntos, com um sorriso cordial.
—Diego, você viu o Marco? – perguntei olhando para os lados, já que eu ainda não o tinha visto na escola, e precisava falar com ele urgentemente.
—Não, acho que ele não chegou ainda, o Marco anda se atrasando muito. – deu de ombros. – Mas vem cá, o que você quer com ele?
—Conversar oras. – respondi tentando parecer normal.
Na verdade eu precisava era conversar sobre eu e ele, explicar que eu estou aprendendo a conviver com o Tomás, sem drama, e sem tentar atacá-lo todo dia. Mas claro que eu não vou dizer isso ao idiota do Diego.
—Conversar sobre...? – tentou tirar mais alguma informação e eu fechei a cara.
—Não enche a menina Diego. – León falou rindo. – É óbvio que ela quer tratar de assuntos que não te diz respeito. – continuou e eu o olhei rindo maleficamente por dentro. – Ou quer pegar ele logo de jeito.
Todos riram, e eu revirei os olhos. Aqueles seres pareciam crianças, não tinham maturidade nenhuma, nunca vi igual.
Avistei Camila entrando, conversando animadamente com a Violetta, que caminhava ao seu lado. Sabe... Ultimamente eu venho percebendo que a Vilu, está se soltando mais, parece mais social, sei lá.
—Oi – elas disseram assim que se aproximaram de mim.
—Bom dia! – falei animada demais, e elas riram. – Gente, eu preciso falar com o Marco urgente. – mudei para séria.
—Ele está lá fora conversando com uns meninos do primeiro ano. – Violetta disse apontando para a porta.
—Sério? – assentiram. – Vou lá, volto antes que o sinal bata.
León
—Você esconde isso muito bem. – falei ao Diego, assim que os outros garotos se afastaram, e Francesca foi embora. – Eu no seu lugar surtaria. – suspirei, abrindo meu armário, pegando o livro de sociologia.
—Nem me fala. – fechou os olhos, batendo as costas no armário ao lado. – A sensação que eu tenho, é de algo proibido.
—Tecnicamente é proibido. – falei rindo rapidamente.
—Eu sei, e não paro de me sentir culpado sobre isso. – ele tentava parecer calmo, mas eu via que não estava conseguindo. – Como explicar que se sente um desejo inexplicável, pela pretendente do seu amigo?
—Já falei que você devia falar com o Marco, ele pode te entender. – aconselhei.
—Ou pode nunca mais querer olhar na minha cara. – bufou fechando os olhos.
—Você tem duas opções. E nenhuma é tão ruim, então... O que custa arriscar? – perguntei fechando o armário.
—Não quero falar disso. – suspirou. – Mas e você? Quando vai acabar com a Naty?
—Não, agora sou eu quem não quer falar disso. – murmurei fechando a cara.
—A qual é cara? Eu me abro pra você, e você não quer se abrir comigo? Corta essa León.
—Eu não quero terminar com ela. – falei, enquanto caminhávamos em direção a sala de aula. – Sabe como é, estávamos há muito tempo juntos, não sei quero ela longe. E também, não suportaria vê-la brava ou me odiando, pior ainda sofrendo.
—Eu acho que você se preocupa demais com a Natália. – pôs a mão em meu ombro. – Ela não é tão sensível quanto você pensa.
—É sim. – suspirei. – Quando eu dou um gelo, ela fica super magoada, e eu não gosto de ver a Natália frágil, se é que me entende.
—Você não gosta de ver ninguém frágil, esse é o ponto, mas você não pode ficar com ela por pena. – aconselhou.
—Quem não pode ficar com alguém por pena? – escutei uma voz soar por ali, e congelei.
Virei para trás, encontrando Ludmila e Natália sorridentes, com os olhares do corredor voltados a elas duas. Sorri meio constrangido, e Diego riu sério, meu coração devia bater mil vezes por segundo.
—Nada não... – falei a primeira coisa que veio na mente.
—Sei. – se aproximou de mim me dando um beijo na bochecha. – Melhorou de ontem? – perguntou preocupada, e eu assenti. – Ainda bem, porque hoje vou à sua casa, falar com a sua mãe.
—Por quê? – perguntei assustado.
—Falar umas coisas aí. – me olhou seriamente e eu engoli o seco. – Você anda estranho, tenho total direito de conversar com a minha sogrinha preferida.
Violetta
“Bom dia”
Tomás.
Eu ri ao ver a flor violeta em cima de minha mesa, com esse pequeno bilhete. Tomás era engraçado algumas horas. Olhei para o fundo da sala, encontrando sua imagem. Ele sorria animadamente. Sussurrei um: “obrigada”, e ele piscou galanteador.
Guardei o bilhete na minha agenda, e a flor no canto da bolsa, onde não amassaria. Sentei-me na carteira e coloquei o livro de sociologia sobre a mesa, eu gostava dessa aula, era interessante falar sobre a sociedade em diferentes momentos, se é que conseguem me entender.
Francesca ainda não tinha voltado. Ela e o Marco deviam estar conversando, e eu acho que eles só voltaram no segundo tempo, mas ok. Depois passo a matéria pra ela, como uma boa amiga.
O sinal bateu, e vi pessoas correndo em direção a sala, dentre elas León e Diego. Os dois estavam bonitos, não é a toa que eram os mais cobiçados do colégio. Eles tinham um mesmo estilo, só que Diego era um pouco mais bad boy, e o León era um tipo mais... Sexy? Ok, não viaja Violetta.
A professora entrou na sala em seguida, fechando a porta, com um sorriso gentil. Ela era a melhor professora da face da Terra, sem brincadeira, eu a adorava e a aula dela.
¨¨
—Violetta.
Aquele péssimo momento que a professora tem que escolher um aluno, os olhos dela te acham, me sinto horrível nessas horas.
—Você poderia me dizer o que significa amor, no seu ponto de vista? – o professor de filosofia perguntou e eu simplesmente gelei. – Vamos, me diga.
Estava na terceira aula, e falava muito tempo para o intervalo ainda, ou seja, não tinha escapatória. Eu não era muito boa de falar, sentia vontade de chorar por ter tanta vergonha da minha sala.
—É... Pra m-mim, o-o amor é-é...
E eu fui interrompida, por milhões de risadas. Ok, eu sei que foi patético, eu jamais gaguejei tanto na minha vida. E para uma pessoa do segundo ano do ensino médio, isso era um problema grave. Encolhi-me na cadeira, até o professor gritar, e fazer com que as pessoas parassem de rir da minha cara.
—Professor, você acha que ela é capaz de sentir alguma coisa? – escutei um engraçadinho falar e mais risadas aparecerem. Enfureci-me.
—Vamos Violetta, responda minha pergunta. – professor ignorou aquele ser desprezível voltando a me perguntar.
—Eu não consegui. – murmurei.
—Violetta Castillo, se você não consegue responder uma pergunta simples como essa... Sugiro que refaça todos os seus pensamentos e saí de minha aula, pelo menos por hoje. Não é tão difícil de responder, é só dizer o que vem a mente.
E como eu era um tanto contraditória, me levantei, indo em direção a porta, escutando diversos murmúrios, eu ia fugir, eu sempre fugia de questões assim, não tinha como mudar, eu era assim e ponto.
—Amor, pra mim é uma coisa cheia de mistérios. – escutei uma voz soar e sala inteira ficar em silêncio, assim que eu toquei na maçaneta. – E querer estar junto, mesmo não querendo. – era a voz de León, eu me estremeci. – É poder dizer eu te amo, e não se arrepender depois. E sentir um sentimento imenso, mas não ser capaz de dizer uma palavra sobre ele. O amor.
—Muito bem Vargas. – o professor elogiou, e a sala aplaudiu.
Abri a porta e me retirei. Aquilo estava me deixando sufocada. Corri para o banheiro.
***
—Violetta caramba, você não pode fugir sempre que pode. – Francesca me dizia, enquanto eu estava sentada no muro da escola, apenas ouvindo o sermão. – Isso é errado, até quando você se esconder e deixar que as pessoas zombem de você? Até quando?! – não respondi, virei meu rosto para o lado, encontrando meus amigos se divertindo em uma roda, já estava na hora da saída. – Poxa, eu até pensei que você estava mudando, ficando mais sociável, mas vi que era tudo uma farsa.
—Fran... – ela me interrompeu.
—Para, eu já não conheço você. Na verdade, tenho a impressão de que nunca conheci.
Ela pegou a mochila, se direcionando aos nossos colegas. Abaixei a cabeça, eu não conseguiria ser diferente.
Prendi meus cabelos, que estavam soltos, em um coque mal feito, não me importava muito com isso. Tirei o casaco do uniforme, ficando apenas com a blusa, e a gravatinha ridícula. Estava calor, e aquele sai com o short por baixo não ajudava.
Peguei meus fones de ouvido e o celular, estava com vontade de fazer uma coisa que eu não faço desde que acabei a sexta série, ri ao ter esse desejo estranho de voltar a fazer isso. Peguei minha mochila, e voei para os fundos da escola.
Quando eu tinha entre doze e treze anos, tinha aulas de dança, papai acreditava que eu seria menos tímida se conhecesse outras pessoas, o que não funcionou muito.
O lugar estava vazio, tinha uma janela, que clareava tudo, mas estava evidentemente abandonado. Poeira no chão era o que não faltava, mas o espaço era amplo e claro, pelo menos não me dava medo. Larguei minha bolsa pra lá.
Coloquei meu fone no ouvido, escolhendo uma música que eu dançava bastante, e sempre que tinha oportunidade, criava diferentes passos, uma música meio antiguinha da Beyonce.
Afrouxei a gravata, pois mesmo a sala sendo ventilada, eu estava morrendo de calor, e aquele acessório me incomodava. Abri o primeiro botão da camisa, e me senti mais a vontade. E logo a música começou, e eu sorri dando os primeiros passos da coreografia.
León
—Então gente, como que vai ficar sábado? – perguntei vendo que à hora passava e passava, e ninguém tinha decidido nada.
—Não sei, a gente podia sair sei lá, umas nove e meia. – Francesca disse e eu concordei. – Sem contar que a Camila tem aula de ballet até as sete.
—Verdade. – Broadway respondeu pela namorada. – Por volta das nove seria ótimo mesmo Fran.
—Ótimo, só tenho que convencer o ogro do meu pai. – Ludmila disse batendo o pé a cada segundo, evidentemente ansiosa. – Só basta a idiota de a minha irmã estragar os meus planos.
—Como assim? – Francesca arqueou uma das sobrancelhas, e eu faria a mesma pergunta.
—Sempre meu pai põe a gente de castigo, e eu desconfio que ela faça alguma coisa de ruim, aquela menina é estranha.
—Como você consegue falar assim da sua própria irmã? – perguntei boquiaberto.
—Ai amor, você sabe que a Violet é estranha, não é? – Natália cortou a amiga. – Você viu como ela foi patética na aula de filosofia hoje? Aquela menina não parece normal, nem um pouco.
—Ok, eu me recuso a ficar em um lugar onde só sabem falar mal das pessoas. – Francesca disse ofendia.
—Eu também. – concordei com ela, pegando minha mochila. – Fran vamos tomar um suco? – perguntei e ela assentiu prontamente, eu sabia que ela sempre comprava um suco antes de voltar pra casa. – Eu pago.
Ela riu e nós nos retiramos sem mais cerimônias para discussão.
¨¨
—Você está séria. – comentei, assim que nossos sucos chegaram.
Estávamos em uma lanchonete atrás da escola. É tudo muito bom e barato as coisas de lá. Sem contar que era prático e perto.
—Sabe, por mais que eu ache que a Violetta devesse se soltar mais, não gosto quando as pessoas a achem, estranha, porque ela não é só é um pouco tímida, além do normal, é claro.
—Eu te entendo, também não acho que ela é assim, como dizem. Ou como a Ludmila diz. – opinei.
—Por falar em Ludmila... Você não sabe como eu tenho raiva dela quando ela ofende a Violetta, pelo amor, nem parece irmã dela.
—Concordo com você, a Ludmila às vezes fala algumas coisas por impulso, mas acho muita crueldade da parte, dela.
Tomamos o suco conversando sobre isso, e eu vi o quanto Francesca era lega e leal a amizade dela com a Violetta, e também era bem divertida. Nunca nos falamos tanto como agora.
Estávamos indo embora, quando Francesca parou do nada na calçada, e sorria bobamente em direção a algum lugar.
—Que foi? – perguntei sem entender.
—A Violetta se supera... – disse rindo.
—Como assim? – não entendi.
—León, olha pra aquela janela. – ela disse apontando para a janela do fundo do colégio.
Vi alguém lá dentro, mas não estava identificando ninguém. Francesca puxou meu braço em direção ali, e nos abaixamos, para que a pessoa não nos visse. Era a Violetta, e eu juro que eu nunca a vi naquele estado de felicidade.
Ela dançava, mexendo o corpo pra lá e pra cá, com aqueles cabelos balançando de um lado para o outro, enquanto ela sussurrava palavras da música, que estava escutando pelo fone de ouvido. Enquanto eu e Francesca estávamos, ajoelhados na calçada, espiando aquela garota dançando como nunca. Ela parecia cansada, suava e ofegava um pouco, mas parecia que nada tiraria aquele sorriso da sua boca, um sorriso sem igual, que eu nunca tinha visto.
Meus olhos brilharam. Ela abaixava, movendo o quadril, e eu suspeitei que ela estivesse dançando alguma coisa que eu sabia qual era, porque Natália também dançava muito, e acho que já vi dançando essa coreografia, mas a Violetta dançava muito melhor. Sem contar as diversas curvas que aquela garota tinha. Céus!
—Para de babar León. – Francesca disse rindo, me tirando do transe.
—Desde quando ela faz isso? – perguntei ainda hipnotizado.
—Bom, ela fez aulas na sexta série, mas nunca mais praticou.
WOW! Ela era definitivamente incrível. Essa garota ainda me mata de tantas surpresas.
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