—O que aconteceu e por que eu não estou sabendo? – ela perguntou com uma cara meio brava e meio triste.

—Fran, não aconteceu nada, sério.

—Nada? Do nada parece que você e o León têm mais intimidade do que você teve comigo em toda a nossa amizade. Sinto-me ofendida assim. – falou se levantando um pouco mais bravinha.

—Francesca Reys! – falei um pouco mais alto, e ela parou de ir em direção a porta. – Nós só tivemos uma conversa um dia, e ele meio que insinuou que eu era como uma “princesa”. – falei fazendo aspas no ar.

—Você estava chorando. – ela cruzou os braços novamente. – Por que você estava chorando Violetta? Por quê?

—Eu... Eu... – pensava em alguma. – Eu estava meio que de TPM e estava muito carregada de stress, por isso chorei. – inventei uma desculpa qualquer.

—Tudo bem... – suspirou. – Deixa a Natália descobrir isso... Ela te mata. – Francesca disse rindo e eu forcei um sorriso. – Mesmo você não sentindo nada por ele, ela é muito ciumenta, melhor nem se aproximar muito.

—É... Claro... – falei um pouco desanimada.

Nós descemos em direção à sala, e Broadway e Camila estavam lá, no maior romantismo, nada contra, mas eles são excessivamente melosos. Ludmila estava sentada no chão, em cima da almofada, enquanto Natália e León dividiam a poltrona juntos (se é que me entendem).

Max, Marco e o Federico também estavam lá, eram outros amigos da escola, assim como Diego e Tomás também estava. Ludmila chamou todo mundo, desnecessário. Francesca desceu afoita assim que viu a imagem de Tomás. Ele estava conversando com Diego e Marco, e eles riam muito.

Eu queria muito que a Fran parasse com essa obsessão com o Tomás, ele não dá a mínima para ela, e eu não gosto de ver ela se iludindo a toa. Terminei de descer e me sentei no sofá ao lado do Federico.

—E aí Vilu? Tudo bem?

—Tudo ótimo. – forcei um sorriso, já estava ficando boa de mentir com os meus sorrisos falsificados. – E você?

—Vou bem.

—Já decidiram que filmes vamos ver mais tarde? – perguntei.

—Não. Ludmila e as garotas querem assistir um de romance, mas nos garotos não querem ver. – Federico disse típico de meninos.

—Eu apoio um de ação. – falei e ele riu.

—Está vendo, por isso gosto de você. – ele disse e se aproximou de meu ouvido. – Você é mais legal que as outras. – sussurrou como se fosse um segredo e eu gargalhei. – To falando sério.

—Ok, se você diz...

—Então nós vamos ver um filme de romance, certo? – Natália perguntou, e os garotos suspiraram, eu ri.

—Nada contra a sua sugestão, mas eu prefiro outro tipo de gênero, Naty. – León disse calmo para não brigar com a namorada.

—O que você sugere León? Terror? – Ludmila perguntou irônica, cruzando os braços.

—Não... Mas vamos ver outro gênero.

—Que tal ação, ou quem sabe comédia. – sugeri, e todos me olharam. – Que foi? – não entendi o porquê dos olhares estranhos.

—Nada. – responderam em uníssono.

—Eu gosto de ação. – León disse sorrindo, e se eu não estivesse ficando doida, aquele sorriso foi direcionado a mim.

Acabou que todos concordaram comigo. Ludmila pegou alguns filmes, e nós decidimos algum lá. Eu estava me sentindo bem. Pela primeira vez, dei um palpite, uma opinião minha. Sentia ainda mais feliz por estar com o León no mesmo lugar. É meio bobo, mas é o que eu estava sentindo.

—Vou pedir para Olga fazer pipoca. – Ludmila disse se levantando.

—Não íamos pedir pizza? – Natália perguntou confusa.

—Mas a pizza é pra mais tarde.

—Olga deve estar preparando as coisas para o jantar do papai. – falei a Ludmila. – Deixa que eu mesma faça isso. – falei me levantando.

—Faz doce também, sua pipoca é excelente. – Ludmila disse brincalhona e eu revirei os olhos. – Sabe que eu te amo né maninha?

—Claro que sei. – murmurei irônica e ela me mostrou língua.

Fui até a cozinha e como previsto Olga estava no fogão, mexendo nas panelas. Fui até o armário pegar as coisas que eu precisava. Deixei um potinho cair no chão, e foi o suficiente para Olga notar minha presença.

—O que está fazendo aqui pequenina?

—Vim fazer pipoca.

—Por que não pediu? Eu faço pra você. – disse.

—Não precisa Olguinha, você está ocupada, não é necessário. Além do mais eu sei fazer pipoca, é o mínimo que tenho que saber. – ela riu.

Olga saiu da cozinha, pois teve que atender os caprichos do meu pai no escritório dele. Não gosto daquelas pipocas de microondas. Então prefiro preparar tudo à mão mesmo. Peguei as panelas, porque eu vou fazer muita pipoca.

Fui até o armário, procurar o milho, que eu não estava achando de jeito nenhum. Abri todas as gavetas, mas ninguém guardaria milho na gaveta. Fui até as portas de cima do armário, e lá estava o milho. Abri aquele saquinho, mas me assustei com uma voz.

—Precisa de ajuda? – foi o suficiente para eu largar aquele saquinho aberto no chão. Esparramando todos os grãos. Eu estava viajando no meu mundo que levei um susto quando León apareceu naquela cozinha. Por que raios ele estava ali?!

—Desculpa, não foi minha intenção te assustar. – ele disse vindo até mim.

Suspirei tentando acalmar meu coração, e me abaixei para pegar aqueles grãos. Um por um. León também se abaixou e começou a pegar comigo. Colocamos aquilo de volta no devido lugar em alguns minutos.

—Obrigada – murmurei sentindo uma queimação fora do normal se concentrando em minhas bochechas.

—Não foi nada, até porque fui eu quem causou isso. – ele falou rindo. Um riso encantador por sinal. – Quer ajuda para fazer as pipocas.

—Não, eu posso fazer sozinha. – falei me virando para o balcão, despejando o que restou dos grãos de milhos na panela.

Porém antes de terminar minha ação, senti a mão de León sobre a minha. Novamente meu coração acelerou, e eu pude sentir minha mente fazendo milhares de notas musicais, enquanto parecia que borboletas dançavam saltitantes em minha barriga. Sua outra mão abaixou o meu outro braço. Ele estava atrás de mim.

E quando eu me virei rapidamente, para vê-lo. Deparei-me com León bem próximo de mim. Próximo mesmo. Tentava controlar inutilmente minha respiração pesada e completamente audível.

—Tem certeza que não precisa de ajuda? – ele disse com aquela voz rouca, dando um sorriso torto, enquanto eu me perdia naqueles olhos verdes.

—Tudo bem... E-Eu aceito sua ajuda. – murmurei e ele se afastou.

—Ótimo, o que eu posso fazer? – ele disse indo em direção as panelas. – Bom, eu não sou muito bom nesse negócio de cozinhar, mas posso tentar.

—É só pipoca, não tem segredo nenhum. – falei rindo fracamente indo para o lado dele.

—Eu não sei nada. Apenas uma coisa que eu tentei fazer uma vez. E por incrível que pareça, deu certo. Mas assim que fui tentar fazer a segunda vez, deu super errado, e eu fiz uma sujeira na cozinha. A empregada quase me matou. – ele riu.

—O que é que você estava tentando fazer então? – perguntei colocando os grãos de milho na panela.

—Ah... Não é nada de mais. – ele disse baixo, parecia constrangido, ri brevemente.

—Fala logo. – pedi suavemente e ele sorriu.

—Era uma torta de limão. – ele disse coçando a nuca e pude perceber suas bochechas se avermelhando. Não agüentei e ri bem alto. – Ah para. Eu sei que é coisa de menininha, mas eu queria aprender a fazer pelo menos uma torta.

—Um dia eu te mando a receita certinha. – brinquei ainda rindo.

—Não precisa. Acho que eu preciso aprender isso na prática senhora Chefe de cozinha. – falou pegando o sal que estava no balcão e me entregando. – Gosto de pipoca bem salgada, obrigada.

—Não perguntei nada. – rimos.