Together

6 Descobrindo a Verdade


***

Eu e León estávamos tão perto, nossos corpos estavam tão próximos que não sei como eu estava me controlando com ele tão pertinho assim. Eu estava tão nervosa, que não sabia como reagir.

Seus olhos verdes estavam concentrados no meu. Mas o meu não estava. Eu rondava a face de León com os meus olhos, observando cada traço que ele tinha. Ele era lindo assim tão perto. Sua boca era vermelhinha e completamente atrativa, pelo menos para mim. Assim que tive esses pensamentos, instintivamente mordi meu lábio inferior.

—León... – minha voz saiu em um suspiro, eu não agüentaria por muito tempo, necessitava tocá-lo.

—Eu não posso mais esperar... – León murmurou e logo...

—Violetta!

Abri meus olhos um pouco zonza. Eu havia pegado no sono, e mal tinha percebido. Todos da sala me encaravam, todos risonhos. Esfreguei meus olhos, para ficar mais acordada.

—O filme estava tão ruim assim? – Ludmila perguntou enquanto todos riam. – Eu sugeri que assistíssemos a um de romance, mas ninguém quis.

—Não vou negar, mas parece que o meu sonho estava melhor. – murmurei muito sonolenta ajeitando o cabelo que acho que estava bagunçado.

—E o que era esse sonho pra ser tão melhor que o filme? – Maxi perguntou e eu imediatamente envergonhei-me. Não iria contar que estava a ponto de beijar León Vargas e estava louca para que isso acontecesse.

—Nada de mais. – murmurei.

—Gente vamos pedir as pizzas. Já são onze e meia. – Ludmila disse olhando no celular, que por sinal não era dela.

Fiquei sentada no sofá, onde eu havia dormido, observando Ludmila do telefone. Ela pediu cinco caixas de pizza. Achei um exagero, mas não falei nada. Logo, ela e a Natália subiram correndo ao seu quarto, eu não entendi o porquê daquilo.

Levantei-me e rumei para fora de casa. Francesca estava conversando animadamente com a Camila, Federico e Tomás. Eu não iria entrar no assunto, pois ia ficar muito desconfortável, tanto para mim quanto para Francesca e Tomás.

Sentei-me nas escadinhas da minha calçada, e me pus a observar a rua solitariamente deserta. Não havia carros nem nada. Era quase de madrugada, então estava bem tranqüilo. Suspirei. Estava sendo legal aquela tarde. Eu me senti ótima com a presença de León. Adorei também por que recebi atenção vinda dele, sim eu sou uma pessoa muito carente.

Escutei a porta bater atrás de mim, e logo olhei para trás. Era Marco e Diego. Os dois eram melhores amigos, inseparáveis. Eles vieram de Madrid, mas eu sei que o Marco é mexicano não espanhol.

—O que está fazendo aqui Castillo? – Marco perguntou se sentando ao meu lado, enquanto Diego fazia o mesmo. – Você é uma pessoa muito antissocial. – Marco falou rindo brevemente.

—Só precisava tomar um ar, nada de mais.

—É perigoso ficar aqui fora sozinha, ainda mais essa hora da noite garota. – Diego disse passando o braço pelos meus ombros e me puxando mais para perto dele.

—Não precisa se preocupar, pai. – ironizei e ele riu.

—A Francesca está muito linda hoje, não acham? – Marco perguntou exatamente do nada e eu e o Diego olhamos para ele. – O que foi? Eu acho que ela estava muito bonita.

—Pena que não era pra você – Diego disse o provocando e Marco bufou. – Todos nós sabemos que é por causa do Tomás.

—Eu sei, mas aquele cara é muito babaca. Ele tem uma mina como aquela aos pés dele, e não faz nada. Só quer a amizade. Eu fico louco com isso.

—Você tem sorte dele querer só amizade. Se não você não teria oportunidade nenhuma com a Francesca. – Diego disse ainda com o braço ao redor de meus ombros.

—É... Talvez. – Marco suspirou.

—Se você quer tanto a Francesca, porque não fala com ela? Tenho certeza que ela não será louca o suficiente de te dar um fora. Ela vai ser gentil e entender sua paixão, agora se você guardar vai ser pior.

—Não sei não.

—Você é um garoto incrível, um dos poucos que eu conheci. Ela merece alguém como você, que a elogie e que corresponda ao amor que ela tanto quer dar as pessoas. E não como o Tomás que apenas a quer como amiga.

—Tem razão. – Marco disse se levantando. – Eu não posso guardar isso nem mais um segundo, tenho que dizer a ela tudo que eu sinto em relação a isso. – passou a mão nos cabelos, dando uma breve arrumada. – Obrigada Vilu.

Apenas assenti e ele saiu com um sorriso estampado nos lábios. Eu e Diego rimos do entusiasmo dele. Depois de uns segundos o silêncio reinou. Diego olhava para a rua assim como eu, parecia que nós estávamos tentando achar algo, que simplesmente não existia naquele local.

—Por que disse aquilo a ele se você mesmo não pratica os conselhos que da? – Diego perguntou do nada, ainda olhando a rua.

—O que? – não fui capaz de entender a pergunta.

—Violetta... – ele suspirou. – Não sei se fui só eu que percebi, mas... Eu vi que você olhava o León de uma maneira diferente. – ele disse o mais cauteloso possível. E eu espantei-me.

—Não Diego. Eu olho para ele normalmente, como olho para todos vocês. – falei um tanto nervosa, desviando meu olhar do dele.

—Não, não olha. – Diego negou. – Escute suas próprias palavras. Talvez esconder esse sentimento seja pior. – continuou e as minhas mãos estavam trêmulas. Não era para ninguém saber.

—Não Diego, não sinto nada em relação a ele. – falei um pouco afoita.

—Violetta, eu sou seu amigo, confie em mim, eu sei que você gosta muito dele, e que não quer confessar porque tem medo que ele descubra, mas eu juro que eu seria incapaz de revelar qualquer coisa a ele.

—Diego – suspirei tentando me acalmar. – Ele tem namorada. Ele a ama, assim como ela o ama. Eu não quero me meter. E também não quero que fique uma coisa estranha entre minha amizade e da Natália, mesmo não sendo muito amigas, não quero que ela me odeie. – falei.

—Você é muito dramática – ele disse rindo. – Tenho certeza que nada disse vai acontecer se você contar a verdade a ele.

—Diego, eu não quero mais falar disso. – falei desviando meu olhar. – Nem tem sentido, daqui a pouco isso passa, e eu vou ver que na verdade eu não sentia absolutamente nada por ele. – continuei.

—Não vai passar, acredite em mim. – ele disse em um suspiro pesado. – Essas coisas não são tão simples quanto parecem ser Violetta.

—Por um acaso, você está apaixonado? – perguntei achando aquelas palavras muito melancólicas para um conselho.

—Não – disse sorrindo fracamente, mas eu não me convenci. – Eu já sou um pouco experiente nesse assunto, né? – rimos.

—É, tem razão, mas eu não quero que ninguém saiba disso, pelo menos não agora. Eu estou bem assim, pode acreditar.

—Confio em você, e se você diz que está bem, eu acredito, só não te quero ver chorando ou magoada pelos cantos, está bem? – perguntou com um olhar preocupado e eu assenti. – Se cuida. – beijou minha testa.

—Obrigada. – sussurrei e o mesmo piscou para mim, se levantando e voltando para dentro de minha casa.

Continuei a piscar, e tipo, eu não estava bem. Não deveria ter mentido para um amigo que está apenas tentando me ajudar. Mas eu não posso correr o risco. E preciso me policiar mais. Se mais alguém descobrir que eu olho o León diferente, com paixão, estou mega frita.

Suspirei e me levantei também. Estava começando a esfriar. Voltei para dentro de casa. Meus amigos estavam conversando animadamente, fazendo um barulho razoavelmente alto. Diego olhou para mim e sorriu, retribuí.

—Amiga – Francesca disse pulando em meu pescoço.

—Que foi? O que aconteceu? – perguntei me desgrudando dela.

—O Tomás falou comigo – disse risonha e eu revirei os olhos. – Teria sido muito mais longa nossa conversa, mas o Marco tinha que me atrapalhar. – ela parecia um pouco irritada, acho que não serviu de nada o conselho que eu dei a ele.

—E o que o Marco queria com você? – perguntei esperançosa.

—Disse que tinha que me dizer uma coisa importante, mas eu estava brava, então não dei ouvidos a ele. – falou deixando de lado, e eu fiquei frustrada.

—Ah Francesca, vai saber se não era importante mesmo. Você deveria ter escutado. – insisti e ela me olhou desconfiada.

—Por acaso você sabe de alguma coisa e não quer me contar?! – perguntou cruzando os braços.

—Claro que não. – falei sorrindo forçado e ela não pareceu acreditar.

***

Eu estava em meu quarto. Francesca já havia caído no sono faz tempo. Sim, ela estava dormindo na minha casa, porque já era tarde demais, e também eu insisti para que ela ficasse. Na verdade, todos estão dormindo aqui, inclusive León, Natália, todos.

Meus olhos começaram a pesar. E eu fui pegar no sono umas cinco horas da manhã, e eu havia deitado umas duas horas atrás. Eu estava um pouco agoniada, só não sabia com o que.

Mal raciocinei e logo senti sua respiração batendo em meu rosto, me fazendo ficar completamente perdida. Seria meu primeiro beijo agora? Minhas mãos começaram a suar e ficar completamente fria. Eu mudaria depois disso? Acho que não, quer dizer, eu não sei, e também não quero saber, não agora.

Seus lábios tocaram os meus em uma maneira leve. Senti-o encaixar sua boca na minha. Meu coração acelerou. Eu sonhei tanto com um momento como esse. Isso não parecia real, não parecia certo. Era como o maior presente do mundo, que eu demorei séculos para receber. Senti as mãos de León em minha cintura, me colando, literalmente em seu corpo, fazendo aprofundar um pouco mais o beijo. Eu me sentia tonta, mas uma tonta muito feliz se quer saber.

Separei-me de León antes da hora. Nosso fôlego estava a mil por hora, e tudo que eu sentia eram as batidas de meu coração contra o meu peito.