Together
11 Se afastar.
“Amiga, hoje vou pra escola, beijos” — Fran.
"Te espero lá em frente"
Depois de ler e responder a mensagem de Francesca, levantei da minha cama, um pouco desnorteada e sonolenta. Hoje eu não estava com um bom humor se querem saber, deve ter sido por conta do dia de ontem.
Direcionei-me ao banheiro, e tomei o banho mais frio que possam imaginar. Arrumei-me meio sonolenta, e tentei ficar bonito, o que eu não estava conseguindo, devido a minha preguiça extrema.
***
Eu já estava no colégio, mas especificamente do lado de fora. Esperando por Francesca, que normalmente chegava mais cedo que eu. Ludmila já tinha se enfiado lá dentro com Natália e com uns garotos da sala.
León chegou sorridente acompanhado de Diego e me viu lá parada, seu sorriso se desmanchou e eu desviei meu olhar, como se ele não me importasse, o que é mentira. Eu estava morrendo de vergonha isso sim.
Diego parou para falar com Marcos, e León veio em minha direção. Minhas mãos meio que começaram a soar frio, e o meu interior todinho começou a tremer. Tomei uma decisão rápida, e entrei na escola às pressas.
—Castillo! – escutei ele me chamar, mas fiz o possível para ignorar.
Sim, eu Violetta Saramengo Castillo, estava fugindo de León. Eu não queria falar com ele, estava com medo de que ele tentasse outra coisa, ou fosse para pedir desculpas, e Natália nos visse. Minha cabeça estava muito embaralhada.
Corri para o banheiro feminino, lá ele não poderia se aproximar. Não tinha ninguém lá dentro, ainda bem. Lavei meu rosto com aquela água fria, tirando o mínimo vestígio de maquiagem que tinha no meu rosto.
Abri um botão da minha camiseta, deixando-me respirar por alguns segundos. Saí do banheiro levemente. Agora mais calma. Indo em direção ao meu armário. Abri o mesmo, e coloquei minhas coisas lá dentro.
—Amiga – Francesca disse correndo em minha direção, e eu levei um susto. – Você não disse que estava me esperando na porta do colégio? – perguntou irritada.
—Desculpe, tive uma emergência, precisei ir ao banheiro. – falei sorrindo.
—Tudo bem, mas... – o sinal bateu. – Vamos! Depois eu te conto o que eu tenho que contar. – falou puxando o meu braço.
***
—Fala sério! – Francesca disse enquanto eu ria. – Era pra você estar deprimida como eu.
—Desculpa amiga – tentava controlar o meu riso. – Mas... Esse encontro foi pura palhaçada.
—Eu sei. – ela disse com as mãos no rosto. – Pior, que depois tudo, ele ainda tentou me beijar. – suspirou.
—Você não deixou? – perguntei.
—Não... – sua face estava triste.
—Por quê? – tentei parecer calma.
—Eu... Eu comecei a ver o Tomás em vez dele. Estava me confundindo toda, e acabei o chamando de Tomás em vez de Marco. – Francesca disse deixando uma lágrima escorrer, mas logo a secando. – Ele ficou muito bravo.
—Não é pra menos né Fran? – falei e logo a abracei vendo que a mesma iria começar a chorar. – Não fica assim amiga, foi só um deslize.
—Eu decidi. – falou abraçada a mim. – Vou esquecer o Tomás, e seguir em frente, não estou mais disposta a sofrer.
—É assim que se fala – sorri, finalmente.
O sinal bateu, hora de entrar na sala, e fazer mais lição. Estávamos no intervalo. Joguei minhas coisas no lixo, e Francesca já havia ido, ela estava meio abalada tadinha. Peguei o livro da próxima aula e fui em direção a sala.
E para minha surpresa, León estava parado em frente a ela. Ele me olhou e eu o olhei. Seus olhos verdes pareciam queimar minhas bochechas, por me fitar sem ao menos piscar aqueles olhos.
—Castillo... – me chamou em um murmúrio, quando passei por ele, mas o ignorei novamente e fui em direção a minha cadeira.
***
—Vilu – Diego me chamou quando o sinal bateu.
—Oi – respondi guardando o meu material.
—O que aconteceu? – perguntou.
—Aconteceu o quê? – perguntei confusa.
—Você evitou o León o dia inteiro, acredite, ele quer satisfações. – Diego falou cruzando os braços.
—Não foi o dia inteiro, apenas a manhã inteira. – coloquei a mochila nas costas. Ele riu. – Além do mais, ele tem que tirar satisfações com a namorada dele, não comigo. – falei saindo da sala, mas ele me impediu.
—Eles estão brigados, para sua sorte. – murmurou sorridente.
—Não fale besteira. – puxei meu braço de sua mão.
Saí da sala apressada.
Assim que passei pela porta, e estava livre daquele lugar e daquelas pessoas, vi Francesca conversando com Marco, eles estavam sérios, pensei em chamá-la para ir embora comigo, mas resolvi deixá-los conversando, vai ver estava se entendendo ou não. Vai saber.
—Agora você não foge. – escutei uma voz rouca atrás de mim.
Meu coração gelou.
Virei para trás encontrando León com uma cara bem séria.
—Não quero falar com você. – falei meio trêmula.
—Por quê? O que eu fiz? – perguntou e eu não respondi, ele sabia o que ele tinha feito. – Ok, olha, desculpa, eu não queria ter feito aquilo, agi por impulso. – disse cuidadoso, e eu entristeci-me.
—Ok, eu já disse que está tudo bem. – fui curta e grossa. Aquelas palavras me fizeram perceber o quanto ele só estava ligando para a minha aparência, e que no dia seguinte confessa que foi um erro, que droga.
—Porque está agindo assim? – perguntou e parecia inconformado.
—Assim como? – perguntei arqueando as minhas sobrancelhas. – Olha... Eu não te devo satisfações sobre como e ajo ou deixo de agir, ok? – não dei chances de ele responder. – Além do mais, sua namorada deve estar aí te procurando.
—Ela não está falando comigo. – León disse baixo.
—Por quê? – me fiz de inocente.
—Ela veio me cobrar explicações. Disse que eu estava envolvido com você. E que não queria me perder pra uma garota. Discutimos feio.
—Ah – soltei tristemente. – Desculpe.
—Tá tudo bem. – ele suspirou.
—Não, não tá. – fiquei irritada. – Você não percebe que desde que começamos a nos falar, só acontecem coisas ruins?
—Não é bem assim, é que... – o interrompi.
—Olha León, vamos fazer o seguinte. – suspirei. – Se afasta, e eu me afasto. Assim seu relacionamento estará seguro, sem ela desconfiando de mim. – falei e logo olhei para o lado, encontrando Natália nos olhando feio. – Ela está ali. – apontei com o olhar.
—Violetta...
—Me deixa em paz.
Peguei o cainho da minha casa. O León estava me confundindo com as suas atitudes. Ele parecia ser tão meigo em alguns minutos, e em segundos um completo cafajeste. Não sabia mais o que pensar.
Só sei que eu estava perdidamente apaixonada por ele. Sempre fui. Eu acho. Tenho que parar de achar que ele é o amor da minha vida. Ele é o primeiro o qual eu me apaixono. Não posso acreditar em contos de fadas, pois eles não existem.
***
Cheguei a minha casa e fui correndo para o meu quarto. Necessitava escrever, colocar tudo pra fora, tudo o que eu estava sentindo, tudo o que eu estava sofrendo no momento. O León roubou, roubou meu coração, e agora está doendo. Não é drama, é a realidade.
Logo... Fui escrever, era o que eu mais sabia fazer...
Queria muito saber o que passa na cabeça dele. Ele não me entende, ele até tenta, mas acho que eu sempre estou na defensiva, e isso não deixa com que as pessoas me vejam realmente como eu sou.
Olha, sei que eu estou errada. Agir assim não é certo, mas para mim, é mais fácil se esconder do mundo, é mais fácil eu me fechar, do que contar para a pessoa que eu mais confio na vida, tudo o que acontece comigo.
Eu poderia abrir o jogo com o León. Falar pra ele que eu sou perdidamente apaixonada por ele, mas isso parece ser tão errado, parece que minha boca não é capaz de pronunciar essa declaração.
Eu tenho vergonha de demonstrar os meus sentimentos. Francesca não entende os meus motivos, mas sempre que eu revelo alguma coisa a ela, sinto que ela tem pena, e eu não gosto disso, não gosto que as pessoas sintam pena de mim. Se for pra sentir isso, então eu prefiro me isolar de tudo e de todos, quem sabe assim que não consiga sobreviver?
Eu já deixava algumas lágrimas escrever, enquanto dizia isso.
***
León*
Estava em minha casa, pensando. Talvez eu realmente estivesse sendo um mau-caráter. A Violetta tinha razão. Eu tinha que me afastar.
A minha relação com a Natália já estava destruída há muito tempo. Coisa de três meses já. Nós estamos há bastante tempo juntos, e eu realmente me acomodei nessa relação. Era como se fizesse parte da minha rotina beijá-la, abraçá-la e dizer “eu te amo” todos os dias. Eu realmente acho que cheguei a amá-la, não um amor extremo, onde eu nem sei mais o que seria sem ela. Mas o que eu sinto agora por ela, não passa de um simples amor de amigos, sei lá, é estranho, já tentei conversar sobre isso, mas ela acaba desconversando, e dizendo que não saberia viver sem mim, o que eu acho um exagero.
Pensando nisso, vi que não tinha motivos para me afastar daquela garota. Não tinha um por que para eu me distanciar dela. Violetta é diferente. Eu sinto isso. No inicio, eu não vou mentir, ela era tímida, fechada, eu a achava estranha, mas desde que há conheci um pouco mais, estou adorando aquela garota.
“Não vou e nem quero me afastar de você.”
Enviei esta mensagem a ela. Eu sei que seria imbecil da minha parte, ou até meio possessivo, mas eu precisava conhecê-la, saber o que a por trás dela, e porque dela agir deste modo tão defensivo, mas sem nenhum momento, deixar de ser a garota incrível e carinhosa que eu vejo em seus olhos.
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