Together
14 Ela.
Hoje era sábado. Meu pai estava trabalhando, como sempre. Na verdade ele estava no aeroporto esperando um vôo para Londres, não sei o que ele ia fazer lá, mas nos deixou aqui, livres para fazer qualquer coisa. Não qualquer coisa, mas como ele não está aqui para nos supervisionar, estamos “livres”. Mas essa “liberdade” acaba em menos de três semanas.
Ludmila estava em meu quarto, usando o meu secador, já que o dela quebrou. Hoje ela tinha uma festa. Eu não me lembro de ter sido convidada, mas mesmo se tivesse sido, eu não iria, não me sinto bem em ambientes que ela frequenta, acho meio pesado, ou estranho mesmo.
Ela estava usando um vestido justo rosa curto. Seus cabelos longos e loiros estavam soltos enquanto ela os secava. E eu sei que ela estava se enfeitando toda para poder provocar o Maxi. Mas sei lá, estava achando a minha irmã vulgar demais, não é por nada não, mas ela tem que começar a se valorizar.
— To indo. – resmungou retocando o batom vermelho. Assenti fechando o livro que eu estava lendo. – Não tenho hora pra chegar, e qualquer coisa eu vou dormir na Naty. Não me ligue. Mandou beijos estalados no ar e saiu batendo a porta do meu quarto. Educação mandou lembranças.
Tranquei a porta do meu quarto, e peguei o teclado que estava atrás do meu armário. Eu quero compor, mas não sei se estou com a criatividade muito boa hoje, vou só tentar mesmo, e se sair alguma coisa ótimo.
Lembrei das coisas que a Fran me falou. Disse que não me conhecia, fiquei mal com isso. Eu não me entendia, e acho que nenhuma outra pessoa iria entender. Eu vivo um drama pessoal horrível. Sou estranhamente... Ok, eu sou estranha.
Toquei uma música que eu já havia composto há alguns meses, e parecia não se encaixar com a minha vida de agora. E eu odeio isso. Minha vida é uma novela sem graça, pode concordar eu deixo.
Meu celular vibrou e eu rapidamente fui ver quem era. Diego.
Preciso falar contigo, papo de amigo. – Diego.
Onde você está?
Na festinha onde todos estão. – Diego.
Então amanhã você vem aqui. Não vou aí nem a pau.
Para de ser chata. – Diego.
O que quer me falar?
Na verdade era mais um conselho. – Diego.
Conselho?
To apaixonado. – Diego.
Se ferrou.
Pela sua amiga. – Diego.
Parei de digitar na hora. Diego e Francesca? Francesca e Diego? Eu nem cogitava nessa ideia. Mas são tantos garotos, que a Fran tá podendo escolher. Marco e Fran. Diego e Fran. E ainda tem Tomás e Fran.
Vilu? Desculpa, falei demais. – Diego.
É sério isso?
Sim, por quê? – Diego.
Mas e o Marco? Ele é seu amigo!
Eu sei. Por isso preciso de você. – Diego.
Onde é mesmo essa festa?
***
E lá estava eu, usando um vestido azul Royal, que ia até o meio de minhas coxas, ele era rodado e de uma manga só, nada muito espalhafatoso, porque eu não sou dessas. Estava usando um salto preto e meus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo não muito sofisticado.
A casa era de Marco, e eu podia escutar o barulho da música alta e sensual que tocava lá dentro. Meu pai me mataria se soubesse que eu estou freqüentando uma festa desse nível, mas ok. Toquei a campainha.
— Vilu! – Marco abriu a porta e me deu um abraço apertado.
— Oi. – sorri minimamente. – Sei que não me conv... – ele interrompeu.
— Mandei Ludmila te avisar, ela não falou nada? – perguntou e eu neguei. – Estranho, mas eu queria sim que você viesse. Entra.
Assim que entrei dei de cara com uma cena bárbara. Minha irmã se agarrando com Maxi. Eu poderia ter poupado essa visão horrível. Diego estava sentado no sofá, olhando para um ponto fixo no chão com um copo na mão. Suspirei ainda bem que não foi tão difícil o encontrar.
Antes de chegar nele um corpo bateu no meu, derrubando refrigerante no meu vestido limpinho. Olhei sentindo minhas bochechas queimarem de raiva. E pude encontrar León com uma cara assustada.
— O que você fez?! – perguntei irritada.
— Desculpa, eu não te vi. – disse pegando um papel e me entregando.
— É claro que não me viu. – rebati sarcástica.
— O que está fazendo aqui? Sua irmã disse que não viria.
— Eu nem sabia que tinha sido convidada. – revirei os olhos. – Agora com licença.
Passei por ele e fui até Diego, que continuava encarando o chão.
— Ei. – falei docemente chamando sua atenção. E ele me encarou abrindo um sorriso. – Aqui estou. – continuei, me sentando ao seu lado. – Pode me agradecer, atendi o seu pedido. – brinquei e ele riu.
— Obrigado. – me abraçou brevemente.
— Então, o que quer me contar, além de gostar da Francesca, é claro.
— Tenho uma novidade pra você. – deu um gole do líquido que estava em seu copo. – León acabou tudo com a Naty. Pode ficar feliz.
— Ai que horror Diego. – falei abismada. – Não sou esse tipo de pessoa que torce pelo fim do relacionamento dos outros.
— Só estou avisando. – riu. – Não quer saber por quê?
— Quero. – murmurei deixando minha curiosidade falar mais alto.
— Ela deu piti ontem. – disse rindo como se fosse à coisa mais engraçada do mundo. – Falou um monte de coisas sobre você, jogou na cara dele que ele era um tarado.
— Nossa. – foi à única coisa que eu disse.
— Ludmila não sabe. Na verdade, a Naty não deu as caras ainda. Acho que nem vem hoje. – olhou para os lados, e eu sorri. Sem ex. namorada obcecada do León hoje. – Acho que apenas eu sei disso, por causa do León.
— Chega de falar dele. Vamos para o que interessa. Quando foi que você começou a gostar da Fran?
***
León
— Você acha que o a Violetta tem alguma coisa com o Diego? – perguntei vendo os dois rirem de algo, pareciam envolvidos em uma conversa muito boa.
— Acho que não. – Francesca que estava ao meu lado riu. – Vilu e ele têm uma grande amizade. – suspirou.
— E você? Não vai falar com ela não?
— Não estamos nos falando direito. – murmurei. – Ela não se abre comigo, e eu fico muito brava com isso. Parece que ela não confia em mim.
— Ela é bem misteriosa. – sorri olhando para a mesma.
— E você está estranho. – Francesca gargalhou. – Tá todo bobo olhando para ela.
— Para de graça. – revirei os olhos rindo também.
— Sua namorada não vai gostar de ver você dando mole pra Vilu não.
— Não to mais namorando. – suspirei.
— Não...? – franziu o cenho.
— Não quero falar disso agora Fran.
— Tudo bem, não tá mais aqui quem perguntou. – riu. – Mas já que tá tão preocupado com a relação com o Diego e a Vilu, porque não chega nela e pergunta?
— Não acho que ela queira falar comigo. – encarei novamente a figura de Violetta. – Ela foge, toda vez que eu tento me aproximar.
— Sério? – perguntou confusa. – Por que ela fugiria?
— Ela não te contou? – perguntei arqueando uma de minas sobrancelhas.
— León, você está cansado de saber que a Violetta não conta nada para mim. É mais fácil ela contar ao Diego do que pra mim.
— Eu fiz a burrada de querer beijá-la um dia desses. – coçou a nuca.
— Como assim León? Você é louco? – ela perguntou alterada, mas eu aposto que ela estava achando graça, pois estava sozinho.
— Foi a atração sabe... É... Não sei... Foi estranho... – me embolei e ela gargalhou alto. – Eu não deveria ter dito isso a você. – falei pronto para sair, estava envergonhado demais, parecia uma menininha falando.
— Espera. – disse amenizando o riso, e segurando o meu braço. – Você gosta dela. – afirmou me olhando compreensiva.
— Não sei do que você está falando. – murmurei, bebendo o resto que tinha sobrado do meu refrigerante.
— Não se faça de bobo. – riu mais uma vez. – É normal se apaixonar. – suspirou. – Mas nunca imaginaria que isso aconteceria entre você e a Violetta.
— Você acha que ela gosta de mim? – perguntei com algo bom surgindo dentro de mim.
— Sim... Quer dizer, talvez... Ou não. – coçou a cabeça. – Se ela está te evitando então... – deu de ombros. – Você tem que perguntar a ela.
— Ela vai falar não. – revirei os olhos. – Ela não diz nada, além disso.
— Você nem tentou. – sorriu. – E apoio. A Vilu é bem legal, merece alguém especial. Não sei se você é o que ela precisa, mas se for... Boa sorte.
— Acha que eu deva falar com ela?
— Acho! – bateu palmas.
Suspirei fundo e me virei. Diego estava sério enquanto falava com Violetta. Acho que vou terminar ele parar de falar com ela. Não quero bancar o chato, e ainda levar um fora ou ela me evitar. Preciso esclarecer o que sinto dentro de mim em relação a ela. Porque não é normal eu me sentir assim com uma garota que eu não conheço direito.
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