Together
8 Te Entender
—Desculpe... – murmurei me afastando, indo até a borda. – Me desculpe...
Saí da piscina às pressas, desviando o meu olhar de Natália, ela estava possessa. Peguei minha toalha e entrei em casa. Eu estava um pouco trêmula, não acredito que cheguei a ficar tão próxima assim de León.
Fui até a cozinha, pegando um copo de água, precisava acalmar o meu coração, que batia fortemente dentro do meu peito. Isso com certeza, que eu sentia pelo León, não era uma simples e passageira paixão.
—Amiga? – escutei a voz de Francesca e cuspi a água com o susto. Ela riu. – Está tudo bem com você?
—S-Sim... – murmurei.
—Não quero que me leve a mal, mas... Eu assisti seu episódio com o León, e... – disse cruzando os braços, pois parecia com frio. Deu um sorriso de lado. – Vocês pareciam muito, tipo, muito mesmo, envolvidos um no outro.
—Que nada. – murmurei olhando pro chão.
—Você quer me contar alguma coisa? – perguntou desconfiada e eu neguei prontamente. – Violetta você está...
—Francesca, eu estou bem, juro. – respondi irritada. – Só estou com sede, e vim beber água, e aquele episódio com o León, não foi absolutamente nada, só estávamos conversando.
—E nadando.
—Apenas isso. – coloquei o copo na pia.
—E quase se beijaram.
—Francesca! – me irritei.
—Amiga, ele estava olhando pra você como se você fosse o prato, mas apetitoso que ele já houvesse visto. – falou rindo e eu me segurei para não mandá-la ir se ferrar. – Desculpa, mas é verdade.
—Tá, agora chega.
—Vai me dizer que você não sentiu nem um friozinho na barriga? – perguntou provocativa e eu revirei os olhos saindo da cozinha.
—Não. – respondi vendo que ela me seguia.
—Sério? Nem uma borboletinha deu sinal de vida em seu estômago?
—Chega, por favor. – falei em um tom cansado.
—Tudo bem. – suspirou. – Mas se algo acontecer. Quero que me conte.
—Não vai acontecer nada, não se preocupe.
***León***
—Natália, pela milésima vez, não aconteceu nada! – falei indo atrás de minha namorada, que no momento estava muito brava.
—Eu não acredito que você foi capaz de ficar tão próximo daquela... Estranha!
—Ela não é estranha. – murmurei.
—Como é que é? – perguntou parando de andar e se virando para mim. – Você está defendendo aquela garota? Sério mesmo León? Eu pensei que você me amava, seu idiota.
—Amor, mas eu te amo, só não gosto que fique falando o que você não sabe dos outros. Ela é uma pessoa legal. Só tem que conhecê-la.
—Francamente... León. Ela é uma garota que não me trará nada de interessante, pra quê conhecê-la? – perguntou com as mãos na cintura.
—Pensei que vocês tivessem alguma amizade.
—Nós temos, mas isso acaba a partir do momento que ela ousa a olhar pra você. – respondeu novamente com um olhar tomado de possessão.
—Não gosto quando você fala assim. – falei estranhando. – Ela não fez nada de errado, nem me olhar ela olhou direito.
—Que se dane! Não quero que você chegue perto daquela idiota. – respondeu grossa. – Não sei o porquê aquela atrevida se mete na nossa relação, ela não é de nada, e eu odeio aquela insignificante.
Antes de eu responder, uma figura baixinha enrolada na toalha apareceu nos olhando assustados. Violetta. Ela parecida assustada. E acho que ela havia ouvido tudo. Natália a encarava com raiva.
—Violetta... – antes de eu terminar a mesma passou correndo para as escadas, subindo, acho que até o seu quarto.
—Que raiva dessa menina! – Natália reclamou.
—Você não tinha o direito de falar assim dela Naty. – murmurei escutando a porta, provavelmente do quarto dela, bater com força. – Ela não te fez nada.
—Não me fez nada? Ela quase te beijou León! – disse alterada. – E você está com pena dela? Ótimo! Vá atrás dela, defenda ela. – disse saindo da minha frente.
Natália saiu e eu fiquei parado. Totalmente estático. Eu e Violetta apenas estávamos conversando um com o outro, não tinha malicia, juro, que pelo menos não da minha parte. Tudo bem, que a Violetta é muito bonita, e eu nunca tinha visto ela tão exposta, digo sem aquelas roupas que ela usava que cobriam o corpo dela inteiro praticamente. Devo reconhecer a beleza de uma garota. Violetta é muito bela, principalmente seus olhos tão misteriosos, e o seu sorriso. E eu tenho vontade de desvendar todos os seus gestos. Mas a questão não é essa.
A Natália me cansa com essa possessão toda. Já cheguei a pensar em mil e uma coisas quando ela tem esses ataques. E eu não gosto disso.
—Parece que houve uma confusão por aqui. – escutei a voz de Ludmila entrando na sala onde eu estava.
—Natália está me deixando louco. – reclamei me virando de frente para ela.
—Ela só está com ciúmes. – respondeu. – E posso te garantir que eu também ficaria na situação que você se encontrava com a Violetta.
—Nós só estávamos conversando, e você devia apoiar e defender mais sua irmã, né? – cruzei os braços.
—Não estou defendendo ninguém León. Só acho que você deveria ser mais cuidadoso quando está com as garotas. – explicou também cruzando os braços.
—Ah Claro. – ri irônico. – Cuidadoso? Por favor, né Ludmila.
—Você era um cafajeste quando te conheci. – disse me olhando seriamente. – E na época em que ficamos um tempo namorando, você se interessou pela Naty, e eu tentava não perceber isso, mas ela era a minha amiga, e às vezes também deixava escapar que gostava de você. – suspirou.
—O que isso tem a ver com essa situação? – perguntei não querendo relembrar do passado.
—Isso tem a ver que, você e a Violetta, andam estranhos, desde aquele dia do filme. Natália está percebendo isso, assim como eu percebi há um tempo seu interesse pela a minha amiga.
—Violetta é a minha amiga, jamais teríamos algo um com o outro. – respondi firme. – Eu nem gosto dela ok?
—Só não machuca a Naty, ela não merece sofrer por você. – falou baixo como em um suspiro triste.
—Ludmila... – suspirei também. – Você... Você ainda sente algo por mim?
—Como não sentir? – ela riu fracamente e eu me assustei. – Mas isso já passou, e agora eu quero ver a felicidade da Naty.
—Você não pode estar falando sério...
—León isso já acabou. Não temos mais nada um com o outro. Eu posso gostar de você, mas você ama a Naty, Não vamos remexer o passado.
—É melhor não mesmo.
—Ótimo, e ninguém sabe que tivemos um pequeno e rápido caso, nem mesmo a minha irmã. Então não vamos nos lembrar disso agora.
—Nem foi um caso Ludmila. – rebati seco. – Nós só nos beijamos umas três vezes.
—Foram quatro.
—Tanto faz. – suspirei cansado daquela conversa. – Acho melhor eu tentar falar com a sua irmã.
—Minha irmã? – perguntou estranhando. – Você deveria conversar com a Naty. Ela deve estar sofrendo.
—Mas eu vou falar com a sua irmã e ponto. – falei lhe dando as costas.
***Violetta***
“Eu nunca devia ter me aproximado dele, nunca...”
Estava escrevendo em meu diário, enquanto lágrimas escorriam por minha face. Eu era uma garota bem sensível sabe. Eu não agüentava emoções ou palavras muito fortes, que tudo se resultava em lágrimas, e uma agonia terrível em meu coração.
Escutei batidas na porta, mas eu não respondi. Talvez a pessoa fosse embora mais rápido assim. Ou talvez pensasse que não tinha ninguém no quarto. Fechei meu diário, colocando debaixo do colchão da cama, como eu sempre fazia.
—Castillo, eu sei que você está aí dentro. – era a voz de León.
Sequei as lágrimas rapidamente tentando me recompor. Arrumei o vestido, e fui até a porta. Suspirei e girei a chave abrindo-a. León me encarou assim que me viu.
—O que você quer aqui? – perguntei o mais rude que eu pude.
—Você... Você estava chorando de novo? – ele perguntou um pouco baixo se aproximando de mim.
—Que te importa? – perguntei dando um passo para trás.
—Se você ficou assim por causa do que aconteceu lá em baixo, não tem porque, a Naty estava...
—Não estou assim por causa daquilo. – respondi baixando o meu tom de voz.
—Não? Então é pelo que? Sei que posso parecer invasivo, mas eu queria muito saber o que você pensa Castillo.
—Pra que você quer saber? Isso não vai te influenciar a nada!
—Mas eu preciso entender, você não vê? Eu quero te entender, quero saber o porquê de suas atitudes.
—Pra quê? – perguntei.
—Pra poder entender os motivos das pessoas, dos nossos amigos, te acharem estranha. – ele disse e meu mundo caiu. – Você sabe, eles dizem coisas sobre você, e eu quero saber se é verdade.
—Tire suas próprias conclusões. – falei fechando a porta do meu quarto na sua cara.
Recostei meu corpo na porta, e comecei a chorar. Eu sabia que as pessoas falavam, mas eu não queria saber. Eu sou assim, não consigo ser diferente. Não consigo.
—O problema é que... – escutei a voz de León do lado de fora. – Eu preciso de razões, para tirar minhas próprias conclusões.
Depois dessa frase, eu não escutei mais nada. Ele deveria ter saído, ou ido embora, ou até voltado para piscina.
Fui em direção ao meu banheiro, e tomei um banho demorado, tentando relaxar o meu corpo e esfriar minha cabeça. Eu estava pensando em tudo aquilo que do nada resolveu acontecer na minha vida.
Depois disso, deitei em minha cama, liguei a televisão, e peguei meu diário. Tenho certeza que na noite eu não iria dormir nada.
Fale com o autor