Together
3 Pedido
Eu falo isso, mas eu nunca beijei ninguém. É vergonhoso, mas são coisas minhas, e eu nem sou louca de compartilhar como ninguém, pois como eu disse anteriormente, seria inútil. Eu queria poder sentir todas essas coisas que os namorados sentem, mas tenho muito medo de me entregar, e talvez seja por isso que eu não tive coragem o suficiente para contar a alguém sobre a minha paixãozinha ridícula pelo Vargas.
O sinal bateu e eu me despertei de meus pensamentos esquisitos. Recolhi o meu material e pus dentro da mochila. Agora seria a educação física. Eu não gosto muito, mas é necessário, porque seria hilário eu repetir o ano por conta da matéria de educação física. Peguei meu uniforme desta aula, e fui até o vestiário me trocar.
***
Assim que chegamos à quadra, pude ver a rede posta, e a bola de vôlei estava no meio dela também. Suspirei, eu não era boa em nenhum esporte. Já Francesca amava vôlei, eu pelo contrário odiava.
—Ai que ótimo. – Ludmila murmurou irônica, ela era ótima no vôlei, só que não gostava desse esporte. Pelo menos ela era boa, eu era péssima.
O jogo se iniciou e eu perdi as contas de quantas vezes a bola bateu na minha cabeça. Eu não gostava desse esporte por conta disso. Eu era massacrada na quadra com essa bola. Os garotos começaram a rir e eu me estressei. Quando a bola bateu mais uma vez na minha cabeça, eu me descontrolei.
—Já chega! – gritei.
A bola veio parar mais uma vez em minha cabeça e todos pararam de rir da minha cara, por conta do meu grito, todos os olhares se direcionaram a mim. E eu me constrangi, mas estava mais nervosa do que nunca. Os garotos que estavam rindo da minha cara pararam, e os que não estavam pararam de fazer o que estavam fazendo, para me observar, inclusive León. Acho que ninguém esperava essa minha atitude.
Saí de lá correndo. Além de ruim eu sou estúpida.
***
Cheguei a casa. Sim, eu fui embora à plena segunda aula. Eu não gostava e fazer isso, mas eu já estava muito envergonhada. Assim que fiz isso, corri para o meu quarto. Chorei não sei por que e acabei adormecendo. Parece besteira, mas eles já não gostam de mim, e eu faço uma coisa dessas...
¨¨
Acordei sentindo meu braço sendo chacoalhado. Olhei para o lado e encontrei a imagem de minha irmã, me olhando preocupada. Apertei meus olhos antes de abri-lo novamente. Bocejei.
—O que aconteceu Vilu? – perguntou me olhando estranhamente. – Todos ficaram preocupados com você sabia?
—Desculpa, eu acho que passei muita vergonha, então decidi voltar para casa. – falei com a voz rouca, por conta de eu ter acabado de acordar. – Me esqueci de te avisar. Desculpa.
—Tudo bem... – suspirou. Acho que ela não me achou muito convincente. – Tenho que te contar uma coisa. – O Maxi me chamou para sair. – Ludmila disse com um sorriso tímido e eu arregalei os olhos.
—Luh! Que máximo! – falei contente por ela. – Você aceitou né?
—Óbvio – disse jogando aquele cabelo loiro que ela tinha. – Vamos ir ao cinema amanhã as sete e meia.
—Vou torcer por vocês.
—Não estou criando muitas expectativas, mas eu acho legal nos conhecermos. – ela disse dando de ombros. – Se ficarmos acho que vai ser legal.
Eu não entendia como ela conseguia ficar com tanta gente, sendo que não queria nenhum dos caras que ficava. Eu não sou indelicada, por isso não fiz essa pergunta ainda com ela.
Ludmila saiu do meu quarto depois de horas e horas conversando comigo. Meu celular fez um barulho estranho, e isso significava que alguém tinha me mandado uma mensagem. O peguei e pude ver que era mesmo.
“Por favor, me encontre a dez minutos na pracinha ao lado de sua casa.” ~ Tomás.
Não entendi o que ele queria. Eu pensei bem, e acho que iria mesmo, eu não perderia nada indo lá. Tomás sabia se controlar perto de mim. Eu acho. Mas eu não tinha tanta certeza disso.
Arrumei-me direitinho e falei com o meu pai. Ele não estava em casa o que eu estranhei, mas saí mesmo assim. Ele nem ficaria sabendo disso. Respondi um “OK”.
***
—Tomás? – o chamei assim que cheguei ao lugar que nós marcamos.
Ele estava de costas. Assim que ele me ouviu se virou de frente para mim, e pude ver o que tinha em suas mãos. Era um buquê margaridas. Era bem bonito, mas eu não entendia o porquê daquilo.
—O que significa isso?! – perguntei e acho que fiz uma careta, pois ele soltou uma risadinha meio que nervosa.
—É... São pra você. – ele disse me entregando com um sorriso estranho no rosto, enquanto seus olhos brilhavam de uma forma esquisita. – Queria te ver, digo, ouvir sua voz... Quer dizer, falar com você.
Eu ri, pois ele meio que se enrolou. Eu não sei o que ele queria me dizer, mas estava na cara que ele estava nervoso, e se é pra se declarar mais uma vez, ele estava perdendo o tempo dele.
—Violetta Castillo – ele limpou a garganta e desviou por um momento seu olhar do meu. – Eu te amo desde o dia que eu te vi. – Ai que droga! Não acredito que fui tão tola em cair na conversinha dele. – E é por isso que estou aqui agora para te pedir uma coisa que eu já deveria ter feito há muito tempo atrás. – Ele se ajoelhou e eu entrei em pânico. – Violetta Castillo, você aceita ser minha namorada?
—O que?! – praticamente gritei de susto. – Você está louco Tomás? Eu jamais namoraria você. – falei meio sem pensar e ele me olhou com decepção. – Não foi isso que eu quis dizer. – falei observando o mesmo ainda ajoelhado. – Você é meu amigo, e eu gosto de você, mas não do mesmo jeito que você gosta de mim.
Como se meu olhar fosse atraído ou puxado para algum lugar, olhei para o lado, e encontrei o Vargas nos olhando um pouco distraído. Senti-me constrangida por causa da situação em que nos encontrávamos. Parecia que eu estava acabando de aceitar um pedido e namoro.
Ele percebeu que eu estava olhando para ele, e desviou o olhar da cena, logo indo embora. Não acredito que o Tomás havia feito isso. Que vergonha. Perdi todas as chances que eu nem tinha. Que saco.
***
Assim que saí de lá, me dirigi até ao meu quarto. Eu estava me sentindo um monstro, eu não estava a fim de desiludir o Tomás daquela forma. E eu também não queria que o León me visse daquela forma.
Eu gosto tanto dele, será que ele não percebe? É... Claro que não percebe, eu não demonstro como a Francesca, eu não sou tão comunicativa como a minha irmã. Eu não sei como me aproximar do garoto que eu sou completamente apaixonada.
Às vezes eu me sinto tão fraca... Meu pai vive dizendo que nessa idade a gente só se apaixona e não ama, e eu acho que ele tem razão. A minha paixão pelo León vai passar, e eu vou parar de pensar nele com o tempo.
Mas e se não passar? Eu gosto dele, muito, e não quero que isso passe. Eu o quero. Eu preciso dele comigo, por mais certeza que eu tenha de que não vamos ficar juntos, por conta da namorada inseparável que ele tem.
Já perdi as contas de tantos sonhos que eu já tive com o León Vargas. Sinto-me revoltada por ser tão apaixonada por um cara que não dá a mínima para mim. Mesmo ele tendo me chamado de princesa na noite anterior, não significava nada, por mais que tenha mexido seriamente com o meu coração, para ele, não significava nada. E com isso eu me sentia muito trouxa.
Sueli entrou em meu quarto com uma bandeja com suco e biscoitos. Eu não estava com fome. Eu não era muito de comer, mas agora eu realmente não estou a fim.
—Senhorita Violetta, você precisa se alimentar. – Sueli insistiu colocando a bandeja sobre a minha cama. – Deste jeito não se agüentará em pé.
—Mas eu já comi hoje. – resmunguei. – Não estou com fome, entenda isso.
Ela suspirou cansada e fez uma reverencia com a cabeça, pegando novamente minha bandeja e se retirando rapidamente de meu quarto. Aposto que foi a Olga que a mandou trazer esse pequeno lanche.
***
—O que você tem? – Ludmila perguntou pela milésima vez. Ela havia acabado de entrar o meu quarto, e como sempre estava estourando a minha paciência.
—Eu não tenho nada Ludmila, será que não posso ficar quieta no meu canto? – perguntei de saco cheio e ela fez uma careta.
—Você está apaixonada? – perguntou com um sorriso travesso nos lábios.
—O que? – fiquei surpresa confesso.
—É você sabe... Quando você sente uma coisa muito forte por alguém, e não para de pensar nele um segundo sequer, e nas noites sonha com vocês trocando um beijo de maior prova de amor que existe. – disse suspirando e eu virei os olhos.
—Eu sei o que significa apaixonar-se. E não, eu não estou apaixonada. – menti, mas pelo meu tom de voz, parecia verdade.
—Ai Violetta, você precisa de um namorado. – Ludmila disse sentando na minha cama ao meu lado. – Já sei... Namore com o Tomás, com certeza ele te mostrará o que é o amor, e aí vocês vão ser muito apaixonados um pelo outro.
—Não... Eu sei o que é o amor. – falei suspirando. – E também conheço pessoas que amam. Mas eu não quero um namorado. Não o Tomás. E além do mais... Ele me pediu em namoro hoje. – falei colocando o meu rosto entre minhas mãos.
—Não acredito. – Ludmila disse estática. – Eu não sabia que ele criaria coragem, tão rápido. – ela parecia incrédula. – E porque raios você não aceitou? – perguntou voltando sua atenção a mim.
—Porque eu não gosto dele, e o vejo como simples amigos. E, além disso, minha melhor amiga é completamente apaixonada por ele. Como você quer que eu fique com aquele garoto? Nunca Ludmila.
—É... – minha irmã suspirou. – Aí complica. – concordei. – Você precisa de um relacionamento como o da Naty. O León é incrível, e faz minha amiga muito feliz. Eu não perdoaria a garota que o tirasse dela, pois os dois são perfeitos juntos, não merecem viverem separados.
Eu gelei nessa hora. Parecia que o meu coração havia parado de bater. Minha irmã surtaria se eu declarasse que estava apaixonada pelo o namorado da melhor amiga dela. Eu estou me sentindo péssima por estar sentindo uma coisa como essas. É mesquinharia vinda da minha parte. Eu sou uma garota terrivelmente egoísta.
***
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