—Castillo. – ele disse com as mãos no bolso da calça social. Eu apenas o cumprimentei com um acenar de cabeça. – Vim saber se você está bem. – falou se sentando ao meu lado, como quem não queria nada, apenas precisava de uma informação.

Eu me sentia a pessoa mais sortuda do mundo. Talvez o jardim tivesse me ajudado com alguma coisa em vez de só servir para eu chorar.

—Sim, sim. Eu estou bem. – falei sentindo aquele nervosismo de minutos atrás, voltar, por estar ao lado dele novamente.

—Você estava chorando? – perguntou e eu neguei rapidamente, não gostava quando as pessoas percebiam quando eu chorava. – Seus olhos estão um pouco avermelhado, assim como seu nariz. – ele disse tocando rapidamente meu nariz com a ponta do dedo indicador. Soltamos um risinho.

—É só impressão sua. – murmurei.

— Hm... Vou acreditar, até porque tenho certeza que princesas como você não choram. – ele disse dando uma piscadinha.

León se levantou e se retirou dali, me deixando estática. Ele me chamou de princesa? Sim, me chamou! Eu não acredito. Meu coração está tão acelerado que eu seria incapaz de descrever todas as sensações que eu estou sentindo neste exato momento.

Eu estava iludida. Sim, muito iludida. Mas eu não pensei que eu fosse me sentir tão bem. Ele disse aquilo tão naturalmente, que não sei como meu coração não pulou para fora. Eu tenho que aprender a me controlar. Caso ao contrário, não demoraria muito tempo para eu contar a alguém.

Subi correndo até o meu quarto, eu precisava escrever sobre isso, sobre o que eu estava sentindo. E posso dizer que eu estava me sentindo no paraíso terrestre. Ele me fazia bem, com uma simples palavra, ele chegava a ser tudo a ser meu tudo.

***

Acordei no outro dia, um pouco cansada. O jantar tinha ido até tarde, e eu não consegui dormir direito, pois a todo o momento eu pensava na minha minúscula conversa que eu tive com o León.

Ele é ainda mais encantador quando demonstra algo com você. Não entendo como pude me apaixonar pelo garoto que todas morrem para ter. Eu sou muito boba. Mas como dizemos, nós não mandamos no coração. Mas se eu mandasse, com certeza não o mandaria amar o León.

Mandaria amar o Tomás.

Apesar de tudo que eu disse anteriormente dele, Tomás é um cara super legal, um cara que me faz sentir bem, mas eu não consigo sentir nada por ele, além de uma amizade, das boas é claro.

Ele tenta me conquistar todos os dias com as atitudes românticas dele, mas o León consegue me dominar com um simples olhar, um simples sorriso, ou até mesmo um simples “Oi”, que ele diz no dia a dia.

Eu não sei se o amo. Só sei que sinto algo muito forte por aquele cara que me conquistou de primeira, e que ontem me fez dormir flutuando. Eu pareço uma menininha quando estou ao lado dele.

Eu coloquei minha saia xadrez e minha camisa branca, e também a gravatinha sem graça que combinava com a saia. Esse era o meu uniforme, hoje eu tenho aula. Eu estudava no período da manhã, e gostava disso. Coloquei minhas meias, brancas e minha sapatilha preta. Eu parecia uma estudante antiga. Mas todos daquela escola se vestiam assim, não posso mudar nada.

Peguei minha mochila, e saí de meu quarto. Desci as escadas e todos já estavam tomando café, inclusive a Ludmila. Ela me olhou e piscou, enquanto todos me cumprimentavam com um “Bom Dia” sem muita animação.

Papai, como de costume, não estava na mesa conosco, provavelmente estava no escritório ou na empresa, resolvendo os milhares de problemas que ele possui. Que não são poucos, posso garantir.

Nós estávamos tomando café com Olga e Ramalho. Olga era a nossa surpreendente cozinheira, e Ramalho era o secretário de meu pai, não se desgrudava um minuto, exceto no café da manhã e no almoço.

Assim que eu e Ludmila terminamos de tomar café, Cardoso, nosso motorista, nos levou a escola. Cardoso era casado há dois meses com a Olga, os dois pareciam super felizes, mas eu acho que o Ramalho tinha ciúmes. Olga era muito disputada.

***

Assim que chegamos à escola, Ludmila já foi atrás de Natália e Camila, que eram suas amigas, e como sempre eu fiquei isolada, esperando que Francesca chegasse, pois a mesma sempre chegava muito atrasada.

Sentei-me no banquinho no corredor, e fiquei observando aquelas pessoas andarem por lá, eu estava entediada, tipo muito. Eu já havia guardado minhas coisas dentro de meu armário. Minha primeira aula era de geografia, eu gostava de estudar, mas eu não era nerd, minhas notas, a maioria, eram intermediarias.

Tomás estava conversando animadamente com Maxi. Tomás fazia parte da equipe de matemática, ele era muito inteligente se querem saber. Maxi também fazia parte desta equipe, acho que era por isso que os dois se davam também, só falava de matemática, o dia inteirinho.

De repente, por um instinto, olhei para porta, e lá estava ele, entrando no colégio. León. Ele estava com os cabelos mais bagunçados que o normal. Sua gravata estava afrouxada e sua camisa tinha alguns botões abertos. E ele ficava muito perfeito naquela calça preta, que era um pouco apertada.

León estava lindo, como sempre.

Ele começou a se aproximar, e por uns instantes olhou para mim. Um de seus olhos piscou em minha direção, e ele abriu aquele sorriso torto que encantava meu coração e o fazia bater ligeiramente rápido.

Mas como sempre... Ele passou reto. Indo em direção a Natália, sua garota, que o esperava com um sorriso enorme de vitória e carinho. Os dois se abraçaram no meio do corredor, e trocaram um beijo de amor, rápido, mas o suficiente para eu sentir aquela ânsia de vomito terrível.

Corri para o banheiro. Era demais para o meu coração. Não gostava de sofrer, mas eu jamais poderia contar a alguém sobre os meus sentimentos. Achariam-me ridícula. Ele jamais ficaria com uma garota tão sem graça como eu.

Lavei meu rosto com a água fria, e deixei que meus nervos se acalmassem. Aqueles dois conseguiam acabar com todas as minhas esperanças de tê-lo só para mim. Eu me sentia mal por ser tão egoísta em querê-lo para mim. Mas eu estava apaixonada, e os apaixonados não controlam o que sentem.

Saí do banheiro assim que senti que estava melhor. Mas só de pensar que terei que aturá-los a manhã inteira, meu coração doía e o meu estomago se fechava, como se fosse alguma defesa de meu corpo, e eu não gostava disso.

Assim que entrei em minha sala, pois o sinal já havia tocado, encontrei Francesca perdida, procurando alguma coisa dentro na mochila. Ela sorriu a me ver, e indicou que eu sentasse ao lado dela.

—Como está Vilu? – perguntou pegando o caderno de dentro da mochila e pondo sobre a mesa de sua cadeira.

—Acho que bem. – falei dando de ombros. – Como vãos as coisas? – perguntei.

—Ótimas. Exceto pelo Tomás não me dar à mínima atenção. – ela disse suspirando, completamente frustrada. – Não sei mais o que fazer para ele me notar. Olha só para você, não faz nada e ele está amarradão em você. – eu ri de suas palavras.

—Sei lá, acho que pelo simples fato de eu não sentir nada por ele, o estimula a tentar me conquistar, mas eu não quero nada com Tomás, e não sei o que fazer para ele entender isso. Não quero bancar a “Coração de Pedra”.

—Hm... – resmungou. – Escrevi uma carta para ele, vê se está bom. – disse tirando um envelope branco de dentro da bola e me entregando, para eu ler.

Tomás...

Há muito tempo que quero te dizer isso, mas não encontro palavras, muito menos tempo para te falar o que realmente sinto por você.

Eu sei que você não sente nada por mim, ou que é completamente apaixonado por outra garota, que por sinal é minha melhor amiga, mas a questão é que eu preciso colocar tudo isso para fora, e te contar de uma vez por todas.

Eu te amo desde o momento que eu te vi. E eu juro que tentei não assumir isso, mas se tornou impossível, te vejo todos os dias, falo com você todos os dias. Não posso mais esconder o que sinto por você.

Você me faz sentir bem pelo simples fato de respirar o mesmo ar que eu respiro. Não sei se amar é muito forte, mas eu te amo, e sou muito, muito mesmo, tipo muito, apaixonada por você.

—Wow... – foi à única coisa que deixei escapar e ela me olhou esperançosa. – Não sabia que você era tão obcecada por este garoto. – falei rindo e ela me olhou em repreensão, tirando a carta de minhas mãos.

—É porque você nunca se apaixonou antes por alguém. – Francesca disse séria. Coitada, mal sabe ela que o meu coração já se apaixonou e continua apaixonado loucamente por uma pessoa tão inesperada. – Mas diz aí... O que você achou? Parece que eu estou muito desesperada? – perguntou preocupada.

—Não, não parece. – falei. – Mas se eu fosse você não entregaria agora, ele pode achar estranho. Você tem que dar mais sinais de que está a fim dele. – aconselhei e ela arqueou uma das sobrancelhas.

—Mais sinais do que eu já dou? Só falta eu me jogar nele, e o beijar. – Francesca falou totalmente irônica.

Eu ri por um tempo indeterminável. Realmente Francesca dava muitos sinais, talvez isso assustasse o garoto, mas eu não ia magoar a minha amiga. Cedo ou tarde ela iria perceber que as próprias atitudes dela é que estavam afastando Tomás.

A aula começou minutos depois. León entrou depois de uns quinze minutos. Eu sentava nas cadeiras da frente, ou seja, todos que entravam, eu era a primeira a ver. E digamos que quase eu tive um surto ao ver León Vargas naquele uniforme. Mas meu entusiasmo terminou assim que vi quem estava agarrada a sua mão. Natália. Ela estava com a camisa e a gravata amassada. Com certeza os dois estavam mais uma vez naqueles amassos ridículos.